
O mapa do primeiro turno das eleições de 2026 mostra um avanço da direita representada pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) na distribuição territorial dos votos em relação ao pleito de quatro anos atrás.
Com quase 100% das urnas apuradas, Flávio ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 estados, além do Distrito Federal, enquanto o petista venceu nas outras 11 unidades federativas.
Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua tentativa de reeleição, havia conquistado a maioria dos votos em 13 estados e no DF.
Quem ganhou em cada estado no 1º turno

A mudança mais simbólica é em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e tradicionalmente um dos estados mais disputados em eleições presidenciais.
Além da quantidade de votos em disputa, o território mineiro é considerado uma espécie de “microcosmo” do Brasil, por reunir regiões com perfis sociais e econômicos muito diferentes, influenciadas pelas divisas com Nordeste, Centro-Oeste e demais estados do Sudeste
Desde a redemocratização em 1989, todo candidato que venceu a eleição em Minas Gerais também ganhou a presidência da República.
Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro em Minas por uma margem de apenas 49,7 mil votos. Na eleição atual, com 99,85% das urnas do estado apuradas, Flávio aparecia à frente do petista no primeiro turno com 592,3 mil votos de vantagem.
Tocantins é a outra unidade da Federação que mudou de vencedor. Lula havia obtido 50,4% dos votos válidos contra 44% de Bolsonaro em 2022. Em 2026, Flávio passou à frente, ficando com 50,4%, contra 43,42% do atual presidente.
A alteração faz com que o campo bolsonarista avance territorialmente sobre a maioria dos estados da região Norte. Em 2022, Lula havia vencido no Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins, enquanto Bolsonaro havia ficado à frente em Acre, Rondônia e Roraima.
Em 2026, Flávio repetiu a vitória de seu pai nos três estados, além de conquistar a maioria do eleitorado tocantinense. Amazonas, Pará e Amapá, por sua vez, continuam com Lula.
Lula mantém domínio no Nordeste, mas vantagem diminui
Em termos regionais, o resultado mantém a divisão mais tradicional do eleitorado. Lula preserva o domínio nos nove estados do Nordeste, enquanto Flávio concentra suas maiores vantagens no Sul, Centro-Oeste e em parte do Sudeste.
Apesar disso, em todos os estados nordestinos, Lula obteve uma proporção menor dos votos válidos do que havia alcançado contra Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
No Piauí, por exemplo, o petista passou de 74,2% em 2022 para cerca de 71% em 2026. Na Bahia, recuou de 69,7% para 66,1%. No Ceará, de 65,9% para 63,2%.
Sul e Centro-Oeste continuam com forte vantagem de Flávio
No Sul, Flávio lidera nos três estados. O desempenho é especialmente expressivo em Santa Catarina, onde chegou a 66,65% dos votos válidos, e no Paraná, onde alcançou 59,91%. No Rio Grande do Sul, a vantagem também beira os 20 pontos percentuais (55,54% a 35,73%).
No Centro-Oeste, Flávio também lidera em Mato Grosso (65,15% a 29,18%), Mato Grosso do Sul (58,6% a 34,68%), Goiás (53,61% a 31,05%) e Distrito Federal (51,31% a 38,11%).
Flávio vence em todos os estados do Sudeste
Com a conquista do eleitorado mineiro, Flávio venceu em todos os estados da região Sudeste neste ano.
São Paulo continua sendo o maior colégio eleitoral do país e representa, portanto, uma parcela decisiva da diferença nacional entre os dois candidatos.
No Rio de Janeiro, estado de origem da família Bolsonaro, Flávio também termina à frente. O cenário já aparecia nas pesquisas realizadas às vésperas da votação, que mostravam vantagem do candidato do PL no estado e Lula à frente em Minas Gerais.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/flavio-vence-lula-em-15-estados-df/
Bancada pró-impeachment pode provocar tsunami no STF

Metade dos candidatos eleitos ao Senado neste domingo (4) se declara a favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem histórico de defesa da pauta, que dominou a campanha pelas 54 cadeiras da Casa Alta em disputa nesta eleição.
Segundo o levantamento da Gazeta do Povo, 27 eleitos assumem essa postura claramente e outros candidatos da centro-direita tendem a apoiar a cassação dos magistrados acusados de crimes. Com os novos senadores eleitos, a bancada pró-impeachment deve alcançar o apoio de mais de 45 parlamentares.
O Senado tem a prerrogativa de cassar o mandato de ministros da Corte e as suspeitas das relações entre os magistrados e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, alavancaram os candidatos que já defendiam a bandeira do impeachment.
Durante a campanha, até candidatos de esquerda aderiram ao discurso contra o Supremo, pressionados pela sociedade, que passou a cobrar a saída de Dias Toffoli, Gilmar Mendes e principalmente Alexandre de Moraes, ministro alvo do maior número de pedidos de impeachment no Senado.
O avanço da direita na bancada pró-impeachment também deve resultar no lançamento do senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à Presidência do Senado em oposição à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). A disputa em fevereiro é considerada fundamental para a votação da abertura dos processos para responsabilização dos ministros do STF, pois Alcolumbre é acusado de blindar os magistrados ao engavetar mais de 100 pedidos de impeachment.
Se vencer a disputa, Marinho deve colocar os pedidos em votação no plenário do Senado com o desafio de romper a barreira imposta por uma liminar de Gilmar Mendes. O decano do Supremo elevou o quórum necessário para a admissão da denúncia contra os magistrados, passando de 41 votos (maioria simples) para dois terços dos senadores, ou seja, 54 votos.
PL tem apoio de senadores de outras siglas na bancada pró-impeachment
O PL conquistou a maior bancada com 19 eleitos e outros nove senadores com mandatos no Senado, o que intensifica o movimento pró-impeachment. Além disso, o Novo — partido com diretriz nacional em favor da cassação dos magistrados — elegeu três senadores, entre eles o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo-PR). O registro de candidatura do paranaense está sub judice e será julgado pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A atual bancada pró-impeachment conta com aliados históricos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que estão filiados em outras siglas, como Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Dr. Hiran Gonçalves (PP-RR), Laércio Oliveira (PP-SE) e Alan Rick (Republicanos-AC), que disputará o segundo turno ao governo do Acre. Esses senadores têm mandato até 2030 e já aderiram aos pedidos de impeachment contra Moraes.
Na nova legislatura, a fórmula deve se repetir e nomes eleitos neste domingo como Guilherme Derrite (PP-SP), Delegado Alessandro Vieira (MDB-SE), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Plínio Valério (PSDB-AM) e Evair de Melo (Republicanos-ES) são dados como certos na bancada pró-impeachment.
Maioria por impeachment de ministros do STF vai exigir articulação com o Centrão
Aliado de Jair Bolsonaro, o ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes (União-MT) também pode aderir à pauta após ser o candidato ao Senado mais votado no estado. Ele foi um dos governadores que defendeu a anistia ao ex-presidente da República e participou de manifestações ao lado de Bolsonaro.
Durante a campanha, a ex-primeira-dama goiana Gracinha Caiado (União-GO) passou a defender o impeachment de ministros do Supremo, mas a adesão ao movimento da direita no Parlamento ainda não é dada como certa. A situação é semelhante ao caso da candidata do MDB em Roraima, Teresa Surita. Eleita ao Senado, a ex-esposa de Romero Jucá passou a defender o impeachment de ministros do Supremo durante a campanha. No entanto, assim como Gracinha, ela não possui um histórico de engajamento em defesa da responsabilização dos magistrados da Corte.
Uma aposta da direita é que a nova senadora do Amapá, Rayssa Furlan (Podemos-AP) possa aderir à bancada pró-impeachment por uma questão regional. A ex-primeira-dama de Macapá faz parte do grupo político estadual de oposição de Davi Alcolumbre, assim como o marido, Dr. Furlan (PSD), que foi eleito governador do Amapá neste domingo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/bancada-pro-impeachment-pode-provocar-tsunami-no-stf/
Renovação do Senado é início da renovação do Brasil

O primeiro turno das eleições terminou com a disputa pela Presidência da República se encaminhando para o segundo turno, mas não da forma como se imaginava. Enquanto praticamente todas as pesquisas mostravam Lula à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que em situação de empate técnico, o candidato do PL recebeu pouco mais de 47% dos votos válidos, ficando dois pontos porcentuais (ou cerca de 2,5 milhões de votos) à frente do petista. Mas, se a definição sobre o próximo ocupante do Planalto ficou para o dia 25, a melhor notícia do dia vem dos resultados para o Senado Federal.
Candidatos ao Senado que fazem oposição a Lula e se mostraram, ao longo da campanha, inclinados a levar adiante os tão necessários processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal levaram as duas vagas em disputa no Distrito Federal e em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rondônia; em outros estados, conseguiram uma das vagas. Assim, compensaram com folga a derrota de atuais senadores favoráveis ao impeachment e que não serão reeleitos, como o mineiro Carlos Viana, o capixaba Marcos do Val e o paraense Zequinha Marinho, bem como a saída de senadores de direita e centro-direita que se elegeram governadores, caso do paranaense Sergio Moro e do rondonense Marcos Rogério. Além disso, petistas e outros aliados do governo perderam seus lugares na casa: o alagoano Renan Calheiros, o amapaense Randolfe Rodrigues, a brasiliense Leila do Vôlei, o capixaba Fabiano Contarato, os maranhenses Weverton Rocha e Eliziane Gama, a sul-matogrossense Soraya Thronicke, e o rondonense Acir Gurgacz.
Ninguém precisava ser jurista ou cientista político para perceber que havia algo profundamente errado no menor dos prédios da Praça dos Três Poderes; bastava o bom senso
O recado das urnas foi muito claro. Muitos brasileiros perceberam o espetáculo deprimente de autoproteção protagonizado pela “tropa de choque” do Supremo, na sessão de 15 de setembro. E viram como o STF tentou, nos últimos dias, atropelar o Tribunal Superior Eleitoral em temas que diziam respeito especialmente à corte eleitoral, em uma interferência escancarada com o objetivo quase explícito de beneficiar o atual presidente da República. Ninguém precisava ser jurista ou cientista político para perceber que havia algo profundamente errado no menor dos prédios da Praça dos Três Poderes; bastava o bom senso. Felizmente, campanhas e formadores de opinião souberam comunicar ao eleitor a necessidade de mudar o Senado para colocar um freio no Supremo, e o cidadão entendeu o recado.
O primeiro teste para essa nova configuração do Senado ocorrerá assim que os parlamentares iniciarem o trabalho, em fevereiro de 2027. A maioria conquistada neste domingo é suficiente para que se possa finalmente remover o covarde Davi Alcolumbre (que não disputou as eleições agora por estar na metade dos seus oito anos de mandato) da presidência do Senado e substituí-lo por alguém com a coragem de colocar para votação os inúmeros pedidos de impeachment já protocolados contra Alexandre de Moraes e outros ministros – o nome que desponta é o de Rogério Marinho (PL-RN), que já tentou o comando da casa em 2023, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco.
E esse novo Senado, se for fiel à campanha que fez, não ajudará apenas a retirar do Supremo os atuais ministros indignos da toga; ele também poderá garantir que não tenhamos mais militantes partidários no STF à medida que as vagas na suprema corte forem abertas – uma delas já existe, deixada por Luís Roberto Barroso. Se o Senado atual já foi capaz de barrar Jorge Messias, um Senado ideologicamente mais à direita deve, em tese, ser uma salvaguarda contra novos integrantes da suprema “tropa de choque”, ainda que Lula saia vencedor no segundo turno da eleição presidencial.
Lula e o PT ainda não foram derrotados, mas o domingo deixa uma forte esperança de renovação no Poder Legislativo. O Senado passou tempo demais adormecido, omitindo-se diante de sua obrigação constitucional de ser o contrapeso aos abusos do Supremo, porque os senadores corajosos ainda eram minoria, e o presidente da casa preferiu entrar para a história como um pusilânime. Quem deseja um Brasil decente, onde a juristocracia seja enterrada para dar lugar ao retorno do império da lei, tem muitos motivos para celebrar neste 4 de outubro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/eleicoes-senado-direita-impeachment-ministros-stf/
Veja quais são os 20 estados que elegeram governador no 1º turno

A apuração das eleições de 2026 confirmou neste domingo (4) a eleição de governadores em 20 estados ainda no primeiro turno.
Entre os principais resultados estão as reeleições de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina e Rafael Fonteles (PT) no Piauí, além das vitórias de Sergio Moro (PL) no Paraná, Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais, Zucco (PL) no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério (PL) em Rondônia e Arthur Henrique (PL) em Roraima.
O número ainda pode variar, pois no Rio de Janeiro, a realização do segundo turno ainda está indefinida. Douglas Ruas (PL) obteve 49,27% dos votos contra 42,76% de Eduardo Paes. Ruas, contudo, pode ser eleito ainda no primeiro turno.
Tudo vai depender da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a candidatura de Garotinho (Republicanos). Se for indeferida, os 3,18% que o candidato recebeu nas urnas podem ser considerados nulos. Nesse caso, Ruas ultrapassaria os 50% e seria eleito governador do Rio, elevando para 20, os estados que definiram a eleição neste domingo.
Confira abaixo um resumo de cada estado:
Alagoas
A disputa mais apertada entre os estados já definidos ocorreu em Alagoas. JHC (PSDB) foi eleito governador no primeiro turno com 52,19% dos votos válidos, contra 47,39% de Renan Filho (MDB). Com 99,86% das seções apuradas, o resultado já era matematicamente irreversível.
Amapá
Dr. Furlan (PSD) foi eleito governador com 62,75% dos votos válidos, em um resultado definido já com 100% das seções apuradas. O segundo colocado, Clécio (União Brasil), recebeu 36,97% dos votos válidos.
Bahia
Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador da Bahia no primeiro turno com 55,73% dos votos válidos. Com 99,54% das seções apuradas, o governador superava ACM Neto (União Brasil), que registrava 43,79%, garantindo a vitória no primeiro turno.
Ceará
Elmano de Freitas (PT) foi reeleito governador do Ceará no primeiro turno com 53,16% dos votos válidos. Com 99,75% das seções apuradas, o governador superava Ciro Gomes (PSDB), que registrava 46,26%, garantindo a vitória sem necessidade de segundo turno.
Goiás
Daniel Vilela (MDB) foi eleito governador de Goiás no primeiro turno com 59,17% dos votos válidos. Com 99,9% das seções apuradas, a vantagem sobre Wilder Morais (PL), que registrava 22,96%, já era matematicamente suficiente para garantir a vitória.
Maranhão
Com 54,06% dos votos válidos, Eduardo Braide (PSD) foi eleito governador do Maranhão ainda no primeiro turno. Com 99,78% das seções apuradas, o resultado já estava matematicamente definido. Orleans Brandão (MDB) ficou em segundo lugar, com 34,73% dos votos válidos.
Mato Grosso
Otaviano Pivetta (Republicanos) venceu a eleição para o governo estadual com 60,77% dos votos válidos, com 100% das urnas apuradas. Wellington Fagundes (PL) aparecia na segunda colocação, com 23,19%.
Mato Grosso do Sul
Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul com 67,07% dos votos válidos, com a apuração já totalizada. Fábio Trad (PT) aparecia em segundo lugar, com 23,68%.
Minas Gerais
Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno com 55,40% dos votos válidos. Com 99,88% das seções apuradas, a vantagem sobre Patrus Ananias (PT), que registrava 26,34%, já era matematicamente suficiente para assegurar a vitória sem necessidade de segundo turno.
Pará
Dr. Daniel (Pode) foi eleito governador do Pará no primeiro turno com 51,38% dos votos válidos. Com 99,91% das seções apuradas, o candidato superava Hana Ghassan (MDB), que registrava 46,52%, garantindo a vitória sem necessidade de segundo turno.
Paraíba
Lucas Ribeiro (PP) venceu a disputa pelo governo estadual no primeiro turno com 64,30% dos votos válidos, com 99,98% das urnas apuradas. Efraim Filho (PL) aparecia em segundo, com 24,18%.
Paraná
Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná no primeiro turno com 50,10% dos votos válidos. Com 99,99% das seções apuradas, o candidato garantiu a vitória sobre Sandro Alex (PSD), que registrou 25,36% dos votos válidos.
Pernambuco
Raquel Lyra (PSD) foi eleita governadora de Pernambuco no primeiro turno com 53,26% dos votos válidos. Com 99,95% das seções apuradas, a candidata superava João Campos (PSB), que registrava 44,82%, garantindo a vitória sem necessidade de segundo turno.
Piauí
Rafael Fonteles (PT) foi reeleito governador com 70,90% dos votos válidos, um dos maiores percentuais registrados. Joel Rodrigues (PP) somava 27,53%, com 99,82% das seções apuradas.
Rio Grande do Sul
Zucco (PL) confirmou a vitória ainda no primeiro turno ao alcançar 58,05% dos votos válidos. Juliana Brizola (PDT) registrava 31,65%.
Rondônia
Marcos Rogério (PL) foi eleito governador com 56,86% dos votos válidos. Adailton Furia (PSD) alcançou 20,06%.
Roraima
Arthur Henrique (PL) foi eleito governador com 69,13% dos votos válidos. O segundo colocado, Soldado Sampaio (Republicanos), alcançou 29,25%.
Santa Catarina
Jorginho Mello (PL) garantiu a reeleição em primeiro turno ao atingir 68,98% dos votos válidos. Gelson Merísio (PSB) ficou em segundo lugar, com 15,66%.
São Paulo
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos. Com 99,99% das seções totalizadas, o governador superava com ampla margem Fernando Haddad (PT), que aparecia com 36,42%, assegurando a vitória sem necessidade de segundo turno.
Sergipe
Em Sergipe, Fábio (PSD) conquistou o governo estadual ainda no primeiro turno ao obter 59,27% dos votos válidos. Valmir de Francisquinho (Republicanos) ficou na segunda colocação, com 37,48% dos votos válidos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lista-20-governadores-eleitos-primeiro-turno/
Por que Joaquim Barbosa desapareceu?

Nos idos da década de 2010, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa parecia ser uma figura grande demais para desaparecer. Envergando sua toga, ele se tornou um dos rostos mais conhecidos do país ao comandar, como relator, o julgamento do caso do Mensalão. Alçado à condição de um quase herói nacional, Barbosa personificava a punição aos poderosos e como magistrado parecia ter amealhado um capital político raro aos seus pares.
A promessa eleitoral como um nome forte no combate à corrupção, porém, nunca passou disso: uma promessa. Se antes Barbosa parecia alguém que conseguiria converter em realidade qualquer projeto político que abraçasse, há muito que o ex-ministro não desperta o mesmo furor de outrora. Antes cotado como um outsider na política com potencial de vitória, ele se converteu em um outsider da vida pública desde sua saída precoce do STF.
O último lampejo de Barbosa ocorreu em maio deste ano, quando foi apresentado como pré-candidato do Democracia Cristã à Presidência da República nas eleições de 2026. A apresentação foi feita por meio de uma animação gerada por inteligência artificial, na qual o ex-ministro — ostentando a toga quase como uma heroica capa — chamava os eleitores para “virarem a página”.
O vídeo divulgado pelo partido não teria sido aprovado por Barbosa nem submetido previamente à sua equipe de articulação política. Tratado como “clandestino” por Aldo Rebelo, outro potencial pré-candidato pelo DC, Barbosa não encontrou o apoio que esperava e desistiu da candidatura.
Em 2018, Barbosa havia ensaiado sua primeira incursão na política. Filiado ao PSB, chegou a romper a barreira dos dois dígitos em pesquisas de intenção de voto. O ar novidadeiro e a aura de “terceira via” chegaram a empolgar o partido, mas não tardou para que a desistência fosse anunciada, em maio daquele ano.
Saída precoce sob ameaças marcou fim súbito da carreira no STF
No último dia 16 de junho, o ex-ministro postou em sua conta oficial no X o anúncio de seu retorno às redes sociais. Desde então, nenhuma outra manifestação no perfil. Em resposta à postagem, um internauta questionou o fato de Barbosa ter se aposentado de forma precoce da Suprema Corte: “Se o senhor não tinha saúde sequer para ficar sentado no STF, terá para gerenciar o Brasil?”.
Fosse pelo critério da idade, Barbosa ainda poderia ter trajado a toga de ministro do STF até 2024, quando completaria 75 anos e atingiria o teto etário para o cargo. A decisão de sair da corte veio dez anos antes, em 2014. Na sessão de 29 de maio daquele ano, ele anunciou formalmente sua escolha em um discurso.
“Afasto-me não apenas da Presidência, mas do cargo de ministro. Tive a felicidade, a satisfação e a alegria de compor esta Corte, no que é talvez o seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político-institucional do nosso país”, disse o ministro.
O motivo da saída, além do notório problema de saúde na coluna — que o fazia participar de algumas das sessões em pé, apoiado em sua cadeira — foi, segundo Barbosa, o exercício de seu livre-arbítrio e de suas convicções republicanas. Mas registros da imprensa da época mostram que a decisão pode ter sido tomada por motivos bem menos nobres.
Sua atuação no julgamento da Ação Penal 470, conhecida como o caso do Mensalão, rendeu-lhe uma série de ameaças públicas e pessoais, virtuais e no mundo real. Frequentador assíduo de um restaurante em Brasília, o então ministro se viu obrigado a mudar de hábitos depois de ter sido hostilizado por um grupo de militantes do PT na saída do estabelecimento.
Nas redes sociais sobravam postagens contrárias ao ministro. Em um perfil apócrifo investigado pela Polícia Federal, o autor dizia que Barbosa “morreria de câncer ou com um tiro na cabeça”. Em outro perfil, mais ameaças: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas. Joaquim Barbosa deve ser morto”.
No STF, um de seus desafetos mais notórios foi o ministro Gilmar Mendes. Em uma altercação entre os dois, em 2009, Barbosa lembrou o colega de que era preciso sair às ruas. Diante da resposta de Mendes, que afirmou “estar na rua”, Barbosa disparou: “Vossa Excelência não está na rua. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”.
Absolvição de executivos da Vale no caso de Mariana
Barbosa continuou aparecendo ocasionalmente — em entrevistas, eventos e declarações pontuais —, mas sem construir uma atuação política permanente. Em 2022, por exemplo, foi entrevistado por Pedro Bial e voltou a falar sobre o cenário político brasileiro. Nada, porém, que lembrasse a dimensão de sua presença pública durante o julgamento do Mensalão.
Como advogado, atuou como parecerista em alguns casos. Em um dos mais notórios, Joaquim Barbosa ajudou, com um parecer, na absolvição de executivos da mineradora Vale acusados pelo MPF de Minas Gerais por homicídios e crimes ambientais decorrentes da tragédia de Mariana. Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão se rompeu, provocando uma onda gigante de lama que soterrou um vilarejo e matou 19 pessoas.
Ternos de Paris e Los Angeles
Em seu discurso de posse como presidente do STF, em novembro de 2012, o ministro Joaquim Barbosa defendeu uma Justiça igual para todos. “Gastam-se bilhões de reais anualmente para que tenhamos um bom funcionamento da máquina judiciária, porém, é importante que se diga: o Judiciário a que aspiramos é um Judiciário sem firulas, sem floreios, sem rapapés. O que buscamos é um Judiciário célere, efetivo e justo”.
As firulas criticadas por ele no discurso certamente não se aplicavam às próprias escolhas na hora de comprar roupas. Como bem detalha uma reportagem de 2007 da revista Veja — e reproduzida em parte em seu perfil no Facebook —, essa era a imagem de Barbosa: “É um homem frugal, do tipo que prepara seu próprio café-da-manhã, consome comida natural, bebe suco de clorofila, aprecia um chope com os amigos e escuta MPB”.
O texto prossegue. “Mas Barabosa também é um sujeito refinado, aficionado por música clássica, modesto bebedor de vinho, que compra seus ternos elegantes em duas cidades: Paris (o nome da loja? “Não, esse eu não conto, não”, ri, com ar matreiro) e Los Angeles (“A loja é Three-day Suit, tem de ter sorte para chegar em tempo de liquidação”).”
A história de Joaquim Barbosa, portanto, é menos a de um homem que simplesmente desapareceu dos holofotes do que a de alguém que entrou e saiu da vida pública no momento em que poderia ter transformado sua enorme popularidade em uma carreira política duradoura.
Em 2012, ainda no cargo de ministro, Barbosa se mostrou lisonjeado pela possibilidade de atender os desejos de parte da população que o queria como presidente da República. Ao portal R7, ele disse: “Qual brasileiro não ficaria satisfeito em condições idênticas à minha? Uma pessoa que nunca fez política, nunca militou em partido político nem mesmo em associações, sempre dedicou sua vida ao serviço do Estado brasileiro, da sociedade brasileira, espontaneamente se ver contemplado com números tão alvissareiros”.
Dez anos depois de deixar o Supremo, fica a pergunta que ajudaria a explicar essa trajetória: onde foi parar Joaquim Barbosa — e por que o homem que chegou a ser tratado como uma das maiores esperanças de renovação da política brasileira nunca conseguiu, ou nunca quis, ocupar o espaço que lhe atribuíram?
A reportagem da Gazeta do Povo procurou Joaquim Barbosa para solicitar uma entrevista, mas não obteve retorno até a conclusão deste texto.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/por-que-joaquim-barbosa-desapareceu/#cxrecs_s
Dólar cai e fundos brasileiros no exterior disparam após liderança de Flávio no primeiro turno

O dólar abriu a segunda-feira (5) em forte queda de mais de 4% e sendo negociado a R$ 4,9835, enquanto fundos ligados ao mercado brasileiro dispararam no exterior após a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições. A reação dos investidores ocorre antes da abertura dos mercados no Brasil e reflete a avaliação de que o resultado eleitoral ampliou as chances da oposição na disputa presidencial.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, contrariando o cenário apontado pela maioria das pesquisas eleitorais, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
A reação mais forte apareceu nos fundos brasileiros negociados no exterior, que anteciparam parte do movimento esperado para a abertura da Bolsa brasileira. O EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações de empresas brasileiras, chegou a subir 9,98% no after-hours deste domingo (4).
Às 23h50, pelo horário de Brasília, o EWZ era negociado a US$ 42, ante US$ 38,19 no fechamento do pregão regular de Nova York. A alta no horário estendido contrastou com o avanço de 2,83% registrado pelo fundo durante a sessão regular.
A reação também foi observada na Ásia, onde investidores acompanharam o resultado eleitoral brasileiro antes da abertura dos mercados domésticos. Em Tóquio, um fundo que acompanha o Ibovespa abriu o dia com alta de 9,40%, aos 322 ienes.
O resultado do primeiro turno passou a concentrar as atenções do mercado, que agora recalibra suas apostas para o segundo turno e para os possíveis efeitos de uma eventual mudança de governo sobre a economia brasileira. Diferente do que a maioria das pesquisas mostrou, Flávio teve vantagem sobre Lula na primeira fase da disputa, abrindo a expectativa de um ajuste fiscal consistente em 2027.
Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar no primeiro turno, enquanto quase 1 milhão de eleitores participaram da eleição no exterior. A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidida em 25 de outubro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/dolar-cai-fundos-brasileiros-exterior-disparam-lideranca-flavio/
Grupo que apoiou censura sente na pele aparato que ajudou a criar no Brasil

O cancelamento do último debate presidencial da TV Globo, na noite da quinta-feira (1º), produziu uma situação que seria difícil imaginar poucos anos atrás. Depois de receber decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) que alteravam as regras do programa, a Globo denunciou uma “interferência indevida” do Judiciário na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais, e cancelou o evento alegando insegurança jurídica.
A reação da emissora se soma a uma mudança de tom já perceptível entre setores que, nos últimos anos, haviam apoiado a censura do Judiciário sobre o debate público. Políticos, artistas e formadores de opinião que defenderam bloqueios de plataformas e remoções de conteúdo em nome de um suposto combate à desinformação agora veem suas próprias publicações atingidas e passam a falar em censura ou ameaça à liberdade de expressão. O aparato criado para alcançar adversários políticos começa a produzir efeitos também sobre quem ajudou a legitimá-lo.
Artistas, parlamentares e comentaristas que no passado defenderam a censura do Judiciário agora também reclamam de publicações derrubadas, depois de serem enquadrados pelas regras que apoiaram.
Um dos casos mais recentes é o do humorista Antonio Tabet, que argumentava, em defesa das decisões de censura do Judiciário, que determinados discursos não podem ser tratados como se estivessem fora de qualquer responsabilidade. Quando o ministro André Mendonça decidiu retirar uma publicação sua no caso recente da fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida, Tabet passou a falar explicitamente em censura e levou a questão ao Supremo. Ao final, o próprio TSE delimitou a ordem inicial e permitiu que sua postagem permanecesse no ar.
Em abril de 2024, durante o confronto de Elon Musk com Alexandre de Moraes, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que regulamentar as redes era urgente e disse que, se o X concretizasse a ameaça de descumprir decisões brasileiras, o país tinha “plena capacidade de bloquear o acesso à rede social”. “Vai ser chato, mas é o mais seguro a se fazer e ninguém vai morrer”, comentou.
Recentemente, uma postagem da deputada também sobre o caso de Nossa Senhora Aparecida entrou na mesma ordem de remoção do TSE, revista posteriormente. Erika recorreu ao tribunal. “Não se pode admitir censura no atacado, sem ao menos analisar as postagens e identificar eventual desinformação”, disse sua defesa.
Em 2023, ao defender o PL das Fake News, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) escreveu que era necessário pôr fim à “terra de ninguém” das redes sociais, com maior responsabilização das plataformas. Em 2024, falou que o empresário Elon Musk, dono do X, estava “pedindo por penalidades mais graves” ao descumprir as ordens de Alexandre de Moraes.
Em 26 de março deste ano, Zeca publicou que o ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado (Novo-PR) e que teve seu mandato como deputado federal cassado em 2023, “segue inelegível” e “é criminoso”. A Justiça Eleitoral do Paraná mandou retirar as postagens e, em abril, multou Zeca em R$ 15 mil por propaganda eleitoral antecipada negativa. Zeca acusou Deltan de censura. No mês seguinte, contudo, ele conseguiu no STF autorização para recolocar as publicações no ar: Gilmar Mendes, desafeto de Dallagnol, concluiu que a Justiça Eleitoral do Paraná havia imposto uma “indevida restrição à liberdade de expressão”.
Outro caso é o do economista e comentarista político Joel Pinheiro da Fonseca. Nas redes sociais, viralizou nos últimos dias um vídeo de julho de 2020 em que ele comentava a decisão de Moraes que suspendeu perfis de investigados no inquérito das fake news. Na ocasião, Joel rejeitou a ideia de que a medida configurasse censura. “O que foi feito aqui não está censurando nenhuma opinião”, afirmou. Moraes havia determinado a suspensão de contas de apoiadores de Jair Bolsonaro, entre eles Allan dos Santos, Sara Winter e Luciano Hang, no âmbito do inquérito das fake news.
Seis anos depois, foi Joel quem viu uma publicação sua desaparecer para o público brasileiro. A Meta restringiu, cerca de 15 minutos depois da postagem, um vídeo em que ele criticava decisões de Flávio Dino e dizia que o STF estava “fora de controle”. A empresa alegou cumprimento das regras eleitorais brasileiras. O episódio ocorre num ambiente em que as plataformas passaram a assumir obrigações cada vez maiores de monitoramento e retirada de conteúdos, tanto pela regulamentação eleitoral quanto pelas novas balizas fixadas pelo STF para a responsabilidade das redes, após o julgamento sobre o artigo 19 do Marco Civil.
Desta vez, a reação de Joel foi diferente da de 2020: “Não dá. Olha o estado do debate público como fica”, comentou, reclamando que não encontra nem sequer um caminho para contestá-la. A própria Meta chegou depois a concluir, em uma revisão, que o conteúdo não violava as regras eleitorais e o restabeleceu, antes de retirá-lo novamente horas mais tarde, sem explicação.
Veículos que apoiaram restrições agora reclamam de censura
Diversos veículos de comunicação que antes apoiavam as restrições impostas pelo Judiciário agora apontam explicitamente que ministros estão praticando censura e ameaçando a democracia.
Na maior emissora de TV do país, acusações de intromissão indevida do Judiciário surgem depois de anos em que o próprio Grupo Globo tratou intervenções severas sobre plataformas e conteúdos como respostas legítimas aos problemas trazidos pelas redes sociais. O apoio do conglomerado a um endurecimento do controle sobre conteúdos nas redes está registrado em editoriais de O Globo dos últimos anos.
Em setembro de 2021, o jornal disse que o TSE fazia “muito bem” ao “apertar o cerco contra as mentiras” sobre o sistema eleitoral. Em janeiro de 2022, considerou correta a possibilidade, levantada pelo então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, de suspender o Telegram no país, reconhecendo que a medida restringiria a liberdade dos usuários, mas sustentando que “qualquer outro caminho poderia se revelar irresponsável”.
Em março de 2022, O Globo classificou como “incontestável, do ponto de vista jurídico” a ordem de Alexandre de Moraes para suspender temporariamente o Telegram e, quatro dias depois, chamou de “certeira” a estratégia do ministro de ameaçar bloquear o aplicativo até que ele removesse publicações e bloqueasse canais. Em abril do mesmo ano, cobrou do TSE “esforço redobrado” e agilidade para “vigiar as milícias digitais”, elogiando as medidas adotadas pelo STF e pelo TSE e a aproximação dos tribunais com as plataformas.
Em 2023, defendeu a aprovação urgente do PL das Fake News e a ampliação da responsabilidade das empresas pelo conteúdo publicado por usuários. E, em junho de 2025, chamou de “avanço indiscutível” a maioria formada no STF para derrubar a proteção do artigo 19 do Marco Civil da Internet e permitir que plataformas fossem responsabilizadas por determinados conteúdos mesmo antes de uma ordem judicial de remoção.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/grupo-que-apoiou-censura-sente-na-pele-aparato-que-ajudou-a-criar-no-brasil/#cxrecs_s

O novo Senado não elegerá Alcolumbre como seu presidente

Bom dia. Foi um grande domingo. Pena que ainda faltou muita gente: 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Além disso, houve mais de 5 milhões de votos em branco ou nulos.
Mas, enfim, um dia de eleição é um dia de manifestação do poder do povo. E o povo promoveu uma renovação muito importante nos governos estaduais e, principalmente, no Senado, que talvez seja o maior poder do país — e que, pela Constituição, torna o Senado brasileiro o mais poderoso do mundo.
Isso não acontece quando o presidente do Senado, como fizeram Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, deixa de cumprir o dever que lhe cabe. No dia 1º de fevereiro já será eleito o novo presidente do Senado, que não será Alcolumbre. E, a partir do ano que vem, haverá uma nova composição da Casa, com a direita em maioria.
Das 54 vagas disputadas ontem, no mínimo 42 ou 43 foram preenchidas por nomes da direita ou da centro-direita. Isso representa mais da metade do Senado, que tem 81 senadores.
Vinte e sete senadores ainda têm mais quatro anos de mandato pela frente, enquanto 54 foram eleitos neste domingo para um mandato de oito anos. E, em geral, surgem nomes de enfrentamento, que surpreenderam até as pesquisas de opinião.
Em São Paulo, por exemplo, os candidatos da direita estavam sempre atrás de Marina e Tebet e acabaram derrotando as duas. No Rio Grande do Sul, estão eleitos Sanderson e Heinze. No Rio de Janeiro, também apareceram dois senadores do PL.
Enfim, houve um número muito importante de governadores eleitos, inclusive aqueles que venceram no primeiro turno. Para o PT, devem ter ficado apenas os governos da Bahia e do Ceará. Quem mais elegeu governadores foi o PL, com cerca de meia dúzia, inclusive alguns que venceram já no primeiro turno: Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Sérgio Moro, no Paraná; Tarcísio, em São Paulo — estou citando também governadores que não são do PL, mas que apoiam Flávio —; Cleitinho, em Minas Gerais; e o ex-senador Rogério, em Rondônia.
Enfim, foram excelentes resultados.
O que marcou muito esta eleição foi a constatação de que a política brasileira está realmente polarizada: é o contra e o a favor. O voto de ontem foi contra Lula, de um lado, mais do que a favor de Flávio. Era um voto para tirar o PT.
E o Supremo é responsável por isso, porque derrubou a nossa esperança de acabar com a impunidade ao livrar os corruptos da Lava Jato. A corrupção correu solta nesses últimos quatro anos, e foi contra isso que a maioria se levantou: uma maioria de 47% dos votos válidos contra 45% de Lula. Uma diferença de menos de 3 milhões de votos.
Essa diferença será definida agora, no dia 25, porque há os votos que foram para Caiado, que deverão migrar para Flávio; os que foram para Zema, em boa parte; uma parcela dos que foram para Renan; e parte também dos que foram para Curi.
Esses são os votos que, acredito, mais vão se dividir. Mas Flávio só tende a aumentar a diferença, sem contar com a possibilidade de que aqueles 33 milhões que não foram votar decidam comparecer às urnas.
Essa é uma situação muito ruim para Lula, porque a maioria dos governadores eleitos deverá entrar em campanha por Flávio. No Amazonas, por exemplo, estão Aziz e a candidata do PL, para quem Flávio deverá ir fazer campanha. Ela ficou no segundo turno, e Aziz, embora seja do PSD, todos sabem que é pró-Lula.
Há ainda outro fator que certamente será explorado pela campanha de Flávio: com o Senado escolhido neste domingo, não haverá como Lula governar da mesma maneira, porque essa Casa não deverá aprovar nenhuma indicação de um aliado seu para o Supremo. E esse Senado poderá fazer impeachment de ministro do Supremo. Além disso, o Congresso deverá instalar muitas CPIs para investigar as ligações do Master, de Lulinha e de ministros do Supremo.
Por isso, serão três semanas de desespero. Vamos ficar de olho para acompanhar a movimentação dos ministros do Supremo e verificar se eles tentarão impedir que o futuro de alguns deles se encurte bastante.
De Brasília, Alexandre Garcia.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/o-novo-senado-nao-elegera-alcolumbre-como-seu-presidente/

Eleição de domingo marcou enterro de veteranos da política, incluindo vários aliados de Lula

Esta eleição, além de mostrar que as pesquisas erraram feio nos índices para Presidência, comprovou o enterro dos caciques tradicionais – e alguns que tiveram a chance de fazer história e ficam no caminho. Tradicionais e veteranos políticos foram derrotados – incluindo vários aliados de Lula da Silva.
Disputando vagas para o Senado, vão ficar em casa Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) – presidente do Progressistas, Aécio Neves (PSDB-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Benedita da Silva (PT-RJ), Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (REDE-SP), Esperidião Amim (PP-SC) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O ex-presidenciável Aécio amargou um vergonhoso 7º lugar em Minas, que já governou. Ex-ministras de Lula da Silva, Marina e Simone abraçaram a causa do petista em SP e ficaram no caminho. Gleisi tentou até no tapetão tirar do caminho toda a chapa ao Senado de Deltan Dallagnol e Filipe Barros, e se deu mal. Ex-todo poderoso governador de Goiás, Marconi Perillo foi humilhado no Estado e ficou em 4º lugar.
Bolsonaro no Senado
O PL vai chegar no mínimo a 25 senadores em 2027, já confirmados ontem – além de outros tantos aliados bolsonaristas, independentemente de quem se eleger presidente. O partido já vai chegar mandando na presidência da casa e nas principais comissões. E com praticamente um terço do plenário sob controle.
Silêncio conveniente
O silêncio do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e a indefinição do partido na eleição nacional, sem abraçar um dos candidatos, mostra o velho e forte partido que está no poder em todos os governos desde a redemocratização. O MDB é o cabo eleitoral dos sonhos, com o maior número de prefeitos (861) e vereadores (8.114) do Brasil.
Vices escondidos
Lula da Silva e Flávio Bolsonaro – principalmente este – esconderam seus vices. Geraldo Alckmin não ganha nem para vereador mais, após romper com seu eleitor tradicional e fechar com Lula da Silva. Já Alfredo Gaspar, vice do bolsonarista, é um nome de Arthur Lira, eleito ontem senador em Alagoas.
Aviões americanos
É balela essa história de ingerência do governo norte-americano na eleição brasileira. AS instituições aqui são fortes, as urnas eletrônicas mais ainda. Mas é fato que causa estranheza o movimento nas pistas e pátios de uma semana para cá. Aterrissaram aqui grandes jatos militares e do FBI em Natal (RN), Campo Grande (MS) e Campinas (SP).
Vereador preso
O vereador Valdemir Virgino (PRD) e outras 17 pessoas foram presas no sábado, em Teresina (PI), sob acusação de compra de votos. Com o parlamentar foram apreendidos cerca de R$ 47 mil. Das pessoas detidas, 16 foram liberadas após pagamento de fiança. A defesa de Valdemir afirmou que o dinheiro era para o pagamento de pessoas que trabalharam na campanha eleitoral.
Resseguro
As cessões de resseguro das seguradoras brasileiras no 1º semestre de 2026 tiveram um leve aumento de 2,7%, comparado ao mesmo período no ano anterior e considerando o ramo de pessoas. O volume de prêmio de resseguro foi de R$ 15,27 bilhões, no 1º semestre de 2026. O levantamento é da Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Ponto final
Faltou uma mulher candidata a presidente, em pleno ano 2026 – no terço do século 21 – quando tanto se debate o empoderamento delas.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/eleicao-de-domingo-marcou-enterro-de-veteranos-da-politica-incluindo-varios-aliados-de-lula/

Novo senado pode impor limites ao STF

A eleição para o Senado foi melhor para o bolsonarismo do que indicavam as previsões mais otimistas — e pior para Lula, para o PT e para o STF. O PL elegeu 19 senadores nas 54 vagas em disputa e será, de longe, a maior bancada da nova Casa. Igualmente importante, porém, foi a quantidade de aliados que chegaram ao Senado por outras legendas.
O resultado não produziu uma maioria bolsonarista capaz de fazer tudo o que quiser, mas criou um bloco político suficientemente grande para alterar a agenda da Casa — especialmente se Flávio Bolsonaro confirmar sua vitória no segundo turno.
Flávio entendeu que a eleição presidencial é apenas metade da batalha: a outra metade está no Senado. Por isso, ele transformou a escolha dos senadores em eixo de sua campanha, procurando construir uma rede que não dependesse exclusivamente do PL. O resultado mostrou que a estratégia funcionou melhor do que muitos esperavam.
As dobradinhas são a imagem mais eloquente dessa vitória. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, conquistaram as duas vagas. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis fizeram uma dobradinha inteiramente bolsonarista. Em Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro repetiram a fórmula. No Paraná, Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo, foram eleitos. No Rio Grande do Sul, Sanderson, do PL, e Marcel van Hattem, do Novo, também levaram as duas cadeiras. Em São Paulo, Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, derrotaram Marina Silva e Simone Tebet.
O desenho é importante porque mostra que a direita não venceu apenas pelo desempenho do PL. Ela venceu também pela capacidade de coordenar votos entre partidos diferentes
Em vários estados, o eleitor foi levado a escolher dois nomes do mesmo campo político, mesmo quando eles pertenciam a legendas distintas. É uma diferença relevante: no Senado, mais importante que uma identidade partidária rígida é a possibilidade de formar maiorias para determinadas pautas.
O outro lado da fotografia é igualmente significativo. Ficaram fora da Casa nomes que representavam apoios importantes a Lula: Gleisi Hoffmann, derrotada no Paraná por Filipe Barros e Dallagnol; Benedita da Silva, no Rio; Marina Silva e Simone Tebet, em São Paulo; Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul; Renan Calheiros, em Alagoas; Soraya Thronicke, em Mato Grosso do Sul; Eliziane Gama, no Maranhão; Leila do Vôlei, no Distrito Federal; Randolfe Rodrigues, no Amapá. É uma derrota de grande significado político para Lula.
Aqui entra o STF. O Senado é a única instituição com competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. A condenação exige dois terços da Casa: 54 dos 81 senadores. Portanto, não: a direita não terá, sozinha, os 54 votos necessários para cassar um ministro do STF. Mas o novo quadro lhe dá uma bancada muito mais poderosa, capaz de se aproximar desse número com o apoio de senadores do centro, a depender do desenrolar dos acontecimentos.
Além disso, a maioria absoluta de 41 senadores já permite disputar o comando da Casa, influenciar a composição das comissões, aprovar boa parte das matérias que dependem de maioria simples e dificultar a vida do Executivo. Mas o impeachment de ministros do Supremo não será uma consequência automática desta eleição.
Há mais de uma centena de pedidos de impeachment contra ministros do STF parados, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vinha resistindo a dar andamento a eles. A nova composição aumenta fortemente a pressão sobre ele — ainda mais porque o próprio comando do Senado será renovado.
A presidência da Casa pode ser trocada em 1º de fevereiro de 2027, para um mandato de dois anos. Para ser eleito presidente, são necessários 41 votos. A direita chega à nova legislatura com força suficiente para ocupar esse cargo e para tornar a reeleição de Alcolumbre muito mais difícil do que parecia antes das urnas. Nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina já são cogitados.
Um presidente do Senado apoiado por uma maioria conservadora terá diante de si uma agenda que inclui segurança pública, endurecimento penal, liberdade de expressão, pautas de costumes, anistia aos presos políticos e outros temas que encontram forte resistência no atual campo governista. Algumas dessas matérias exigem apenas maioria simples; outras dependerão de negociações mais amplas. Em qualquer caso, o centro de gravidade da Casa terá mudado.
A segurança pública é talvez o exemplo mais evidente. A eleição de Guilherme Derrite em São Paulo, depois de sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública, e a chegada de diversos candidatos identificados com uma agenda de endurecimento contra o crime dão ao tema uma base política mais robusta.
A liberdade de expressão será outro campo de batalha, especialmente diante dos conflitos acumulados entre plataformas digitais, Congresso e Supremo. E as chamadas pautas de costumes — aborto, drogas, educação, ideologia de gênero, família e direitos individuais — tendem a encontrar no novo Senado um ambiente mais receptivo à direita.
Isso não significa que todas essas propostas serão aprovadas. O Senado continuará sendo uma Casa de negociação, e o Centrão continuará tendo um peso decisivo. O que muda é o ponto de partida. A direita terá mais votos para negociar. Se Flávio confirmar sua vitória no segundo turno, já começará o governo com uma vantagem que Lula não teria: uma base política de senadores afinada com sua agenda e uma oposição muito menor dentro da Casa.
Ou seja: Flávio terá muito mais governabilidade. Um presidente não governa apenas com o número de votos que obteve para chegar ao Planalto. Governa com os votos que consegue reunir depois da eleição. E o Senado que emerge das urnas tornou essa conta muito mais confortável para Flávio. O ponto decisivo não é saber se haverá impeachment de ministro do STF. É saber se o Senado passará a exercer com mais intensidade os poderes que a Constituição lhe atribui.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/novo-senado-pode-impor-limites-ao-stf/

Moraes é o grande derrotado nas eleições deste domingo

As urnas falaram, e falaram alto. Não foi sussurro de pesquisa encomendada, nem recado de editorial da imprensa, nem sentença de toga. Foi o eleitor, de carne e osso, os milhões de “pequenos tiranos” carimbando nas seções o que o sistema inteiro tentou impedir. A direita já sai do primeiro turno com governadores eleitos em praças que o establishment jurava ter sob controle: Tarcísio de Freitas reeleito em São Paulo com folga humilhante, Zucco no Rio Grande do Sul, Jorginho Mello em Santa Catarina, Cleitinho em Minas, Moro no Paraná, Marcos Rogério em Rondônia, Arthur Henrique em Roraima. O mapa não ficou vermelho. Ficou azul, e de um azul que não pede licença.
A surpresa da noite, porém, tem CEP no Rio de Janeiro. Douglas Ruas, do PL, aquele que as pesquisas tratavam como figurante, encostou no limiar da vitória no primeiro turno e deixou Eduardo Paes, o prefeito eterno, o candidato do consórcio, o homem de todas as alianças, correndo atrás do prejuízo. O Rio do Centrão fisiológico deu um tapa na mesa. Quem apostou na continuidade do mesmo de sempre levou o troco na urna. Não foi acidente. Foi recado. Há esperanças!
Do outro lado da trincheira, a degola foi cirúrgica. O eleitor decidiu aposentar uma galeria que se achava vitalícia. Renan Calheiros, o eterno dono do Senado alagoano, o homem que sobreviveu a tudo menos ao cansaço do povo. Manuela D’Ávila, a eterna promessa que nunca entregou mandato à altura do marketing. Soraya Thronicke, a “trambique” de plantão, que trocou convicção por holofote e saiu sem nenhum dos dois. Simone Tebet, a candidata do “centro responsável” que o eleitor tratou como o que sempre foi: apêndice do lulismo. Marina Silva, a santa laica do ambientalismo de gabinete, finalmente confrontada com a realidade de que discurso para esquerda caviar não é voto.
O grande derrotado atende por Alexandre de Moraes […] O tirano corrupto da toga apostou que, sem o líder, o rebanho se dispersaria. O rebanho foi às urnas e votou como quem responde a uma provocação
A lista não para aí, e é bom que não pare. Benedita da Silva, Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Eliziane Gama, Contarato, Leila do vôlei. Cada um com seu sotaque, seu nicho, sua militância de rede social, mas o mesmo viés lulista. Todos com a mesma conta no final: o eleitor passou a tesoura. Gleisi, especialmente, merecia o tchau mais seco. Quem passou anos tratando oposição como caso de polícia descobriu que a polícia, no domingo, atende pelo nome de urna eletrônica. Não houve complô. Houve cédula.
O fiasco isolado, o vexame que pede moldura, é o de Renan Santos. O cavalo de Troia do Gilmar, o adolescente crescido do MBL que passou a campanha inteira mirando o Flávio para ajudar o Lula, o pretenso outsider que só era outsider na legenda. Chamou a eleição de vazia, chamou o adversário de burro, posou de alternativa e colheu o que planta quem faz oposição à oposição: irrelevância. O teatro das tesouras não encheu seção. O eleitor percebeu o jogo sujo e mandou o personagem de volta ao camarim. Mas cumpriu sua Missão: impedir a vitória de Flávio já no primeiro turno.
No meio desse terremoto, um nome virou fenômeno, e não é força de expressão. Nikolas Ferreira, o “piá de bosta” que desespera a Janja e o Kim Paim, não apenas se reelegeu com votação de presidente;virou cabo eleitoral de peso, o maior da direita. Lucas Pavanato, em São Paulo, passou de dois milhões de votos. Eduarda Campopiano teve quase dois milhões de votos para deputada estadual: bizarro! A comparação com André Janones, aquele do pix e do mimimi, é quase cruel: de um lado, milhões; do outro, dezenas de milhares. Nikolas não é só deputado. É máquina. É transferidor de voto, é rosto de uma geração que não pede desculpa por ser de direita. As jovens lideranças conservadoras arrasaram! O presente é do Lula, mas o futuro é nosso!
José Dirceu, por outro lado, o fantasma do mensalão que insistiu em assombrar São Paulo, ficou com pouco mais de 70 mil votos, lá pela septuagésima posição. O homem que um dia mandava no PT e no Planalto não manda nem na própria seção. Há uma justiça poética nisso que nenhum ministro consegue cassar. O velho esquema tentou a reencarnação e o eleitor preferiu o exorcismo.
A Lava Jato, por sua vez, continua viva. Seu legado é visível na eleição de Sergio Moro como governador e Deltan Dallagnol como o mais votado para o Senado no Paraná. Gilmar Mendes, Lula, Arthur Machado do 5º Elemento, todos tentam difamar a operação mais eficaz de combate à corrupção, mas o povo mostrou que pensa diferente.
No Senado que se desenha, o nome que ganha corpo é o de Rogério Marinho. Não é chute de corredor. É leitura de bancada. Com a direita reforçada, Marinho entra na conversa de presidência da Casa com a legitimidade que Renan Calheiros perdeu na urna. Quem quiser trancar pauta, quem quiser repetir o teatro de sempre, vai ter de negociar com alguém que não deve o mandato ao condomínio de Brasília. Isso muda o jogo. Muda de verdade.
E ainda assim, nenhum desses nomes é o grande derrotado da noite. O grande derrotado atende por Alexandre de Moraes. Tudo isso, cada governador, cada degola, cada milhão de Nikolas e de Pavanato, aconteceu com Jair Bolsonaro preso e ostracizado, com a família sob cerco, com a censura ligada, com o inquérito do fim do mundo ainda aberto. O tirano corrupto da toga apostou que, sem o líder, o rebanho se dispersaria. O rebanho foi às urnas e votou como quem responde a uma provocação. “Derrotamos o bolsonarismo”, disse Barroso de forma muito precipitada.
Davi Alcolumbre já deveria pautar o impeachment de Moraes. Não por vingança. Por inevitabilidade. A urna não absolve ministro. Mas, neste domingo, ela deixou claro quem perdeu.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/moraes-e-o-grande-derrotado-nas-eleicoes-deste-domingo/
Bolsa dispara e chega perto de 9% após Flávio liderar primeiro turno da eleição

A bolsa de valores brasileira, a B3, disparou na primeira hora de operação nesta segunda-feira (5) e chegou a 8,91%, um dia após a eleição presidencial avançar para o segundo turno com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O pregou começou a operar perto da estabilidade e alcançou 4,05% em apenas meia hora. Pouco depois, antes das 11h, alcançou a máxima de 8,91% aos 209 mil pontos, recorde de negociação, com negociação de R$ 5,7 bilhões.
O desempenho da B3 seguiu a tendência de otimismo do mercado financeiro que, mais cedo, negociou o dólar a menos de R$ 5.
O resultado do primeiro turno passou a concentrar as atenções do mercado, que agora recalibra suas apostas para o segundo turno e para os possíveis efeitos de uma eventual mudança de governo sobre a economia brasileira. Diferente do que a maioria das pesquisas mostrou, Flávio teve vantagem sobre Lula na primeira fase da disputa, abrindo a expectativa de um ajuste fiscal consistente em 2027.
Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a votar no primeiro turno, enquanto quase 1 milhão de eleitores participaram da eleição no exterior. A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidida em 25 de outubro.
Na visão de investidores e economistas, o desequilíbrio fiscal — quando o governo gasta recorrentemente mais do que arrecada — gera desconfiança sobre a capacidade do país de honrar seus compromissos, alimentando um ciclo econômico negativo.
A dívida bruta brasileira atingiu a marca de 82,9% do PIB, com a avaliação de que as regras atuais do arcabouço fiscal não têm sido suficientes para estancar esse avanço.
Para compensar o risco de financiar um governo endividado, investidores passam a exigir retornos cada vez maiores nos títulos públicos. Isso eleva os juros futuros e força o Banco Central a manter a taxa básica de juros alta para conter a inflação – atualmente em 13,75% –, o que encarece o crédito para empresas e famílias.
Declarações de Lula que relativizam a necessidade de superávits fiscais ou que expandem gastos para focar em programas sociais perto do período eleitoral acendem o alerta do mercado financeiro. Sem uma indicação clara de controle rígido de despesas para o futuro, os agentes projetam um cenário de dominância fiscal, no qual a política fiscal expansionista mina os efeitos da política monetária.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/bolsa-dispara-eleicao-avancar-segundo-turno-flavio-lideranca/

Crônica de um milagre eleitoral: o começo do fim da ditadura PT-STF

1. Meus sete leitores sabem que eu acredito em milagres. Na verdade, é algo que vai além de uma simples crença: eu pertenço à religião do milagre. Sempre digo que não somos nós que explicamos o milagre; é o milagre que nos explica. Ele é o fundamento da realidade.
Por isso, apesar de todas as tribulações que nós vivemos nos últimos anos, eu acreditava que ocorreria um milagre nestas eleições. Os resultados eleitorais de hoje foram o começo do fim do Regime PT-STF e do domínio da esquerda sobre o futuro do Brasil.
2. Meu domingo de eleição começou no sábado, precisamente às 15 horas, na capela do Colégio Mãe de Deus, onde me reuni com um grupo de amigos e irmãos de fé para rezarmos o Santo Rosário pelo Brasil. Sempre fazemos esse encontro no primeiro sábado de cada mês, mas desta vez foi diferente, por motivos óbvios. Havia em todos os rostos uma combinação de esperança e apreensão, de euforia e angústia. Lembramos São Francisco de Assis — que foi para o Céu há exatos 800 anos — e entoamos a oração de Nossa Senhora das Lágrimas, em desagravo às ofensas e mentiras com que a esquerda tentou sujar o nome de nossa Santa Mãe:
“Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal”.
Dentro de nossos corações havia a certeza íntima de que todos aqueles que desrespeitam a Mãe de Jesus hão de, cedo ou tarde, sofrer as consequências. A pancada virá, e será pesada. Porque foi o próprio Deus que pôs inimizade entre a serpente e a Mulher.
3. Ainda na noite de sábado, meu domingo de eleição migrou para a Santa Missa, em que o Evangelho do dia era a perturbadora parábola dos vinhateiros assassinos. A história, narrada por Jesus, nos coloca diante dos trabalhadores desonestos — aqueles que, em vez de entregar ao proprietário o que não lhes pertence, espancam seus emissários e, por fim, decidem matar-lhe o próprio filho para usurpar a vinha. Essa parábola fala de um fenômeno que temos observado no Brasil durante os últimos 24 anos: a obstinação no crime e no pecado. Grande será a ira que se abaterá sobre esses bandidos!
Mas, como prova de infinita generosidade, Deus nos presenteou durante a missa com uma voz de celestial doçura, que acalmou nossos corações pela consolação da música. Cheguei mesmo a pensar que o Anjo da Guarda do Brasil — esse que, podem estar certos, não tira os olhos de nós e padece os nossos padecimentos — deve possuir uma voz semelhante.
4. E veio a tempestade. Na manhã de domingo, por volta das 5 horas, os ventos uivaram com força e um pequeno dilúvio caiu sobre a cidade. Acordei com o barulho da chuva forte tamborilando na janela. Será um sinal dos céus? Na literatura clássica, como ensinava o saudoso professor José Monir Nasser, a tempestade sempre é o sinal de grandes mudanças na ordem dos acontecimentos. Há uma fúria dos elementos em todas as maiores tragédias de Shakespeare — Rei Lear, Otelo, Hamlet, Macbeth, Júlio César — e também na sua última peça, que leva exatamente o nome de “A Tempestade”. Estaria Deus prenunciando que a alma do Brasil seria finalmente lavada?
5. No silêncio do quarto — o dia ainda não nascera — veio-me à mente a imagem daquele púlpito vazio sumariamente censurado pela juíza Estela (a amiga do comunista), levando a Globo a cancelar, pela primeira vez em sua história, o debate antes das eleições. Inevitável pensar no antigo ditado espanhol: “Cría cuervos y te sacarán los ojos”. Cria corvos — e eles arrancarão teus olhos.
Durante os últimos sete anos, a Globo deu comida, abrigo e apoio aos corvos da censura e da tirania. De repente, os corvos resolveram atacar seu cuidador.
6. Fiz a minha parte. Expliquei. Desenhei a explicação. Expliquei o desenho. Desenhei a explicação do desenho. Falei em verso, em prosa, em música. Só não dancei maxixe porque não ficaria bem para um senhor de 56 anos. Alertei para a extrema gravidade da situação e para o risco de um colapso absoluto. Só não obriguei ninguém a fazer nada, porque a liberdade é algo concedido por Deus e que nenhum homem ou instituição humana pode retirar de alguém.
Mas, ao menos em casa, acho que fiz um bom trabalho. Meu filho de 16 anos votou neste domingo pela primeira vez. Quão diferente foi o seu voto daquele que um garoto de 19 anos, com a estrelinha no peito, depositou na urna em 1989!
7. Tudo o que vi nos últimos dias — o Rosário, a jaculatória das lágrimas, a Missa, a voz do anjo, a tempestade, o púlpito vazio — eram sinais do milagre que estava por acontecer. Eu avisei a eles que mexer com Nossa Mãe não era uma boa ideia. Agora, o Brasil tem 21 dias para confirmar esse milagre e salvar o futuro. Não será fácil, mas quem disse que seria?
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/cronica-de-um-milagre-eleitoral-o-comeco-do-fim-da-ditadura-pt-stf/
Lula foi o mais votado na penitenciária da Papuda, onde estão Vorcaro e Careca do INSS

Lula (PT) foi o candidato mais votado para presidente na seção eleitoral instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no primeiro turno das eleições deste domingo (4). Na seção 0420 da 18ª Zona Eleitoral do Distrito Federal, o petista recebeu 74 votos, contra 70 do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na sequência ficaram Ronaldo Caiado (PSD), com 6 votos; Renan Santos (Missão), com 4; e Augusto Cury (Avante), com 2. A seção registrou ainda 3 votos em branco e 3 nulos.
Dos 185 eleitores aptos, 162 compareceram — cerca de 87,6% — e 23 não votaram. A urna atende presos provisórios, que mantêm os direitos políticos por não terem condenação criminal transitada em julgado. Presos com condenação definitiva não votam.
Entre os aptos a votar no complexo estavam Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto.
Para o Senado, a mais votada na mesma seção foi Michelle Bolsonaro (PL), com 68 votos, seguida de Érika Kokay (PT), com 62, Leila do Vôlei (PDT), com 58, e Bia Kicis (PL), com 54, segundo registros divulgados por veículos que acompanharam a apuração.
O resultado local contrasta com o cenário nacional do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro liderava a disputa presidencial com a quase totalidade das urnas apuradas. Os números da Papuda constam do boletim de urna do Tribunal Superior Eleitoral.
FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/lula-foi-o-mais-votado-na-penitenciaria-da-papuda-onde-estao-vorcaro-e-careca-do-inss
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