Bate-boca entre Lula e Milei não pode fazer relação bilateral descarrilar

Javier Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” durante convenção do PL, em São Paulo. (Foto: ChatGPT sobre foto de Isaac Fontana/EFE)

Os governos de Argentina e Brasil se entregaram a uma troca de insultos nos últimos dias. O presidente argentino, Javier Milei, esteve no Brasil para participar da convenção do PL que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto; no evento, chamou Lula de “ladrão” e “presidiário”, em referência ao tempo que o petista passou preso após ser condenado na Lava Jato – as condenações e todos os processos seriam depois anulados pelo Supremo Tribunal Federal. Dois dias depois, o presidente Lula ironizou Milei, respondendo com um “quem é esse cara?” à pergunta de um jornalista, deixando os xingamentos para seus ministros: Dario Durigan, da Fazenda, chamou o argentino de “palhaço”, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, disse que Milei era uma “caricatura patética” e “puxa-saco de [Donald] Trump”.

A choradeira petista sobre “interferência estrangeira” no próximo pleito presidencial é hipocrisia pura, pois Lula e seu partido são veteranos em demonstrações de apoio a camaradas ideológicos em disputas presidenciais no continente americano – em vários casos, os episódios ocorreram quando Lula era o chefe de Estado brasileiro. No caso argentino, o apoio foi muito além de simples declarações ou vídeos gravados: em 2023, Lula, que já estava de volta à Presidência, enviou seu ex-marqueteiro (e hoje ministro) Sidônio Palmeira à Argentina, com uma equipe de publicitários, para colaborar na campanha do socialista Sergio Massa; além disso, deu uma forcinha para que a Argentina conseguisse um empréstimo muito conveniente no Banco de Desenvolvimento da América Latina, mesmo já tendo estourado seu limite de crédito.

A choradeira petista sobre “interferência estrangeira” devido às falas de Milei é hipocrisia pura, pois Lula e o PT são veteranos em demonstrações de apoio a camaradas ideológicos

Nada disso funcionou: Massa acabaria derrotado por Milei no segundo turno. Ainda assim, esse tipo de ajuda (e marqueteiros brasileiros não foram emprestados por Lula apenas aos socialistas argentinos, mas também aos venezuelanos) configura “interferência estrangeira” de forma muito mais acintosa que declarações de apoio ou xingamentos – mesmo neste campo, aliás, o petista supera seu homólogo argentino com folga, como quando, em 2024, afirmou que uma vitória de Trump seria “o fascismo e o nazismo voltando a funcionar com outra cara”.

Quando os adultos entraram em campo, no entanto, o resultado foi bem diferente. O Itamaraty chamou a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e convocou Daniel Raimondi, embaixador argentino no Brasil – o procedimento diplomático padrão quando um país julga necessário transmitir sua contrariedade em relação a ações de outro país ou de seus governantes. E a contrariedade em relação às falas de Milei de fato se justifica, pois, como diz a nota do ministério, “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado”. Mas, por outro lado, segundo informações de bastidores, a chancelaria brasileira também deu um puxão de orelha em Durigan e Boulos. O ministro argentino de Relações Exteriores, Pablo Quirno, por sua vez, afirmou que “a Argentina não eleva nem elevou este tema ao nível institucional”, que “separamos o caminho político e ideológico do caminho institucional”, e que “não há nenhuma chance de que isso [um rompimento] ocorra do nosso lado”.

Na mesma nota, o Itamaraty afirmou que a Argentina é “um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, e o chanceler argentino seguiu a mesma linha ao afirmar que “temos a mais alta estima pelo embaixador brasileiro na Argentina” e que as rusgas entre Lula e Milei não impediram que ambos os países assinassem o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O mesmo, aliás, ocorreu quando os sinais estavam trocados: com Jair Bolsonaro no Planalto e Alberto Fernández na Casa Rosada, também houve estremecimento e insultos, mas as relações comerciais se mantiveram como se nada estivesse acontecendo entre os mandatários.

Presidentes passam, mas os países (e as relações entre eles) ficam – os diplomatas de ambos os lados parecem perceber isso, e talvez seja demais esperar o mesmo dos políticos, especialmente em época eleitoral. Brasil e Argentina já tiveram momentos de tensão muito maior, como na década de 1970, devido aos programas nucleares de ambos os países, com desconfiança mútua a respeito de possíveis intenções de fabricar armas atômicas. Com a redemocratização dos dois lados da fronteira (e um empurrão norte-americano), o impasse foi superado. O destempero verbal de presidentes e ministros também tem tudo para sê-lo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/lula-javier-milei-insultos/

Candidato radical pró-Palestina monta comitê em bairro judeu de São Paulo

Thiago Ávila: candidato da Rede monta comitê em Higienópolis e causa indignação por seu histórico de apoio ao Hezbollah e ao Hamas (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A eleição em São Paulo ganhou um nome “internacional”. O militante radical pró-Palestina Thiago Ávila, aliado da sueca Greta Thunberg numa das flotilhas que tentou furar o bloqueio naval israelense em Gaza, anunciou no domingo (26) sua candidatura a deputado federal pela Rede Sustentabilidade.

A notícia em si não surpreende. Afinal, Ávila é um ativista político profissional e já concorreu ao cargo em 2018 e 2022 — pelo PSOL do Distrito Federal, onde nasceu e vivia até pouco tempo. O problema é o endereço que ele escolheu a dedo para sediar o comitê eleitoral.

Sua base na nova cidade fica na Rua Aureliano Coutinho, em Higienópolis, bairro historicamente associado à comunidade judaica. Para quem conhece o histórico do candidato, um notório apoiador do Hezbollah e do Hamas, o local serve como uma declaração de intenções.

“É uma clara e abjeta provocação política”, denunciou o rabino e educador Micha Gamerman. Para a vereadora Cris Monteiro (NOVO), autora de um vídeo sobre o assunto que circula nas redes sociais, Ávila não faz do antissionismo uma mera bandeira. “Essa é exatamente a plataforma eleitoral dele”, afirma.

Do outro lado, Thiago Ávila adota a velha tática de se colocar como vítima de um suposto preconceito elitista. “Algumas pessoas vieram dizer que aqui não é lugar para gente como nós, para quem pensa diferente ou tem uma religião ou origem étnica diferente”, diz.

O brasiliense ainda vende a ideia de que o espaço — um misto de comitê de campanha, centro cultural e horta comunitária — é um ambiente de “diálogo” e “inclusão”. “A gente já pintou, limpou, reformou, plantou alimento. Outras pessoas trouxeram milho também. Porque a gente acredita que política também é cuidar do lugar onde vive, abrir portas. É cultivar, é construir comunidade”, afirma.

Homenagem a líder do Hezbollah

Thiago Ávila ficou conhecido por participar de missões da chamada “Flotilha da Liberdade”, organizadas para tentar romper o bloqueio de Gaza sob a justificativa de levar mantimentos para o povo palestino. Em mais de uma ocasião, ele foi detido e deportado pelo governo de Israel, a quem acusa de tortura durante sua última prisão, no final de abril.

Mas a militância de Ávila no Oriente Médio vai muito além do debate humanitário sobre a Palestina.

Em fevereiro de 2025, o brasiliense viajou a Beirute para participar do funeral de Hassan Nasrallah, ex-secretário-geral do Hezbollah, morto durante um bombardeio israelense. Durante a visita ao Líbano, ele publicou fotos e vídeos no mausoléu de Nasrallah e fez elogios públicos ao líder terrorista, chamando-o de “inspirador” e “mártir”.

No último mês de maio, foi a vez do Hamas oferecer condolências ao ativista brasileiro. Um dia após a morte de sua mãe, Teresa Regina de Ávila e Silva, o grupo sanguinário divulgou um comunicado oficial em que diz “valorizar enormemente a firmeza e determinação” do militante na defesa do povo palestino.

E o mais grave: segundo o jornal The Times of Israel, autoridades do país afirmam que Ávila é filiado à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, organização acusada pelo Departamento do Tesouro dos EUA de “agir clandestinamente” em nome do Hamas.

Ou seja, estamos diante de um candidato a deputado federal cuja principal credencial é sua ligação com grupos que aparecem em listas de segurança globais e já promoveram ataques contra judeus mundo afora.

É uma ingenuidade, portanto, encarar o comitê em Higienópolis apenas como parte de uma “guerra narrativa”. Para a comunidade judaica do bairro, e mesmo seus vizinhos de outras religiões, o episódio não é só uma afronta simbólica, mas também um motivo concreto de preocupação com a própria segurança.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/candidato-pro-palestina-monta-comite-bairro-ligado-judeus-sao-paulo/

Alexandre Garcia

Cubanos lideram pedidos de asilo no Brasil

Lixo em rua de Havana, capital de Cuba: cubanos deixam o país aos montes, e lideram pedidos de asilo no Brasil. (Foto: Ernestro Mastrancusa/EFE)

Eu lembro muito bem do tempo em que a propaganda de esquerda no Brasil anunciava que o regime cubano era muito mais eficiente que o brasileiro, porque Cuba estava em situação muito melhor que o Brasil. Infelizmente e ironicamente, eu fui testemunha disso. Lembro que houve um tempo, antes de Fidel Castro, em que Cuba era a pérola do Caribe, com grande produção de açúcar e de charutos, mas principalmente como destino turístico que atraía gente do mundo inteiro, com cassinos elegantíssimos, orquestras fabulosas e grandes hotéis. Hoje está tudo em ruínas, parece um museu a céu aberto. Até os novos hotéis estão sentindo a atual situação.

Sob o regime de Fidel Castro, Cuba foi levando, com o dinheiro da União Soviética. Mas, quando a URSS acabou e a Rússia estava com outros problemas, o benfeitor se tornou o regime venezuelano, de Hugo Chávez e, depois, Nicolás Maduro, com petróleo de graça em troca de domínio político na Venezuela. Só que agora os bolivarianos não estão mais lá para ajudar. Nem mesmo o México, com presidente de esquerda, consegue fazer algo, porque Donald Trump disse que eles têm de escolher entre o comércio com os Estados Unidos ou com Cuba.

Então, Cuba está nas últimas. Eu lembro do tempo em que brasileiros de esquerda iam lá para fazer a colheita de cana, ajudar a revolução. Hoje é o contrário: os cubanos estão fugindo, para o Brasil e para outros países melhores. A Flórida, por exemplo, está cheia de cubanos: o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é filho de cubanos. Eles vão para outros países, de preferência de língua espanhola, mas muitos escolhem o Brasil, tanto que eles lideram os pedidos de asilo por aqui. No primeiro semestre deste ano, de cada dez solicitações, seis eram de cubanos: 59,3%, ou 20.372 de um total de 34.346 pedidos. Em segundo lugar, muito atrás, vêm os venezuelanos; em terceiro, os da República Democrática do Congo. No ano passado inteiro, foram 41.919 pedidos só de cubanos, ou 55% do total.

Isso nos ajuda a ver o que aconteceu com a ditadura que o Brasil tentou ajudar naquele programa Mais Médicos, que não passava de venda de mão de obra escrava: os médicos ficavam com uma parte pequena do salário, o resto ia para o governo. E não foi só isso: o Brasil botou dinheiro no Porto de Mariel, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – reparem no nome: se é “nacional”, é para o Brasil. O dinheiro que deveria ter sido aplicado para o desenvolvimento social no Brasil foi parar em Cuba, no Porto de Mariel, que está sendo sancionado agora pelo governo americano.

Imprudência mata quase 35 motociclistas todos os dias no Brasil

Imaginem só se eu dissesse que apenas hoje provavelmente morrerão 35 motociclistas ou motoqueiros no Brasil. Pois estamos chegando, sim, a essa média diária de mortes. O jornalismo diz que a causa é o aumento da frota, mas não. A frota está crescendo mesmo, chegando a quase 40 milhões, mas a verdadeira causa é a imprudência e a falta de conhecimento sobre como pilotar uma moto. Um veículo de duas rodas depende da força centrífuga dos pneus, que vai tender a mudar a rota; depende da inércia, se a moto para, se não para, se sai da trajetória ou não; e depende da gravidade, que é o equilíbrio. O motociclista precisa ter, no mínimo, a noção dessas leis físicas.

Mas não basta. Ele também não pode ter a imprudência de desrespeitar as regras de trânsito: passar pela direita, não ocupar o lugar de um carro, enfiar-se em qualquer lugar. Isso acaba gerando esse trágico número diário. A cada dia, quase 35 pessoas, iguais a todos nós, morrem no trânsito pilotando uma moto. Ela não tem a proteção que o carro oferece, não tem cinto de segurança, na moto o para-choque é a cabeça do condutor.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/cubanos-lideram-pedidos-asilo-brasil/

Coluna Esplanada

Lula quer fortalecer parceria com a Ásia para compensar tarifaço dos EUA

O presidente do Brasil, Lula, e o ditador da China, Xi Jinping: países querem reduzir dependência do dólar (Foto: KEN ISHII/EFE/EPA)

O governo Lula da Silva avançou forte na relação comercial com países da Ásia para se contrapor ao tarifaço do governo norte-americano de Donald Trump. Uma questão geopolítica de sobrevivência do mercado brasileiro e do próprio Lula. A visita do presidente da Coreia do Sul – terra da Samsung, LG e Hyundai – é uma prova recente.

Há também boa relação de Lula com a Rússia de Putin, exportadora dos fertilizantes para o agronegócio brasileiro (a quem Lula evita um “a” sobre a guerra contra a Ucrânia). E na segunda-feira (27), saiu o Decreto 13.081, que tirou da gaveta e promulgou o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Singapura, firmado em dezembro de 2023. O ritmo endossa a prioridade de Lula na linha de comércio com a China – o maior parceiro na balança comercial do Brasil hoje – que está entrando forte aqui no setor automobilístico e serviços.

Faltou o lanche

Ano de eleição é isso aí, vale toda agenda para mostrar prestígio a aliados – e buscar votos. O ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande (candidato ao Senado) e o atual, Ricardo Ferraço (que tentará a reeleição) inauguraram com pompas, faixa, plateia e foguetório há dias uma… franquia do Burger King em Cariacica. É a grande novidade da cidade da região metropolitana. Só faltou pagarem o lanche.

Malufinho

Há políticos que passam, outros deixam herdeiros – que se elegem ou não. Para quem acredita que era o fim de um ciclo a Era Paulo Maluf em São Paulo – porque há décadas os filhos não se envolvem em política – surge do sangue a surpresa: o sobrinho Albertinho Maluf se candidatou a deputado estadual por São Paulo.

Leilão verde-oliva

O Exército Brasileiro vai leiloar preciosidades (bem conservadas) para levantar fundos para reforço no orçamento. São veículos como Defender, caminhão e até truk de carreta, a preços chamativos que vão de R$ 6 mil a R$ 15 mil (isso mesmo). É do jogo, da sobrevivência. A turma verde-oliva cuida das coisas e também sabe que não pode ficar à mercê de Orçamento (contingenciado) da União.

Cerco federal

A PF deflagrou a Operação Delivery contra corrupção, fraude em licitações e desvio de verbas em obras em Murici (AL), reduto político da família Calheiros. O município, administrado há três décadas pelo clã e aliados, é comandado hoje pelo prefeito Remi Filho (MDB), sobrinho do senador Renan Calheiros e primo do ex-governador Renan Filho.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/lula-parceria-asia-para-compensar-tarifaco-dos-eua/

Renan Ramalho

Rivais de Lula ignoram o poder do STF de liquidar suas propostas

Lula durante posse de Flávio Dino no STF,; mesmo se perder eleição, petista continuará com maior bloco de ministros (Foto: Gustavo Moreno-SCO-STF)

Flávio Bolsonaro (PL) promete subir a rampa do Planalto ao lado do pai. Ronaldo Caiado (PSD) diz que vai confiscar bens de agressores de mulheres para doá-los às vítimas. Renan Santos (Missão) quer licença para matar criminosos que resistirem à polícia. Romeu Zema (Novo) jura que acabará com os penduricalhos e privilégios da alta burocracia.

Claro que todos estão em campanha — período em que políticos prometem mundos e fundos sem que ninguém em sanidade mental leve o discurso ao pé da letra. Naturalmente, com a proximidade do pleito, eles serão cobrados a explicar como pretendem aprovar essas ideias no Congresso.

Mas, além disso, deveriam mostrar como vão convencer o Supremo Tribunal Federal (STF), que, nos últimos anos, atribuiu a si mesmo o poder de dar a “palavra final” sobre qualquer tema relevante no país — coisa que, como bem lembra o professor Joaquim Falcão, autor do recém-lançado A Oligarquia dos Poderes, não existe em democracias verdadeiras.

Lula é o único que não precisa se preocupar muito com a Corte. Afinal, ao longo do atual mandato, cansou de recorrer a seus amigos no tribunal para reverter derrotas sofridas no Legislativo – quase sempre para cobrar mais impostos e aumentar os gastos com a máquina pública, programa que agrada a qualquer um que, como os ministros, vive do Estado.

Se conquistar mais quatro anos, manterá o controle absoluto do STF: terá indicado 7 dos 11 ministros até 2030.

Já os adversários, mesmo que indiquem três ou quatro ministros a que terão direito no próximo quadriênio, continuarão em minoria. Se quiserem cumprir o que prometem, ainda esbarrarão em um muro duplo: o viés progressista que domina as decisões da Corte e a incontida vocação dos ministros para o exercício do poder político.

A hipertrofia do Supremo começou a ser gestada na Constituição de 1988 e germinou devagar nas duas primeiras décadas. O poder do tribunal ganhou maior impulso nas sucessivas crises políticas do país: o julgamento do Mensalão, as jornadas de 2013, a condução da Lava Jato, a supervisão do impeachment de Dilma e a conformação com o governo Temer.

A conflagração com Jair Bolsonaro, a partir de 2019, e a gestão da pandemia aceleraram esse processo. Em 2022, ao se colocarem como fiadores da “democracia contra o bolsonarismo”, os ministros viraram credores da chapa vitoriosa de Lula e acumularam uma força inédita.

O sinal mais gritante desse agigantamento é que os ministros perderam o pudor de afirmar a inconstitucionalidade de projetos de lei de que não gostam enquanto ainda estão em discussão no Congresso, muito antes de serem julgados. Em alguns casos, os ministros participam ativamente da elaboração das propostas.

O episódio da anistia — desidratada para virar “projeto da dosimetria” — é exemplar. O próprio relator na Câmara admitiu ter costurado o texto sob o aval de Alexandre de Moraes, o mesmo ministro que, dias antes, esbravejava que qualquer anistia seria inconstitucional.

Mesmo depois de aprovada e confirmada pelo Congresso após a derrubada do veto presidencial, a norma foi suspensa por uma canetada individual de Moraes. Sem declarar a inconstitucionalidade formal da lei, o ministro simplesmente paralisou seus efeitos. A norma vale, mas os beneficiários seguem presos aguardando a boa vontade do magistrado.

Flávio, Caiado, Renan e Zema vendem ilusões ao fingirem que o STF não existe como ele é ou que convencê-lo é simples. Nenhum deles conseguirá aprovar a proposta mais modesta sem antes encarar o elefante na sala: o desarranjo institucional e a hipertrofia do Judiciário.

Pacificar e reordenar as relações entre os Poderes é uma construção árdua e de longo prazo — missão que não cabe a um mero governante de turno, chefe do Executivo por quatro anos, mas a um autêntico chefe de Estado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-ramalho/rivais-de-lula-ignoram-o-poder-do-stf-de-liquidar-suas-propostas/

Ataque a porto no Egito expande guerra no Oriente Médio

Mísseis em exposição na Praça Azadi, em Teerã, capital iraniana: Egito foi atacado pela primeira vez na atual guerra no Oriente Médio (Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA)

A guerra no Oriente Médio se expandiu nesta quarta-feira (29) com um ataque que provocou incêndios em duas embarcações, uma delas de propriedade americana, em um terminal de gás natural liquefeito no porto de Damietta, no nordeste do Egito.

Segundo informações da emissora CNN, o regime egípcio relatou que o fogo foi causado por um drone, embora ninguém tenha reivindicado a autoria do ataque por ora. Não houve relatos de feridos ou mortos.

“O porto continua a prestar seus serviços marítimos e logísticos 24 horas por dia, sem interrupções, atendendo às necessidades das companhias de navegação e de todos os usuários do porto”, afirmou a Autoridade Portuária de Damietta em um comunicado.

Este foi o primeiro ataque ao Egito dentro da atual guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro e que na quarta-feira já havia se expandido com ataques da Arábia Saudita a grupos aliados do Irã no Iraque.

Em resposta à tentativa iraniana de atacar posições militares americanas na região na terça-feira (28), as forças dos Estados Unidos realizaram novos ataques contra o país persa. A imprensa estatal iraniana reportou ataques em Bandar Abbas e nas ilhas de Kish e Qeshm, no sul do país.

Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, já havia adiantado que fortes ataques americanos seriam realizados. “Vamos atingi-los com força, porque chegou a nossa vez de atacá-los. Eles sabem que isso vai acontecer”, disse o republicano a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.

Combates intensos entre Estados Unidos e Irã foram retomados há três semanas, depois que Trump anunciou que o Memorando de Islamabad, assinado em junho para estender o cessar-fogo de abril e abrir um prazo de 60 dias para negociar um acordo de paz, “chegou ao fim” porque os iranianos insistem em atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz que utilizam rotas marítimas não autorizadas pelo regime.

Trump chegou a anunciar na segunda-feira (27) uma “pausa” nos ataques, alegando que o regime do Irã pediu para que as negociações fossem retomadas, mas Teerã negou que conversas estejam ocorrendo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/ataque-a-porto-no-egito-expande-guerra-no-oriente-medio/

Oposição reage contra governo Lula impor sigilo de 100 anos a visitas a Vorcaro na PF

Deputado federal Sanderson. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados).

O deputado federal e candidato ao Senado Sanderson (PL-RS), protocolou nesta quarta-feira (29), uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a apuração da decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública que manteve sob sigilo, por 100 anos, os registros de visitas recebidas pelo empresário Daniel Vorcaro enquanto esteve custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O documento foi encaminhado ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho. Na representação, o parlamentar sustenta que a medida viola os princípios constitucionais da publicidade, da transparência e da moralidade administrativa, além de contrariar a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), que estabelece a publicidade como regra e o sigilo como exceção.

Segundo Sanderson, os registros de entrada e saída de visitantes constituem documentos administrativos produzidos por um órgão público e, por isso, devem estar sujeitos ao controle social. O deputado argumenta que a eventual existência de dados pessoais não justifica o bloqueio integral das informações, já que seria possível resguardar informações sensíveis por meio da divulgação parcial dos documentos.

“A Administração Pública não pode transformar a exceção em regra. O sigilo de 100 anos deve ser utilizado apenas nas hipóteses previstas em lei, com fundamentação concreta e proporcional. Quando há interesse público envolvido, a transparência deve prevalecer”, afirmou o parlamentar.

Na ação, Sanderson também argumenta que o Ministério da Justiça aplicou de forma ampla e desproporcional a proteção à intimidade prevista na Lei de Acesso à Informação, sem demonstrar quais dados precisariam permanecer protegidos nem justificar a impossibilidade de fornecer os registros com a supressão das informações pessoais.

O deputado ressalta ainda que os documentos dizem respeito ao acesso de pessoas a uma unidade da Polícia Federal durante um período considerado de relevante interesse institucional, envolvendo procedimentos conduzidos por órgãos públicos.

Na representação, Sanderson solicita que o TCU abra procedimento de fiscalização, requisitando o processo administrativo que fundamentou a manutenção do sigilo, incluindo pareceres técnicos e jurídicos, além de revisar a decisão caso seja constatada incompatibilidade com a Constituição Federal e com a Lei de Acesso à Informação.

“É fundamental garantir que os órgãos públicos atuem com transparência e permitam o devido acompanhamento da sociedade. O controle público é um instrumento essencial da democracia”, concluiu o deputado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e01-brasil/oposicao-reage-contra-governo-lula-impor-sigilo-de-100-anos-a-visitas-a-vorcaro-na-pf

SP: Paraná Pesquisas desfaz suposto ‘empate técnico’

Governador Tarcísio Gomes de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad duelam pelo governo de SP (Fotos: João Valério/Governo de SP e Ricardo Stuckert/PR)

O levantamento de ontem do Paraná Pesquisas restabeleceu a sensatez em São Paulo, desfazendo a lorota divulgada pelo Datafolha em 13 de julho, atribuindo 13% a três desconhecidos candidatos de extrema-esquerda, criando um “empate técnico”. A conta foi de padeiro: “13%” dos extremistas, mais os 30% de Haddad (PT) davam 43% à esquerda contra 46% da direita liderada por Tarcísio de Freitas (Rep). A diferença era a “margem de erro” de 3%. Fez-se, assim, o “milagre do empate técnico”.

A conta certa

Na verdade, de acordo com o Paraná Pesquisas, os candidatos do PSTU (1,7%), PCB (1,1%) e UP (0,9%) totalizam apenas 3,7%. E olhe lá.

A disputa real

Os extremistas são tão irrelevantes que o Paraná simula também primeiro turno envolvendo apenas Tarcísio (51,8%) e Haddad (38,3%).

Presencial

A pesquisa que desfez o “empate técnico” ouviu entre 25 e 28 deste mês 1680 eleitores de 79 municípios e foi registrada no TSE: SP-04624/2026.

Livres para

Enquanto pesquisas motivam questionamentos, cresce a resistência de institutos importantes à decisão do TSE de premiar os que mais acertam.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/sp-parana-pesquisas-desfaz-suposto-empate-tecnico

Decretada prisão de Morales, amigo de Lula, acusado até de terrorismo

O cocaleiro Evo Morales e Lula (PT), amigos e aliados com afinidades ideológicas – Foto: reprodução redes sociais.

O ministério público da Bolívia ordenou a prisão de Evo Morales, cocaleiro que presidente daquele país, amigo e aliado histórico do brasileiro Lula (PT). Ele foi responsabilizado na investigação sobre os protestos e bloqueios de estradas que paralisaram diferentes regiões durante cerca de 50 dias, entre maio e junho, provocando grandes prejuízos à população. Morales e Lula são expoentes da esquerda latino-americana, considerada a mais atrasada do planeta.

A ordem de apreensão foi emitida nesta quarta-feira (29) pela Fiscalia Departamental de Santa Cruz, no âmbito de investigações por crimes de terrorismo, levante armado, atentado contra a segurança dos meios de transporte e serviços públicos, instigação pública a delinquir e associação delituosa. A medida responde a uma denúncia formal apresentada conjuntamente pelo Comitê pró-Santa Cruz e pelo Ministério do Governo boliviano.

Segundo o documento oficial, assinado por um fiscal da Unidade Especializada em Perseguição de Delitos de Corrupção, a presença de Morales é considerada indispensável para o andamento das investigações sobre a autoria intelectual, a convocação e a logística das manifestações. Os bloqueios criminosos provocaram perdas milionárias, desabastecimento de alimentos e insumos básicos, além de quase total paralisação do transporte de cargas e passageiros.

Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, não é o único investigado. O inquérito também envolve dirigentes sociais e sindicais, alguns já sob prisão preventiva, como Vicente Salazar, líder da Federação de Camponeses Túpac Katari. As protestos foram articulados pela Central Operária Boliviana (COB), pela Federação Túpac Katari e por facções leais ao ex-presidente, que exigiam a renúncia do atual mandatário, Rodrigo Paz.

O governo boliviano classifica as ações não como protesto social legítimo, mas como parte de um plano sistemático de desestabilização destinado a interromper o mandato de Paz. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, e o ministro do Governo, Marco Oviedo, reforçaram essa avaliação.

Morales reagiu à ordem de prisão por meio de uma mensagem na rede social X. “Não vão nos intimidar”, disse.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/ttc-internacional/decretada-prisao-de-morales-amigo-de-lula-acusado-ate-de-terrorismo

Nunes Marques manda Meta guardar dados de anúncios contra Flávio

Ministro Nunes Marques é presidente do Tribunal Superior Eleitoral. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook e Instagram, mantenha preservados dados relacionados a anúncios com conteúdo considerado ofensivo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A medida tem como objetivo evitar a perda de informações que podem ser utilizadas na análise do caso.

A decisão ocorre em meio a uma série de disputas judiciais envolvendo conteúdos publicados e impulsionados nas redes sociais contra Flávio Bolsonaro durante o período de pré-campanha eleitoral.

A defesa do senador tem questionado a circulação de materiais digitais que, segundo seus argumentos apresentados à Justiça Eleitoral, poderiam influenciar a percepção dos eleitores.

Entre os pontos analisados pelo Judiciário estão informações técnicas sobre anúncios digitais, como registros de impulsionamento, dados de identificação das campanhas e elementos que possam indicar responsáveis pela divulgação dos conteúdos.

A preservação dessas informações permite que eventuais investigações tenham acesso aos registros originais mantidos pelas plataformas.

A determinação de Nunes Marques acontece após outras decisões recentes envolvendo Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em junho, o ministro também suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que utilizava um áudio atribuído ao senador em questionamentos feitos aos entrevistados, após a campanha de Flávio alegar que a metodologia poderia induzir respostas negativas.

Na ocasião, Nunes Marques apontou a necessidade de analisar se o formato utilizado no levantamento ultrapassava os limites de uma pesquisa eleitoral regular.

A decisão liminar determinou a suspensão da divulgação do material até nova avaliação do caso pelo tribunal.

O episódio envolvendo os anúncios digitais amplia o debate judicial sobre o uso de ferramentas de publicidade online em disputas políticas.

As plataformas passaram a ter papel central no armazenamento de informações sobre campanhas patrocinadas, permitindo a identificação de dados sobre impulsionamentos e estratégias de divulgação.

A Meta deverá manter os registros solicitados pela Justiça, enquanto o caso segue em análise pelos órgãos competentes.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e10-brasil/nunes-marques-manda-meta-guardar-dados-de-anuncios-contra-flavio

Marinho acusa Lula de beneficiar bancos: ‘Robin Hood às avessas’

Senador Rogério Marinho, líder da Oposição no Senado. (Foto: Diário do Poder).

O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou o governo Lula (PT), afirmando que a política econômica adotada pela gestão petista beneficia o sistema financeiro enquanto amplia a carga sobre a população e o setor produtivo.

Em publicação nas redes sociais, Marinho afirmou que “nunca antes na história desse País os bancos lucraram tanto”.

O senador também acusou o governo de adotar uma política fiscal “irresponsável e leviana”, que privilegiaria bancos e rentistas em detrimento da população.

“Lula taxa o povo e quem produz e estabelece uma política fiscal irresponsável e leviana que privilegia bancos e rentistas, prejudicando a população. É o Robin Hood às avessas: dá com uma mão e tira com as duas. Padrão PT”, escreveu.

A crítica de Marinho foi motivada pelos dados divulgados pelo Banco Central, segundo os quais o sistema bancário registrou lucro de R$ 255 bilhões em 2025, o maior já alcançado pelo setor.

O desempenho foi registrado em um cenário de juros elevados, com a taxa básica da economia (Selic) chegando a 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas e um dos mais altos do mundo em termos reais.

A elevação dos juros foi adotada pelo Banco Central como instrumento para conter a inflação ao longo de 2025. O ciclo de queda da Selic teve início apenas em 2026.

Taxas de juros elevadas costumam favorecer a rentabilidade das instituições financeiras, ao mesmo tempo em que encarecem o crédito para consumidores e empresas.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e01-brasil/marinho-acusa-lula-de-beneficiar-bancos-e-penalizar-o-povo-robin-hood-as-avessas

Be the first to comment on "Bate-boca entre Lula e Milei não pode fazer relação bilateral descarrilar"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*