Conselhos de Lula para Moraes se blindar expõem colapso da separação dos poderes

Lula (PT) e o ministro so STF Alexandre Moraes – Foto: EBC.

Lula (PT) revelou, com a naturalidade de quem comenta o tempo, haver aconselhado o ministro do STF Alexandre de Moraes a “não permitir” que o escândalo de Daniel Vorcaro e do Banco Master “jogue fora sua biografia”. O episódio é ainda mais grave porque envolve o contrato de R$129 milhões firmado pelo Master com a banca de advocacia da esposa do ministro, e o autor do conselho é um ex-condenado que cumpriu pena em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Passando batido

Em qualquer democracia saudável, isso seria escândalo ou no mínimo provocaria o constrangimento na suprema corte. No Brasil, passa batido.

Sem limites

O tom paternalista de Lula sugere uma proximidade pessoal que ultrapassa e até ofenderia, para muitos, os limites constitucionais.

Juiz implacável

Tudo porque, afinal, Moraes é exatamente o ministro que tem aplicado penas que juristas julgam desproporcionais contra opositores de Lula.

Credibilidade

A verborragia do conselheiro de toga cobra um preço elevado, e quem paga essa conta é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/lula-expoe-o-colapso-da-separacao-dos-poderes

Messias omitiu da agenda na Itália reunião para deportar Zambelli

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr.

A Embaixada do Brasil em Roma (Itália) monitorou com dedicação a repercussão da ida e até a prisão da ex-deputada Carla Zambelli no país europeu. Troca de telegramas da representação brasileira com o Ministério das Relações Exteriores, no entanto, revela que o advogado-geral da União, Jorge Messias, omitiu na agenda oficial um encontro que teve com Alessandro Silveri, advogado que atua para deportar Zambelli e sobrinho do ex-premiê italiano Paolo Gentiloni, que é fã de Lula. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

A reunião foi em 2 de setembro de 2025, o único dia útil daquele mês no qual a agenda do ministro não está disponível para consulta online.

O telegrama revela o teor da reunião: avaliação jurídica sobre o processo de extradição e eventuais estratégias da defesa da então deputada.

O trabalho do advogado não é “por amor”: já recebeu do governo brasileiro dois pagamentos: R$112,7 mil (nov/25) e R$115,2 mil (jan/26).

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/justica/ttc-justica/messias-omitiu-da-agenda-na-italia-reuniao-para-deportar-zambelli

Gilmar viajou em jato de empresa da qual Vorcaro é sócio

Ministro do STF Gilmar Mendes – Foto: Rosinei Coutinho / STF

Gilmar Mendes é mais um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que se utilizou de jatinho da Prime You, empresa da qual o banqueiro Daniel Vorcaro era sócio. Ele viajou ao menos uma vez nesse avião em 1º de janeiro de 2025, entre Diamantino (MT), onde seu irmão tomou posse como prefeito, para Brasília.

O ministro negou ter conhecimento da relação do jatinho com a empresa de Vorcaro e disse ter aceitado carona do empresário Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, grupo que resultou da fusão entre dois dos maiores frigoríficos do País, a BRF e a Marfrig.

A empresa confirmou a viagem e informou que Molina tem cota da aeronave operada pela Prime, mas negou relação pessoal ou comercial do executivo com Vorcaro.

O avião de prefixo PT-PVH saiu de Diamantino às 16h38 do dia 1º de janeiro de 2025 com destino a Brasília. O modelo, um Phenom 300 da Embraer, pertence à PT-PVH Administração de Bem Próprio, presidida por Marcus Vinícius da Mata, sócio da Prime You, que opera a aeronave.

Quatro dos dez ministros do STF voaram em aviões ligados a Vorcaro: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/uncategorized/gilmar-viajou-em-jato-de-empresa-da-qual-vorcaro-e-socio

Lewandowski, líder de Lula, Mantega etc: signa o dinheiro do Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução / Esfera Brasil

Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado detalham uma rede de pagamentos milionários do Banco Master a políticos, advogados e consultorias com forte trânsito em Brasília e ampliam a pressão sobre nomes ligados ao atual governo.

Entre os principais beneficiários está o ex-ministro Ricardo Lewandowski. O escritório de sua família recebeu R$ 6,1 milhões em depósitos iniciados em novembro de 2023. Ele deixou formalmente a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça. A proximidade entre os repasses e sua entrada no governo levanta questionamentos sobre a transição entre atividade privada e função pública, especialmente diante da ausência de detalhamento sobre os serviços prestados.

Também figura na lista o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, cuja empresa, a Pollaris Consultoria, recebeu R$ 14 milhões. O volume expressivo dos pagamentos, sem discriminação clara das atividades realizadas, reforça dúvidas sobre a natureza da relação entre o banco e um dos nomes mais influentes da política econômica dos governos Lula.

O alcance político dos repasses chega ao Congresso e atinge o entorno do senador Jaques Wagner (PT-BA). Uma empresa ligada à sua família recebeu R$ 12 milhões. Embora não haja indicação de participação direta do parlamentar, o vínculo com o principal articulador do governo no Senado amplia o peso político do episódio e intensifica a cobrança por explicações, novamente em um cenário marcado pela falta de transparência sobre os serviços contratados.

Os documentos integram um conjunto de apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas. Nesse contexto, o volume dos pagamentos e a ausência de informações detalhadas sobre as contrapartidas elevam o desgaste político e mantêm sob pressão figuras com influência direta no governo e no Congresso.

Outros nomes aparecem na relação com valores relevantes. O escritório do ex-presidente Michel Temer recebeu R$ 10 milhões, valor que ele contesta ao afirmar ter recebido R$ 7,5 milhões. A consultoria do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu R$ 8,6 milhões. Empresas ligadas ao ex-ministro Ronaldo Bento receberam R$ 6,2 milhões, enquanto o ex-ministro Fabio Wajngarten aparece com R$ 3,8 milhões. O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, teve R$ 6,4 milhões declarados a escritórios ligados a ele, e ACM Neto recebeu cerca de R$ 1,8 milhão por meio de sua empresa de consultoria.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/lewandowski-lider-de-lula-mantega-etc-signa-o-dinheiro-do-master

Número de casos do escritório de Viviane Barci cresceu 500% após Moraes chegar ao STF

Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, durante cerimônia de posse do ministro como presidente do TSE. A revelação da prestação de serviços da advogada ao Banco Master reacendeu o debate sobre a participação de parentes de ministros como advogados em ações nos tribunais superiores. (Foto: Antônio Augusto/STF)

O número de casos defendidos em tribunais superiores pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes cresceu quase 500% depois que seu marido, Alexandre de Moraes, se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017. Documentos da Receita Federal mostram que o escritório recebeu R$ 80 milhões só do Banco Master em menos de dois anos. O investimento da família em imóveis também triplicou desde 2017.

Nenhum desses fatos configura crime, mas analistas ouvidos pela reportagem afirmaram que eles deflagram uma discussão sobre a moralidade do faturamento milionário do escritório, possíveis conflitos de interesse e falta de transparência de uma autoridade do Supremo.

Gazeta do Povo procurou o gabinete do ministro, que não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto. O escritório de Viviane Barci de Moraes disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Com base em dados públicos dos cadastros processuais de tribunais superiores, a reportagem apurou que o escritório da esposa de Moraes tinha registro de 18 processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) antes de o marido assumir no STF, em 22 de março de 2017. Após isso, há ao menos 136 registros protocolares na Corte, aumento de mais de sete vezes.

A diferença também é significativa em processos que tramitam no STF: antes de Moraes ser nomeado ministro, o escritório cuidava de nove ações no Supremo. O número subiu para 23.

Assim, entre STJ e STF, o número de processos defendidos pelo escritório de Viviane Barci subiu de 27 para 159, um aumento de quase 500%.

Para o advogado constitucionalista André Marsiglia, a notoriedade do ministro Alexandre de Moraes funcionou como “principal chamariz do escritório”.

“Do ponto de vista jurídico, embora não se possa afirmar irregularidade sem provas concretas de ilegalidade, o caso evidencia um claro risco de conflito de interesses e de percepção de favorecimento, reforçando a necessidade de maior transparência e mecanismos rigorosos de fiscalização sobre agentes públicos de alto escalão e suas relações familiares e profissionais”, afirma.

Na avaliação do constitucionalista Alessandro Chiarottino, o aumento no número de ações conduzidas pelo escritório de Viviane Barci de Moraes em tribunais superiores não é, por si só, um fator “fora do padrão”, já que esse crescimento pode ocorrer naturalmente em bancas de advocacia.

“No entanto, o ponto que mais chama atenção é o volume das remunerações envolvidas, especialmente em contratos como o firmado com o Banco Master, que destoariam significativamente do que é praticado no mercado para serviços semelhantes”, comenta.

CPI descobre pagamentos de R$ 80 milhões do Master a Viviane Barci

Um documento sob sigilo da Receita Federal, encaminhado à CPI do Crime Organizado no início da semana, aponta pagamentos superiores a R$ 80 milhões do Banco Master ao escritório de advocacia ligado a Viviane Barci de Moraes. As informações, confirmadas por fontes com acesso ao material, indicam que os repasses ocorreram de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, em parcelas mensais próximas de R$ 3,6 milhões, declaradas por meio de retenção de impostos na fonte.

A documentação revela ainda cerca de R$ 4,9 milhões recolhidos em tributos. O envio dos dados ocorreu após a própria comissão identificar a ausência desses registros em remessas anteriores, levantando questionamentos sobre a integridade das informações prestadas ao colegiado.

Sobre os valores específicos, o escritório de Viviane disse que não confirma as informações e questiona a forma como elas vieram a público, classificando-as como incorretas e obtidas de maneira indevida.

O escritório de advocacia ressaltou que dados fiscais são protegidos por sigilo, indicando que não comentaria detalhes sobre os valores ou registros divulgados.

Uma reportagem do jornal O Globo revelou que o escritório de Viviane firmou um contrato de R$ 129 milhões para prestar serviços ao Master. A diferença entre os cerca de R$ 80,2 milhões informados pela Receita Federal e os R$ 129 milhões previstos inicialmente no contrato decorreria da interrupção antecipada da prestação de serviços.

Assinado com vigência de 36 meses, o acordo previa pagamentos mensais ao longo de três anos, o que leva ao montante total estimado. No entanto, a prestação de serviços foi efetivamente realizada de fevereiro de 2024 e novembro de 2025, somando aproximadamente 22 meses, período em que os repasses foram realizados até a liquidação do banco, encerrando o contrato antes do prazo originalmente estipulado, que era o início de 2027.

Analistas dizem que valor de pagamentos está acima da média do mercado da advocacia

O constitucionalista André Marsiglia analisa que este cenário não pode ser considerado normal. “Os valores e circunstâncias expostas não apenas destoam do padrão do mercado jurídico, mas também levantam um forte questionamento de ordem moral, diante da aparente desproporção entre a estrutura do escritório e os ganhos obtidos”, alerta.

Para Marsiglia, a magnitude dos honorários recebidos e a carteira de clientes podem indicar que se pode estar diante de um escritório de grande porte “apenas no papel” e que “não apresenta histórico compatível com o volume financeiro reportado”.

“A utilização de serviços de compliance ou a contratação por instituições, como o Banco Master, não encontra justificativa plausível frente à atuação do escritório e à sua capacidade operacional. É uma situação que beira o imoral, se não a obscena, em termos de proporcionalidade entre a estrutura profissional e os recursos financeiros movimentados”, reforça.

Investimentos em imóveis do casal Moraes cresceram 266%

Um levantamento do jornal Estadão divulgado nesta semana indica que o patrimônio imobiliário do ministro e da esposa passou de R$ 8,6 milhões para cerca de R$ 31,5 milhões nos últimos nove anos, o que representa um crescimento de 266% no período. Ainda de acordo com o levantamento do jornal, a expansão patrimonial teria se intensificado nos últimos anos, com aquisições milionárias no mercado imobiliário que contribuíram para a elevação de ativos.

Segundo Marsiglia, o crescimento expressivo do patrimônio imobiliário da família Moraes, somado ao aumento substancial das ações em instâncias superiores conduzidas pelo escritório de Viviane Barci, merecem atenção sob diversos aspectos.

O jurista acredita que um incremento de processos, aliado a aquisições imobiliárias que quase triplicaram o patrimônio imobiliário, não é condizente com um escritório considerado, segundo ele, de pequeno porte “com 10 a 15 advogados e sem tradição consolidada em tribunais superiores”.

O doutor em Direito pela Universidade de São Paulo Luiz Augusto Módolo lembra que o artigo 13 da Lei nº 8.429/1992, com a redação atualizada pela Lei nº 14.230/2021, reforça o dever de transparência patrimonial como condição indispensável para a posse e o exercício de agentes públicos, tendo em vista que, como ministro, Moraes tem uma renda mensal de cerca de R$ 46 mil, o que equivale ao teto constitucional.

Investimento pode ter sido feito com recursos poupados, diz analista

Luiz Augusto Módolo também reforça que o crescimento do investimento do casal em imóveis, por si só, não pode ser automaticamente interpretado como irregularidade, já que imóveis são uma forma comum de investimento familiar.

Esses bens representam apenas a parcela visível de um patrimônio construído ao longo do tempo, o que pode ter ocorrido com recursos poupados e posteriormente aplicados em ativos como imóveis, fundos ou outros instrumentos financeiros.

Moraes foi alvo temporariamente da Lei Magnitsky, que impede empresas americanas de fazerem negócios com figuras sancionadas. O investimento em imóveis poderia ser uma opção para pessoas excluídas do sistema bancário.

O jurista argumenta que o debate sobre eventual conflito de interesses não pode ser descartado, mas precisa ser conduzido com cautela e destaca que o ambiente jurídico em Brasília apresenta uma dinâmica própria, na qual escritórios com atuação nos tribunais superiores podem ter “vantagens competitivas em relação a profissionais de outras regiões do país”.

Módolo também ressalta que hipotéticas acusações de corrupção exigem um elevado grau de comprovação, o que torna esse tipo de questionamento sensível. Por outro lado, lembra que mecanismos de controle existem e que evoluções patrimoniais consideradas incompatíveis poderiam e deveriam acionar alertas institucionais.

“Por que, no fim, quem fiscaliza aqueles que exercem funções de controle e fiscalização dentro do próprio sistema?”, indaga.

Atuação de familiares de ministros e o potencial risco de conflito de interesses

Alessandro Chiarottino também destaca que a própria atuação profissional da esposa e familiares de um ministro do Supremo já levanta, em tese, um potencial risco de conflito de interesses, independentemente dos valores recebidos.

Para o especialista, esse tipo de situação exige atenção redobrada e análise criteriosa sob a ótica da ética pública e da preservação da imparcialidade institucional. O jurista é categórico ao afirmar que o cenário deveria ser analisado sob uma perspectiva de ser ou não moral.

O doutor em Direito Público Mateus Martinis lembra que eventuais suspeitas de conflito de interesses envolvendo integrantes do STF devem, em um primeiro momento, ser analisadas pela própria Corte, que tem competência institucional para apurar a conduta de seus membros.

“Esse modelo é visto como uma limitação, já que coloca nas mãos do próprio tribunal a responsabilidade de investigar situações que podem envolver seus ministros, o que é improvável e sem precedentes”, explica.

O jurista também aponta a possibilidade de atuação do Congresso Nacional, mas observa esse cenário com ressalvas.

“Em casos mais graves, o Senado Federal pode avançar com a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF, conforme previsto na Constituição, mas isso é um caminho improvável com a formatação do Senado e do Congresso que temos hoje”, afirma.

Chiarottino completa que, apesar de existirem esses dois caminhos institucionais, ambos se revelam improváveis. “Tanto no caminho interno, no próprio Supremo, quanto no externo, por meio do Senado, estão cercados de forte sensibilidade política e jurídica”, analisa.

Para André Marsiglia, mesmo que haja explicações legais para o avanço patrimonial em imóveis, o cenário reforça a importância de mecanismos de controle e prestação de contas, pois são citados contratos de alto valor e as relações com empresas que atuam no ambiente jurídico com as que são alvos de investigações.

Isso indicaria a relevância de se garantir transparência e evitar qualquer situação que possa comprometer a credibilidade das instituições.

“Assim, contratos de alto valor [envolvendo familiares de ministros] e relações comerciais com empresas investigadas ou com atuação no próprio ambiente jurídico reforçariam a necessidade de maior inspeção pública”, comenta.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/numero-de-casos-do-escritorio-de-viviane-barci-cresceu-500-apos-moraes-chegar-ao-stf/

Deltan Dallagnol

Os 104 abusos de Moraes: por que não foi afastado?

Alexandre de Moraes acumulou decisões que juristas, imprensa, políticos e até alguns colegas de tribunal consideram sem precedentes na história do Supremo Tribunal. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A Gazeta do Povo publicou recentemente um levantamento monumental: cento e quatro decisões abusivas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mapeadas caso a caso desde 2019. É o maior inventário feito pela imprensa de arbitrariedades cometidas por um único ministro do STF na história do tribunal. Não são opiniões editoriais da Gazeta ou pitacos de seus muitos e excelentes colunistas: são fatos públicos e verificáveis, decisões judiciais documentadas, com vítimas reais, de carne e osso.

O caso mais recente e talvez o mais cruel é o de Alcides Hahn. Empresário de setenta e um anos, de Blumenau, Santa Catarina, condenado a catorze anos de prisão em regime fechado por ter feito um Pix de R$ 500 para ajudar a pagar um ônibus fretado para Brasília. Dentro dele havia uma pessoa que participou dos atos de 8 de janeiro. Foi o suficiente para que Moraes e seus aliados da 2ª Turma do Supremo apontassem Hahn como um dos “megafinanciadores” e “mentores intelectuais” dos “atos golpistas” de 8 de janeiro.

Se passar um Pix de R$ 500 é ser um megafinanciador, quem passa um Pix de R$ 129 milhões seria o quê? Com a palavra, Daniel Vorcaro: o papel em branco de sua delação premiada tem bastante espaço para explicar este contrato inexplicável, que transformou dona Vivi Barci de Moraes, esposa do ministro xandônico, na advogada mais cara do mundo. E ontem a imprensa divulgou o recibo: dados da Receita comprovam o pagamento de R$ 80 milhões ao escritório.

Voltando a Hahn: ele não foi a Brasília, não depredou nada, não planejou nada. Disse, em depoimento, que fez o Pix a pedido de um conhecido, como empréstimo, sem saber o destino. Foi condenado por cinco crimes, incluindo golpe de Estado e associação criminosa armada. Além dos catorze anos, terá que pagar R$ 30 milhões em danos morais coletivos. Condenado à insolvência civil.

Quinhentos reais de Pix. Catorze anos de cadeia. Trinta milhões de multa. Um senhor de setenta e um anos. Estou repetindo para fixar na sua mente o absurdo, caso a sucessão de notícias inacreditáveis dos últimos anos no Brasil tenha te anestesiado para mais essa barbaridade. No Brasil de Alexandre de Moraes e Lula, estamos assim: anestesiados, drogados de tanta indignidade e injustiça.

O caso de Clezão, conhecido de todos, é ainda mais grave porque resultou em morte. Cleison Soares dos Santos, o Clezão, foi preso por participar dos atos de 8 de janeiro e morreu na cadeia enquanto aguardava decisão de Moraes sobre seu pedido de soltura. Tinha problemas de saúde documentados. Moraes negava sistematicamente liberdade provisória e domiciliar a presos do 8 de janeiro, mesmo quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendava a soltura. Clezão morreu esperando que um ministro do STF lesse seu processo.

A lista segue. Débora Rodrigues, a Débora do Batom, dona do caso mais escabroso de todos até o senhor Alcides Hahn tomar o seu lugar: Débora pintou a estátua da Justiça com batom durante os atos de 8 de janeiro e foi condenada a dezessete anos de prisão. Para efeito de comparação: a pena média para homicídio simples no Brasil é de seis a vinte anos. Débora vai cumprir pena equivalente à de um assassino por um ato de vandalismo que não danificou nada, apenas sujou a estátua de uma Justiça que vem sendo destruída nos últimos anos pelos próprios ministros. Quem são os verdadeiros vândalos?

Cristiane Angélica, cinquenta e nove anos, Bíblia e bandeira na mão, fotografada ao lado de policial legislativo, que testemunhou sobre sua natureza pacífica e como ela não quebrou nada; pelo contrário, juntou-se a outras senhorinhas em oração, pedindo a Deus proteção e o fim da confusão na Praça dos Três Poderes. Catorze anos de prisão.

E tem mais: multa de R$ 50 mil por dia para qualquer brasileiro que acessasse o X usando VPN. Moraes transformou em crime o ato de acessar uma rede social. Não há base legal para isso: usar VPN não é ilegal no Brasil, e multar cidadãos por acessar informação é censura pura. A medida foi tão absurda que gerou condenação de organizações internacionais de liberdade de imprensa.

O banimento do X e da Rumble no Brasil: duas plataformas inteiras bloqueadas por decisão monocrática de um único ministro, depois confirmada em plenário pelos demais togados, cegos pelo corporativismo mais provinciano possível. O X ficou fora do ar por semanas. A Rumble, plataforma de vídeos, continua banida. Milhões de brasileiros foram privados do acesso a essas plataformas porque Moraes decidiu, sozinho, que elas não cumpriram suas ordens. Em nenhuma democracia consolidada do mundo um juiz sozinho tem poder para banir uma plataforma inteira de comunicação.

A lista inclui ainda: prisões preventivas mantidas por meses sem denúncia, quando o prazo legal é de trinta e cinco dias; violação de sigilo de advogados; uso do inquérito das fake news como instrumento permanente de investigação, sem prazo, sem escopo definido e sem controle externo; produção de relatórios de inteligência via WhatsApp, fora dos canais oficiais, como revelou a Folha de S.Paulo; perseguição documentada a jornalistas como Rodrigo Constantino e dezenas de outros; censura à Revista Oeste e à própria Gazeta do Povo.

São cento e quatro casos documentados — e vários deles são representativos de dezenas de outras decisões e casos de Moraes. Não é um ou dois excessos. É padrão sistemático

Quando um ministro do STF acumula cento e quatro decisões abusivas, quarenta e sete pedidos de impeachment, relatório do Congresso americano documentando censura e contrato de R$ 129 milhões da esposa com banqueiro preso, a questão não é mais se ele deve ser investigado.

É por que ainda não foi afastado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/os-104-abusos-de-moraes-por-que-nao-foi-afastado/

Alexandre Garcia

Endividamento bate recorde e não tem causa única

Endividamento bateu novo recorde no Brasil em março de 2026. (Foto: Imagem criada utilizando Whisk/Gazeta do Povo)

É triste ver como as famílias brasileiras estão endividadas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostrou que o endividamento atinge 80,4% das famílias. Quase 30% estão com algum pagamento em atraso, e a média de atraso é de 65 dias. Uns 12% estão sem a menor condição de pagar. Quase metade tem dívida vencida há mais de 90 dias, e 19% pegam mais da metade da renda familiar para pagar dívidas e prestações. Em média, quase 30% da renda familiar está comprometida.

Qual é a causa? Lula está culpando as “bets”, as apostas. Pode ser uma das causas, mas há também questões culturais. Há quem queira se exibir para os vizinhos, os amigos, para o grupo, mostrar roupa boa, equipamento eletrônico, carro novo, como quem diz “não precisava, mas comprei um carro novo”. É uma necessidade de a pessoa mostrar como está bem de vida. Vemos muito isso em gente que veio do interior e que está cheia de joias e roupas finas, de grife, mas sabemos que estão devendo até os olhos. No interior as pessoas dizem “vejam o Fulano, como está se dando bem na capital”, mas lá na capital o Fulano está devendo tudo.

Eu aprendi isso em casa. Minha mãe dizia, de algumas pessoas, “não tem onde cair morto, mas olha a roupa que está usando na rua para mostrar para os outros”. Meu avô dizia: “quem dá o passo maior que a perna acaba rasgando as calças ou a saia”, quer dizer, acaba mesmo estragando sua vida. É preciso ter educação financeira, mas as pessoas não aprendem a usar seu dinheiro e ficam descontroladas.

Lula quer fazer bondade com devedor, mas é ele quem trabalha para desvalorizar o nosso dinheiro

Lula resolveu incluir as dívidas nas suas bondades eleitorais. Está dando mais gás, mais eletricidade, mais isso, mais aquilo, e agora promete renegociar dívidas. Falei com amigos ligados ao mercado financeiro e a bancos, e todos me disseram que isso é impossível, porque a pessoa está devendo em vários lugares, não tem como unificar tudo como Lula sugeriu. Vão tirar do Fundo de Garantia? O FGTS é para outras coisas, é para emergências. E, no fim, Lula não dá nada; ele está apenas devolvendo aquilo que o povo pagou como imposto. Isso precisa ficar bem claro: governo não fabrica dinheiro, não produz riqueza. Governo só gasta riqueza. Pode até transferir riqueza de um para o outro, mas não produz riqueza.

E o pior de tudo é que quem causa a desvalorização do dinheiro é o governo, pelo excesso de gastos em relação à arrecadação. Se no fim do ano a inflação chega a 4,5%, isso é o que foi tirado de nós. E os juros são altos porque o governo precisa lançar papéis no mercado para tapar os buracos, porque a arrecadação não é suficiente, e tem de pagar juros sobre esses papéis. Ou aumenta os impostos, tirando dinheiro diretamente do brasileiro, ou tira indiretamente, porque tem que pagar juros mais altos e provoca uma alta geral. É assim que funciona.

Joesley banca a Avibras e impede venda para chineses

Quando eu falo do setor bélico brasileiro, tenho memórias tristes, como a Engesa e o tanque Osório, um senhor tanque que quase foi vendido para o Oriente Médio – os blindados Cascavel e Urutu participaram de vários conflitos na região –, mas a Engesa faliu e o projeto de um tanque excelente foi encerrado; um dos Osórios, maravilhoso, está em Santa Maria. Hoje esse assunto volta à baila com o abre-e-fecha e os ultimatos envolvendo o Estreito de Ormuz. Uma outra empresa bélica brasileira, a Avibras, estava em recuperação judicial, e quem estava comprando a empresa eram os chineses. Já imaginaram? É uma indústria de artilharia, fabrica foguetes, o sistema lançador Astros II. Mas aí apareceu Joesley Batista para investir na Avibras. Entre Joesley e os chineses, acabamos ficando com o nacional.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/endividamento-recorde-causas/

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