
O sistema constitucional brasileiro não prevê claramente o que fazer se todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estiverem simultaneamente impedidos ou suspeitos em um mesmo caso. Juristas ouvidos pela Gazeta do Povo divergem sobre caminhos possíveis, mas convergem sobre um mesmo diagnóstico: o sistema foi até projetado para lidar com desvios individuais, mas não com um envolvimento simultâneo da maioria de ministros da Corte.
No caso Master, três ministros já se afastaram de discussões relacionadas ao tema, ainda que por razões distintas. Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo, Kassio Nunes Marques se afastou do julgamento que discutia a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em razão de sua posição na presidência do TSE, e Moraes reconheceu impedimento em uma ação envolvendo o Banco Master por causa da atuação do escritório de sua esposa.
Outros integrantes, como Luiz Fux e Gilmar Mendes, também tiveram questões apontadas como possíveis vínculos ao caso, embora sem o mesmo grau de evidência que levou ao afastamento dos outros três ministros.
Em uma hipótese extrema, novos afastamentos deixariam apenas quatro ministros em condições de julgar questões relacionadas ao caso: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. A partir daí, surge uma pergunta relevante: o que aconteceria se nem mesmo esses quatro pudessem atuar?
Hoje a Constituição determina que crimes comuns atribuídos a ministros do STF sejam julgados pelo próprio STF. Além disso, o ordenamento jurídico prevê mecanismos para evitar que processos fiquem sem julgamento em instâncias inferiores. Quando o impedimento atinge a maioria dos integrantes de um tribunal, a própria Constituição permite que o STF assuma o caso. A dificuldade está no fato de que essa engrenagem termina justamente no Supremo, que não possui uma instância superior capaz de exercer a mesma função.
“O Supremo é a instância para onde os casos vão quando outros tribunais têm integrantes impedidos ou suspeitos. Mas não existe uma previsão legal, constitucional ou regimental para a hipótese de isso acontecer com o próprio STF. Parece que quem escreveu essas regras partiu da ideia de que o Supremo seria imaculado e que um cenário desse tipo nunca chegaria à Corte”, avalia o professor de Direito Constitucional David Sobreira, LL.M. em Direito por Harvard.
Existe alguma saída?
A lacuna atual é reforçada por uma mudança no próprio Regimento Interno do STF. Até 2009, a Corte mantinha uma regra que permitia completar o Plenário com magistrados de fora do tribunal em situações excepcionais. A previsão foi posteriormente revogada, e o regimento passou a admitir apenas a convocação de ministros licenciados. Na prática, a solução deixou de alcançar justamente os casos em que os ministros permanecem no cargo, mas estão impedidos ou sob suspeição para julgar determinado processo.
Para o advogado e professor de Direito Processual Civil Daniel Penteado, a dificuldade não decorre apenas da ausência de uma regra específica. A própria Constituição estabelece que compete ao STF julgar crimes comuns atribuídos a seus ministros, o que reduz o espaço para soluções improvisadas em caso de impedimento coletivo da Corte.
“A única forma de você quebrar essa regra seria por meio de uma emenda constitucional”, afirma. Para isso, o Congresso teria de alterar a Constituição e criar uma exceção à regra atual de que ministros do STF são julgados pelo próprio STF. Uma das alternativas, segundo Penteado, seria permitir que magistrados de outras cortes atuassem temporariamente no Supremo para recompor o quórum de julgamento.
As duas análises partem de perspectivas distintas. Enquanto Penteado discute quais mudanças normativas poderiam tornar viável o julgamento em um cenário de afastamento generalizado, Sobreira questiona se a criação de novas exceções seria compatível com o esforço de restaurar a normalidade institucional.
“Eu não acho que a saída da excepcionalidade vai se dar por excepcionalidade. Eu acho que ela tem que se dar por ortodoxia”, defende Sobreira.
Para o constitucionalista, a saída deve vir dos instrumentos já previstos no ordenamento, ainda que politicamente custosos, como o impeachment de ministros pelo Senado. “Impeachment é uma opção nuclear? É. Mas é uma opção legal”, diz. Para o professor, a dimensão do problema exigiria uma resposta mais ampla. “E não estou falando de impeachment de um único ministro. Seriam pelo menos três ministros, para começar”, afirma.
Caso Master escancara ineficácia de freios institucionais
Em participação no podcast Onze Supremos, o professor de Direito Constitucional Rubens Glezer afirmou que o problema não decorre apenas de uma lacuna normativa, mas dos limites de qualquer arranjo institucional diante de uma crise extrema.
“Não tem desenho institucional que dê conta desse grau de deslealdade democrática, desse grau de deslealdade com a instituição”, disse. “O nosso sistema não tem respostas, a classe política não está oferecendo e aí ficamos em uma lama. Sem solução”, acrescentou.
Glezer aponta que os episódios recentes envolvendo ministros do STF, evidenciados na sessão sobre a possível investigação de Moraes, produzem uma armadilha institucional. Se não é legítimo responder a abusos com novos abusos, também fica cada vez mais difícil seguir as regras quando elas são constantemente flexibilizadas. Quando as exceções passam a prevalecer na prática, seguir as regras deixa de ser apenas uma escolha institucional e passa a significar atuar em condições desiguais.
Foi nesse contexto que o constitucionalista recorreu à comparação com uma partida de futebol em que um dos jogadores entra em campo armado. A partir desse momento, sustentou, a discussão deixa de ser sobre a aplicação das regras e passa a ser sobre a própria possibilidade de o jogo continuar existindo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/se-todos-ministros-stf-investigados-constituicao-nao-saida/
Novo Congresso tem a obrigação de expor todos os abusos do Supremo
Um novo Congresso Nacional iniciará seus trabalhos em fevereiro do ano que vem, um Congresso com um perfil mais propenso a finalmente restabelecer o devido equilíbrio entre os poderes, contendo o agigantamento do STF. Mas que não nos iludamos: o escândalo do Banco Master, com as ligações entre Daniel Vorcaro e ministros da corte, é apenas uma parte do problema. O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, mostra por que é preciso expor a todo o país a enorme lista de abusos cometidos desde 2019, quando começou o inquérito das fake news: os abusos contra a liberdade de expressão, os julgamentos políticos com a abolição do devido processo legal, a violação da imunidade parlamentar e de tantas outras garantias democráticas. O impeachment é apenas um dos instrumentos possíveis; é preciso, por exemplo, resgatar a proposta da CPI do Abuso de Autoridade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/congresso-nacional-abusos-stf/
Vorcaro critica vazamentos e sinaliza nova tentativa de delação

O ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, criticou nesta terça-feira (13) os mais recentes vazamentos de conteúdos extraídos de seu telefone celular que apontariam, entre outros assuntos, uma suposta rede de prostituição e de organização de festas e eventos privados com altas autoridades.
O pronunciamento do empresário foi feito através de sua defesa em uma nota enviada à imprensa em que sinaliza, ainda, a intenção de tentar um novo acordo de delação premiada. Vorcaro já teve duas propostas rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e atualmente está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
“É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente. Além de expor indevidamente minha intimidade e violar minha privacidade, esses vazamentos colocam em risco a segurança da minha família e apresentam à sociedade uma história enviesada, sujeita ao uso político e à manipulação da opinião pública”, afirmou (veja na íntegra mais abaixo).
Desde que as mensagens de seu telefone celular passaram a vazar à imprensa, Vorcaro tem sido apontado como um grande articulador de relações com políticos, empresários e ministros de tribunais superiores para conseguir decisões favoráveis tanto no Legislativo como no Judiciário ao Banco Master.
A defesa do empresário evitou se pronunciar sobre vários dos vazamentos passados, mas rompeu o silêncio em relação ao mais recente supostamente envolvendo uma rede de prostituição e de recrutamento de mulheres refugiadas.
“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrepeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, disparou.
Por fim, o ex-banqueiro ressalta que está à disposição da Justiça para esclarecer o que for preciso nas investigações para que “todos conheçam a verdade por inteiro”.
“Reitero que quero falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados e todas as minhas relações. Sei da importância desses esclarecimentos e quero prestá-los com responsabilidade, pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal”, completou.
A Polícia Federal, no entanto, tem sido resistente a aceitar uma terceira proposta de delação premiada, já que as anteriores omitiram fatos que já haviam sido descobertos pela investigação. Apuração da Gazeta do Povo aponta que Daniel Vorcaro teria poupado alguns nomes que teriam tido relações com ele e que a polícia já havia avançado nas apurações.
Também nesta terça-feira (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a encaminhar todas as menções a ministros envolvidos no caso do Banco Master. Das mensagens vazadas até o momento, já há apurações envolvendo Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kássio Nunes Marques e pessoas ligadas a Luiz Fux e Gilmar Mendes.
Nota de Vorcaro
Veja abaixo na íntegra o que disse Daniel Vorcaro sobre os vazamentos de mensagens de seu telefone celular:
É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente. Além de expor indevidamente minha intimidade e violar minha privacidade, esses vazamentos colocam em risco a segurança da minha família e apresentam à sociedade uma história enviesada, sujeita ao uso político e à manipulação da opinião pública.
Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrepeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei.
Afirmo que não reconheço a autoria, a autenticidade e o contexto de vários dos conteúdos vazados.
A manipulação criminosa de mensagens privadas obtidas ilicitamente só serve para ofuscar os reais problemas do país e serão objeto de responsabilização cível e criminal no seu devido tempo.
Reitero que quero falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados e todas as minhas relações. Sei da importância desses esclarecimentos e quero prestá-los com responsabilidade, pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal.
Manifesto de forma clara toda a minha disposição para colaborar com as investigações para que todos conheçam a verdade por inteiro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-critica-vazamentos-sinaliza-nova-tentativa-delacao/
Quem são os donos dos principais institutos de pesquisa do Brasil

No início de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral implementou aprimoramentos no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). O objetivo é exigir informações mais detalhadas dos institutos. O TSE informa que, além dos campos já existentes, os institutos de pesquisa deverão informar com mais detalhes a representatividade da amostra, com a descrição da população representada, a classificação do plano amostral, o tamanho projetado, o nível de confiança e a margem de erro máxima esperada. Também exige que sejam detalhados os procedimentos de campo utilizado para acessar o eleitorado, com indicação sobre o uso de mídias, como áudios, vídeos ou imagens na aplicação da entrevista.
As mudanças já valem ao longo do segundo turno das eleições de 2026, e acontecem depois de, mais uma vez, boa parte dos institutos apresentar pesquisas que apresentaram resultados muito diferentes do observado nas urnas – e para além da margem de erro.
Se em 2024 o senador Ciro Nogueira (PP-PI) propôs um projeto de lei que estabelecesse punições para os institutos que errassem em seus levantamentos realizados às vésperas do pleito, em 2026 o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reafirmou a intenção de propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação das empresas. O PL de dois anos atrás aguarda votação na Comissão de Defesa da Democracia.
Discrepâncias
Em 2022, às vésperas no primeiro turno das eleições presidenciais, o Datafolha previa que Jair Bolsonaro alcançaria 36% dos votos válidos, dois pontos percentuais abaixo do indicado pela Quaest. Mas as urnas deram a ele 43%.
Em 2026, dos seis principais institutos que publicaram pesquisas na reta final da campanha, apenas o Gerp identificou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminaria à frente de Lula (PT-SP). Enquanto isso, PoderData (45% a 43%), Datafolha (45% a 42%) e Quaest (46% a 45%) registravam empate técnico, dentro da margem de erro, com vantagem numérica para o petista. E outros dois levantamentos indicavam a liderança mais sólida de Lula: a CNT/MDA apontava 47,8% dos votos válidos para o candidato do PT, contra 42,1% para Flávio, enquanto a AtlasIntel registrava 47% a 44,1%.
Outros dois institutos haviam divulgado pesquisas na semana anterior à eleição.
No levantamento feito pelo Veritá, Flávio aparecia ligeiramente à frente: 45,14% contra 44,65% de Lula. Na pesquisa do Futura (100% Cidades), Flávio tinha 44,8% contra 42,6% de Lula.
Metodologia das pesquisas citadas
- Gerp: 2.400 entrevistados pela Gerp de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95,55%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00509/2026.
- PoderData: 4.000 entrevistados pela PoderData de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 1,5 ponto percentual. Registro no TSE sob o nº BR-03519/2026.
- CNT/MDA: 2.007 entrevistados pelo instituto MDA de 30 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Confederação Nacional do Transporte. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-04756/2026.
- Datafolha: O Datafolha entrevistou 4.006 pessoas em 3 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01708/2026.
- Quaest: 3.702 entrevistados pela Quaest de 02 a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-02197/2026.
- AtlasIntel: 4.945 entrevistados pela AtlasIntel de 27 de setembro a 2 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 1 ponto percentual. Registro no TSE sob nº BR-00999/2026.
- Futura (100% Cidades): 2.000 entrevistados pela 100% Cidades Participações Ltda. (Futura Consultoria e Assessoria Ltda.) de 29 de setembro a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela própria Futura Consultoria e Assessoria Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-02431/2026.
- Veritá: 40.500 entrevistados pelo Instituto Veritá de 20 a 25/09/2026. A pesquisa foi contratada pelo Sistema de Comunicação Pantanal Ltda. / Rede Brasil de Televisão. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: varia de 2,0 a 3,5 pontos percentuais conforme a UF. Registros no TSE (abrangendo os estados e o Distrito Federal): AC (BR-03117/2026 e BR-07097/2026), AL (BR-03222/2026), AM (BR-04439/2026), BA (BR-02546/2026), CE (BR-09888/2026), DF (BR-06774/2026), ES (BR-04515/2026), GO (BR-08745/2026), MA (BR-02757/2026), MG (BR-09269/2026), MS (BR-03436/2026), MT (BR-04418/2026), PA (BR-01684/2026), PB (BR-05105/2026), PE (BR-06969/2026), PI (BR-05209/2026), PR (BR-06446/2026), RJ (BR-05600/2026), RN (BR-02817/2026), RO (BR-03566/2026), RR (BR-05265/2026), RS (BR-04324/2026), SC (BR-07078/2026), SE (BR-04761/2026), SP (BR-04131/2026) e TO (BR-00467/2026).
Conheça agora o perfil de cada uma dessas empresas.
Gerp
Fundação: 1983
Cidade sede: Niterói (RJ)
Metodologia: Entrevista Telefônica Assistida por Computador (Cati, na sigla em inglês), com entrevistadores treinados e supervisão das ligações. “O controle eletrônico reduz fraudes, repetições e interferências externas, enquanto a maior privacidade da entrevista telefônica pode favorecer respostas mais espontâneas”, explicou à Gazeta do Povo o presidente do instituto, Gabriel Pazos.
A quem pertence: Gabriel Pazos, presidente e fundador.
PoderData
Fundação: 2017
Cidade sede: Brasília (DF)
Metodologia: Entrevistas telefônicas automatizadas e ponderação demográfica.
A quem pertence: Grupo de comunicação Poder360, que pertence aos jornalistas Fernando Rodrigues e Mariângela Gallucci e ao empresário Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.
Datafolha
Fundação: 1983
Cidade sede: São Paulo (SP)
Metodologia: As entrevistas são realizadas de forma presencial, com agentes posicionados em pontos de fluxo para abordar os eleitores.
A quem pertence: Grupo Folha, conglomerado de mídia controlado pela família Frias.
Quaest
Fundação: 2016
Cidade sede: Belo Horizonte (MG)
Metodologia: A abordagem é presencial e se dá nos domicílios dos entrevistados.
A quem pertence: Felipe Nunes, professor de políticas públicas e sócio-fundador.
MDA
Fundação: O Instituto MDA foi fundado em 1988. Em 2012, tornou-se parceiro da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Cidade sede: Lavras (MG)
Metodologia: Presencial domiciliar.
A quem pertence: O diretor é o estatístico Marcelo Souza Brasil.
AtlasIntel
Fundação: 2013
Cidade sede: São Paulo (SP)
Metodologia: Online.
A quem pertence: Andrei Roman, cientista de dados, é o fundador e CEO.
Veritá
Fundação: 1995
Cidade sede: Uberlândia (MG).
Metodologia: Quantitativa por meios digitais e interativos de amostragem por cotas (IVR / questionário informatizado).
A quem pertence: Fundado por Orlei Moreira e com gestão executiva de Adriano Silveira.
Futura
Fundação: 1992
Cidade sede: Vitória (ES)
Metodologia: Quantitativa realizada por meio telefônico (CATI – Computer-Assisted Telephone Interviewing).
A quem pertence: A empresa está associada ao ecossistema de investimentos e inteligência empresarial ligado ao empresário Fernando Cinelli (Apex/100% Cidades).
Credibilidade em xeque
Ao longo do debate que antecedeu a implementação de mudanças nas normas para registro das pesquisas, o TSE chegou a debater a criação do “Selo Acurácia Eleitoral”, que reconheceria os institutos que conseguissem se aproximar dos resultados reais. Mas a proposta não seguiu adiante, sob a alegação de que as pesquisas não representam necessariamente previsões do resultado, mas sim um retrato de momento.
Rodrigo Rossi Horochovski, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que os institutos têm encontrado dificuldades ao longo das últimas eleições. “Se um instituto se baseia apenas em entrevistas em pontos de fluxo de pessoas, ele perde alguns públicos, como quem trabalha em home office. As empresas têm buscado alternativas para contornar esse problema. Uma delas é criar, artificialmente, ponderações para estimar a opinião desse público que não é facilmente encontrável, mas nesse caso o risco de cometer imprecisões é muito grande”.
A credibilidade dos institutos é fundamental para eles seguirem atuando. Mas, como aponta Horochovski, essas empresas vêm sendo questionadas. “Existe um movimento de descrédito dos institutos. Alguns já foram varridos do mercado por errar de forma consistente”, afirma o professor.
Um caminho para avaliar as pesquisas com mais segurança, recomenda Horochovski, é focar mais na trajetória do que nos números de um levantamento específico. “Em geral, a tendência de crescimento de Flávio Bolsonaro no final do primeiro turno foi identificada. Para o segundo turno, com apenas duas opções para o leitor, a tendência é de haver menos erros”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/quem-sao-os-donos-dos-principais-institutos-de-pesquisa-brasil/

Denúncias de Vorcaro sobre negócios com governo Lula ampliam críticas a PF e PGR

A Veja publicou em 9 de outubro relatos de Daniel Vorcaro sobre propinas para acessar fundos de pensão de estatais federais para o seu Banco Master. As acusações envolvem interlocutores de Luiz Inácio Lula de Silva (PT), com pagamentos e contrapartidas contestados e sem comprovação pela Justiça.
Segundo a revista, o Master buscava captar R$ 10 bilhões, reservando 10% a intermediários ligados ao PT. Vorcaro teria citado João Vaccari Neto, Olavo Noleto e Alexandre Padilha. A captação federal não vingou, segundo a publicação, que ainda traz menções a negócios com fundos municipais.
A Veja afirma que o material chegou à PGR em junho, nas negociações de delação. A PF nega ter recebido depoimento ou documentos com tal teor. A Procuradoria confirmou a rejeição da proposta, mas preservou os motivos sob sigilo, dizendo que foram comunicados aos advogados do banqueiro.
A PGR declarou ter recebido as propostas como elaboradas pela defesa, sem recusar previamente assuntos nem conversar diretamente com Vorcaro. A divergência exige esclarecer o conteúdo apresentado e seu exame, enquanto dados públicos não comprovam a omissão dos investigadores.
Mensagens cobram investigação sobre acesso a fundos e apoio a filme de Lula
A Veja identificou o consultor Júlio Cezar como mediador e descreve mais de 450 mensagens e 180 telefonemas com Vorcaro. Registros descrevem reuniões e cobranças por investimentos. Em julho de 2024, O Globo noticiou o afastamento de gerentes da Caixa após parecer contrário à operação.
Segundo documento reproduzido pela Veja, Vorcaro teria pago R$ 30 milhões em espécie para o documentário de Oliver Stone sobre Lula, além de valores ao Instituto Lula. Ele associaria os repasses a exigências de Vaccari para acessar fundos. Os pagamentos seguem sem comprovação.
Na gravação, Vorcaro não cita os R$ 30 milhões, mas fala: “O do Lula foi por fora, foi errado”. Ele diferencia o caso do patrocínio de Dark Horse, sobre o filme de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro explorou a comparação e afirmou que o financiamento do filme do pai não teve contrapartida pelo mandato.
O advogado Daniel Bialski reconheceu a voz do cliente, sem confirmar os fatos ou condições da gravação. A campanha de Lula anunciou ações e a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu direito de resposta. A PF enviou notícia-crime à área técnica. A gravação na prisão não está confirmada.
Contatos no Planalto e expansão na Bahia compõem histórico do Master
Lula recebeu Vorcaro fora da agenda em 4 de dezembro de 2024, com o ex-ministro Guido Mantega, Augusto Lima, amigo do senador Jaques Wagner (PT-BA), Gabriel Galípolo, então futuro presidente do Banco Central (BC) e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).
Pelos relatos, Lula pediu análise técnica da próxima gestão do BC. Em janeiro, o advogado Walfrido Warde disse ao banqueiro que Lula agradecera um uísque dado por Vorcaro. Mensagens mostram Warde recorrendo ao gabinete de Lula na venda do Master ao BRB e criticando ações de Galípolo.
O BC vetou a compra e liquidou o banco em 18 de novembro de 2025. Mantega recebeu R$ 1 milhão mensais por serviços e nega saber de fraudes. O ex-ministro Ricardo Lewandowski prestou serviços ao Master. Ele relata ter saído ao assumir a Justiça; familiares mantiveram o seu contrato.
Na Bahia, a venda da estatal Ebal em 2018, sob Rui Costa, incluiu o crédito consignado Credcesta. Decretos ampliaram o produto, depois associado por Augusto Lima ao Master. Reportagens apontam articulação de Jaques Wagner na privatização, enquanto Lula associa o Master a Jair Bolsonaro.
Lula negou vantagens e repasses autorizados em seu nome. Padilha, Noleto e Augusto Lima refutaram as acusações expostas na Veja.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/denuncias-de-vorcaro-sobre-negocios-com-governo-lula-ampliam-criticas-a-pf-e-pgr/
PGR contesta decisão de Mendonça que afastou cúpula da Polícia Federal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou nesta terça-feira (13) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em parecer enviado à Corte, o órgão afirmou que faltam evidências concretas de participação dos dirigentes em eventuais irregularidades que justifiquem a medida.
Mendonça determinou o afastamento preventivo dos dois integrantes da cúpula da PF no começo do mês passado no âmbito de uma investigação sobre relatórios de inteligência que teriam monitorado autoridades públicas, incluindo integrantes do Judiciário. O ministro apontou suspeitas de que os documentos extrapolaram os limites da atividade policial e determinou a abertura de procedimentos para apurar a produção do material.
“A qualificação negativa do comportamento das autoridades policiais, para acarretar a drástica medida de afastamento, precisaria estar acompanhada de evidências da participação imprópria em atos ilícitos, o que, com a vênia devida, não se logrou estampar na decisão impugnada”, disse a PGR na manifestação.
Ainda na manifestação, a Procuradoria-Geral da República alegou que a ocupação de cargos de chefia não é suficiente para responsabilizar os dirigentes por todas as atividades realizadas dentro da corporação. O órgão também contestou a existência de elementos suficientes para concluir que houve vigilância irregular de autoridades.
“As conjecturas lançadas, contudo, não se confundem com investigação. Não se encontra no apanhado dos relatórios, evidência de vigilância pessoal, nem de acompanhamento de deslocamentos, interceptação de comunicações, acesso clandestino a dados privados ou qualquer técnica voltada a perscrutar fatos da vida do relator”, pontua.
A PGR seguiu afirmando que o compartilhamento dos documentos com Moraes ocorreu em cumprimento a uma determinação judicial, o que, segundo o parecer, não estaria sob controle direto dos dirigentes afastados.
Após a decisão de Mendonça, o STF mergulhou em uma grave crise institucional que, em resposta, Moraes pediu a investigação do colega por suposto abuso de poder e parcialidade na relatoria do caso Master na Corte. No dia seguinte à determinação de Mendonça, o ministro Flávio Dino decidiu reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo.
Pouco depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu posteriormente as duas decisões e manteve o diretor-geral na função até a análise do caso pelo plenário.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também se posicionou contra o afastamento, argumentando que a medida interfere nas competências do Poder Executivo. Enquanto isso, o julgamento no Supremo avançou na Segunda Turma, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pgr-contesta-decisao-mendonca-afastou-cupula-policia-federal/
Alcolumbre dá presente eleitoreiro a Lula com votação da escala 6×1

Davi Alcolumbre está nas cordas. Seu principal adversário político se elegeu governador no Amapá; sua candidata ao Senado ficou apenas em quinto lugar; e Flávio Bolsonaro já avisou que, se eleito, não apoiará nem Alcolumbre nem Hugo Motta nas disputas pela presidência do Senado e da Câmara, respectivamente. Cada vez mais a sobrevivência política do senador amapaense depende de uma vitória de Lula no segundo turno da corrida ao Planalto, e por isso o presidente do Senado resolveu dar um presente a seu aliado: na última sexta-feira, ele marcou para esta quarta-feira a votação, em primeiro turno, da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal – e, a depender do resultado, nada impede que os prazos regimentais sejam abolidos para que a segunda votação ocorra na mesma sessão.
Neste espaço, já explicamos inúmeras vezes por que, mesmo compreendendo o desejo da enorme maioria dos brasileiros por mais tempo livre para se dedicar à família e a interesses pessoais, consideramos que a PEC tem inúmeros problemas. Ela novamente privilegia canetadas impostas de cima em vez de fomentar o espírito de negociação entre patrões e empregados; difunde a ilusão de que o brasileiro será capaz de produzir mais riqueza trabalhando menos tempo, sem que todos os outros fatores que influenciam nossa (baixíssima) produtividade sejam resolvidos; impõe novas despesas a quem produz, despesas que serão inevitavelmente repassadas ao preço final de produtos e serviços. Enfim, falamos de menos crescimento econômico, mais dificuldade para contratar, aumento de custos para pequenos negócios, redução das oportunidades para quem procura emprego, e menos perspectivas de crescimento profissional – efeitos que estão sendo sumariamente ignorados no parco debate sobre o tema, apesar dos alertas do setor produtivo, e que certamente influenciariam a percepção do brasileiro sobre a proposta.
Apressando a votação da PEC da escala 6×1, Lula e Alcolumbre estão apenas usando o trabalhador brasileiro como escada para manterem o próprio poder
Em condições normais, levar adiante uma votação de matéria tão importante sem a devida discussão já seria uma enorme irresponsabilidade. Mas nem sequer estamos em condições normais: estamos em meio a uma disputa eleitoral acirradíssima, em que o candidato preferido do atual presidente do Senado está atrás nas pesquisas e precisa desesperadamente de uma bala de prata, a uma semana e meia do segundo turno. A PEC da escala 6×1 é esse trunfo, com uma vantagem dupla: não apenas Lula poderá se proclamar o “pai da criança” na propaganda eleitoral, mas também colocará o senador Flávio Bolsonaro e o grupo que atualmente está na oposição, majoritariamente contrário à pauta, em uma sinuca de bico. Esses senadores podem votar contra a PEC e correr o risco de serem rotulados como “inimigos do trabalhador”, ou podem endossar a proposta (como o próprio Flávio afirmou que fará) para evitar a pecha, mas entregando uma vitória fácil (e o dividendo eleitoral) a Lula.
Cabe, portanto, aos senadores com senso de responsabilidade uma postura firme e corajosa. Primeiro, denunciar o uso eleitoreiro de uma proposta com efeitos diretos sobre a vida de dezenas de milhões de trabalhadores do país. Segundo, fazer o que for possível para retardar a tramitação, de forma que o debate seja descontaminado de seu fator eleitoral e possa de fato incluir todos os interessados, analisar os números, comparar experiências de outros países, e avaliar alternativas. E terceiro, aproveitar todas as chances possíveis para explicar aos brasileiros, com todo o didatismo possível, que não são contra os trabalhadores, mas contra a votação apressada de propostas cujos efeitos precisam ser conhecidos, na medida do possível – e contra propostas que, por trás da roupagem de preocupação com o bem-estar do trabalhador, podem acabar inviabilizando seu desejo de prosperar e construir riqueza para si e sua família.
No fim das contas, Lula e Alcolumbre estão apenas usando o trabalhador brasileiro como escada para manterem o próprio poder. Um quer vender a PEC como grande realização a um eleitorado que, até o momento, parece resistir à ideia de lhe dar um quarto mandato presidencial; outro quer montar o palanque para se manter no comando do Senado – e, com isso, seguir também blindando covardemente os ministros do Supremo Tribunal Federal que se tornaram indignos de sua toga e mereciam o julgamento por crimes de responsabilidade. Que a PEC da escala 6×1 seja debatida com franqueza e tranquilidade – tudo o que essa votação de quarta-feira não representa.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/alcolumbre-lula-votacao-escala-6×1/
Novo Congresso tem a obrigação de expor todos os abusos do Supremo
Um novo Congresso Nacional iniciará seus trabalhos em fevereiro do ano que vem, um Congresso com um perfil mais propenso a finalmente restabelecer o devido equilíbrio entre os poderes, contendo o agigantamento do STF. Mas que não nos iludamos: o escândalo do Banco Master, com as ligações entre Daniel Vorcaro e ministros da corte, é apenas uma parte do problema. O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, mostra por que é preciso expor a todo o país a enorme lista de abusos cometidos desde 2019, quando começou o inquérito das fake news: os abusos contra a liberdade de expressão, os julgamentos políticos com a abolição do devido processo legal, a violação da imunidade parlamentar e de tantas outras garantias democráticas. O impeachment é apenas um dos instrumentos possíveis; é preciso, por exemplo, resgatar a proposta da CPI do Abuso de Autoridade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/congresso-nacional-abusos-stf/
Do pequeno comércio à fábrica, como cada negócio será afetado pelo fim da jornada 6×1

Caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 seja aprovada, empresas de diferentes setores terão de reorganizar equipes, escalas e horários para manter o funcionamento atual.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) pautou para esta quarta (14) a votação em primeiro turno da proposta, De acordo com o Regimento do Senado, depois do primeiro turno, a proposta precisa ser debatida em outras três sessões de discussão. Só então pode ser votada em segundo turno.
Por esse rito, a votação da PEC do fim da 6×1 ainda poderia ser concluída em outubro. No entanto, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), busca assinaturas de 54 senadores para acelerar a análise da PEC por meio de um requerimento de quebra de interstício, de forma que a votação do segundo turno possa ocorrer logo após a do primeiro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial, declarou nesta terça-feira (13) que votará pelo fim da escala 6×1. Até então ele vinha se manifestando contra o projeto. “Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1.”
Atividades que dependem de operação contínua serão as mais afetadas
As atividades que dependem de operação contínua ou concentram a demanda em determinados dias e horários terão os maiores desafios, podendo exigir novas contratações. Uma das consequências diretas seria o repasse de custos ao consumidor, gerando inflação.
A proposta, já aprovada na Câmara e atualmente em análise no Senado, propõe reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e acabar com a escala 6×1, obrigando pelo menos dois dias de folga semanal remunerada.
“O que vai acontecer? Fechar a loja um dia da semana não tem como. As pessoas precisam do sábado para comprar. Seria um dia a menos de faturamento e ainda teria que contratar mais gente, mas já estamos com dificuldades”, afirma Kátia Burko, empresária da loja de moda feminina Scarp, em Guarapuava, no Paraná.
“Temos três vendedoras, então três dias da semana vamos ficar somente com duas. Somente metade da semana teremos a equipe completa. Isso vai impactar no faturamento. Com menos gente trabalhando na loja, vamos vender menos”, completa.
O exemplo da empresa varejista de pequeno porte ilustra a realidade de um segmento que tende a ter maior dificuldade de adaptação, incluindo lojas de shoppings. Essas empresas já trabalham com quantidade de funcionários bem ajustada à demanda e têm maior dificuldade de repassar ao consumidor os custos extras com a adaptação forçada à nova escala.
“Ao colocar uma única escala na Constituição, se enrijece e obriga os setores a usar uma escala que não corresponde às necessidades de seus setores. A adaptação a isso vai ser a parte mais complicada”, afirma André Portela, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Tornar a escala de trabalho uma norma constitucional seria uma inovação brasileira, diferente do que ocorreu em outros países, aponta o especialista. Aqueles que reduziram jornadas mantiveram as escalas livres e respeitando as especificidades operacionais de cada segmento.
“Os setores são muito diferentes em suas atividades, seja por razões tecnológicas ou de demanda dos consumidores. Por exemplo, um alto-forno de uma siderúrgica funciona 24 horas, não desliga. O varejo funciona nos finais de semana, um hospital tem escalas 12×36 em alguns setores, a agricultura tem sua sazonalidade de colheita e plantio… Há uma diversidade de escalas”, argumenta Portela, que é favorável a acordos e convenções coletivas para deliberar sobre esse tema.
Fábricas terão de rever escalas para manter a produção em períodos de maior demanda
O estudo “Redução de jornada e negociação coletiva: caminho para soluções equilibradas”, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reforça justamente essa variabilidade entre setores, apontando que a indústria de transformação enfrenta oscilações de produção provocadas por sazonalidade das vendas, ciclos de pedidos, variações cambiais, logística, estoques e paradas de manutenção.
Atualmente, para se ajustar a essa dinâmica do setor, são utilizados o banco de horas e a compensação flexível de jornada, sem a necessidade de contratar e demitir trabalhadores conforme a demanda.
Conforme o estudo, com a redução para 40 horas, um dos problemas seria que o banco de horas teria de ser administrado dentro de uma janela semanal menor, reduzindo essa flexibilidade. Ou seja, as fábricas teriam limitações para utilizar mais horas em períodos de demanda elevada e compensá-las com folgas em períodos de menor atividade.
É por essa variabilidade de necessidades que a entidade apontou a necessidade de separar jornada de escala. Uma redução de jornada poderia ser assimilada gradativamente, com ganho de produção compatível, e organizada em escalas a partir de acordos e convenções que atendam às especificidades dos segmentos industriais e ao bem-estar dos trabalhadores.
Essa prática, aponta o estudo, já é comum no setor. O levantamento mostra que a indústria de transformação já tratou, em 38,5% das convenções e acordos, do tema horas extras e compensação. Além disso, 11,2% tratam de turnos, horário noturno e mudança de horário.
Já no segmento da indústria extrativa, o desafio é diferente. A mineração, o petróleo e o gás podem operar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nesses casos, o estudo aponta que reduzir a jornada abaixo de determinado ponto técnico exigiria turnos adicionais, com custos de recrutamento, treinamento, equipamentos de segurança e logística.
Hospitais terão que conciliar redução da jornada com necessidade de atendimento ininterrupto
Um hospital funciona com diferentes serviços simultâneos que demandam profissionais distintos. Da cozinha à UTI, do administrativo ao centro de diagnóstico por imagens, o atendimento funciona em grande parte 24 horas por dia, mas a dinâmica de cada setor é distinta.
O certo, conforme gestores da área, é que a redução de jornada e a mudança de escala afetam diretamente o setor.
“A matemática é simples: se reduzirmos uma jornada de 44 para 40 horas semanais, teremos uma redução de aproximadamente 9% nas horas disponíveis por trabalhador. Mas essas horas não desaparecem da operação. Para manter a cobertura, vamos ter que reorganizar as escalas, horas extras ou novas contratações”, disse à Gazeta do Povo Marlon Malasa, do Grupo Vita Curitiba e sócio da HPRO Soluções em Saúde, que faz a administração e gestão de hospitais.
A mudança não será automática e igual em todos os hospitais e setores, lembra o gestor, pois dentro do próprio hospital existem várias categorias, algumas delas com escalas e jornadas específicas.
“O problema maior está nas áreas assistenciais e de apoio contínuo, como enfermagem, UTI, maternidade, centro cirúrgico, higienização, entre outros, que precisam garantir a cobertura permanentemente”, ressalta, indicando um desafio para a formulação de escalas se a mudança for efetivada.
O gestor também alerta para a redução da capacidade de investimento, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), que já trabalha com recursos no limite. “Se o custo aumentar sem aumento de receita, o hospital precisa retirar dinheiro de algum lugar e isso pode significar menos capacidade para investir em equipamentos, medicamentos, treinamento, tecnologia e expansão dos serviços”, diz.
Agro precisará adaptar jornadas a ciclos de produção e operações contínuas
Assim como os demais segmentos, entidades que representam o agronegócio fizeram várias sugestões ao Congresso em relação ao tema, mas nenhuma prosperou no texto que está em debate.
“Diversas atividades agropecuárias estão condicionadas a ciclos biológicos, fatores climáticos e períodos sazonais de produção, o que exige maior flexibilidade na organização das jornadas e das escalas”, aponta o estudo “Reflexos da redução da jornada 6×1 no agronegócio”, da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg).
A predominância de pequenas propriedades em diversas atividades que exigem trabalho manual é outro ponto de preocupação do setor. Muitas não teriam condições de contratar mais funcionários para compensar o dia extra de folga e a redução de horas trabalhadas.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) estimou o custo adicional em algumas atividades no estado. A avicultura e a suinocultura teriam custo extra estimado de R$ 1,72 bilhão por ano, principalmente devido ao manejo biológico contínuo dos animais e às escalas ininterruptas nas plantas frigoríficas, que operam 24 horas por dia.
O setor leiteiro exige manejo contínuo e o processamento imediato nas indústrias pode sofrer um custo extra de R$ 570 milhões. Já os grãos, sobretudo pela concentração da demanda nos períodos de plantio e colheita, teriam impactos de R$ 900 milhões anuais.
Empresas de serviços podem repassar custos maiores aos consumidores
De modo geral, o setor de serviços é intensivo em mão de obra e a natureza das atividades pode exigir escalas de trabalho diversas. Diferentes segmentos já estimam elevação de custos da hora trabalhada e, consequentemente, do preço final ao consumidor.
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) estima que o aumento dos custos seja superior a 20%, valor que deve ser repassado.
O serviço de segurança privada também estima esse percentual de aumento do custo, conforme previsão da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). Além do custo, a entidade já se organiza para necessidade de ajustes operacionais na escala amplamente utilizada pelo segmento, a 12×36.
Uma nota técnica elaborada a pedido da entidade apontou que, em muitos casos, serão necessários ajustes no intervalo de descanso para a escala se adequar a nova norma. Para um posto que precisa funcionar 24 horas por dia, são necessárias 168 horas de cobertura por semana. Com uma jornada de 40 horas, são necessários 4,2 empregados. Segundo a nota, se o intervalo for de 30 minutos, a jornada passa a 40,25 horas semanais e o documento aponta a necessidade de 5 empregados para cobrir um posto.
Redução da jornada exigirá que supermercados ajustem equipes ao movimento das lojas
O estudo da Centu, empresa de tecnologia voltada à gestão e montagem de escalas de trabalho, realizado com dados de oito supermercados que têm atualmente entre 15 e 55 funcionários, mostra que a adaptação ao fim da escala 6×1 não será simplesmente uma questão de contratar mais pessoas.
As empresas terão de redesenhar as escalas a partir da demanda efetiva de cada unidade, considerando como o movimento se distribui ao longo dos dias e horários.
Foram 32 simulações realizadas. A migração de 44 horas em 6×1 (atual) para 40 horas em 5×2, que terá que ocorrer em 14 meses se a PEC for aprovada, produziu impactos muito diferentes: o custo de mão de obra variou de 1,7% a 11,6%, mesmo dentro da mesma rede.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/efeitos-negocios-comercio-industria-hospitais-fim-escala-6×1/

Fascistas e comunistas são a mesma coisa

Prepare-se para as discussões ideológicas neste país polarizado, em que um acusa o outro de “fascista” e o outro acusa o primeiro de “comunista”. O genial Roberto Motta mostrou que não se trata de duas ideologias que se confrontam porque são opostas, mas de duas ideologias concorrentes com os mesmos objetivos: apropriar-se do Estado e dominar o povo. Tanto o fascismo como o comunismo são iguais nos objetivos, tanto que Hitler e Stálin assinaram o pacto Molotov-Ribbentrop, rompido depois pelos alemães. Os dois ditadores se juntaram para acabar com as democracias. São a mesma coisa – o general Golbery dizia que é como a ferradura, em que os dois extremos estão mais próximos entre si do que ambos em relação ao centro.
Há uma piada muito boa, em que o menino procura o pai dizendo: “pai, machuquei o joelho”, e o pai pergunta: “o esquerdo ou o extremo direito?” Na imprensa domesticada ninguém escreve “direita”, é só “extrema direita”. Mas ninguém escreve “extrema esquerda”, é como se não existisse. Mas extrema esquerda e extrema direita são iguais, pretendem dominar o Estado e as pessoas, fanatizá-las para que fiquem violentas, como aconteceu na Avenida Paulista.
Vândalos da Avenida Paulista já não pensam, são governados apenas pelas emoções
O que houve nesse domingo foi uma imitação de black blocks, imitação do Maio de 1968 em Paris, aquele acontecimento icônico que os manifestantes na Paulista, ainda com cabecinha imatura, pretenderam copiar. O que me assustou ainda mais foi ver uma bandeira dos Estados Unidos sendo queimada com maçarico – ou seja, alguém estava lá com uma arma, praticamente um lança-chamas portátil. Fora todas as imprecações, os gritos, a raiva, o ódio. Isso é condenável vindo de qualquer extremidade, e essas pessoas estão, sim, nas extremidades, onde ninguém pensa, só funciona com base nas emoções.
Isso tudo me lembrou o general Rubem Ludwig. Em 1984, eu estava cobrindo a visita do presidente João Figueiredo à Espanha; em Madri, estávamos diante da Puerta de Alcalá, toda ainda pipocada com os tiros da Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939, opondo o general Franco, monarquista, e os republicanos comunistas. O general Ludwig me chamou a atenção, dizendo: “isso é o ódio que está no cérebro que arma as mãos”; mãos que ou atiram pedras, empunham facas – como aquela que entrou no abdômen de Jair Bolsonaro – ou puxam gatilhos.
Aliás, a faca ainda está fazendo seus efeitos. Os soluços que já estavam mais ou menos dominados estão voltando, e isso tirou Michelle Bolsonaro da campanha – ela estava participando da campanha de Celina Leão no Distrito Federal e pretendia ir ao Amazonas apoiar a Professora Maria do Carmo contra Omar Aziz.
Sociedade onde não se pode nem exibir preferência política perdeu a civilidade
Faltando 11 dias para a eleição, tenhamos em mente que a violência é dos violentos, é dos radicais, dos emocionais que abandonam a razão e a lógica. Sei de pessoas que não põem mais os símbolos de seu candidato preferido no carro porque os outros quebram o espelho retrovisor, chutam a porta, quebram faróis e vidros. É terrível que estejamos chegando a esse ponto, sem nenhum grau de civilidade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/fascismo-comunismo-mesma-coisa/

Nem embaixadores de outros países aguentam mais política de Lula

Bem ao estilo diplomático, uma revolta silenciosa tomou as embaixadas de vários países em Brasília contra o presidente Lula da Silva este ano, e isso contribuiu muito para que o petista seja malvisto em outros governos, embora não influencie na eleição brasileira.
Dois atos de Lula, em especial, chamaram a atenção dos embaixadores. O resgate com avião da FAB da ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia, condenada pela Justiça de seu país por corrupção. Prestes a ser presa, foi trazida para o Brasil com a chancela do governo de Lula. Foi visto como uma tremenda ingerência em prol de propósitos nada ortodoxos.
E a canetada de Lula proibindo a operação das bets no país, por motivos eleitorais, derrubou a “nota” do Brasil entre diferentes nações. O Brasil passou a ser visto como país de insegurança jurídica para investimentos. Os adidos comerciais ficaram pasmos.
Vale-tudo
Desesperado para tentar virar o jogo eleitoral, o PT ligou o dane-se e entrou no modo vale-tudo na campanha eleitoral de Lula Na segunda-feira (12), o programa de rádio do partido acusou o vice de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), de estupro de vulnerável de 13 anos. Essa fake news ainda roda, mesmo ele inocentado pelo STF e depois de a senadora Soraya (PSB-MS) e o deputado Lindberg (PT-RJ) serem processados pela mentira.
RenovaBR no Senado
Pela 1ª vez, duas lideranças formadas pelo RenovaBR chegam ao Senado na mesma eleição. Rayssa Furlan (Pode) conquistou uma cadeira pelo Amapá, enquanto Alessandro Vieira (MDB) garantiu a reeleição por Sergipe. Rayssa, que já ocupou secretarias municipais em Macapá, será a 1ª mulher do RenovaBR a ocupar uma cadeira na Casa. Já Alessandro foi da 1ª turma de formação da organização, em 2018.
Língua contida
Antes um crítico do projeto, mesmo que discretamente, o presidenciável Flávio Bolsonaro mudou de ideia e acaba de abraçar a causa do fim da escala de trabalho 6×1. A duas semanas da eleição, votar contra a proposta é perder votos, constaram todos os aliados. Mas ele já havia antecipado a empresários que, se passar, essa proposta será concretizada de forma gradativa e negociada, para não prejudicar patrão e empregado.
Festa olímpica
O movimento olímpico tem muito a celebrar em 2026. Títulos inéditos, recordes impressionantes e novos ídolos no cenário mundial. Ingredientes perfeitos para o Prêmio Brasil Olímpico, que será dia 2 de dezembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A expectativa é receber Lucas Pinheiro, Alison dos Santos, as meninas da ginástica artística, Maria Clara Pacheco, do Taekwondo, entre outros.
Oscar político
A Jordi Comunicação está entre as agências brasileiras premiadas na edição de 2026 do Napolitan Victory Awards, uma das principais premiações internacionais da comunicação política. É conhecido como o “Oscar do Marketing Político”. A agência conquistou cinco prêmios neste ano, com trabalhos realizados no Brasil e México.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/nem-embaixadores-de-outros-paises-aguentam-mais-politica-de-lula/
Com TSE sob ataque e enfraquecido, Lula desdenha da lei eleitoral e até distribui dinheiro

A lei proíbe (art. 73, §10, da Lei 9.504/97), no ano de eleição, distribuição de bens, valores ou benefícios pelo governo, salvo em casos de calamidade e emergência, por exemplo, mas Lula (PT) tem usado poder político e econômico para distribuir benesses às custas do pagador de impostos. A jogada ontem (13), análoga a jogar dinheiro de helicóptero, foi anunciar a distribuição de R$5 mil e perdão de dívidas tributárias a 3,6 milhões de microempreendedores. Tudo isso coincide, não por acaso, com o enfraquecimento e tentativas de desmoralização do TSE.
Enfraquece para reinar
Os alegados abusos encontram campo aberto em um Tribunal Superior Eleitoral colocado sob suspeita por Lula e atacado por aliados do STF.
Inimputável
A lei 9.504/97 vigora há quase 30 anos, mas Lula age certo de que não será amolado pelo TSE, com maioria por ele nomeada, e nem pelo STF.
Paralelo protetor
No STF, onde seu “TSE paralelo” vigia os passos do presidente do TSE, Nunes Marques, os aliados nunca negam apoio em momentos-chave.
Abusos tolerados
Juristas avaliam que jogadas como a de ontem ou aumentar Bolsa Família configuram abuso de poder político e econômico, mas e daí?
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