
A perspectiva de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possam finalmente enfrentar processos de impeachment no Senado provocou, nos últimos dias, uma nova escalada na politização da Corte, marcada por articulações com integrantes do Congresso recém-eleito para preservar sua influência política e evitar o afastamento de seus membros.
Depois de anos de decisões que ampliaram a interferência do Judiciário na política brasileira, integrantes do tribunal agora se movimentam para estabelecer uma espécie de balcão de negócios com parlamentares que terão poder para decidir sobre sua permanência nos cargos. As articulações envolvem conversas reservadas e decisões judiciais que parecem gestos para conquistar setores da direita, numa tentativa de reduzir a pressão sobre a Corte.
Várias sinalizações dos ministros vieram depois do primeiro turno das eleições, no domingo (4), quando candidatos que fizeram do enfrentamento ao STF uma de suas principais bandeiras conquistaram dezenas de cadeiras no Senado. A nova composição da Casa ameaça romper a proteção política que permitiu aos ministros atravessar sucessivos abusos de poder sem que os pedidos de impeachment contra eles avançassem.
Por intermédio do presidente do STF, Edson Fachin, a ala do golpismo togado passou a buscar interlocutores entre os adversários políticos que construiu ao longo dos últimos anos.
Após anos de ofensiva incessante contra a direita, STF busca acordo com o PL
Na segunda-feira (5), a Folha de S.Paulo revelou que dois ministros do STF consideram necessário procurar integrantes mais moderados do PL, partido com mais cadeiras no Senado, para evitar o avanço dos processos de impeachment. O risco de afastamentos já no primeiro semestre de 2027 é tratado como concreto dentro do tribunal.
A tentativa de aproximação ocorre depois de sete anos de decisões incessantes do STF que atingiram duramente a direita, com prisões de aliados, censura a publicações, bloqueios de perfis, investigações contra parlamentares e condenações severas pelos atos de 8 de janeiro. O próprio presidente Jair Bolsonaro está preso por determinação da Corte, após um julgamento com sinais evidentes de politização.
Um acordo para manter os ministros nos cargos colocaria o PL em uma posição contraditória: o partido estaria protegendo justamente aqueles cujas decisões alimentaram a reação popular que o fortaleceu nas urnas.
A eleição do próximo presidente do Senado, prevista para fevereiro, passou a ser acompanhada com especial preocupação no STF, por ser decisiva para a tramitação dos pedidos. Por enquanto, Rogério Marinho (PL-RN), um crítico da ala golpista do STF, é o favorito para o cargo.
Em reportagem publicada na terça (6), o jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, revelou que integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro interpretaram movimentos de alguns ministros do STF como tentativas de um “acordão” político. Isso envolveria a preservação de ministros em seus cargos em troca de medidas como a revisão da prisão de Jair Bolsonaro e a aceitação judicial de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Por enquanto, publicamente, a cúpula do PL rejeita a ideia de acordo e mantém a intenção de promover ao menos o impeachment de Alexandre de Moraes.
Conversas com ministros já existiam antes da eleição. No começo de setembro, Marinho, que é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, já havia se reunido com Gilmar Mendes como parte de uma estratégia para estabelecer canais de diálogo com o Supremo. Na terça, em coletiva, o próprio Marinho confirmou já ter conversado com seis ministros do tribunal.
O senador saiu do encontro com Fachin afirmando que “não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão”. A intenção, segundo ele, é normalizar a relação entre os Poderes.
Além de conversar com Marinho, Fachin procurou no mesmo dia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e ainda recebeu a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Segundo diversos veículos, o presidente da Corte discutiu mudanças no Judiciário e a possibilidade de apresentar proposta de modernização do sistema de Justiça.
Quase 50 senadores da próxima legislatura já sinalizaram apoio ao impeachment de ministros do STF. Pela regra original, o avanço do processo exigia maioria simples dos presentes, ou 41 votos com o plenário completo. Uma controversa liminar de Gilmar Mendes, de dezembro de 2025, elevou a exigência para 54 votos, mesmo quórum necessário para a condenação definitiva, mas a decisão ainda pode ser derrubada.
Decisões judiciais também passam a ser vistas como possíveis moedas de troca
Paralelamente à aproximação política com o Congresso, uma série de decisões do STF favoráveis a figuras da direita ganhou destaque logo após o primeiro turno, alimentando especulações sobre um possível recuo dos ministros em relação à postura de enfrentamento adotada nos últimos anos.
Nem todas as decisões ocorreram depois do primeiro turno, mas a concentração de sua divulgação em meio às tentativas de aproximação com a direita reforçou as interpretações de que o Supremo estaria tentando usá-las como peças de negociação.
Uma delas foi a progressão de Débora do Batom, condenada pelo 8 de janeiro, para o regime semiaberto, autorizada por Moraes. Divulgada na terça-feira (6), a decisão havia sido assinada na sexta (2), antes do primeiro turno, e seguia parecer anterior da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ainda na terça-feira (6), Moraes encaminhou à PGR um novo pedido para que Flávio Bolsonaro pudesse visitar o pai, Jair Bolsonaro, apresentado pela defesa na segunda (5). Também veio a público o arquivamento de uma investigação envolvendo o senador Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. Nesse caso, a decisão havia sido tomada em 4 de setembro, com base em manifestação da PGR pela insuficiência de provas.
Gilmar Mendes, por sua vez, determinou na terça-feira (6) o arquivamento de um pedido de investigação contra Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, após a PGR considerar insuficientes os elementos apresentados para justificar a abertura do inquérito.
Buscada pelo STF para negociar, direita enfrentou sete anos de censura, prisões e perseguições judiciais
Buscada agora por ministros do Supremo interessados em negociar uma trégua, a direita enfrentou, nos últimos sete anos, censura, prisões e perseguições judiciais.
O histórico de confrontos entre o STF e a direita remonta a março de 2019, quando Dias Toffoli instaurou, por iniciativa própria, o inquérito das fake news e escolheu Alexandre de Moraes como relator, sem sorteio. A investigação, que já dura mais de sete anos, tornou-se instrumento de uma sucessão de medidas contra críticos da Corte.
Em maio de 2020, Moraes autorizou mandados de busca e apreensão em seis unidades da federação contra jornalistas, empresários e jornalistas ligados a Jair Bolsonaro, entre eles Allan dos Santos e Luciano Hang.
No mesmo ano, determinou o bloqueio de contas inteiras de críticos do STF no Twitter e no Facebook. A ofensiva também atingiu parlamentares e levou a prisões como as de Sara Winter e Oswaldo Eustáquio, em 2020, e o deputado Daniel Silveira, em 2021. Silveira foi posteriormente condenado pelo Supremo a oito anos e nove meses de prisão por crimes relacionados à ameaça ao Estado Democrático de Direito e à coação no curso do processo.
Nas eleições de 2022, as intervenções alcançaram diretamente o debate eleitoral. Sob o comando de Moraes, o TSE determinou a retirada de publicações sobre temas sensíveis à campanha de Lula, incluindo conteúdos relacionados à corrupção e às suas relações políticas internacionais. A própria Gazeta do Povo foi atingida por uma ordem de remoção de postagem sobre a relação do petista com o ditador Daniel Ortega, da Nicarágua.
Às vésperas do segundo turno, o tribunal fez censura prévia contra um documentário sobre Bolsonaro da Brasil Paralelo e aprovou uma resolução que ampliou os mecanismos de retirada de conteúdos, prevendo multas de até R$ 150 mil por hora e suspensão de perfis.
Depois dos atos de 8 de janeiro de 2023, o Supremo impôs penas superiores a uma década de prisão a diversos condenados. Um dos presos, Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, morreu na Papuda, em novembro daquele ano, depois de permanecer meses detido mesmo após a PGR ter se manifestado favoravelmente à sua liberdade provisória, por motivos de saúde.
As restrições continuaram nos anos seguintes. Em 2023, Moraes determinou a remoção de anúncios e conteúdos de empresas contrárias ao PL das Fake News e obrigou o Telegram a apagar uma mensagem enviada a seus usuários sobre o projeto.
Em abril de 2024, os Twitter Files Brasil expuseram documentos internos do Twitter sobre tentativas do TSE sob Moraes de obter dados pessoais de usuários por causa de suas manifestações políticas. O documento também sugere que o Twitter foi forçado a censurar figuras da direita sem expor que cumpria decisões judiciais.
Em agosto de 2024, Moraes mandou suspender o X em todo o Brasil, deixando milhões de usuários sem acesso à plataforma por mais de um mês. Naquele mesmo mês, reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que Moraes criou um gabinete paralelo dentro do TSE para encomendar relatórios para investigações conduzidas no STF, todos contra figuras da direita.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/stf-exacerba-politizacao-abrindo-balcao-de-negocios-com-futuros-congressistas/
R$ 6 bilhões em tributos em um ano: como Luciano Hang cresceu contra o Estado brasileiro

Em 2026, se fosse possível somar o tempo de casa de 300 colaboradores da Havan que completam entre 10 e 40 anos de empresa, o resultado seria 3.890 anos de trabalho acumulado. Esse é o número que Luciano Hang costuma citar para dimensionar a transformação da empresa em quatro décadas.
A rede varejista fundada por ele em 1986, numa sala de 45 metros quadrados em Brusque (SC), completou 40 anos em junho com quase 200 unidades, 22 mil colaboradores e projeção de faturamento de R$ 22 bilhões.
A trajetória da empresa até se tornar uma das maiores varejistas do país se deu com o DNA empreendedor de Hang contra um aparelho estatal hostil ao empreendedorismo e contra a alta carga tributária brasileira. Somente em 2026, a empresa deve pagar cerca de R$ 6 bilhões em tributos – cifra que ultrapassa o lucro líquido esperado.
** Esta matéria faz parte da série de reportagens Apesar do Estado, da Gazeta do Povo, que retrata a trajetória de grandes empresários brasileiros que venceram os desafios de empreender em um dos ambientes de negócios mais hostis do mundo. Confira outros textos da série neste link.
Empresário com “DNA catarinense” transformou a Havan em gigante do varejo
Filho de operários da indústria têxtil catarinense, disléxico diagnosticado tardiamente, Luciano Hang começou vendendo bolachas wafer no recreio da escola. Aos 16 anos, entrou na expedição de uma fábrica em Brusque. Passou por tecelagem familiar e fábrica de toalhas antes de se juntar, em 1986, a Vanderlei de Limas para abrir uma loja de tecidos importados.
O nome saiu da junção dos dois sobrenomes. Vanderlei deixou a sociedade cinco anos depois, e Hang ficou com a operação inteira. Em 1989, a Havan mudou para um espaço de 2,5 mil metros quadrados na rodovia Antônio Heil, ainda em Brusque. Em 1995, abriu a primeira filial em Curitiba e adotou a fachada branca inspirada na Casa Branca — Hang tinha voltado dos Estados Unidos com a ideia.
Hoje são 196 unidades em 23 estados, e a meta é encerrar dezembro em 200 megalojas, com presença em todos os 27 estados brasileiros e algo em torno de 25 mil funcionários.
“A Havan carrega o DNA catarinense em cada loja espalhada pelo Brasil. Estamos em quase todos os estados brasileiros, mas nunca deixamos a nossa essência catarinense”, afirmou o empresário à Gazeta do Povo.

Burocracia como obstáculo crônico
Para o empresário, a burocracia é um dos principais obstáculos ao setor produtivo do país que acompanha a Havan desde sua fundação.
Em conversa promovida em Brusque em junho deste ano, no aniversário de 40 anos da rede, Luciano Hang contou que uma unidade da Havan levou 22 anos para reunir todos os alvarás e licenças necessários para funcionar. Casos concretos de espera pública se acumulam no interior. Em Matinhos, no litoral do Paraná, um terreno de 30 mil metros quadrados destinado a uma megaloja com cinema e praça de alimentação está parado há quatro anos.
Hang atribui o impasse ao Instituto Água e Terra (IAT) e a promotores públicos que, segundo ele, “lamentavelmente não deixam o Brasil crescer”. Em Joinville, três projetos não puderam sair do papel. Em setembro de 2022, a inauguração de uma unidade em Natal foi embargada pelo Corpo de Bombeiros na véspera da abertura, e Hang atribuiu a decisão a perseguição política do governo estadual, então comandado pelo PT.
“Nosso problema maior não é comprar o terreno, não é fazer loja, é o licenciamento em algumas cidades. A burocracia é uma coisa que nos cansa”, disse em entrevista à Rádio Menina.
A capital paulista, maior mercado consumidor do país, com quase 12 milhões de habitantes, segue sem uma única loja Havan. Hang atribui a ausência à burocracia municipal. No estado de São Paulo, há 36 unidades, todas fora da capital, empatando com o Paraná em número de lojas.
“Carga tributária é maior que lucro e gasto com fornecedores”
Em 2024, a Havan pagou R$ 4 bilhões em tributos. Em 2025, cerca de R$ 5 bilhões. À Gazeta do Povo, Luciano Hang afirmou que a rede recolhe hoje cerca de 30% do faturamento em tributos e que o total previsto para 2026, somando impostos e benefícios, deve ficar próximo de R$ 6 bilhões — cifra que supera o lucro líquido projetado para o ano.
“O imposto é o maior gasto. É maior do que o lucro, é maior do que os fornecedores”, declarou o empresário em entrevista publicada em sua conta no Instagram no ano passado.
A reforma tributária entrou em fase adaptativa no dia 3 de agosto de 2026, quando as notas fiscais eletrônicas do regime regular passaram a ter que informar campos com alíquotas-teste de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Estudos setoriais estimam o IVA brasileiro entre 26,5% e 28%, uma das alíquotas mais altas do mundo, acima da média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 19%, e da União Europeia, de 21%. Para o varejo de departamentos, que opera com margem líquida entre 9% e 10%, cada ponto conta.
Em maio de 2026, o governo Lula editou a MP 1.357, zerando o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas estrangeiras. Hang reagiu publicamente. Argumentou que a carga tributária sobre a operação nacional pode chegar, na sua conta, a 120%, e que a isenção para o produto chinês cria uma disputa desigual com o varejista brasileiro. “Se o imposto é zero para o estrangeiro, queremos imposto zero para o brasileiro também”, questionou.
Luciano Hang com a esposa e os três filhos na inauguração do Museu Havan, ao lado da megaloja matriz, em Brusque (SC) (Foto: Divulgação/Havan)
Havan expande enquanto outras grandes varejistas fecham lojas
O ano de 2026 encontrou o varejo brasileiro com número recorde de pedidos de recuperação judicial. A Casas Bahia negocia dívida de R$ 17,3 bilhões e encerrou 298 lojas. A Marisa fechou unidades. Renner e Riachuelo reduziram suas projeções de crescimento. Segundo Hang, o varejo brasileiro “já está na UTI e o destino é a morte” se não houver correção na assimetria tributária com produtos importados.
A Havan segue no caminho oposto. São 15 novas unidades previstas para o ano e investimento de R$ 1,2 bilhão em expansão. Um relatório do Banco Safra aponta que a rede mantém margens acima da média do setor, desempenho atribuído pelos analistas ao mix de produtos e ao modelo de megaloja.
Luciano Hang projeta crescimento no Brasil, apesar do peso do Estado
Mesmo frente à alta carga tributária, à burocracia e a demais impasses no ambiente de negócios, Luciano Hang ainda acredita que é possível ter sucesso ao empreender no Brasil. À Gazeta do Povo, ele afirmou que a próxima meta, após bater 200 unidades, é chegar a 300, com foco em cidades médias e regionais. “Já temos cerca de 20 terrenos comprados para novas unidades, e a intenção é continuar essa expansão sem parar”, disse o empresário.
Nordeste e Norte, historicamente sub-representados no mapa da rede, entram como zonas prioritárias. A companhia insiste em não abrir lojas fora do Brasil, apesar de propostas para levar o modelo ao exterior.
A sucessão da empresa – familiar, de capital fechado, com dois dos três filhos já na operação – é um dos temas que o fundador menos discute publicamente. Aos 63 anos, Luciano Hang segue viajando pelas praças que ainda faltam para “zerar o mapa”.
Enquanto isso, na sala de 45 metros quadrados da avenida Primeiro de Maio, em Brusque, funciona uma nova loja Havan.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/como-luciano-hang-cresceu-contra-o-estado-brasileiro-historia-empreendedorismo/
PEC 6×1 vira sobrevida de Alcolumbre no comando do Senado

Encurralado pelo resultado das urnas no último domingo (4) e pelo avanço expressivo da bancada do Partido Liberal (PL), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aposta na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição do fim da escala 6×1 (PEC 221/2019) para tentar sobreviver politicamente e viabilizar sua reeleição à Mesa Diretora da Casa em 2027.
Analistas e interlocutores do Congresso ouvidos pela reportagem avaliam que o parlamentar amapaense ainda não está fora do páreo. No entanto, a sua permanência à frente do Senado depende diretamente de uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições 2026.
Para isso, Alcolumbre considera indispensável aprovar a PEC 6×1, como forma de agradar ao Planalto com pauta eleitoreira. A estratégia dele, segundo especialistas, é reunir o apoio do PT, das siglas governistas e de partidos de centro-esquerda em seu favor na eleição da Mesa Diretora do Senado, em fevereiro de 2027.
Apesar da possível articulação, as barreiras regimentais do Senado para votar o texto da PEC são severas e isso torna o trabalho de Alcolumbre ainda mais difícil. Além disso, o avanço do PL para 28 cadeiras no Parlamento e o atrito constante com a ala conservadora na Casa reduzem o fôlego da candidatura de Alcolumbre para o próximo biênio. PL e aliados esperam eleger um representante do grupo para comandar a Casa. O nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) é um dos cotados.
A resistência dos parlamentares de direita ao nome de Alcolumbre se deve principalmente à recusa do senador em pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o cientista político Antônio Testa, um eventual triunfo eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) no dia 25 de outubro inviabiliza de vez a continuidade de Alcolumbre no comando do Senado.
“Davi Alcolumbre não possui mais peso político para impor suas vontades. Flávio Bolsonaro demonstra habilidade negociadora e dificilmente apoiará a permanência de um presidente que descumpre acordos firmados e ignora interesses da maioria legislativa”, declarou Testa.
Alcolumbre usa PEC 6×1 como tábua de salvação para se manter na presidência do Senado
O objetivo de aprovar a PEC 6×1 antes do segundo turno das eleições 2026 encontra fortes entraves regimentais no Senado. A votação de uma PEC exige a realização de dois turnos, com quórum qualificado de três quintos da composição da Casa. Para a aprovação da proposta, é exigido ao menos 49 votos favoráveis entre os 81 parlamentares, nos dois turnos de votação.
O rito formal impõe ainda cinco sessões deliberativas consecutivas dedicadas à discussão da matéria antes da primeira votação. Concluída essa fase, abre-se o intervalo de interstício, que prevê mais três sessões de debate prévio antes do segundo turno.
Alcolumbre abriu a contagem da primeira fase de debates na terça-feira (6). Sem alterações no cronograma oficial, a votação em primeiro turno ocorreria apenas entre os dias 14 e 15 de outubro. O prazo restante para aprovação seria impraticável no rito habitual do plenário.
Porém, a liderança governista vai apresentar requerimento de calendário especial. O instrumento visa alterar o trâmite regimental da PEC para realizar sessões de debates sucessivas no mesmo dia para dispensar o interstício e encurtar a análise do projeto. Alcolumbre garantiu a líderes partidários que pautará o requerimento caso ele seja protocolado formalmente.
O cientista político Elias Tavares, professor da Damásio Educacional, ressalta que o esforço para abreviar os prazos da análise da PEC do fim da escala 6×1 vai custar caro para Lula: o apoio à reeleição de Alcolumbre em 2027.
“A política depende da oportunidade e da escolha da agenda. A aceleração de um tema de grande repercussão popular que atende aos interesses imediatos do Palácio do Planalto gera dividendos diretos à campanha do Executivo”, explicou Tavares.
Oposição vai buscar adiamento da votação da PEC 6X1
A oposição no Senado quer deixar a votação da PEC do fim da escala 6×1 para após as eleições 2026.
O líder da bancada, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não é contra a proposta, mas criticou a pressa de Alcolumbre para votar o tema em plena campanha eleitoral. “O país não ganha nada ao votar um projeto tão importante às pressas, no meio das eleições”, criticou Marinho.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também rejeitou votar o texto agora. Para ela, a pauta foi colocada às pressas pelo presidente do Senado apenas para prejudicar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
“Votar entre o primeiro e o segundo turno? Tenho assuntos mais importantes na pauta. Colocar isso agora é só para desgastar a imagem do Flávio”, afirmou a senadora.
Para o cientista político Antônio Testa, a oposição tem força para conseguir travar a votação. No entanto, ele ressalta que, mesmo se a proposta for aprovada agora, as mudanças na legislação trabalhista não valem de imediato, pois ainda precisarão de regulamentação.
“O caminho mais provável é adiar. Mesmo se passar, a regra vai exigir novas leis e deve parar na Justiça. O governo só quer usar o tema como bandeira de campanha”, explicou o especialista.
Derrota no Amapá e blindagem ao Supremo enfraquecem Alcolumbre
O resultado das urnas no Amapá enfraqueceu a liderança política regional do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Os candidatos apoiados pelo parlamentar amapaense foram derrotados na disputa pelo governo estadual. Dessa forma, a base aliada do senador perdeu espaço representativo no estado e, inclusive, no Legislativo nacional.
Nenhum candidato apoiado por Alcolumbre conseguiu se eleger para o cargo de governador e nas principais vagas legislativas do Senado e da Câmara.
Esse enfraquecimento estadual coincidiu com a vitória expressiva do PL nas disputas para o Senado e com a consolidação do nome do senador Rogério Marinho para a disputa do comando do Congresso em 2027.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avisou que a sigla não participará de blocos que deem sustentação à gestão de Alcolumbre. A bancada conservadora cobra do atual presidente do Senado a falta de andamento sistemático aos pedidos de impedimento contra integrantes do STF.
A queixa central da direita no Senado mira a relação de Alcolumbre com o ministro Alexandre de Moraes. Por conta desse cenário, a vitória de Lula daria sobrevivência a Alcolumbre na presidência do Senado.
Mesmo assim, o especialista em Relações Governamentais Leonardo Volpatti, do escritório Volpatti Advogados Associados, pondera que o poder de articulação de Alcolumbre não pode ser subestimado pelo bloco adversário.
“Davi Alcolumbre mantém relações estreitas e individuais com bancadas de variados espectros. Ele venceu a disputa da Mesa em 2025 com 73 votos, o que atesta sua habilidade de composição partidária”, relembrou Volpatti.
Centro-direita apoia Flávio e sela enfraquecimento de Alcolumbre
A decisão das bancadas do Republicanos, do Novo e da Federação União Progressista de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições agravou o isolamento de Alcolumbre no Senado.
A blindagem a Alexandre de Moraes continua sendo o ponto de maior atrito entre a cúpula do Senado e a bancada conservadora. Alcolumbre mantém retidas na gaveta 134 petições de impeachment contra magistrados do STF.
Moraes é o alvo mais frequente dessas representações. Os requerimentos contra sua atuação permanecem engavetados sem qualquer encaminhamento para análise do Plenário.
A ala ligada a Flávio Bolsonaro interpreta essa inércia como desrespeito às prerrogativas exclusivas do Poder Legislativo. O bloco avalia que a postura de blindagem adotada por Alcolumbre esgotou o seu ciclo na Casa.
O cientista político Leandro Gabiatti projeta que uma eventual saída de Alcolumbre da chefia do Senado combinada à vitória de Flávio Bolsonaro, no próximo dia 25, abrirá uma nova carga de pressão sobre os integrantes da Suprema Corte.
“A consequência imediata de uma vitória de Flávio Bolsonaro será o aumento substancial da pressão institucional sobre o Judiciário. Entretanto, para aprovar um pedido de afastamento em Plenário, a oposição precisará construir uma coalizão muito mais ampla com as legendas do centro”, salientou Gabiatti.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pec-6×1-vira-sobrevida-de-alcolumbre-no-comando-do-senado/
Cláusula de barreira funciona, mas ideal seria o fim do financiamento público dos partidos

A cláusula de barreira, o dispositivo que impede partidos com pouca representatividade de ter acesso a uma série de benesses e recursos, fez novas vítimas em 2026. PDT, Avante, Missão e as federações PRD/Solidariedade e Psol/Rede se juntaram à lista das legendas que já não cumpriam os critérios legais, que vão aumentando a cada pleito: para 2026, era preciso receber 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com pelo menos 1,5% em cada uma de nove unidades da Federação; ou eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos por pelo menos nove unidades da Federação – o caso mais dramático foi o da federação Psol/Rede: se tivesse conseguido mais 186 votos no Espírito Santo, teria cumprido o critério da votação mínima.
Os partidos ou federações que não superam a cláusula de barreira não deixam de existir, e os parlamentares eleitos por essas legendas têm sua cadeira garantida. No entanto, eles perdem o direito a um gabinete de liderança no Congresso e, o mais importante, ficam sem o dinheiro do Fundo Partidário e sem acesso ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão. Já é um enorme estrago, em uma cultura partidária que se acostumou a receber do Estado todos os seus meios de subsistência, e por isso ao menos alguns desses partidos começam a considerar a possibilidade de fusão, ou a formação (ou o alargamento) de federações partidárias, em que cada partido mantém sua individualidade, mas os números são contados em conjunto para efeitos de cláusula de barreira.
Partidos políticos e campanhas eleitorais devem ser sustentados apenas por quem acredita neles: seus filiados e simpatizantes
Às vezes diz-se que o excesso de partidos é uma deficiência do sistema político brasileiro. No entanto, o verdadeiro problema não está no número em si; já há muitos anos a Gazeta do Povo vem afirmando que abrir um partido político no Brasil deveria ser tão simples quanto abrir uma empresa, dentro de um espírito de liberdade de associação que ajuda a formar sociedades saudáveis. No entanto, a lei brasileira faz o oposto disso, com exigências por vezes absurdas – basta recordar que a Rede Sustentabilidade só conseguiu seu registro na segunda tentativa de coleta de assinaturas, e mesmo Jair Bolsonaro não conseguiu colocar de pé seu Aliança Pelo Brasil.
Mas, se por um lado abrir um partido deveria ser facílimo, a contrapartida estaria no seu sustento: um único centavo de dinheiro público já seria demais. Partidos políticos e campanhas eleitorais devem ser sustentados apenas por quem acredita neles: seus filiados e simpatizantes. E, novamente, o Brasil faz questão de inverter esse raciocínio: simplesmente pelo fato de existirem, os partidos já têm direito a montanhas de recursos tirados dos pagadores de impostos. Até mesmo as legendas que ficaram para trás na cláusula de barreira seguem contempladas: elas podem ter perdido o Fundo Partidário, mas 2% do bilionário fundo eleitoral é repartido igualmente entre todos os partidos do país, por mais nanicos e irrelevantes que sejam, o que em 2026 rendeu R$ 3,3 milhões a cada um.
Em resumo, o Brasil precisa virar do avesso seu sistema partidário: retirar os entraves desproporcionais à criação de partidos, mas também acabar com o financiamento público. O brasileiro não tem nenhuma obrigação de sustentar, com o dinheiro suado de seus impostos, partidos e políticos que despreza; no caso daqueles que admira, que contribua voluntariamente. Que a próxima legislatura seja capaz de fazer essa alteração, por mais difícil que seja acabar com uma situação tão conveniente para os partidos, independentemente de sua posição ideológica. Enquanto isso não ocorre, que ao menos a cláusula de barreira faça seu papel, retirando benesses de quem não se mostra representativo de ao menos parte dos brasileiros.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/clausula-de-barreira-financiamento-publico-partidos/

Kassab perde aura de estrategista após resultados eleitorais do PSD

Recebi uma lista de 58 políticos que foram aposentados no primeiro turno. Não vi nessa lista o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, porque ele teve algumas vitórias, mas jornalistas o chamavam de o grande estrategista, o que previa votos, o que sabia onde estavam os votos, o que sabia escolher os candidatos. De vez em quando o jornalismo cria figuras de sua preferência e todo mundo embarca e vai repetir o que alguns próceres inventaram.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi o candidato do PSD à Presidência, o grande candidato da terceira via. Eu mesmo achava um excelente candidato, tem experiência, fez uma excelente administração em Goiás, acabou com a bandidagem. Já foi candidato à Presidência da República quando jovem, foi deputado, senador, governador, prefeito. Não deu. Teve 2,18% dos votos.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, candidato do PSD de Kassab ao governo do estado, perdeu. O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), ficou em quarto lugar. No Paraná, o deputado federal Sandro Alex (PSD) ficou com a metade dos votos que elegeram o senador Sergio Moro (PL) ao governo no primeiro turno.
O PSD ganhou com Raquel Lyra em Pernambuco, Fábio Mitidieri (Sergipe), Eduardo Braide (Maranhão) e Dr. Furlan (Amapá). Ganhou dos candidatos de esquerda. Kassab recusou apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), disse que Flávio tinha “chance zero” de vencer. Pronto, lá se foi o seu dom profético. O PSD elegeu 43 deputados, não é muito se considerarmos que tinha 42. Fica o registro de uma invenção jornalística que não se confirmou.
Quem paga pelas benesses do governo nas eleições?
Eu tinha um SUV a diesel, não tenho mais. Agora, tenho um híbrido que usa gasolina adulterada por álcool. Mas sabe quanto vocês estariam me pagando se eu usasse diesel? Ou nós todos, eu também, R$ 2,12. O governo prorrogou a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel até o dia seguinte ao segundo turno. Esse valor está saindo do imposto de todo mundo.
A prorrogação da medida custará R$ 10 bilhões aos cofres públicos até o fim da eleição. Isso aí é o quê? Não é o artigo 299 do Código Eleitoral, compra de voto por benefícios? Só vale na eleição. O aumento do Bolsa Família foi na eleição. A promessa de canetinha para emagrecer foi na campanha eleitoral. Está tudo de bandeja para a Justiça Eleitoral enquadrar como crime eleitoral. Está lá escrito: basta prometer com fins eleitorais. E agora estão fazendo fake news para dizer que, se Flávio ganhar, vai tirar isso.
Discurso de ódio na Paulista
Ficou muito marcado em mim as imagens da Avenida Paulista neste domingo (12), porque eu já ouvi o discurso de 13 de março de 1964, do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Eu fiquei muito assustado quando ouvi gritos dizendo que era para pendurar os donos de jornais nos postes. Em 1964, teve um discurso pesado do José Serra, que tinha 21 anos e era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
E, agora, eu ouço o mesmo discurso de ódio nas ruas. As pessoas que estavam lá, odientas. É crime aqui no Brasil fazer o que fizeram com a bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista. Isso é crime, desrespeito a símbolos nacionais de outras nações, de nações amigas. Eu vi que uma senhora estava numa lanchonete, mas chegaram manifestantes e ela começou a ser ameaçada. A polícia teve que intervir e dar apoio para ela sair. Fiquei assustado com o ódio que está no coração de certas pessoas.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/kassab-perde-aura-de-estrategista-apos-resultados-eleitorais-do-psd/
Vídeo de Marina Silva denunciando fake news do PT em 2014 volta a circular nas redes

Um vídeo de Marina Silva contando como o PT espalhou mentiras sobre ela na campanha presidencial de 2014 voltou a circular nas redes. O trecho passou a ser compartilhado nesta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, em meio à divulgação da notícia falsa de que Flávio Bolsonaro (PL) pretende tirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Em uma live com o humorista Fábio Porchat, transmitida em 2020, Marina lembra que ouviu a acusação durante um debate promovido por uma TV católica em Aparecida. “Eu senti o peso das pessoas dizendo que eu iria fazer uma lei pra acabar com a padroeira do Brasil”, afirmou a então adversária de Dilma Rousseff.
Evangélica, Marina também fala do boato de que acabaria com o Círio de Nazaré, tradicional celebração católica de Belém, se fosse eleita. Segundo ela, as mentiras exploravam sua religião para assustar os eleitores.
A lista de fake news ainda incluía acusações de que ela proibiria os brasileiros de jogar videogame e acabaria com os programas sociais Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. “Eu não era uma candidata, eu era uma exterminadora do futuro”, disse a ex-ministra, que, apesar dos ataques, voltou a comandar a pasta do Meio Ambiente no terceiro governo Lula.
Marina Silva também explica como tentavam fazer as mentiras parecerem verdade: supostos apoiadores diziam estar com ela e, dias depois, anunciavam que haviam mudado de ideia por causa dessas notícias.
Segundo Marina, a campanha de Dilma planejou os ataques, com a participação do marqueteiro João Santana. A ex-ministra, que neste ano perdeu a eleição para o Senado por São Paulo, ainda lamentou a postura da adversária. “Eu nunca pensei que fosse uma mulher a tentar destruir a biografia e aniquilar outra mulher”, disse.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/video-marina-silva-denunciando-fake-news-pt-2014-volta-circular-redes/

Uma proposta para o STF

A Constituição brasileira estabelece que os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República, após aprovação do Senado, e permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. Esse modelo permite que um presidente indique vários ministros durante seu mandato e influencie a composição da Corte por décadas, enquanto outro pode não ter oportunidade de nomear nenhum. O tempo de ocupação das vagas depende de circunstâncias como a idade dos ministros e decisões de aposentadoria.
Uma reforma poderia reduzir essa concentração temporal de influência sem alterar o número de cadeiras nem comprometer a independência do Supremo: estabelecer mandatos fixos de onze anos, sem recondução, com términos escalonados. Como a Corte tem onze ministros, o modelo permitiria, após um período de transição, uma substituição ordinária por ano e a renovação integral do tribunal a cada onze anos.
A principal vantagem seria tornar a renovação previsível e gradual. Em vez de longos períodos sem mudanças, seguidos pela abertura de várias vagas em um intervalo curto, haveria um calendário regular de substituições. O mandato longo, mas fixo, asseguraria estabilidade, enquanto a impossibilidade de recondução eliminaria o incentivo para agradar às autoridades políticas.
Ora, a composição de um tribunal constitucional como o STF é, em si mesma, uma forma de exercício de poder político. As indicações presidenciais não produzem efeitos apenas durante o governo que as realiza: elas projetam opiniões individuais sobre conflitos que atravessam gerações, condicionando a interpretação da Constituição muito depois de encerrado o mandato do presidente que fez as nomeações.
O fato de a abertura de vagas depender de circunstâncias imprevisíveis gera distorções. Um calendário regular não eliminaria a influência política sobre o Supremo, que é inerente ao próprio modelo de indicação, mas mitigaria bastante o problema.
A implantação desse modelo exigiria uma regra de transição constitucionalmente consistente. Não basta determinar que os futuros ministros tenham mandatos fixos e não renováveis de onze anos: é necessário estabelecer expressamente as datas de encerramento, o calendário das substituições e o regime aplicável às primeiras nomeações.
Uma alternativa seria respeitar os términos naturais dos mandatos atuais e construir o novo calendário gradualmente, preservando a continuidade institucional. Também seria preciso disciplinar vacâncias extraordinárias, decorrentes de mortes e renúncias, talvez com “vice-ministros” ocupando interinamente o período restante do mandato, sem alterar o calendário ordinário. Prazos para indicações e deliberações do Senado também evitariam que atrasos propositais fossem usados para desorganizar a renovação, sem restringir a prerrogativa de rejeitar candidatos.
A Constituição exige reputação ilibada e notável saber jurídico, mas a experiência recente demonstra que o primeiro requisito pode ser interpretado de maneira bastante elástica
A qualidade das indicações é tão importante quanto a duração dos mandatos. A Constituição exige reputação ilibada e notável saber jurídico, mas a experiência recente demonstra que esses requisitos podem ser interpretados de maneira bastante elástica. Seria necessário levar a exigência de idoneidade a sério e estabelecer parâmetros verificáveis para sua avaliação, incluindo critérios transparentes sobre currículos, evolução patrimonial, envolvimento com partidos políticos e outros conflitos de interesse, inclusive familiares.
Seja qual for o modelo, o Senado não pode se furtar à sua responsabilidade, nem se limitar a legitimar escolhas. A rejeição de Jorge Messias, em 2026, demonstrou que a prerrogativa de barrar uma indicação pode ser efetivamente exercida. Sabatinas substantivas, critérios públicos e avaliações rigorosas são indispensáveis para que a aprovação de um nome não se reduza a um acordo entre cúpulas políticas.
Renovações regulares no Supremo também dificultariam a consolidação de “panelinhas” e relações duradouras de lealdade, ainda que nenhuma regra elimine inteiramente esse risco. O fato inescapável é que a assimetria atual merece correção: o presidente eleito exerce mandato de quatro anos, e o senador eleito, de oito, enquanto um ministro do Supremo não eleito pode permanecer no cargo por várias décadas.
Essa reforma não resolveria todos os problemas do Supremo, nem eliminaria controvérsias sobre a atuação dos ministros. Mas um único mandato limitado a 11 anos conciliaria estabilidade e renovação sem subordinar a permanência do magistrado às decisões de autoridades políticas.
Há precedentes internacionais relevantes. Na Itália, os juízes da Corte Constitucional têm mandatos únicos de nove anos; na Alemanha, cumprem mandatos de 12 anos, sem recondução. A Espanha e Portugal também adotam mandatos para seus tribunais constitucionais, com regras próprias de renovação. Esses modelos demonstram que a limitação temporal do exercício do cargo é compatível com a independência judicial, ainda que cada país organize seu sistema de maneira distinta.
A particularidade da proposta aqui apresentada seria fazer coincidir o número de cadeiras com a duração dos mandatos: onze ministros, onze anos, uma substituição ordinária por ano. A composição deixaria de depender da idade dos integrantes e de suas decisões pessoais de aposentadoria. A influência presidencial seria distribuída ao longo do tempo, preservando a competência do Executivo para indicar e a do Senado para aprovar ou rejeitar os nomes. A eficácia da proposta dependeria, é claro, da precisão das regras de transição, do rigor do Senado e da aplicação efetiva dos requisitos de qualificação e idoneidade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/uma-proposta-para-o-stf/
Advogado de Trump ironiza Gilmar e Moraes e diz que “reinado da censura” está perto do fim no Brasil

O advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma de vídeos Rumble, fez no fim de semana uma série de posts no X com comentários sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre a eleição no Brasil.
De Luca compartilhou um link do blog do jornalista Lauro Jardim no O Globo, que afirmou que o ministro Gilmar Mendes recebeu conselhos “de diversos interlocutores para largar de vez a mão” de outro juiz da corte, Alexandre de Moraes, que está na berlinda devido às revelações de laços com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“É impressionante que o conselho em si ainda precise ser soletrado para Gilmar”, ironizou o advogado.
Em outro post, De Luca compartilhou outra notícia, sobre a decisão de Moraes de ordenar a prisão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e foi condenado pelo STF em junho a quatro anos de prisão em regime semiaberto e inelegibilidade por oito anos devido a acusações de crime de coação no curso do processo.
“A história poderá registrar isso como uma das últimas tentativas desesperadas de preservar o reinado da censura no Brasil. A maioria dos brasileiros acredita que isso chegará ao fim muito em breve. Saberemos na próxima semana”, escreveu De Luca, em referência ao segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para o dia 25 e no qual Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, está na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O advogado, apoiador de Flávio, fez mais comentários no X sobre o pleito. “Deus, família, pátria e liberdade. Todo o resto é ruído. Mantenham-se firme para tornar o Brasil livre novamente”, afirmou De Luca.
Em outro post, no qual compartilhou uma pesquisa veiculada pela CNN Brasil em que Flávio apareceu à frente de Lula, o advogado ironizou novamente o STF. “O que vão fazer agora? Censurar a CNN?”, disse.
Rumble e Trump Media ingressaram no ano passado com um processo contra Moraes na Justiça dos Estados Unidos, alegando que medidas do juiz relativas à plataforma de vídeos seriam ilegais pela legislação americana.
A Trump Media faz parte da ação porque o Rumble fornece serviços de nuvem para a Truth Social, principal produto da empresa de mídia do presidente americano, Donald Trump.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/advogado-trump-ironiza-gilmar-moraes-diz-reinado-censura-esta-perto-fim-brasil/

E eu, que acreditei na redenção de Alexandre Frota?

Era o finalzinho de 2018. Jair Bolsonaro eleito e, com ele, pessoas como Joice Hasselmann e Alexandre Frota. O ex-marido de Claudia Raia e, para mim, a epítome do homem que sucumbiu ao mundo. À minha frente, um amigo que dali a alguns meses sucumbiria ao antibolsonarismo psicótico e cortaria relações comigo tenta me convencer de que estou errado. Faz frio e chove. Meu erro, no caso, era acreditar nas boas intenções e possibilidade de redenção de tipos como Alexandre Frota e outras figuras mais caricatas do bolsonarismo daquela época. Me dei mal.
Sobre o ex-presidente, o então amigo argumentava que ele era um ser incorrigível por ter dedicado o voto pelo impeachment de Dilma Rousseff a um torturador. Tá, fazia sentido. Homenagear um torturador é indefensável, mas será que o homem, confrontado com as forças históricas, não é capaz de mudar? De se arrepender? Chega a cerveja e a carne de onça. Sei lá o que ele responde. Tampouco sei como o assunto mudou para Alexandre Frota. Mas lembro: espalhei pela redação a mentira assumidamente mentirosa (e carinhosa) de que um colega muito tímido tinha namorado Joice Hasselmann na faculdade. Rimos. Gosto muito do Anderson.
Vida besta
Alexandre Frota. Na década de 1980 foi um galã para mim incompreensível. Casou com a Cláudia Raia, já disse. Estampava as capas das revistas de fofoca. Parece um… Deixa pra lá. Depois apareceu como ator pornô e me lembro de ter pensando que puxa. Acabar assim. Mas Alexandre Frota não tinha acabado e de repente ressurgiu como político. E de direita. E bolsonarista. E conservador ou algo assim. Foi eleito com mais de 150 mil votos. É dessa época o diálogo lá no finado Bar do Pudim. “E se Alexandre Frota estiver buscando alguma forma de redenção?”, perguntei. O ex-amigo me olhou e insisti: “O quê? Não é possível?!”
Logo em seguida Alexandre Frota mandou a direita, o bolsonarismo e a redenção pras cucuias e caiu em desgraça. Virou um traíra e voltou a ser o que era. Sempre com aquele sotaque caricato e o discurso bronco, bem pouco esclarecido. Outro dia apareceu numa manifestação pró-Lula em São Paulo. Coberto de cima a baixo com adesivos. A barba branca. O boné vermelho com a estrela do PT. E o sorriso de quem sabia que estava sendo fotografado e que aquela fotografia circularia. Ao ver a imagem, me lembrei da amizade desfeita pela política e da minha crença insistente na redenção de qualquer um. Até hoje. Perguntei sem esperar resposta: como Alexandre Frota reagiria a este texto se o lesse e entendesse? E ri, concluindo que a vida é mesmo besta.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/alexandre-frota-redencao/

Ratinho Junior entra com tudo no grupo de apoio a Flávio Bolsonaro

A entrada do ex-governador do Paraná e ex-presidenciável Ratinho Junior no grupo de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) pode ser entendida como um pé de Gilberto Kassab, o cacique do PSD, num eventual governo de Flávio. Ratinho pontuava bem nas pesquisas eleitorais até desistir por questões pessoais – o que não apagou seu poder de articulação.
A despeito de seu candidato ter perdido o governo do Paraná, Ratinho Junior conta com centenas de prefeitos aliados, outros tantos nacionais pela legenda e pode ter ingerência nas pastas do agronegócio e empreendedorismo. Ratinho Junior não pediu nada, por ora. Quer ajudar Flávio, mas sua estreia na articulação pode afetar as intenções da Frente Parlamentar da Agricultura em emplacar seu conterrâneo Pedro Lupion no MAPA.
Blairo e Mauro
A despeito de o staff de Flávio Bolsonaro evitar o clima de “já ganhou”, o núcleo do agro do eventual governo bolsonarista já está preocupado. O ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes (União), eleito senador, saiu na frente como eventual ministro de Agricultura ou Minas e Energia. Mas o rei do agro, Blairo Maggi, também do MT, declarou apoio a Flávio há dias e pode embolar essa disputa interna.
Suar a camisa
O núcleo duro da campanha de tentativa de reeleição do presidente Lula da Silva (PT) bate cabeça. Lula reuniu seus próximos numa reunião há dias no Palácio da Alvorada, entre eles o senador Jaques Wagner (PT-BA), o Galego, com quem se aconselha há 40 anos. Participaram também Alexandre Padilha, Rui Costa, Miriam Belchior e a primeira-dama Janja. Com exceção da esposa, que dá pitaco em tudo, Jaques foi o único que teve coragem de falar. Citou em suar muito a camisa para virar o jogo eleitoral neste 2º turno.
O tal Júlio
A Polícia Federal sabe que o tal Júlio que é citado por Daniel Vorcaro em suas mensagens de whatsapp, que lhe abriria portas nos fundos de pensão estatais, é Júlio César dos Santos, o amigo próximo e ex-sócio de José Dirceu, ex-ministro de Lula que tinha (ou ainda tem) ingerência no Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Previ (BB). Segundo a VEJA, Vorcaro queria negócios de até R$ 10 bilhões com os fundos.
Correria
É chegada a hora de os servidores públicos sérios, comprometidos com o país, Polícia Federal e Controladoria-Geral da República triplicarem a atenção para o que acontece em ministérios desde dia 5 de outubro. Há um corre-corre dentro das pastas para fechar megacontratos às pressas. Será por quê? O leitor não é bobo, vai entender.
Reforço
Presidente do Banco dos BRICS, a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff veio para votar dia 4 e ficou. Sob sua sugestão, o presidente Lula da Silva incorporou ao núcleo de campanha o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Mas os manda-chuvas continuam sendo Edinho Silva e Camilo Santana.
O sucessor
Pronto para assumir o governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) tem como desafio deixar seu sucessor na ALERJ. O escolhido é atual vice-presidente Guilherme Delaroli, do mesmo partido. Ele conduziu a Assembleia no passado após prisão de Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente. Delaroli tem a favor a bancada do PL, a maior da Casa com 21 parlamentares. O equilíbrio dele com correntes opositoras foi muito elogiada.
Náilon chinês
Os Pareceres 3696/24 e 1662/25 do DECOM/MDIC trouxeram dados contundentes sobre a atuação de exportadores chineses de fios de náilon. Conclui-se que o setor na China não opera sob condições regulares de economia de mercado, beneficiando-se de incentivos estatais diretos – o balanço da principal exportadora listou mais de 120 linhas de subsídios públicos. As importações sob investigação responderam por cerca de 40% de todo o mercado brasileiro de fios de náilon. Veja mais no site da Coluna.
Black Friday
Pesquisa de Black Friday da Sinch mostra que 79,1% dos brasileiros interagiriam com promoções recebidas em aplicativos de mensagens com recursos como imagens, vídeos, botões, recomendações e opção de adicionar produtos ao carrinho. No levantamento internacional, 51,8% dos consumidores demonstraram abertura para a experiência. Foram entrevistas 2.501 pessoas, sendo 350 no Brasil.
R$ 100 bi
A SulAmérica Investimentos acaba de alcançar o marco histórico de R$ 100 bilhões de ativos sob gestão e administração, crescimento de três vezes em 10 anos. A maior parte do montante está alocada em renda fixa (54%) e crédito privado (36%). “A SulAmérica ampliou sua presença no varejo pessoa física, apoiada pela expansão da distribuição em grandes bancos e plataformas de investimentos”, explica o CEO Marcelo Mello.
Hermanos acá
O Decreto 13.132 do presidente Lula autorizou a entrada de centenas de militares da Aeronáutica e Exército da Argentina no Rio Grande do Sul, desde sábado até o próximo dia 17. É para o treinamento conjunto ARANDU com as forças militares do Brasil.
Brasil-Berlim
O Sesc Cultural de Brasília fechou parceria com dois centros de arte contemporânea de Berlim, o Haus der Kulturen der Welt e o SAVVY Contemporary. O acordo prevê intercâmbio de artistas, curadores, residências, projetos educativos e ações conjuntas nas áreas de arte, tecnologia e formação de público. A intenção é ampliar a circulação da produção cultural brasileira e aproximá-la dos circuitos internacionais.
China in Rio
O China Media Group realizou a cerimônia de encerramento das exibições presenciais e de lançamento da programação online da 6ª Temporada de Exibição de Obras Audiovisuais Chinesas no Brasil. O evento aconteceu no Rio de Janeiro, na quinta (8). O encontro fez parte do Festival do Rio e RioMarket. O projeto integra as celebrações do Ano Cultural Brasil–China 2026, com 14 produções audiovisuais chinesas.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/ratinho-junior-entra-com-tudo-no-grupo-de-apoio-a-flavio-bolsonaro/
Pesquisa mostra que 59% dos eleitores apostam na vitória de Flávio e 36% na de Lula

A menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece 4 ponto percentuais à frente de Lula (PT) nos votos válidos, 52% a 48%, na pesquisa estimulada da Nexus, realizada por telefone com 2.002 entrevistados entre 10 e 12 de outubro e registrada no TSE sob o número BR-07997/2026. O levantamento mostra ainda que A pesquisa indica que 59% dos eleitores apostam na vitória de Flávio e 36% na de Lula.
lávio lidera com folga no Sudeste (51% a 41%), Sul (57% a 36%) e Norte/Centro-Oeste (56% a 41%). Lula só aparece à frente no Nordeste (61% a 32%). Por renda, o petista só lidera entre quem ganha até 1 salário mínimo (58% a 32%); nas demais faixas, o senador está na frente. Mulheres preferem Lula (54% a 39%), enquanto homens votam mais em Flávio (57% a 36%). Entre jovens de 16 a 24 anos, Lula tem 57% contra 39%; nas faixas de 25 a 59 anos, Flávio lidera. Evangélicos preferem Flávio (58% a 32%); católicos e sem religião, Lula.
A fidelidade de voto é alta: 98% dos eleitores de cada um no primeiro turno permanecem com o mesmo candidato no segundo. Em relação a 2022, 91% dos que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno agora apoiam Flávio, e 90% dos que votaram em Lula continuam com ele. Beneficiários do Bolsa Família (ou que moram com algum) votam majoritariamente em Lula (68% a 23%).
Dos entrevistados, 92% afirmam que a decisão de voto já está tomada e não vai mudar, enquanto 7% dizem que ainda podem alterar a escolha. Entre os eleitores de Flávio, 4% podem mudar; entre os de Lula, 5%. Entre esses 7% que ainda hesitam, a segunda opção mais citada é branco/nulo (52%), seguida de Lula (20%) e Flávio (16%).
Avaliação de governo e rejeição
A avaliação do governo Lula permanece estável em relação à pesquisa anterior ao primeiro turno: 34% avaliam como ótimo/bom (era 36%), 20% como regular e 45% como ruim/péssimo. A aprovação oscilou de 46% para 45%, e a desaprovação, de 49% para 50%. Em rejeição, Lula tem 51% e Flávio, 47%. O potencial de voto (soma de quem vota e de quem poderia votar) é de 50% para Flávio e 49% para Lula.
André Jácomo, diretor de Pesquisa da Nexus, destaca o desafio para o presidente: “Ele aparece à frente em segmentos que tradicionalmente votam mais no petista: baixa renda, baixa escolaridade, mulheres e católicos. O problema é que, nos demais estratos do eleitorado, Flávio abre larga vantagem. Lula tem o desafio de, nas próximas duas semanas, recuperar parte de nichos em que ele já teve melhor desempenho, principalmente na faixa de renda entre 1 e 2 salários mínimos.”
Sob Flávio, três mulheres são consideradas para vagas no STF

Caso a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) se confirme no segundo turno, três mulheres já são consideradas para assumir uma das vagas que vão se abrir no Supremo Tribunal Federal. Angela Gandra, advogada e filha do jurista Ives Gandra Martins, Gabriela Hardt, juíza federal que foi responsável pela Lava Jato, e Marianna Fux, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e filha do atual ministro Luiz Fux.
Antiaborto
Jurista e antiaborto, Angela Gandra integrou a equipe do governo de Jair Bolsonaro como secretária nacional da Família, em 2019.
História firme
Gabriela Hardt é lembrada pela atuação firme contra a corrupção nos julgamentos da operação Lava Jato e na condenação de Lula.
Nome de peso
Marianna Fux é considerada por aliados de Flávio e tem atuação elogiada como desembargadora no Rio de Janeiro.
Primeiro da fila
A primeira vaga aberta no STF deve ficar com Jorge Oliveira, ministro do TCU que foi secretário-geral da Presidência com Jair Bolsonaro.
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