Eventual Lula 4 dependeria de STF ainda mais autoritário para neutralizar Congresso de direita

Lula precisaria recorrer ao autoritarismo e ativismo judicial do STF para garantir governabilidade. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil / Antonio Augusto/STF)

Uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25) pode aprofundar a dependência do Executivo em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), estimulando uma atuação ainda mais autoritária da Corte para conter o Congresso com viés de direita eleito no começo de outubro.

A nova configuração do Legislativo exigiria concessões de Lula à direita, e só o recurso ao ativismo judicial e aos abusos autoritários do Supremo poderia permitir ao petista contornar essa resistência para impor sua agenda. A consequência, para especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, seria o presidente transferir para o tribunal uma parcela ainda maior das decisões políticas e ampliar o confronto entre os Poderes.

“A menos que o Lula aceite fazer uma coabitação, ou seja, governar com o Congresso, que vai ser majoritariamente de oposição – e o Lula está dando todas as dicas, desde este governo do terceiro mandato, que ele não vai fazer isso –, ele tentaria se impor ao Congresso. E a única forma de conseguir isso seria usar os ministros do STF para pressionar o Congresso”, afirma o cientista político Adriano Cerqueira, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Para a jurista Katia Magalhães, o fortalecimento da oposição na Câmara e, sobretudo, no Senado criaria uma barreira à execução do programa petista. Diante disso, a tendência seria levar ao Judiciário todos os conflitos que o governo não conseguisse resolver pela negociação parlamentar. Nesse cenário, sua expectativa é de “um acirramento gigantesco do autoritarismo judiciário”.

O principal caminho para isso, segundo ela, seriam as ações de controle de constitucionalidade, por meio das quais atos dos Poderes públicos são questionados no Supremo. O presidente, representado pela Advocacia-Geral da União (AGU), e partidos aliados poderiam provocar a Corte para tentar invalidar medidas aprovadas pela oposição ou preservar decisões do Executivo contestadas pelos parlamentares, como já têm feito nos últimos anos. Essa tendência se intensificaria.

Um exemplo concreto disso ocorreu na disputa sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em 2025. Depois de o Congresso sustar o decreto presidencial que elevava as alíquotas, Lula recorreu ao STF para recuperar a medida. Na ação, a AGU pediu tanto a confirmação da validade do aumento quanto a invalidação do decreto legislativo que o havia barrado.

O ministro Alexandre de Moraes restabeleceu parcialmente o decreto presidencial, afirmando que o Executivo não havia cometido desvio de finalidade na elevação das alíquotas e que a intervenção do Congresso era cabível apenas no ponto em que o governo havia ultrapassado seu poder regulamentar. O resultado permitiu ao Planalto recuperar parte de uma medida derrotada no Legislativo.

Magalhães vê no episódio uma demonstração clara da disposição do Supremo de interferir até em decisões comuns da atividade parlamentar, que deveriam ser aceitas como parte normal do jogo democrático. “O Supremo ousou derrubar um decreto legislativo, que é uma das maiores expressões da autonomia parlamentar”, afirma.

Para a jurista, a capacidade de resistência do próximo Congresso dependerá de uma mudança de comportamento em relação à formação atual do Legislativo. A eleição de mais oposicionistas, por si só, não é garantia de uma reação à altura, segundo ela. O Legislativo precisaria ser renovado “não só nos nomes, como nas práticas”, afirma.

Senado poderia impor limites à aliança entre Lula e STF, desde que cumprisse promessas

Cerqueira avalia que o conflito de um eventual quarto mandato de Lula ultrapassaria as votações no Congresso. A direita conservaria lideranças com capacidade de mobilização popular, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o que poderia ter impacto nas relações de poder.

“Seria um quadro de muitas mobilizações de rua”, prevê. Para conter essa reação popular, o cientista político acredita que o Supremo recorreria novamente a instrumentos autoritários, como os empregados nos inquéritos relatados por Moraes nos últimos anos.

Outra ameaça forte com uma eventual vitória de Lula seria a busca do Judiciário por derrubar de seus cargos integrantes da oposição, especialmente senadores. “Eu não vejo outra possibilidade que não o aumento do autoritarismo nessa parceria do PT e de Lula com o STF”, alerta.

Qualquer instabilidade com o Poder Legislativo, segundo Cerqueira, poderia comprometer a própria continuidade do governo. Ele compara a situação à enfrentada pela ex-presidente Dilma Rousseff depois da reeleição de 2014, quando a vitória nas eleições foi seguida pela crise na relação com o Congresso, que ajudou no impeachment. O temor de uma história parecida incentivaria o regime Lula-STF a radicalizar.

“Seria um quadro de forte instabilidade em que o Executivo e o STF tentariam pressionar contra a parede e enquadrar um Congresso fortemente oposicionista”, diz.

Katia Magalhães ressalta que os senadores teriam instrumentos para reagir, como a resistência às indicações presidenciais para o Supremo, a escolha de um presidente do Senado disposto a confrontar o governo e o STF e o avanço de iniciativas para responsabilizar ministros.

O ponto central, diz ela, seria a disposição dos eleitos para cumprir as promessas de campanha. “O Congresso sempre teve poder sobre o STF”, afirma. “Os parlamentares têm muito mais poder do que parece. O problema é que a legislatura atual não teve coragem de exercer os poderes que a Constituição confere a eles.”

Independentemente do resultado, a jurista defende mudanças constitucionais que reduzam as competências do Supremo, justamente para evitar que o tribunal continue sendo um superpoder capaz de se impor sobre os outros dois.

Uma delas seria retirar do STF a jurisdição criminal, ou seja, seu poder de conduzir investigações e julgar processos criminais. Outra, mais abrangente, seria modificar o controle concentrado de constitucionalidade, mecanismo que permite questionar leis e atos do poder público diretamente no Supremo. A mudança restringiria a possibilidade de levar determinadas disputas políticas diretamente à Corte.

Nesse caso, o Supremo passaria a atuar somente como instância recursal, julgando recursos contra decisões de outros tribunais. Isso exigiria uma reformulação profunda do artigo 102 da Constituição, que define as atribuições do STF e os tipos de processo que cabe ao tribunal julgar. “Isso demandaria coragem e força política do Congresso renovado que está entrando”, afirma.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/eventual-lula-4-dependeria-de-stf-ainda-mais-autoritario-para-neutralizar-congresso-de-direita/

Abertura de sigilos não passa de teatro de Lula

Membros da campanha de Lula levam documentos sobre o levantamento de sigilo telefônico e fiscal do presidente ao TSE. (Foto: ChatGPT sobre foto de André Borges/EFE)

O petismo e sua rede virtual de apoiadores têm andado em polvorosa graças a um desafio feito pelo presidente e candidato à reeleição Lula a seu adversário, Flávio Bolsonaro, relativo à abertura de sigilos bancário e telefônico de ambos. Na terça-feira, a equipe do petista entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de abertura dos próprios sigilos, incluindo também a primeira-dama Janja; os filhos do presidente, entre os quais o investigado Lulinha; e da empresa de palestras de Lula. Flávio respondeu com mais condições para abrir seus dados, que teriam sido aceitos pelo petista – as duas campanhas disseram ter chegado a um acordo para entregar documentos até o fim da noite desta quinta-feira. No entanto, uma análise legal e o mero bom senso são suficientes para atestar que tudo não passa de mero teatro.

A colunista Roseann Kennedy, do jornal O Estado de S.Paulo, ouviu criminalistas que apontaram várias falhas no documento inicial entregue pela campanha petista ao TSE, a começar pelos fatos, bastante evidentes, de que a corte eleitoral não é o foro correto para esse tipo de medida, e de que ninguém pode autorizar a exposição de dados de outras pessoas, mesmo que sejam parentes, e ainda que eles tenham concordado informalmente com a medida. Além disso, nem seria necessário um ato legal para que Lula expusesse as próprias contas, bastando que ele o fizesse publicamente, o que já caracteriza todo o episódio como uma encenação com o único objetivo de constranger um adversário, criando obrigações inexistentes. E não escapa a ninguém o fato público e notório de que Lula, embora tenha prometido o fim de seu sigilo telefônico, nem sequer tem celular, usando como intermediários Janja e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola – outro que teria o sigilo levantado, segundo a campanha petista.

Apenas os muito ingênuos acreditariam que, a essa altura do campeonato, alguém haveria de encontrar dinheiro sujo nas contas bancárias regulares de titularidade de Lula ou de qualquer um de seus familiares

Limitações legais à parte, apenas os muito ingênuos acreditariam que, a essa altura do campeonato, alguém haveria de encontrar dinheiro sujo nas contas bancárias regulares de titularidade de Lula ou de qualquer um de seus familiares. Recorde-se, a esse respeito, o acordo de delação premiada feito pela J&F, de Joesley Batista, no qual o executivo dizia, ainda em 2017, ter aberto contas no exterior para o depósito de propinas destinadas ao petista. A Lava Jato pode ter sido desmontada, as condenações de Lula podem ter sido anuladas, mas isso não transformou em falso todo o robustíssimo conjunto probatório levantado pela força-tarefa do Ministério Público Federal contra Lula. Seria de uma primariedade desconcertante que alguém com esse histórico ainda usasse uma conta bancária regular para guardar qualquer valor ilícito – e o mesmo se aplica, é claro, a seus familiares.

Enquanto isso, muitos sigilos cujo fim seria muito mais interessante continuam em pé. Os cartões corporativos da Presidência – e não apenas o de Janja –, as listas de passageiros dos aviões de Daniel Vorcaro, e os registros de entrada e saída de participantes de encontros e eventos oficiais na Alvorada e no Planalto estão entre os dados aos quais os brasileiros continuarão sem ter acesso, e que poderiam revelar muito, quando não sobre ilegalidades, ao menos sobre imoralidades, como gastos exorbitantes e desnecessários do primeiro casal presidencial.

A transparência é um valor que de fato anda em falta na política brasileira, mas não é com desafios juridicamente capengas e jogadas de marketing que o eleitor terá mais elementos para fazer uma escolha consciente no próximo domingo. A fanfarra sobre o levantamento de sigilos pessoais não passa de truque para desviar a atenção do eleitor sobre os temas mais relevantes da campanha – o apoio do petismo à juristocracia autoritária que tomou conta do Brasil, a condução irresponsável da economia, a leniência petista para com a criminalidade –, com o objetivo de produzir um esperado resultado negativo (pois, como dissemos, é evidente que não aparecerá nada comprometedor no que Lula se dispôs a entregar) e criar uma armadilha para seu adversário e para o eleitor, que precisará de muito discernimento para perceber o estratagema.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/abertura-sigilos-lula-flavio-teatro/

Contra o Inquérito das Fake News, plataforma reúne quase mil censurados pelo STF

Homero Marchese, Débora Rodrigues e Jackson Rangel são alguns dos 928 casos de censura citados na plataforma “Perseguidos”. (Foto: Pedro de Oliveira / Alep; Arquivo Pessoal/Cláudia Silva Rodrigues; Arquivo pessoal/Jackson Rangel)

Jackson Rangel, jornalista do Espírito Santo preso por um ano após publicar críticas ao STF. Homero Marchese, ex-deputado que teve todas as redes sociais bloqueadas por publicar informações sobre evento dos ministros em Nova York. Débora Rodrigues dos Santos, cabeleireira conhecida como Débora do Batom, que representa centenas de envolvidos nos atos do 8 de janeiro presos, perseguidos e proibidos de usar redes sociais.

Esses são alguns dos 928 casos de silenciados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) reunidos na plataforma Perseguidos. O objetivo, segundo o site, é mostrar os abusos cometidos no “Inquérito das Fake News” — o Inquérito 4781 — e solicitar o encerramento dessa investigação iniciada de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, em 2019.

Lançado em setembro, o site divulga histórias e documentos de brasileiros que, nos últimos sete anos, enfrentaram censura nas redes sociais, perda de canais no YouTube ou foram proibidos de falar sobre decisões envolvendo o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Queremos que o Fachin arquive e encerre esse período sombrio da história do Brasil.Rodrigo Marcial, idealizador da plataforma “Perseguidos”

“É um acervo para preservar a memória e termos um pouco da verdade que se tenta esconder por meio dos inquéritos no Supremo”, aponta o advogado Rodrigo Marcial, idealizador do projeto. Segundo ele, os relatos evidenciam “desrespeito à legislação penal, às garantias constitucionais e aos direitos básicos de cidadãos brasileiros”, como a liberdade de expressão.

“Por isso, toda pessoa que acessar o site pode pesquisar casos do seu estado, entender o contexto atual do Brasil e assinar conosco um abaixo-assinado pedindo o encerramento do ‘Inquérito das Fake News’”, convoca Marcial, que pretende encaminhar todas as assinaturas ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF.

No último dia 13, Fachin pressionou a Polícia Federal (PF) a concluir esse inquérito, que é um dos motivos citados nos inúmeros pedidos de impeachment contra ministros da Corte. “Queremos que o ministro arquive e encerre esse período sombrio da história do Brasil”, diz o advogado, que também solicita quebra do sigilo das investigações e transparência em relação às informações.

O mesmo pedido já foi tema, inclusive, de levantamento realizado pela Gazeta do Povo em 2025. Na ocasião, a reportagem questionou os 81 senadores da República a respeito da necessidade de conhecer o número de pessoas que tiveram suas vozes caladas no país devido a decisões do STF e do TSE que derrubaram perfis nas redes sociais. Ao todo, 33 senadores (40,74%) responderam de forma afirmativa, solicitando transparência. Nenhum parlamentar respondeu “não”, e 48 senadores (59,26%) preferiram não se manifestar ou ignoraram os contatos da reportagem.

Segundo Marcial, a divulgação das informações possibilitaria a análise integral dos dados e até a criação de uma comissão destinada a investigar as medidas adotadas, identificar eventuais violações, propor reparações e discutir responsabilidades.

“Seria possível reparar os danos causados a essas pessoas e responsabilizar de forma administrativa, criminal e civil os responsáveis”, explica o advogado, que também é autor do “Dossiê Moraes”, obra que reúne 156 ilegalidades já conhecidas na atuação do ministro.

Plataforma Perseguidos coletou informações durante um ano e prevê inclusão de novos casos

Para chegar às 928 histórias presentes na plataforma, Marcial contou, principalmente, com o trabalho da jornalista Ana Maria Cemin, que há anos publica relatos de investigados, presos e condenados do 8 de janeiro. Também foram utilizadas reportagens da Gazeta do Povo, de veículos locais e de outros meios de comunicação que registraram decisões relacionadas ao Inquérito 4.781, operações da PF e procedimentos associados.

A partir dessa base de dados, o advogado trabalhou durante cerca de um ano para reunir o relato pessoal de cada envolvido, a cronologia das medidas judiciais e informações recentes dos casos. O site também possui um mapa com a distribuição geográfica dos censurados e permite envio de novos relatos.O site Perseguidos.com também possui um mapa com a distribuição geográfica dos censurados pelo STF.

O site Perseguidos.com também possui um mapa com a distribuição geográfica dos censurados pelo STF. (Foto: Reprodução/Perseguidos.com)

Jackson Rangel, jornalista citado pelos Estados Unidos na Lei Magnitsky

O jornalista e empresário Jackson Rangel foi preso, sem denúncia, por 368 dias devido a críticas que postou a respeito do STF.

O jornalista e empresário Jackson Rangel foi preso, sem denúncia, por 368 dias devido a críticas que postou a respeito do STF. (Foto: Arquivo pessoal/Jackson Rangel)

Uma das histórias apresentadas na plataforma é a do jornalista e empresário Jackson Rangel, que teve todas as redes sociais bloqueadas por cerca de dois anos e meio. Ele foi preso, sem denúncia, por 368 dias devido a críticas que postou a respeito do STF, em 2022, e seu caso foi citado pelos Estados Unidos no âmbito da Lei Magnitsky como exemplo de abuso judicial cometido pelo ministro Alexandre de Moraes, em 2025.

Rangel permaneceu encarcerado entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023 e, após deixar o Complexo Penitenciário de Viana, no Espírito Santo, permaneceu dois anos e oito meses sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

Seu advogado, Gabriel Quintão, aponta inúmeras ilegalidades no caso, como quebra de sigilo telemático, fiscal e bancário de sete anos. Mesmo após as diligências, a defesa afirma que não encontraram crime ou indício de prática criminosa e até hoje não há denúncia do Ministério Público contra o jornalista.

A própria Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou quatro manifestações pela anulação e pelo arquivamento do procedimento durante o processo. “Mas nada foi feito”, informa o advogado.

Ex-deputado foi censurado, ganhou direito à indenização, mas juiz foi processado por Moraes

Homero Marchese, ex-deputado estadual do Paraná, teve todas as redes bloqueadas devido a um post sobre um evento dos ministros em Nova York.

Homero Marchese, ex-deputado estadual do Paraná, teve todas as redes bloqueadas devido a um post sobre a participação de ministros do STF em um evento em Nova York. (Foto: Pedro de Oliveira / Alep)

Outro caso relatado na plataforma é do ex-deputado estadual do Paraná Homero Marchese, que enfrentou bloqueio de suas redes sociais por ordem do STF e chegou a ganhar o direito à indenização.

Marchese perdeu o acesso a seus perfis do Facebook, Instagram e X (antigo Twitter) em novembro de 2022, cerca de duas horas após questionar a segurança das urnas eletrônicas. Ele não foi informado a respeito do motivo dos bloqueios e, ao verificar por meio da imprensa que pessoas estavam tendo redes sociais encerradas por ordem de Alexandre de Moraes, ligou para o gabinete do ministro.

Moraes mandou cassar a sentença e processou o juiz.Homero Marchese, ex-deputado estadual do Paraná que enfrentou o bloqueio de suas redes sociais por ordem do STF

Segundo o ex-deputado, a atendente confirmou que havia um processo sobre ele em tramitação no STF e que seria necessário ir pessoalmente a Brasília para saber o teor “porque o processo estava em papel”. Marchese foi à capital e descobriu que o argumento para bloqueio de suas redes era um post que ele havia compartilhado sobre a participação dos ministros em um evento em Nova York.

Ao todo, o paranaense ficou sem redes sociais por seis meses. Ele perdeu a reeleição para deputado e o caso, que estava na Justiça Federal, seguiu para a Justiça comum.

“Conseguimos, então, a devolução das redes, processei a União por danos morais, e ganhei”, relatou à Gazeta do Povo. “Só que Moraes mandou cassar a sentença e processou o juiz”, revelou o ex-parlamentar, que também relata o caso no livro “Censura Suprema — Como Alexandre de Moraes e o STF usaram o inquérito das Fake News para calar a voz de um deputado e de um país”.

Débora do Batom: uma das centenas de vozes caladas no 8 de janeiro

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos foi condenada à pena de 14 anos por ter escrito com batom a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça, na Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos foi condenada à pena de 14 anos por ter escrito com batom a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça, na Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro. (Foto: Arquivo Pessoal/Cláudia Silva Rodrigues)

A plataforma Perseguidos também cita o caso da cabeleireira Débora Rodrigues, que enfrenta diversas sanções determinadas pelo STF. Ela foi condenada à pena de 14 anos por ter escrito com batom a frase “Perdeu, Mané” na estátua da Justiça, na Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

Débora permaneceu mais de dois anos no cárcere, e hoje cumpre medidas cautelares em prisão domiciliar, recentemente convertida ao semiaberto, sem mudanças efetivas.

Nunca houve decisão judicial que proibisse o réu de se manifestar publicamente ou de utilizar redes sociais.Hélio Junior, um dos advogados de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom

Segundo seu advogado Hélio Junior, a cabeleireira não pode usar redes sociais e nem conceder entrevistas a qualquer meio de comunicação, nacional ou internacional, sem autorização do STF.

Ainda de acordo com ele, restrições como essa não são aplicadas no Brasil nem em casos de crimes graves, como homicídio, corrupção ou tráfico de drogas. “Nunca houve decisão judicial que proibisse o réu de se manifestar publicamente ou de utilizar redes sociais”, disse, ao pontuar que as proibições “configuram verdadeira censura”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/contra-o-inquerito-das-fake-news-plataforma-reune-quase-mil-censurados-pelo-stf/

Governos de esquerda latino-americanos temem ampliação do isolamento em caso de derrota de Lula

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, conversa com Lula durante a cúpula do Mercosul em Luque, no Paraguai, em junho (Foto: Juan Pablo Pino/EFE )

Líderes ou organizações ligadas aos governos do México, Uruguai e Cuba, todos de esquerda, manifestaram incômodo com a possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição brasileira, no próximo domingo (25).

Com a onda de vitórias da direita nas eleições nos últimos anos, restam poucos governos de esquerda na América Latina, e estes temem que esse isolamento seja ainda mais acentuado com a vitória de Flávio.

No dia 5, um dia após ele ficar à frente de Lula no primeiro turno, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi perguntada sobre a eleição no Brasil e se temia que o país norte-americano fique isolado em caso de derrota do petista.

A esquerdista respondeu que “é preciso aguardar o segundo turno” e desconversou sobre a falta de aliados no continente.

“Nosso principal aliado é o povo do México. Enquanto estivermos próximos do povo, representando o povo, e governando pelo povo e para o povo, não haverá problema algum — absolutamente nenhum — no México”, disse Sheinbaum, que em seguida, porém, adotou um tom mais panfletário.

Ao falar sobre a onda eleitoral com vitórias da direita na América Latina, a presidente mexicana disse que não podia opinar sobre outros países, mas afirmou que “a direita é um movimento político, uma ideologia que está contra o povo; ela não defende o povo” e que “a direita internacional quer, sim, intervir [no México] — algo que temos denunciado constantemente”.

Em setembro, Fernando Pereira, presidente da Frente Ampla, coalizão de esquerda do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, participou de um debate com o secretário sindical nacional do PT, Ariovaldo de Camargo, e manifestou preocupação com a possibilidade de derrota de Lula.

“Vocês enfrentam essa extrema direita que, ao chegar ao poder, aniquila direitos. Já vimos isso no Brasil e estamos vendo na Colômbia, na Bolívia e no Chile. Não queremos ver isso no Brasil. A luta de vocês é entre democracia e barbárie”, disse Pereira, segundo informações do jornal El País.

Em Cuba, a Casa das Américas, órgão vinculado à ditadura castrista, divulgou este mês um comunicado sobre a eleição brasileira.

“É urgente uma ação mundial para deter o avanço do neofascismo. A trincheira imediata que temos diante de nós é o enfrentamento eleitoral no Brasil”, afirmou.

Em artigo publicado pelo site Cibercuba após o primeiro turno, o líder oposicionista José Daniel Ferrer García disse que o regime comunista cubano tem muito a perder com uma vitória de Flávio.

“Para Havana, o prejuízo é tangível. Durante anos, o Brasil foi o grande aliado sul-americano: créditos, alimentos, médicos, derivados de petróleo, votos em fóruns internacionais e uma narrativa de integração que o castrismo utilizava como prova de que não estava isolado. Se Flávio Bolsonaro vencer, esse apoio chegará ao fim”, escreveu Ferrer.

“Um governo Bolsonaro não manterá o discurso de ‘cooperação’, nem o silêncio cúmplice diante da repressão. Ele se alinhará a Washington e aos governos que já tratam a ditadura pelo que ela realmente é”, acrescentou.

Ricardo Caichiolo, doutor em ciências políticas e sociais e diretor do Ibmec Brasília, disse em entrevista à Gazeta do Povo que uma derrota de Lula, caso se concretize, “gerará um impacto significativo na coesão ideológica regional, visto que o Brasil detém o maior poder relativo da América Latina”.

“O resultado eliminará o principal contrapeso ao eixo conservador que avança na região. Nesse cenário, México, Cuba e Uruguai perderão um ator de peso alinhado aos seus interesses em foros multilaterais, o que aprofundará o isolacionismo desses países”, afirmou.

Governos de esquerda das Américas já se distanciam de Lula

Outros governos de esquerda da região já estão mais distantes de Lula. O regime sandinista da Nicarágua é aliado histórico do PT, mas entrou em atrito com o presidente brasileiro nos últimos anos.

Em 2024, Brasília e Manágua expulsaram os embaixadores do outro lado depois que o embaixador do Brasil no país centro-americano, Breno de Souza Brasil Dias da Costa, não compareceu à cerimônia do 45º aniversário da Revolução Sandinista.

Antes, o Brasil havia pedido para que o ditador Daniel Ortega libertasse o bispo Rolando Álvarez, que ficou mais de um ano preso na Nicarágua e foi expulso do país em janeiro daquele ano.

Este ano, o governo Lula manifestou “preocupação” a respeito do anúncio do líder sandinista de que “não voltará a haver eleições” no país centro-americano.

Depois, o regime da Nicarágua voltou atrás e disse que ainda haverá eleições no país, mas que “golpistas” e “traidores da pátria” não poderão participar – na prática, vetando a participação de qualquer pessoa que não seja autorizada pela ditadura sandinista.

Por meio de uma nota oficial do Ministério das Relações Exteriores, a ditadura da Nicarágua respondeu ao Brasil que se trata de “nossa democracia, nossas eleições”.

A Venezuela e a Guiana, outros dois países das Américas liderados pela esquerda, hoje estão mais próximas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do que de Lula.

A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, atende a todas as demandas do republicano e sua gestão desde a captura de Nicolás Maduro vem sendo descrita como uma “tutelagem” do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Apesar de ter um presidente de esquerda (Irfaan Ali), a Guiana aderiu ao Escudo das Américas, um plano de segurança de Trump ao qual Lula se opõe, e abriu suas reservas de petróleo e gás para a exploração de empresas americanas, o que tem feito o país ostentar algumas das maiores taxas de crescimento econômico do mundo nos últimos anos.

Ricardo Caichiolo disse à Gazeta do Povo que, apesar de o governo Lula ter um baixo grau de interlocução com esses países, “a derrota do seu governo ampliaria ainda mais a influência geopolítica direta dos Estados Unidos na região”.

“Além disso, a ausência do Brasil como canal de negociação isolaria ainda mais regimes autoritários como o venezuelano e o nicaraguense, reduzindo sua margem de manobra diplomática”, projetou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/governos-esquerda-latino-americanos-temem-ampliacao-isolamento-caso-derrota-lula/

Polzonoff

Ela tratava o Jair como Messias. Agora, faz parte do Exército do Janones

Em 2018 ela era bolsonarista roxa. Agora, faz parte do Exército do Janones. (Foto: ChatGPT)

Nos últimos anos briguei com algumas pessoas da família por causa de política, admito. Mas que atire a primeira pedra quem nunca brigou (e sempre se achando o dono da razão, claro, porque uma coisa quase sempre anda junto da outra). Um exemplo: embora Jair Bolsonaro tenha recebido meus votos nos dois turnos das eleições de 2018 e 2022, houve momentos em que me senti obrigada a dar uns chacoalhões em parentes que o adotaram como político de estimação. Tinha até uma prima que fazia questão de sempre chamá-lo pelo nome completo, enfatizando o “Messias” para justificar seu amor incondicional mesmo quando ele claramente enfiava os pés pelas mãos. Uma bolsominion clássica.

Também briguei, obviamente, com quem vivia dizendo que o Lula é o melhor presidente da história do Brasil, o maior estadista da civilização judaico-cristã ocidental ou simplesmente “o cara” – “my man”, como falou Barack Obama aquela vez. Neste caso, nem é difícil entender meus motivos. O estrago feito por Lula e seus red caps nas últimas duas décadas está aí para quem quiser ver. Mazelas que ele jura que vai consertar em seu quarto mandato. Só que não. Primeiro, porque ele só prospera no lodo e não tem interesse nenhum em consertar nada. Segundo, porque ele não vai ter quarto mandato.

Fervor quase religioso

Foram mais discussões momentâneas do que brigas propriamente ditas, que felizmente não se tornaram inimizades duradouras. Hoje, alguns parentes estão mais distantes, outros menos, mas ninguém virou completamente a cara por causa desta ou daquela paixão (ou mesmo isenção) política. Ao longo do terceiro mandato de Lula, até vi alguns nutrirem a esperança de menos polarização – que viria por meio de um político mais normal, alguém que pudesse ser uma alternativa ao fervor quase religioso de lulistas e bolsonaristas.

Mas não foi desta vez, como bem sabemos. E nem vou tentar explicar essa adoração ao Lula de um lado e ao Bolsonaro-pai de outro, fenômeno que muita gente mais gabaritada do que eu ainda pena para entender.  Por ora, me contento em identificar os seis grupos que irão às urnas no dia 25. Os cinco primeiros são óbvios, mas o sexto me intriga e trouxe a inquietação de volta à família nos últimos dias.

Grupos

  1. Votam no Lula porque painho é o Caminho, a Verdade e a Vida.
  2. Vão de Flávio porque ele é filho do Jair Messias, talkei?
  3. Fazem o L porque, sabe como é, temos que zelar pela democracia, votar nos Bolsonaros não dá etc.
  4. Afundam o dedo no 22 da urna porque Lula, deuzolivre, nem pensar!
  5. Anulam o voto ou apertam o botãozinho branco para não se sentirem responsáveis pelo que virá (e de um jeito ou de outro virá, podem ter certeza).
  6. (a) Vão de Flávio, mas já foram Lula; (b) vão de Lula, mas já foram Jair.

Não deixo de admirar o subgrupo 6 (a). Não porque Flávio seja lá aquelas coisas (espero que ele prove que estou errada e faça um grande governo), mas porque não entendo como alguém pode continuar acreditando no Lula depois de tanto nó em pingo d’água para se eternizar no poder. Então, se alguém já foi Lula e agora vai de Flávio, é sinal de que está descontente e não tem medo de mudar de ideia. Coisa rara e bem-vinda.

Vira-casaca

Mas qual não foi a minha surpresa, logo após o primeiro turno, ao ver aquela prima bolsominion lá do começo do texto entrar para o subgrupo 6 (b). Virou lulista fervorosa. Já são horas e horas de postagens nas redes sociais, reproduzindo as fake news mais absurdas que a esquerda já foi capaz de criar, defendendo a “soberania” do Brasil diante dos EUA e fazendo o L com a camisa amarela a mando do Janones. E ainda brigando nos comentários, dizendo que foi às ruas pelas Diretas Já, que pintou a cara para tirar o Collor e que agora vai ajudar o Lula a continuar garantindo a democracia.

Eu poderia brigar com ela de novo, mas não vale a pena. Primeiro, porque essa fase vai passar, já que é resultado não de convicção, mas de influência de companhias e circunstâncias. Segundo, porque ela enfrenta questões pessoais que, se não justificam, pelo menos sugerem os porquês e causam mais compaixão do que raiva. Terceiro, porque duvido que ela irá enfrentar quatro horas de estrada até o local mais próximo de votação (ela não mora no Brasil, esqueci de contar!) para apertar o 13 e confirmar. Ficando ela apenas nos posts e stories, pregando para convertidos, terei mais alguns motivos para rir de nervoso nos próximos dias e nenhuma surpresa a lamentar no dia 25.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/exercito-do-janones/

Alan Ghani

Mercado aposta em Flávio Bolsonaro para enfrentar os desafios de 2027

Com inflação persistente, juros altos e contas frágeis, o Brasil caminha para 2027 sob pressão. Sem reforma, o crescimento fica ameaçado. (Foto: André Coelho/EFE)

A classe política brasileira, incluindo os três poderes da República, não se deu conta da encrenca contratada para 2027. Os desafios vêm tanto por fatores internos como pelo cenário externo, exigindo que o país aprove reformas estruturais, não apenas para alcançar o desenvolvimento, mas para sobreviver a um mundo mais turbulento.

No cenário internacional, desde o pós-pandemia, a inflação se tornou mais resiliente (“grudenta”) em diversas partes do globo, principalmente nos EUA. Os efeitos da “economia a gente vê depois” durante a pandemia cobram o seu preço até hoje.

Além da dinâmica inflacionária pós-pandemia, as guerras entre Rússia e Ucrânia e entre EUA e Irã sustentam o preço do petróleo acima de US$ 100, sem perspectiva de ceder no curto prazo, uma vez que esses conflitos estão longe de caminharem para uma resolução final.

Sem a convergência da inflação para a meta, o Banco Central dos EUA (Fed) aumentou a taxa básica de juros, com perspectiva de mais elevações ainda neste ano. Juros mais elevados nos EUA trazem pressão no dólar por aqui, aumentando o risco inflacionário, o que dificulta uma redução mais expressiva da taxa Selic.

Infelizmente, não há perspectiva de queda de juros nas economias desenvolvidas no curto prazo, e não apenas pelo aumento da inflação, mas também pela elevação do risco fiscal. A dívida/PIB de várias nações alcançou patamares insustentáveis (acima de 100% da renda nacional), incorporando prêmio de risco na taxa de juros dos títulos públicos de economias desenvolvidas – algo inimaginável até pouco tempo.

Além de juros mais elevados por conta da inflação e do alto endividamento público de países desenvolvidos, o Brasil tem que lidar com um mundo menos globalizado, ou mais fragmentado, devido à guerra comercial de Trump e aos conflitos geopolíticos que incentivam países a produzirem internamente, reduzindo o comércio internacional. Menos comércio internacional se traduz em elevação do preço de mercadorias e perda de atividade econômica para o país.

Somente esses fatores externos – inflação, endividamento, fragmentação econômica, alta do preço do petróleo – já seriam motivos de preocupação para o Brasil. Somam-se a isso os problemas internos da economia brasileira.

Expectativa de inflação acima da meta (5,2%), 83% de famílias endividadas, recordes de recuperação judicial e inadimplência, Selic em 13,75%, dívida/PIB em 82,9% e economia com sinais claros de desaceleração trazem um cenário muito desafiador para 2027 em termos de crescimento econômico e geração de renda.

A reversão da perda de força da atividade econômica se torna praticamente impossível com fatores limitantes a um corte de juros. Os limitadores de queda da Selic são as altas de juros lá fora e o risco fiscal aqui no Brasil.

Como não é possível alterar o cenário externo, a única variável ao nosso alcance é um ajuste nas contas públicas

Com uma reforma fiscal, seria possível cortar os juros, trazendo crescimento sustentável (aumento do PIB sem gerar inflação), apesar de todas as limitações do cenário externo. É urgente uma reforma fiscal no Brasil. Apesar dessa obviedade, a sua implementação está longe de acontecer, pelo menos com este governo.

O mercado já fez a sua escolha, dando o benefício da dúvida para Flávio Bolsonaro realizar a tão esperada reforma fiscal e colocar novamente o país na rota do desenvolvimento econômico.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alan-ghani/mercado-aposta-em-flavio-bolsonaro-para-enfrentar-os-desafios-de-2027/

Alexandre Garcia

Sua escolha no domingo tem efeitos que duram muito mais que quatro anos

Entre a continuação de tudo que há de pior e a chance de mudança, a escolha deveria ser óbvia. (Foto: André Borges/EFE (Lula) e Sebastião Moreira/EFE (Flávio))

No domingo é importante exercermos o direito e a obrigação do voto, não deixar que os outros decidam por nós. Está em jogo não só o próximo quadriênio, porque os efeitos das escolhas de agora se tornam duradouros. Por exemplo, o Brasil tem quase R$ 11 trilhões em dívida pública, paga mais de R$ 1 trilhão por ano em juros, é como jogar fora duas Petrobras a cada ano. Por quê? Porque o governo gasta demais e não consegue cobrar tudo em impostos, porque do contrário as pessoas param de pagar.

A Curva de Laffer mostra que, quando a tributação chega a certo ponto, as pessoas preferem deixar de produzir, ou então começam a sonegar. Então, o governo tem de tomar dinheiro emprestado: vende papéis e tem de pagar juros; como o governo gasta muito, só consegue vender seus papéis se oferecer juros altos. E assim os juros sobem para todos. As empresas que dão emprego estão cobertas até o pescoço não só em pagamento de juros, mas também em tributos altíssimos.

Dei esse exemplo para sabermos o quanto é importante o nosso voto. Ainda há indecisos, pessoas pensando em votar em branco, anular, ou nem ir votar. Eu acho que todos deveriam votar. Minha mãe, que passou dos 100 anos, votou sempre e me ensinou a ter essa consciência de que nós, por meio do voto, somos a origem do poder que conferimos a um presidente da República, a um deputado, a um senador, a um vereador.

História de abrir sigilo é só golpe publicitário de Lula 

Nesta sexta teremos debate na Globo. Agora que Flávio Bolsonaro abriu também o seu sigilo, Lula disse que é preciso também abrir o sigilo de Willer Tomaz, que tem uma empresa na Ilha da Madeira. Ele está procurando um pretexto para não ir, então; a pessoa pode ser amiga de Flávio, mas Flávio não tem o poder de abrir o sigilo do amigo, assim como Lula também não pode abrir o sigilo nem da Janja, nem dos filhos dele. É um golpe publicitário essa história de sigilo.

Assim como essa história de milícias também é fake news. Flávio cansou de dizer que, a pedido de Donald Trump, vai considerar terroristas as milícias, o Comando Vermelho, o PCC, a Família do Norte e não sei mais quem. Serão tratados como terroristas pelo Brasil e pelos países que fazem parte do escudo de proteção contra a bandidagem e o narcoterrorismo.

Vão falar em milícia na casa de governo petista? Pois vamos puxar um pouco pela memória. O primeiro escândalo dos governos do PT apareceu já no primeiro ano, com a loteria do Rio de Janeiro. Waldomiro Diniz ficava hospedado no mesmo hotel que eu em Brasília; quando nos encontrávamos no elevador, ele baixava a cabeça, envergonhado. Diniz era braço direito de José Dirceu, que perdeu o mandato por causa do escândalo dos Correios; depois vieram o mensalão, os aloprados que faziam dossiês, e o petrolão, desmontado pela Lava Jato. O último foi o do INSS, quando tiraram mais de R$ 6 bilhões de 3 milhões a 4 milhões de aposentados, descontando um pouco de cada um. Foi o que fizeram nesse último governo, caiu presidente do INSS, caiu ministro da Previdência.

Flávio coloca multidão nas ruas em capitais do Nordeste 

Eu vi as imagens da multidão que a campanha de Flávio e Nikolas Ferreira puseram nas ruas e fiquei impressionado. Não esperava ver algo assim em cidades como Fortaleza, São Luís e Natal. Um dos objetivos estratégicos da campanha de Flávio é diminuir a vantagem de Lula no Nordeste, e acho que isso pode fazer diferença, sim, no resultado final.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/eleicoes-economia-juros-endividamento/

Derrite puxa fila de quadros de Tarcísio cotados para eventual governo Flávio

Guilherme Derrite (PP), cotado para ministério em um eventual governo Flávio, em ato de campanha no interior de São Paulo, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e André do Prado (PL). (Foto: Caiuá Maia/Campanha Tarcísio de Freitas)

Ex-secretário da Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal e senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) é o primeiro de uma lista de quadros do governo de São Paulo cotados para integrar um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador vença a disputa nas urnas no próximo domingo (25).

Após Flávio terminar o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as sondagens para uma possível equipe de governo ganham força. A informação foi confirmada à Gazeta do Povo por aliados de Tarcísio, de Derrite e de Flávio.

Flávio tem mantido a discrição em relação aos possíveis cotados e tem evitado condicionar cargos de um possível governo ao apoio a sua candidatura. “A gente tem que ganhar a eleição primeiro antes de discutir qualquer outro assunto”, afirmou em entrevista coletiva em Brasília, após o primeiro turno, ao receber o apoio do Partido Novo.

Mesmo diante da cautela do candidato, pessoas próximas a Derrite, que pediram para não ser identificadas, afirmaram que é “praticamente certo” que o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo assuma o Ministério da Justiça caso Flávio confirme a vitória no segundo turno.

Eleito em 4 de outubro, Derrite recebeu 13.273.880 votos, a maior votação já registrada para o Senado no país em números absolutos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Caiado nega que tenha tratado de cargos após o primeiro turno

Nos bastidores, o nome de Ronaldo Caiado (PSD), que disputou a Presidência no primeiro turno e declarou apoio a Flávio no segundo, também teria sido cotado para a Segurança Pública ou para a Agricultura. Pessoas próximas à campanha, no entanto, afirmam que ele deve voltar a Goiás.

Em resposta à Gazeta do Povo, a assessoria do ex-governador de Goiás afirmou que ele jamais tratou de eventual composição de governo com qualquer agente político.

Segundo a nota, “após o fim do 1° turno, o único ato dele [Caiado] foi no sentido de manifestar seu apoio pessoal ao candidato Flávio Bolsonaro, posição natural dentro da atual conjuntura das eleições e coerente com sua trajetória política de 40 anos militando no campo da direita”.

Tarcísio se diz pronto para indicar quadros ao governo Flávio

Tarcísio, por sua vez, afirmou em entrevista recente que pode ceder nomes de sua equipe a um eventual governo Flávio. “A gente vai estar sempre pronto para indicar quadros que fazem parte do Governo de São Paulo, e o Flávio já tem me falado que tem interesse de levar alguns quadros que estão aqui conosco para o Governo Federal”, disse o governador à Jovem Pan um dia depois de ser reeleito no primeiro turno.

De acordo com uma pessoa próxima ao governador e a Flávio, alguns nomes que vieram do governo de Jair Bolsonaro (PL) para o Executivo paulista depois de o ex-presidente perder a Presidência da República, em 2022, também estão na lista.

São eles o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) Wagner Rosário; e o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

Também são citados o secretário da Educação, Renato Feder, para o Ministério da Educação; o secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita, para a área econômica; e o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.

Secretários que devem permanecer no governo de São Paulo

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e a secretária de Comunicação, Laís Vita, não devem sair do governo paulista, de acordo com uma fonte próxima ao governador. As duas trabalham com Tarcísio desde que ele comandava o Ministério da Infraestrutura, no governo Bolsonaro.

De acordo com uma pessoa próxima à campanha de Flávio, elas fazem parte do núcleo de confiança do governador e não têm proximidade com a equipe do candidato à Presidência da República. Natália é cotada para assumir a Casa Civil paulista no segundo mandato de Tarcísio, que começa em janeiro de 2027. Ela também foi apontada como uma possível indicação de Tarcísio ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo Flávio, de acordo com a CNN Brasil.

O secretário da Justiça e Cidadania de São Paulo, Arthur Lima, também aparece entre os nomes que poderiam ser indicados à Corte. Outro nome que não deve migrar para um eventual governo Flávio Bolsonaro é o secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Uma fonte próxima a ele afirmou que Afif pretende continuar na gestão estadual.

Quem são os quadros de Tarcísio cotados para eventual governo Flávio

Derrite comandou a Segurança Pública de São Paulo

Senador eleito com a maior votação da história do país, Guilherme Derrite é capitão da reserva da Polícia Militar, com passagem pela Rota. Foi secretário da Segurança Pública de São Paulo de janeiro de 2023 a dezembro de 2025, quando deixou o cargo para reassumir o mandato de deputado federal e relatar o projeto de lei antifacção.

Rafael Benini estruturou concessões no governo Bolsonaro

Secretário de Parcerias em Investimentos de São Paulo desde 2023, Rafael Benini é mestre em economia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor de Planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), ligada ao Ministério da Infraestrutura, de 2019 a 2022, quando Tarcísio comandava a pasta.

Caio Paes de Andrade presidiu a Petrobras no governo Bolsonaro

Secretário de Gestão e Governo Digital de São Paulo desde 2023, Caio Paes de Andrade comandou a Petrobras em 2022. Antes, integrou a equipe de Paulo Guedes no Ministério da Economia, no governo Bolsonaro.

Wagner Rosário chefiou a CGU por cinco anos

Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a mesma instituição em que  Tarcísio estudou, Wagner Rosário foi ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) de 2017 a 2022, nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro. No governo paulista, comandou a Controladoria-Geral do Estado de 2023 a 2025 e, indicado por Tarcísio, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) em setembro de 2025.

Geraldo Melo Filho presidiu o Incra no governo Bolsonaro

Economista e produtor rural, Geraldo Melo Filho é secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo desde janeiro de 2026. Presidiu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 2019 a 2022, no governo Bolsonaro.

Renato Feder recusou o MEC de Bolsonaro em 2020

Secretário da Educação de São Paulo desde 2023, Renato Feder é empresário e foi CEO da Multilaser antes de entrar na vida pública. Comandou a Secretaria da Educação do Paraná no governo Ratinho Júnior (PSD) e, em 2020, foi convidado por Jair Bolsonaro para o Ministério da Educação, mas recusou.

Samuel Kinoshita trocou o mercado financeiro pela equipe de Paulo Guedes

Secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo desde 2023, Samuel Kinoshita é economista de perfil técnico e veio do mercado, com passagens por BTG Pactual e Kapitalo Investimentos. Foi assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, de 2019 a 2021, no governo Bolsonaro.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/derrite-quadros-tarcisio-governo-flavio/

Coluna Esplanada

Imagens vazadas em hangar de Willer Tomaz cheira a arapongagem

Operação Linceu apura suspeita de repasse de informações sigilosas de processos judiciais a Willer Tomaz. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A busca e apreensão num hangar de Brasília onde fica o jatinho do advogado Willer Tomaz, ligado ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), foi tiro n’água. As fotos e vídeos vazados para a mídia (não se sabe ainda por quem) de uma operação estritamente da Polícia Federal foram seguidas de uma insinuação de descoberta de sala-cofre sigilosa, com máquinas de contar dinheiro. O cômodo, com porta-cofre, estava vazio.

Ocorre que o hangar foi usado antes de Willer por táxi aéreo que transportava malote de bancos com dinheiro, daí a destinação da sala. Mas o episódio da PF – que teria recebido uma suposta denúncia anônima – cheira a arapongagem. O caso lembra a operação da PF de março de 2002 que abateu em plena decolagem a pré-candidatura de Roseana Sarney (então governadora do Maranhão) à Presidência da República.

Ela abdicou da disputa após flagrante de centenas de maços de notas de R$ 50 no total de R$ 1,3 milhão num cofre na Lunus, empresa dela e do marido Jorge Murad em São Luís. O dinheiro não era declarado. No caso de Willer, não havia um centavo no chão, de acordo com as imagens vazadas. Mas tem gente que apostava tudo nessa Lunus 2.0.

Faltam os votos

Enquanto tentam manter a foco para o 2º turno, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro reconhecem a força que o presidente Lula da Silva (PT) ganhou com o Exército do Lula no canal do WhatsApp, comandado pelo deputado André Janones. “Lula tem trabalhado muito”, reconhece um bolsonarista. Mas na ALERJ, onde o PL é maioria, a confiança em Flávio é grande. Porque nem todo internauta é um eleitor.

Bancada do Paraná

O que circula no meio político sulista: a bancada paranaense no Senado (Filipe Barros, Deltan Dallagnol e Luís Felipe Cunha) pretende converter sua força política das urnas para o Judiciário. Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, o trio sugerirá Luiz Guilherme Marinoni para uma das futuras vagas da Corte. Marinoni é um dos grandes nomes do direito processual civil e constitucional do país.

Carros elétricos

Propostas para ampliar o acesso a carros elétricos podem pesar nas urnas para 65% dos motoristas, e 59% preferem candidatos que incentivem o uso desses veículos, segundo o Instituto Locomotiva. A visão positiva sobre esses veículos une eleitores de campos opostos: 79% dos eleitores de esquerda e 79% dos de direita consideram que eles não melhoram a qualidade de vida nas cidades. Foram ouvidos 1.300 condutores.

Voto evangélico

A conferir a partir de domingo. Em 2024, nas eleições municipais nas capitais com mais de 60 templos evangélicos por 100 mil habitantes, partidos de esquerda registraram desempenho menor no 2º turno, segundo estudo de Helcimara Telles, Rafael Fonseca e Paulo Gracino Junior. A pesquisa está no livro Eleições Municipais e o que elas antecipam para 2026. (FGV Ed.), em que analisam como o crescimento das igrejas afeta as eleições.

Frango vetado

Após a Malásia e México suspenderem a compra de frango brasileiro, o Ministério da Agricultura realiza ações de resposta ao foco da doença de Newcastle, vírus que afeta aves silvestres e domésticas, identificado em criação de perus de corte em Nova Itaberaba (SC). Foi declarado estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em SC.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/imagens-vazadas-de-sala-cofre-em-hangar-de-willer-tomaz-cheira-a-arapongagem/

Francisco Escorsim

O soldado de Janones e o exorcismo digital

Respirar política 24 horas por dia acaba com a saúde mental de qualquer um. (Foto: Imagem criada utilizando Google Gemini/Gazeta do Povo)

Arnaldo ajustou os óculos e encarou o prontuário. À sua frente, Lineu sentava-se na ponta da cadeira com o olhar vítreo de quem não dormia desde o nascimento de Cristo. Suas pálpebras tremiam em um código Morse involuntário, e os polegares faziam movimentos frenéticos de rolagem de tela no vazio.

“Doutor, não estou me sentindo muito bem…”

O médico levantou o olhar do prontuário para o paciente e conteve um suspiro. Lineu vestia uma camiseta vermelha surrada, recheada de adesivos eleitorais. Já imaginava do que se tratava.

“O que está sentindo?”

Lineu se inclinou para a frente, os olhos arregalados de paranoia.

“Não sei direito, está difícil de pensar… Acho que começou depois do primeiro turno. Ninguém esperava aquilo, doutor! Precisava fazer alguma coisa. Alistei-me no exército do Janones. No começo era só um post aqui, um like acolá. Mas a coisa meio que saiu do controle. Vivo de prontidão. Se o meu despertador toca de manhã, mal acordo já estou dando repostando com comentário. Talvez seja só cansaço, não sei. Minha mulher que me obrigou a vir, na verdade…”

Arnaldo afastou o prontuário e anotou algo em outro papel.

“E o que mais?”

“Ontem ela pediu para comprar macarrão pro almoço. Olhei com ódio, de braços cruzados, e disse: ‘Macarrão? Justo agora que a extrema direita está avançando com mais um vídeo daquele piá de bosta? Você quer que eu me desmobilize por causa de carboidrato?’ Enfim, acho que exagerei, não sei… Pior que passei a tarde inteira me segurando pra não assistir ao tal vídeo, não comentar, não responder… Assim a gente desestabiliza o algoritmo deles, sabe? Fiquei tão cansado, doutor…”

O paciente puxou o ar, peito arquejando.

As pálpebras de Lineu tremiam em um código Morse involuntário, e os polegares faziam movimentos frenéticos de rolagem de tela no vazio

“À noite foi pior. Meu filho de 7 anos me mostrou um desenho da escola. Era uma casinha amarela com um sol brilhante. Entrei em pânico. Peguei o papel e gritei: ‘Quem te pagou para fazer propaganda?’ O menino chorou. Confisquei o lápis de cor amarelo e aí complicou… Minha mulher me obrigou a dormir na sala.”

O médico parou de anotar, tirou os óculos e olhou com misericórdia para Lineu:

“Tenho atendido muita gente com Transtorno de Ansiedade de Urna, Lineu, mas este não é seu caso. Seu problema não é físico, é espiritual.”

“O quê?! Um demônio me pegou por causa da política? Eu sabia que esse Jair era coisa do capiroto!”

“Não, Lineu…” – Arnaldo respirou fundo, recostando-se na cadeira – “O diabo não precisa possuir as suas cordas vocais para fazê-lo falar bobagem, só precisa cercar a sua mente. Você não se alistou em exército nenhum, apenas transformou sua mente em um puxadinho do inferno. O senhor não está ansioso, está sitiado.”

“Jesus, Maria e José! E agora, doutor?”

“Recomendo um exorcismo digital. Sete dias de jejum absoluto de redes sociais. Mas sei que isso é difícil, então tente, pelo menos, remediar o estrago. Se o Janones postar que tem um vídeo bombástico que vai mudar os rumos da história humana, pare tudo e vá rezar um terço. Se alguém usar os termos como ‘urgente’ acompanhado de emoji de giroflex, jogue o celular no congelador e vá assistir a um documentário sobre pinguins se acasalando, sei lá, algo assim.”

VEJA TAMBÉM:

Lineu pegou o papel do receituário como quem segura um tratado de paz assinado sob protesto.

“E se a narrativa deles vencer porque eu estava assistindo a pinguins transando, doutor?”

“O mundo vai continuar na segunda-feira, Lineu, com eles ou vocês vencendo.”

Lineu se levantou, guardou a receita e caminhou até a porta. Antes de sair, parou, semicerrou os olhos e encarou o médico:

“Doutor… esse jaleco branco… O senhor quase me enganou, fazendo parecer que o futuro é uma página em branco. Mas eu sei que é uma mensagem subliminar de neutralidade irresponsável. O senhor é deles!”

Lineu saiu furioso, discursando na sala de espera sobre o fim do mundo se “eles” vencerem. Arnaldo levantou, fechou a porta do consultório, voltou à mesa, suspirou e balançou a cabeça. Retomou o prontuário da Secretaria de Saúde e anotou o diagnóstico: virose.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/soldado-de-janones-exorcismo-digital/

Sócio de Willer Tomaz foi advogado de Lula e Haddad e ministro de Dilma até o impeachment

Eug´nio Arag≤ao, ex-ministro da Justiça e e sócio de Willer Tomaz.

Eugênio Aragão, o verdadeiro sócio de Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal, foi advogado de Fernando Haddad (PT) na campanha de 2018 e voltou a fazer o mesmo trabalho na campanha de Lula em 2022. Ele é conhecido em Brasília sobretudo pelo ativismo de esquerda. Atuou fortemente para impedir a primeira eleição de Jair Bolsonaro (PL), tendo sido derrotado, e depois contra a reeleição do ex-presidente. Petistas dizem terem sido dele as alegações mais “maldosas” contra adversários.

Prêmio petista

Com tamanha devoção ao PT, Aragão foi ministro da Justiça de Dilma, que o nomeou para reforçar sua defesa contra o impeachment.

Pouco tempo

Dilma Rousseff nomeou Eugênio Aragão ministro da Justiça em março de 2016, mas no mês de maio seguinte ambos ficaram desempregados.

Aposentadoria

Após sua saída do MJ, subprocurador Eugênio Aragão retomou a carreira no Ministério Público Federal até se aposentar no ano seguinte.

Já há 9 anos

Foi também no ano seguinte, 2017, que Eugênio Aragão se juntou a Willer Tomaz no escritório Aragão & Tomaz Advogados Associados.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/socio-de-willer-tomaz-foi-advogado-de-lula-e-haddad-e-ministro-de-dilma-ate-o-impeachment

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