Adiamentos em série frustram expectativa da PF de concluir inquérito do Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, na prisão. (Foto: SAP-SP/EFE)

A Polícia Federal queria fechar ao menos uma das principais frentes da Operação Compliance Zero ainda em agosto. Quase dois meses depois, o que se vê é uma agenda esburacada. Depoimentos cancelados, remarcados ou simplesmente sem data, num caso que é tratado como um dos maiores escândalos financeiros e políticos do país.

Nesta quinta-feira (15), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um diretor do banco BRB prestaram depoimento. Mas as oitivas não resolvem um atraso considerável dos interrogatórios.

Com o segundo turno das eleições marcado para 25 de outubro, a avaliação de quem acompanha as investigações é de que o cenário dificilmente mudará nos próximos dias.

O que antes era tratado como a etapa final de coleta de informações em pelo menos um dos inúmeros inquéritos sobre o Master virou uma corrida contra o relógio. Cada oitiva que não é realizada empurra a seguinte, reduz o tempo para analisar o material e afasta a conclusão dos relatórios.

A rodada mais recente de adiamentos atinge justamente testemunhas que poderiam esclarecer a atuação do Banco Central e sua relação com o Master. É uma frente sensível. A PF tenta reconstruir reuniões, comunicações e decisões envolvendo ex-servidores do BC investigados por suspeita de favorecer o banco de Daniel Vorcaro.

Primeiro foi André Esteves, controlador do BTG Pactual. Ele deveria depor em 5 de outubro como testemunha, mas a defesa pediu a mudança alegando compromissos profissionais. Não há nova data.

Dois dias depois, em 7 de outubro, foi a vez de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Intimado também como testemunha, ele teve a oitiva cancelada a pedido de seus advogados. A PF ainda não definiu quando tentará ouvi-lo de novo.

Os investigadores querem saber o que ele sabia sobre a relação entre ex-servidores da autarquia e Vorcaro, e sobre possíveis favorecimentos ao antigo banco.

As duas oitivas integram a mesma linha de apuração que já ouviu o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino. Assim, peças que poderiam funcionar como fechamento de um capítulo da investigação deixaram de ocorrer nas datas previstas.

O calendário eleitoral entra no radar

Oficialmente, as justificativas das defesas são processuais. O argumento mais frequente é a falta de acesso integral aos autos, necessário, segundo os advogados, para preparar os depoimentos. Nos bastidores, porém, investigadores enxergam outro componente: o período eleitoral e, neste momento, a proximidade do segundo turno com a incerteza sobre o ambiente político que surgirá depois das urnas.

O caso Master atravessa diferentes centros de poder: Executivo, Congresso, Banco Central, BRB, STF e personagens envolvidos em disputas eleitorais. Dependendo do resultado, mudanças de governo e na composição do Congresso poderão alterar o cenário em que os inquéritos serão recebidos em 2027.

Para os investigadores, essa é uma variável que não existia quando a apuração começou – apesar de já se imaginar que, pela dimensão do caso, ele atravessaria o ano.

O efeito prático é delicado. Quanto mais as oitivas são empurradas para frente, menor a chance de concluir determinadas frentes.

A nova oitiva de Vorcaro

Vorcaro foi ouvido presencialmente pela PF nesta quinta-feira (15), na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, onde está preso há sete meses.

A expectativa era de que o ex-banqueiro falasse sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB e sobre a negociação de carteiras de crédito que apresentariam indícios de irregularidades. Segundo a defesa, Vorcaro responderia às perguntas dos investigadores e sustentaria a legalidade da operação financeira, barrada pelo Banco Central em setembro de 2025.

Investigadores chegaram a admitir que havia a possibilidade de que essa oitiva também fosse adiada, repetindo o padrão das últimas semanas. A avaliação se baseava no histórico recente: pedidos de acesso aos autos, necessidade de análise do material e sucessivos reagendamentos.

Mesmo com o depoimento, a defesa tem sustentado que o ex-banqueiro tem interesse em prestar esclarecimentos, mas precisa conhecer o conjunto de elementos que embasam as suspeitas.

Foi em setembro que os adiamentos passaram a ter impacto mais direto sobre o cronograma, envolvendo diretamente Vorcaro. Ele aparece em diversos inquéritos derivados da Compliance Zero, e cada oitiva tem objeto próprio. Não se trataria de um único depoimento, mas de várias peças essenciais para fechar o quebra-cabeça do ecossistema Master.

A audiência desta quinta-feira (15) serviu para esclarecer parte dos pontos ainda em investigação. Com base nesse depoimento, a PF acredita que seja possível concluir o relatório de pelo menos uma das diversas frentes em apuração sobre as fraudes do Master.

Vale lembrar que outro depoimento agendado previamente para 24 de setembro e ligado a outro elemento investigativo, ao grupo conhecido como “A Turma”, foi adiado. Os advogados queriam analisar relatórios, provas, depoimentos e telefones de outros investigados antes de permitir que o cliente fosse interrogado.

A oitiva acabou realizada em 30 de setembro e Vorcaro negou conhecer ou integrar a estrutura. Seu pai, Henrique Vorcaro, que está preso em Minas Gerais e prestou depoimento no mesmo dia, também manteve a mesma linha de manifestação.

Para investigadores, nem todo adiamento significa que a diligência deixou de acontecer. Muitas vezes a defesa consegue nova data e o depoimento ocorre depois. O problema para a PF é o efeito acumulado, já que cada mudança desloca outras diligências e comprime o tempo disponível para cruzar informações e elaborar os relatórios finais.

Pedido de prorrogação em agosto e o prazo que se esgota em outubro

Agosto foi o mês em que a expectativa de fechar um dos inquéritos começou a ruir. As diligências pendentes levaram a PF a pedir mais 60 dias para concluir a investigação sobre operações envolvendo o Master e o BRB. Esse prazo termina agora, em outubro, com oitivas travadas.

Foi também nesse período que Vorcaro foi ouvido por cerca de quatro horas, por videoconferência, em investigação sobre dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Master.

Segundo a defesa, foi a primeira oportunidade de o ex-banqueiro responder às acusações. Em outra ocasião, um depoimento chegou a ser adiado por suposto problema de conexão, justamente no dia em que ele falava ao gabinete do relator do caso no STF, ministro André Mendonça. A oitiva com a PF foi remarcada para o dia seguinte, mas pouco contribuiu para fazer avançarem as apurações. Vorcaro voltou a negar irregularidades, corrupção e cooptação de servidores públicos.

Alguns nomes se tornaram emblemáticos da dificuldade. Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, teve o depoimento adiado três vezes. A oitiva, marcada para 3 de agosto, foi suspensa a pedido da defesa, que alegou não ter acesso integral aos autos. Não há nova data.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) também teve a oitiva adiada. Sua defesa informou que problemas técnicos impediram o acesso integral ao material e sustentou que o parlamentar só deveria falar depois de conhecer os elementos reunidos pela polícia.

Wagner é investigado em uma frente que apura sua relação com Augusto Lima e suspeitas de vantagens indevidas. O senador nega. Reeleito na Bahia em 4 de outubro, ele ainda não foi ouvido e não há data divulgada para que isso ocorra.

Com esses cancelamentos, o cronograma original, que previa a conclusão do primeiro inquérito ao fim de agosto, ficou comprometido. A previsão foi empurrada para setembro e, agora, segue sem horizonte claro.

Um problema que se arrasta há meses

O estrangulamento da agenda não começou agora. Desde o primeiro semestre, a PF enfrenta dificuldades para ouvir personagens essenciais à reconstrução das operações do Banco Master e de suas relações com instituições financeiras, autoridades e agentes políticos.

Desde janeiro há suspensões de depoimentos de nomes ligados à diretoria do BRB, sócios do Master, ex-sócios de Vorcaro e familiares do ex-banqueiro, quase sempre sob a alegação de falta de acesso aos autos.

A primeira fase da Compliance Zero foi deflagrada em novembro do ano passado. Desde então, quase duas dezenas de depoimentos considerados essenciais teriam sido adiados, suspensos ou remarcados. Fontes a par das apurações dizem que o problema ganhou força a partir de agosto e se intensificou entre o fim de setembro e o início de outubro.

Não existe contagem oficial consolidada pela PF de todas as oitivas que deixaram de ser realizadas, pois a investigação foi desmembrada em vários inquéritos e procedimentos, e uma mesma pessoa pode ter mais de um depoimento marcado.

Ao menos 20 oitivas tiveram datas afetadas: três investigados com depoimentos suspensos em janeiro; uma série de adiamentos de Augusto Lima, com a terceira suspensão em agosto; o adiamento de Jaques Wagner; as diferentes remarcações de Vorcaro ao longo do ano; e, em outubro, os casos de André Esteves e Roberto Campos Neto.

A dificuldade de encerrar uma frente também reflete o tamanho da investigação. A Compliance Zero começou em novembro de 2025, com a prisão de Vorcaro e outros investigados, quando a PF apurava a fabricação de carteiras de crédito sem lastro e sua negociação com o BRB.

Desde então, deixou de ser uma apuração restrita a essa operação e passou a abranger suspeitas de fraude financeira, atuação de servidores do Banco Central, relações com agentes políticos, movimentações internacionais, contratos, emendas e estruturas empresariais com sustentação nos três poderes.

A nona fase, por exemplo, levou a PF a investigar a relação de Jaques Wagner com Augusto Lima, sob suspeita de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, acusações negadas pelo senador.

A PF não depende apenas de ouvir investigados. Além dos depoimentos, a entidade precisa cruzar esses conteúdos com documentos, mensagens, dados bancários, informações fiscais e material obtido em buscas e quebras de sigilo. Um depoimento adiado pode, portanto, deslocar outras etapas que dependem de seu conteúdo.

O que está em jogo

O principal efeito dos adiamentos não seria apenas a mudança de datas. É a possibilidade de que uma investigação que já deveria estar entrando na fase de conclusão atravesse o período eleitoral e avance para 2027.

O desafio da PF seria recuperar o cronograma sem abrir mão das garantias das defesas. Os advogados sustentam que ninguém deve depor sem conhecer integralmente os elementos que embasam as suspeitas.

Enquanto o STF, o Banco Central, o BRB, parlamentares, empresários e o próprio sistema financeiro aparecem em diferentes capítulos do caso Master, uma constatação se impõe entre investigadores: a cada depoimento que não acontece, a conclusão do caso Master fica mais distante.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/adiamentos-em-serie-frustram-expectativa-da-pf-de-concluir-inquerito-do-master/

Sílvio Ribas

Lula busca se mostrar isento dos próprios erros e renovado pela promessa de reparações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se apropriou da PEC da Segurança Pública como mais uma bandeira de campanha para tentar virar votos às vésperas do segundo turno. (Foto: EFE/ Andre Borges)

No momento de maior exposição na campanha de segundo turno, durante entrevista na noite desta quinta-feira (15) na TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou apresentar-se como candidato descolado dos próprios erros e engajado com pautas que historicamente rejeitou.

Ao longo de dois blocos de perguntas, se esquivou de temas espinhosos, ora culpando o tempo insuficiente para sanar passivos deixados pela gestão anterior, ora alegando incompreensões do público e até chegando a se dizer desinformado de fatos, como a falta de reajuste no Bolsa Família desde 2022.

O petista buscou mostrar-se como cidadão indignado com o noticiário, mesmo que os fatos digam respeito a escolhas relacionadas à sua própria estratégia para governar. Escândalos como o do Master foram apresentados como estarrecedores, mas alheios à sua alçada.

A responsabilização de colaboradores mereceu boa dose de escapismo, reforçado pela tese de que erros morais precisam de reformas institucionais, o que o coloca numa posição acima das polêmicas. Nesse ponto, ensaiou o discurso da direita, ao condenar juízes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula driblou ainda o questionamento de medidas orientadas pelo calendário eleitoral, desfiando propaganda de pretensas realizações e cedendo em pontos que mostram preferência popular, como a redução da maioridade penal, algo a que sempre se posicionou contrariamente. Agora, admite.

O presidente foi coerente com sua história somente no terreno econômico, ao tentar justificar o caos fiscal em que meteu o país nos últimos tempos. Para responder, recolocou a tese teimosa de que age em favor do crescimento econômico, visto como a única solução para os déficits.

Lula ainda chamou os ajustes necessários nas despesas federais de punição aos mais pobres, sem levar em conta desperdícios, desvios e má gestão. Uma fala que serve para anular as próprias falhas e ainda jogar sobre a alternativa de poder, representada pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL), a pecha de insensibilidade.

Sem apelar tanto à costumeira arrogância de suas supostas entregas passadas, Lula fez questão de encobrir a realidade da sua escassez de apoio parlamentar e das tensões geopolíticas que produz no Ocidente. Para ele, a população deveria lhe reconhecer habilidades que os fatos não sustentam.

Demandas graves como segurança pública e endividamento das famílias foram tratadas pelo candidato como assuntos com os quais já vem lidando e propondo soluções, deixando para um eventual novo mandato o deslinde das promessas não realizadas. Lula e suas medidas excepcionais e eleitoreiras chegam a poucos dias das urnas premidos pela rejeição e pelo embuste.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/lula-tenta-se-mostrar-isento-dos-proprios-erros-e-renovado-pela-promessa-de-novos-rumos/

Não gosta da esquerda de hoje? Vai piorar: conheça os novos extremistas eleitos em 2026

Ana Elisa, Renato Freitas e Guilherme Cortez: jovens políticos da esquerda mais extrema e radical que chegam à Câmara em 2027 (Foto: Ricardo Stuckert/PT/Ana Elisa), Orlando Kissner/Alep/Renato Freitas e Rodrigo Costa/Alesp/Gustavo Cortez)

Se você não gosta da esquerda de hoje, espere para conhecer a próxima. Parte dela foi eleita no último dia 4 e chega à Câmara e às assembleias legislativas falando em revolução, reestatização, legalização do aborto e fim do ensino religioso nas escolas públicas.

Composta por jovens que se projetaram na internet, essa turma quer ocupar o espaço do lulismo apostando em ideias extremas. Mas, enquanto os velhos sindicalistas do PT ainda negociavam com o patrão, a nova geração olha torto para quem acredita em diálogo.

A lista tem mais de 20 nomes espalhados por sete estados e pelo Distrito Federal, divididos entre PT, PSOL e PCdoB. O grupo reúne influenciadores comunistas, militantes de movimentos sociais e ativistas woke. Alguns vão assumir o primeiro mandato. Outros já tinham uma cadeira e passaram para um cargo diferente.

Mas será que esse bloco vai fazer alguma diferença? Ou só aumentar o barulho dos camaradas que já vivem de gritaria?

“Muso” de Caetano Veloso

Os novos parlamentares se destacam pela votação expressiva, pela forte presença digital ou pelas propostas que combinam Marx, agenda identitária e métodos de ditaduras socialistas — tudo, claro, com uma conta salgada para o contribuinte pagar.

Aos 21 anos e com 524 mil votos para deputada federal, Ana Elisa (PT-MG) foi chamada para ajudar Lula na internet, mas virou dor de cabeça com prints antigos sobre “zoar brancos” e proibir padres nas redes. Suas propostas de campanha incluíram ampliar benefícios estudantis e cotas raciais. Ou seja: uma embalagem digital para a velha receita de expandir o Estado.

Já Renato Freitas (PT-PR), conhecido por invadir uma igreja católica e se envolver numa briga de rua em plena luz do dia, vai trocar a Assembleia Legislativa do Paraná por Brasília. O advogado defende a legalização da maconha e, quando o assunto é polícia, troca a pose de valentão pelo discurso contra a violência.

Estreando direto na Câmara, Jones Manoel (PSOL-PE) faz questão de se definir como comunista, marxista-leninista e revolucionário. Ele quer reestatizações, jornada de 30 horas sem redução salarial, anistia a pequenos traficantes e fim do ensino religioso nas escolas públicas.

Dublê de historiador, influencer e debatedor profissional, Jones também é uma espécie de “muso” de Caetano Veloso — que admitiu olhar com mais carinho para o socialismo depois de seguir suas dicas de leitura.

Só pensa na China

Outro que já começa no Congresso, Elias Jabbour (PCdoB-RJ) só pensa na China. Assessor direto de Dilma no Banco dos Brics, o geógrafo fala em reindustrialização comandada pelo Estado e revogação do arcabouço fiscal. Em bom português: mais poder para o governo, menos freio para os gastos.

Com jeito de bom moço e discurso “ecossocialista”, o advogado Guilherme Cortez (PSOL-SP) passa de deputado estadual a federal. Seu programa vai da regulação de aluguéis e reversão de privatizações à legalização do aborto e da maconha, com o rompimento de relações com Israel no pacote.

Quem chega pela primeira vez à Assembleia paulista é Sofia Favero (PSOL), que fez fama com a página Travesti Reflexiva e deve muito ao apadrinhamento de Erika Hilton. Recebeu 407 mil votos e põe na conta da direita a insistência no tema do pronome neutro.

Também no âmbito estadual, Humberto Matos (PCdoB) chega ao parlamento gaúcho com um currículo parecido com o de Jones Manoel: é professor de História e influenciador especializado em discussões sem fim no YouTube.

Humberto quer organizar a juventude radicalizada na internet e se inspira na China para planejar os gastos públicos em ciclos de cinco anos — porque, pelo visto, o Estado brasileiro ainda manda pouco.

Radical até no nome

Parte desse movimento se organizou na autointitulada Bancada da Esquerda Radical, lançada em julho por figuras como Jones Manoel, Renato Freitas e os já veteranos psolistas Sâmia Bomfim e Glauber Braga. O manifesto do grupo propõe revogar as reformas trabalhista e previdenciária, acabar com a autonomia do Banco Central, regular preços e promover reestatizações.

Muita intervenção? Para eles ainda é pouco. “O manifesto é da esquerda radical, mas o programa não é socialista”, explicou Sâmia ao site Ópera Mundi.

Segundo ela, são medidas que “servem para o avanço de consciência da população” — na direção que a militância considera correta, naturalmente.

Mas se o antigo sindicalismo sentava à mesa para negociar salários e benefícios, a nova extrema-esquerda não está muito para conversa com a “burguesia”. Pelo contrário: seu discurso, pelo menos no papel, tem tintas revolucionárias.

No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, todos ainda estão no mesmo palanque. Depois da eleição é que veremos quem topa fazer acordo e quem leva a conversa de revolução a sério.

Uísque e charuto

Isso não significa que a paz reine na extrema-esquerda. Afinal, rachar o movimento é uma tradição mais antiga do que o próprio Manifesto Comunista.

Elias Jabbour, que não faz parte da Bancada da Esquerda Radical, já provocou os camaradas ao perguntar como o grupo pretende aprovar seu programa sem negociar com o Centrão. Glauber Braga respondeu com Lênin: o mandato deve servir para mobilizar as ruas e pressionar o Congresso, não para convencer dirigentes em conversas regadas a uísque e charuto.

Mais tarde, Jabbour reconheceu a importância da pressão popular defendida por Glauber e companhia. E a revolução sobreviveu à tensão.

Mas sempre aparece alguém para avisar que o radicalismo está meio aguado. O decano Zé Maria, do PSTU, disse que a bancada presta um “desserviço” à construção de uma alternativa política para os trabalhadores.

Para ele, apoiar Lula mantém esse eleitorado preso ao PT. E um programa sem ruptura imediata com o capitalismo é concessão demais.

Guilherme Boulos também já deu suas alfinetadas nos extremistas. Famoso por invadir prédios com o MTST, ele chamou o movimento de “academicista” e “lacrador”, que “só prega para convertido” e “não bota dez pessoas na rua”.

A rixa é antiga. Jones Manoel acusa Boulos de tentar barrar sua candidatura pelo PSOL e diz que o ministro se acomodou ao governismo. “O Brasil tem uma coisa muito curiosa: os nossos radicais deixam muito rápido de ser radicais”, afirmou o youtuber, em entrevista para a Folha de S.Paulo.

Minoria barulhenta

As brigas internas, no entanto, não têm impedido a extrema-esquerda de pautar o Congresso e conquistar apoio para suas propostas.

Para a advogada Anne Dias, comentarista da Gazeta do Povo, a mobilização de Erika Hilton pelo fim da escala 6×1 é um exemplo de como uma minoria consegue colocar os demais parlamentares sob pressão. “Uma voz sozinha conseguiu fazer todo esse barulho”, diz.

Um deputado não precisa convencer os colegas a aderir ao socialismo. Basta tornar uma proposta popular o suficiente para que votar contra ela pareça um risco eleitoral.

E o alerta não se limita à esquerda. A advogada teme que parlamentares da nova direita também abracem projetos populistas para agradar ao público e garantir a reeleição.

Mobilizados pelo ressentimento

Para Anne Dias, portanto, é um erro tratar o fenômeno dos jovens políticos radicais de esquerda como apenas um bando de perfis barulhentos na internet.

Esses nomes, segundo ela, devem ocupar o espaço deixado pelo lulismo — incapaz de preparar sucessores e acompanhar as mudanças na comunicação. “O lulismo morreu, a esquerda não morreu. A esquerda sempre existiu e vai continuar existindo”, afirma a comentarista.

Não que Lula ainda não seja a figura central do seu campo político. Mas novas lideranças vêm construindo uma relação própria com o eleitor, sem depender da bênção do presidente. E a diferença, para Anne, está principalmente na maneira de conquistar esse público.

Ela destaca a fórmula usada por Ana Elisa em sua campanha de mais de meio milhão de votos em Minas Gerais: apresentar o adversário como inimigo e manter a audiência mobilizada pelo ressentimento. “É a estratégia de separar o mundo em dois e atacar o meu oponente”, explica.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/nao-gosta-esquerda-de-hoje-vai-piorar-conheca-novos-extremistas-eleitos-2026/

Para ajudar Lula, Alcolumbre transforma Senado em “fim de feira”

Davi Alcolumbre não conseguiu que a PEC da Segurança Pública fosse votada nesta quinta-feira. (Foto: ChatGPT sobre foto de Carlos Moura/Agência Senado)

Dependente da reeleição de Lula para sua sobrevivência política como presidente do Senado, Davi Alcolumbre resolveu transformar a casa que comanda em uma extensão dos interesses da dupla, e para isso instalou um clima de “fim de feira”. Com a perspectiva de um Senado mais conservador a partir de fevereiro de 2027, a ordem, agora, é correr com absolutamente tudo que convenha aos dois – e, no caso de Lula, possa dar uma força à sua campanha pelo quarto mandato presidencial. Quem perde com esse acordo espúrio, obviamente, é o país – e tudo isso com a ajuda de praticamente todos os demais senadores, que abriram mão da decência na quarta-feira e, se não reencontrarem o rumo o quanto antes, serão cúmplices do rebaixamento da casa legislativa.

Após a aprovação do fim da escala 6×1, a bola da vez era a PEC da Segurança Pública, outro projeto muito caro ao petismo, já que o tema está entre as prioridades dos brasileiros nesta eleição – em parte, porque a conhecida leniência petista com o crime ajudou a deixar o país refém da bandidagem – e Lula quer desesperadamente ter algo a mostrar ao eleitor, para fingir que está agindo. A despeito de alguns itens positivos, como um regime jurídico mais rigoroso para membros de facções, é um projeto ruim, que cristaliza na Constituição a visão esquerdista sobre o tema: uma visão ainda leniente com a criminalidade em geral (basta ver como a bancada petista inviabilizou uma tentativa de reduzir a maioridade penal, demanda da maioria dos brasileiros) e centralizadora, simbolizada pelo Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que tira protagonismo dos governadores, aqueles que conhecem melhor os desafios de seus estados.

Relações de trabalho, segurança pública, um Código Civil e uma indicação ao Supremo são temas de enorme importância; senador nenhum tem o direito de brincar dessa forma com o futuro do país

Ao menos nesta quinta-feira, Lula não conseguiu o que desejava: a discussão sobre a maioridade penal colocou em risco a aprovação da PEC, fazendo Alcolumbre retirá-la da pauta. Mas o Senado compensou fartamente o petista ao aprovar, na sessão deste dia 15, o perdão das dívidas tributárias dos microempreendedores individuais (MEIs), uma irresponsabilidade fiscal e moral, pois trata como idiotas os MEIs que se esforçam para cumprir suas obrigações para com o Fisco.

O plano da dupla Lula-Alcolumbre, portanto, está tendo sucesso, apesar do pequeno contratempo com a PEC da Segurança Pública. E as más notícias não terminarão por aí. Um projeto que felizmente havia entrado em modo de hibernação ressurgirá em breve, com a mesma pressa imposta ao fim da escala 6×1 e à PEC da Segurança. Segundo informações de bastidores, o nefasto Novo Código Civil também deve entrar na pauta o quanto antes – sem a devida discussão, assim como ocorreu com as duas PECs. A Gazeta do Povo já destrinchou o projeto em várias ocasiões, mostrando como ele não passa de uma colcha de retalhos ideológica, que afetará de modo decisivo (e para muito pior) temas como a defesa da vida, o direito de família, a liberdade de expressão, o respeito aos contratos e o direito do consumidor. Trata-se praticamente de uma demolição do edifício atual – uma demolição que nem de longe era demandada pela sociedade, nem mesmo pela comunidade jurídica – para se erguer algo inteiramente novo, sem que os representantes do povo tenham tido a ocasião de discutir o que já descrevemos como a espinha dorsal do ordenamento jurídico brasileiro.

E, não contente em acelerar a tramitação do Código Civil, Alcolumbre ainda quer recompensar o seu criador: o ex-senador e agora ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco. Ele era o preferido de Alcolumbre para ocupar a cadeira aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF; Lula insistiu em indicar seu advogado-geral, Jorge Messias, e a disputa azedou as relações entre o presidente da República e o presidente do Senado, resultando na histórica rejeição do nome de Messias no plenário. Mas isso são águas passadas e, segundo a Folha de S.Paulo, Lula estaria disposto a recompensar a ajuda dada por Alcolumbre nos últimos dias, tirando Pacheco do “prêmio de consolação” que ele havia recebido no TCU, e realizando o seu verdadeiro sonho. Nem é preciso dizer que o mero fato de ser o pai do projeto do Novo Código Civil já bastaria para desqualificá-lo ao cargo de ministro do Supremo, mas o que mancha definitivamente seu histórico é sua omissão diante dos abusos do STF; tendo presidido o Senado entre 2021 e 2024, Pacheco nada fez com os vários pedidos de impeachment que já povoavam sua mesa, inaugurando a tradição de covardia continuada por Alcolumbre.

É possível conter essa onda de descalabros? Sim, mas os senadores não deram, até agora, nenhuma demonstração de que irão fazê-lo. Apenas Hamilton Mourão votou contra a PEC que acabava com a escala 6×1 e reduzia a jornada de trabalho semanal; outros cinco não compareceram em ao menos um dos dois turnos de votação; todos os demais, incluindo muitos senadores da oposição, deram seu aval a uma proposta cujos efeitos estão longe de terem sido devidamente discutidos, e entregaram de bandeja a Lula um trunfo eleitoral. Em vez de repetir a obstrução bem-sucedida do início de setembro, cederam ao populismo fácil em vez de fazer o certo, por mais difícil que fosse. No dia seguinte, repetiram a dose no projeto sobre as dívidas dos MEIs – desta vez, não houve um único voto contrário sequer.

Sabemos que há senadores caracterizados pela adesão convicta, ideológica, ao erro. Outros, como o próprio Alcolumbre, estão afundados até o pescoço no “acordão” feito com Lula. Mas e os demais? O que explica tamanha pusilanimidade, tamanha falta de pulso na defesa de suas ideias e na oposição aos planos do governo? Pura conveniência eleitoral? Ressentimento por uma derrota em 4 de outubro? Alguma crença fantasiosa na possibilidade de que lhes sobrem algumas migalhas do dividendo eleitoral que Lula colherá para si com a aprovação desses projetos? Algum outro motivo igualmente incompreensível?

Não se trata de simplesmente fazer oposição por oposição, mas de barrar propostas ruins, seja derrubando-as diretamente, seja freando sua tramitação para que haja discussão mais serena e, principalmente, descontaminada do processo eleitoral. Relações de trabalho, segurança pública, um Código Civil e uma indicação ao Supremo são temas de enorme importância, e as decisões que estão sendo tomadas agora ou serão tomadas nos próximos dias terão consequências por muitos anos. Senador nenhum tem o direito de brincar dessa forma com o futuro do país. Com o estrago já feito em alguns casos, ainda é possível impedir que nos próximos dias o desastre se torne ainda maior, mas isso exigirá uma coragem que anda desaparecida.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/lula-davi-alcolumbre-senado-pressa-pecs/

Fim da escala 6×1 pode levar país a nova onda de falências em 2027

Avanço da PEC que reduz jornada partiu de acordo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O fim da escala 6×1, aprovado no Senado nesta quarta-feira (14), pode ampliar a crise financeira das empresas brasileiras e trazer uma nova onda de recuperações judiciais, extrajudiciais e falências já em 2027.

O custo da folha de pagamento pode subir até 20% para negócios que operam com jornada de 44 horas, conforme projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Na avaliação do setor produtivo, o choque de custos não cabe nas margens das companhias e tende a ser repassado aos preços, convertido em demissões ou, no limite, em fechamento de empresas.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc), Luiz França, pediu uma transição gradual lembrando que, no Chile, a redução da jornada ocorreu ao longo de cinco anos. No Brasil, as mudanças ocorrerão em um prazo muito menor.

Pelo texto aprovado, a jornada máxima semanal será reduzida das atuais 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado por semana. As empresas terão 60 dias após a promulgação da emenda constitucional para adotar a escala 5×2, em que se trabalha cinco dias e se folga dois, e limitar a jornada a 42 horas semanais.

Doze meses depois, o limite cairá para 40 horas. Ou seja, dependendo da data da promulgação da proposta de emenda constitucional (PEC) aprovada, os primeiros impactos devem chegar às empresas já no início de 2027.

Empresas endividadas podem sentir mais o impacto da redução da jornada

Apenas a criação da segunda folga remunerada acrescenta 9,1% nos custos com trabalhadores com carteira assinada, apontaram entidades empresariais em posicionamento conjunto divulgado na semana passada – dentre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para essas entidades, a mudança atinge as empresas em um momento delicado – com endividamento das famílias em nível recorde, juros elevados e desaceleração da atividade –, ameaçando agravar ainda mais a situação econômico-financeira das companhias.

Em julho, 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes, o maior número desde 2016, com dívidas de R$ 238,6 bilhões, segundo a Serasa Experian.

A pressão financeira também aparece nos indicadores de insolvência: o estoque de empresas em recuperação judicial cresceu 6,2% no primeiro semestre, enquanto o país registrou 55 recuperações extrajudiciais até outubro, o terceiro maior número da série histórica, iniciada em 2004. No mesmo período, 66 novas falências foram registradas, segundo a RGF Associados.

Thaiz Nóbrega, especialista em direito do trabalho do Albuquerque Melo Advogados, aponta que os riscos gerados pela mudança são significativos. “Para empresas que já operam com margens de lucro apertadas, o aumento repentino de custos fixos sem ganho imediato de produtividade cria pressão severa no caixa”, afirma.

Em mercados muito concorridos, o repasse integral ao consumidor pode custar receita; pequenos e médios negócios (PMEs) e setores de operação contínua, com pouca folga financeira, sentiriam o impacto primeiro.

Setores intensivos em mão de obra presencial e cobertura de seis a sete dias por semana — comércio varejista e supermercados, bares, restaurantes e hotelaria, serviços de segurança e limpeza, clínicas e hospitais privados, além de moinhos, metalúrgicas e frigoríficos — estão entre os mais expostos, na avaliação dela.

Fim da escala 6×1 eleva custos de empresas e pressiona produtividade

Empresários e executivos alertam que a aprovação sem uma análise adequada compromete a competitividade nacional, e o custo extra para as empresas tende a virar aumento de preços ou retração de investimentos.

“A discussão pode trazer incertezas sobre os custos trabalhistas, a produtividade e os efeitos sobre a inflação e as contas públicas”, diz Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

A mudança na jornada de trabalho mexe na composição de custos e no planejamento operacional das empresas. Para a CNI, a redução da carga para 40 horas, sem cortar salários, encarece a produção em até R$ 267,2 bilhões. 

O segundo dia de descanso semanal remunerado, por si só, reforça o acréscimo de 9,1% já citado, pesando inclusive sobre organizações que praticam 40 horas em cinco dias. Pela ótica da produtividade, análises do FGV Ibre estimam que a redução para 40 horas pode cortar 2,9% do valor adicionado da economia e derrubar 0,8% da produtividade por hora trabalhada.

Thaiz Nóbrega soma um segundo efeito: o custo não vem apenas do valor da hora paga. Com os reflexos do descanso semanal remunerado sobre encargos, FGTS, 13º e férias, ela calcula o encarecimento do trabalho entre 18% e 22% — intervalo que engloba a projeção de até 20% apontada pela FGV Ibre.

Indústria, transportes e agronegócio podem enfrentar custos maiores

A indústria e o comércio devem enfrentar alta direta nas despesas operacionais e de cobertura de turnos, com a CNI projetando elevações médias de preços de 6,2% ao consumidor, alcançando 6% nos produtos industrializados e 6,6% no vestuário e calçados.

O setor de transportes, segundo projeções da Confederação Nacional do Transporte (CNT), poderá ter um aumento inicial direto de R$ 11,9 bilhões em despesas com mão de obra.

No meio rural, a redução da jornada pode agravar as dificuldades de contratação e pressionar a produção. Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP) mostra que 94,8% dos produtores rurais já enfrentam dificuldades severas para contratar pessoal, enquanto 88,3% relatam impactos negativos na produção.

A restrição na oferta de trabalhadores e o encarecimento das escalas geram gargalos na montagem de turnos em atividades contínuas. Especialistas consultados pela Gazeta do Povo apontam que no cenário atual do mercado de trabalho, com desemprego nas mínimas históricas, a expansão de quadros não se apresenta como resposta viável ou imediata para a maioria das empresas.

Empresas podem recorrer à negociação e à tecnologia para se adaptar

Apesar das restrições jurídicas e operacionais, as empresas têm alternativas para se adaptar à redução da jornada, segundo Thaiz Nóbrega. Entre elas estão a negociação coletiva de condições de trabalho e a adoção de diferentes modalidades de contratação, respeitadas as exigências legais de cada uma.

  • Negociação coletiva: acordos com sindicatos podem viabilizar sistemas de compensação de horas e escalas diferenciadas, como a jornada 12×36, desde que respeitados os limites legais aplicáveis.
  • Jornada parcial: contratação com carga horária reduzida para atender a demandas específicas da operação.<br>
  • Trabalho intermitente: convocação de empregados para períodos de serviço, conforme a demanda, respeitadas as regras previstas na legislação.

Carine Leal Fraga, da Miraê Consultoria, destaca outras possibilidades, como automatizar tarefas repetitivas e aprimorar o planejamento das equipes. Nos supermercados, por exemplo, o mapeamento da demanda por faixa horária pode ajudar a dimensionar o número de empregados em cada turno, reforçando as equipes nos períodos de maior movimento e ajustando a operação nos horários de menor procura.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/fim-escala-6×1-empresas-falencias-2027/

Senado aprova com urgência perdão de dívidas do MEI e aumento do teto

Projetos elevam limite de faturamento anual de MEIs para R$ 140 mil, permitem contratar até dois funcionários e preveem perdão de débitos. (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

O Senado aprovou nesta quinta-feira (15), com 78 votos favoráveis e nenhum contrário, os projetos de lei que perdoam as dívidas tributárias dos Microempreendedores Individuais (MEIs), o aumento do teto de receita anual e a contratação de até dois empregados. As propostas foram aprovadas após os parlamentares votarem a favor da tramitação em regime de urgência.

As medidas, que seguem para promulgação, fazem parte do pacote “Prospera MEI”, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na terça-feira (13) e que já haviam recebido aval da Câmara dos Deputados na véspera. O petista lançou as propostas com vistas ao segundo turno da eleição presidencial.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026 eleva o limite de receita bruta anual dos MEIs dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil e permite a contratação de até dois empregados, em vez de apenas um. Já o PLP 267/2026 prevê o perdão integral de determinados débitos inscritos na Dívida Ativa da União, desde que os beneficiários cumpram as condições estabelecidas na proposta.

A mudança no teto de faturamento será implementada em duas etapas, com início previsto para 2027. No primeiro ano, o limite será de R$ 110 mil, passando para R$ 140 mil a partir de 2028.

O teto atual de R$ 81 mil está em vigor desde janeiro de 2018 e, segundo a justificativa do Executivo, a inflação acumulada pelo IPCA até maio de 2026 chegou a 55,4%. O governo afirma que mais de 100 mil MEIs foram desenquadrados entre 2025 e 2026 apenas por ultrapassarem o limite nominal de faturamento.

Pelas regras previstas no PLP 186/2026, os microempreendedores poderão contratar até dois funcionários, desde que cada um receba até um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional. O texto também permite contratos por prazo determinado para substituir temporariamente trabalhadores afastados por licenças legais e prevê a unificação de declarações prestadas à Receita Federal, ao FGTS e ao INSS.

Perdão das dívidas tributárias do MEI

A proposta de perdão das dívidas busca alcançar empreendedores com débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026. Segundo os dados apresentados pelo governo, o Brasil tem cerca de 17,56 milhões de MEIs ativos, dos quais mais de 3 milhões acumulam R$ 12,86 bilhões em débitos inscritos.

Desse total, R$ 11,05 bilhões, equivalentes a 85,94%, são classificados como de difícil recuperação ou irrecuperáveis. O projeto prevê a remissão integral dos débitos abrangidos, incluindo tributos, juros, multas e encargos legais, mas condiciona o benefício ao cumprimento de obrigações futuras.

O MEI contemplado deverá manter em dia o pagamento das contribuições mensais durante os seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Caso deixe de cumprir essa exigência, perderá o benefício, e também será necessário desistir formalmente de eventuais ações judiciais contra a União relacionadas às dívidas perdoadas.

As duas propostas têm previsão de entrada em vigor em 1º de janeiro de 2027, conforme o texto apresentado. O impacto fiscal estimado para o aumento do teto de faturamento é de R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029, enquanto o perdão das dívidas tem impacto projetado de R$ 1,12 bilhão, R$ 1,01 bilhão e R$ 909,4 milhões, respectivamente, nesses mesmos anos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/senado-aprova-urgencia-perdao-dividas-meis-aumento-teto/

Lula tenta se desvincular de Moraes e minimiza relações de aliados com Vorcaro

O presidente Lula participou de sabatina na Rede Globo nesta quinta-feira (15) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e minimizou os vínculos de pessoas próximas ao governo com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15).

Ao comentar a participação de autoridades em um evento promovido pelo banqueiro em Londres, Lula criticou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas também elogiou sua atuação à frente da corporação.

O presidente ainda manifestou saudade do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório familiar prestou serviços ao Master.

Lula também falou sobre propostas do seu governo para resolver o endividamento das famílias brasileiras e sobre sua preocupação com o aumento da dívida pública.

No primeiro bloco da entrevista, que durou 27 minutos, cerca de um terço do tempo foi dedicado ao tema da corrupção. O assunto reuniu perguntas sobre as relações de autoridades com Vorcaro, a conduta de integrantes do Judiciário e a atuação da Polícia Federal, colocando o presidente diante de questionamentos sobre pessoas que mantiveram vínculos com seu governo.

Lula contraria posição histórica do PT sobre redução da maioridade penal

No início da sabatina, Renata Lo Prete destacou que o PT é historicamente contra a redução da maioridade penal. Lula disse que, pessoalmente, é a favor de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.  

Em manifestações anteriores, o presidente argumentava que o aumento das punições não resolveria o problema da criminalidade entre jovens. 

Em 2007, por exemplo, afirmou que “não adianta aumentar a punição” por, segundo ele, não resolver o problema.

A mudança ocorre em meio à divergência dentro do próprio PT sobre a proposta. Em junho deste ano, deputados do partido se posicionaram contra a redução na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e alegaram que a medida afrontaria garantias constitucionais e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O presidente disse que primeiro é preciso aprovar a PEC da Segurança Pública e, se aprovada, discutir se deve reduzir a maioridade penal ou não. Lula afirmou que os estados não resolveram a questão da violência no país, logo, essa responsabilidade cabe ao governo federal.

Nesta quinta-feira (15), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC da Segurança Pública da pauta de votação.

Lula rebate Trump e rejeita classificação de facções brasileiras como terroristas

Questionado sobre as relações atuais entre Brasil e Estados Unidos, Lula rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas nos moldes defendidos pelo governo de Donald Trump.

O presidente afirmou que as facções aterrorizam comunidades brasileiras, mas contestou o enquadramento adotado pelos Estados Unidos.

“O que nós temos consciência é de que aqui no Brasil, tanto o PCC como o Comando Vermelho, são terroristas para a comunidade brasileira, para os bairros brasileiros e para as cidades. Mas não é o terrorismo de Estado que os Estados Unidos querem que seja”, declarou.

Jornalista questiona relação de Lula com Moraes

Durante a entrevista, a jornalista Renata Lo Prete questionou Lula sobre a dificuldade de convencer a população de que o governo pretende apurar todas as responsabilidades no caso Master.

Ela mencionou a atuação do ministro Flávio Dino no julgamento para a abertura de investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. Indicado de Lula ao STF, Dino pediu vista. Lula afirmou que o ministro queria que outros integrantes do STF fossem julgados na mesma sessão e que não tem conhecimento para avaliar a atuação do magistrado.

A jornalista ainda mencionou que Moraes, até então, era o integrante da Corte mais associado ao caso Vorcaro. Lula respondeu que outros ministros também estavam envolvidos no episódio, citando Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

A relação entre Moraes e Vorcaro também entrou no centro dos questionamentos sobre o caso. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, firmou um contrato com o Banco Master que previa pagamentos de até R$ 129 milhões ao longo de três anos. A revelação levantou questionamentos sobre os vínculos entre o banqueiro e a família do magistrado. Moraes também foi alvo de questionamentos sobre contatos com Vorcaro.

Lula defende diretor-geral da PF

Na sequência, Renata Lo Prete questionou Lula sobre sua proximidade com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

O delegado chefiou a equipe de segurança de Lula durante a campanha presidencial de 2022 e assumiu o comando da corporação no início do terceiro mandato do petista.

A jornalista lembrou que Andrei participou de uma festa promovida por Vorcaro em Londres, em abril de 2024, quando o Banco Central já apurava irregularidades no Master e a PF investigava o caso. Ela perguntou se Lula manteria o delegado no cargo caso fosse reeleito.

O presidente negou que Andrei fosse ligado pessoalmente a ele, mas reconheceu que o repreendeu pela participação no evento. “Quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei a atenção dele”, afirmou.

Lula também disse que a explicação apresentada pelo diretor-geral não o convenceu. “Não foi convincente para mim. Não precisava ter ido”, declarou. Em seguida, voltou a elogiar o delegado: “Ele é um extraordinário delegado, tem feito um trabalho excepcional”.

Ao ser questionado novamente sobre a permanência de Andrei no comando da PF, Lula evitou antecipar sua decisão.

“Primeiro, eu preciso ganhar as eleições. Se eu ganhar as eleições eu vou escolher as pessoas como eu escolhi da outra vez. Eu não vou dizer aqui que eu vou escolher quem que vai ficar quem que vai sair”, afirmou.

“Foi um belo ministro da Justiça”, afirma Lula sobre Lewandowski

Lula também defendeu Ricardo Lewandowski, que comandou o Ministério da Justiça entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026.

Antes de assumir o cargo, o ex-ministro manteve vínculos profissionais com o Banco Master por meio de seu escritório de advocacia.

Durante parte de sua passagem pelo governo, o escritório de sua família continuou prestando serviços à instituição financeira.

Lewandowski afirmou que deixou de atuar pessoalmente como advogado do banco após aceitar o convite para integrar o governo.

O escritório permaneceu sob a administração de sua mulher e de seu filho e manteve o contrato com o Master até agosto de 2025.

Ao comentar a atuação do ex-ministro, Lula demonstrou apreço pelo antigo auxiliar. “Foi um belo ministro da Justiça para mim, um belíssimo ministro, tenho saudade dele”, declarou.

Presidente diz que desconhecia falta de reajuste do Bolsa Família

Dando continuidade à entrevista, Lula afirmou que desconhecia a falta de previsão para o reajuste do Bolsa Família e disse ter cobrado explicações de seus ministros ao tomar conhecimento do problema.

O tema surgiu quando a jornalista Renata Lo Prete questionou o presidente sobre o anúncio do aumento no valor do benefício a 17 dias do primeiro turno das eleições.

A entrevistadora destacou que o reajuste de 15,04% saiu em setembro, embora a proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso em 31 de agosto, não previsse a correção.

Ela perguntou se o governo havia identificado um espaço fiscal que a equipe econômica não considerara anteriormente. Lula negou essa hipótese e atribuiu a ausência de previsão à atuação de seus auxiliares.

“Eu não sabia, porque é inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável, mas aconteceu”, afirmou.

O presidente disse que decidiu conceder o aumento depois de descobrir a falha. “Aconteceu e eu tomei a decisão: a gente vai dar e vai dar tudo que a gente não deu pra gente não perder nunca mais”, declarou.

O reajuste elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 mensais. Lula afirmou que havia espaço fiscal para bancar a medida e citou a previsão de superávit primário de 0,1% nas contas públicas em 2027.

Lula promete usar R$ 150 bilhões para renegociar dívidas das famílias

Questionado sobre uma solução definitiva para o endividamento das famílias, Lula citou as três versões do Desenrola e afirmou que a União poderá destinar R$ 150 bilhões à compra de dívidas com desconto.

“Nós vamos comprar essa dívida, a União vai comprar essa dívida”, disse. Segundo o presidente, a expectativa é que o governo possa adquirir os débitos por cerca de 5% do valor original.

Lula também mencionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a oferta de R$ 5 mil em crédito para a categoria.

Ele afirmou que pretende adotar essas medidas sem comprometer o equilíbrio fiscal.

O endividamento das famílias cresceu durante o terceiro mandato de Lula. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas passou de 76,7% em dezembro de 2024 para 78,9% em dezembro de 2025, o maior índice para o mês desde o início da série histórica.

Em julho de 2026, o indicador chegou a 82%, após seis recordes mensais consecutivos.

Petista diz se preocupar com dívida pública, mas defende endividamento

Lula afirmou que se preocupa com o aumento da dívida pública, mas defendeu o endividamento como instrumento para financiar investimentos em infraestrutura, como obras em portos.

Durante a entrevista, a jornalista questionou o avanço de dez pontos percentuais da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo.

O presidente argumentou que o crescimento econômico é o caminho para equilibrar as contas públicas e citou os resultados de seus dois primeiros mandatos.

Ao explicar como pretende lidar com o endividamento, defendeu o estímulo aos pequenos empreendedores e ao consumo.

“O que faz a economia do Brasil crescer é chamada a microeconomia, é fazer o dinheiro rodar na mão do povo”, afirmou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-tenta-desvincular-moraes-minimizar-relacoes-de-aliados-com-vorcaro/

Lula muda discurso e defende redução da maioridade penal para 16 anos

Lula defende redução da maioridade penal para 16 anos em caso de crime hediondo, contrariando posicionamento histórico do PT. (Foto: EFE /Andre Borges)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite desta quinta-feira (15), que é a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em caso de crime hediondo. A mudança no discurso do petista ocorre a dez dias do segundo turno da eleição presidencial e contraria o posicionamento histórico do PT.

“Eu sou favorável a reduzir [a maioridade penal] para 16 anos, mas não discutindo nessa PEC [da Segurança Pública], porque ela não é para isso… Eu acho que a sociedade brasileira inteira é favorável à punição de qualquer crime hediondo”, disse Lula durante a sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo.

O tema voltou ao debate diante da possível votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), que coordenada a campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL), apresentou uma emenda à PEC que prevê a redução da maioridade penal para os 16 anos para qualquer tipo de crime.

A emenda de Marinho também determina uma redução adicional para os 14 anos especificamente em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes, terrorismo e atuação em organização ou associação criminosa.

Por outro lado, o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha petista, propôs antecipar a imputabilidade penal para os 16 anos exclusivamente para quem cometer crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro.

Dominado pela direita, o tema da segurança pública é uma das maiores preocupações dos eleitores. A campanha de Lula busca reverter a vantagem de 1,87 ponto percentual de Flávio no primeiro turno, que registrou 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista, uma vantagem de pouco mais de 2,2 milhões de votos.

Lula reforçou que a redução da maioridade penal não deveria ser discutida na PEC da Segurança Pública. Se o texto for alterado pelo Senado, precisará voltar para uma nova análise da Câmara dos Deputados.

“A direita do PL tentou apresentar uma proposta reduzindo para 14 anos, e aí o Camilo apresentou a proposta para 16… Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, disse o presidente.

A emenda de Santana provocou divergências entre integrantes da base governista, que defendem a aprovação do texto sem alterações para evitar atrasos na tramitação. Em meio ao impasse das emendas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adiou a votação da PEC da Segurança Pública.

Mais cedo, Flávio ironizou a mudança na campanha petista em relação ao tema. “Vocês não sabem, a bancada do PT estava ensaiando apresentar uma emenda também a favor da redução da maioridade penal, olha…”, disse o senador durante sua live semanal.

“Olha rapaz, no final das contas… a gente tinha que ter eleição toda semana, cara. Toda semana, cara, o pessoal se converte, vai pra igreja, é uma maravilha”, acrescentou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-muda-discurso-e-defende-reducao-da-maioridade-penal-para-16-anos/

A 10 dias da eleição, Lula anuncia PEC para garantir passe livre nos finais de semana

Após aprovação do fim da escala 6×1, Lula quer emplcar PEC do passe livre nos finais de semana. (Foto: EFE/Sebastiao Moreira)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, anunciou nesta quinta-feira (15) que enviará ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para garantir o passe livre no transporte público nos finais de semana em todo o país. A iniciativa ocorre após a provação da PEC do fim da escala 6×1 pelo Senado nesta quarta-feira (14).

“Conquistamos o fim da escala 6×1 e agora é hora de avançar ainda mais! Vou enviar ao Congresso Nacional uma PEC para garantir passe livre nos finais de semana em todas as cidades brasileiras que tenham transporte coletivo”, disse o presidente.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Lula afirmou que a proposta será financiada em parte com dinheiro das emendas parlamentares. “Aonde vamos arrumar esse dinheiro? Aí, nós vamos compartilhar com as emendas parlamentares para a gente poder garantir que o povo vá passear. O povo vai ficar feliz”, enfatizou o petista.

“Os deputados estão dando utilidade às suas emendas e a gente vai garantir que valeu a pena o fim da escala 6×1”, acrescentou. A PEC faz parte de um pacote de bondades anunciado por Lula durante a campanha eleitoral.

Entre as medidas, o governo aumento o valor do Bolsa Família, prorrogou a subvenção do diesel e anunciou o perdão de dívidas do microempreendedores individuais (MEIs) e aumento do teto.

As propostas buscam reverter a vantagem de 1,87 ponto percentual de candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, que registrou 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, uma vantagem de pouco mais de 2,2 milhões de votos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/a-10-dias-da-eleicao-lula-anuncia-pec-para-garantir-passe-livre-nos-finais-de-semana/

Polzonoff

A solidão de Daniel Vorcaro

Mulher queima a foto de Daniel Vorcaro em manifestação em janeiro de 2026. (Foto: EFE/ Isaac Fontana)

Vieram à tona mais mensagens de Daniel Vorcaro. Desta vez, envolvendo um executivo da Globo. E, como se viu nas muitas outras mensagens que deram ao brasileiro acesso à alma do trambiqueiro, ou melhor, à alma da porção podre da elite financeira e política do país, as conversas giravam em torno de bajulação e sexo. Todo mundo queria tirar uma lasquinha do Vorcaro. Mas o sujeito está preso há sete meses e não consta que nenhuma de suas muitas amantes ou, entre infinitas aspas, amigos tenha ido visitá-lo na prisão. Isso é o que eu chamo de uma solidão absoluta. E didática.

Será que alguém chora a ausência de Vorcaro? Estava aqui pensando. Há alguns meses, por exemplo, surgiu a notícia de que o banqueiro teve um acesso de raiva na prisão. Ele teria esmurrado a parede e tudo. Será que alguém se preocupou e se preocupa com a saúde mental do meliante? Alguém teme que ele dê cabo da própria vida? Não pela repercussão que algo assim possa ter nas investigações, digo; e sim pela vida, que é digna em si. E aqui outra pergunta que não vejo sendo feita por aí, entretidos que estamos todos pelos escândalos e orgias: ao longo de todos esses anos em que o dinheiro rolou solto, alguém amou o senhor Daniel Bueno Vorcaro?

Espelho

Alguém o ama ainda hoje? A namorada de então, Martha Graeff, deu um pé na bunda do banqueiro assim que Vorcaro foi preso. Ciro Nogueira e Hugo Motta, apesar da aparente “felicidade” com que compartilhavam dos luxos que o dinheiro sujo do banqueiro proporcionava, estão longe de serem amigos. Beeem longe. Alexandre de Moraes nem se fala. Se bem que esse não é amigo nem da própria sombra. Paulo Gonet, Nunes Marques. Até o Luciano Huck! É gigantesca a lista dos homens e mulheres que, na hora do bem-bom, estavam ali (ou lá em Londres ou nos Alpes) fazendo juras de amor eterno a Vorcaro. Mas que agora…

Não tenho exatamente pena de Daniel Vorcaro. Mas acho que pensar na solidão dele pode ser útil para pensarmos em nossa própria solidão. Na solidão que invariavelmente gravita os ricos e poderosos. E os nem-tão-ricos e nem-tão-poderosos assim, mas que circunstancialmente têm algum poder de decisão ou algum dinheirinho para esbanjar – e esbanjam com amigos e mulheres de ocasião. Esse, me parece, é o maior castigo de alguém que faz o que Vorcaro fez. Um castigo a ser vivido em liberdade ou atrás das grades: o de estar absolutamente sozinho. Até mesmo quando se olha no espelho.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/solidao-vorcaro/

Rodrigo Constantino

Lula hipoteca futuro do brasileiro

A PEC vendida como conquista social pode elevar custos e reduzir empregos. Na disputa eleitoral, o populismo transfere a conta à sociedade. (Foto: André Coelho/EFE)

A aprovação da PEC que veta a escala 6×1 no Senado, por 75 votos a 1, é o retrato acabado do populismo eleitoral brasileiro. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer corte de salário. Soa generosa. Na prática, ignora o que entidades do setor produtivo vêm alertando há meses: o custo será alto, e quem paga é o conjunto da economia.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e pressionar os preços ao consumidor em 6,2%, em média. Roupas, calçados e itens de supermercado ficariam mais caros; o PIB poderia recuar cerca de 0,7%.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC), federações estaduais da indústria e associações do varejo e de bares e restaurantes repetem o mesmo diagnóstico: sem ganho proporcional de produtividade, o efeito é compressão de margens, alta da informalidade, risco maior para micro e pequenas empresas e, no limite, menos emprego formal. O Congresso optou por não ouvir. Preferiu a narrativa do “tempo para viver”. Alcolumbre se gabou de ter conseguido aprovar a medida eleitoreira que ajuda Lula.

O governo petista transformou a pauta em bandeira de campanha a onze dias do segundo turno. Transformou um tema trabalhista complexo em armadilha política. Flávio Bolsonaro, que meses atrás classificava a iniciativa como oportunista e defendia liberdade de negociação e remuneração por hora, acabou votando a favor. Não houve alternativa eleitoralmente viável. A pressão popular era real; o custo de se opor, em plena reta final, seria ainda maior. Lula preparou a sinuca de bico e assistiu ao adversário ser forçado a endossar a proposta que o governo apresentava como conquista histórica.

A resposta veio no mesmo dia. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, apresentou emenda à PEC da Segurança Pública — texto de origem governista — para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e participação em organização criminosa. A medida retoma proposta antiga de Flávio e goza de amplo apoio popular. Agora é o governo que se vê encurralado: rejeitar a emenda expõe a contradição com o discurso de combate ao crime; aceitá-la afronta a base ideológica do PT. A sinuca mudou de lado.

Reduzir jornada sem conversar com produtividade e custos não é reforma trabalhista; é promessa de campanha financiada pelo restante da sociedade

A emenda de Marinho mostra que o jogo de aprisionar o adversário com pautas populares ainda não acabou. O risco, para o país, é que a manobra petista deixe para depois das eleições a conta que já está sendo apresentada por quem produz e emprega.

Nunca antes na história deste país se viu um presidente usar tanto a máquina estatal para comprar votos. Se Lula perder mesmo assim, será a maior humilhação já vista a um político. O povo cansou do PT, eis a verdade. Esse populismo irresponsável compra um ou outro voto, mas engana cada vez menos gente, ciente do custo para a própria sociedade.

No desespero para se manter no poder, a quadrilha petista faz o diabo, hipotecando assim o futuro do povo brasileiro. Lula armou uma verdadeira bomba-relógio, deixando uma herança maldita para o próximo governo. Se for o dele mesmo, então a explosão poderá ser fatal; se for a turma liberal e reformista que cerca Flávio Bolsonaro, teremos a chance de mitigar estragos e recolocar o país nos trilhos. Faltam apenas dez dias para descobrirmos se o eleitor quer cometer suicídio coletivo ou salvar o Brasil.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/lula-hipoteca-futuro-do-brasileiro/

Francisco Escorsim

O PT no trampolim da mentira

O presidente Lula em evento de campanha no Rio Grande do Norte. (Foto: Ricardo Stuckert)

Há uma modalidade esportiva que o PT domina com excelência: o salto ornamental da mentira. E não estou falando de fake news, categoria em que o partido já compete hors concours.

Em 2018, o partido se apresentava como quem ia refundar a democracia brasileira. O plano de governo daquele ano eleitoral falava em deflagrar um processo constituinte, revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista, e vinha…

Pera! Calma! Torcedores, calma! Propunha… um processo constituinte? E ninguém acusou de ser golpista, antidemocrático e bibibi e bobobó? Que curioso…

Mas retomemos. Falava em nova constituinte, revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista, e vinha dividido em cinco eixos. Eram promessas grandiosas, mesmo com Lula preso e Haddad aparentando a vitalidade anímica de uma granola.

Há uma modalidade esportiva que o PT domina com excelência: o salto ornamental da mentira

Oito anos depois, o programa de 2026 aumentou, tem 13 capítulos. Comparados aos anteriores, parece um cardápio que ganhou fotos novas, mas as porções encolheram no prato servido.

A reforma trabalhista, por exemplo, virou um paciente em tratamento prolongado que foi sendo paulatinamente esquecido. Em 2018, o partido queria revogá-la. Em 2022, o programa ainda previa essa revogação, mas o candidato acenava com “uma nova legislação”. A faca continuava no peito do seu eleitor, mas prometendo que doeria menos.

Mas no programa de 2026, sumiram as referências à revogação da reforma trabalhista. Restaram propostas de mudanças pontuais, como a da jornada de trabalho já aprovada nesta semana pelo Congresso. É claro que, na propaganda, o PT faz parecer que trocar a fechadura equivale a reformar a casa inteira.

O teto de gastos é o que recebeu o maior dos saltos ornamentais. Em 2018, era “neoliberal”, “restritivo”, precisava acabar. Em 2026, apesar da retórica, o arcabouço fiscal está mantido no programa. O PT tomou juízo? Não, apenas encontrou maneiras de contornar as restrições fiscais de forma “criativa”. Quem aí se lembra das pedaladas fiscais da Dilma? Pois é… É como aqueles ricaços falidos que vendem os quadros da casa, somem com os pregos e pintam a parede para parecer que nada havia ali, mantendo a pose de prosperidade.

No campo, a pirueta é parecida. O plano de 2018 trazia a reforma agrária em letras garrafais, como se Alexandre de Moraes o tivesse digitado. Em 2026, ela desapareceu como compromisso destacado, substituída por platitudes sobre agricultura familiar. O partido que se criou insistindo em reforma agrária agora a trata como se ela nunca estivesse na lista de convidados da sua festa da democracia.

A soberania é outro caso curioso. Em 2018, ela abria o programa como primeiro eixo, sob o nome de “soberania nacional e popular”. Era a soberania que se veste de vermelho e parecia ter alergia aos símbolos nacionais. Em 2026, o tema ganhou outra função: virou instrumento de mobilização antiamericana, sobretudo contra adversários que buscaram nos Estados Unidos um respaldo político.

O salto ornamental da mentira só existe porque a plateia aplaude antes de conferir a queda

O petismo tentou vestir a camisa amarela da seleção para encenar patriotismo, mas a camisa não lhe caiu bem. Na campanha, não rendeu o esperado e o assunto sumiu da propaganda.

Sei que nada disso é novidade para quem acompanha a política de perto. Para esses, tampouco será surpreendente se Lula for reeleito graças a oportunismos como o da PEC da jornada de trabalho e às promessas ilusórias de sempre. Mas há algo mais incômodo aí se Lula vencer de novo: significa que o eleitor também se acostumou a dar seus saltos ornamentais.

Quem aí não fez – e continua fazendo – o cálculo eleitoral do menor dos males? Quem nunca desviou o olhar para não encarar que os demais candidatos também podem colocar a eleição acima de tudo e a conquista ou manutenção do poder acima de todos? A oposição, que tantas vezes se declarou contrária à escala 6×1, não aderiu à proposta porque estamos em período eleitoral?

O salto ornamental da mentira só existe porque a plateia aplaude antes de conferir a queda. E, de quatro em quatro anos, cabe a nós sermos os jurados. Nenhum merece nota máxima, mas alguns são piores do que os outros, sim. Que, nesta eleição, a memória das quedas pese mais do que as piruetas do presente.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/lula-pt-mentiras/

Coluna Esplanada

Aliados de Lula continuam divulgando fake news contra vice de Flávio Bolsonaro

Vice de Flávio, Alfredo Gaspar sempre negou as acusações, denúncias foram arquivadas, mas fake news continua. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

A ministra das Mulheres do governo Lula da Silva, Márcia Carvalho Lopes incentivou num grupo de whatsapp de mais de 70 líderes políticos e empresários um ataque com fake news a Alfredo Gaspar, o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A mensagem encaminhada por ela ao grupo há dias – ao qual a Coluna teve acesso – citou o seguinte texto: “Estou organizando uma campanha de redes para amanhã com vídeos de mães dizendo SOU MÃE DE (menino/menina/adolescente) E NÃO VOTO EM VICE ACUSADO DE ESTUPRO DE CRIANÇA”.

Márcia é irmã do ex-ministro Gilberto Carvalho, o mais próximo do presidente Lula da Silva em dois mandatos. Como notório, por falta de provas e recomendação da PGR, o ministro Gilmar Mendes, do STF, arquivou a denúncia de que Gaspar teria cometido o crime, por “falta de indícios mínimos”. A PF também não encontrou provas contra Gaspar. Mesmo assim, a campanha do PT utilizou a informação em seu programa eleitoral.

Gaspar já processou e venceu na Justiça alagoana ação contra a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por falso testemunho. Questionada pelo whatsapp ontem pela reportagem, confrontada com o print, a ministra recorreu à assessoria que enviou essa posição sem mencionar a insinuação do post.

“Em ano eleitoral, a partir de 16 de agosto, é permitido que agentes públicos façam manifestações eleitorais na condição de cidadãos eleitores, exercendo livremente sua preferência política fora do horário de expediente”, diz a nota. Mas não explicou a denúncia de usar uma fake news para tentar provocar uma onda contra Gaspar.

Lobo solitário

Único voto contrário à PEC do fim da escala 6×1, o senador Hamilton Mourão (Rep-RS) destoou da pressa populista no Senado. Ao alertar para o risco de demissões e o sufocamento das pequenas empresas – variados estudos de associações já indicaram isso – Mourão expôs a insensatez de uma aprovação açodada e eleitoreira. Postura isolada e coerente que alerta ao alto custo econômico da medida que a maioria preferiu ignorar.

TSE e Dallagnol

O presidente da OAB-PR, Luiz Fernando Pereira, cobrou celeridade do TSE no julgamento do registro de candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador. Para ele, a demora deixa o Paraná em um cenário de indefinição sobre quem de fato ocupará a vaga e lembra que a legislação prevê que esses processos sejam resolvidos antes do pleito. “É ruim que o estado fique sem saber quem vai assumir”.

Avibras ativa

A Globe Investimentos, holding de investimentos pessoais dos irmãos Joesley e Wesley Batista, concluiu a aquisição da totalidade do capital da Avibras Aeroco, que reúne ativos estratégicos, instalações industriais e o portfólio tecnológico da Avibras Indústria Aeroespacial. A Globe passa a ser a única acionista da Nova AVB. O CEO da companhia será Bruno Dantas, ex-ministro do Tribunal de Contas da União.

Homem da Lei

Autor da Lei Seca, que completou 18 anos, o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) teve reconhecimento nacional. Foi selecionado um dos 10 melhores federais de 2026 pelo júri técnico do Prêmio Congresso em Foco. A escolha reuniu parlamentares de diferentes partidos do país, avaliados por especialistas em política, comunicação e atividade legislativa. Hugo Leal está no seu 5º mandato na Câmara.

Brasil dos negócios

Estudo da Hotmart identificou 620 municípios, em 25 estados e no DF, com empreendedores que superaram R$ 1 milhão em faturamento líquido acumulado na plataforma. A expansão ultrapassa fronteiras: 1 em cada 3 empreendedores vende para o exterior, alcançando mais de 180 países. A IA também impulsiona o setor, com crescimento médio anual de 115% nas vendas de produtos educacionais sobre o tema.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/aliados-de-lula-continuam-divulgando-fake-news-contra-gaspar-vice-de-flavio-bolsonaro/

Irmã conta que Vorcaro foi torturado no presídio federal, está em pânico e quer confessar tudo

Daniel Vorcaro na prisão – Foto: reprodução.

Em um novo áudio obtido pela revista Veja, Natália Vorcaro Zettel — irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e esposa de Fabiano Zettel, braço direito do ex-banqueiro — relata que o irmão está “em pânico” na prisão e se sente ameaçado por tentar confessar seus crimes, de acordo com reportagem de Robson Bonin.

Segundo Natália, o medo de Vorcaro é ser transferido de volta a um presídio de segurança máxima. Ela descreve as condições que ele enfrentou em uma estadia anterior de 13 dias na Penitenciária Federal de Brasília, em uma cela de cerca de 9 m²: “Ele passou por tortura na prisão máxima, sem água, sem comida, sem contato externo, com a luz ligada 24 horas piscando. E eles estão falando que vão colocar ele no mesmo lugar.” Atualmente, Vorcaro está em uma cela individual maior (cerca de 54 m²) na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

O ex-dono do Banco Master, preso desde março em um dos maiores casos de fraude bancária do país, busca uma terceira tentativa de delação premiada. Nas propostas anteriores, rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de consistência e provas suficientes, ele se dispôs a confessar o pagamento de propinas a autoridades para acessar fundos de pensão de estatais (como Postalis, Previ e Petros), além de valores relacionados ao Instituto Lula e ao documentário sobre o presidente Lula dirigido por Oliver Stone.

No áudio, Natália conta que tentou acalmá-lo após a repercussão de reportagens anteriores (incluindo a capa de Veja da semana passada sobre “primeiras confissões”): “Eu já falei para ele: ‘calma, você não falou nada mais do que a verdade’”. Ela afirma que Vorcaro, amedrontado também por outras denúncias recentes (como uma reportagem do UOL sobre uma suposta rede de prostituição, que ele nega), disse: “Não, não, não vou entregar nada, vamos esperar passar as eleições”.

A reportagem de capa desta semana de Veja (edição nº 3017) traz mais detalhes sobre o caso, incluindo a disposição de Vorcaro em apresentar provas envolvendo figuras de alto escalão e as investigações da PF sobre comunicações encontradas em seu celular.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/irma-conta-que-voraro-foi-torturado-no-presidio-federal-esta-em-panico-e-quer-confessar-tudo

Be the first to comment on "Adiamentos em série frustram expectativa da PF de concluir inquérito do Master"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*