Vorcaro financiou filme sobre Lula em troca de negócios no governo, e fez acerto de propina de R$1 bilhão

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master | Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso sob acusação de protagonizar uma das maiores fraudes bancárias da História, afirma em áudios e documentos obtidos pela revista Veja ter liberado milhões de reais para um documentário sobre Lula (PT) em troca de um acerto para fazer negócios com fundos de pensão de servidores federais. O objetivo era pagar propinas de R$1 bilhão para a meta de negócios de R$9 bilhões com os fundos de pensão.

Os detalhes constam de um anexo levado à Procuradoria-Geral da República em junho, na segunda proposta de delação que foi descartada. A PGR recusou a proposta que envolvia o próprio Lula alegando “falta de provas”, já que os pagamentos teriam sido feitos em espécie. A defesa de Vorcaro informou então que as provas eram concretas: mensagens de WhatsApp, registros de quem retirou o dinheiro e informações sobre locais e rotas das entregas.

Segundo o relato de Vorcaro, a aproximação com o PT foi articulada por seu então sócio e CEO do Master, Augusto Lima, com intermediação do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Em encontro com o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, compadre e homem de confiança de Lula, o ex-banqueiro teve de combinar pagamento de cerca de R$30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto, para “cobrir despesas” de documentário sobre Lula produzido no exterior — o filme Lula, de Oliver Stone, que reúne depoimentos de aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde. Haveria ainda outro valor, não detalhado, pago diretamente à instituição.

A reportagem, de Robson Bonin, é destaque de capa na revista Veja sob o título “Primeiras confissões”.

Segundo os relatos atribuídos ao banqueiro, os pagamentos fariam parte de uma articulação para facilitar o acesso do Banco Master a investimentos de fundos de pensão federais, como Previ, Petros e Postalis.

Entre os nomes mencionados estão o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ministro Alexandre Padilha, o ex-secretário-executivo da Presidência Olavo Noleto e Paulo Okamotto, ligado ao Instituto Lula.

Além desse adiantamento, o amigo e compadre de Lula, João Vaccari, exigiu uma taxa de 10% sobre tudo o que o banco captasse junto a fundos de previdência de servidores da Caixa (Funcef), do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros) e dos Correios (Postalis). Se a operação se concretizasse, o esquema embolsaria R$1 bilhão e Vorcaro, R$ 9 bilhões. Em áudio, o banqueiro descreve o acerto e contrasta o pagamento com o patrocínio ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro: o recurso para o documentário de Lula foi feito “por fora”, enquanto o outro seria um patrocínio regular.

Vorcaro também aponta a participação do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, do então secretário-executivo Olavo Noleto e de operadores ligados a eles. Ele diz ter formado, no fim de 2023 e início de 2024, uma equipe no Master para captar recursos nos fundos de pensão federais e, a partir daí, ter recebido propostas de “mordidas”. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicam contatos com o entorno de Padilha; Vorcaro afirma ainda ter ido ao Planalto e participado de jantares com o ministro.

Em abril de 2024, Lula participou da inauguração de um Biomm, laboratório de produção de insulina em Nova Lima (MG) cujo controle foi adquirido por Daniel Vorcaro junto a Walfrido ds Mares Guia, ex-ministro e amigo pessoal de Lula. Dessa inauguração participaram ministros como o próprio Padilha. O ex-banqueiro não estava prsente porque no mesmo dia, 24 de abril, ele se encontrava em Londres em evento com a participação de autoridades brasileiras, as quais seriam recebidas por ele no George Club, à noite, para uma degustação de uísque Macallan e charutos que custou a Vorcaro o equivalente a R$3,4 milhões. entre as autoridades presentes estavam ministros do STF como Alexandre de Moraes, o PGR Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Desde a eclosão do escândalo do Banco Master, Lula tem usado o caso para atacar adversários ligados ao banqueiro, entre eles o senador Flávio Bolsonaro.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/vorcaro-deu-dinheiro-para-filme-sobre-lula-em-troca-de-negocios-no-governo-e-fez-acerto-de-propina-de-r1-bilhao

Novo Senado pode reduzir votos exigidos por Gilmar em impeachment de ministros

GIlmar Mendes proibiu, em decisão monocrática, afastamento de ministros durante impeachment (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Além de impulsionar processos de impeachment contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova composição do Senado terá condições de superar um obstáculo criado por Gilmar Mendes para destituir ministros da Corte. Em dezembro do ano passado, em decisão monocrática, o ministro proibiu o afastamento preventivo durante a tramitação e elevou o quórum necessário para o avanço do processo.

Com o crescimento da bancada de direita na última eleição, o PL — que se firmou como o maior partido do Senado — calcula que terá 49 votos na nova legislatura, cinco a menos que os 54 necessários para aprovar o impeachment. A meta da legenda é eleger Rogério Marinho (RN) para a presidência da Casa em 2027, garantindo a abertura de processo contra o ministro Alexandre de Moraes.

A nova maioria também permitiria aprovar uma lei para derrubar as exigências fixadas por Gilmar Mendes. Outra alternativa é o Senado aplicar diretamente a Lei do Impeachment e ignorar a liminar, por se tratar de decisão individual ainda não referendada pelo plenário do STF.

A ação que serviu de base para a decisão exige que liminares para suspender leis sejam aprovadas pela maioria absoluta do STF (ao menos 6 dos 11 ministros). A concessão monocrática só é admitida em casos de “extrema urgência ou perigo de lesão grave” e deve ser submetida ao plenário. Embora liberado para julgamento desde dezembro, o processo ainda não foi pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Pela Lei do Impeachment, a condenação definitiva de um ministro exige 54 votos (dois terços do Senado). O texto legal, contudo, estabelece duas votações intermediárias entre a abertura do processo — ato privativo do presidente da Casa — e o julgamento final. Nessas etapas preliminares, exige-se apenas maioria simples para o prosseguimento da denúncia.

Assim, estando presente o quórum mínimo de 41 senadores, 21 votos são suficientes para acolher a acusação e afastar o ministro do cargo na segunda deliberação.

Em dezembro, ao julgar duas ações sobre o rito do impeachment contra ministros, Gilmar Mendes vetou o afastamento cautelar no recebimento da denúncia e fixou o quórum dessa fase em dois terços dos senadores — a mesma exigência da condenação definitiva.

O recebimento da denúncia é a etapa em que os senadores analisam se há indícios mínimos da prática de crime de responsabilidade. Para ministros do STF, a lei estabelece cinco condutas passíveis de punição:

  1. Alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;
  2. Proferir julgamento quando, por lei, for suspeito na causa;
  3. Exercer atividade político-partidária;
  4. Ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
  5. Proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções.

No plano político, o recebimento da denúncia e o afastamento cautelar são um forte indicativo de que o impeachment se concretizará. Em maio de 2016, na abertura do processo contra a então presidente Dilma Rousseff, o plenário aprovou a medida por 55 votos a 22.

Embora o placar tenha superado dois terços da Casa, bastavam 40 votos — maioria simples dos 79 senadores presentes (o procedimento para impeachment de presidente também passa pela Câmara, mas no Senado tramita de forma semelhante ao de ministros do STF).

Na ocasião em que concedeu a liminar, Gilmar Mendes sustentou que a maioria simples facilitaria o uso abusivo do instituto, deixando as autoridades “sujeitas às intempéries da política partidária corriqueira”.

“Somente o quórum de dois terços, por refletir um consenso político elevado, constitui um filtro contra investidas indevidas e oportunistas, sendo o único compatível com o reconhecimento da necessidade de proteger a imparcialidade e a independência de autoridades que atuam à margem da lógica majoritária e que, por isso mesmo, devem ser resguardadas de pressões políticas circunstanciais e passageiras”, escreveu.

O ministro derrubou a previsão de afastamento sob a justificativa de proteger a independência judicial contra pressões e retaliações motivadas por suas decisões. Mencionou também parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundo o qual a medida “desfalca necessariamente o Tribunal, que não tem, ao contrário do Presidente da República, um substituto que assuma as suas funções”.

As alterações promovidas por Gilmar Mendes foram contestadas pelo Senado. Em parecer, a advocacia do Senado afirmou que a Constituição delegou à lei ordinária o rito do processo, garantindo ao Congresso autonomia para fixar as regras e os quóruns de deliberação.

“A Constituição estabeleceu a maioria qualificada para a condenação por crime de responsabilidade, em regra clara e precisa quanto ao seu alcance, deixando à lei especial a disciplina do procedimento e dos demais quóruns de deliberação. Onde o constituinte quis estabelecer um quórum majorado, ele o fez expressamente”, sustentaram os juristas da Casa.

O parecer também defendeu a manutenção da previsão de afastamento, uma medida necessária, segundo a advocacia do Senado, para “resguardar a higidez institucional e a credibilidade do processo, inclusive para que o acusado possa exercer plenamente os seus direitos de defesa (pessoal e técnica) e contraditório”.

Em artigo recente sobre o tema, o procurador e professor de Direito Penal Cesar Dario Mariano criticou a unificação dos quóruns em dois terços. “Na admissibilidade, verifica-se se existem fatos determinados, enquadramento legal e suporte probatório suficiente para justificar o prosseguimento da ação. No julgamento final, decide-se se a infração foi demonstrada. Não se deve exigir o mesmo apoio necessário à condenação definitiva para permitir que uma acusação fundamentada seja processada”, argumenta o professor.

Projeto de lei mantém afastamento por maioria simples

À época da liminar, senadores protestaram contra a interferência de Gilmar Mendes no texto legal. Diante das reações, o ministro recuou apenas no ponto que restringia a apresentação de denúncias ao procurador-geral da República, restabelecendo a prerrogativa a qualquer cidadão.

O ministro, contudo, manteve as demais restrições. Ele alegou que a medida visava proteger os integrantes do STF de pressões políticas e incentivar o Congresso a modernizar a Lei do Impeachment, que data de 1950.

Desde 2023, tramita no Senado um projeto de lei elaborado por uma comissão de juristas presidida pelo ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski. A proposta resulta de debates iniciados em 2016 para atualizar a legislação sobre crimes de responsabilidade.

Diferentemente da decisão monocrática, o projeto preserva o afastamento cautelar da autoridade no recebimento da denúncia por maioria simples: “Uma vez autorizada a abertura do processo, a autoridade será afastada do cargo. Caso contrário, a denúncia será arquivada. Essa decisão é tomada por maioria simples do órgão competente para julgamento”, prevê o texto.

Com a nova composição do Senado, a bancada conservadora terá condições de destravar a proposta, atualmente parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O projeto prevê ainda mecanismos para impedir que o presidente do Senado engavete pedidos de impeachment de forma soberana. Hoje, mais de uma centena de denúncias contra ministros do STF aguardam análise sem prazo determinado.

Pela nova regra, o presidente da Casa terá 30 dias para apreciar a denúncia. Em caso de arquivamento ou omissão, caberá recurso à Mesa Diretora mediante assinatura de um terço dos senadores (27). Se a Mesa mantiver a rejeição, um segundo recurso — subscrito pela maioria absoluta (41 senadores) — levará a deliberação diretamente ao plenário.

“A sistemática criada pelo anteprojeto impede que os presidentes das Casas Legislativas detenham indefinidamente o andamento das denúncias, cuja tramitação poderá ser imposta por meio dos recursos apropriados”, conclui o parecer do anteprojeto.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/novo-senado-pode-reduzir-votos-exigidos-por-gilmar-em-impeachment-de-ministros/

Pacificação nacional não virá com “acordões”

O presidente do STF, Edson Fachin, e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, se encontraram nesta semana. (Foto: ChatGPT sobre foto de Rosinei Coutinho/STF)

Coincidência ou não, logo depois da vitória da direita no primeiro turno, especialmente na eleição para o Senado, o sistema persecutório que tanto abusou das liberdades e garantias individuais nos últimos anos “virou a chave”: Alexandre de Moraes arquivou processos contra os jornalistas Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, e concedeu regime semiaberto à cabeleireira Débora; e o procurador-geral Paulo Gonet deu parecer favorável ao pedido de Jair Bolsonaro para que receba a visita do filho Flávio. São medidas que, muito provavelmente, não passam do mero cumprimento da lei, mas que destoam completamente da prática recente do ministro e da PGR.

Antes das eleições, um “grande acordo nacional” (nas imortais palavras de Romero Jucá e Sérgio Machado) tinha sido costurado entre STF, Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre para garantir a proteção mútua, e o Supremo entrou em “modo sobrevivência” dobrando a aposta nos abusos e na blindagem, como demonstrou a pavorosa sessão de 15 de setembro e as decisões de ministros da corte, especialmente Flávio Dino e Gilmar Mendes, que interferiram diretamente na campanha eleitoral. Mas ninguém contava com o que saiu das urnas em 4 de outubro. Estaria o abusivo sistema persecutório instalado na PGR e no Supremo testando uma nova versão do “modo sobrevivência”, entregando anéis para não perder os dedos, em busca de refazer o “grande acordo nacional”, desta vez com os prováveis futuros vencedores de outubro?

Impeachment não é vingança, nem golpe, nem autoritarismo: é instrumento previsto na Constituição para membros do STF que abusam da importante posição que ocupam

O velho cacique do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o partido, agora com uma inédita bancada de 29 senadores, lançará Rogério Marinho para a presidência do Senado, mas evitou uma posição mais enfática sobre o impeachment de Alexandre de Moraes, afirmando em entrevista à CNN Brasil na segunda-feira que “isso tem de ser discutido”. O próprio Marinho, no entanto, felizmente foi menos escorregadio. Após uma reunião com o presidente do Supremo, Edson Fachin, na terça-feira, o senador disse a jornalistas que “não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão”.

Impeachment, ao contrário do que dizem os defensores de Moraes e outros ministros, não é vingança, nem golpe, nem autoritarismo: é instrumento previsto na Constituição para membros do Supremo Tribunal Federal que cometem crimes de responsabilidade, abusando da importante posição que ocupam. E crimes de responsabilidade não faltam no conjunto da obra dos supremos ministros, não apenas de Moraes: as relações indecentes com o banqueiro Daniel Vorcaro e as tentativas de escondê-las do resto do país; o estabelecimento de um Estado policialesco e perseguidor; as violações da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e do devido processo legal; os processos políticos e as condenações por crimes inexistentes ou que, mesmo planejados, não chegaram a ser tentados. Moraes está longe de ser o único a ser enquadrado em ao menos um dos itens do artigo 39 da Lei do Impeachment.

Mas impeachment sem a exposição de todos os abusos cometidos corre o risco de se tornar uma empreitada no mínimo mal compreendida, e no máximo frustrada pela pressão de partes da opinião pública contra o que pode, sim, ser entendido como vingança. A Gazeta do Povo tem insistido que muitos democratas sinceros, por razões as mais diversas, mesmo criticando os ministros pelos desdobramentos do caso Master e pelo esforço de autoblindagem, continuam sem perceber a enorme gravidade de tudo o que foi feito ao longo dos últimos sete anos e meio (se tomarmos como ponto de partida a abertura do inquérito das fake news). E por isso seguiremos reforçando a necessidade de outro instrumento parlamentar fundamental para a pacificação do país: a CPI do Abuso de Autoridade na Câmara, que só não foi instaurada porque Motta seguiu Alcolumbre na covardia. Ainda que o principal incentivador da CPI, o deputado Marcel van Hattem, já não esteja na Câmara a partir de 2027 por ter sido eleito para o Senado, não faltarão deputados capazes de assumir o bastão, e oxalá tenhamos também um novo presidente da Câmara com a coragem de fazer o que precisa ser feito.

Que fique muito claro: o brasileiro não elegeu senadores e deputados para vinganças irracionais, mas também não os elegeu para fazerem “acordões” que preservem ministros indignos de seus cargos em troca de algumas concessões, como a saída (por impeachment ou renúncia) apenas de Moraes e a libertação de alguns dos brasileiros injustamente presos. A promessa feita por Marinho, de não se omitir, inclui o dever moral de não deixar impune quem precisa ser punido. Qualquer “acordão” enviará ao país a mensagem de que o abuso compensa, e não a mensagem de que o país não deseja nunca mais retornar aos dias de juristocracia, dias em que o império da lei foi substituído pela vontade de alguns poucos magistrados. Isso não trará nem pacificação, nem normalização democrática; que os novos senadores tenham consciência disso e não se acovardem quando chegar o momento para o qual foram eleitos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/acordao-senado-supremo-pacificacao-nacional/

Por que o partido do MBL fracassou nas eleições

Renan Santos: após o resultado ruim nas urnas, o líder do Missão atacou eleitores e adversários, mas depois prometeu moderar o discurso (Foto: Isaac Fontana/EFE)

“Não é que faltou um tiquinho. Não faltou um tiquinho. Foi apenas muito ruim”, reconheceu Renan Santos, candidato do partido Missão, na noite de domingo (4). A avaliação foi ao ar no formato preferido de Renan, em que há anos ele passa horas e horas por dia falando com seus seguidores: uma live no YouTube. 

Encerrada com 2,24% dos votos, a campanha presidencial deveria marcar o início da construção da bancada nacional do partido, fundado em 2023 pelo MBL (Movimento Brasil Livre). A jornada, no entanto, terminou com apenas dois mandatos, ambos em São Paulo — Kim Kataguiri na Câmara dos Deputados e Rafa Minato na Assembleia Legislativa. 

Em 2018, antes de ter a própria legenda, o MBL elegeu quatro integrantes em três estados (Paraná, Mato Grosso e São Paulo). No pleito seguinte, o grupo também fez dois deputados paulistas, como neste ano. Mas as duas vagas conquistadas agora não bastaram para atingir a cláusula de barreira e garantir acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita. 

A aposta era ambiciosa: reunir e organizar uma direita ao mesmo tempo antipetista e antibolsonarista. Antes da campanha, Renan Santos afirmou à Gazeta do Povo que o Missão deveria ser “uma das três expressões políticas mais poderosas do Brasil”. 

A confiança era tanta que, no sábado (3), Kim Kataguiri prometeu que renunciaria ao mandato se Renan ficasse na casa dos 3% dos votos. Cobrado após o resultado, o deputado respondeu com ironia: “Eu disse que renunciaria se ele fizesse 3. Ele fez 2”. 

Em outras lives transmitidas desde domingo, as lideranças da legenda misturaram frustração, defesa da campanha e planos para o futuro. Já numa entrevista à GloboNews, na terça-feira (6), Renan se limitou a criticar o bolsonarismo — o que setores da direita viram como uma tentativa apressada de pedir abrigo na esquerda. 

“Bancada de retardados” 

Mas o balanço do Missão teve um “lado B” que pegou mal. Na live de domingo, Renan Santos despejou uma sequência de insultos contra políticos do PL, eleitores que não votaram nele e, principalmente, ex-integrantes do MBL vitoriosos nas urnas. 

Flávio Bolsonaro foi um dos principais alvos. “Flávio é bandido. Um nada em termos de carisma, um nada em termos de inteligência. Um homem fraco, burro, corrupto”, disse. 

Os deputados federais eleitos pelo PL também entraram na dança: “É uma bancada de influencers retardados. As pessoas estão dando uma carta branca, como nunca deram na história do Brasil, para um grupo de idiotas”. 

O clima ficou ainda mais azedo quando Renan falou sobre os dissidentes do MBL que se aproximaram do bolsonarismo. “A maior parte é de figuras canalhas, baixíssimas. Vocês nunca tiveram nada a ver com a gente”, afirmou. 

Sobrou até para a população em geral. “A voz do povo não é a voz de Deus. O povo brasileiro é muito equivocado e resolveu errar novamente. Os eleitores brasileiros deixaram um recado bem claro: eles acreditam em qualquer coisa”, disse. 

“Absoluto desprezo” 

Esse tom agressivo ajudou a manter a militância animada, mas pode ter afastado justamente o público que o Missão precisava conquistar. Para um partido estreante, fazer do confronto uma marca registrada cria uma dificuldade imediata: como atrair quem não é acostumado com essa linguagem se a primeira conversa já começa com uma bronca? 

Um exemplo foi a postura de Renan Santos em encontros com o meio empresarial. Em setembro, numa sabatina com investidores e executivos em São Paulo, ele causou mal-estar logo de cara, ao chamar Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, de “idiota”. 

Em seguida, o candidato disse que não respeitava o público presente que pretendia votar em Flávio. Pelo contrário: tinha “absoluto desprezo” por eles. 

Em outras agendas com empreendedores, Renan chegou a dizer que “a elite brasileira é um lixo”. E definiu como “agiotas” os empresários que trocam a atividade produtiva por ganhos no mercado financeiro. 

Parte da energia do MBL também foi gasta com brigas dentro da bolha da direita no YouTube. Especialmente na reta final da campanha, quando o grupo teve de rebater acusações dos influenciadores — e antigos apoiadores — Nando Moura e Glenda Varotto (conhecida como “Espectro Cinza”). 

As denúncias mereciam resposta, mas a cúpula do Missão transformou os embates numa programação de vídeos longos e lives bem quando mais precisava apresentar candidatos e pedir votos. 

“Estrangulação algorítmica” 

Na tentativa de digerir o baque e dar explicações à militância, os dirigentes do Missão também apresentaram uma série de justificativas financeiras, tecnológicas e sociológicas. A primeira explicação foi o dinheiro. 

Segundo Renan Santos, sua campanha arrecadou cerca de R$ 3 milhões, enquanto a de Flávio Bolsonaro contou com quase R$ 100 milhões. “Nós fizemos o máximo que dava para fazer com o mínimo de recurso”, afirmou. 

Outro motivo para o resultado “muito ruim” foi o que os líderes da legenda chamaram de “estrangulação algorítmica”. Traduzindo: a queda do alcance das publicações nas redes sociais ao longo do ano. 

“Aquilo foi mortal”, disse Renan. Na avaliação dele, a dificuldade de chegar ao público criou uma sensação de invisibilidade e fraqueza no partido — enquanto os adversários tinham dinheiro para impulsionar conteúdos e contratar “microinfluenciadores”. 

Dificuldade fora da bolha 

Já o publicitário Pedro Deyrot, coordenador do Missão e candidato derrotado a deputado federal pelo Paraná, lamentou o avanço do bolsonarismo, definido por ele como “um grande movimento irracional de fenômeno de massa”. “Racionalmente falando, não faz sentido um candidato que pipocou de escândalo de corrupção ser quase eleito no primeiro turno”, disse Deyrot, que teve cerca de 37 mil votos. 

A conclusão de Renan é que o eleitor brasileiro não pode ser chamado de conservador, e sim de “convencional”. Para ele, ser de direita no país “é odiar o PT e amar a família Bolsonaro”. 

Nesse sentido, nenhuma mudança no discurso do Missão mudaria o desempenho do partido. “Nosso projeto não nos joga para baixo. O que nos joga para baixo é não sermos Bolsonaro”, afirmou. 

Mas houve também algum espaço para a autocrítica. Deyrot admitiu que a campanha teve dificuldade de transformar o apoio da militância em votos fora da bolha predominantemente juvenil do MBL.

“A nossa taxa de multiplicação de voto foi muito baixa. E eu acho que o insight está aí: o isolamento do movimento espelha o isolamento dos mais jovens”, disse o coordenador, sugerindo que essa geração convive em círculos mais fechados, o que também limita o alcance do partido.

O exército dos inexperientes 

Vale lembrar que o esforço do Missão não se limitou à internet. Renan Santos percorreu o país, participou de sabatinas e levou as propostas do partido para o rádio e a televisão.

Enquanto isso, os núcleos e militantes trabalharam para se organizar regionalmente e lançar candidaturas. Mas apresentar nomes espalhados pelo Brasil é diferente de montar chapas realmente competitivas. 

A verdade é que o Missão estreou nas urnas com um time de novatos. Dos 487 candidatos a deputado federal e estadual, 403 nunca haviam disputado uma eleição — cerca de 83%, segundo levantamento nos dados do TSE. 

A esmagadora maioria, portanto, tinha o mesmo desafio da legenda: conquistar votos pela primeira vez. 

Para quem foi o dinheiro 

A distribuição dos recursos de campanha também indica que o partido ainda está aprendendo onde concentrar suas apostas. O Missão recebeu cerca de R$ 3,3 milhões do Fundo Eleitoral. Mas R$ 820 mil foram destinados apenas para oito candidaturas a governador. 

A divisão levanta uma dúvida: valia mais investir nas disputas do Executivo ou concentrar dinheiro em candidatos com chances de formar bancadas? 

Pedro Deyrot, no entanto, garantiu que os concorrentes do Legislativo não ficaram em segundo plano — apenas “estavam focados neles próprios” (cada candidato cuidou da própria divulgação e buscou seus apoiadores). 

Ainda segundo o coordenador, o voto para presidente ou governador não se transfere automaticamente para os demais concorrentes do partido. “Geralmente não é uma conversão ‘diretona’”, disse. 

Aceno para a esquerda? 

Na terça-feira (6), em entrevista à GloboNews, Renan Santos praticamente só atacou o bolsonarismo. Comparou a possível hegemonia do PL à do antigo PRI mexicano (partido que dominou a política do país por décadas) e afirmou que o eleitor da direita deixou de escolher propostas em nome de uma “confiança total e completa” na família Bolsonaro. 

Ao explicar os próximos passos do Missão, ele defendeu a busca por um eleitorado “mais eclético” e aberto a novas ideias. “Acho que é perda de tempo disputar espaço com a direita hoje”, disse. 

O comportamento de Renan na GloboNews, marcado até por um tom de voz mais ameno, foi interpretado por setores conservadores como um aceno à esquerda — ele parecia mais empenhado em rejeitar o bolsonarismo do que em combater o PT. 

Em outra live, transmitida no mesmo dia, Renan repetiu esse tom mais polido e prometeu moderar o discurso daqui para frente. Ele também admitiu estar “um pouco cansado de ficar indignado”. 

Renan Santos ainda afirmou que o MBL, a partir de agora, vai começar a organizar “de verdade” o Missão. Mas manteve, como sempre, a ambição lá no alto. “Nós vamos governar o Brasil”, garantiu. 

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com Kim Kataguiri e Renan Santos para solicitar entrevistas. Kim disse que a cúpula do Missão “ainda está arrumando a casa” após a campanha e não vai dar entrevistas por enquanto. Renan não deu retorno.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/por-que-partido-mbl-fracassou-eleicoes/

Nobel da Paz esnoba Trump e premia jurista que acusou Israel de genocídio

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, reconhecida nesta sexta-feira (9) com o Prêmio Nobel da Paz (Foto: MARTIAL TREZZINI/EFE/EPA)

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado pelo segundo ano seguido que merecia receber o Prêmio Nobel da Paz, o comitê norueguês esnobou o mandatário americano novamente e nesta sexta-feira (9) decidiu conceder a honraria à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay.

Em comunicado, o comitê afirmou que Pillay, de 85 anos, foi reconhecida “por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional”.

No início da sua carreira, ela defendeu opositores ao apartheid, o sistema discriminatório que governou a África do Sul entre 1948 e 1994, sendo aliada de Nelson Mandela.

Depois, atuou como juíza na Alta Corte da África do Sul, no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano, e no Tribunal Penal Internacional (TPI).

Além disso, foi alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e presidente da Comissão Internacional de Inquérito Independente da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados.

Hoje, Pillay é juíza na Corte Internacional de Justiça (CIJ), no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya no estado de Raquine.

“Navi Pillay responsabilizou Estados e líderes nacionais e trouxe esperança a vítimas de violência e conflitos. Em todos os cargos que ocupou, ela enfatizou a responsabilidade de indivíduos e Estados em cumprir o Estado de Direito”, afirmou o Comitê Norueguês do Nobel em comunicado.

Em 2014, mais de cem membros do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta a Pillay, então alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, alegando viés da ONU contra Israel.

Seu trabalho à frente da Comissão Internacional de Inquérito Independente da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados também foi criticado, já que o órgão acusou Israel em 2025 de cometer “genocídio” na guerra na Faixa de Gaza contra o grupo terrorista Hamas.

Na ocasião, Pillay declarou: “Existe a intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que preenchem os critérios estabelecidos na Convenção sobre Genocídio”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/nobel-paz-esnoba-trump-premia-jurista-acusou-israel-genocidio/

Carol de Toni, do PL, sagra-se fenômeno eleitoral

Caroline de Toni (PL) é a segunda mulher eleita senadora por Santa Catarina, 24 anos depois de Ideli Salvatti (PT), em 2002. Outras chegaram à cadeira pela suplência, como Ivete da Silveira (MDB), que assumiu no lugar do governador Jorginho Mello (PL). (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

No cenário político de Santa Catarina, um dos bastiões do conservadorismo político brasileiro, poucas figuras simbolizam esse posicionamento tão bem quanto Caroline Rodrigues de Toni (PL). A advogada de 40 anos, natural de Chapecó, no oeste do estado, consolidou uma trajetória fulgurante que culminou na conquista de uma vaga no Senado Federal, registrando índices expressivos de votação.

A senadora eleita teve 2.694.918 votos (33,5% dos votos válidos), e Carlos Bolsonaro, 2.041.840 votos (25,4% dos votos válidos). Eles farão parte da bancada catarinense ao lado de outro senador do PL, Jorge Seif, cujo mandato vai até 2031. 

A votação de Carol de Toni foi o maior percentual dentre todos os senadores eleitos neste ano. O primeiro suplente dela é Geraldo Wetzel Neto (Novo), e o segundo suplente, Andrey Tomazi (PL).

Ela é a segunda mulher eleita senadora por Santa Catarina, 24 anos depois de Ideli Salvatti (PT), em 2002. Outras chegaram à cadeira pela suplência, como Ivete da Silveira (MDB), que assumiu no lugar do governador Jorginho Mello (PL).

Seguidora de Olavo de Carvalho e defensora do conservadorismo

Mais do que um triunfo eleitoral isolado, o resultado carimbou de vez a liderança de uma política que transformou o combate cultural e a disciplina doutrinária de direita na sua principal característica. Nas redes sociais, a senadora eleita comemorou os mais de 2 milhões de votos recebidos e disse que o resultado aumentará sua responsabilidade junto à população de Santa Catarina.

“Estou pensando já no desafio que a gente tem pela frente, que é retomar a lei, as instituições e a Constituição de nosso país, para que nenhuma autoridade, por mais alto que seja o órgão, esteja acima da lei ou das outras pessoas”, afirmou.

Para compreender como a jovem jurista que iniciou sua caminhada no ativismo de rua nas jornadas de 2013 e se tornou um dos nomes mais influentes da direita no Congresso, é preciso voltar ao ponto de partida. A história política de Carol de Toni se desenha a partir de manifestações, das redes sociais e na formação teórica da chamada “nova direita” brasileira.

Nascida em setembro de 1986 no coração do agronegócio catarinense, Carol de Toni construiu formação acadêmica na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), onde se graduou em Direito. Posteriormente, obteve o título de mestre em Direito Público no Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, em São José. É casada com o empresário Matheus Bortoluzzi e tem uma filha, Betina.

Aluna assídua dos cursos online do filósofo Olavo de Carvalho desde o início dos anos 2000, De Toni nunca escondeu o orgulho da sua formação ideológica. Em diversas oportunidades, declarou-se publicamente uma defensora do resgate do pensamento conservador no Brasil, apontando Olavo de Carvalho como a grande bússola de suas convicções políticas e morais.

Campanha de Carol de Toni teve forte apelo à segurança pública e oposição a pautas progressistas

Como uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) em Santa Catarina, Caroline de Toni organizou manifestações em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ao longo de 2015 e 2016. A primeira tentativa nas urnas — uma candidatura a vereadora em Chapecó pelo PP em 2016 — resultou em primeira suplência.

A grande guinada ocorreu em 2018. Migrando para o PSL do então pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro, Carol de Toni surfou a onda da renovação conservadora e foi eleita deputada federal com mais de 109 mil votos, tornando-se a mulher mais votada do estado naquele pleito. 

Ao longo do mandato, a catarinense manteve-se leal à pauta do ex-presidente. Atuou como vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara e relatou projetos estratégicos para a ala conservadora.

Em 2022, já filiada ao Partido Liberal (PL), reelegeu-se com 227,6 mil votos, estabelecendo o feito de ser a candidata mais votada de Santa Catarina entre todos os postulantes à Câmara dos Deputados. Em 2024, foi alçada à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados — o colegiado mais importante do Parlamento.

Caroline De Toni chegou a ter o nome questionado na disputa da própria legenda no começo de 2026, ainda na época de pré-campanha. Com o pouso de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, a legenda cogitou reservar as cadeiras para o ex-vereador carioca e Esperidião Amin, numa tentativa de uma coligação com o PP. De Toni fez valer sua força eleitoral, ameaçou deixar a sigla, forçou a chapa puro sangue para o Senado com Carlos Bolsonaro e superou Amin nas urnas junto com o colega do PL. 

Nas ruas e nos palanques na corrida para o Senado neste ano, a campanha reforçou a defesa da propriedade privada, alinhamento ao agronegócio, forte apelo à segurança pública e oposição às pautas progressistas do governo federal. Entre as principais bandeiras dela estão:

  • oposição ao aborto,
  • combate à ideologia de gênero,
  • defesa do direito ao homeschooling (ensino doméstico),
  • defesa do direito à legítima defesa,
  • flexibilização do porte de armas,
  • desregulamentação da economia,
  • enxugamento da máquina pública e
  • limites ao Supremo Tribunal Federal. 

Ao garantir vaga no Senado Federal como a mais votada da história recente de Santa Catarina, Carol de Toni volta ao Congresso como uma das lideranças conservadoras mais fortes da região Sul.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/santa-catarina-2026/perfil-caroline-de-toni/#cxrecs_s

Alexandre Garcia

Campanha bate cabeça com um Lula desconectado do mundo digital

O presidente Lula, em reunião com a bancada do PT em 7 de outubro. (Foto: André Borges/EFE)

Queria voltar ao “em casa onde falta pão (ou picanha), todo mundo briga e ninguém tem razão”. Primeiro quiseram culpar Sidônio Palmeira. Então, Kátia Abreu pediu “menos Janja”. A primeira-dama diz que não sai, porque está respaldada pelo marido. Agora, uma base da juventude petista reforça: não quer Janja e quer Alckmin. E foi o que fizeram, estão botando Geraldo Alckmin e Ana Elisa, uma jovem de 21 anos que foi eleita deputada por Minas Gerais, para falar por Lula.

Lula está reconhecendo que não consegue mais falar com o eleitor. Pediram para ele gravar shorts nas redes sociais. Mas ele não é dessa geração, não se sintonizou com a geração digital. Lula não consegue, não tem jeito. Ele mesmo diz que fica incomodado, está se desligando mesmo, perdendo a sintonia com o povo. Lula chegou a dizer que, na primeira eleição que disputou, a de 1989, em que foi ao segundo turno contra Fernando Collor, estava mais organizado que agora. Eu sei disso: vi os debates, mediei alguns deles, e o Lula daquela época era diferente do Lula de agora, articulava melhor as frases, dizia menos bobagens. Não sei o que está havendo com o candidato.

Datafolha coloca Flávio apenas quatro pontos à frente; alguém acredita?

O primeiro Datafolha do segundo turno diz que Flávio Bolsonaro tem 52% e Lula tem 48%. Alguém acredita em uma pesquisa que, no primeiro turno, dava Lula com 45% e Flávio com 42%, quando a realidade foi 47% para Flávio e 45% para Lula? Então, tenho o direito de ficar com todos os pés atrás.

Metodologia das pesquisas

Segundo turno: O Datafolha entrevistou 2.520 pessoas nos dias 6 e 7 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02949/2026. Primeiro turno: O Datafolha entrevistou 4.006 pessoas em 3 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01708/2026.

Advogado passou endereço particular de Gonet para Vorcaro 

Apareceu mais uma de Paulo Gonet, o procurador-geral da República, com Daniel Vorcaro. Segundo os jornais, há mensagens do advogado Ciro Soares passando a Vorcaro o endereço domiciliar particular de Gonet. Não sei se era para mandar Macallan, mandar charuto ou o quê. Gonet insiste que foi uma relação brevíssima, mas não: Vorcaro estava em um almoço em homenagem a ele, aparece a foto. Depois, Gonet aparece fumando charuto com Vorcaro, embevecido, lá em Londres. Ele é o procurador-geral da República, tem de ser como a mulher de César: não basta ser honesto, tem de parecer que não há relações promíscuas com Vorcaro. Aliás, o próprio Lula, outro dia, falou em “promiscuidade” do Supremo – devia estar falando de Vorcaro.

Paes recorre, mas Douglas Ruas deve mesmo se tornar o governador do Rio de Janeiro

Neste sábado haverá uma recontagem pro forma de votos no Rio de Janeiro, necessária para a decisão de confirmar o deputado Douglas Ruas, do PL, como governador eleito do estado. Eduardo Paes recorreu ao STF, e ainda por cima quer decidir quem não pode ser relator, pedindo para André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli ficarem de fora do sorteio. Eu sei que há um desespero, mas o desespero leva à emocionalidade e ao abandono das coisas sérias. No fim, a ação caiu com Cristiano Zanin, que negou o recurso.

Quem se absteve no primeiro turno vai mesmo deixar que os outros decidam?

O segundo turno está se aproximando. Na prática, temos só mais duas semanas para que aqueles que não foram votar pensem: vão mesmo deixar que outros decidam entre os dois candidatos? Não vão tomar nenhuma decisão, entre continuar ou interromper para tentar corrigir? Não vou falar em números, porque eles estão aí, são impossíveis de negar, mas levanto uma questão mais subjetiva: talvez a nossa principal crise seja mesmo de moralidade.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/campanha-lula-mundo-digital/

Quem é Lucas Polese, deputado federal eleito com votação recorde no Espírito Santo

Polese teve quase três vezes a votação da segunda colocada, Jack Rocha (PT), que conquistou 142.187 votos. (Foto: Lucas S. Costa/Assembleia Legislativa do Espírito Santo)

Lucas da Re Polese (PL) recebeu 419.735 votos nas eleições de 4 de outubro e se tornou o deputado federal mais votado da história do Espírito Santo. O resultado corresponde a 19,66% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados e supera mais que o dobro do recorde anterior, de Amaro Neto (PP), que recebeu 181.813 votos em 2018.

Polese teve quase três vezes a votação da segunda colocada, Jack Rocha (PT), que conquistou 142.187 votos.

A votação também influenciou a composição da bancada capixaba. O PL conquistou duas das dez cadeiras do estado, assim como União Brasil e PT.

Podemos, Progressistas, Republicanos e PSB ficaram com uma vaga cada. O resultado reforçou o peso eleitoral de Polese e alterou as expectativas dos partidos que disputavam as cadeiras pelo sistema proporcional.

O quociente eleitoral no Espírito Santo foi de 213.498 votos, calculado a partir do total de votos válidos dividido pelas dez vagas em disputa. Polese, sozinho, recebeu quase o dobro desse número.

Embora a votação individual não determine diretamente a distribuição das cadeiras, o resultado teve peso expressivo no desempenho do PL e na disputa pelas vagas restantes, que também considera a votação dos partidos e federações e as regras de distribuição das sobras.

Da internet à fiscalização do poder público

Nascido em 24 de outubro de 1996, em Cariacica, na região metropolitana de Vitória, Polese mudou-se aos oito anos para Colatina, no noroeste capixaba.

A família mantém uma pequena propriedade rural com plantação de café, e ele ajudou nas atividades do campo durante a infância e a adolescência.

Antes de entrar na política institucional, Polese trabalhou com internet, web design e artes gráficas.

Seu interesse pela política ganhou força em 2014, após a reeleição da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Em entrevista ao portal Política Capixaba, ele contou que começou a estudar o funcionamento do poder público e a buscar formas de participar do debate político.

Em 2016, criou uma página na internet para fiscalizar políticos, contratos, licitações e decisões de órgãos públicos do Espírito Santo.

A iniciativa procurava dar visibilidade ao uso do dinheiro público, questionar despesas e cobrar explicações de autoridades.

Segundo Polese, o trabalho contribuiu para barrar contratos e compras que considerava desnecessários e para contestar reajustes salariais de vereadores em municípios capixabas.

A atuação digital abriu caminho para a organização de um movimento político.

Atuação no Instituto Liberal

Polese fundou o Instituto Liberal do Espírito Santo (Iles), do qual se tornou presidente.

A entidade passou a divulgar ideias ligadas à liberdade econômica, à responsabilidade fiscal, à transparência administrativa e à participação dos cidadãos na fiscalização do Estado.

O trabalho também levou Polese ao debate eleitoral antes de sua primeira candidatura.

Em 2018, quando tinha 21 anos, publicou vídeos com críticas a Renato Casagrande (PSB), então candidato ao governo estadual.

Um dos conteúdos motivou uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) que determinou sua retirada do Facebook, após pedido da campanha de Casagrande.

Chegada à Assembleia Legislativa

Em 2022, Polese disputou sua primeira eleição e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) pelo PL, com 29.490 votos.

Aos 26 anos, tornou-se o deputado estadual mais jovem eleito para a Casa.

No Legislativo estadual, assumiu uma posição de oposição ao governador Renato Casagrande.

Em entrevista ao portal O Capixaba, em março de 2023, afirmou que pretendia reduzir a burocracia, ampliar a transparência, fiscalizar gastos e combater o que chamou de “indústria da multa” contra o setor produtivo.

Também destacou a defesa da família, da liberdade e do fortalecimento das forças de segurança.

A atuação parlamentar deu continuidade às pautas que ele já defendia antes da eleição.

Polese apresentou propostas relacionadas à proteção da propriedade privada, ao uso de bens apreendidos por órgãos de segurança e à fiscalização da administração pública.

Em 2023, protocolou o Projeto de Lei 166/2023, que previa sanções administrativas para invasões de propriedades privadas urbanas e rurais.

A proposta buscava estabelecer consequências para os responsáveis por essas invasões no âmbito estadual. Em junho de 2024, a Assembleia manteve o veto do governador ao projeto.

No ano seguinte, Polese apresentou o Projeto de Lei 28/2024, que propunha instituir uma política estadual de proteção e defesa da propriedade privada e do patrimônio público.

Também protocolou uma proposta para permitir que órgãos de segurança utilizassem bens e recursos apreendidos de origem criminosa, desde que uma decisão judicial reconhecesse o interesse público.

Conservadorismo e liberdade econômica

Polese associa sua atuação política a princípios liberais na economia e conservadores nos costumes.

Entre as pautas que defende estão a redução de despesas do Estado, a simplificação de regras para empreendedores, a transparência dos gastos públicos e o fortalecimento das forças de segurança.

Em entrevista ao Política Capixaba, afirmou que pretende combater a corrupção e a burocracia, além de defender a família e a liberdade.

A segurança pública também aparece entre suas prioridades, com apoio à valorização dos profissionais das polícias e à integração entre as forças de segurança.

Próximos passos em Brasília

Em entrevista ao Aqui Notícias, publicada em 6 de outubro, Lucas Polese apresentou quatro eixos para o mandato na Câmara dos Deputados: equilíbrio entre os Poderes, ajuste fiscal, segurança pública e segurança jurídica.

O deputado federal eleito também defendeu mudanças no Judiciário, redução de impostos e desburocratização da economia.

No campo institucional, Polese afirmou que pretende apoiar iniciativas para ampliar a fiscalização do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo pedidos de impeachment de ministros, comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e uma reforma do Judiciário.

Entre as mudanças que defende estão a definição de mandatos para ministros e a revisão das regras relacionadas à atuação pública dos integrantes da Corte.

Na área econômica, o deputado quer trabalhar pela redução do número de ministérios, por uma reforma administrativa e pelo ajuste das contas públicas.

Também defendeu a redução de impostos e criticou o aumento da carga tributária promovido pelo governo Lula. Segundo ele, a política tributária atual incentiva empresas e trabalhadores a migrar para a informalidade.

A segurança pública é outro eixo central da agenda. Polese defendeu a redução da maioridade penal e mudanças na legislação para endurecer o tratamento dado a integrantes de organizações criminosas.

Na entrevista, afirmou que pretende diferenciar os integrantes de facções dos demais criminosos e restringir benefícios penitenciários para integrantes dessas organizações.

Polese também citou mudanças nas regras para setores econômicos e criticou decisões governamentais que, em sua avaliação, alteram as condições de funcionamento de atividades já regulamentadas.

Para ele, o país precisa garantir maior previsibilidade às empresas e aos investidores.

Demandas do Espírito Santo

Polese também apontou medidas específicas para o seu estado. Uma das prioridades é ampliar a oferta de serviços especializados de saúde fora da região metropolitana, com estruturas distribuídas pelas microrregiões capixabas.

Segundo ele, a concentração dos atendimentos na capital obriga pacientes do interior a percorrer longas distâncias e sobrecarrega os serviços metropolitanos.

O setor portuário é outra preocupação. O deputado afirmou que a burocracia reduz a competitividade dos portos do Espírito Santo diante de concorrentes internacionais.

Por isso, defendeu a revisão de exigências administrativas para facilitar operações e atrair investimentos.

Na área rural, Polese pretende avançar na elaboração de um estatuto da propriedade privada.

A proposta, segundo explicou, busca estabelecer critérios mais objetivos para processos de desapropriação conduzidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de ampliar a segurança jurídica dos proprietários e estabelecer prazos para adequação às exigências legais.

O parlamentar afirmou que pretende manter uma atuação independente do governo federal: apoiará medidas que considerar benéficas ao país e fará oposição às que avaliar prejudiciais, independentemente de quem estiver na Presidência.

Ele resumiu sua posição com a afirmação de que seu compromisso é com o país, e não com políticos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/espirito-santo/quem-e-lucas-polese-deputado-eleito-com-votacao-recorde-no-espirito-santo/#cxrecs_s

“Semiaberto fake”: defesa diz que Débora tem menos benefícios que presos de facções

Débora Rodrigues dos Santos é mãe de duas crianças e ficou dois anos presa por ordem do ministro Alexandre de Moraes. (Foto: Reprodução/STF/AP 2508)

Após o ministro Alexandre de Moraes reconhecer a progressão de regime prisional para Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom, advogados da cabeleireira classificaram a nova condição como um “semiaberto de fachada” ou “semiaberto fake”, com menos benefícios do que para criminosos de facções. As declarações da defesa foram apresentadas nesta quarta-feira (7) pelas redes sociais e em recurso enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com os advogados Hélio Júnior e Taniéli Telles, na decisão assinada por Moraes no dia 2 de outubro não foi estabelecida rotina de saídas para que a cabeleireira possa realizar atividades concedidas a presos comuns que progridem para o semiaberto. A Gazeta do Povo chegou a publicar reportagem explicando quais seriam os deslocamentos compatíveis com o novo regime prisional, mas nenhum foi liberado pelo ministro.

É necessário que a progressão alcance a vida concreta da apenada.Hélio Júnior e Taniéli Telles, advogados de Débora Rodrigues dos Santos, a Débora do Batom

“A decisão não autorizou expressamente Débora a trabalhar, estudar, levar os filhos à escola, ir ao mercado ou realizar outros deslocamentos do dia a dia”, explicam os advogados. “Também não houve manifestação expressa revogando as demais medidas cautelares”, continuaram, em referência ao uso de tornozeleira eletrônica e às proibições de Débora usar redes sociais, conceder entrevistas e receber visitas.

Segundo a defesa, no entanto, há diversos presos vinculados a facções que receberam o benefício de deixar o estabelecimento prisional no regime semiaberto para visitas e convívio externo. “Enquanto Débora, embora já se encontre em prisão domiciliar humanitária, continua impedida de receber livremente integrantes de sua própria família”, ressalta a defesa, pontuando que não basta mudar o nome do regime nos autos. “É necessário que a progressão alcance a vida concreta da apenada”.

Entre os casos de integrantes de organizações criminosas citados pela defesa de Débora está o de Valdeci Alves dos Santos, conhecido como “Colorido”, um dos líderes do PCC. “Ele cumpria pena no Centro de Progressão Penitenciária de Valparaíso (SP), em regime semiaberto, e recebeu saída temporária no Dia dos Pais, em agosto de 2014”, informa a defesa de Débora Rodrigues.

Outro caso apresentado é o de Daniel Conceição Guedes, conhecido como “Piu Piu” e apontado pelas autoridades como integrante do Comando Vermelho (CV). Segundo os advogados, o homem cumpria pena de 10 anos por tráfico de drogas, associação para o tráfico e roubo majorado em regime semiaberto, e recebeu benefício de Visita Periódica ao Lar (VPL), em julho de 2026, deixando efetivamente a unidade prisional.

“O regime semiaberto, em situações concretas e observados os requisitos legais aplicáveis, pode produzir efeitos materiais de reinserção e convívio externo mesmo em execuções de crimes graves”, diz a defesa, ao solicitar que a passagem de Débora para um regime menos gravoso traga mudanças reais para a rotina dela. “O regime semiaberto não pode ser convertido em ‘semiaberto de fachada’”.

Defesa solicita posicionamento de Moraes a respeito da rotina de Débora do Batom

Nos embargos de declaração protocolados nesta quarta-feira (7), a defesa apresentou seus questionamentos e pediu, então, que Moraes estabeleça regras para que Débora utilize os benefícios do novo regime.

Entre as solicitações estão autorização para trabalhar e estudar fora de casa, levar e buscar os filhos na escola, participar de eventos escolares como Dia das Mães e Dia dos Pais, e comparecer à igreja, especialmente aos sábados.

O documento ainda solicita “regras gerais e objetivas” para realização de consultas médicas e odontológicas, sem a necessidade de autorização judicial para “cada ato ordinário da vida”. Além disso, os advogados pedem que as medidas cautelares sejam reavaliadas “individualmente, com indicação expressa do risco atual que pretende neutralizar”.

Jurista aponta excesso na restrição de visitas, mas vê benefício na progressão de Débora

De acordo com Rodrigo Chemim, doutor em Direito de Estado, a manutenção integral das “restrições que nasceram como cautelares, antes da condenação definitiva, exige fundamentação atual e individualizada”. Ele também destaca que a limitação relacionada às visitas de familiares “parece ir além do próprio regime prisional”.

Já em relação às demais mudanças relacionadas ao semiaberto, como trabalho e estudo, o jurista aponta que o Código Penal admite essas atividades externas, mas que elas dependem de pedido da defesa para serem autorizadas pela Justiça. Após as solicitações, Chemim adianta que tendem a ser autorizados, pois, “negá-las sem fundamento seria esvaziar o regime”.

Portanto, segundo o especialista, a decisão do ministro Alexandre de Moraes não trouxe nenhum efeito prático imediato para Débora, mas pode abrir portas em breve. “E passa a contar o prazo para a próxima progressão, ao regime aberto”, ressalta o especialista, pontuando ainda que a cabeleireira tem a garantia de que, se a prisão domiciliar for revogada, ela não voltará ao regime fechado.

Caso despertou atenção do país devido às ilegalidades

Débora Rodrigues dos Santos foi presa preventivamente em 17 de março de 2023, dois meses após os atos de 8 de janeiro, e permaneceu mais de um ano e quatro meses encarcerada, sem denúncia do Ministério Público (MP). A Gazeta do Povo foi o primeiro veículo de comunicação a revelar o caso, em junho de 2024, e apontou na reportagem que esse tempo de prisão preventiva foi 12 vezes maior que o prazo máximo permitido, de até 35 dias.

Na época, a defesa de Débora apresentou inúmeros pedidos para que ela fosse colocada em prisão domiciliar, citando o fato de ser mãe de dois meninos menores de 12 anos. No entanto, durante dois anos, os pedidos foram rejeitados, apesar de o STF já ter concedido, por unanimidade, prisão domiciliar para todas as presas grávidas, com bebês ou com filhos de até 12 anos, em 2018. A cabeleireira só teve prisão preventiva substituída pela domiciliar em março de 2025.

A moradora de Paulínia (SP) foi identificada após os atos do 8 de janeiro devido a imagens dela escrevendo com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, em frente ao STF. Ela não entrou nos prédios públicos, e a pichação foi removida com sabão neutro nos dias seguintes ao 8/1.

O Artigo 65 da Lei 9.605 apresenta o crime de “pichar, grafitar ou conspurcar (sujar) edificação ou monumento” como crime de menor potencial ofensivo, e a infração costuma ser paga com cestas básicas.

No entanto, a cabeleireira foi acusada pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, deterioração de patrimônio tombado, e dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União. Em junho de 2025, ela foi condenada a 14 anos de prisão.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/semiaberto-fake-defesa-diz-que-debora-tem-menos-beneficios-que-presos-de-faccoes/

Rodrigo Constantino

Flávio sai na frente, mas eleição ainda não terminou

O senador Flávio Bolsonaro (PL) dá declarações à imprensa em Brasília (DF) após a apuração dos resultados oficiais do primeiro turno (Foto: André Borges/EFE)

As primeiras pesquisas do segundo turno colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula. Na Quaest (registro no TSE BR-02197/2026), divulgada no sábado, antes do primeiro turno, o senador já aparecia 44% contra 42% do presidente. No Datafolha (registro no TSE BR-01708/2026), também divulgada na véspera do primeiro turno, o placar ficou 47% a 46% para Lula, diferença que cabe inteira na margem de erro e lembrando que esse instituto sempre infla o candidato à esquerda. Atlas e outros institutos repetem o mesmo filme: vantagem de meio ponto para cá, meio ponto para lá. O PoderData, na primeira pesquisa após o primeiro turno (registro no TSE BR-08134/2026) coloca, de forma mais realista, Flávio com 53% contra 47% de Lula. Quem lê manchete e já marca o churrasco da vitória está se precipitando, porém.

O primeiro turno serviu para medir o tamanho do antipetismo e a capacidade de Flávio de herdar o eleitorado do pai sem desabar. Passou no teste. O segundo turno é outra eleição. Lula deixa de ser o incumbente cansado disputando com uma meia dúzia de nomes e vira o candidato único da máquina, do medo e da mentira organizada.

E máquina, o PT ainda tem. Ministério, estatais, emendas, prefeituras aliadas, o caixa que não aparece na prestação de contas e a rede de artistas que troca cachê por palanque. A campanha de Flávio vai enfrentar o terrorismo eleitoral de sempre: o fim do Bolsa Família, o fim da aposentadoria, o tanque na porta da favela, o fim do voto feminino e a democracia em risco. Nada disso precisa ser verdade. Precisa apenas caber num vídeo de trinta segundos e circular antes que alguém chegue à fonte. A direita que trata isso como folclore já perdeu eleição assim.

Tratar o ativo como título provisório é o jeito mais rápido de devolvê-lo. Arregaçar a manga não é slogan. É visita, é santinho, é palanque, é resposta rápida à mentira, é não entregar o centro de bandeja para o discurso do caos

O outro lado, porém, não está em festa. Casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Kátia Abreu, recém-chegada ao PT e responsável pela campanha no Tocantins, foi aplaudida na reunião da cúpula ao pedir menos Janja e mais Alckmin. Chamou o comando de “paulistas sem voto” e tratou o gospel da primeira-dama no comício como erro de estratégia. Janja respondeu que não sai do palanque, porque quem decide é o marido. Alckmin, o vice que deveria costurar o centro, continua de figurante.

Do lado do entretenimento militante, José de Abreu decretou a morte política de André Janones. Rachadinha, liderança usurpada da esquerda, gritaria de pastor: o ator velho de guerra não engoliu o deputado que montou o “Exército do Lula” no WhatsApp e prometeu virar a eleição na marra digital, mas teve pouco voto em sua própria candidatura. A briga é patética e, ao mesmo tempo, reveladora. Quando o projeto perde o chão, a militância passa a disputar o microfone. Ninguém ali está discutindo o preço da comida. Estão discutindo quem manda no resto do circo.

Nada disso absolve a direita da obrigação de trabalhar. Briga interna do PT não transfere voto sozinha; só mostra o clima de desespero com o resultado do primeiro turno. Artista ressentido não anula o alcance da tevê pública nem o pavor fabricado nas periferias. A rejeição a Lula continua alta, o Nordeste continua petista e o eleitor de centro ainda pode ser assustado na reta final. Quem já “ganhou” no grupo de família costuma ser o mesmo que some da rua quando o adversário liga a máquina.

A campanha do PL não está dormindo, ao menos. Tem apostado na política tradicional e atraído o apoio do centro, compensando a falta da máquina estatal petista. Além da capilaridade que o centrão oferece, esse apoio representa um termômetro melhor do que pesquisas tradicionais: essa turma só gosta de apostar no cavalo favorito. A reação dos mercados e as bolsas de apostas acrescentam lenha na fogueira do otimismo conservador. Mas deve ser um otimismo cauteloso, sempre.

O recado das pesquisas é simples. Flávio sai na frente no número que mais importa neste momento, o do segundo turno, e sai na frente sem ter a caneta, a verba e o horário eleitoral gratuito do governo. Isso é ativo. Tratar o ativo como título provisório é o jeito mais rápido de devolvê-lo. Arregaçar a manga não é slogan. É visita, é santinho, é palanque, é resposta rápida à mentira, é não entregar o centro de bandeja para o discurso do caos. E, como alertou Nikolas Ferreira, evitar bola dividida que em nada agrega.

Lula chega desgastado, com a família política em pé de guerra e um eleitorado que já o conhece demais. Pode tentar usar uma máscara, mas todos sabem o que ele fez nos últimos verões. Flávio chega com o vento das urnas e a desconfiança de quem ainda não o viu governar. A distância entre os dois cenários cabe numa margem de erro. Cabe também numa semana de preguiça. A direita que quiser o Planalto não tem o direito de relaxar. O outro lado, mesmo brigando por pão que não tem, ainda sabe ligar a máquina.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/flavio-sai-na-frente-mas-eleicao-ainda-nao-terminou/

Leonardo Coutinho

A nova aliança pró-Israel na América Latina e sua maior vulnerabilidade

A América Latina se reaproxima de Israel, mas o avanço do antissemitismo fora das chancelarias ameaça fragilizar essa nova aliança. (Foto: Leon Natan/Pexels)

Três anos depois dos brutais ataques terroristas do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, a América Latina assiste a uma mudança de direção. Enquanto parte da região apostou no isolamento diplomático em relação a Israel, uma nova frente de governos conservadores começa a reconstruir essas relações. José Antonio Kast e Abelardo de la Espriella encabeçam essa aproximação. Flávio Bolsonaro poderá ampliar o grupo caso vença o segundo turno da eleição brasileira, em 25 de outubro.

A mudança mais recente ocorreu na Colômbia. Desde que assumiu a presidência, em agosto, Abelardo de la Espriella começou a desmontar a política de hostilidade a Israel adotada por Gustavo Petro. Seu governo acertou a restauração das relações diplomáticas plenas, anunciou a transferência da embaixada para Jerusalém, comprometeu-se a retomar as exportações e a retirar o país tanto do processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça quanto do Grupo de Haia, articulação internacional pela adoção de medidas contra o Estado israelense. Petro havia rompido relações diplomáticas com Israel em 2024, durante a guerra em Gaza.

A guinada colombiana não é um episódio isolado. Na Argentina, Javier Milei transformou o apoio a Israel em uma das marcas de sua política externa. Em abril, ao lado de Benjamin Netanyahu, lançou os Acordos de Isaac, uma iniciativa para aproximar Israel de países latino-americanos dispostos a cooperar em segurança, tecnologia e combate ao terrorismo, ao antissemitismo e ao narcotráfico. O acordo também identifica a expansão das redes iranianas no Hemisfério Ocidental como uma preocupação estratégica.

No Chile, José Antonio Kast começou a reconstruir as pontes danificadas durante o governo de Gabriel Boric. Em maio, encontrou-se com o presidente israelense Isaac Herzog. No mês seguinte, nomeou Gabriel Zaliasnik embaixador em Israel. Em julho, representantes dos dois países já discutiam cooperação em defesa, inteligência, segurança e inovação tecnológica. A aproximação marca uma mudança em relação ao governo anterior, que havia retirado seu embaixador para consultas e suspendido a participação israelense em eventos militares.

Embora caminhem na mesma direção, esses governos chegam a Israel por caminhos distintos. Para Milei, o vínculo envolve convicções ideológicas, afinidade pessoal com o judaísmo e uma visão de política externa que associa Israel à defesa da civilização ocidental. Kast combina valores conservadores com interesses concretos de segurança e cooperação tecnológica. Na Colômbia, a relação sempre teve um componente pragmático, especialmente nas áreas de defesa, inteligência e tecnologia agrícola. De la Espriella acrescentou a essa parceria uma dimensão ideológica e religiosa que a aproxima do movimento conservador regional.

No Brasil, Jair Bolsonaro fez da relação com Israel uma peça importante de sua identidade política, fortalecida pelo apoio das igrejas evangélicas. Seu filho Flávio herdou essa base eleitoral e, caso chegue à Presidência, terá condições políticas de retomar a aproximação interrompida pelo governo Lula. Mas há uma fragilidade nessa aliança que os governos parecem subestimar: boa parte do apoio popular a Israel vem de comunidades religiosas que também se tornaram terreno fértil para a circulação de narrativas antijudaicas.

A dimensão religiosa ajuda a explicar por que Israel conquistou um lugar tão particular na política latino-americana. Para milhões de evangélicos, o Estado judeu representa muito mais do que um parceiro diplomático. Israel ocupa um lugar central em sua interpretação das Escrituras e da história bíblica. O apoio ao país, portanto, não depende necessariamente de acordos comerciais, alianças militares ou simpatia por um governante israelense.

As igrejas conseguiram fazer o que décadas de diplomacia não seriam capazes de realizar sozinhas: transformar uma questão distante de política externa em assunto presente nos cultos, nas conversas familiares e na identidade religiosa de milhões de eleitores. Essa ligação pode sobreviver às mudanças de governo e influenciar decisões eleitorais muito além da política para o Oriente Médio. É justamente aí que se encontra a vulnerabilidade dessa nova aliança.

Nos Estados Unidos, o apoio a Israel já enfrenta desgaste entre segmentos tradicionalmente favoráveis ao país. Pesquisas do Pew Research Center mostram que, entre os evangélicos brancos americanos, a opinião favorável sobre o povo israelense caiu de 84% em 2024 para 74% em 2026.

A avaliação positiva do governo israelense recuou de 71% para 57% no mesmo período. Parte desse desgaste acompanha a reação à guerra em Gaza e às decisões do governo Netanyahu.

Outra parte se manifesta em discursos nacionalistas contrários ao financiamento de Israel com recursos dos contribuintes americanos e ao envolvimento dos Estados Unidos em conflitos externos. Essas posições, por si só, não constituem antissemitismo. O problema surge quando o debate político passa a incorporar acusações coletivas contra os judeus, teorias conspiratórias ou a ideia de que Israel controla as decisões de Washington.

Na América Latina, onde o apoio dos governos a Israel não envolve compromissos financeiros comparáveis aos americanos, o debate assume características diferentes.

O terreno religioso é particularmente sensível. Antigos preconceitos cristãos contra os judeus, que atravessaram séculos, encontram nas redes sociais novas oportunidades de circulação. Entre eles estão a acusação de responsabilidade coletiva dos judeus pela morte de Cristo, a ideia de que o judaísmo representa uma ameaça à fé cristã e as teorias sobre um suposto poder judaico oculto que controlaria governos, instituições financeiras ou lideranças religiosas.

São preconceitos antigos, agora difundidos em vídeos, podcasts, grupos de mensagens e publicações que podem alcançar comunidades religiosas sem passar pelos filtros tradicionais das instituições

Um levantamento divulgado em 2026 pelo Web Observatory, em colaboração com o Congresso Judaico Latino-Americano e outras organizações judaicas, examinou mais de 118 milhões de publicações e comentários em sete plataformas digitais. O estudo identificou a persistência de níveis de antissemitismo em língua espanhola muito superiores aos registrados antes dos ataques de 7 de outubro de 2023.

O material analisado revela um ambiente no qual referências religiosas hostis aos judeus convivem com teorias da conspiração, negação ou distorção do Holocausto e acusações que responsabilizam indistintamente a população judaica pelas ações do Estado de Israel. Mensagens originadas em diferentes campos políticos podem terminar reproduzindo os mesmos estereótipos.

Para os governos que agora se aproximam de Israel, esse é um problema que vai muito além da diplomacia. A força dessa relação depende de sua capacidade de resistir às disputas eleitorais e às mudanças de orientação política. Quando a aproximação fica restrita à vontade de um presidente, basta uma eleição para revertê-la. O caso de Lula é exemplar sobre esse giro político.

Uma relação sustentada também pela confiança entre comunidades religiosas possui raízes mais profundas. Mas essas raízes não são imunes à corrosão. Se o antissemitismo conseguir transformar a solidariedade aos judeus em motivo de suspeita dentro de parcelas do mundo cristão, a aproximação diplomática perderá parte importante de sua sustentação social.

O mapa político da América Latina pode estar se movendo em direção a Israel. Mas a disputa mais importante acontece longe das chancelarias. A batalha está nas igrejas, nos grupos de WhatsApp, nos podcasts e nas redes sociais. A confiança entre comunidades religiosas leva gerações para ser construída e pode desaparecer muito antes que os governos percebam o estrago.

Preservá-la deixou de ser apenas uma questão de diálogo entre religiões. Por isso, inimigos de Israel estão alimentando esse incêndio. Disseminam ódio, intolerância com o objetivo de gerar divisão. Defender essa confiança já não é apenas uma responsabilidade inter-religiosa. É uma imperativa necessidade estratégica.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/a-nova-alianca-pro-israel-na-america-latina-e-sua-maior-vulnerabilidade/

Marcos Pereira ofereceu serviços de advocacia a Daniel Vorcaro

Deputado Marcos Pereira, presidente nacional do partido Republicanos – Foto: reprodução do Youtube.

O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), ofereceu serviços de advocacia ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do empresário.

As conversas ocorreram em abril de 2025, após o Banco de Brasília (BRB) anunciar a intenção de comprar o Master. A operação acabou barrada pelo Banco Central.

Nas mensagens, Marcos Pereira apresentou seu escritório de advocacia a Vorcaro e destacou que a equipe contava com 25 profissionais, além de atuar em processos relevantes nos tribunais superiores.

O presidente do Republicanos confirmou o contato, mas afirmou que a conversa teve caráter estritamente profissional. Segundo ele, não houve contratação dos serviços nem pagamento de honorários. Pereira também classificou a divulgação das mensagens como seletiva e descontextualizada.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/marcos-pereira-ofereceu-servicos-de-advocacia-a-daniel-vorcaro

PL acena aos aliados que não fará questão da presidência da Câmara

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) | Foto: Saulo Cruz / Agência Senado

Para não gerar ruídos na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, o PL fez chegar aos aliados que não tem nome definido para a presidência da Câmara, hoje ocupada por Hugo Motta, que terá dificuldades para se reeleger. No Republicanos de Motta, a prioridade é sua recondução, mas o partido não topa o “abraço de afogados”: prefere manter o posto a se inviabilizar para proteger o Motta. Não por acaso, Marcos Pereira (SP), presidente da sigla, passou a ser cogitado. Mas ainda não prosperou.

Ciúmes

Eventual substituição de Motta já despertou falatório e ciumeira no Republicanos. A quem pergunta, Pereira jura que não está na disputa.

Deu errado

Além de virar governista, Motta declarou voto em Lula (PT) na tentativa fracassada de eleger o pai senador na Paraíba. Desfeita não se esquece.

Sem rancor

A parlamentares do Republicanos, Flávio evita bola dividida. Diz que não tem problemas com Motta e que não seria entrave em eventual acordo.

Outro nome

Deputados que se elegeram à sombra de Bolsonaro defendem outro nome, Pedro Lupion (Rep-PR), deputado que é líder do agronegócio.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/pl-acena-aos-aliados-que-nao-fara-questao-da-presidencia-da-camara

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