Gilmar e Dino sabotam julgamento com tumulto e subterfúgios para blindar Moraes

Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes comandaram a sabotagem do julgamento sobre a abertura de investigação contra Moraes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A sessão convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) para decidir se o ministro Alexandre de Moraes poderia ser investigado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou horas sem chegar à questão que havia levado os ministros ao plenário.

Sobretudo por iniciativa dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, Moraes foi blindado e saiu do foco. O julgamento se desviou sucessivamente para a forma como o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a condução do processo, a situação do ministro André Mendonça, acusações de interferência eleitoral, a atuação da Polícia Federal, a existência de outros magistrados mencionados no material apreendido no caso Master e a possibilidade de reunir tudo em um único procedimento.

A primeira parte da sessão durou quase três horas e foi ocupada em grande medida por questões preliminares e bate-bocas. Depois do intervalo, o tribunal passou a discutir e votar uma questão de ordem sobre o próprio formato do julgamento. No fim do dia, nem mesmo essa discussão foi concluída: Dino voltou atrás em um voto que já tinha dado e pediu vista.

O primeiro movimento de sabotagem ocorreu quando Dino questionou a decisão de Fachin de assumir a condução do procedimento que estava sob responsabilidade de Mendonça. Para Dino, Fachin não poderia simplesmente retirar o caso das mãos do relator original e passar a conduzi-lo – prática conhecida como avocatória.

“A avocatória foi banida entre nós desde a Constituição. Não existe avocação. Avocação entre iguais. A capa de Vossa Excelência é igual à minha”, disse Dino.

O ministro passou um longo tempo sustentando que permitir esse tipo de troca de relator abriria um precedente perigoso para todo o Judiciário. “Em nenhum tribunal do país – nenhum, não é só no Supremo –, um presidente pode destituir um relator”, afirmou. “Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar.”

Fachin contestou a fala, no primeiro conflito que desviou o foco de Moraes. Disse que não havia avocado os autos e que eles haviam sido encaminhados à Presidência pelo próprio relator, André Mendonça, para que o plenário decidisse a controvérsia. “Eu recomendaria um certo cuidado de qualificar esse ato como avocatória. Não há decisão alguma da minha parte avocando os autos”, afirmou.

Depois de insistir que Fachin não poderia permanecer à frente do processo, Dino apresentou uma proposta alternativa: juntar o processo que tratava de Moraes ao procedimento que examinava acusações contra Mendonça. Depois da união, os dois casos seriam redistribuídos a um novo relator e julgados juntos em 23 de setembro.

A ideia de reunir os procedimentos já havia sido rejeitada por Fachin antes da sessão, mas acabou dominando boa parte das discussões da terça.

Gilmar amplia discussão com ataques a Mendonça e questão de ordem

Gilmar Mendes seguiu pela mesma linha, mas ampliou o alcance da proposta de Dino.

Sua questão de ordem, que passou a ser analisada pelo plenário, incluiu as seguintes providências: a reunião dos dois processos, sua redistribuição a um novo relator e a identificação de todos os magistrados citados no caso Master sobre os quais houvesse indícios de recebimento de valores indevidos. Depois disso, seriam ouvidos esses magistrados e a Procuradoria-Geral da República.

Antes de prosseguir com a análise específica sobre Moraes, portanto, o Supremo passou a discutir se juntava outro processo, mudava a relatoria e ampliava a discussão para outros magistrados mencionados no material do Master.

Em paralelo à discussão processual, Gilmar gastou boa parte de sua intervenção atacando a forma como Mendonça conduziu o caso. O decano acusou enfaticamente o colega de direcionar os procedimentos por razões eleitoreiras.

“É evidente – e até as pedras sabem – que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou. Gilmar mencionou inclusive a escolha de datas, perto do Dia da Independência: “7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo esta Corte em campanha eleitoral”.

Mendonça interrompeu: “Vossa Excelência está sendo leviano, ministro Gilmar! Leviano, leviano!” Gilmar respondeu: “Vossa Excelência não tem a palavra. Vai escutar com tranquilidade. Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de Setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso.”

Quando Gilmar apontou o dedo em sua direção, Mendonça protestou: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar! Não aponte o dedo! Não está falando com qualquer um! Respeite esse tribunal!” “Quem não se dá ao respeito não merece respeito”, respondeu Gilmar. Os confrontos entre os dois se repetiriam na parte da tarde.

Moraes também parte para o ataque e desloca foco para Mendonça; Dino faz fala prolongada e pede vista

Moraes também partiu para o ataque, transferindo o alvo para Mendonça. Durante sua manifestação, o ministro afirmou que seu colega de Corte teria tentado fazer com que a Polícia Federal o incluísse em uma colaboração premiada.

“Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada?”, questionou. Moraes disse ter testemunhas para confirmar a acusação e acrescentou que Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”.

Com boa parte da primeira sessão ocupada por discussões processuais e bate-bocas, os ministros só começaram a decidir a questão de ordem de Gilmar depois da retomada dos trabalhos, por volta das 15h30.

A discussão da questão de ordem prosseguiu até o fim da sessão da terça.

Os ministros passaram a discutir se as situações de Moraes e Mendonça eram comparáveis, se outros magistrados citados nas mensagens deveriam receber o mesmo tratamento e quais seriam os limites da atuação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Uma das manifestações de Dino sobre a questão de ordem ultrapassou 40 minutos.

Já perto do fim da sessão, houve outro bate-boca entre Gilmar e Mendonça. Gilmar acusou o colega de fazer “ilações” sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, chamou sua postura de “desfaçatez” e, quando Mendonça reagiu indignado, disse: “Pode chorar, pode chorar”.

Dino aproveitou para criticar Fachin novamente, dessa vez sobre a forma como a sessão vinha sendo conduzida. “Vossa Excelência está conduzindo o Supremo para ficar deste modo degradante do ponto de vista técnico e ético por meses”, disse ao presidente do STF.

O passo final da estratégia de sabotagem do julgamento veio também com Dino, que já havia votado, mas mudou de ideia e pediu vista da própria questão de ordem. O pedido de vista serve para que um ministro tenha mais tempo para examinar o processo e suspende o julgamento enquanto os autos não forem devolvidos. Pelas regras atuais do Supremo, Dino tem até 90 dias corridos para devolver o caso, embora possa fazê-lo antes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/gilmar-e-dino-sabotam-julgamento-com-tumulto-e-subterfugios-para-blindar-moraes/

Supremos intocáveis e chicaneiros

Gilmar Mendes protagonizou os piores momentos do julgamento desta terça-feira no STF. (Foto: ChatGPT sobre foto de Rosinei Coutinho/STF)

A ala dos ministros que se julgam intocáveis e desejam permanecer assim veio bastante preparada ao plenário do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira. O que deveria ser a análise do pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes por seu relacionamento de proximidade e confiança com o banqueiro Daniel Vorcaro se tornou um espetáculo deprimente e vergonhoso, protagonizado especialmente pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino. A dupla fez uma tabela perfeita para tumultuar a sessão e conseguir encerrá-la sem que houvesse nem sequer uma conclusão sobre competência e sobre a análise do pedido de investigação de Moraes simultaneamente a outro pedido: a retaliação de Moraes contra o relator André Mendonça.

patética peça de defesa entregue por Moraes ao presidente do STF, Edson Fachin, na noite de segunda-feira era uma prévia do que viria nesta terça. O ministro, usando os costumeiros negritos, exclamações e palavras todas em maiúsculas, agora com o acréscimo de erros de ortografia e concordância, ressuscitou o discurso do “golpe”, atribuiu as ações de Mendonça a uma “vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, e chegou ao cúmulo de acusar – sem nenhum tipo de evidência que o apoiasse, claro – uma interferência estrangeira. De concreto, em sua defesa, Moraes só conseguiu alegar que não existem mensagens de sua autoria para Vorcaro.

O núcleo duro dos intocáveis, formado por Moraes, Gilmar e Dino, criou confusão sempre que teve a chance, por meio de chicanas e provocações

Na manhã da terça-feira, depois da inesperada declaração de impedimento de Nunes Marques e da esperada abstenção de Dias Toffoli, começou o lamentável show de horrores. Dino e Gilmar deixaram explícito que estavam agindo em parceria ao levantar uma questão de ordem sobre o fato de Fachin ter assumido a relatoria dos dois pedidos de investigação, e pedindo que ambos fossem julgados juntos. Aqui, fica evidente o grande erro de Fachin quando deu seguimento à retaliação de Moraes contra Mendonça, com uma acusação de abuso de autoridade baseada em um relatório policial apócrifo, sem valor probatório, possivelmente feito por meio de monitoramento ilegal, e até com traços de preconceito religioso. Quando aceitou levar adiante o pedido de Moraes, ainda que fora do inquérito das fake news, Fachin deixou a porta aberta para a estratégia nefasta que os ministros intocáveis conduziram nesta terça-feira.

O núcleo duro dos intocáveis, formado por Moraes, Gilmar e Dino, quer igualar ambas as situações: uma relação de proximidade, atestada por um relatório da PF, entre um ministro e um investigado que pede até mesmo conselhos sobre saída do Brasil e providências para frear apurações, e que contrata a peso de ouro o escritório da esposa desse ministro; e um suposto abuso de autoridade que, no máximo, seria uma divergência sobre métodos legítimos de condução de inquéritos, embasado em um documento precário. Como já afirmamos aqui, não há equivalência moral possível entre ambos os casos – não há nem sequer o mesmo “conjunto fático”, como alegaram os intocáveis. Mesmo assim, eles aproveitaram muito bem a brecha e exploraram até o fim a possibilidade de juntá-los.

O objetivo é evidente: criar um clima de “ou se investigam todos, ou não se investiga ninguém”. Isso ficou muito claro na fala de Moraes, que, como sempre, não se incomodou com o acúmulo de papéis e votou na questão de ordem sobre a realização de um julgamento que poderia fazer dele um investigado. O ministro insistiu na possibilidade de “decisões conflitantes” caso o plenário votasse por abrir o inquérito contra ele, mas poupasse Mendonça. Um raciocínio grotescamente falacioso. Afinal, “decisões conflitantes” envolvem o mesmo assunto – como quando Mendonça afastou o diretor-geral da PF e Dino lhe restituiu o cargo horas depois, na semana passada. No entanto, se o plenário entende haver indícios que justifiquem a investigação de Moraes por seus laços com Vorcaro, mas conclui que não há razões para investigar Mendonça por abuso de autoridade, não há conflito algum.

Chicanas – como a questão de ordem e os discursos intermináveis – e falácias, no entanto, não encerram a deprimente sessão desta terça-feira. Os intocáveis ainda criaram confusão sempre que tiveram a chance. “A vida para Vossa Excelência é ofender as pessoas (…) Um temperamento agressivo, grosseiro, rude”, disse, em 2018, o então ministro Luís Roberto Barroso a Gilmar Mendes em um bate-boca que entrou para a história da corte. E o decano mostrou mais uma vez que o agora aposentado Barroso estava coberto de razão. Embora Dino e Moraes também tenham apelado, discutindo com Fachin, Luiz Fux e Mendonça (que, ao menos, não ficaram calados e se defenderam), Gilmar provocou e insultou em todas as oportunidades possíveis, interrompendo os colegas – especialmente Mendonça – e portando-se como dono da corte, ignorando as tentativas de Fachin de restabelecer a ordem. “Uma desonra para o tribunal”, para recordar mais uma vez as palavras de Barroso a Gilmar, um homem completamente indigno do cargo que ocupa.

No fim, Dino retirou seu próprio voto favorável à questão de ordem para pedir vista e bloquear a conclusão da análise com um empate – Cristiano Zanin votou junto com os intocáveis, e Cármen Lúcia acompanhou Fachin, Mendonça e Fux pela rejeição da proposta de Gilmar. Os chicaneiros impediram temporariamente que um dos seus seja investigado, apesar do caminhão de indícios que pesam contra ele. Que ao menos um bem tenha emergido do horror visto nesta terça-feira: que os brasileiros tenham percebido a importância de eleger senadores dispostos a remover do STF todos os ministros que não têm a menor condição de seguir na corte – pois Moraes não é o único, e a lista continua a crescer.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/julgamento-moraes-stf-chicanas-mendes-dino/

Moraes, Gonet, Kassio… veja a lista (atualizada) de quem se envolveu com Vorcaro

Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Kassio Nunes Marques: novas revelações sobre a rede de Daniel Vorcaro (Foto: Rosinei Coutinho/STF (Moraes e Kassio), Marcelo Camargo/Agência Brasil (Gonet))

As investigações sobre o Banco Master revelaram como Daniel Vorcaro se relacionava com figuras dos três Poderes da República. Entre os nomes dessa rede estão ministros do STF, governadores, senadores, deputados e candidatos à Presidência.

Há contratos milionários, negócios, encontros, pedidos de ajuda e intermediações. Em alguns casos, a relação com o banqueiro é alvo de investigação. Em outros, os envolvidos afirmam que os vínculos eram estritamente profissionais ou políticos, e negam qualquer irregularidade.

Desde a última atualização desta lista, novos documentos apreendidos pela Polícia Federal trouxeram informações sobre relações que até então eram desconhecidas. É o caso de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, citado em mensagens trocadas com Vorcaro. E do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), que marcou um encontro entre o banqueiro e o ministro André Mendonça.

A seguir, veja quem é quem entre os nomes ligados a Daniel Vorcaro.

ACM Neto

O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil apareceu no caso após relatórios do Coaf apontarem repasses de R$ 3,6 milhões à sua empresa de consultoria entre 2023 e 2024. Os valores vieram do Master e da gestora Reag, investigada por movimentações suspeitas ligadas ao banco. Mensagens de Daniel Vorcaro também citam um encontro entre os dois na casa do próprio banqueiro, em maio de 2024.

ACM Neto confirma os pagamentos e as reuniões. Ele diz que os contratos eram legais, com notas fiscais e recolhimento de impostos. Também afirma ter prestado serviços de análise política e econômica às empresas de Vorcaro.

Mais recentemente, em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, Daniel Vorcaro acusou ACM Neto e Antônio Rueda de receberem comissões de 10% sobre aportes de institutos de previdência no Master. Segundo Vorcaro, os dois teriam ajudado a abrir portas para o banco, mas a proposta não informa quanto teria sido efetivamente pago. ACM Neto nega a acusação e diz que nunca recebeu comissão por indicar investimentos ou captar recursos para o Master.

Alexandre de Moraes

O nome do ministro do STF foi associado ao escândalo após a revelação de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. O magistrado negou ter tratado de assuntos do Master com o Banco Central, e a PGR arquivou, em dezembro de 2025, um pedido de investigação contra o casal. O escritório afirma que o contrato foi revisado a pedido do compliance do banco e que não havia impedimento para a prestação dos serviços.

Mas relatórios da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro trouxeram novas informações sobre a relação entre os dois. As mensagens, segundo a PF, indicam que eles se encontraram pelo menos seis vezes e mostram uma relação de proximidade que começou antes do contrato, com a intermediação do ex-ministro Fábio Faria.

Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda tenho que estar fora?”. Em outras mensagens, o banqueiro pediu ao ministro que tentasse acionar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar medidas que, segundo ele, poderiam levar o banco a quebrar.

A perícia também identificou, nos metadados do contrato de R$ 131 milhões, o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última modificação do arquivo. A PF encontrou uma segunda minuta, de R$ 50 milhões, que previa, entre outras formas de pagamento, cotas de um jatinho e de um helicóptero. O escritório de Viviane Barci afirma que essa proposta não foi aceita nem assinada.

Outras mensagens mostram Moraes participando da organização do Fórum Jurídico Brasil de Ideias (evento patrocinado pelo Master, em Londres), com sugestões e vetos a convidados e reclamações sobre a estrutura do encontro.

A Polícia Federal ainda aponta que Vorcaro ofereceu ou custeou serviços e benefícios de luxo ligados a Moraes e seus familiares. O ministro não se manifestou sobre as novas revelações.

Mensagens mostram Vorcaro recorrendo a Moraes para acompanhar as investigações contra o Master e perguntando, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país.

André Mendonça

Ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro, André Mendonça teve um encontro presencial com Daniel Vorcaro, em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo, fundado pelo próprio magistrado. A reunião foi articulada pelo advogado Ciro Soares, que atuava para o Banco Master, e pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).

Segundo Mendonça, a conversa tratou da STP 976, processo que discutia créditos de precatórios de interesse do Master. O ministro afirma que apenas ouviu o banqueiro e que seu voto no caso foi contrário à posição defendida por ele.

O encontro veio à tona a partir de mensagens e áudios encontrados pela PF no celular de Vorcaro. O material mostra Ciro Soares tratando da reunião com o banqueiro e, em outro episódio, encontrando Mendonça em uma alfaiataria. André Mendonça é o relator do caso Master no STF e foi quem retirou o sigilo do relatório da PF sobre o celular de Vorcaro, que revelou as mensagens envolvendo Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues.

A decisão provocou reação dentro do próprio STF. O ministro Flávio Dino pediu que fossem apuradas possíveis conexões entre o Instituto Iter e contratos públicos, citando o encontro de Mendonça com Vorcaro e o interesse do Master em negócios ligados à concessão de cemitérios.

Mendonça nega ter cometido irregularidades. Ele afirmou que retirou o sigilo do relatório depois de encontrar no material referências a autoridades como Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Andrei Rodrigues

Diretor-geral da Polícia Federal desde janeiro de 2023, Andrei Rodrigues aparece nas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes nos dias que antecederam a prisão do banqueiro. Em uma delas, Vorcaro pergunta ao ministro: “Com o Andrei dá pra segurar?”.

Em outra, o banqueiro pede que Moraes reforce o contato com “Andrei e Paulo”, numa referência a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar medidas de delegados “de baixo” que, segundo ele, colocariam o Master em risco. Não há, no material divulgado, indicação de que Rodrigues tenha atendido aos pedidos do banqueiro.

A relação, porém, antecede a crise do banco. Em abril de 2024, Rodrigues participou, em Londres, do Fórum Jurídico Brasil de Ideias. Segundo a própria PF, os organizadores custearam sua hospedagem, alimentação e locomoção. Rodrigues também esteve numa degustação de uísque oferecida por Vorcaro, ao lado de Moraes, Gonet e outras autoridades. O evento custou cerca de US$ 640 mil.

A PF afirma que Rodrigues não recebeu remuneração, cachê, honorário, ajuda de custo ou outro benefício dos organizadores do fórum.

O nome de Andrei Rodrigues voltou ao centro da crise neste mês de setembro, quando André Mendonça determinou seu afastamento da direção da PF, alegando que o delegado teria participado de um monitoramento ilegal do próprio ministro e do advogado-geral da União, Jorge Messias. Flávio Dino suspendeu o afastamento e determinou a reintegração de Andrei, mas Edson Fachin suspendeu as duas decisões e manteve o diretor no cargo até a análise do caso pelo plenário.

Em sua defesa, Andrei negou ter monitorado Mendonça e afirmou que os relatórios de inteligência questionados foram produzidos regularmente, em cumprimento a uma ordem judicial de Alexandre de Moraes.

Rui Costa: ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula aparece no escândalo por decisões tomadas em 2018, quando ainda era governador da Bahia (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Antonio Rueda

Dados enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o Master repassou R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda, advogado e presidente do União Brasil. Num primeiro momento, ele disse que sua relação com Vorcaro era apenas “social”. Depois, reconheceu que seu escritório prestou serviços jurídicos ao grupo do banqueiro, incluindo audiências, pareceres e acordos. Reportagens também o colocam nos bastidores das negociações para a venda do banco ao BRB.

Em maio deste ano, a imprensa noticiou que Rueda alertou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) quanto à reação e ao monitoramento do governo sobre a crise do Master.

Uma proposta de delação de Daniel Vorcaro, rejeitada pela PF e pela PGR, acusou Rueda e ACM Neto de receberem 10% dos aportes de fundos de previdência no Master. Segundo o banqueiro, os dois ajudaram a abrir portas para operações que movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Rueda nega irregularidades e afirma que os valores recebidos por seus escritórios correspondem a serviços jurídicos prestados ao grupo.

Cezinha de Madureira

Deputado federal pelo PL-SP e pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, Cezinha entrou no caso Master por sua proximidade com o ministro André Mendonça. Em março de 2025, ele intermediou o encontro entre Daniel Vorcaro e Mendonça no Instituto Iter, em São Paulo. Segundo o ministro, a conversa tratou de um processo envolvendo créditos de precatórios de interesse do banco.

Em setembro, Cezinha se tornou alvo da terceira fase da Operação Transparência, da PF, que investiga suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro. A apuração mira uma possível estrutura de venda de influência em tribunais superiores. Cezinha nega irregularidades e afirma que a investigação demonstrará a legalidade de sua conduta.

Ciro Nogueira

Um dos nomes mais influentes do “centrão”, Nogueira virou um dos principais alvos políticos da Operação Compliance Zero. A PF suspeita que ele tenha recebido de R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais, por meio da empresa CNLF (ligada à família do senador), em troca de atuar em favor dos interesses do Banco Master no Congresso. Entre as articulações investigadas está a apresentação da chamada “Emenda Master”, que aumentaria a proteção dada a investidores em caso de quebra de bancos.

No início de maio, a quinta fase da operação teve buscas autorizadas em endereços ligados ao senador. Ciro admite conhecer Vorcaro, mas nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição política.

Documentos tornados públicos em setembro reforçaram as suspeitas sobre a atuação de Ciro em favor do Master. Segundo a PF, a atuação parlamentar do senador teve “alinhamento direto e contínuo” com os interesses de Vorcaro e estaria associada ao recebimento de vantagens indevidas. Ele nega ter recebido valores ilícitos do banqueiro e tenta reaver os bens bloqueados na investigação, entre eles um jatinho, uma BMW e cerca de R$ 10 milhões em ativos.

Claudio Castro

O ex-governador do Rio de Janeiro é investigado por aplicações bilionárias de recursos públicos do estado no Master, principalmente por meio do Rioprevidência (fundo que administra a aposentadoria dos servidores estaduais). As apurações apontam cerca de R$ 3,7 bilhões investidos em produtos ligados ao grupo de Vorcaro.

No dia 26 de maio, a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero contra o político do PL — a segunda o envolvendo em menos de duas semanas. A defesa do ex-governador nega irregularidades e vê motivação política nas ações.

Novas mensagens apreendidas pela PF detalharam a relação entre Claudio Castro e Daniel Vorcaro e reforçaram a suspeita de participação política do ex-governador na aproximação do Master com o governo fluminense. Os registros mostram encontros entre os dois em períodos próximos aos aportes do Rioprevidência. Castro nega ter interferido nos investimentos do fundo e afirma que não houve relação pessoal indevida com Vorcaro.

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado enfrenta dois desgastes no escândalo. O primeiro envolve a Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, que aplicou cerca de R$ 400 milhões em letras do banco em menos de 20 dias. A operação passou por um aliado político de Alcolumbre na presidência do fundo e tinha seu irmão no conselho fiscal da entidade.

O segundo episódio ocorreu em maio, quando o senador se recusou por dois dias seguidos a ler no plenário os pedidos de criação da CPMI do Banco Master, deixando ao menos cinco requerimentos sem despacho. Ele nega ter interferido nos investimentos da Amprev.

Um relatório interno da PF usado por Alexandre de Moraes para contestar a atuação de André Mendonça afirma que Alcolumbre teria sido alvo de uma tentativa de inclusão em delação premiada ligada ao caso Master. O documento foi classificado pela própria PF como de baixa confiabilidade e sem valor probatório. Alcolumbre também nega ter recebido US$ 30 milhões de Vorcaro, acusação divulgada em junho.

Dias Toffoli

O ministro do STF começou o caso Master como relator das investigações no Supremo, mas acabou entrando na própria linha de apuração após surgirem indícios de sua proximidade com o entorno de Daniel Vorcaro. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens que mencionam Toffoli e apontou conexões indiretas envolvendo negócios da família do ministro com um fundo ligado ao grupo investigado.

Depois que a imprensa noticiou o caso, Toffoli admitiu ter sido sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado ao Banco Master.

Diante da repercussão, Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito em fevereiro. Um mês depois, declarou suspeição para atuar em qualquer desdobramento do caso, incluindo pedidos de CPI.

Um novo relatório da PF aponta que Toffoli poderia ser o “beneficiário final” do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro e tinha negócios ligados à família do ministro. A investigação também identificou encontros e viagens de Toffoli em jatinhos ligados ao banqueiro.

O pedido de suspeição feito pela PF foi arquivado depois que Toffoli deixou a relatoria do caso. O ministro nega irregularidades e afirma que jamais manteve recursos no exterior.

Em resposta aos questionamentos da Gazeta do Povo, a Coordenadoria de Imprensa do STF afirmou que todas as manifestações oficiais relacionadas ao caso estão publicadas no portal de notícias da Corte.

Michel Temer: ex-presidente foi contratado pelo grupo de Vorcaro para tentar reverter a venda do Master ao BRB, mas a missão falhou (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Fábio Faria

Ex-ministro das Comunicações de Bolsonaro, ex-deputado federal e genro de Silvio Santos (1930-2024), Fábio Faria aparece nas mensagens de Daniel Vorcaro como um dos principais intermediários entre o banqueiro e Alexandre de Moraes.

Foi Faria quem, em dezembro de 2023, articulou os primeiros encontros entre os dois. Em 21 de dezembro, depois da reunião, ele informou a Vorcaro que Moraes havia gostado da conversa. Cinco dias depois, repassou ao banqueiro o telefone do ministro. Fábio Faria também organizou o almoço de 30 de dezembro daquele ano entre Vorcaro e Moraes, um dos primeiros encontros presenciais dos dois, no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão.

Em janeiro de 2024, Faria voltou a aparecer nas tratativas do contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Em março daquele ano, ele chegou a cobrar Vorcaro sobre um pagamento, dizendo que “o careca não pode atrasar”. O banqueiro classificou o contrato como o “mais importante” da instituição.

Fábio Faria ainda participou das tratativas do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, e aparece nas mensagens como interlocutor de Daniel Vorcaro sobre a participação de Moraes no evento. Em outra frente, uma empresa ligada a Vorcaro negociou a compra de 90% de um projeto eólico ligado à família de Faria, em uma operação de cerca de R$ 67,5 milhões. Mensagens citadas pela PF também indicam que o ex-ministro ajudou a aproximar Vorcaro de Dias Toffoli.

O político confirma ter recomendado o escritório de Viviane Barci a Daniel Vorcaro, mas nega ter participado de reuniões posteriores ou conhecido os valores do contrato. E afirma não ter intermediado conversas sobre processos judiciais.

Mensagens divulgadas pela PF reforçaram o papel de Fábio Faria como interlocutor de Vorcaro com autoridades. Ele aparece, por exemplo, ajudando a organizar convites para um evento privado em 2023 que reuniu o banqueiro e integrantes do governo. Faria diz que apenas repassou os convites e nega ter atuado para favorecer os interesses de Vorcaro.

Fabio Wajngarten

Ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Wajngarten foi contratado para atuar na estratégia de imagem de Daniel Vorcaro após a crise estourar. Sua empresa recebeu ao menos R$ 3,8 milhões declarados à Receita Federal. Ele confirmou a contratação e afirma que o contrato contém cláusulas de confidencialidade.

Flávia Péres (ex-Flávia Arruda)

Ex-deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Governo de Bolsonaro, Flávia Arruda passou a usar o sobrenome de nascimento Péres após se separar do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (um dos protagonistas do escândalo de corrupção conhecido como “mensalão do DEM”). Hoje ela é casada com Augusto Ferreira Lima, sócio e ex-CEO do Banco Master, preso na primeira fase da operação.

Veículos da imprensa revelaram que, segundo registros declarados pelo Master à Receita Federal, o banco repassou R$ 457 mil ao Instituto Terra Firme, ONG presidida por Flávia. A ex-deputada nega que a entidade tenha recebido qualquer recurso do grupo de Vorcaro.

Flávio Bolsonaro

O senador do PL e candidato à Presidência apareceu nas investigações após o vazamento de conversas em que ele trata diretamente com Vorcaro de repasses para o filme Dark Horse (a cinebiografia de Jair Bolsonaro). Nos registros, de setembro de 2025, Flávio menciona a necessidade de recursos para a produção — que movimentou cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio daquele ano, segundo documentos e mensagens obtidas pela imprensa.

Antes do conteúdo vir a público, o senador negou conhecer o banqueiro. Mais tarde, diante das provas, ele admitiu o pedido de patrocínio para o longa e afirmou ter se reunido com Vorcaro. A PF e o STF apuram se recursos ligados ao Master também foram direcionados para outras atividades da família Bolsonaro.

A investigação avançou neste mês de setembro, quando Flávio passou a ser formalmente investigado no STF por suspeitas relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Segundo a PF, ele foi o principal interlocutor de Vorcaro nas negociações, enquanto seu irmão Eduardo teria administrado parte dos recursos movimentados nos Estados Unidos. Flávio afirma que sua relação com o banqueiro se limitou a negociações privadas ligadas ao filme e nega irregularidades.

Guido Mantega

O ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Dilma foi contratado pelo Master para articular politicamente a venda do banco ao BRB — uma operação que o Banco Central barrou. Documentos da Receita Federal comprovam que ele recebeu R$ 14 milhões pela Pollaris, sua empresa de consultoria.

Depois da prisão de Vorcaro, Mantega ainda saiu em defesa do banqueiro em grupos de WhatsApp petistas, mas não se pronunciou publicamente sobre os pagamentos. Seu nome consta de um inquérito no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Gilmar Mendes

O decano do STF foi convidado pessoalmente por Alexandre de Moraes para o Fórum Jurídico Brasil de Ideias. Na mensagem, Moraes mencionava a presença do jornal britânico Financial Times e homenagens a Michel Temer e Rodrigo Pacheco. Gilmar confirmou presença e participou de uma reunião privativa durante o evento.

Naquela época, o Master também tinha um recurso no STF contra uma cobrança de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), tributo que incide sobre o lucro das empresas. O banco tentava derrubar uma decisão que o obrigava a recolher o imposto, e o caso estava sob relatoria de Gilmar Mendes. O processo chegou ao gabinete do ministro em fevereiro de 2025.

Gilmar ainda apareceu em uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre um voo em um avião operado pela empresa de aviação executiva Prime You. Segundo a matéria, a aeronave tinha ligação com Vorcaro, mas o veículo posteriormente corrigiu a informação.

Gilmar estava no voo a convite do empresário Marcos Molina, presidente do conselho de administração da MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, formada pela combinação de Marfrig e BRF. Molina era cotista da aeronave. O jornal esclareceu que não havia relação entre o voo e Vorcaro.

Henrique Meirelles

O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda integrou o comitê consultivo do Master entre março de 2024 e julho de 2025. Documentos da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram que ele recebeu R$ 18,5 milhões pelo trabalho.

Meirelles confirmou o contrato e disse que a atuação foi “estritamente opinativa”, voltada para análises de macroeconomia e do mercado financeiro. Ele diz que rescindiu o acordo por conta própria, alegando baixa demanda.

Hugo Motta

O presidente da Câmara chegou ao escândalo por três caminhos. O primeiro é uma acusação de que uma emenda de sua autoria beneficia empresas da família Vorcaro no mercado de carbono.

O Banco Master também emprestou ao menos R$ 22 milhões à sua cunhada para a compra de terras na Paraíba. E, como chefe do Legislativo, Motta vem impedindo a instalação da CPI do banco, sob a alegação de que há uma fila de 16 pedidos de comissão na frente.

Nas mensagens de Vorcaro, o deputado aparece como presença frequente em jantares e reuniões de bastidores. Sua assessoria nega irregularidades.

Ibaneis Rocha

O ex-governador do Distrito Federal foi citado pelo próprio Vorcaro em depoimento à PF como interlocutor nas negociações para vender o Master ao BRB. Ibaneis admite quatro encontros com o banqueiro, mas diz que “entrou mudo e saiu calado”.

Em março, veio à tona que seu escritório de advocacia havia vendido R$ 38 milhões em créditos para um fundo da Reag (a já citada gestora no centro das investigações). Sua defesa diz que o político estava afastado da firma desde 2018.

Jaques Wagner

Senador pelo PT da Bahia e líder do governo Lula no Senado, Wagner confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski como consultor do banco — mas nega ter feito o mesmo com Guido Mantega. Além disso, reportagens revelaram que a empresa de sua nora recebeu R$ 11 milhões do Master por serviços de prospecção de crédito consignado. O político diz que as operações foram regulares.

Jerônimo Rodrigues

O governador petista da Bahia reconhece que seu governo fez 207 pagamentos ao Master entre 2023 e 2026, somando R$ 49,2 milhões em repasses do Fundef (fundo criado para garantir recursos à educação básica e melhorar os salários dos professores).

O estado também foi o berço do CredCesta, o cartão consignado que impulsionou o crescimento do banco, e chegou a ter 250 mil servidores estaduais como clientes do produto. Jerônimo descartou qualquer irregularidade em sua gestão.

João Doria

O ex-governador de São Paulo e fundador do grupo Lide entrou na história por uma única mensagem: em maio de 2025, ele escreveu para Vorcaro dizendo estar “preocupado” e que o banqueiro precisaria “reagir” a “coisas” que ele estava escutando. O texto foi recuperado pela PF e divulgado em março deste ano. Doria diz que foi somente um gesto cordial, feito antes de qualquer acusação pública contra o empresário.

Kássio Nunes Marques

O Coaf identificou que R$ 18 milhões do Master e da JBS foram para a Consult Inteligência Tributária, de Teresina, ligada ao filho do ministro do STF, Kevin Marques (que recebeu R$ 281,6 mil da empresa).

Em maio, reportagens revelaram que Nunes Marques e a mulher viajaram em um jatinho bancado por uma advogada que atua em processos do banco no STJ. E, desde março, o magistrado é o relator da ação que pode obrigar o Congresso a instalar a CPI do Master — processo que segue travado em seu gabinete.

Senadores também pediram sua suspeição, alegando proximidade com Ciro Nogueira (os dois são conhecidos nos bastidores de Brasília por serem amigos de longa data). O ministro não se manifestou publicamente sobre o relatório do Coaf, mas Kevin Marques afirmou que o valor recebido vem do exercício regular da advocacia.

Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mencionam pagamentos de R$ 500 mil mensais a Kevin Marques. Não há, porém, comprovação de que esses valores tenham sido efetivamente pagos.

Em outra conversa, um agente de viagens pergunta a Vorcaro se deveria cobrar dele ou de Kássio por uma viagem de dez dias para cinco pessoas solicitada pelo ministro. O magistrado nega ter recebido benefícios do banqueiro.

Já Kevin afirma que nunca recebeu dinheiro do Master ou de Vorcaro, e que os R$ 281,6 mil identificados pelo Coaf correspondem a serviços jurídicos prestados à Consult.

Lula

O presidente da República teve seu nome ligado ao Master após a revelação de que ele recebeu Daniel Vorcaro em uma reunião fora da agenda oficial do Planalto, em dezembro de 2024. O encontro, articulado por Guido Mantega, contou com ministros e com Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central. Nas mensagens apreendidas pela PF, Vorcaro classificou o encontro como “muito forte” e “ótimo”.

Em abril deste ano, Lula revelou ter aconselhado Alexandre de Moraes a se declarar impedido no caso, dizendo ao ministro: “Não permita que joguem fora a sua biografia”. O governo nega qualquer favorecimento ao banco.

Luiz Estevão

Ex-senador pelo Distrito Federal e já condenado por corrupção no caso do TRT de São Paulo, Estevão é o dono do portal Metrópoles — que recebeu R$ 27,2 milhões do Master entre 2024 e 2025 para publicidade e patrocínio de transmissões da Série D do Campeonato Brasileiro.

O Coaf classificou a operação como “inusitada”, pois os valores eram imediatamente repassados a empresas da família de Estevão. Além disso, os pagamentos antecederam em seis meses a veiculação das propagandas.

Procurado pela Gazeta do Povo, Estevão confirmou os valores e disse que os pagamentos se referem a contratos regulares de publicidade. Ele afirmou não participar da área comercial do portal e negou qualquer interferência editorial na cobertura do caso Master.

Ricardo Lewandowski: ex-ministro do STF e da Justiça aparece no caso após ser citado em reportagens sobre consultorias jurídicas e indicações políticas ligadas ao entorno do Master (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Mario Frias

Ator, deputado federal pelo PL-SP e ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, Frias é um dos produtores executivos da cinebiografia do ex-presidente financiada por Daniel Vorcaro. Quando o caso veio a público, em maio, ele declarou que não havia “um único centavo de Vorcaro no filme”. Mas, dias depois, surgiu um áudio de dezembro de 2024, em que o parlamentar agradece o banqueiro pelo investimento.

Desde então, Mario Frias passou a dizer que o vínculo jurídico era com a empresa Entre Investimentos (uma holding apontada pela PF como braço operacional de Vorcaro), não diretamente com o banco.

A situação de Frias se complicou neste mês de setembro, quando a PF deflagrou a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas à produção de Dark Horse. Foram apreendidas sete armas registradas em seu nome, encontradas em endereço diferente do autorizado, e a PF apura possível posse irregular.

A investigação também alcança cerca de R$ 2 milhões em emendas destinadas a uma ONG ligada à produção do filme. Mario Frias nega irregularidades e chamou a operação de “cortina de fumaça” em meio ao período eleitoral.

Michel Temer

O ex-presidente da República, que também é advogado, foi contratado pelo grupo de Vorcaro em setembro de 2025, para tentar reverter o veto do Banco Central à venda do Master ao BRB. Mas a missão falhou: a liquidação foi decretada dois meses depois.

Documentos da Receita enviados à CPI do Crime Organizado confirmam os pagamentos — o banco declarou R$ 10 milhões, enquanto Temer diz ter recebido R$ 7,5 milhões. “Recebi honorários, não dinheiro”, disse o ex-presidente, insistindo que atuou estritamente como advogado privado.

Nikolas Ferreira

Em outubro de 2022, o deputado federal do PL usou o jatinho de Vorcaro para percorrer pelo menos nove estados em uma caravana de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. Nikolas diz que não sabia de quem era o avião e nega ter relação com o banqueiro. O caso foi levado ao TCU, mas a área técnica do tribunal indicou, em agosto deste ano, que a corte não teria competência para analisar os voos, por não envolverem recursos públicos.

Outras mensagens mostram o parlamentar pedindo a Daniel Vorcaro ajuda para viabilizar um negócio de mineração ligado a seu ex-assessor Thiago Faria. Vorcaro se colocou à disposição, mas não há indicação de que o pedido tenha sido atendido.

Nikolas também negou ter chamado Vorcaro de “lindão” em um áudio divulgado pelo site jornalístico de esquerda ICL. Segundo o deputado, ele disse “Dani”, apelido pelo qual o contato havia sido salvo. A Justiça Eleitoral determinou posteriormente a retirada da reportagem do ar, por considerar que a gravação não permitia concluir que ele usou o termo “lindão”.

Paulo Gonet

Procurador-geral da República, Paulo Gonet aparece nas novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro por meio do advogado Ciro Soares, que atuava como intermediário entre os dois. Em uma delas, Soares diz que “Gonet é firme”. Em outra, ele envia ao banqueiro uma foto ao lado do procurador, afirmando que Gonet queria falar com Vorcaro.

Paulo Gonet pediu a anulação do relatório da PF que revelou as mensagens, alegando que André Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar a investigação sem pedido do Ministério Público ou da própria PF. O procurador também nega ter mantido relação próxima com Vorcaro.

Ricardo Lewandowski

O ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça de Lula foi contratado pelo Master para prestar consultoria jurídica — a pedido de Jaques Wagner. A imprensa também noticiou que o escritório de sua família recebeu entre R$ 5 milhões e R$ 6,1 milhões pelo serviço ao longo de dois anos. O episódio criou um mal-estar: afinal, o contrato foi firmado enquanto Lewandowski ainda estava na Corte que hoje analisa os inquéritos sobre o banco.

Em nota, a assessoria do ex-ministro informou à Gazeta do Povo que ele prestou serviços ao Master após deixar o STF, em abril de 2023, e encerrou o contrato ao ser convidado por Lula para assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024 (quando suspendeu seu registro na OAB, como determina a lei).

Ronaldo Bento

Ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro, Bento chefiava a pasta que regulamentou o crédito consignado do Auxílio Brasil, programa que impulsionou o crescimento do Banco Master. Ao deixar o governo, ele assumiu cargos de direção em duas empresas criadas a partir do Master. Para os órgãos de controle, foi um caso clássico de “porta giratória” (quando um gestor sai do governo para lucrar no setor que ele mesmo ajudou a regulamentar).

A CPI do Crime Organizado o convocou para depor em fevereiro de 2026, mas a comissão foi encerrada antes que o ex-ministro falasse. Bento defende que sua atuação no setor privado foi lícita, ocorrendo após o período legal de quarentena e sem o uso de informações privilegiadas.

Documentos enviados à CPI também apontaram que o Banco Master e empresas ligadas a Bento receberam ou repassaram cerca de R$ 11 milhões ao ex-ministro e a companhias relacionadas a ele. Os pagamentos ocorreram depois de sua passagem pelo governo, quando já atuava no setor privado. Bento defende a legalidade dos contratos e nega qualquer irregularidade.

Ronaldo Caiado

O senador e candidato à Presidência teve seu nome ligado ao Master após reportagens revelarem que, em março de 2023, seu governo em Goiás sancionou alterações nas regras do consignado dos servidores estaduais após reuniões com representantes do banco. As novas regras permitiam que os funcionários públicos se endividassem mais e por mais tempo — o que beneficiava diretamente o CredCesta, o cartão consignado do Master.

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de Caiado informou que o Banco Master nunca firmou contrato com o governo de Goiás nem recebeu repasses públicos. Disse que a reunião foi virtual, conduzida por equipes técnicas da Secretaria da Economia, e que o projeto de lei só foi à Assembleia oito meses depois, sem urgência. A assessoria acrescentou que a ampliação da margem de consignado seguiu determinação de lei federal de 2022 e que hoje há 62 instituições autorizadas a operar consignado no estado — sendo a escolha do banco uma decisão exclusiva de cada servidor.

Romeu Zema

Em 2022, quando Zema disputou a reeleição para o governo de Minas, o diretório estadual de seu partido, o NOVO, recebeu R$ 1 milhão do pai de Vorcaro. A gestão do governador também editou normas que ampliaram o consignado dos servidores estaduais, o que favoreceu CredCesta.

Em vez de uma nota formal, a assessoria de Zema enviou à Gazeta do Povo o link de um vídeo publicado nas redes como posicionamento oficial. Na mensagem, o ex-governador afirma que a proposta de ampliação do consignado partiu da Assembleia Legislativa durante a pandemia e foi aprovada por 61 dos 77 deputados. Ele ainda diz que o decreto não direcionava os serviços para nenhum banco específico e nega ter relação com Vorcaro. Sobre a doação ao NOVO, a assessoria informou que ela ocorreu em 2022, “quando não se sabia das irregularidades do Master”, e que não houve troca de favores.

Rui Costa

O ex-ministro-chefe da Casa Civil de Lula aparece no escândalo por decisões tomadas quando ainda era governador da Bahia. Em 2018, sua gestão privatizou a rede de supermercados Ebal para o empresário Augusto Lima — que usou o negócio para criar o CredCesta.

Em 2022, já no fim de seu mandato, Costa assinou um decreto que restringia a portabilidade dos empréstimos consignados dos servidores baianos, dificultando a migração para outros bancos. Ele nega qualquer tipo de favorecimento.

Novos documentos da investigação também aproximaram Rui Costa do núcleo baiano do caso. Mensagens e registros apreendidos pela PF mostram o ex-governador citado em conversas de operadores do Master. Não há, porém, indicação de que tenha participado de irregularidades. O ministro nega que sua gestão tenha favorecido o banco.

Gazeta do Povo buscou o posicionamento dos demais citados nesta reportagem (diretamente ou por meio de suas assessorias, empresas e partidos políticos), mas não obteve retorno até a conclusão deste texto.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/moraes-gonet-veja-lista-atualizada-quem-envolveu-vorcaro/

Sessão do STF amplia problema para Lula

Pedido de vista de Flávio Dino sobre Moraes arrasta mais Lula para o centro da crise do STF. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

desfecho da sessão histórica desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisava se o ministro Alexandre de Moraes poderia ser investigado por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, traz preocupações adicionais para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta reta final rumo ao primeiro turno. A votação ocorre em 4 de outubro.

Uma eventual confirmação de investigação contra Moraes era o cenário preferencial da campanha petista, porque permitiria que Lula se apresentasse como defensor da apuração e se afastasse gradualmente do ministro. Mas a sessão foi interrompida sem a conclusão da questão de ordem sobre o julgamento e muito menos com a análise de mérito sobre as acusações contra Moraes.

A interrupção mantém o impasse na Corte e prolonga a necessidade de afastamento do mandatário de Alexandre de Moraes, estratégia antecipada pela Gazeta do Povo. Depois da sessão, petistas enxergaram a necessidade de intensificar essa estratégia, especialmente após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitar o horário eleitoral para fazer um pronunciamento sobre o caso e voltar a associar Lula a Moraes.

Na propaganda política obrigatória desta terça-feira, o candidato do PL afirmou que os dois fazem parte de um “sistema apodrecido”. A associação havia sido explicitada por Flávio no ato de 7 de setembro, na Avenida Paulista, quando afirmou que “quem vota em Lula também vota em Alexandre de Moraes”.

O problema é que o pedido de vista que interrompeu a sessão foi justamente de Flávio Dino, indicado por Lula ao STF depois de ter ocupado o Ministério da Justiça na atual gestão federal. Dino foi celebrado pelo petista pela chegada do que classificou como “um comunista no STF”. Antes de ingressar na política, Dino era juiz federal; em 2006, deixou a magistratura para disputar uma vaga de deputado federal pelo PCdoB.

Um dos argumentos de Lula em relação a Moraes era associá-lo ao governo de Michel Temer, que o indicou ao STF. Agora, com Dino, esse argumento perde força. “É um distanciamento impossível”, avalia o estrategista eleitoral Roberto Reis.

Por outro lado, a campanha de Lula avalia que o enfraquecimento de Moraes na sessão pode ser explorado para tentar transferir a crise para dentro do próprio Supremo. Para isso, a ideia é que Lula passe a citar nominalmente os ministros ao cobrar investigações.

Até então, Lula vinha usando uma fórmula genérica — defender que tudo fosse investigado “doa a quem doer” — sem mencionar Moraes diretamente. Antes da sessão, a orientação registrada no núcleo da campanha era evitar citações nominais aos ministros.

Para Reis, no entanto, o episódio coloca Lula ainda mais no centro que envolve a crise da Corte e pode reforçar, entre parte dos eleitores, a percepção de uma atuação política de membros do STF na blindagem a Moraes.

“O que aconteceu hoje [ontem, no Supremo] tem uma característica muito ruim para quem queria diminuir a temperatura: houve uma sessão extraordinária, troca pública de acusações entre ministros, impedimento, suspeição e discussão sobre a própria forma de conduzir o caso”, analisa Reis. “Efeito contrário do esperado”, acrescenta ele.

Campanha de Lula em segundo plano

Cientista político e diretor da Dominium Consultoria, Leandro Gabiatti avalia que o episódio no STF desvia a atenção das campanhas. “A campanha de Lula tem estado em segundo plano”, diz.

“E isso acontece num momento em que há um desgaste principalmente pela economia em relação ao governo dele. Essa dificuldade se reflete no melhor desempenho de Flávio e na piora do desempenho de Lula”, opina ele.

Mesmo assim, Gabiatti não acredita que o Supremo tenha se transformado em uma variável determinante para a maioria dos eleitores. “Uma grande maioria na Quaest aponta que a questão do Supremo não está influenciando o seu voto”, diz. “O que estão dizendo é: ‘todo mundo está envolvido, nivela todo mundo por igual. Então, Supremo, Master não altera meu voto’.”

No levantamento, 67% disseram que a crise no STF não influencia no voto para presidente; 22% afirmaram que o episódio reforça a escolha já feita e 7% consideram mudar de candidato. Entre os independentes, 66% disseram que a crise não altera o voto, 19% que reforça a escolha e 9% consideram mudar.

A pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro entrevistou 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro, presencialmente, em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança, e o levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-03607/2026.

Já Roberto Reis entende que o impasse gerado pela sessão pode funcionar como um gatilho para uma parcela dos eleitores. “A decisão central sobre a investigação de Alexandre de Moraes não teve uma conclusão simples e imediata. Talvez o eleitor queira resolver isso na urna.”

Ofensiva digital

A menos de três semanas para o primeiro turno, a campanha de Lula ampliou a atuação nas redes sociais combinando o conteúdo dos perfis oficiais do candidato com uma rede de militantes, influenciadores e comunicadores mobilizados pelo PT. A mudança ocorre depois de meses de preocupação dentro do partido com a dificuldade de competir com a mobilização digital da direita.

A iniciativa “Pode espalhar” treina apoiadores para atuar como porta-vozes de Lula nas redes, com sugestões de conteúdo, orientações e materiais para compartilhamento. Ampliada em junho para estruturar uma rede nacional de militantes, a plataforma oferece conteúdos para diferentes redes sociais, incluindo vídeos verticais para stories e reels do Instagram e para o TikTok, além de grupos e comunidades no WhatsApp e no Telegram. Também disponibiliza a ferramenta de inteligência artificial “LuIA” para auxiliar os apoiadores na busca por conteúdos.

No domingo (13), Lula participou de uma transmissão ao vivo com militantes, influenciadores e comunicadores, depois de uma série de atos do PT pelo país. Durante a transmissão, pediu que os apoiadores disseminassem a “verdade” na reta final e combatessem o que chamou de desinformação. Lula também explorou temas econômicos, como inflação e poder de compra, atacou Flávio Bolsonaro e falou sobre a investigação do caso Master.

O esforço inclui ainda uma frente de reação a conteúdos considerados desfavoráveis. Em agosto, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que classificou como uma ação coordenada de disseminação de conteúdos falsos sobre o preço dos alimentos.

A representação citou publicações semelhantes feitas por influenciadores ligados ao PL. A disputa passou a envolver também acusações recíprocas entre as campanhas sobre uso de perfis falsos e inteligência artificial.

Dados recentes divulgados pela campanha do PT indicam aumento do engajamento. Segundo levantamento do núcleo de comunicação de Lula, os perfis do presidente e do PT lideraram as interações na última semana. No Instagram, Lula registrou 5,7 milhões de interações, contra 5 milhões de Flávio Bolsonaro, enquanto o PT teve 3,2 milhões, ante menos de 1 milhão do PL. No domingo (13), a live de Lula durante a mobilização petista teve 270 mil visualizações.

A disputa, porém, ocorre em um ambiente no qual os eleitores de Lula ainda aparecem menos expostos a influenciadores e grupos de mensagens do que os eleitores de Flávio. Pesquisa Datafolha realizada no início do mês mostrou que, entre usuários de redes sociais que viram conteúdo eleitoral, 55% dos eleitores de Lula disseram ter visto publicações de influenciadores e 43%, em grupos de WhatsApp ou Telegram. Entre os eleitores de Flávio, os índices foram de 68% e 55%, respectivamente.

Foram 2.002 entrevistados pelo Datafolha Instituto de Pesquisas, de 1º a 3 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo grupo Folha da Manhã, do Jornal Folha de São Paulo, Globo Comunicação e Participações S.A.,TV Rede Globo, GloboPlay Eletromídia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03669/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/sessao-stf-amplia-problema-para-lula/

Qual a chance de Flávio Bolsonaro vencer no primeiro turno

Flávio Bolsonaro fala abertamente da possibilidade de vencer no primeiro turno. (Foto: Imagem criada utilizando o ChatGPT com base na foto de Andressa Anholete/Agência Senado)

A campanha e aliados de Flávio Bolsonaro (PL) cogitam uma vitória sobre Lula (PT) já no primeiro turno na disputa para presidente nas eleições de 2026. O próprio candidato vem falando abertamente sobre essa possibilidade.

Entretanto, as pesquisas eleitorais mais recentes apresentam um cenário diferente, com baixa — ou nenhuma — possibilidade de decisão em 4 de outubro. Isso, frisa-se, no retrato de momento, a 21 dias da votação.

Datafolha, Nexus/BTG Pactual e Quaest colocam o candidato petista com vantagem no cenário estimulado de primeiro turno, com vantagem sobre o candidato do PL variando entre 4 e 6 pontos percentuais. Esses levantamentos foram divulgados entre 11 e 14 de setembro.

Os cenários de primeiro turno de cada instituto de pesquisa para presidente

Mais do que a distância entre eles, o que prontamente inviabilizaria uma vitória de Flávio na primeira parte da eleição é a distância até 50% dos votos válidos mais 1 voto, o patamar necessário para sacramentar o triunfo. Mesmo que os cenários apresentados sejam de votos totais, que contam brancos, nulos e indecisos, o senador precisaria avançar significativamente em pouco tempo.

Isso significaria, necessariamente, herdar logo no primeiro turno os votos de outros candidatos, que hoje somam pelo menos 15%. A pesquisa Nexus/BTG Pactual calculou um teto para Flávio e Lula, mantendo a intenção de voto e adicionando as intenções de voto de eleitores que dizem que podem mudar de voto no primeiro turno e que manifestaram uma segunda opção de voto. Nesse caso, o teto do petista vai para 44% e o de Flávio chega a 39%.

Isso significa que Lula também não tem condições, hoje, de vencer no primeiro turno. Contra ele, especificamente, joga contra o fato de que o eleitorado dele é o que tem maior tendência de não comparecer às urnas. Na pesquisa da Nexus/BTG Pactual, 44% dos eleitores que declararam voto para o petista disseram que não votaram nas duas últimas eleições. No caso de Flávio, a porcentagem vai para 28%.

Alta rejeição inviabiliza decisão no primeiro turno

Assim como as duas últimas eleições, esta também está polarizada entre duas visões bastante diferentes, o que aproxima não apenas as intenções de voto, mas também a rejeição aos candidatos. E isso vale para Flávio Bolsonaro e para Lula, o que reforça a ideia de que vencerá o menos rejeitado.

Hoje os dois estão praticamente iguais nessa tábua, separados por no máximo 2 pontos percentuais:

  • Quaest: Flávio 55%, Lula 55%
  • Nexus/BTG Pactual: Flávio 50%, Lula 48%
  • Datafolha: Flávio 46%, Lula 45%

Esses altos índices de rejeição fazem com que os eleitores, no primeiro turno, escolham outros candidatos ou optem por anular o voto ou votar em branco. Isso vem fazendo a campanha de Flávio Bolsonaro tentar criar um clima de que é possível vencer no primeiro turno para buscar o voto útil e antecipar o segundo turno para 4 de outubro.

“Em nome de Jesus, vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”, disse Flávio em uma live. Em um ato em São Paulo, também voltou a falar nessa possibilidade. “Eu quero contar com cada um de vocês para vencer essas eleições no primeiro turno. Pra no dia 4 de outubro, nós podermos dar um grito de liberdade pro nosso Brasil. Quero ser o libertador da pátria”, reforçou.

Metodologia das pesquisas citadas

  • Quaest 14/9/2026: 2.004 entrevistados pela Quaest de 10 a 13 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-03607/2026.
  • Nexus/BTG Pactual 14/9/2026: A Nexus entrevistou 2.000 pessoas do dia 11 a 13 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04076/2026.
  • Datafolha 11/9/2026: 2.002 entrevistados pelo Datafolha de 8 a 10 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Empresa Folha da Manhã S.A e Globo Comunicação e Participações S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-01833/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral-2026/qual-a-chance-de-flavio-bolsonaro-vencer-no-primeiro-turno/?ref=veja-tambem

Alexandre Garcia

Gilmar Mendes é o decano do STF, mas se porta como se fosse seu dono

Gilmar Mendes, aliado de Moraes, tumultuou julgamento desta terça-feira no STF. (Foto: Alejandro Zambrana/TSE)

A sessão desta terça-feira no STF, que durou o dia inteiro, me lembrou minha adolescência, os meus 15 anos, quando eu era diretor social da União Cachoeirense de Estudantes. Era um bate-boca danado. Depois, quando eu presidi o Centro Acadêmico do Jornalismo na PUC, em Porto Alegre, tínhamos mais senso de cortesia, de manter os ritos da boa educação. No Supremo, o ministro Gilmar Mendes demonstrou a toda hora que tinha pouco controle do seu temperamento. Gilmar atropelou principalmente André Mendonça, mas também atropelou o próprio presidente Edson Fachin. Gilmar é o mais antigo, é o decano, já presidiu o STF, é tido como um Richelieu do Supremo, um poder atrás da cadeira do presidente. Gilmar quis impor sua vontade, e Fachin foi resistente.

Cármen Lúcia fez um ótimo voto

A ministra Cármen Lúcia, no seu voto brilhante, disse que houve muita “espetacularização”. Mas vamos analisar: são R$ 131 milhões em um contrato com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, aportes de dezenas de milhões de reais no Tayayá do Toffoli, que depois perdoa R$ 10 bilhões em multas de quem aportou dinheiro lá… não é espetacularização, os fatos é que são muito graves. O povo brasileiro acompanha tudo isso boquiaberto e, com o que aconteceu no Supremo, com esse bate-boca todo, há um desgaste para o lado que está apoiando Moraes e querendo pegar Mendonça por ter ido atrás dos fatos.

O voto da ministra pode inspirar até decisões posteriores. Ela se disse envergonhada com o que estava acontecendo, triste, pediu desculpas ao povo brasileiro e votou com Fachin, que é o relator, para que não votassem o pedido de investigação de Moraes junto com um pedido semelhante contra Mendonça. Ela chegou a sugerir – e Mendonça deve aproveitar a sugestão – que a palavra do procurador-geral da República não é definitiva e está sujeita a uma revisão por parte do Supremo. E Mendonça pediu exatamente isso sobre aquela manifestação de Paulo Gonet, em que o procurador-geral dizia que o relatório com as descobertas da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes era nulo de pleno direito; os juristas dizem que é o contrário: o parecer de Gonet que é nulo, pois ele também está envolvido.

A hipocrisia dos ministros que apoiam Moraes

Depois do bate-boca, o ministro Flávio Dino pediu vista, contrariando a própria posição dele. Ele reclamou que, do jeito que as coisas estavam andando, tudo aquilo ainda levaria meses. E então ele pede vista, adiando a resolução do caso. Mas essa não foi a única contradição ou hipocrisia. Dino, Gilmar e Moraes ainda acusaram Mendonça de fazer tudo aquilo que eles mesmos fizeram ao longo do “inquérito do fim do mundo”. Claro, eles já conhecem o mecanismo, e resolveram acusar Mendonça de fazer o mesmo com motivos eleitorais.

Aliás, nem precisa haver motivo eleitoral: basta ver quem se desgasta com esse julgamento, quem é ligado a Moraes. Quem está defendendo Moraes? A esquerda sempre o defendeu, porque Moraes prendia os bolsonaristas. Logo que Malu Gaspar publicou sobre o contrato do Master com a esposa de Moraes, em dezembro do ano passado, Lula poderia ter dito: “eu fiz um juramento de defender a Constituição, e a Constituição diz que ministro do Supremo tem de ter reputação ilibada. Portanto, tem de investigar”. Poderia ter feito isso, mas se calou. O presidente do Senado também. Todos os que juraram defender a Constituição se calaram.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/gilmar-mendes-julgamento-moraes-stf/

Paulo Briguet

O Tribunal da Vergonha e a morte da Justiça no Brasil

O que vimos hoje foi a luta sangrenta da facção de ministros-políticos — formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

“Qualquer indivíduo que não for punido por seus crimes deve ser considerado como o mais infeliz dos homens, e que, em qualquer circunstância, quem comete alguma injustiça é mais infeliz do que a vítima dessa injustiça.”
(Platão, “Górgias”)

Todo brasileiro decente se envergonha de Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Uma das profecias que Bertrand de Jouvenel faz em seu clássico “O Poder: História Natural do Seu Crescimento” é a de que, em nosso tempo, a Justiça seria destruída pela política. O espetáculo deprimente que o Brasil inteiro viu hoje, no plenário do STF, é a prova de que o grande cientista político francês estava coberto de razão.

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O que vimos hoje foi a luta sangrenta da facção de ministros-políticos — a gangue formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes — contra os ministros que ainda acreditam que a mais alta corte do país deve voltar a pautar-se pelo cumprimento da lei e pelo exercício da Justiça, apesar de todos os abusos e descalabros cometidos nos últimos sete anos a partir do Inquérito do Fim do Mundo, incluindo a maior farsa jurídica de nossa história — o julgamento do falso golpe de 8 de janeiro.

Recusando-se a investigar os claríssimos indícios de crime contra um de seus membros, o STF está destruindo os seus últimos resquícios de autoridade perante a sociedade brasileira. Tudo o que hoje emana desse Tribunal da Vergonha está, de alguma forma, conspurcado e envenenado pelos crimes que os cúmplices do regime querem desesperadamente ocultar.

Enquanto Moraes não for afastado e investigado (além de preso!), desobedecer às ordens do STF será um dever para qualquer homem de bem em nosso país. O Supremo, dominado pela Gangue dos Quatro de Lula — Dino, Gilmar, Zanin e Moraes —, e com a indispensável colaboração do pusilânime Nunes Marques, tende a se transformar em valhacouto para um bandido. O que fazer, então? É simples: partir para a desobediência civil.

Sim, a política matou a Justiça. A Gangue dos Quatro — fazendo lembrar os maoístas criminosos da China — conseguiu aniquilar qualquer possibilidade de que as leis, mesmo as leis naturais, venham a valer mais do que os interesses do consórcio do poder.

Gilmar, Dino e Moraes, com grande cinismo, buscam imputar a André Mendonça as atrocidades que eles próprios vêm cometendo em série ao longo dos últimos anos

Ora, mas quem transformou parte da PF em polícia secreta contra os inimigos políticos? Quem rasgou a Constituição, ignorou o princípio do juízo natural e sepultou o direito à defesa? Quem, numa palavra, destruiu o império da lei no Brasil? Sabemos a resposta. Mas, fiéis ao princípio comunista “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”, tentam fazer a inversão ontológica da realidade, transformando o inocente em culpado, a vítima em algoz, a coragem em escândalo.

O Brasil inteiro viu com os próprios olhos e ouviu com os próprios ouvidos o que aconteceu hoje no plenário do STF. Mas seria interessante também que o país conhecesse o conteúdo daquilo que Alexandre de Moraes, o Careca do Master, chamou de sua “defesa”: um documento repleto de erros gramaticais e gritos histéricos em caixa alta, escrito na calada da noite. O “madrugadão do Xandão”, a meu ver, é uma confissão travestida de defesa: ali vemos um psicopata em estado de completo desespero.

Moraes começa por negar a evidência dos sentidos:

(…) “O MAIS GRAVE. As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem (sic) a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES.” (Tópico 95)

Depois, ele passa a atacar o ministro André Mendonça como um inimigo político:

A PET 16662 (…) foi um ato covarde, desesperado e com finalidade político-eleitoral em virtude da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República jamais apontarem a presença de qualquer indício de prática de atividades ilícitas pelo Ministro Alexandre de Moraes.”

“A tentativa do Ministro André Mendonça de esconder a PET 15.625 do Colegiado é prova cabal de sua conduta ilegal de incriminar o Ministro Alexandre de Moraes (…) Preferiu aguardar o momento político-eleitoral mais visível, véspera do comício de 7/9, para produzir sua farsa.”

Como não poderia faltar em uma ditadura socialista, Moraes também aponta ocultos “inimigos estrangeiros”:

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026…”

Moraes conclui a sua peça ancorando-se na maior farsa jurídica da história do país — o 8 de janeiro:

“Todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.”

“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas, assim como na primeira vez, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL saberá resistir e sairá fortalecido…”

É isso mesmo que vocês leram, meus sete amigos. No momento em que se vê confrontado com seus próprios crimes, Moraes evoca a mentira que fundamenta a totalidade de suas decisões: a farsa do golpe de 8/1.

O desespero faz o tirano cometer o erro fatal que os gregos chamavam de húbris. Em sua patética defesa, Moraes deixa claro que não há limites entre ele e a farsa. Quando a farsa do regime acabar, ele acaba também.

PS: Eu não poderia encerrar esta crônica sem mencionar as divertidas citações do ministro Flávio Dino. Durante suas falas, ele citou Fábio Porchat e Chico César (certo) e Aristóteles (errado). Isso mostra o horizonte mental do nosso juiz comunista. (Por alguma razão, hoje ele não citou o camarada Mao.)

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FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/o-tribunal-da-vergonha-e-a-morte-da-justica-no-brasil/

7 dúvidas que o caótico julgamento de Moraes deixou abertas

STF não decidiu se Moraes será investigado e ainda terá de definir como os processos serão julgados. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

primeira sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) destinada a discutir o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, terminou nesta terça-feira (15) sem que o plenário chegasse à questão central: se há elementos para abrir uma investigação contra o ministro. 

A Corte discutiu durante horas se o caso de Moraes deveria ser analisado junto ao procedimento que apura a atuação do ministro André Mendonça no caso Master. 

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, deixando uma série de questões ainda sem definição. Até mesmo o placar apresentado ao longo da sessão mudou depois da retirada do voto de Dino.

Veja as principais dúvidas que ficaram após a sessão:

1- O julgamento de Mendonça marcado para o dia 23 vai ocorrer?

Em tese, a análise do pedido de Moraes para investigar Mendonça segue marcada para a próxima quarta-feira (23). Contudo, diante do impasse do julgamento envolvendo Moraes, não é possível ter certeza se a sessão realmente acontecerá.

2- O que o STF efetivamente julgou nesta terça-feira (15)?

O plenário não decidiu se Moraes deve ou não ser investigado. Os ministros analisaram uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes para unir os julgamentos de Moraes e Mendonça. 

O decano também sugeriu que o presidente da Corte, Edson Fachin, disponibilizasse as petições envolvendo os ministros para sorteio de um novo relator. Fachin assumiu a condução dos casos diante da escalada do embate na semana passada. O mérito das suspeitas envolvendo Moraes ficou para depois.

3- Quando, afinal, o STF vai decidir se Moraes será investigado?

Ainda não há uma data definida. A análise foi interrompida quando Dino pediu vista do processo. Segundo o Regimento Interno do STF, o ministro tem até 90 dias corridos para avaliar os autos. Após esse período, o processo volta automaticamente à pauta.  

Dino poderá devolver o caso antes do prazo regimental, mas, por enquanto, não há previsão definida para a nova sessão. O julgamento precisará ser retomado para que o plenário conclua primeiro a discussão sobre os questionamentos de Gilmar. 

4- O caso de Moraes será julgado junto ou separado do caso de Mendonça?

Também não há uma decisão definitiva. O plenário do STF está desfalcado desde a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Durante a sessão, os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos e não participaram da votação.

Com isso, a análise da preliminar contou com 8 ministros. Antes do pedido de vista, Dino acompanhou o entendimento de Gilmar. Porém, o voto não foi incluído na proclamação provisória do julgamento, pois o ministro ainda pode mudar de ideia ao apresentar seu voto-vista. O placar parcial foi de 4 a 3 para rejeitar a questão de ordem. 

5- O que acontece em caso de empate?

Ainda não há certeza sobre como a Corte procederá caso Dino mantenha seu voto e a análise da preliminar termine em empate. O Regimento Interno do STF e o Código de Processo Penal (CPP) estabelecem algumas possibilidades para caso de empate, mas como o julgamento é inédito na história da Corte, os ministros podem adotar outro entendimento. 

Voto de qualidade: O presidente do Tribunal pode proferir o chamado “voto de qualidade” para desempatar questões administrativas ou de ordem que não estejam previstas nas regras internas da Corte, quando o empate decorrer da ausência de ministros na votação  por impedimento ou suspeição.

Possível arquivamento: O artigo 146, do RISTF, estabelece que se houver empate na votação de matéria penal, a decisão definitiva deverá ser a mais favorável ao alvo da acusação, podendo levar ao arquivamento de uma petição.

“Art. 146.  Havendo, por ausência ou falta de um Ministro, nos termos do art. 13, IX, empate na votação de matéria cuja solução dependa de maioria absoluta, considerar-se-á julgada a questão proclamando-se a solução contrária à pretendida ou à proposta. No julgamento de habeas corpus e de recursos de habeas corpus proclamar-se-á, na hipótese de empate, a decisão mais favorável ao paciente”, diz o Regimento Interno do STF.

“Na dúvida, a favor do réu”: O CPP prevê que, se houver empate na votação colegiada de uma ação penal (criminal), o resultado deve beneficiar o réu, seguindo o princípio in dubio pro reo (“na dúvida, a favor do réu”, em tradução livre).

6- Quem será o relator quando o julgamento voltar?

Como a proposta de Gilmar Mendes ainda não foi aprovada, o presidente do STF, Edson Fachin, segue na relatoria dos casos Moraes e Mendonça. Caso a preliminar seja acatada, Fachin deverá enviar as duas petições ao sistema da Corte, que sorteará novos relatores entre os ministros disponíveis para conduzir os processos. 

Como o plenário ainda não concluiu essa análise, também não está definitivamente estabelecido como ficará a condução do processo quando o julgamento for retomado ou quais ministros participarão de um eventual sorteio de relatoria.

7- Moraes poderá votar no mérito do próprio caso? E Mendonça?

A sessão desta terça também não respondeu a essa pergunta. Moraes participou da discussão preliminar e votou sobre a forma como os processos deveriam ser analisados. Isso, porém, não significa que o Supremo tenha decidido que ele poderá participar de uma eventual votação sobre a abertura de uma investigação contra si próprio.

Essa questão ainda poderá ser discutida quando o plenário chegar ao mérito. O mesmo vale para Mendonça. Como os dois ministros estão diretamente relacionados aos processos em discussão, a composição do julgamento de mérito ainda dependerá das decisões que o Supremo tomar sobre a tramitação dos casos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/7-duvidas-que-o-caotico-julgamento-de-moraes-deixou-abertas/

Aliados de Lula e Moraes fizeram o diabo para o STF não investigar indícios de crimes

Estátua “A Justiça” em dia de vergonha alheia – Reprodução das redes sociais.

Como previsto, a bancada governista no STF fez o diabo para atrasar e até “melar” a sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram horas discutindo, ofendendo, tumultuando, tudo para evitar decidir sobre investigar o relacionamento do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro de hábitos mafiosos Daniel Vorcaro. Flávio Dino, “líder” dessa bancada, falou durante hora sobre questão preliminar, tentando criminalizar o ministro André Mendonça, que expôs o caso publicamente.

Monopólio do tempo

Gilmar Mendes foi outro ministro que usou e abusou do microfone da sessão de ontem do STF. Não avaliar o principal parecia ser o plano.

Outra característica

Coube a Mendes alguns momentos espantosos, com agressões desnecessárias contra André Mendonça, que apenas fez o certo.

Auge do vexame

Para que a sessão se caracterizasse como das mais vexatórias da História, Moraes votou em favor dele mesmo, o “réu” dessa história.

O crime venceu

Ontem certamente foi a vez de Vorcaro gargalhar, com as presepadas no STF que enfraquecem a Justiça e fortalecem o crime no Brasil.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/aliados-de-lula-e-moraes-fizeram-o-diabo-para-o-stf-nao-investigar-indicios-de-crimes

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