Elo Moraes-Vorcaro pressiona candidatos ao Senado sobre impeachment de ministros do STF

Troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro aumenta peso político do impeachment de ministros nas eleições ao Senado. (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou peso adicional nas eleições para o Senado após o levantamento do sigilo das mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro e o embate público entre o ministro e o colega da Suprema Corte André Mendonça. Nesta terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que também foi mencionado por Vorcaro nas mensagens trocadas com Moraes.

Diante da crise sem precedentes no STF, a oposição voltou a articular o impeachment de Moraes no Congresso Nacional com novos pedidos de abertura de processos de cassação no Senado. O ministro da Suprema Corte é alvo de mais de 67 pedidos de impeachment e, segundo declaração recente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à imprensa, a Casa teria 109 pedidos de parlamentares contra ministros do Supremo.

A repercussão do caso pressiona os candidatos ao Senado a se posicionarem sobre a prerrogativa constitucional da Casa Alta, que tem poder para destituir um ministro do STF. Neste ano, cada estado vai eleger dois senadores, o que representa a renovação de dois terços das cadeiras.

O diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, lembrou da derrota imposta ao governo Lula com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga de ministro — o que já apontava, na opinião dele, para o fortalecimento do movimento de parlamentares pelo impeachment. Indicado por Lula, Messias foi o primeiro candidato a ministro do STF rejeitado pelo Senado desde 1894.

“Existe uma corrente pró-impeachment e isso dará o tom da eleição. Muitos falavam que o Brasil dificilmente rejeitaria um candidato ao STF, o que aconteceu em abril deste ano. Um tabu foi derrubado. Então, eu não desprezaria a possibilidade de termos outros fatos inéditos, incluindo o impeachment, a depender da próxima configuração do Congresso”, avalia.

Para Arruda, o aprofundamento da crise envolvendo o Banco Master impacta no posicionamento dos concorrentes ao Senado. “A posição dos candidatos com relação ao Supremo Tribunal Federal, para boa parte da população, vai dar o tom do voto para as duas vagas ao Senado”, enfatiza.

Oposição busca fortalecimento com resultado das urnas para comandar o Senado

Além da maioria dos votos — o que a oposição indicou ter desde o ano passado — a renovação do Senado com parlamentares pró-impeachment é vista como estratégica por siglas da direita para vencer a eleição interna pelo comando da Casa. “O próximo Senado pode ter uma composição muito diferente. Podemos ter uma maioria mais alinhada à direita e até um presidente da República de direita. Mas, se quem presidir o Senado simplesmente não colocar uma pauta em votação, ela não será votada”, pontua o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), em entrevista à Gazeta do Povo.

Em 2025, 41 senadores se manifestaram favoravelmente à abertura do processo contra o ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não levou a proposta para votação no plenário, posição que deve ser mantida até o fim deste ano.

“Nesta legislatura, vimos que mesmo com um número expressivo de senadores defendendo a análise de pedidos de impeachment, eles não avançaram. Eu mesmo fui à tribuna cobrar essa análise. Foi justamente para mudar essa situação que me candidatei à presidência do Senado”, lembra Pontes.

Ele cobrou o presidente da Casa para que os novos pedidos sejam colocados em votação. Para Pontes, as suspeitas contra Moraes, Andrei Rodrigues e contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, são graves.

“Isso não significa defender condenações antecipadas. Significa garantir que pedidos juridicamente fundamentados sejam analisados e, quando cumpridos os requisitos legais, submetidos ao devido processo”, ressalta o senador, que foi eleito em 2022, assim como Alcolumbre. Como o mandato de senador é de oito anos, ambos não disputam a reeleição neste ano.

Maioria no Senado vê STF como ameaça à liberdade de expressão

Segundo um levantamento do Ranking dos Políticos, a maior parte dos senadores da atual legislatura enxerga o STF e o Poder Judiciário como as maiores ameaças contra a liberdade de expressão no Brasil. De acordo com o levantamento, 43,3% dos senadores afirmam que o Supremo é a principal ameaça contra a liberdade de expressão no país, seguido pela cultura do cancelamento (16,8%), pelo Poder Judiciário (13,3%) e pelo Congresso Nacional (13,3%).

Na Câmara dos Deputados, 25% dos parlamentares apontam o STF como a maior ameaça. No final do ano passado, o movimento parlamentar pró-impeachment sofreu uma derrota. Em dezembro, o ministro do STF Gilmar Mendes elevou o quórum necessário para a admissão de processos de impeachment contra magistrados do Supremo, por meio de uma liminar, que passou a exigir 54 votos. Antes, o processo poderia ser aberto pela maioria simples da Casa Alta: 41 votos.

“É importante esclarecer que os 54 votos, equivalentes a dois terços do Senado, já eram exigidos para uma eventual condenação. A controvérsia está em estender esse quórum a etapas anteriores do processo. Evidentemente, cria uma barreira adicional”, comenta o senador Marcos Pontes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/elo-moraes-vorcaro-pressiona-candidatos-senado-impeachment-ministros-stf/

Moraes tem de sair: a hora de Fachin e da sociedade civil

O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por ordem do ministro André Mendonça e já referendada pela maioria da Segunda Turma do STF, apesar do pedido de vistas de Gilmar Mendes, é um novo episódio da profunda crise institucional criada pela revelação das relações promíscuas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Ontem, o povo foi às ruas pedir a saída de Moraes; agora, diz o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, é a hora de o presidente da corte, Edson Fachin, e de a sociedade civil organizada demonstrar grandeza. Fachin precisa encerrar imediatamente os procedimentos contra Mendonça, fruto única e exclusivamente de uma vingança de Moraes. E as entidades de classe, do setor produtivo, sociais, religiosas, todas elas precisam se juntar ao “fora Moraes” com firmeza, sem dubiedades.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/alexandre-de-moraes-saida-edson-fachin-sociedade-civil/

OAB-DF abre processo disciplinar contra escritório da esposa de Moraes

Processo da OAB-DF contra escritório Barci de Moraes tem como base o relatório da PF que revelou mensagens entre o ministro e Vorcaro. (Foto: Antonio Augusto/STF)

A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) abriu nesta terça-feira (8) um procedimento ético-disciplinar contra o escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A advocacia não é meio para cometimento de crimes e a OAB-DF, na sociedade inscrita em nossa casa, nós temos o dever de apurar esses fatos. Comunico ao conselho que abri um processo disciplinar contra todo o escritório, todos os seis sócios aqui nominados”, disse o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira.

A decisão tem como base o relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça no último dia 1º. Em nota, o escritório Barci de Moraes disse lamentar “que questões já analisadas e arquivadas pela PGR sejam utilizadas em contexto eleitoral na OAB/DF”.

“Espera que o presidente da entidade, Paulo Maurício Braz Siqueira, reveja suas declarações e faça os esclarecimentos necessários, evitando a adoção das medidas cabíveis”, afirmou o escritório.

A autoridade policial obteve troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O escritório da família do ministro fechou um contrato de cerca de R$ 130 milhões para realizar consultorias para o Master por três anos.

A PF também identificou um segundo contrato firmado em maio de 2025 entre a Vikings Participações, empresa ligada ao ex-banqueiro, e o escritório Barci de Moraes, no valor de R$ 50 milhões.

A decisão atinge Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro; Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes, filhos do casal; Ana Claudia Consani de Moraes, casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro; e Fernanda Fritoli.

Também foi determinada a abertura de um procedimento ético-disciplinar contra o advogado Ciro Soares, ligado a Vorcaro, apontado pela PF como suposto intermediário dos contatos entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Mendonça.

Poli classificou os fatos apurados pela PF como “graves” e disse que é necessário zelar pela “respeitabilidade” da advocacia. Em nota, a OAB-DF afirmou que ambos os procedimentos seguirão o sigilo previsto em lei e “não significam a emissão de qualquer juízo antecipado de culpa e respeitarão todas as garantias processuais e constitucionais dos representados”.

Veja a íntegra da nota da OAB-DF

“O presidente da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), Paulo Maurício Siqueira, Poli, determinou a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios titulares da sociedade Barci & Barci Advogados, inscrita nesta Seccional, considerados os fatos recentemente tornados públicos e constantes de relatório da Polícia Federal no (IPJ-A 3298613/2026).

O comunicado dessa decisão foi feito pelo presidente, nesta noite (8), durante sessão extraordinária do Conselho Pleno da OAB/DF. Esclareceu o presidente que o procedimento observará todas as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa e nele será conferida ampla oportunidade de demonstração dos serviços prestados e da regularidade da contratação.

Também foi determinada a abertura de procedimento ético-disciplinar contra o advogado Ciro Soares, considerados os fatos tornados públicos em relatório da Polícia Federal e que envolvem sua atuação profissional na condição de advogado.

Ambos os procedimentos seguirão o sigilo previsto em lei e não significam a emissão de qualquer juízo antecipado de culpa e respeitarão todas as garantias processuais e constitucionais dos representados.

O presidente informa, ainda, que outros casos que tenham elementos de prova e forem encaminhados à OAB/DF também poderão ser apurados.”

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/oab-df-abre-processo-disciplinar-contra-escritorio-da-esposa-de-moraes/

Alexandre Garcia

Os grupos se formam no STF: um quer limpeza, o outro quer deixar tudo nas sombras

Edson Fachin, presidente do STF, defendeu fim do inquérito das fake news e levou indireta de Flávio Dino, aliado de Alexandre de Moraes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O site Migalhas lembrou de algo que eu não tinha anotado: na sexta-feira passada, Edson Fachin, presidente do Supremo, ao lado de Lula, falava de suas prioridades à frente do STF e mencionou o fim do “inquérito do fim do mundo”. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino questionou se um juiz pode prometer o fim de um inquérito como se fosse candidato, ou apenas para receber aplauso. Uma indireta em Fachin. Isso me confirmou qual a posição de Fachin nessa divisão atual do Supremo: ele está apoiando essa tentativa de André Mendonça de separar o joio do trigo e tirar o joio, as frutas podres do STF.

Eu já havia feito uma análise colocando Fachin ao lado de André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, formando um quarteto, contra o outro quarteto formado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dino e Dias Toffoli. Em cima do muro, por enquanto, eu havia colocado Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, que tem muito tempo pela frente e uma biografia a zelar, assim como Cármen Lúcia.

Esse caso vai demandar muita coisa na hora do plenário, que terá de avaliar a realidade óbvia que estamos vendo agora: Moraes envolvido numa quebra de sigilo de uma investigação que continua ajudando Vorcaro, porque revela possíveis alvos de futuras buscas e apreensões, e que agora já vão esconder provas. E Moraes, para se defender de Mendonça, usa uns relatórios de inteligência que não são nada – aliás, são sim, porque surgem como agravantes de crimes praticados lá dentro, tanto que já o chefe da inteligência e o diretor-geral da Polícia Federal acabaram afastados por Mendonça, com o apoio da segunda turma do Supremo. Gilmar tentou parar o julgamento pedindo vista, mas não deu certo, porque outros ministros já adiantaram voto e formaram maioria. E tudo isso acontecendo nas sombras – ou sob a luz, dependendo do resultado da eleição, já que agora, como veremos, as pesquisas estão mostrando uma virada.

Lula já perde para dois candidatos no segundo turno, segundo pesquisa Nexus

Eu tenho falado das mudanças nessa reta final de campanha, em que Flávio Bolsonaro foi tirando a diferença que o separava de Lula. Era empate técnico, com três pontos de diferença, foi caindo para dois, para um, chegou a empate exato na Quaest, encomendada pelo jornal O Globo. Agora, pesquisa do Instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, já tem Lula perdendo para dois candidatos! No primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio tem 35% e Cury tem 9%. Mas no segundo turno Flávio está na frente, por 46% a 45%. Quando o adversário é Augusto Cury, mais gente que não votaria em Flávio de forma alguma e votaria em Lula passa a votar em Cury: ele vence Lula por 45% a 43%, uma diferença de dois pontos. Contra Ronaldo Caiado, a diferença ainda é de três pontos, 46% a 43% para Lula. Mas tudo isso ainda é considerado empate técnico.

As pessoas que não acreditavam em pesquisa estão vendo pesquisa agora. Eu venho argumentando, desde muito tempo atrás, com os que pensam “pesquisa de jeito nenhum”. Muita gente está tão neurótica com eleição que, se a pesquisa não sai como ela quer, não acredita na pesquisa. Mas é o que temos para avaliar – além, claro, da Avenida Paulista cheia de gente, e o palanque oficial de Brasília quase sem povo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/stf-grupos-alexandre-de-moraes-investigacao/

Coluna Esplanada

Lula deu tiro no pé ao defender Supremo em rede nacional

Lula puxou para si a crise protagonizada por Alexandre de Moraes na Corte – este, sob forte suspeita de prevaricação. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Lula da Silva (PT), que acreditava ter a reeleição garantida, mesmo que apertada, deu um tiro no pé a três semanas da eleição presidencial. Com a aparição em rede nacional em defesa do Supremo Tribunal Federal, Lula puxou para si a crise protagonizada por Alexandre de Moraes na Corte – este, sob forte suspeita de prevaricação. A defesa do Tribunal conotou uma tentativa de proteção a Moraes e de blindagem ao PGR Paulo Gonet, citados no inquérito da PF na relação com o “banqueiro” Daniel Vorcaro.

Blindagem?

Há um mistério que a Polícia Federal – delegados, peritos, investigadores – devem responder. Com tanta tecnologia pericial cibernética, já provada em outras operações e tão celebradas no meio, por que ainda não foram revelados no inquérito o conteúdo das mensagens do ministro Alexandre de Moraes para Daniel Vorcaro, do Banco Master. É de interesse público – cada dia mais.

Andrei Rodrigues

Além da acusação do ministro André Mendonça (STF) de que o diretor da PF, Andrei Rodrigues, teria criado um gabinete paralelo para investigá-lo, pesa contra o delegado mais situações: presença na festinha uísque e charuto em Londres com Vorcaro; passeio com namorada em vinícola do Rubens Menin em Portugal (sócio de Vorcaro na SAF do Atlético Mineiro); troca de delegado que investiga Lulinha e suspeita de segurar informações de inquérito contra Alexandre de Moraes e Lulinha.

Cada um por si

Desde que eclodiu a crise no STF, o candidato de Lula no Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), tem dito que o mais prudente é ficar longe dessa confusão. Ele teria dito a pessoas próximas que “isso é problema de Lula e do PT”. E reiterado “que ninguém mova uma palha em direção ao petista” em cidades como Duque de Caxias, Magé, Teresópolis e outras.

Aeroporto da discórdia

O Projeto de Lei 3.222/2023, dos deputados Joseildo Ramos (PT-BA) e Lídice da Mata (PSB-BA) propôs a troca do nome do aeroporto internacional de Salvador de Luís Eduardo Magalhães para 2 de Julho, mas foi rechaçado pelo relator Cláudio Cajado (PSD-BA) na Comissão de Viação da Câmara. O Carlismo por ora venceu. Fica o saudoso filho do poderoso ACM em lugar da data da independência baiana.

El Niño

O Ministério da Agricultura recebeu um conjunto de 163 medidas da Embrapa para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária no país. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño na safra 2026/2027 e propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo. Profissionais da Embrapa e do Instituto de Meteorologia elaboraram o documento.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/lula-deu-tiro-no-pe-ao-defender-supremo-em-rede-nacional/

Dino reintegra diretor-geral da PF afastado por Mendonça

Andrei Rodrigues foi afastado do cargo na véspera por uma decisão monocrática do ministro André Mendonça. (Foto: )

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração aos cargos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, que foram afastados monocraticamente na véspera pelo ministro André Mendonça.

Dino ainda determinou que sua decisão seja submetida “exclusivamente” ao plenário da Corte. A medida contrasta com a tomada na véspera por Mendonça, que submeteu sua ordem apenas à Segunda Turma da Corte e que formou maioria para manter o afastamento.

“O Estado Democrático de Direito não é um regime em que um, alguns ou mesmo a maioria podem impor seus apetites ou vontades, segundo o seu próprio tempo”, pontuou o ministro na decisão a que a Gazeta do Povo teve acesso.

Na mesma decisão, Flávio Dino ainda citou “divergências funcionais ou pessoais” de Mendonça com a Polícia Federal, e o acusou de ter se encontrado com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, alvo de uma ampla e profunda investigação pela corporação.

A decisão de Dino ocorreu após um recurso do próprio Andrei Rodrigues para voltar ao cargo. Em paralelo, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia pedido a reintegração do agente com a alegação de que qualquer decisão relativa a ele é uma competência exclusiva da presidência da República.

Ainda na decisão desta quarta-feira (9), Dino fez uma advertência ameaçando que qualquer outra medida contrária à sua pode caracterizar um “ilícito sujeito às consequências previstas no ordenamento jurídico”.

“A Inteligência Policial é atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública, insuscetível portanto de suspensão ao alvedrio de um único magistrado, sob pena de frustrar a atividade legítima de dezenas de outros membros do Poder Judiciário”, pontuou sinalizando uma crítica à decisão monocrática de André Mendonça contra os diretores afastados na véspera.

Com isso, Flávio Dino impediu que novas medidas cautelares sejam impostas por outros ministros a Andrei Rodrigues e a Leandro Almada.

Em outro trecho da decisão, Dino cita o que seriam “atropelos” de Mendonça em sua decisão contra Andrei Rodrigues e Leandro Almada, como o prazo fixado pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, para que ele e o colega Alexandre de Moraes se manifestem sobre os processos que os levaram à inédita crise.

“Caso o Exmo. Ministro André Mendonça, parte no procedimento instaurado pelo Presidente, considere que há um direito subjetivo em risco, é ao Presidente ou ao Plenário que deve se dirigir, sob pena de grave usurpação das atribuições dos demais Ministros”, frisou Dino.

O ministro ainda considerou compreender eventuais “divergências funcionais ou pessoais” de Mendonça com a Polícia Federal, mas que não podem “em causa própria” paralisar investigações ou trabalhos pessoais.

Análise do plenário

Na mesma decisão, Flávio Dino confirma que o plenário do STF é quem deve ratificar qualquer decisão de seus ministros para se evitar prejuízos às investigações em andamento. O ministro ainda citou nominalmente André Mendonça, afirmando que a suspensão de Andrei Rodrigues “impede o andamento de — quiçá — centenas de investigações”.

“Enquanto o Plenário do STF não for chamado a se manifestar, não é cabível que investigações urgentes e com diligências em curso, deferidas nestes autos, e em outros, sejam interrompidas em face de caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal, com a demissão de todo o seu corpo diretivo”, pontuou.

Dino citou que processos em que ele é relator também seriam afetados pela determinação de Mendonça, entre eles as investigações relativas ao desvio de emendas parlamentares.

Da legitimidade do pedido do Novo

Também na decisão desta quarta-feira (9), Flávio Dino afirma que o partido Novo, que pediu o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo na Polícia Federal, “não possui legitimidade” para requerer medidas cautelares em investigações criminais ou processos penais.

“Como revela o próprio desenho normativo do Código de Processo Penal, em cujos preceitos inexiste qualquer referência a partidos políticos entre os sujeitos legitimados a atuar nessa seara do Direito”, ressaltou o ministro.

Flávio Dino pontuou que a legislação não concede este direito a partidos políticos e que, no caso do Novo, o partido “é direta ou imediatamente interessado na suposta medida cautelar, pois possui candidato à Presidência da República que busca sobrepujar o atual mandatário, candidato à reeleição”.

O Novo concorre à eleição presidencial com o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo-MG), contra a tentativa à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O político tem feito fortes críticas ao petista, classificando-o como um dos “Intocáveis” de sua série de paródias a autoridades dos Três Poderes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/dino-reintegra-diretor-geral-pf-afastado-mendonca/

Mendonça seguiu modelito (e precedente) de Moraes ao afastar diretor-geral da PF

Ministros Alexandre de Moraes (E) e André Mendonça (D) (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

Nunca antes na história “desse país” (sic) um diretor-geral da Polícia Federal foi afastado do comando. Mas aconteceu pior: um ministro do STF impediu a posse de um indicado para a direção da PF, anulando a prerrogativa presidencial de nomear auxiliares. Era governo Bolsonaro e a violência foi solicitada pela esquerda e canetada por Alexandre de Moraes. O aval do STF criou o precedente usado para afastar Andrei Rodrigues. André Mendonça não inventou, apenas seguiu o figurino.

Arapongagem

O que nunca aconteceu nos 84 anos da PF foi o monitoramento flagrado de ministro do STF, gerando 6 “relatórios de inteligência” só em agosto.

Só piora

Ao citar os “relatórios de inteligência” Mendonça definiu a conduta de Andrei como disfuncional, irregular e de extrema gravidade.

De araque

Mendonça se refere aos relatórios da arapongagem como “documentos”, assim mesmo, com aspas, em todas as 24 citações.

Escada

Andrei Rodrigues chegou ao posto em 2023, por “sugestão” do então ministro da Justiça Flávio Dino, hoje ministro do Supremo.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/mendonca-seguiu-modelito-e-precedente-de-moraes-ao-afastar-diretor-geral-da-pf

Decisões de ministros do STF são ‘por interesse próprio’ para 51,6% dos brasileiros

Plenário do STF. (Foto: Gustavo Moreno/STF).

Mais da metade dos brasileiros concorda com a afirmação de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidem mais por interesse próprio do que pela lei. É o que mostra a pesquisa Meio/Ideia, realizada entre os dias 4 e 7 de setembro.

Segundo o levantamento, 51,6% dos entrevistados concordam com a afirmação. Outros 23,9% não concordam nem discordam, enquanto apenas 10,9% discordam. 13,6% não souberam ou não responderam.

A avaliação faz parte de um bloco da pesquisa dedicado à percepção dos brasileiros sobre política e o STF. Os entrevistados também foram questionados sobre outras duas afirmações. 41,9% concordam que os dois lados da política são igualmente corruptos, enquanto 17,7% discordam. Já sobre a afirmação de que “investigação que vem a público é para prejudicar politicamente”, 23% concordam e 24,7% discordam.

A pesquisa também mediu a confiança dos brasileiros nas instituições. No caso do STF, o levantamento questionou os entrevistados sobre o grau de confiança que têm na Corte, ao lado de instituições como Polícia Federal e Ministério Público.

O resultado ocorre em um cenário em que o próprio levantamento aponta o STF como uma variável relevante para a eleição de 2026. Segundo a análise publicada na pesquisa, a percepção sobre a Corte pode influenciar o comportamento eleitoral, embora não seja possível afirmar, apenas com esses dados, que a avaliação do Supremo determinará o voto.

Serviço da pesquisa

Pesquisa: Meio/Ideia
Registro no TSE: BR-07935/2026-BRASIL
Amostra: 1.500 entrevistas
Abrangência: nacional
Público: eleitores com 16 anos ou mais
Período de campo: 4 a 7 de setembro de 2026
Margem de erro: 2,5 pontos percentuais
Intervalo de confiança: 95%
Metodologia: entrevistas telefônicas com questionário estruturado.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/decisoes-de-ministros-do-stf-sao-por-interesse-proprio-para-516-dos-brasileiros

Manifesto de empresários, cientistas e economistas pede investigação dos escândalos no STF

Sede do Supremo Tribunal Federal (STF) – Foto: José Cruz/Agência Brasil.

Um grupo de 157 empresários, executivos, economistas, cientistas e personalidades publicou o manifesto “Pela lei e pelo Brasil”, que pede apuração rápida e independente de fatos envolvendo o Supremo Tribunal Federal e outras instituições.

A iniciativa surge após a divulgação de trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Os signatários afirmam que os episódios recentes não são isolados e pedem o afastamento cautelar de quem for formalmente investigado, além da adoção de um código de conduta vinculante para cortes superiores e órgãos de investigação.

Entre os nomes estão Armínio Fraga, Elena Landau, Gustavo Franco, Persio Arida, Ana Paula Vescovi, Luiza Helena Trajano, Luciano Huck, Nelson Motta, Mayana Zatz, Pedro Parente, Walter Schalka e o movimento Mulheres do Brasil.

O texto defende a integridade das instituições dos Três Poderes e diz que cabe a elas apurar responsabilidades com as garantias do devido processo. Walter Schalka afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, tem a obrigação de agir com celeridade.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/manifesto-de-empresarios-cientistas-e-economistas-pede-investigacao-dos-escandalos-no-stf

Be the first to comment on "Elo Moraes-Vorcaro pressiona candidatos ao Senado sobre impeachment de ministros do STF"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*