

Inacreditável o que o Tribunal de Contas da União acaba de fazer. O TCU, apesar do nome, não é um órgão do Judiciário; é um auxiliar do Legislativo, responsável por cuidar das contas públicas federais, fiscalizar e punir para não haver nada fora da lei. E o próprio TCU está propondo um aumento de 40% nas gratificações de cargos em comissão, e achou uma maneira de permitir que elas não sejam contadas para fins de limite do teto constitucional, que é de R$ 46 mil. Está escrito, no artigo 37 da Constituição, que a remuneração dos servidores públicos não pode ultrapassar o limite do salário dos ministros do Supremo. Eles devem estar pensando o seguinte: os ministros do Supremo deixaram passar, todo mundo passa, vamos passar nós também. É isso vindo do tribunal que cuida das contas públicas, que fiscaliza.
Gilmar Mendes quer se vingar de Alessandro Vieira tornando-o inelegível
O ministro Gilmar Mendes está processando o senador Alessandro Vieira, que foi relator da CPI do Crime Organizado e sugeriu o indiciamento de ministros do STF. Gilmar o acusou de abuso de autoridade e mandou a ação para a Procuradoria-Geral da República. A PGR alegou que ninguém pode indiciar um ministro do Supremo, a não ser um ministro do Supremo. Vocês entenderam? Isso é o absurdo pelo absurdo. Ninguém pode indiciar, então? Só Deus, ou o bispo? Tem o Senado, mas o Senado está quieto, calado, omisso. Fazendo uma analogia: se um senador pode julgar um ministro do Supremo em um processo de impeachment por crime de responsabilidade – e foi a respeito disso que o senador pediu o indiciamento –, se pode o mais, pode o menos.
Mas há uma filigrana, um detalhe aí. Gilmar sugeriu que a ação fosse encaminhada para a Justiça Eleitoral, para saber se o que Vieira fez não se enquadra em qualquer coisa que cause inelegibilidade, atrapalhando a vida político-eleitoral do senador. E a PGR – de Paulo Gonet, cujas ligações com Gilmar todos conhecem – mandou o caso para a Justiça Eleitoral de Sergipe, estado por onde Vieira quer tentar a reeleição, para saber se ele não cometeu nenhum ilícito eleitoral. Isso me lembra de uma entrevista do grande Joaquim Falcão na CNN, que disse: “o Supremo, que foi criado para resolver conflitos, é a origem de conflitos”.
A frota nada modesta do “careca do INSS”
O “careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, teve ordenada contra si mais uma apreensão de bens. A Polícia Federal encontrou, nas garagens de num prédio residencial de Brasília, um Audi R8, com motor V10 (dez cilindros em V), com potência de 610 cavalos e que faz de 0 a 100 km/h em pouco mais de três segundos. Encontrou também um BMW M5, com motor V8, de 727 cavalos e que também vai de 0 a 100 km/h em três segundos. Encontrou também um Opala Diplomata. Meu pai tinha um Diplomata; hoje, é carro de colecionador. Será tudo apreendido.
Dívida pública estourou nos quatro anos de Lula 3
Você sabe quanto estamos pagando de juros da dívida pública gigantesca? R$ 1,08 trilhão só neste ano. Nem há como ter ideia do que seja isso, muito menos da dívida que está em R$ 10,62 trilhões. Isso nos cálculos brasileiros, que deixam fora os papéis que estão no Banco Central para serem postos em circulação; por esse critério, nossa dívida é de 81% de tudo que se produz no país. Mas, segundo os cálculos do FMI, que incluem todos os papéis e todas as letras de crédito do Tesouro, a dívida pública está em 96% do PIB. É bom pensarmos nisso em ano eleitoral, porque a dívida aumentou muito nestes últimos anos. É como se estivéssemos em uma pandemia constante.
GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/tcu-teto-constitucional/

Escancarar a perseguição a Bolsonaro faz parte da receita de Moraes

Se alguém ainda acredita que Alexandre de Moraes busca fazer justiça e salvaguardar a democracia na guerra judicial que promove há anos contra Jair Bolsonaro, essa pessoa padece não apenas de uma ingenuidade voluntária, mas de cegueira deliberada.
Pois o próprio ministro parece não fazer muita questão de parecer neutro, tornando explícito o caráter político das sanções dirigidas ao ex-presidente e seu grupo.
O exemplo mais recente foi proibir Bolsonaro de receber visitas de aliados e de divulgar manifestações eleitorais — inclusive por meio de cartas — até o término do pleito de outubro. A justificativa fundamenta-se na suspensão dos direitos políticos de Bolsonaro, decorrente de sua condenação criminal no caso do golpe.
Qualquer estudante de Direito sabe que a suspensão de direitos políticos se limita a privar o cidadão de votar e ser votado, jamais de se manifestar politicamente. Ao equiparar as duas coisas, o ministro expande o alcance da restrição legal.
A decisão argumenta tratar-se de resposta ao descumprimento de medidas cautelares anteriores sobre o uso de redes sociais por meio de terceiros — infração que teria ocorrido após a divulgação de uma carta de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Ocorre que a proibição original do uso de redes, de julho do ano passado, havia sido fixada sob a premissa de que as manifestações de Bolsonaro nas redes visariam coagir o STF a não condená-lo, inclusive instigando retaliações do governo dos Estados Unidos contra os ministros.
Mas, uma vez encerrada a instrução, transitada em julgado a condenação e estando o réu em cumprimento de pena, o argumento cautelar perde sustentação lógica. O que há de ameaçador à independência do Judiciário em uma mensagem de apoio eleitoral sem qualquer menção ao processo ou ao tribunal?
A insistência na imposição de restrições desproporcionais revela um objetivo bem definido. Ao estender a medida contra Bolsonaro para além do limite legal, fica patente o objetivo de sufocamento político do bolsonarismo. Moraes repete, no STF, o papel decisivo que exerceu na eleição de 2022 no TSE.
Interferindo assim na articulação da campanha de 2026, Moraes dá um passo adicional na mais grave concentração de poder da história do país. Quando limites constitucionais são elastecidos, a estratégia para manutenção da autoridade não passa pelo recuo, mas pela intensificação e exibição ostensiva do arbítrio.
A demonstração proposital de força, pelos meios mais criativos e inimagináveis, surpreende os alvos da vez, dificulta o contraditório e acostuma a opinião pública a patamares cada vez mais elevados de exceção. Ante uma elite política que tolera abusos em nome da conveniência do momento, o que antes era impensável passa a ser aceito e, em pouco tempo, institucionalizado. É assim que a receita se cumpre: decisão por decisão, até que o arbítrio se torne a nova norma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-ramalho/escancarar-a-perseguicao-a-bolsonaro-faz-parte-da-receita-de-moraes/

Flávio Bolsonaro lança “tesouraço” contra Lula

Exatamente quatro anos após a polêmica reunião que resultou na inelegibilidade de Jair Bolsonaro, na qual falou para embaixadores de vários países sobre as urnas eletrônicas, outro Bolsonaro, Flávio, agora se reuniu com o grupo em cenário bastante distinto. O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) palestrou ontem para mais de 50 diplomatas – entre eles mais de 40 embaixadores – de 44 países.
No encontro promovido pela Novo Selo Comunicação & The Brazilian Report, no Hotel Brasília Palace, Flávio lançou o mote “tesouraço” que deve levar à campanha eleitoral para tirar a pecha imposta pelos petistas de que ele tem a ver com o “tarifaço” de Donald Trump a produtos brasileiros.
“O Brasil é tarifado por EUA, China, União Europeia por causa da incompetência do atual governo”, acusou, ressaltando que, a seu ver, o país sofre sanções por causa da ideologia de esquerda do presidente Lula da Silva (PT), seu principal concorrente na iminente eleição. Disse que, se vencer, vai aplicar o tesouraço.
“Vamos reduzir drasticamente a quantidade de ministérios. Um ‘tesouraço’, revogando portarias e normas administrativas que dificultam a vida no Brasil hoje. E aumentar a receita sem aumentar impostos, com gestão moderna, auxílio de IA, e criar mecanismos que impeçam gastos em excesso e corrupção”, explicou Flávio.
Minas
Vittorio Medioli (PL), ex-prefeito de Betim e conhecido como o Rei das Cegonheiras (maior transportador de carros novos do país, cresceu com a ascensão da Fiat em Minas) articula para ser candidato da direta ao governo, como citamos. Mas nos bastidores o que se diz é que ele faz pressão para ser candidato ao Senado na chapa do sucessor de Romeu Zema, Mateus Simões, que disputará o governo pelo PSD.
Perdimento na estrada
13 anos depois de o Congresso aprovar a Lei do Perdimento, ela entrará em vigor mês que vem com a regulamentação. Vem a ser a perda de bens (veículos, em especial) para a Receita em caso de contrabando, descaminho ou fraude fiscal. O que mais pesa é para os caminhoneiros. A turma do volante já sabe que a ANTT vai mandar para a estrada mais 700 fiscais nos próximos anos, e com mais viaturas e postos.
Avianca
Congressistas receberam um e-mail de um ex-comissário de bordo da Avianca Brasil, que entrou em colapso em 2019 e teve falência decretada em 2020. O texto pede ajuda e atenção especial ao processo que tramita na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e lembra que há patrimônio suficiente para que paguem indenizações e acertos trabalhistas. A administradora da massa falida é a Alvarez & Marsal. Centenas de ex-funcionários estão na berlinda.
Resseguro
O crescimento do mercado de resseguros no Brasil acompanha a transformação do perfil de riscos da economia, avalia a Fenaber. Dados da Susep mostram que os prêmios cedidos ao resseguro somaram R$ 12,19 bilhões entre janeiro e maio de 2026, mantendo a expansão do mercado. Ao distribuir parte das exposições entre resseguradoras, o setor amplia sua capacidade de assumir novos riscos e oferecer coberturas especiais.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/flavio-bolsonaro-lanca-o-tesouraco-contra-lula/
Eduardo Bolsonaro diz que ministro da Justiça pode perder cargo se não validar decisão da PF

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a decisão do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, sobre sua demissão da Polícia Federal será influenciada por fatores políticos. Em entrevista ao portal Metrópoles, ele disse acreditar que o ministro confirmará sua exoneração para evitar deixar o próprio cargo.
Segundo Eduardo Bolsonaro, o ministro da Justiça dificilmente rejeitará a recomendação da Polícia Federal.
“Depende de um chamego do ministro da Justiça do Lula, e eu não acho que ele vai aliviar para mim, porque, se ele não me demitir, quem vai ser demitido é ele. Não faz muito o feitio do Lula dar colher de chá para opositores”, afirmou.
Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro também afirmou que pretende retornar ao Brasil quando considerar que existam condições para isso. “O Brasil é minha terra, eu quero retornar.”
PF pede saída de Eduardo Bolsonaro após perda do mandato
A Polícia Federal concluiu nesta terça-feira (21) o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro e encaminhou ao Ministério da Justiça um parecer favorável à demissão. O procedimento foi aberto em janeiro após a corporação apontar excesso de faltas injustificadas, situação que caracterizaria abandono de função.
Antes disso, em dezembro de 2025, Eduardo perdeu o mandato de deputado federal por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também sob a justificativa de abandono de função. Com a cassação, a PF determinou que ele reassumisse o cargo de escrivão, o que não ocorreu.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde o fim de fevereiro de 2025. Na época, afirmou que deixou o país por considerar que sua família sofria perseguição política.
Caso retorne, Eduardo terá de cumprir os efeitos da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo. A Corte entendeu que ele utilizou sua atuação nos Estados Unidos para pressionar ministros durante o julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que posteriormente foi condenado e cumpre prisão domiciliar.
Sem retornar ao cargo na PF, Eduardo Bolsonaro obtém green card
Após a perda do mandato, a Polícia Federal determinou que Eduardo Bolsonaro retornasse às atividades como escrivão. Como isso não ocorreu, a corporação instaurou o PAD e concluiu pelo pedido de demissão por abandono de função.
Na segunda-feira (20), Eduardo Bolsonaro informou que obteve um green card concedido pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento autoriza residência permanente no país, permite o exercício de atividade profissional e garante acesso a alguns benefícios estaduais de saúde.
Apesar disso, o ex-deputado afirmou que o objetivo continua sendo voltar ao Brasil assim que considerar existir um ambiente favorável para seu retorno.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/eduardo-bolsonaro-diz-que-ministro-da-justica-pode-perder-cargo-se-nao-validar-decisao-da-pf/
Moraes extrapola lei para impedir influência de Bolsonaro na eleição

A decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu por 30 dias o direito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de receber visitas durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária deixa explícito que as restrições buscam impedir sua influência política sobre as eleições de 2026. Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que a restrição extrapola os limites da suspensão dos direitos políticos previstos na condenação do ex-presidente.
O texto da decisão revelou uma preocupação mais ampla da Corte com a possibilidade de participação indireta do ex-presidente no processo eleitoral. Moraes afirma que a divulgação de mensagens político-eleitorais por intermédio de terceiros é incompatível com as condições impostas para a manutenção da prisão domiciliar humanitária e determina, expressamente, a proibição de visitas com finalidade político-eleitoral e da divulgação de manifestos políticos, inclusive por terceiros, até o término das eleições gerais de 2026.
A fundamentação apresentada por Moraes também vai além do cumprimento das condições da prisão domiciliar ao associar as restrições impostas ao ex-presidente à necessidade de preservar o processo eleitoral.
Ao suspender as visitas, o ministro apontou que as mensagens eleitorais do ex-presidente teriam a “finalidade de intervenção nas eleições gerais” […] “uma vez que, Jair Messias Bolsonaro foi condenado por atos atentatórios ao regime democrático e está suspenso de seus direitos políticos”, escreveu Moraes na decisão.
Para a advogada constitucionalista Vera Chemin, no entanto, a preservação da normalidade das eleições foi utilizada pelo ministro como fundamento para impor restrições que extrapolariam os limites previstos na legislação de execução penal.
A constitucionalista afirma que a decisão teria como efeito afastar Bolsonaro do debate político durante o período eleitoral e interpreta essa medida de Moraes como uma intervenção no processo político.
“A perda dos direitos políticos implica não votar nem ser votado. Não impede a pessoa de fazer política, de manifestar ideias”, reforça o advogado criminalista Bruno Gimenes Di Lascio.
Apesar de estar impedido de disputar eleições e cerceado pelas restrições impostas, Bolsonaro permanece como uma das principais lideranças da direita brasileira.
O potencial de influência política do ex-presidente foi justamente o elemento utilizado por Moraes para justificar a necessidade de impedir novas manifestações semelhantes à carta divulgada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
Diante do cenário, analistas apontam ainda que o ministro adotou uma “janela eleitoral” para delimitar o prazo das novas restrições a Bolsonaro, o que reforça o caráter político da decisão.
Proteção da eleição aparece como fundamento na decisão de Moraes
Ao longo da decisão, Moraes afirma que a divulgação da carta escrita por Bolsonaro teve finalidade claramente político-eleitoral. A afirmação é contestada por analistas que apontam que não houve conduta irregular que possa configurar propaganda antecipada nos termos utilizados por Bolsonaro na carta divulgada por Flávio.
“Trata-se de um manuscrito de apoio político e apoio político não é crime nem infração eleitoral”, afirma o advogado Peterson Vivan, especialista em Direito Eleitoral e presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-Chapecó, de Santa Catarina (SC).
Para Alexandre de Moraes, a carta escrita por Bolsonaro foi elaborada com o propósito de alcançar o eleitorado por intermédio das redes sociais do filho, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL. Segundo o ministro, essa ação configuraria violação à proibição de utilização de meios de comunicação externos, direta ou indiretamente.
A decisão destaca que a carta foi dirigida “aos brasileiros”, indicava Flávio Bolsonaro como “pré-candidato” e “porta-voz” e conclamava apoiadores a se mobilizarem em favor de sua candidatura.
Na visão de Moraes, esses elementos afastariam a tese apresentada pela defesa de que Bolsonaro desconhecia que o texto seria divulgado publicamente.
O ministro também reproduziu trechos do parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundo o qual as limitações impostas ao ex-presidente decorrem justamente dos crimes pelos quais ele foi condenado e têm como finalidade impedir sua participação política durante o período em que seus direitos políticos permanecem suspensos.
No parecer, Gonet afirma que as restrições procuram evitar a participação política de Bolsonaro no cenário eleitoral e observa que a suspensão dos direitos políticos prevista no artigo 15, inciso III, da Constituição é uma consequência automática da condenação criminal com trânsito em julgado.
Ainda assim, Gonet considerou desproporcional determinar o retorno imediato do ex-presidente ao regime fechado e sugeriu apenas o reforço das restrições para impedir novas manifestações políticas durante o período eleitoral.
Na avaliação da advogada Vera Chemin, a fundamentação adotada por Moraes amplia o alcance do artigo 15 da Constituição e impõe restrições que, em sua avaliação, violam os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além da liberdade de expressão do ex-presidente.
“É uma decisão político-ideológica, cuja finalidade – ou desvio de finalidade – é, literalmente, intervir no processo eleitoral”, completa a advogada.
Moraes adota “janela eleitoral” para restrições, aponta analista
O analista político e coordenador do curso de pós-graduação em Comunicação Política e Sociedade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Alexandre Bandeira, aponta como argumento para o viés político da decisão de Moraes o fato de estabelecer um prazo de 90 dias para a incomunicabilidade de Bolsonaro, o que coincide exatamente com o período da eleição.
“Uma decisão jurídica deveria se pautar pelo limite da pena e não por cronogramas eleitorais específicos”, pondera Bandeira.
Para o analista, a menção explícita às eleições de 2026 reforça que o documento é “eivado” de viés político e eleitoral, distanciando-se do caráter puramente normativo.
A advogada e analista política especialista em cenário nacional Yolanda Tolentino avalia que a restrição produz um efeito imediato sobre a organização do PL justamente no período de convenções partidárias.
Segundo ela, Bolsonaro exercia um papel de árbitro interno em decisões como a definição de palanques estaduais, alianças regionais e indicações ao Senado.
“Com a vedação às visitas de finalidade político-eleitoral, esse mecanismo deixa de estar disponível exatamente no momento em que o partido consolida alianças e define chapas. A coordenação passa a depender da direção nacional e de entendimentos entre lideranças regionais, o que tende a tornar visíveis divergências até então contidas pela intervenção pessoal de Bolsonaro”, explica Yolanda.
Ao comentar a suspensão de visitas de representantes políticos a presos, a advogada Vera Chemin cita como precedente o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso. A prisão de Lula ocorreu em meio ao pleito eleitoral de 2018.
Naquele período, ele recebeu visitas de aliados políticos, divulgou cartas e participou do debate público por meio de manifestações escritas e lidas por seus porta-vozes com divulgação em veículos de imprensa.
“Recentemente, nenhum político passou por esse tipo de restrição. Então, com certeza ela atrapalha as articulações políticas da direita. Cria um “tom de criminalidade” discutir assuntos políticos com Bolsonaro, ou buscar sua orientação”, observa o cientista político Adriano Cerqueira, professor no Ibmec-BH.
Decisão de Moraes pode ter efeito favorável para Flávio Bolsonaro
Embora a decisão tenha sido fundamentada em argumentos jurídicos ligados ao cumprimento da execução penal e à suspensão dos direitos políticos de Bolsonaro, cientistas políticos avaliam que seus efeitos podem extrapolar o âmbito judicial e alcançar a disputa presidencial de 2026.
Na avaliação do analista Alexandre Bandeira, a decisão interfere diretamente na estratégia de Flávio Bolsonaro, impedindo-o de atuar como porta-voz do pai durante o período crítico da campanha.
“Embora isso possa prejudicar a transferência de votos, também abre margem para a criação de uma narrativa de perseguido pelo sistema, semelhante ao que ocorreu em outros momentos da história política brasileira”, pondera.
Para o cientista político Adriano Cerqueira, a medida tende a reforçar uma narrativa já explorada pelo grupo político de Jair Bolsonaro. Segundo ele, mesmo após Bolsonaro declarar apoio à pré-candidatura do filho, as novas restrições impostas pelo STF podem fortalecer a percepção, entre parte do eleitorado, de que Jair e Flávio Bolsonaro são alvo de perseguição política.
“Por mais que Bolsonaro já tenha feito a transferência para o filho, cria uma imagem de perseguido político pelo sistema. Isso não deixa de ser favorável para o Flávio Bolsonaro”, afirma.
Na avaliação de Cerqueira, caso a decisão seja percebida por parte do eleitorado como excessiva, o efeito pode ser o fortalecimento da candidatura do senador ao Palácio do Planalto.
“Como a medida é considerada como bastante exagerada e radical, ela tende a ser vista como desproporcional, parcial e que tende a ajudar um lado da disputa presidencial. Assim, Flávio, como filho, também se transforma numa vítima da perseguição política e isso não deixa de ser um impulso para a candidatura dele”, avalia.
A analista Yolanda Tolentino acrescenta que a ausência de novas manifestações públicas de Bolsonaro também pode consolidar Flávio como único intérprete autorizado do legado político do pai.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/moraes-extrapola-lei-para-impedir-influencia-de-bolsonaro-na-eleicao/
PT admite ligação de Wagner ao Banco Master, e torce para que situação de Ciro seja ainda pior

Petistas sabem que a investigação envolvendo o Banco Master e Jaques Wagner vai ser tema central na campanha, mas não esperavam que a intimação ao ex-líder de Lula para explicar à Polícia Federal a confusão, em 7 de agosto, seria só dois dias após o prazo para convenções partidárias. No PT, a esperança é de que a situação de Ciro Nogueira (PP-PI) seja pior do que a do senador baiano e já que ele foi ministro de Jair Bolsonaro, a ideia é que a relação enrole a oposição no escândalo.
Menos pior
A aposta no PT é que o escândalo do Master é pluripartidário e não deve sequestrar o noticiário. A estratégia, por ora, é foco no tarifaço.
Filme queimado
A preocupação é tentar preservar o palanque de Lula na Bahia e evitar o climão na convenção do PT baiano, marcada para 1º de agosto.
O pai é outro
O senador do Piauí é o autor do que ficou conhecido como “Emenda Master”, por beneficiar os negócios de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
PT gostou
Entre a batida da PF na casa de Wagner e o depoimento, haverá hiato de cerca de dois meses e meio, tempo longo neste tipo de investigação.
PF apreende carrões ligados ao Careca do INSS; veja

A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (21), um novo mandado de busca e apreensão ligado ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, no âmbito da Operação Sem Desconto.
A operação resultou na apreensão de diversos carros de luxo e de coleção. Veja a seguir os modelos recolhidos pela PF:
Audi R8

(Foto: Divulgação/PF).
Um dos destaques entre os bens apreendidos pela Polícia Federal é um Audi R8, um dos superesportivos mais emblemáticos da fabricante alemã. O modelo de dois lugares utiliza motor central V10 aspirado de 5,2 litros, compartilhado com o Lamborghini Huracán, capaz de desenvolver até 610 cavalos de potência e acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 3,2 segundos. A produção do Audi R8 foi encerrada em março de 2024, após 45.949 unidades fabricadas, tornando o veículo ainda mais exclusivo e valorizado entre colecionadores.
BMW X6

(Foto: Divulgação/PF).
Entre os automóveis apreendidos também está uma BMW X6, modelo que inaugurou o segmento dos Sports Activity Coupé (SAC), combinando características de um SUV com o design esportivo de um cupê. Na configuração atual xDrive40i M Sport, o veículo é equipado com motor de seis cilindros e 381 cavalos de potência, com preço aproximado de R$ 889 mil. As versões mais completas ultrapassam a marca de R$ 1 milhão no mercado brasileiro.
Chevrolet Opala Diplomata

(Foto: Divulgação/PF).
Outro veículo apreendido foi um Chevrolet Opala Diplomata, versão topo de linha da tradicional família Opala. Produzido até 1992, o modelo se destacou pelo acabamento sofisticado, alto nível de conforto e pelos motores 2.5 de quatro cilindros ou 4.1 de seis cilindros. Considerado um ícone da indústria automobilística brasileira, o Diplomata tornou-se uma peça de coleção e pode alcançar valores expressivos no mercado de clássicos, a depender do ano de fabricação, da originalidade e do estado de conservação.
A operação
A ação foi realizada no Distrito Federal e teve como objetivo atingir o patrimônio do investigado, apontado como um dos principais articuladores do esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu a ordem judicial com a finalidade de promover a descapitalização do investigado, considerado peça central no esquema criminoso investigado pela corporação.
Em nota, a Polícia Federal informou que, além das fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões, também são apurados os crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação patrimonial.
TRE encerra ação contra Dr. Furlan e reforça regularidade de sua candidatura

O Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) extinguiu, sem analisar o mérito, a ação cautelar apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o ex-prefeito de Macapá e candidato ao governo do estado, Antônio Furlan (PSD), e o diretório regional do partido.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (21) pelo relator do caso, desembargador Rommel Araújo de Oliveira. Segundo o magistrado, a ação foi proposta por meio de um instrumento processual inadequado e não havia interesse processual para o pedido.
Dr. Furlan foi oficializado candidato ao governo durante convenção estadual do Partido Social Democrático (PSD).
O Ministério Público solicitava que o TRE só aceitasse o registro da candidatura de Furlan após o julgamento definitivo da ação que discute sua elegibilidade, relacionada a uma investigação sobre suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024.
No entanto, o relator destacou que o pedido foi apresentado antes mesmo de o pré-candidato protocolar seu pedido de registro na Justiça Eleitoral. Para o desembargador, a medida tinha caráter preventivo e se baseava em uma situação ainda hipotética.
Na decisão, Rommel Araújo afirmou que o pedido “converte-se em exercício de futurologia processual”, incompatível com os requisitos exigidos para a concessão de tutela cautelar.
O magistrado também classificou a iniciativa do MP como de “caráter especulativo”, ao considerar que não seria possível antecipar o resultado do processo que ainda está em tramitação nem presumir como será analisado um eventual pedido de registro de candidatura.
Com a extinção da ação, o pedido de liminar apresentado pelo Ministério Público também perdeu o objeto.
Justiça derruba cobrança milionária contra Vale por Brumadinho

A Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão da multa de R$87,9 milhões aplicada à Vale pela Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE-MG) em um processo relacionado ao rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.
A decisão foi concedida em caráter liminar pelo desembargador Alberto Diniz Júnior, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A penalidade havia sido aplicada em março deste ano após um processo administrativo iniciado em 2020.
A CGE-MG apontou que a mineradora teria apresentado informações consideradas irregulares sobre a segurança da barragem que se rompeu em janeiro de 2019, tragédia que deixou 272 mortos.
A Vale recorreu contra a multa e alegou que os fatos analisados não se enquadrariam na Lei Anticorrupção.
A empresa também sustentou que já havia sido alvo de uma punição da Controladoria-Geral da União (CGU) baseada em fundamentos semelhantes, questionando a aplicação de novas sanções sobre o mesmo episódio.
Na decisão, o desembargador considerou que existe uma discussão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma penalidade aplicada pela CGU à mineradora pelo mesmo contexto.
Segundo a decisão, o julgamento no STF envolve a validade da utilização da Lei Anticorrupção em casos sem a caracterização de um ato de corrupção propriamente dito.
O caso também envolve debates sobre a responsabilização administrativa da empresa após o rompimento da estrutura em Brumadinho.
Em outra frente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já analisou uma multa aplicada pela CGU contra a Vale, mantendo uma penalidade de cerca de R$86 milhões relacionada à acusação de omissão de informações sobre a estabilidade da barragem.
A decisão do TJMG suspende temporariamente a cobrança da multa estadual até que haja novos desdobramentos no processo judicial.
A liminar ainda poderá ser analisada posteriormente pelo colegiado responsável pelo caso.
O rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e provocou uma das maiores tragédias socioambientais do país.
Desde então, diferentes ações administrativas, civis e criminais foram abertas para apurar responsabilidades e definir medidas de reparação às áreas atingidas.
Lula apostou contra o Brasil
Ei, você! Sim, você mesmo. Você percebeu o que aconteceu no aumento, pelos Estados Unidos, das tarifas aplicadas sobre a importação de produtos brasileiros? Você percebeu o quanto foi falsificada a indignação da torcida lulopetista organizada nas redes sociais e na mídia mercenária, cuidando sempre de responsabilizar a oposição pela conduta irresponsável do embusteiro de Garanhuns? Observou que, no fundo, regozijavam-se, considerando o dano ao Brasil como um empurrãozinho na campanha de Lula?
As dificuldades que estão recaindo sobre nossa economia não podem ser avaliadas em modo desconexo com o que aconteceu na eleição de 2022. Naquele período, a oposição brasileira foi engasgada, esganada e enganada por indescritíveis restrições que a impediram de dizer o óbvio em qualquer pleito, para qualquer candidato: criticar seu adversário, apontando-lhe as más companhias e os males da vida pregressa. Tão logo eleito o atual presidente, seus parceiros retornaram aos banquetes do poder. Quem são? São militantes com contracheque, são empresários na intimidade do caixa, são políticos que abusam do poder sem qualquer aval popular.
Com Lula, o Brasil se integrou às organizações políticas do Foro de São Paulo, das quais, desde 1989, não proveio uma única democracia. De volta ao governo, Lula comprometeu o Brasil com o bloco dos inimigos do Ocidente e, agora, anda a braços dados com Irã, China, Hamas e seus comparsas. Coincidentemente, desde que o lulopetismo formou consistente maioria no STF, embalsamada e silenciosa, a democracia deixou saudades no Brasil. As instituições se descredibilizam e autodestroem. Parece uma rosca sem fim.
Passados quatro anos, empilham-se os escândalos. Todos sabem quem é quem no power point da corrupção, da blindagem, das ameaças, do sigilo e da impunidade. Por isso, comecei este artigo dizendo “Ei, você!”. Sim, você que trabalha de sol a sol, você que tem uma família para cuidar e deve protegê-la dos bandidos das ruas e dos gabinetes precisa saber que, no jogo político, o mal age, sempre, mediante corpo político próprio. E não deixa dúvidas sobre sua identidade.
Esse é um claro divisor de águas. Agora, pela primeira vez, tal divisor se apresenta nítido em qualquer tema sob debate. Portanto, é a hora da informação e do juízo que foram truculentamente negados ao eleitor em 2022.
O presidente brasileiro tem tamanha confiança na falta de juízo de uma grossa fatia do eleitorado que se percebe beneficiado pela posição do governo norte-americano. Apostou contra o Brasil. Este perdeu, ele ganhou. E você? Você observa o país indo à bancarrota e a consagração da tolice como vitamina de poderes que saíram de controle. A omissão dos bons cidadãos não está entre as possibilidades do momento.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/opiniao/lula-apostou-contra-o-brasil
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