
O Sovereign Grant é o financiamento soberano da família real inglesa que envolve uma despesa anual de 369 milhões de libras. No relatório com o qual os órgãos competentes fixaram, no último dia 26 de junho, a última parcela do financiamento, lê-se que “Sua Majestade é o Governador Supremo da Igreja da Inglaterra e protege o espaço para a Fé dentro da nação multirreligiosa”. Como é fácil notar, essa expressão é muito diferente do apelido historicamente atribuído aos soberanos ingleses: “Chefe da Igreja da Inglaterra e Defensor da Fé”.
O título de Defensor Fidei foi concedido por Leão X a Henrique VIII em 1521, por ter combatido a reforma de Lutero e reiterado a adesão da Inglaterra à Igreja Católica. Como se sabe, os eventos seguintes tomaram outro rumo: Henrique VIII fundou uma nova Igreja com o rei da Inglaterra como chefe e perseguiu duramente os bispos que permaneceram fiéis a Roma, como John Fisher, e também seus próprios ministros, como Thomas More. As violências aumentaram sob o reinado de Elizabeth, atingiram as ordens religiosas com o confisco de seus bens e com a proibição de celebrar a missa. Enquanto isso, o anglicanismo assumiu progressivamente muitas conotações protestantes e, atualmente, encontra-se em um estado de decomposição interna. Mas o título de Defensor Fidei permaneceu por todos os 500 anos seguintes.
Por ocasião do último Ramadã, o Palácio de Buckingham enviou a todos os muçulmanos residentes na Inglaterra e na Commonwealth uma mensagem de felicitações por parte do monarca, enquanto havia esquecido de desejar uma feliz Páscoa aos cristãos.
O problema não é a eliminação do título Defensor Fidei, que já era um abuso na época de Henrique VIII e, se referido à religião católica, permaneceu assim por 500 anos; mas sim a constatação do espírito da Inglaterra liberal, isto é, o pluralismo religioso fundado no indiferentismo religioso. De Defensor da Fé, o rei Charles torna-se defensor de uma fé genérica e vazia, de uma atitude sem conteúdo, ou seja, de todas as fés e de nenhuma delas, defensor do pluralismo liberal, entrando assim em contradição até com a razão. Esta já não é considerada capaz de compreender e avaliar a diferença entre uma religião e outra, abdicando de seus próprios deveres e de suas próprias possibilidades.
De resto, também do lado do catolicismo ocorreram “aberturas” estranhas e semelhantes. Em 20 de fevereiro de 2026, o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso divulgou uma mensagem por ocasião do Ramadã, e o papa Leão XIV, em 26 de março de 2026, enviou uma mensagem à senhora Sarah Mullally, arcebispa de Canterbury, invocando sobre ela “as bênçãos de Deus Todo-Poderoso ao assumir suas altas responsabilidades”, recebendo-a depois em audiência e chegando a rezar junto com ela.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/sinal-dos-tempos-rei-charles-deixa-de-ser-o-defensor-da-fe/
Vídeos de teor sexual em festas de Vorcaro são tratados como possível instrumento de chantagem

Os vídeos de conteúdo sexual das festas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades de diferentes espectros políticos e membros do Judiciário ainda não estão no centro do caso Master. Isso porque a Polícia Federal apura, segundo pessoas próximas às investigações, se os conteúdos eram usados para pressionar e até para chantagear autoridades e figuras públicas que participaram dos eventos regados a bebidas caras, charutos exclusivos e “acompanhantes” estrangeiras.
Os vídeos passarão a ocupar um lugar central nas investigações se ficar comprovado que o conteúdo serviu para ameaçar ou obrigar figuras dos três Poderes a sustentar politicamente o Banco Master ou se foram promovidos com o uso de recursos públicos. Esses recursos poderiam ter sido desviados do banco a partir de fundos de previdência de estados e municípios ou mesmo do desconto indevido de beneficiários do INSS.
O que importa para os investigadores não é o teor sexual e de caráter íntimo, mas a possibilidade de as festas terem sido usadas como moeda de troca para garantir proteção institucional a Vorcaro e ao banco que acabou liquidado em 2025.
Enquanto essa possível ligação não for estabelecida, o material segue como peça lateral de diferentes inquéritos dentro da operação Compliance Zero. Ele pode ganhar peso a partir do que for encontrado nas perícias, no cruzamento de informações e nos demais indícios de crimes ligados ao esquema bilionário e supostamente fraudulento liderado pelo ex-banqueiro.
A defesa de Vorcaro tem contestado essa interpretação e afirmou que os encontros tinham caráter estritamente privado entre adultos, negando que tenham sido utilizados para influenciar decisões de autoridades ou favorecer interesses empresariais.
O assunto voltou a ocupar o noticiário após o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmar ter visto um vídeo de 12 minutos de uma festa promovida por Vorcaro em que estariam autoridades dos mais diferentes partidos políticos, membros do Judiciário e do setor empresarial.
Um evento com essas características foi realizado em Nova York em 2024, com duração de três dias, mas não se descarta a possibilidade de ter sido replicado com as mesmas características no Brasil ou em outros países. Não está claro onde aconteceu o evento descrito por Garotinho.
Haveria, inclusive, registros de festas privês registradas em discos rígidos (HDs) e celulares do ex-banqueiro, apreendidos em diferentes fases da Compliance Zero. Também não se descarta a possibilidade de haver vídeos com terceiros que participavam desses eventos, pois em parte deles apenas as mulheres eram obrigadas a entregar os celulares na portaria. Os homens estavam liberados para portá-los.
O que os investigadores querem descobrir que pode envolver as festas privadas
Uma das linhas de apuração tenta entender se as gravações feitas durante os encontros com acesso restrito e proibição de celulares eram usadas por Vorcaro para monitorar e, eventualmente, chantagear figuras públicas. A pergunta dos investigadores está focada em se os registros serviram para obrigar autoridades do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário a dar sustentação política ou institucional ao Master ou a figuras ligadas ao ex-banqueiro.
Se essa conexão for confirmada, o material pode passar a ser uma prova de um suposto esquema de chantagem institucional, o que mudaria o nível de gravidade do caso. O acesso a esses materiais apreendidos tem sido bastante rígido porque vazamentos seletivos poderiam ser usados por diferentes defesas para justificar anulação de investigações, caso se tratem somente de eventos de foro íntimo.
Há ainda uma segunda frente de apuração, ligada não ao conteúdo das imagens, mas à logística das festas. O suposto recrutamento de mulheres estrangeiras que atuavam como acompanhantes de autoridades é analisado sob suspeitas de exploração sexual e tráfico de pessoas.
Ainda se esperam respostas, por exemplo, como essas mulheres, que costumavam ser do Leste Europeu, entravam nos países onde eram realizados os eventos; como era o trânsito aduaneiro e em que aeronaves eram deslocadas. Suspeita-se que o translado era feito em aviões do próprio empresário.
A investigação também apura com que dinheiro os encontros foram bancados. Se há indícios de recursos provenientes de desvios de fundos de investimentos e previdenciários de estados ou municípios ou ainda, se há alguma relação com as fraudes dos descontos de aposentados e pensionistas do INSS, injetados no Master.
Vídeos geram polêmica, mas ameaçam operação
O acesso e o compartilhamento de arquivos de teor íntimo com autoridades, entre elas membros da CPMI do INSS, levou o ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito, a suspender o acesso aos dados sigilosos e abrir apuração sobre possíveis vazamentos.
Depois disso, a defesa de Vorcaro chegou a apresentar duas propostas de colaboração premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Nenhuma foi aceita. Para os investigadores, tudo o que Vorcaro se dispôs a falar já havia sido mapeado nas provas colhidas durante as diferentes fases da investigação. Todo esse material, incluindo o que foi recuperado de aparelhos eletrônicos, permanece sob sigilo judicial.
Dentro da estrutura investigativa da PF, houve a determinação de compartilhamento limitado das informações na tentativa de evitar novos vazamentos, como o dossiê que teria sido feito por um perito que acabou afastado das funções.
Garotinho e a polêmica sobre a “festa das astronautas”
O assunto das festas íntimas e possíveis chantagens voltou a ser tratado depois que o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho detalhou publicamente, na semana passada, o que teria visto em um vídeo gravado durante um dos encontros de Vorcaro, apelidado de “festa das astronautas”.
Segundo o relato de Garotinho, tanto os homens, políticos e empresários brasileiros, quanto as mulheres, supostamente estrangeiras contratadas como acompanhantes, estavam nus durante o evento. As mulheres usavam apenas capacetes similares aos de astronautas. Informações de fontes a par das investigações reforçam que mais de uma dessas festas pode ter sido realizada. Em algumas delas, porém, as mulheres estavam vestidas com roupas justas ao corpo e capacetes, e os homens as escolhiam apenas levantando a viseira.
Garotinho afirma ter a gravação, mas optou por não divulgar nem enviar a ninguém, dizendo que foi alertado de que o vídeo está sob segredo de Justiça e integra os autos da investigação sobre o Master. O ex-governador afirmou que preferiu não tornar o material público para não se antecipar a uma eventual quebra de sigilo pela própria Justiça.
Mesmo sem revelar nomes, o relato descreveu um ambiente em que mulheres desfilavam enquanto homens públicos sinalizavam interesse. Garotinho disse ainda que entre os presentes estavam autoridades, políticos de diferentes espectros e empresários, mas não citou nomes.
A apuração das festas e dos vídeos corre em paralelo a outras frentes da Compliance Zero, que resultou em nove fases da operação incluindo prisões de Vorcaro, buscas contra políticos e questionamentos sobre uso de fundos de previdência pública para aplicações no Master.
Agendas sociais e festivas são vastas
As agendas sociais de Vorcaro foram muito além do caso mencionado por Garotinho. Elas teriam se replicado dezenas de vezes em endereços badalados no Brasil e no exterior, sempre reunindo empresários, autoridades e convidados exclusivos em ambientes de alto padrão e com muito controle.
No Brasil, além do Rio de Janeiro e de São Paulo, o principal ponto de encontro teria sido uma mansão localizada em Trancoso, no litoral sul da Bahia. O imóvel ficou conhecido como “Cine Trancoso” após relatos de que recebia festas privadas durante feriados e temporadas de verão.
De acordo com representações encaminhadas ao Tribunal de Contas da União (TCU), os eventos reuniam convidados selecionados em um ambiente reservado, com apresentações musicais, serviço de alto padrão e rígido controle de acesso.
A participação de autoridades levou o Ministério Público junto ao TCU a pedir o aprofundamento das apurações sobre eventual conflito de interesses. Posteriormente, técnicos do tribunal entenderam que não havia elementos que demonstrassem uso de recursos públicos federais nas festas. A PF ainda analisa o caso.
Nos Estados Unidos, especialmente em Nova York, um dos principais encontros teria ocorrido em paralelo à programação da Semana do Brasil, a Brasil Week de 2024. Foram jantares exclusivos, degustações de charutos, uísques, além de recepções em suítes de hotéis de luxo na Quinta Avenida. Os eventos incluíam hospedagens de alto custo, gastronomia sofisticada e programação reservada para convidados, com despesas que sempre alcançariam cifras milionárias.
Em Portugal, houve registro de encontros promovidos durante o tradicional fórum jurídico realizado em Lisboa, conhecido informalmente como “Gilmarpalooza”. Neste caso os registros teriam sido exclusivamente de encontros entre homens para degustação de bebidas e charutos. Tratava-se de empresários, advogados, magistrados e políticos em reuniões focadas em relacionamento institucional e networking.
Em Londres, durante fóruns jurídicos internacionais, Vorcaro também teria promovido recepções privadas destinadas a autoridades e convidados selecionados. Apesar de nem todas as reuniões estarem focadas em eventos íntimos ou sexuais, elas costumeiramente incluíam degustações de uísques, como Macallan, em espaços exclusivos, mantendo sempre o mesmo perfil reservado, mas de vigilância. O circuito de eventos teria se repetido durante cerca de cinco anos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/videos-de-teor-sexual-em-festas-de-vorcaro-sao-tratados-como-possivel-instrumento-de-chantagem/
As decisões de Alexandre de Moraes consideradas abusivas por juristas

Um levantamento detalhado da Gazeta do Povo mapeou 104 ações do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que geram críticas sobre concentração de poder e censura no Brasil. O relatório aponta decisões que afetaram desde políticos até cidadãos comuns e empresas, reacendendo o debate sobre os limites judiciais.
Por que existe uma crítica sobre a concentração de funções nas mãos do ministro?
No sistema democrático comum, quem investiga, quem acusa e quem julga devem ser pessoas ou órgãos diferentes para garantir a imparcialidade. Juristas apontam que, em inquéritos como o das Fake News, o ministro Alexandre de Moraes acumulou esses papéis, atuando simultaneamente como investigador e juiz de casos em que ele próprio se declara vítima, o que rompe com o modelo tradicional da Justiça brasileira.
Como as redes sociais e plataformas digitais foram impactadas?
Plataformas como Telegram, X (antigo Twitter) e Rumble sofreram suspensões totais ou ameaças de bloqueio por descumprimento de ordens judiciais. O impacto dessas medidas atingiu milhões de brasileiros que não estavam envolvidos nos processos. Além disso, houve ordens para remoção de anúncios e publicações de empresas como Google e Meta sobre projetos de lei em discussão no Congresso, o que é visto por críticos como uma forma de censura prévia.
Quais medidas atingiram pessoas que não eram alvo direto das investigações?
Um padrão identificado foi a punição de terceiros. Isso inclui o bloqueio de contas bancárias da Starlink para pagar dívidas da empresa X, a aplicação de multas diárias para usuários comuns que utilizassem VPN (ferramenta para navegar na internet de forma privada) para acessar sites bloqueados e até a suspensão de perfis de influenciadores e de uma adolescente, filha de um jornalista investigado.
De que forma o tribunal interferiu em decisões de outros poderes?
O levantamento cita episódios em que ordens judiciais individuais anularam atos do Executivo e do Legislativo. Exemplos incluem a suspensão da nomeação de diretores da Polícia Federal pelo presidente e o cancelamento de decretos aprovados pelo Congresso sobre impostos (IOF) e armas. Para estudiosos do Direito, essas ações invadem a competência de deputados e senadores eleitos, desequilibrando a harmonia entre os poderes.
O que são os ‘relatórios informais’ mencionados no levantamento?
Mensagens reveladas mostram que assessores do ministro usaram canais informais, como WhatsApp, para solicitar relatórios específicos sobre perfis de políticos e críticos nas redes sociais. Esses documentos eram produzidos por órgãos de combate à desinformação do TSE e, posteriormente, inseridos nos processos do STF como se fossem provas colhidas de forma oficial, gerando questionamentos sobre a legalidade desse procedimento.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/quais-sao-as-decisoes-de-alexandre-de-moraes-consideradas-abusivas-por-juristas/
Omissão de Paulo Gonet já é vergonha internacional

A ONG anticorrupção Transparência Internacional criticou duramente, na quinta-feira passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por não fazer absolutamente nada a respeito do escandaloso contrato de R$ 129 milhões assinado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. “A inação da PGR se torna mais grave a cada nova revelação”, afirmou a entidade em sua conta em português no X, depois de dizer que “o grau de informalidade com que se tramitou um contrato de R$ 129 milhões é estarrecedor e só aumenta as suspeitas – que já eram mais que suficientes para a abertura de uma investigação própria”.
O comentário foi feito na esteira de novas revelações a respeito das negociações para a assinatura do contrato. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Vorcaro e a advogada Viviane Barci de Moraes conversavam diretamente pelo WhatsApp, e fora ela quem enviou ao banqueiro a minuta do documento, em janeiro de 2024. As conversas estão em um dos celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. O valor seria pago em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, e outras mensagens indicam que Vorcaro dava prioridade total a essa despesa, mesmo quando o Banco Master já começava a afundar devido à insustentabilidade de suas estratégias agressivas de captação de investidores. O contrato original, no entanto, não foi inteiramente quitado, e os investigadores já encontraram a minuta de um outro contrato, no valor de R$ 50 milhões – o que faltaria para ser pago na negociação de 2024 –, entre uma empresa de Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, mas que não chegou a ser assinado.
Ao mirar apenas o vazamento e ignorar o conteúdo das negociações entre Vorcaro e a esposa de Moraes, Gonet se comporta como se a missão da PGR fosse garantir a paz das autoridades, e não a defesa do interesse público
Nem mesmo o mais empedernido libertário haveria de defender que se trata apenas de uma negociação entre dois entes privados, nos quais um deles, detentor de uma fonte inesgotável de dinheiro, resolveu pagar muito mais que o habitual por esse tipo de serviço sabe-se lá por que motivos, e que por isso o Estado não deveria se intrometer. Estamos falando de alguém apontado como o chefe de um esquema de fraude financeira bilionária, que ofereceu valores muito superiores aos cobrados pelas melhores bancas de advocacia do país a um escritório cujo maior trunfo não é a expertise de seus membros, mas um sobrenome – o mesmo de um integrante do principal tribunal do país. E já se sabe que, no mínimo, Vorcaro conseguiu acesso privilegiado a Moraes, a ponto de trocar mensagens com o ministro perguntando-lhe sobre investigações, com direito a um “conseguiu bloquear?”, horas antes de ser preso pela primeira vez.
Para qualquer pessoa que não tenha o desconfiômetro totalmente quebrado, essas circunstâncias mereceriam ao menos uma investigação. Por que Vorcaro pagou todo esse dinheiro ao escritório Barci de Moraes se poderia ter contratado bancas muito mais experientes e renomadas a um valor menor? Ele estaria tentando comprar influência ou proteção para não ter de responder pelos crimes financeiros de que é acusado? E, se a resposta for “sim”, o que Vorcaro de fato recebeu em troca, ainda que hoje esteja preso (embora não falte quem trabalhe para anular toda a Operação Compliance Zero, mais cedo ou mais tarde)? São perguntas que, em uma sociedade normal, que não abafa seus escândalos, já teriam colocado o poder público para trabalhar em busca das respostas. Mas não no Brasil, onde o procurador-geral Paulo Gonet arquivou um pedido de investigação em dezembro do ano passado, afirmando que não via “qualquer ilicitude”.
O mesmo Paulo Gonet, recorde-se, que também participou de uma degustação muito exclusiva de um uísque caríssimo, bancada por Daniel Vorcaro em Londres. O mesmo Gonet que ofereceu denúncia contra o perito Eduardo Tagliaferro por ter divulgado os descalabros cometidos dentro do “Ministério da Verdade” instalado no TSE presidido por Moraes. O mesmo Gonet que denunciou a família Mantovani pelo entrevero do aeroporto de Roma, sem o menor elemento factual que justificasse as acusações. O mesmo Gonet que denunciou no atacado centenas de brasileiros pelos atos de 8 de janeiro de 2023, sem a necessária individualização de conduta.
Pelo andar da carruagem, o único que deve terminar pagando o pato será o perito criminal da Polícia Federal apontado como o autor dos vazamentos pelos quais o Brasil soube não apenas do megacontrato entre Vorcaro e Viviane Barci, mas também dos negócios envolvendo o resort Tayayá, implicando o ministro Dias Toffoli. Mesmo considerando que de fato tenha havido o crime de violação de sigilo funcional, previsto no Código Penal (e até isso é controverso, pois também se pode argumentar que ele agiu como o chamado whistleblower), isso não torna falsas as informações divulgadas, nem reduz a gravidade do escândalo. Ao mirar apenas o vazamento e ignorar seu conteúdo, Gonet se comporta como se a missão da PGR fosse garantir a paz das autoridades, e não a defesa do interesse público. A continuar nesse ritmo, será preciso questionar quando a omissão do procurador-geral se tornará prevaricação.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/omissao-paulo-gonet-contrato-vorcaro-esposa-moraes/

Moraes sofrerá nova humilhação internacional?

O caso do ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, ganhou o noticiário internacional nos últimos dias e promete trazer mais uma dor de cabeça ao ministro. Tagliaferro, acusado de crimes dos quais o próprio Moraes é “vítima”, foi detido por algumas horas na Itália, o que acabou revelando ao mundo que Moraes encaminhou aos italianos um pedido de prisão e de extradição de Tagliaferro. A grande questão que se coloca é: será extraditado ao Brasil ou Moraes sofrerá mais uma humilhação internacional sem precedentes?
A resposta começa pelo básico: Tagliaferro não foi preso. O tribunal italiano rejeitou o pedido de prisão preventiva feito por Moraes e determinou apenas medidas cautelares alternativas, como a apreensão do passaporte e a proibição de saída da cidade. Para os juízes italianos, não havia risco de fuga: mesmo denunciado pela PGR, ele permaneceu em casa, à disposição das autoridades. A mensagem é clara: não se trata de um foragido perigoso, mas de um cidadão disposto a responder dentro da lei.
Outro detalhe chama a atenção: Moraes não pediu a inclusão de Tagliaferro na difusão vermelha da Interpol. Por quê? Por medo. Medo de ver sua ordem rejeitada pela comunidade internacional — o que já ocorreu em outros casos.
Três fatores pesam contra Moraes: primeiro, a perseguição política evidente, pois, em nenhum país sério, a própria “vítima” dos crimes conduz o processo como juiz; segundo, as sanções internacionais, já que Moraes foi incluído na lista de sancionados da Lei Magnitsky, que pune autoridades por violações de direitos humanos, fazendo com que qualquer decisão sua seja examinada com ceticismo redobrado; e, terceiro, o histórico negativo de Moraes na própria Interpol, que, em casos anteriores, como o de Oswaldo Eustáquio, recusou-se a cumprir ordens do ministro por considerá-las perseguição política.
Moraes não pediu a inclusão de Tagliaferro na difusão vermelha da Interpol. Por quê? Por medo. Medo de ver sua ordem rejeitada pela comunidade internacional
A situação é ainda mais constrangedora quando especialistas europeus classificam o caso como “altamente inusual”, como fizeram em um levantamento especial aqui para a Gazeta do Povo. Alguns juristas relataram nunca ter visto algo parecido em jurisprudência de extradição: um pedido feito por um juiz que é, ao mesmo tempo, vítima dos crimes do extraditado. A conclusão é inevitável: a Itália pode barrar o pedido alegando falta de imparcialidade e risco à garantia de um julgamento justo. E é exatamente esse o argumento que a defesa de Tagliaferro deve apresentar. O constrangimento não será pequeno. Imagine a cena: tribunais italianos rejeitando oficialmente um pedido brasileiro porque não veem imparcialidade no processo. Será mais uma humilhação internacional para o STF.
Vale lembrar: quando advogados da deputada Carla Zambelli explicaram às autoridades italianas que Moraes era, simultaneamente, juiz e vítima de seus supostos crimes, a reação foi de incredulidade — seguida de risos. Porque, para qualquer pessoa razoável, em qualquer democracia minimamente funcional, isso é absurdo. Só aqui, no Brasil, imprensa e juristas ditos “garantistas” fingem não ver nada de errado e aplaudem de pé os abusos de Moraes. Lá fora, a reação é diferente: perplexidade e, muitas vezes, desprezo. A risada dos magistrados revela: o Brasil não é um país sério.
Há ainda um último ponto devastador para o pedido de extradição: Eduardo Tagliaferro é um whistleblower. Ele denunciou ilegalidades cometidas por Moraes e, por isso, goza de proteção especial prevista em normas internacionais de direitos humanos, tanto no sistema europeu quanto no interamericano. Como lembra o procurador regional da República Vladimir Aras, uma referência em matéria de cooperação internacional, a perseguição a denunciantes é frontalmente contrária às normas internacionais que regem o assunto.
No caso Viteri Ungaretti vs. Equador, decidido em novembro de 2023, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que tem jurisdição sobre o Brasil, garantiu a proteção internacional aos direitos dos whistleblowers, reportantes do bem e denunciantes de crimes. Viteri Ungaretti era um adido militar do Equador em Londres que, após denunciar atos de corrupção que testemunhou, foi vítima de diversas retaliações e punições pelo Estado equatoriano. A corte condenou o Equador a pagar reparações a Ungaretti e sua família. Além disso, a União Europeia também tem diretivas e precedentes consolidados de proteção a reportantes do bem, denunciantes de crimes e whistleblowers.
Por todos esses fatores, tudo indica que a Itália não extraditará Tagliaferro. Se isso se confirmar, Moraes sofrerá uma derrota histórica: será a primeira vez no mundo em que um tribunal nega a extradição porque o juiz que pede é, ao mesmo tempo, a suposta vítima e o algoz do réu. Nada mais simbólico para o Brasil de hoje: um país em que a Justiça se tornou instrumento de perseguição política, desmascarada e rejeitada no exterior. É, realmente, tragicômico. O que, para nós, é tragédia, para o mundo é piada.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/moraes-sofrera-nova-humilhacao-internacional/
Chiquinho Brazão é alvo da PF por suspeita de desvio de emendas parlamentares

O ex-deputado federal Chiquinho Brazão é um dos alvos da Operação Emendatio, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (9) para investigar um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares federais destinadas a organizações da sociedade civil no Rio de Janeiro.
São cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão na capital fluminense, além do bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados. A investigação também aponta a participação de um ex-assessor do irmão de Chiquinho, o conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão, identificado como um ex-policial.
A Gazeta do Povo apurou que parte das verbas sob suspeita teria sido indicada por Brazão quando ele exercia o mandato na Câmara dos Deputados, entre os anos de 2019 e 2025, quando teve a perda do mandato confirmada.
Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados pelo STF como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, a uma pena de 76 anos de prisão. Por problemas graves de saúde, Chiquinho cumpre atualmente a pena em regime domiciliar, enquanto que o irmão segue em regime fechado no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro.
De acordo com a Polícia Federal, parte dos recursos federais destinados a entidades sem fins lucrativos que mantinham contratos com órgãos da administração pública teria sido desviada por meio de pagamentos indevidos, uso de empresas de fachada e mecanismos para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
“Os investigados teriam utilizado organizações da sociedade civil, pessoas físicas e pessoas jurídicas vinculadas ao grupo para movimentação financeira e para ocultação patrimonial, com indícios de repasses realizados por meio de empresas e de terceiros utilizados como interpostas pessoas. Há suspeita de irregularidades nas parcerias celebradas com as OSCs investigadas, tais como superfaturamento, conluio entre empresas participantes das cotações de preços e inexecução contratual”, disse a corporação em um comunicado.
A Polícia Federal também identificou indícios de superfaturamento de contratos, conluio entre empresas que participavam das cotações de preços e até casos de inexecução dos serviços contratados. Em tese, o esquema permitia que verbas destinadas a projetos de interesse público fossem desviadas em benefício do grupo investigado.
Segundo a Polícia Federal, a operação busca reunir novas provas, identificar outros envolvidos, aprofundar a análise financeira e patrimonial dos investigados e recuperar ativos relacionados aos fatos apurados.
Os crimes investigados incluem peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sem prejuízo de outras infrações que possam ser descobertas ao longo das apurações.
Condenados pela morte de Marielle
Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados pelo STF por ordenarem o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018 no Rio de Janeiro, por supostos interesses políticos e fundiários contrariados pela atuação da parlamentar.
O STF fixou penas de 76 anos e três meses de prisão para cada um dos condenados, além da perda dos cargos e de outros efeitos previstos na sentença.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República concluíram que o crime foi planejado e executado por um grupo estruturado, que teria contratado os executores do atentado. O caso permaneceu sem solução por anos e ganhou novos desdobramentos após a delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/chiquinho-brazao-alvo-pf-suspeita-desvio-emendas-parlamentares/

A cesta básica sobe sem parar: más notícias para Lula

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sempre faz o levantamento da cesta básica e, neste ano eleitoral, o meio sindical está mostrando a Lula – que é oriundo desse meio – um dado que não é bom para ele, candidato à reeleição: a cesta básica subiu em todas as capitais do país no primeiro semestre. Há diferença de números – em Fortaleza, subiu 21%; em São Luís, 4% –, mas o aumento aconteceu em todas as capitais. E sabem o que mais subiu? Feijão e arroz, o prato básico do brasileiro.
O Dieese também diz que o salário mínimo, que segundo a Constituição tem de ser a renda mensal que propicie o mínimo de sobrevivência para o trabalhador – suficiente para comida, transporte, aluguel, vestuário, material escolar e material de limpeza –, deveria ser de R$ 8.110, quando é de R$ 1.621. São dados que importam muito na campanha eleitoral. O governo Lula está desaprovado mesmo por aqueles que lhe dão liderança nas pesquisas: na pesquisa Meio/Ideia que saiu há pouco, ele tem 45% contra 40% de Flávio Bolsonaro, mas 48,5% desaprovam o governo e só 33% acham que Lula está fazendo uma boa gestão.
Lula se intromete e coloca nas mãos do MEC um exame que deveria ser feito pelo CFM
Um assunto que diz respeito à saúde de você que me ouve ou lê, da sua família, de todos nós é o excesso de escolas de Medicina no Brasil e a formação de médicos. O Brasil é o campeão do mundo na quantidade de escolas de Medicina, em números relativos; em números absolutos, só perde para a Índia – mas a Índia está chegando a 1,5 bilhão de habitantes e tem 650 escolas, enquanto o Brasil tem quase 500 escolas para 215 milhões de pessoas. O Estados Unidos não chegam a ter 200 faculdades de Medicina para 350 milhões de habitantes.
E essas 500 faculdades formam médicos aos borbotões. Não há hospitais suficientes para recebê-los como residentes, para que terminem o aprendizado. Às vezes não há nem laboratórios, mas cobram R$ 10 mil de mensalidade; têm dinheiro, mas não têm laboratório. E terão professores qualificados? Sei de casos em que uma pessoa nem teve tempo de exercer a medicina, mas já é professora de escola de Medicina, estando recém-formada. É incrível – e perigoso.
Está na Câmara dos Deputados um projeto de lei que criará um exame de proficiência para saber se a pessoa tem conhecimento, técnica e domínio da medicina. O projeto já passou pelo Senado: foi proposto pelo senador Marcos Pontes e teve como relator um médico oftalmologista, Dr. Hiran. Ele prevê que o Conselho Federal de Medicina realize a prova: o CFM é uma autarquia, assim como a OAB, que organiza o Exame de Ordem para os aprovados nas faculdades de Direito se tornarem advogados. Que essa filtragem exista também na medicina, para não acontecer o que aconteceu em Manaus, por exemplo, onde morreu uma criança porque a médica não sabia o que fazer – por causa desse episódio, o senador Eduardo Braga, que era contra esse projeto, votou a favor.
O que faz o presidente Lula? Com uma medida provisória, metendo-se a legislar, ele manda que esse exame seja organizado pelo MEC – o mesmo ministério que autorizou a abertura indiscriminada de escolas de Medicina. Isso não faz o menor sentido. Ao menos se tivesse deixado a prova a cargo do Ministério da Saúde. Mas ainda assim estaria errado: se a OAB faz o exame, o CFM faz também. Isso serve para vermos em que mãos está um assunto tão importante quanto a vida e a saúde das pessoas.
Metodologia da pesquisa citada na coluna
1,5 mil pessoas foram entrevistadas pelo instituto Ideia entre os dias 3 e 6 de julho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Canal Meio S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Registro no TSE n.º BR-05628/2026.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/cesta-basica-aumento-capitais-dieese/

Deus inconstitucional: quando o cristianismo vira crime

No início dos anos 2000, eu tinha um programa de crônicas radiofônicas numa emissora universitária local. Certo dia, o diretor da rádio, um velho amigo, chamou-me para conversar.
Um pouco constrangido, ele disse que estava muito satisfeito com a qualidade das crônicas, mas havia um problema. Alguns professores dos departamentos de História e Ciências Sociais estavam entrando com processos administrativos contra a rádio sempre que o nome de Deus era mencionado.
Nesse momento, perguntei ao diretor:
— Isso quer dizer que eu não posso mais citar o nome de Deus nas minhas crônicas?
Diante da resposta afirmativa, encerramos aquela conversa e a história do meu programa de crônicas. Pedir que eu deixe de mencionar Deus em meu trabalho é como obrigar um matemático a não fazer contas, um centroavante a não fazer gols ou um salva-vidas a jamais entrar na água. Simplesmente impossível.
Lembrei-me desse episódio da rádio universitária — e dos professores que queriam censurar o nome de Deus — quando li a notícia sobre a promotora de Justiça que repreendeu a fala de um instrutor de crianças durante um evento em Duque de Caxias (RJ). A doutora afirmou que a manifestação da fé em um evento público é “inconstitucional” e fere a liberdade religiosa. “No início do evento, eu fui assolapada por uma oração evangélica”, declarou, em tom indignado.
Os dois episódios, embora distantes no tempo, fazem parte do mesmo fenômeno: o movimento revolucionário, dominante nas instituições da sociedade, busca proibir qualquer tipo de manifestação pública da fé cristã, utilizando como pretexto a “laicidade” do Estado. Em 1958, Nelson Rodrigues falou sobre o complexo de vira-lata. Hoje, nós temos o complexo de vira-laico.
O mais grave, no entanto, é que não basta aos militantes anticristãos censurar o nome de Deus.
Além de remover Deus da esfera pública, o movimento revolucionário procura interferir nas decisões privadas dos cidadãos
A recente condenação do casal por praticar homeschooling é um exemplo disso. Deus só pode existir na esfera privada, mas a esfera privada é criminalizada pelo Estado.
O cristianismo é atacado por toda parte. Um colégio católico no Ceará corre o risco de fechar as portas por não atender às exigências de “laicidade” na educação. Estudantes cristãos são proibidos de ler a Bíblia e pregar a palavra de Deus nos intervalos das aulas. O Liceu Sagrado Coração de Jesus, em São Paulo, está sendo processado pelo PSOL. Uma senadora de mandato único acusou Frei Gilson de discurso de ódio e misoginia. A cantora Claudia Leitte pode ser obrigada a pagar uma multa milionária por dizer o nome de Jesus numa canção de sua autoria!
A promotora disse que falar sobre Deus é inconstitucional. Considero bastante curiosa a escolha do termo, porque a perseguição moderna aos cristãos começa justamente sob a mesma alegação. Em 1790, os revolucionários franceses promulgaram a famigerada Constituição Civil do Clero, que impunha aos padres e às freiras um juramento público de fidelidade ao Estado revolucionário, colocando-o acima da fidelidade à Igreja. Nos anos seguintes, milhares de cristãos foram perseguidos e guilhotinados por se recusarem a esse juramento infame. Até hoje, cristãos chineses estão sendo obrigados a demonstrar igual fidelidade ao Partido Comunista.
A história ensina: se Deus é inconstitucional, tudo é permitido.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/deus-inconstitucional-quando-o-cristianismo-vira-crime/
Os pontos frágeis da operação de Moraes na casa de Bolsonaro

No programa Última Análise desta quarta-feira (08), os convidados analisaram a operação da Polícia Federal (PF) na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão.
“Antes de tudo, é preciso lembrar que se trata de um ex-presidente com comorbidades físicas e com uma prisão domiciliar humanitária decretada. Era preciso muito mais cuidado, pois os riscos de Bolsonaro são altos”, avalia a advogada Fabiana Barroso.
De acordo com informações do advogado João Henrique de Freitas, que assessora Bolsonaro, e confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, o mandado buscava armas, munições, acessórios e documentos de registro.
Para o escritor Francisco Escorsim, os interesses de Moraes fogem à justificativa oficial. Segundo ele, “o que interessa a Moraes são duas coisas: desejo de demonstração de poder e, em segundo, o gosto do juiz pela vingança”.
As alegações da defesa
A defesa de Bolsonaro sustentou que há inconsistências na contagem do arsenal por Moraes, apontando que o ex-presidente possui, na realidade, dez armas, e não onze, porque uma das pistolas Glock já havia sido apreendida anteriormente pela Polícia Civil do Distrito Federal. Assim, Moraes, ignorou a alegação e decidiu agir por meio de força policial.
“É uma violência institucional feita por agentes do Estado. Bolsonaro e várias outras vítimas estão esperando uma lei de dosimetria, que já passou pelo Congreso Nacional e está suspensa por causa do Moraes. Ou seja, um único homem está agindo”, diz Barroso.
A arma do ex-presidente
A defesa esclareceu, ainda, que a arma do tipo “Glock” já estava apreendida pela Polícia Civil e que uma espingarda se encontrava em uma empresa importadora de materiais bélicos em Caxias do Sul (RS). Posteriormente, A PF apreendeu a espingarda registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Rio Grande do Sul. A arma estava na casa do dono de uma loja importadora de armas, que seria o doador do objeto, em Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre
“A defesa já tinha informado o paradeiro de todas as armas. Já se sabia que nada seria encontrado. Foi simplesmente uma ação de intimidação”, disse o colunista da Gazeta do Povo Luís Ernesto Lacombe.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/os-pontos-frageis-da-operacao-de-moraes-na-casa-de-bolsonaro/
Itamaraty desmente Lula sobre visto negado a assessor de Trump: motivação foi eleitoral

Hoje é dia de Mauro Vieira (Relações Exteriores) tomar mais uma bronca humilhante, como a que se viu em vídeo no último G7, após sua resposta à Câmara sobre a revogação do visto de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump para assuntos relativos ao Brasil. E demorou: a Câmara pediu explicações em abril. Vieira desmente Lula (PT), diz que o veto nada teve de suposta “reciprocidade” e a motivação foi eleitoral. É que o americano pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, “inaceitável” em ano de eleições.
Influência eleitoral
Vieira disse que o governo ficou “surpreso” com a desejada visita a Bolsonaro. Havia claro temor de sujar ainda mais o cartaz do regime.
Lula mentiu
Nas 11 páginas do ofício não há referência a suposta “reciprocidade” pelos vistos cancelados do ministro da Saúde e familiares.
Medo da urna
A ordem de Lula foi anunciada como retaliação aos vistos cancelados de Alexandre Padilha & Cia pelo secretário de Estado Marco Rubio.
Meteu o caô
Bravateiro contumaz, Lula assumiu ter mandado revogar o visto. Ele viu no “embate” com Trump um jeito de sair das cordas da impopularidade.
Ibaneis desiste do Senado: ‘Preciso cuidar da minha vida’

O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) desistiu de disputar uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado, este ano, afirmando que refletiu muito e chegou à conclusão de que irá se dedicar à sua própria vida. “Vivi pandemia, cuidei de pessoas e agora preciso cuidar de mim”, resumiu.
Eleito governador em 2018 e reeleito em 2022, Ibaneis deixou o cargo em março para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral e viabilizar a candidatura ao Senado.
Ao explicar a decisão, afirmou que pretende se dedicar à vida pessoal. “Estou completando 55 anos na sexta-feira (10) e quero cuidar da minha vida”, disse. Segundo ele, após enfrentar desafios como a pandemia e dedicar os últimos anos à administração do Distrito Federal, chegou o momento de cuidar de si. Ibaneis também afirmou que não pretende disputar nenhum outro cargo eletivo, incluindo uma vaga na Câmara dos Deputados, e declarou que “não precisa de mandato para ser feliz”.
Caso Bolsonaro pode ter ‘reviravolta’ em 20 dias, diz Valdemar

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode sofrer uma “reviravolta” nos próximos 20 dias, referente à sua condenação por suposta tentativa de golpe.
Em cumprimento de uma agenda em Brasília, o líder da sigla afirmou que a decisão cabe apenas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Depende deles, depende do Supremo. O que eu disse de importante, que nesses 20 dias pode acontecer, é ter uma reaproximação”, afirmou Valdemar a jornalistas.
O cacique partidário também afirmou que está trabalhando em uma reconciliação de Michelle Bolsonaro após grande repercussão sobre o vídeo sobre sua relação com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Ainda sobre a situação de Bolsonaro, Valdemar relembrou a condição do presidente Lula (PT), quando estava preso em Curitiba, afirmando que, diante dos fatos, ninguém imaginaria que o petista pudesse voltar a ser candidato à presidência da República.
“Tudo pode acontecer. E quem fez aquilo? E quem deu esse direito para o Lula? O ministro Fachin, que é um homem de bem”, finalizou.
Atualmente, o ex-chefe do Executivo está preso, em regime domiciliar, após a sua condenação por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O ministro Alexandre de Moraes (STF), relator do caso, optou por restabelecer o direito de domiciliar após a defesa apresentar um balanço sobre o quadro clínico de Bolsonaro, que precisa de cuidados especiais e de familiares.
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