Alfredo Gaspar: “CPMI do INSS descobriu uma rede que envolve PCC e Hezbollah”

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

As recentes sanções impostas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas apontadas por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao PCC recolocaram em evidência as conclusões da CPMI do INSS. Relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) afirma que o relatório produzido pelo colegiado já apontava conexões entre as fraudes contra aposentados, empresas de fachada, operadores financeiros e organizações criminosas. Nesta entrevista, ele sustenta que as investigações foram interrompidas antes de alcançar toda a dimensão do esquema, critica a condução das apurações, defende uma CPI do Banco Master e comenta o ressarcimento dos aposentados.

Entrelinhas: As sanções impostas pelos Estados Unidos reacenderam o debate sobre a CPMI do INSS. O que elas revelam sobre as conclusões da comissão?

Gaspar: Na CPMI, nós atiramos em uma direção e terminamos acertando uma rede de lavagem de dinheiro que engloba até o Hezbollah, além do PCC. Essa investigação começou por uma empresa chamada Arpar, que movimentou R$ 39 bilhões dentro dessa rede. Fomos entrando por uma porta e descobrindo outras camadas de lavagem de dinheiro, com empresas interligadas e recursos passando por diversas etapas até chegarem a criptomoedas ou casas de câmbio, indicando também saída de dinheiro do país. Sempre defendemos que, se a CPMI tivesse continuidade, revelaríamos um esquema muito maior do que o próprio roubo do INSS. Mas o PT e o Palácio do Planalto trabalharam para impedir a aprovação do relatório e a prorrogação da comissão.

Entrelinhas: O senhor afirma que as sanções dos Estados Unidos reforçam a credibilidade do trabalho da CPMI?

Gaspar: Nós tanto estávamos certos que estávamos no rastro dessa rede que empresas citadas no nosso relatório agora aparecem nesse contexto das sanções. Isso demonstra que a investigação seguia um caminho correto e que havia muito mais para ser descoberto.

Entrelinhas: O senhor acredita que houve interferência política para frear as investigações?

Gaspar: Fico espantado com a obstrução clara da Justiça sem qualquer consequência. A investigação envolvendo os atores do INSS, que tem o filho do presidente recebendo vantagens desse esquema por meio do Careca do INSS, simplesmente não anda. Também há outros personagens ligados ao governo sem qualquer avanço nas apurações. Espero que o ministro André Mendonça consiga superar esses obstáculos e faça valer o nosso relatório, que pediu o indiciamento de 216 pessoas. Até agora, vejo muitos entraves ao combate ao roubo do INSS.

Entrelinhas: A Polícia Federal afirma que a investigação é complexa e demanda tempo. O senhor considera essa justificativa suficiente?

Gaspar: Eu sou deputado federal e, com uma equipe de pouco mais de oito pessoas, produzimos um relatório com mais de quatro mil páginas e muitas provas substanciais. A estrutura da Polícia Federal não tem comparação com a nossa. Não tenho dúvida de que existe uma orientação do governo Lula para não avançar nas investigações porque o governo foi o principal responsável pelo crescimento exponencial desse roubo. Infelizmente, vejo uma blindagem.

Entrelinhas: O senhor afirma que a investigação ainda pode atingir outras autoridades?

Gaspar: Se a investigação do INSS avançar junto com o caso do Master, muita coisa ainda vai aparecer. O empresário Maurício Camisotti apresentou proposta de delação afirmando que pagou R$ 7 milhões a uma senadora da República. Há pessoas muito importantes que ainda precisam ser investigadas. Como são pessoas ligadas ao governo, isso não tem acontecido.

Entrelinhas: O senhor defende que essa investigação alcance todos os envolvidos, independentemente de cargo ou posição?

Gaspar: Exatamente. O Banco Master tem muita coisa escondida. A CPI poderia trazer tudo isso à tona sem poupar ninguém. Há contratos milionários envolvendo autoridades e ministros. Para acabar com qualquer narrativa de perseguição, o melhor seria investigar tudo de forma transparente e permitir que a população saiba quem participou desses esquemas.

Entrelinhas: Uma das maiores frustrações da população foi ver o Tesouro Nacional ressarcindo os aposentados, enquanto sindicatos e associações permaneceram com o dinheiro. Por que isso aconteceu?

Gaspar: O dinheiro e os bens dessas instituições estão bloqueados. O problema é que a legislação e o processo judicial são muito lentos. Esses recursos serão revertidos ao Tesouro somente após a conclusão dos processos. Não sei se o valor bloqueado será suficiente para cobrir todo o prejuízo, porque estamos falando de um roubo multibilionário. Desde o início defendemos o bloqueio de bens e a recuperação de ativos, e fizemos esse pedido. O ministro André Mendonça determinou bloqueios de bilhões de reais.

Entrelinhas: O governo decidiu devolver os recursos antes da conclusão dos processos. Como o senhor interpreta essa decisão?

Gaspar: O governo devolveu esse dinheiro por causa da repercussão da CPMI. Desde o começo sabíamos da necessidade de bloquear bens para recuperar os ativos desviados. Agora será preciso aguardar o andamento dos processos para que esse patrimônio bloqueado seja definitivamente revertido aos cofres públicos.

Entrelinhas: Depois da experiência na CPMI do INSS, uma nova CPI do Banco Master seria necessária?

Gaspar: Nós trabalhamos contra uma estrutura de Estado totalmente contaminada. Mesmo assim, entregamos um relatório robusto. Tanto que hoje discutimos sanções dos Estados Unidos envolvendo empresas citadas nesse relatório. Uma CPI do Banco Master seria importante porque o brasileiro precisa ver, de forma pública, a sujeira que tomou conta do país. O Master formou uma verdadeira máfia, protegida principalmente por integrantes do governo Lula. A fraude começou com a venda do Credcesta, que se transformou no principal ativo do banco.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/entrelinhas/alfredo-gaspar-cpmi-do-inss-descobriu-uma-rede-que-envolve-pcc-e-hezbollah/

Magnitsky pode voltar a atingir Moraes e acertar Gilmar

O programa Sem Rodeios desta sexta-feira (3) vai avaliar os impactos da manifestação encaminhada ao governo dos Estados Unidos, pelo jornalista e empresário Paulo Figueiredo, que pede que a administração americana volte a aplicar as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, além de incluir também o ministro Gilmar Mendes entre os sancionados.

Transparência Internacional cobra ação da PGR no caso Vorcaro

A Transparência Internacional classificou como “grave” a falta de manifestação da Procuradoria-Geral da República diante das revelações sobre o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. A entidade argumenta que, diante dos valores envolvidos, da condição de pessoa politicamente exposta e da relação com investigações em andamento, seria necessária uma apuração.

AGU acusa Rumble de atrasar a ação contra Moraes nos EUA

Advocacia-Geral da União pediu à Justiça dos Estados Unidos que analise imediatamente o recurso apresentado no processo movido pela plataforma Rumble e pela Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes. O advogado da Rumble, Martin de Luca, classificou o episódio da AGU como “bobagem” em resposta à Gazeta do Povo por mensagem.

Flávio pede suspensão de tarifas aos EUA

O senador Flávio Bolsonaro apresentou às autoridades americanas uma manifestação contrária à imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, argumentando que a medida acabaria fortalecendo politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não produziria mudanças nas decisões do STF.

Acompanhe o Sem Rodeios ao vivo às 13h30 pelo canal do YouTube da Gazeta do Povo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/sem-rodeios/magnitsky-pode-voltar-atingir-moraes-e-acertar-gilmar/

Garotinho dá detalhes de festa de Vorcaro 14 anos após denunciar ‘farra dos guardanapos’ de Cabral

O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho denunciou há 14 anos a farra dos guardanapos envolvendo Sérgio Cabral. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, ganhou destaque no cenário eleitoral nesta semana ao dar detalhes sobre um vídeo que teria sido gravado durante uma festa oferecida a empresários e autoridades dos três Poderes pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Isso ocorre 14 anos depois de Garotinho divulgar na internet fotos da chamada “farra dos guardanapos”, em Paris, que foram decisivas para a derrocada política de seu ex-aliado Sérgio Cabral.

Informalmente chamada de “festa das astronautas”, a confraternização de Vorcaro tinha um padrão inusitado: segundo Garotinho, tanto homens – políticos e empresários brasileiros – quanto mulheres – supostas estrangeiras contratadas como acompanhantes – estavam totalmente nus.

Garotinho afirma ter visto um vídeo com 12 minutos de duração gravado durante a festa. Ele não divulgou as imagens, mas foi o primeiro a descrevê-las publicamente, em um vídeo que publicou em seus canais na internet em 29 de maio.

Não houve uma repercussão pública imediata. Mas na última segunda-feira (29), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postou em seu perfil no Instagram, nos Stories (seção em que os vídeos ficam disponíveis por apenas 24 horas), um vídeo gravado pela influenciadora Juliana Moreira Leite a respeito da narrativa feita por Garotinho sobre a festa. Como legenda, Michelle escreveu: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer.”

Cinco dias antes, Michelle havia feito acusações em um vídeo que publicou nas redes sociais de ter sido mal tratada em conversas com o enteado e pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL). Flávio e alguns de seus aliados reagiram, a briga se estendeu e, embora Michelle não tenha dito mais nada sobre a festa de Vorcaro, críticos do pré-candidato criaram rumores de que a mulher de Jair Bolsonaro (PL) ameaçava contar fatos desabonadores sobre seu desafeto e enteado.

Passou-se a cogitar, então, que Flávio teria participado do evento, o que ele imediatamente negou. Garotinho logo depois afirmou que Flávio não aparecia no vídeo.

Devido à repercussão da publicação de Michelle, Garotinho passou a ser procurado pela imprensa para discorrer mais sobre o vídeo. “Eram mulheres altas, loiras, não tinham aparência de brasileiras, por serem muito brancas. As mulheres brasileiras, mesmo as mais brancas, não têm aquele formato corporal e aquela cor e altura”, disse o ex-governador do Rio em uma das entrevistas que concedeu, esta à TV 247, na internet.

“Elas estavam totalmente despidas, nuas, e passavam por um tablado que parecia uma passarela, os homens de um lado e de outro, todos também pelados, nus”, seguiu. “Como funcionava a mecânica? Elas passavam e, se o deputado – ou autoridade, senador, ministro – quisesse [ficar com a mulher], levantava a mão. Aí ela parava, ele então levantava a viseira, o capacete, olhava nos olhos e dizia ‘desce’. Aí ela descia [do tablado] e saía com ele”, explicou Garotinho.

O ex-governador do Rio disse que não reconheceu de imediato todos os presentes. “Alguns deputados que não conhecia eu tive que identificar, outras pessoas que foram identificadas depois eram empresários”, disse. Garotinho afirmou que havia católicos e evangélicos entre os homens presentes.

Dizendo-se pressionado a publicar o vídeo da festa das astronautas, Garotinho afirmou em um vídeo divulgado em suas redes sociais na última quarta-feira (1) que não faria isso para não desrespeitar a Justiça.

“Eu conversei muito com amigos, peguei o pen drive, mostrei a policiais, advogados, jornalistas, e a palavra mais sensata foi do advogado: ‘Esse vídeo está em segredo de Justiça, decretado pelo senhor [ministro do Supremo Tribunal Federal] André Mendonça. Está nos autos da investigação [sobre o banco Master]. Você vai criar mais problema com o mundo econômico e político’. Eu falei: ‘Mas, olha, o povo tem o direito de saber’ e o advogado me disse: ‘Que [o povo] saiba, Garotinho, quando a Justiça quebrar o sigilo'”, afirmou o ex-governador.

Nesse mesmo vídeo, Garotinho afirma que na festa “não tinha gente só de direita, tinha gente de todos os espectros políticos, sem exceção. E também, vamos falar a verdade, não tinha só político lá não, tinha empresário, gente poderosa”. Mas ele não citou o nome de nenhum participante.

No início da tarde desta quinta-feira (2), em novo vídeo veiculado em suas redes sociais, Garotinho voltou ao tema para dizer que “não vou ser usado por ninguém” e que “não vou me meter nessa confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro”.

“Agora, também não quero que desvirtuem minhas palavras. Em nenhum momento eu disse o nome de ninguém que estava lá. Tudo o que está sendo dito aí é insinuação. O que afirmei eu repito: eu tenho 12 minutos do filme que foi tirado de lá, esse evento não foi realizado em Nova York (…), estavam lá autoridades do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, senadores, deputados federais e empresários. (…) Nos 12 minutos que eu tenho de gravação não há nenhuma imagem do senador Flávio Bolsonaro. Eu nunca disse que tinha nem disse que não tinha. Se ele esteve e não foi filmado, isso é problema de outra pessoa.”

Até a publicação da reportagem, Michelle Bolsonaro não havia se manifestado sobre a afirmação de Garotinho, que é pré-candidato a governador do Rio pelo Republicanos. O partido fez parte da base de apoio do presidente Jair Bolsonaro durante sua gestão (2019-2022) e ainda não decidiu qual candidato apoiará na eleição presidencial deste ano.

Cabral e Eduardo Paes estiveram na “farra dos guardanapos” em Paris

Em abril de 2012, Garotinho publicou na internet fotos do então governador do Rio, Sérgio Cabral, acompanhado por cinco secretários estaduais e por correligionários, como o então prefeito do Rio, Eduardo Paes, todos à época no PMDB, durante festa realizada em 2009, em um restaurante de Paris, com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções.

A empreiteira tinha faturado R$ 1,5 bilhão em contratos assinados com o governo do Estado do Rio durante a gestão de Cabral e, desde antes da divulgação das fotos, havia suspeita da existência de um esquema de corrupção envolvendo o empresário e o então governador, que depois seria condenado a mais de 400 anos de prisão por liderar diversos esquemas de propina.

A confraternização ficou conhecida como “farra dos guardanapos”, porque Cabral e alguns secretários aparecem nas fotos com guardanapos amarrados na cabeça. A divulgação das imagens por Garotinho foi decisiva na perda de poder político de Cabral. O então governador do Rio chegara a ser cotado para disputar a presidência da República com apoio de Lula, mas começou a ser alvo de suspeitas de corrupção após um acidente de helicóptero, em 17 de junho de 2011, na Bahia, no qual morreram a namorada de um dos filhos de Sérgio Cabral e a mulher de Cavendish. As duas famílias estavam passeando juntas.

Em 2017, o empresário afirmou à Justiça que pagava propina a Cabral para que sua empresa vencesse licitações promovidas pelo governo fluminense.
Até hoje Cabral e Garotinho são desafetos e não raro trocam ofensas nas redes sociais. Décadas atrás, porém, a história era bem diferente. Em 2002, Cabral se elegeu senador com apoio de Garotinho, que, filiado ao PSB, encerrava sua gestão como governador do Rio e ficou em terceiro lugar na disputa presidencial vencida por Lula. A mulher dele, Rosinha Garotinho, elegeu-se governadora do Rio.

Em 2003 Garotinho foi para o PMDB e, três anos mais tarde, ajudou Cabral a se eleger governador. A briga entre ambos aconteceu em 2009 e por causa dela Garotinho trocou o PMDB pelo PR (atual PL). Na eleição seguinte, em 2010, Cabral se reelegeu governador do Rio e Garotinho, com quase 700 mil votos, foi o deputado federal mais votado no Estado e o segundo com mais votos no Brasil, perdendo apenas para Tiririca.

Condenado por esquemas de corrupção, Cabral ficou preso por seis anos e hoje mora em Copacabana (zona sul) e fala sobre política em suas redes sociais. Atualmente sem mandato, Garotinho pretende disputar novamente o governo do Estado em outubro.

Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo do Rio, disse na época que não mantinha relações pessoais com fornecedores ou empreiteiros da gestão estadual e se retirou da festa antes do fim. Ele não sofreu condenação relacionada ao caso.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/garotinho-da-detalhes-de-festa-de-vorcaro-14-anos-apos-denunciar-farra-dos-guardanapos-de-cabral/

Tribunais de Justiça que aplicaram R$ 30 bilhões de terceiros no BRB estão sob pressão no CNJ

Investigação aponta que instituições cobravam juros disfarçados de “taxas” nas folhas de pagamento dos servidores do DF. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Ao menos cinco Tribunais de Justiça em diferentes estados do Brasil e do Distrito Federal destinaram, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de R$ 30,6 bilhões em depósitos judiciais ao Banco Regional de Brasília (BRB), o mesmo que está sob pressão e no centro das apurações do caso Master.

A maior preocupação, segundo especialistas, é que esses valores não pertencem aos tribunais e podem estar em risco. São depósitos efetuados por cidadãos, empresas e demais partes envolvidas em processos judiciais que permanecem sob custódia até a decisão definitiva da Justiça, ou seja, são recursos de terceiros.

Na maioria dos casos, os rendimentos foram utilizados para ampliar receitas e custear despesas administrativas dos tribunais, incluindo o pagamento de vantagens remuneratórias a magistrados e servidores, os chamados penduricalhos.

Alguns desses tribunais estão distantes milhares de quilômetros da capital federal, onde fica o BRB. A justificativa pela escolha do banco estaria na busca por maior rentabilidade nas aplicações, apesar de serem consideradas por analistas como de risco maior.

Nesse cenário e sob o alerta de uma eventual liquidação do BRB, que sequer soltou seu balanço de 2025, o CNJ voltou a pressionar as cortes estaduais por explicações atualizadas sobre a segurança desses recursos. A preocupação teria aumentado com o agravamento da crise do BRB, cuja situação financeira passou a ser acompanhada de perto após seu envolvimento na tentativa de compra do Banco Master.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, concedeu em junho ampliação de prazo para que os Tribunais de Justiça do Distrito Federal, da Bahia, de Alagoas, do Maranhão e da Paraíba informassem se houve mudanças relevantes nas aplicações bilionárias desde as últimas manifestações ao CNJ, realizadas em março e abril. Esse prazo expirou na última semana.

Gazeta do Povo procurou os cinco tribunais e o CNJ. Apenas TJ do DF se manifestou dizendo que o contrato com o BRB foi assinado em 2021 e que, desde 14 de maio passado, a instituição bancária não se encontra mais credenciada para o recebimento de novos depósitos judiciais, em razão do término da vigência do contrato que a vinculava ao TJDFT.

“O Tribunal acompanha o cumprimento das ordens judiciais e, até o momento, não houve descumprimento por parte do BRB. O TJDFT aguarda a conclusão do procedimento de credenciamento de outros bancos para deliberar sobre os depósitos mantidos no BRB”, informou à reportagem. Ainda segundo a instituição, a remuneração dos depósitos continua ocorrendo e, até o momento, não houve descumprimento de ordem judicial de liberação.

Tribunais teriam escolhido BRB por licitação

Os tribunais de Alagoas, da Bahia e da Paraíba teriam afirmado ao CNJ que a escolha do BRB ocorreu por licitação, para selecionar a proposta que oferecia maior retorno financeiro na administração dos depósitos judiciais. O TJ do Maranhão teria relatado que a contratação da instituição foi realizada de forma direta, sem licitação.

As cortes também explicaram ao Conselho Nacional de Justiça que os depósitos judiciais permaneciam vinculados aos respectivos processos e não integrariam o patrimônio dos tribunais nem das instituições financeiras responsáveis pela custódia.

BRB confirma que tribunais mantêm aplicações na instituição

O BRB afirmou em nota à Gazeta do Povo que a administração dos depósitos judiciais sob sua responsabilidade é realizada em conformidade com a legislação, com os contratos firmados com os tribunais e as normas regulatórias aplicáveis.

Segundo o banco, a operação é sustentada por estrutura tecnológica, operacional e de governança compatível com a natureza desses recursos, garantindo controles permanentes, rastreabilidade das operações e mecanismos de supervisão.

A instituição informou que continua responsável pela gestão dos depósitos judiciais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e dos tribunais de Justiça da Bahia, Alagoas, Maranhão e Paraíba, “respeitando as condições previstas nos contratos em vigor”. De acordo com o BRB, as operações seguem sendo executadas normalmente e não há qualquer determinação das autoridades para alteração dos serviços ou das atividades mantidas pelo banco.

Sobre o acompanhamento realizado pelo CNJ, o BRB disse que o pedido de informações encaminhado aos tribunais faz parte de um procedimento de monitoramento e levantamento de dados, sem que tenha sido determinada qualquer mudança nas operações conduzidas pela instituição.

O banco reiterou que todas as operações continuam sendo conduzidas com “segurança, regularidade e em estrita observância à legislação e aos contratos vigentes”.

Busca por maior rentabilidade contraria princípio de gestão de recursos de terceiros

Para especialistas em finanças públicas, a lógica de busca por maior rentabilidade em fundos contraria um princípio básico da gestão de recursos de terceiros: a segurança deve prevalecer sobre a rentabilidade, principalmente quando se trata de recursos de terceiros em depósitos judiciais.

O economista Rui São Pedro reforça que decisões assim deveriam priorizar menor risco no momento da operação. “No mercado financeiro existe uma relação conhecida entre retorno e risco: aplicações que oferecem remuneração acima da média têm maior possibilidade de perdas, exigindo análises rigorosas de governança antes da decisão”, alerta.

É por isso que uma das principais preocupações no radar do CNJ seria verificar se os depósitos permanecem protegidos caso a instituição enfrente dificuldades ainda maiores ou até uma eventual liquidação. Para analistas, há riscos de os recursos desaparecerem no caso de liquidação.

Não há, até o momento, quaisquer menções formais nesse sentido. “Mas também não se pode dizer que a possibilidade de liquidação não esteja no radar”, completa o economista.

A liquidação de um banco é o processo em que a instituição encerra, ou fica obrigada a encerrar suas atividades, porque não consegue mais operar de forma segura. Seus bens são vendidos e recursos são usados para pagar credores e clientes, seguindo uma ordem definida em lei.

O BRB afirma que atua apenas como custodiante desses recursos e diz que eles não podem ser utilizados livremente pela instituição.

Analistas interpretam essas afirmações dizendo que o BRB pode estar remunerando os tribunais com recursos próprios. Em outras palavras, ele promete pagar uma remuneração mais alta porque acredita que o contrato trará outras vantagens para a instituição bancária, como a conquista de clientes, e a presença do capital nos cofres para garantir atestar a solidez do banco. Ou seja, o rendimento não precisaria vir diretamente da aplicação dos depósitos judiciais, mas da estratégia comercial e financeira do próprio banco.

O economista Rui São Pedro afirma que, quando um banco oferece uma remuneração muito acima da concorrência, é importante entender como esse compromisso é financeiramente sustentável, especialmente se a instituição enfrenta dificuldades. Por isso, a forma como esses contratos são estruturados passou a ser alvo de maior atenção do CNJ, de órgãos de controle e analistas do mercado.

No fim de maio, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou acordo de operação de crédito para reforçar a situação financeira do BRB. Pelo entendimento entre União, Distrito Federal, Banco Central e o próprio banco, o Distrito Federal poderá contratar empréstimo destinado exclusivamente à capitalização da instituição.

O valor poderá chegar a até 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal. Isso alcançaria um valor próximo de R$ 6,6 bilhões. Como garantia, o acordo prevê vinculação de recursos dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM), sem garantia financeira da União.

Possível efeito fiscal preocupa especialistas

Quem pediu apuração do CNJ sobre aplicação dos valores geridos por tribunais no BRB foi o advogado Alex Ferreira Borralho, do Maranhão. No pedido, o advogado destacou que a busca por receitas adicionais expos recursos que pertencem a terceiros a riscos superiores aos normalmente aceitos para esse tipo de patrimônio.

O advogado também alertou ao CNJ que, caso haja comprometimento desses valores, a responsabilidade financeira poderá recair sobre governos estaduais, obrigados a garantir restituição dos depósitos judiciais.

A economista e analista de mercado Regina Martins afirma que uma eventual necessidade de recomposição desses depósitos poderia pressionar ainda mais o equilíbrio fiscal de Estados que já enfrentam dificuldades orçamentárias.

“O impacto não ficaria restrito ao sistema financeiro, podendo provocar novos desequilíbrios fiscais e ampliar a necessidade de aportes públicos para garantir direitos de cidadãos e empresas que aguardam decisões da Justiça”, explica.

Analisas avaliam que o episódio reacende uma discussão antiga sobre os limites da gestão financeira dos depósitos judiciais. Embora a legislação permita a administração desses recursos por instituições financeiras credenciadas, avança a avaliação que critérios relacionados à segurança patrimonial deveriam prevalecer sobre a busca por rentabilidade.

Um aprofundamento da crise no BRB passou a servir de alerta para todo o Judiciário sobre os riscos de utilizar recursos pertencentes a terceiros como instrumento de incremento das receitas administrativas das cortes, destacam os especialistas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/tribunais-de-justica-que-aplicaram-r-30-bilhoes-de-terceiros-no-brb-estao-sob-pressao-no-cnj/

Lula ataca lei eleitoral que proíbe inauguração de obras: “papagaiada desgraçada”

Presidente fica impedido de inaugurar obras que possam ter viés eleitoral às vésperas do início do ciclo eleitoral. (Foto: reprodução/Youtube Canal Gov)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atacou as restrições impostas pela legislação à participação de autoridades em inaugurações de obras públicas próximo ao início do ciclo eleitoral. O petista classificou as regras como uma “papagaiada desgraçada” ao comentar que, a partir do começo do período de limitações, não poderá mais realizar inaugurações oficiais.

A declaração foi feita nesta quinta-feira (2) durante uma agenda oficial no Rio Grande do Norte, onde entregou um trecho ainda sem água da transposição das águas do Rio São Francisco.

“Eu estou vindo aqui hoje porque eu só posso inaugurar obra até o dia 4 de julho. A partir de amanhã (sexta, 3), eu não posso inaugurar mais obra por causa das eleições, mas eu posso visitar obra”, afirmou.

Na sequência, Lula ironizou as restrições previstas na legislação ao dizer que continuará visitando empreendimentos, mas sem poder realizar atos oficiais.

“Eu vou voltar para ver a universidade, faculdade de medicina, eu vou voltar para ver outras obras. Mas fazer visita sem poder falar nada, só visitando assim. Papagaiada desgraçada”, declarou.

As limitações passam a valer a partir de de três meses antes do primeiro turno das eleições. Nesse período, a legislação restringe a publicidade institucional dos órgãos públicos e impede a realização de ações que possam promover candidatos ou beneficiar agentes públicos que disputarão cargos eletivos.

Entre as principais restrições previstas pela legislação eleitoral estão:

  • proibição do uso de nomes, slogans, símbolos, imagens e outros elementos que identifiquem autoridades ou governos em publicidade institucional;
  • divulgação apenas de conteúdos estritamente informativos ou de caráter educativo nos canais oficiais;
  • exceção apenas para casos de urgência e necessidade pública reconhecidos pela Justiça Eleitoral.

As regras têm como objetivo impedir o uso da estrutura da administração pública para favorecer candidaturas e preservar o equilíbrio entre os concorrentes durante a campanha eleitoral. Com isso, a comunicação oficial dos governos passa a seguir critérios mais restritivos até o fim do processo eleitoral.

Antes da entrada em vigor dessas limitações, Lula intensificou a agenda de viagens, anúncios e entregas de obras pelo país. Entre os dias 20 de maio e 19 de junho, o presidente realizou 27 anúncios e entregas, enquanto, somente no mês de junho, visitou em média um estado a cada quatro dias e promoveu pelo menos um anúncio diário.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-ataca-lei-eleitoral-proibe-inauguracao-obras-papagaiada-desgracada/

Agente da PF produziu provas contra Moraes e Toffoli que vazaram à imprensa, diz investigação

Investigação da PF aponta que perito no estado de Roraima acessou e compilou dados de citações aos ministros extraídos de celular de Vorcaro. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A Polícia Federal afirmou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou indícios de que o perito criminal João Cláudio Nabas criou dois arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Segundo a investigação, além de produzir os documentos, o servidor também teria sugerido a colegas da corporação que o conteúdo fosse vazado à imprensa.

Segundo uma apuração do Estadão publicada nesta sexta-feira (3) e confirmada pela Gazeta do Povo, as conclusões fazem parte do inquérito aberto por determinação de Mendonça para apurar o vazamento de informações sigilosas obtidas no aparelho de Vorcaro. A investigação levou ao cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Nabas em maio, durante a 7ª fase da Operação Compliance Zero, e resultou no afastamento do perito de suas funções por suspeita de violação de sigilo funcional.

“De fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”, relatou a Polícia Federal na representação enviada a Mendonça.

Gazeta do Povo procurou a Polícia Federal e os gabinetes de Moraes e Toffoli para se pronunciarem sobre a nova apuração e aguarda retorno. A reportagem também busca contato com a defesa de João Cláudio Nabas, o espaço segue aberto para manifestação.

Os investigadores também registraram que Nabas procurou nos dados “supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”. A Polícia Federal ressalta que o inquérito não investiga jornalistas nem busca identificar fontes protegidas pelo sigilo constitucional, concentrando-se exclusivamente na suposta conduta de servidores públicos.

Especialista em crimes financeiros, Nabas passou a integrar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. Registros internos da corporação indicam que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu os arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”.

Os documentos reuniam diálogos e menções aos ministros encontrados no conteúdo do aparelho apreendido. Um dos arquivos incluía trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Depoimentos de policiais federais que participaram da investigação afirmam que, após elaborar os documentos, Nabas sugeriu que o conteúdo fosse divulgado à imprensa. Segundo os relatos, a equipe recusou a proposta e informou que não faria contato com jornalistas, mas o perito teria insistido na divulgação antes de encaminhar um segundo arquivo, também sem identificação.

Um dos policiais afirmou que Nabas realizou a análise remotamente a partir de Vilhena (RO) e enviou, em 5 de dezembro de 2025, um documento com mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Na sequência, encaminhou um áudio propondo que as informações fossem repassadas à imprensa, iniciativa que voltou a ser rejeitada pelos demais integrantes da equipe.

O segundo documento reunia informações relacionadas ao ministro Dias Toffoli e à ex-esposa Roberta Rangel, incluindo referências ao resort de luxo no interior do Paraná que o magistrado era sócio junto dos irmãos, e que negociou cotas societárias com um fundo de investimentos ligado ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador da fraude financeira supostamente comedida através do Banco Master. Parte desse material foi posteriormente utilizada pela Polícia Federal em um pedido apresentado ao STF envolvendo a suspeição do ministro.

Nabas foi retirado da equipe da Operação Compliance Zero e teve os acessos aos materiais da investigação bloqueados. A Polícia Federal também destaca que ministros do Supremo somente podem ser formalmente investigados mediante autorização da própria Corte, em razão do foro por prerrogativa de função previsto para integrantes do tribunal.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/agente-pf-produziu-provas-contra-moraes-toffoli-vazaram-imprensa/#cxrecs_s

Michelle Bolsonaro: qual o futuro político da ex-primeira-dama?

Michelle em trecho de vídeo em que faz duras críticas ao pré-candidato Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/YouTube Michelle Bolsonaro)

No programa Última Análise desta quinta-feira (02), os convidados falaram a respeito da crise de imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), após discussão pública com o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto o senador tentou amenizar o episódio, ela sinalizou que pode até desistir de sua candidatura ao Senado Federal.

“Em termos de pretensões políticas, foi uma péssima notícia para Michelle. O movimento foi ruim, pois o principal núcleo de votos dela era dentro deste núcleo bolsonarista. Então só restou desistir de qualquer aspiração eleitoral”, afirma o escritor Francisco Escorsim.

Pesquisa da Atlas/Bloomberg, divulgada ontem (02), indica que 65% dos eleitores de Jair Bolsonaro reprovam a decisão de Michelle de expor a briga em vídeo. E, entre todos os entrevistados que assistiram ao vídeo, 51% concordam com a decisão de Michelle de tornar pública a divergência, enquanto 35,1% discordam e 13,7% não souberam responder. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-04582/2026.

“Quando Michelle revela um problema familiar como este, acaba por arranhar sua imagem de ‘protetora da família’. A antiga imagem de uma pessoa harmoniosa dá lugar a uma pessoa com ‘lâminas’ e isto prejudica sua percepção”, diz o professor da FGV Daniel Vargas.

Moraes x Vorcaro: novas revelações

Já no caso do Banco Master, novas informações coletadas pela Polícia Federal (PF) complicaram a situação da família de Alexandre de Moraes. Mensagens de WhatsApp mostram uma comunicação direta e formal entre Viviane de Moraes e Vorcaro para a assinatura de um contrato milionário.

Escorsim destaca o intrincado “modus operandi” de Vorcaro. “É uma visão mais completa do quadro do banqueiro. No caso, ele disse que contrataria Viviane, sem fazer parecer que era uma troca de favores”, explica ele.

Liberdade de imprensa ameaçada

Na mesma teia de atuação, o banqueiro foi flagrado em conversas planejando silenciar jornalistas como Malu Gaspar e Lauro Jardim, ambos do O Globo. Ele teria sugerido desde propostas milionárias, como forma de suborno, além de investigações na vida pessoal.

“É possível enxergar que Vorcaro administrava uma grande cúpula e dava as cartas no jogo político. O seu modelo de negócio servia não só para maximizar lucros da empresa, mas também para calar adversários”, critica Vargas.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/michelle-bolsonaro-qual-o-futuro-politico-da-ex-primeira-dama/

Alan Ghani

O colapso do Brasil é logo ali: política econômica de Lula consegue ser pior que a de Dilma

Se a conduta econômica do governo Lula é parecida com a de Dilma, os resultados gerados por ela também serão semelhantes. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.)

É impressionante a semelhança da política econômica atual do governo Lula com o final do governo Dilma em 2014. Elevação de benefícios sociais, linhas de créditos subsidiadas para alguns setores e isenções fiscais seletivas são ações fortemente presentes nos anos eleitorais de 2014 e 2026.

Sem nenhuma surpresa, se a conduta econômica é parecida, os resultados gerados por ela também serão semelhantes. Inflação elevada, indução artificial do crescimento econômico, deterioração fiscal, piora no ambiente de negócios, pessimismo no mercado financeiro, juros pressionados e redução dos investimentos das empresas são consequências esperadas da política fiscal ultra expansionista presente tanto no governo Lula como na administração Dilma.

Para sustentar todas essas benesses estatais, o governo cobra impostos e se endivida cada vez mais com sociedade brasileira

A diferença é que agora a situação fiscal é muito mais preocupante do que era no governo Dilma. Primeiro, porque em 2014, a dívida bruta do governo federal era de 63,4% do PIB, enquanto hoje ela está em 81,1%.

O próprio tamanho da dívida torna a situação muito mais difícil de ser controlada. A razão é simples: quanto maior o endividamento estatal, mais juros são pagos ou incorporados ao principal, tornando a dívida crescente.

Além desse motivo, as políticas econômicas implementadas pelo atual governo Lula, como os mínimos constitucionais de gastos com saúde e educação, valorização real do salário mínimo, com impacto direto na previdência, tornam o controle da dívida uma missão quase impossível.

Para piorar, o Congresso também não faz a sua parte, pede emendas parlamentares cada vez mais bilionárias no orçamento, e o Supremo Tribunal Federal flexibiliza os penduricalhos para diversos setores do Poder Judiciário, impactando diretamente as contas públicas, além de despertar a vontade de funcionários públicos de outras esferas de receberem o mesmo benefício. Tal situação vai completamente na contramão de uma reforma administrativa.

O problema é que nada disso é de graça. Para sustentar todas essas benesses estatais, o governo cobra impostos e se endivida cada vez mais com sociedade brasileira. No entanto, o alto endividamento pressiona a taxa de juros e drena recursos de investimentos produtivos do setor privado para financiar o governo. Afinal, quem não quer ganhar 14,55% a.a ou IPCA + 8,35%a.a com baixo risco?

Com taxas de juros tão elevadas, uma dívida PIB acima de 81% e sem nenhum sinal de melhora das contas públicas, a situação fiscal brasileira vai se tornado dramática, a caminho de um colapso.

Sem “economês”, significa que se nada for feito, mesmo com impostos arrecadados e emissão de títulos públicos, não será possível pagar credores das dívidas de vencimentos mais curtos. Num eventual calote, as consequências para a sociedade são bem conhecidas: queda da atividade econômica, fuga de investimentos, desemprego e inflação. Infelizmente, caminhamos a passos largos para isso.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alan-ghani/o-colapso-do-brasil-e-logo-ali-politica-economica-de-lula-consegue-ser-pior-que-a-de-dilma/

PF prende sancionados pelos EUA por ligação com o PCC

Prisões ocorreram no estado de São Paulo junto do bloqueio de R$ 10,4 bilhões supostamente lavados da facção. (Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil)

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira (3), pessoas que foram sancionadas pelo governo dos Estados Unidos por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As prisões ocorreram durante a deflagração da Operação Exchange em quatro cidades do estado de São Paulo.

Gazeta do Povo apurou com fontes a par da investigação que um dos presos é uma mulher identificada como Stella Stefanie de Oliveira, que seria secretária do empresário Victor Henrique Shimada, dono da Victory Trading Intermediação de Negócios, apontado pelo governo dos Estados Unidos como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele está foragido.

Ao todo, são cumpridos 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Também foi autorizado o bloqueio de bens de R$ 10,4 bilhões. O grupo, afirma a corporação, seria especializado na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

“As apurações indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras. A análise preliminar permitiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões”, afirmou a Polícia Federal em um comunicado.

As primeiras imagens divulgadas pela Polícia Federal do cumprimento dos mandados de busca e apreensão mostram quantidades de dinheiro em espécie de real e euro, cartões de crédito, passaporte, aparelhos celulares e outros artefatos. O valor ainda não foi divulgado.

A operação desta sexta-feira (3) já vinha sendo planejada desde o mês passado e ganhou força nesta semana após a decisão do governo dos Estados Unidos de sancionar dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por suspeita de ligação com o PCC.

Estes alvos estariam envolvidos na expansão do tráfico de drogas no país norte-americano, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas com o fim de gerar fluxos de receita.

“Ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade”, afirmou o governo norte-americano em um comunicado.

Desde a designação das facções brasileiras como organizações terroristas, em junho, os Estados Unidos já sinalizaram que não darão trégua à atividade do crime organizado originado do Brasil. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) anunciou recentemente a prisão de um ex-chefe do PCC e do CV durante uma abordagem da polícia de imigração na Carolina do Norte.

Atuação dos presos com o PCC nos EUA

Segundo o comunicado do governo dos Estados Unidos contra especificamente estas pessoas alvos da operação da Polícia Federal, os envolvidos teriam lavado mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados em diversas cidades do país norte-americano e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC.

Shimada também teria se envolvido em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico, de acordo com as investigações dos Estados Unidos. A decisão menciona que em janeiro de 2025 ele ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda. (Victory Trading), teria sido usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária envolvendo uma plataforma de apostas on-line.

Por sua vez, Stella Stefanie de Oliveira é apresentada nas investigações como uma associada próxima e parente de Shimada. Ela teria atuado como secretária e intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais que apoiaram a rede nas operações de lavagem de dinheiro.

Segundo os Estados Unidos, ambos teriam contado com o apoio de uma ampla gama de corporações que ajudaram a evitar a detecção dos fundos ilícitos gerados no exterior. São mencionadas as empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave) e Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave), todas sediadas em São Paulo.

O comunicado informa ainda que Shimada também seria proprietário da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, uma empresa de transporte e armazenagem com sede perto de Lisboa, Portugal, que teria vínculos com o PCC.

Como resultado da operação, todos os bens e interesses em bens das pessoas designadas, que estejam nos Estados Unidos ou sob o controle de pessoas no país norte-americano, serão bloqueados e deverão ser comunicados ao Departamento do Tesouro americano.

Mais informações em instantes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/pf-prende-sancionados-eua-ligacao-pcc/

Mendonça intima o governo a explicar doações eleitoreiras

Ministro André Mendonça – (Foto: Antonio Augusto/STF).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou que o governo federal, juntamente com o Congresso Nacional, esclareça pontos sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que apresenta a flexibilidade de restrições a respeito de doações em ano eleitoral.

A medida foi determinada com base em uma ação apresentada pelo partido Novo na última quarta-feira, na qual é solicitada a suspensão da medida.

Mendonça deu prazo de cinco dias para que a Presidência da República e a Presidência do Congresso se manifestem. Em seguida, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) terão três dias para fazerem o mesmo. O ministro ainda não analisou o pedido de suspensão da regra.

A ação contesta o artigo 95 da LDO de 2026. A norma estabelece que a doação de bens, valores ou benefícios pela administração pública não será considerada irregular em período eleitoral quando houver alguma contrapartida ou obrigação para quem recebe o benefício.

A ação trata de uma das restrições previstas na Lei das Eleições.

De acordo com a legislação, órgãos públicos ficam proibidos, nos meses que antecedem a votação, de distribuir gratuitamente bens e benefícios que possam influenciar a disputa em outubro.

O artigo aprovado no Congresso cria uma exceção para os casos em que a pessoa ou entidade que recebe o benefício tenha de cumprir alguma obrigação em troca.

A sigla de Eduardo Ribeiro argumenta que o dispositivo abre brecha para que a Administração Pública realize doações de bens, recursos e benefícios durante o período eleitoral, desde que vinculadas a algum encargo, o que, segundo o partido, favorece o uso da máquina pública e compromete a igualdade entre os candidatos.

Na ADI, o Novo sustenta que o artigo foi incluído na LDO por meio de uma emenda sem relação com o texto orçamentário, caracterizando “contrabando legislativo”.

Também afirma que a mudança viola o princípio da anterioridade eleitoral por ter sido aprovada poucos meses antes das eleições e critica a falta de critérios objetivos para as doações com encargo, o que, segundo a legenda, pode facilitar o uso eleitoral de bens públicos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e07-brasil/mendonca-intima-o-governo-a-explicar-doacoes-eleitoreiras

PL descarta plano B e confirma Michelle na disputa pelo Senado

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) | Foto: Isac Nóbrega / PR

A presidente do diretório do PL no Distrito Federal, deputada federal Bia Kicis, afirmou que o partido não trabalha com a possibilidade de substituir Michelle Bolsonaro na corrida por uma das duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.

A declaração foi dada em meio às especulações sobre uma eventual desistência da ex-primeira-dama de disputar o pleito.

Segundo Bia Kicis, a estratégia da legenda permanece inalterada e a expectativa é de que Michelle mantenha sua pré-candidatura.

A parlamentar também reiterou que pretende disputar o Senado ao lado da ex-primeira-dama, formando uma chapa composta pelas duas representantes do partido no Distrito Federal.

Nos últimos dias, rumores sobre uma possível saída de Michelle da disputa ganharam força nos bastidores políticos.

As especulações surgiram após divergências públicas envolvendo a ex-primeira-dama e o senador Flávio Bolsonaro, além de seu afastamento da liderança nacional do PL Mulher.

Apesar disso, dirigentes da sigla no Distrito Federal afirmam que não houve qualquer discussão interna para buscar um nome alternativo.

Ao comentar o cenário, Bia Kicis declarou que mantém convicção de que Michelle será candidata e afirmou que não considera a hipótese de substituição.

A presidente do PL-DF reforçou que a legenda segue concentrada na composição inicialmente planejada para a eleição ao Senado.

Enquanto o partido mantém oficialmente a pré-candidatura de Michelle Bolsonaro, alguns nomes passaram a ser mencionados nos bastidores como possíveis alternativas em caso de mudança de cenário.

Entre eles está o senador Izalci Lucas, que já manifestou disposição para buscar a reeleição ao Senado caso a vaga fique disponível.

Até o momento, porém, a direção do PL no Distrito Federal afirma que essa possibilidade não integra as discussões oficiais da legenda.

A disputa pelas duas cadeiras do Senado no Distrito Federal é considerada uma das mais relevantes das eleições de 2026.

O PL aposta na força política de Michelle Bolsonaro e na atuação de Bia Kicis para ampliar sua representação na Casa, mantendo, por enquanto, o planejamento original da chapa e afastando qualquer sinalização de mudança.Ver Comentários

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/pl-descarta-plano-b-e-confirma-michelle-na-disputa-pelo-senado

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