
A Polícia Federal identificou mensagens que apontam que o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, ordenou uma devassa contra a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, após a publicação de reportagens sobre investigações envolvendo o Banco Master. As conversas mostram que o publicitário Thiago Miranda foi acionado para levantar informações pessoais da jornalista e buscar formas de interromper o trabalho investigativo.
Segundo uma apuração do site Aos Fatos confirmada pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, os diálogos foram extraídos do celular de Vorcaro e registrados entre os meses de março e abril de 2025. A conversa revela a irritação de Vorcaro com as reportagens publicadas pela colunista. Em uma das conversas, Vorcaro afirma que era preciso “frear a Malu Gaspar” e diz que a jornalista “iria dar trabalho nos próximos dias” depois de uma entrevista que classificou como “bem ruim”.
Na sequência, Vorcaro escreve: “Vamos ter que tentar pegar algo dessa mulher no pessoal”. Miranda responde: “Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela” e completa: “Alguma coisa vamos achar”, recebendo de volta um “Obrigado, amigo”.
À Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro afirmou que não se pronunciará sobre a apuração. Já a defesa de Miranda afirmou que não teve acesso às mensagens e repudiou o que chama de “vazamento seletivo” da investigação. O jornal O Globo também repudiou a devassa contra Malu Gaspar e pediu uma investigação “com rigor” do que classificou como “trama de perseguição”.
As mensagens entre Vorcaro e Miranda revelam ainda que, no dia seguinte, a equipe do publicitário o informou que não havia encontrado nada que pudesse comprometer a jornalista. “Nem multa na CNH dela encontrei. Filhos novos ainda também. Te deixo ciente, vou achar algo”, disse a Vorcaro.
As mensagens mostram que Miranda passou a compartilhar com Vorcaro dados sobre familiares, endereço, contas bancárias, remuneração e informações sobre o veículo utilizado pela jornalista. Depois de analisar os dados obtidos, o publicitário admitiu não ter encontrado qualquer elemento comprometedor.
“Realmente, meu amigo, não tem absolutamente nada”, disse. Ele reforçou que precisava “arrumar uma forma de calar essa mulher”.
“Proposta milionária”
Em outro momento da conversa, Vorcaro cogitou apresentar uma “proposta milionária” para contratar Malu Gaspar, recebendo uma sugestão de Miranda para contratá-la na revista IstoÉ, que pertence a uma das empresas de mídia ligadas ao empresário. Eles chegaram a discutir um salário de R$ 120 mil e até valores de luvas contratuais de R$ 1,5 milhão que ofereceriam à jornalista para travar a apuração de novas reportagens sobre o escândalo do Master.
As conversas também mostram que Lauro Jardim, outro colunista do jornal O Globo, foi novamente alvo das discussões além da apurada em outra fase da investigação em que Vorcaro pediu a seus capangas para “quebrar todos os dentes”.
O empresário reclamou a Miranda que “Malu e Lauro vieram com mais fúria após a abordagem” e afirmou que o jornalista havia publicado “5 matérias em 3 dias”, enquanto Miranda respondeu que “por outro caminho. Vou descobrir algo. Eles não são santos”.
As conversas relacionadas a Lauro Jardim ocorreram entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. De acordo com a Polícia Federal, Mourão coordenava o grupo “A Turma”, apontado pelos investigadores como um braço responsável por ações de intimidação e coação contra adversários ligados ao ex-banqueiro.
Segundo a Polícia Federal, as mensagens reforçam a estratégia atribuída ao grupo de Vorcaro para pressionar jornalistas responsáveis por reportagens consideradas prejudiciais aos seus interesses. O material foi obtido durante as investigações sobre o ex-banqueiro, período em que o Banco Master enfrentava a crise financeira que mais tarde resultaria na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-ordenou-devassa-jornalista-jornal-o-globo/#cxrecs_s

Não é só a Presidência que interessa ao clã Bolsonaro

A despeito do áudio com Daniel Vorcaro e o racha exposto entre Michelle Bolsonaro e o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), o que pode lhe tirar votos femininos, os bolsonaristas aliados ainda têm esperança de que ele será páreo com o presidente Lula da Silva (PT) na disputa presidencial.
Mas entre portas fechadas, independentemente disso, há outro projeto velado, o do pai preso e ex-presidente, Jair Bolsonaro, que ganha força – mesmo que Michelle prejudique em parte. O plano é ter uma bancada de 55 senadores da direita fiéis em 2027, com o maior propósito de vingar Jair Bolsonaro: ter votos, um presidente do Senado e cenário favorável para tocar o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes – que também tem o que explicar na praça, e muito.
Sem escolta
A Polícia Legislativa da Câmara retirou a escolta da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), ameaçada de morte por milícias, de acordo com o Programa de Proteção do Ministério de Direitos Humanos. A polícia alegou o fato de ela ter feito agenda nas favelas da Maré em Paciência, dominadas por facções. A parlamentar enviou carta ao presidente Hugo Motta, surpresa com os argumentos.
23 anos de governo petista
Depois de 23 anos de gestão na Bahia – 4º maior colégio eleitoral do Brasil – o PT se vê diante de um desgaste inevitável amparado na má gestão da segurança pública e com baixo IDH. Por isso Lula da Silva vai intensificar as visitas, como fez ontem.
Senado
Michelle Bolsonaro tem potencial chance de se eleger senadora pelo PL no Distrito Federal. Ainda não desistiu disso. Os atos recentes são para chamar atenção e ganhar apoio incondicional do clã que a desdenha. Ela pode rever tudo, ou não. O que ninguém nega na família é que ficou super enciumada. Ela considerava que seria candidata a presidente, ou a vice numa chapa presidencial da direita.
Libera, doutor
João Carlos Ortega, chefe da Casa Civil de Ratinho Junior, está na mira de deputados estaduais aliados do governador do Paraná. É cobrado por segurar emendas dos parlamentares para redutos. Dia desses, dizem relatos, teria sido questionado numa rodinha pelo chefe diante de deputados. A assessoria informa que “a gestão de Ratinho bate sucessivos recordes de investimentos, inclusive com a maior execução, de R$ 7 bilhões.
Transnacional
Não é só no Brasil que o processo de indicação dos ministros do STF gera polêmica. Enquanto, aqui, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, no Timor-Leste – país que também faz parte da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa – a preocupação é com uma lei que atribui a escolha dos magistrados dos tribunais superiores a uma comissão de indicação política.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/nao-e-so-a-presidencia-que-interessa-ao-cla-bolsonaro/
Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF por falta de efetivo

A operação Sem Desconto, que apura o esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS, enfrenta um déficit histórico de pessoal, o que deve atrasar de forma expressiva as apurações. Entre as suspeitas investigadas estão as ligações entre Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Polícia Federal teria informado ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que as investigações estão atrasadas e devem ser prorrogadas significativamente.
A corporação conta hoje com cerca de dez servidores dedicados ao caso, quando a estimativa interna aponta a necessidade de pelo menos quatro vezes mais policiais para sustentar o ritmo de trabalho exigido pelo ministro do STF. Esse foi um dos motivos pelos quais a PF pediu a Mendonça, em junho, a prorrogação das investigações por mais 60 dias. No ritmo atual seriam necessários ao menos seis meses para análise do material.
Desde a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, até o momento, metade do material recolhido em diferentes fases teria sido analisado pelos peritos e investigadores.
O detalhe que torna esse déficit particularmente sensível seria o alcance da investigação. Entre as diligências conduzidas pela PF estiveram pedidos de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de investigados, entre eles, Lulinha. As medidas também miram a possível proximidade entre ele e o “Careca do INSS”, apontado como peça central no esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões.
Para investigadores que acompanham o caso de perto, a escassez de efetivo, somada a mudanças recentes na equipe responsável pela condução do inquérito, alimenta uma suspeita: a de que o esvaziamento da força de trabalho para a apuração poderia, ainda que sem intenção declarada, beneficiar indiretamente os investigados. O governo federal e a direção da Polícia Federal negam qualquer motivação política e sustentam que as alterações têm caráter exclusivamente administrativo.
Mudança tirou delegado da linha de frente após pedido de quebra de sigilo
Em abril, a Polícia Federal alterou a coordenação interna do inquérito que apura as fraudes do INSS, transferindo a condução do caso para outra estrutura dentro da corporação. A mudança administrativa retirou da linha de frente da investigação um delegado que havia solicitado ao Supremo, semanas antes, medidas relacionadas à quebra de sigilo bancário de pessoas ligadas ao caso, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A coincidência entre o pedido de quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente e a posterior remoção do delegado responsável por essa solicitação alimentou, entre investigadores e integrantes do Judiciário, a percepção de que decisões administrativas aparentemente técnicas estariam produzindo efeitos negativos sobre apurações politicamente sensíveis.
A defesa de Lulinha negou qualquer relação comercial com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Os advogados do filho do presidente afirmam desconhecer qualquer fraude ligada ao INSS. Eles afirmaram que quando Lulinha se comunicou com Antunes, ele não tinha conhecimento dos esquemas envolvendo a Previdência.
Inquéritos do INSS e do caso Master estão sob relatoria de André Mendonça
A operação Sem Desconto não é a única investigação sensível sob a relatoria do ministro André Mendonça que avançou sobre nomes próximos ao Palácio do Planalto. Em paralelo, a operação Compliance Zero que apura fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também se aproximou de figuras com vínculos diretos ao governo.
A nona fase da operação, deflagrada em junho, teve como alvo o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em uma ação que surpreendeu tanto o Palácio do Planalto quanto a cúpula do PT.
Embora a convocação de policiais cedidos a outros órgãos tenha sido definida antes dessa fase da investigação, fontes ligadas às apurações afirmam que crescia no governo o receio de que os inquéritos conduzidos sob a relatoria de Mendonça atingissem pessoas do entorno mais próximo do presidente, pré-candidato à reeleição em outubro.
Uma medida articulada diretamente por Lula e pela direção-geral da Polícia Federal, em curso há pelo menos três meses, determinava o retorno de policiais federais cedidos a outros órgãos da administração pública. A iniciativa acabou sendo parcialmente revista pelo governo depois da repercussão negativa.
“Com duas investigações sensíveis convergindo sob o mesmo gabinete, pode ter havido uma tentativa do governo de reorganizar os quadros da Polícia Federal, além da gestão de pessoal”, especula o constitucionalista Alessandro Chiarottino.
Convocação de delegados poupou cedidos ao STF
Mais de uma centena de servidores das carreiras policiais das forças federais de segurança foram convocados a retornar às suas funções de origem no último mês. Os ofícios do Ministério da Justiça atingiram tribunais federais e estaduais, órgãos públicos diversos e até o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O STF e os gabinetes de ministros, no entanto, ficaram de fora. Delegados que atuam em gabinetes de ministros, entre eles o de André Mendonça, relator tanto do caso do INSS quanto do Master, foram mantidos em seus postos, sem qualquer determinação de retorno até o momento.
A ideia de reduzir o número de policiais cedidos a outros órgãos vinha sendo discutida por Lula havia meses, sob a justificativa de concentrar esforços no combate ao crime organizado. A iniciativa ganhou outra dimensão quando passou a coincidir com o avanço de investigações que se aproximavam de nomes ligados ao Planalto, tanto no caso Master quanto no INSS.
Oficialmente, o Ministério da Justiça mantém a versão de que a medida integra uma estratégia de fortalecimento das forças de segurança no combate ao crime organizado, sem qualquer relação com o conteúdo das investigações em curso.
Parte dos investigadores passou a interpretar a movimentação como uma possível tentativa de atingir, ainda que indiretamente, estruturas que prestam apoio técnico a investigações sensíveis para o governo.
Entre os nomes que chegaram a circular como potenciais alvos da convocação, estava o do delegado Thiago Marcantonio Ferreira, assessor de André Mendonça e integrante da equipe que auxilia o ministro em processos dos casos do INSS e do Master.
“Uma eventual retirada desse tipo de profissional poderia enfraquecer a capacidade de apoio técnico ao gabinete em um momento crítico das apurações”, alerta o especialista em segurança pública e investigador aposentado Sérgio Gomes.
A Gazeta do Povo procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública e também a Polícia Federal para esclarecer os critérios adotados na convocação de retorno dos profissionais, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Efetividade da medida do governo é questionada
Mesmo após o recuo parcial, investigadores e integrantes do Judiciário questionam a convocação inicial. O argumento mais recorrente é de ordem prática: a retirada de um número relativamente pequeno de policiais cedidos teria impacto limitado sobre o déficit histórico de pessoal da Polícia Federal, ao mesmo tempo em que poderia comprometer atividades estratégicas, desenvolvidas em órgãos públicos que dependem desses profissionais.
“No fundo, parece uma contradição, convocar de volta dezenas de policiais sob a justificativa de reforçar o combate ao crime organizado, enquanto a investigação sobre desvios bilionários do INSS segue com um quarto do efetivo considerado necessário”, completa Gomes.
Para analistas, no entanto, nenhum desses fatos, isoladamente, comprova interferência política deliberada, mas serve como alerta. “A convergência temporal entre mudanças burocráticas e o avanço de investigações que tocam o núcleo familiar e político mais próximo do presidente é o tipo de coincidência que, em qualquer apuração séria, exige acompanhamento continuado”, ressalta o constitucionalista André Marsiglia.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/investigacao-careca-do-inss-lulinha-trava-na-pf/

Sóstenes Cavalcante está cada vez mais encrencado

Um amigo advogado, veterano com 50 anos de política e trabalho em tribunais superiores de Brasília, me contou que fora procurado por dois advogados amigos, pedindo conselho. Eles disseram que haviam sido sondados pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, para que o ajudassem com a descoberta, na casa dele, de quase R$ 470 mil em dinheiro vivo – normalmente, uma dinheirama dessas indica ou greve bancária, ou falta de confiança nos bancos ou necessidade de não registrar o dinheiro, certo?
Meu amigo me contou que os aconselhou a não entrarem nessa, disse a eles que seria uma fria, mas eles entraram mesmo assim; talvez não tenham resistido à oferta de honorários. Pois eles acabam de ser objeto de mandados de busca e apreensão, e ainda encontraram dinheiro com eles. Já vi falarem em R$ 400 mil, eu não sei; o que eu vi foi a foto de um suposto livro oco de Direito. Livro oco, talvez o direito ali seja oco também – isso até me lembrou do caso em que pastores e bispos da Igreja Renascer tentaram entrar nos Estados Unidos com R$ 56 mil dentro de uma Bíblia oca, em 2007. Dentro do livro havia dois maços, cada um com 100 cédulas, de R$ 50 e de R$ 100, o que dá R$ 15 mil. Se fosse só isso, seria pouquinho mais de 0,1% do valor do contrato de Daniel Vorcaro com a família de Alexandre de Moraes. Meu amigo lamentou que os seus amigos advogados não tivessem ouvido seu conselho.
Ainda sobre essa busca e apreensão, vejo muita gente dizendo que “o objetivo não é o deputado Sóstenes Cavalcante”, mas é claro que sim; ele é o peão disso, é o eixo da operação Rent a Car, que ganhou esse nome porque uma locadora de veículos estaria sendo usada para lavar o dinheiro que estava em casa, proveniente de cotas parlamentares, verbas de gabinete, essas coisas.
Sobra material e faltam policiais para investigar roubo no INSS
Levei um susto ao saber de uma informação sobre a investigação da Polícia Federal sobre Lulinha, o “Careca do INSS” e aquela crueldade feita com milhões de aposentados e pensionistas idosos, que sofreram descontos sem autorização, num desvio de R$ 6 bilhões. Informações de bastidores dizem que a Polícia Federal foi cobrada pelo ministro relator André Mendonça sobre a velocidade da apuração, e respondeu com um relatório dizendo que só há 11 policiais trabalhando com cerca de 1,7 mil itens, e que para analisar cada um desses itens um policial leva seis dias. Numa operação aritmética rapidinha, são 954 dias corridos; tirando feriados, sábados e domingos, levaria cerca de três anos para se chegar a uma conclusão.
Justiça barrou exigência de cotas na residência do Einstein
O juiz da 8.ª Vara Cível de São Paulo negou uma liminar pedida pelo Ministério Público Federal para obrigar o Hospital Albert Einstein, que é um hospital de referência e de excelência, a abrir cotas para residentes negros, quilombolas, trans, indígenas e deficientes. Eu me pergunto como é que ficaria o preceptor desses cotistas: cada residente tem um preceptor que fica observando, e às vezes ele percebe que o residente não conseguiu fazer uma sutura, ou não conseguiu identificar um órgão; o preceptor teria liberdade para dizer que um residente cotista falhou? E ainda há a própria questão das cotas. É incrível como contrariam a Constituição na nossa frente, na cara dos alfabetizados, que sabem ler. O principal artigo da Constituição, o caput do artigo 5.º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/sostenes-cavalcante-operacao-rent-a-car/

A direita já venceu – mas parece que ela não sabe voltar a vencer

A troca de críticas entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nos últimos dias revelou mais do que um desentendimento familiar ou partidário. Ela expôs uma fragilidade que acompanha a direita brasileira desde 2018.
A discussão sobre quem representará esse campo político na eleição presidencial parece ter começado pelo fim. Antes mesmo de um debate amplo sobre qual projeto, qual estratégia e qual candidato teria melhores condições de derrotar Lula, o nome já parecia definido. O restante da discussão passou a girar em torno da decisão previamente tomada.
Em democracias maduras, costuma ocorrer exatamente o contrário. Os partidos existem para isso. Eles discutem projetos, formam lideranças, resolvem divergências, estabelecem critérios, debatem, debatem, debatem e, ao fim do processo, escolhem seus candidatos. Em muitos países, isso ocorre por meio de prévias. Em outros, por convenções competitivas. O importante não é o mecanismo, mas a lógica: primeiro se constrói uma decisão coletiva; depois se apresenta um candidato.
Transformar uma eleição excepcional em modelo permanente talvez tenha sido o maior erro estratégico da direita brasileira
Quando esse processo não existe, o debate migra para as redes sociais. Divergências que deveriam ser resolvidas internamente passam a ser travadas diante dos eleitores e, principalmente, dos adversários. O problema, porém, não começou agora.
A vitória de Jair Bolsonaro em 2018 produziu uma enorme transformação política. Pela primeira vez em décadas, milhões de brasileiros passaram a se declarar abertamente de direita. Liberais e conservadores deixaram de ser uma minoria envergonhada para se tornar uma força eleitoral relevante.
Mas aquela vitória também produziu uma ilusão. Muitos concluíram que não seria necessário construir um partido forte. Bolsonaro vencera sem uma grande legenda. Outros passaram a acreditar que tempo de televisão havia se tornado irrelevante. Afinal, Bolsonaro praticamente não o teve. Houve quem decretasse que as redes sociais substituíam as estruturas partidárias tradicionais. Achavam que a direita havia descoberto um novo caminho para chegar ao poder.
A eleição de 2018 foi extraordinária justamente porque reuniu circunstâncias extraordinárias: uma profunda rejeição ao PT após a Lava Jato, uma grave crise econômica, o desgaste da política tradicional, o atentado contra Bolsonaro durante a campanha, e uma liderança capaz de canalizar esse sentimento.
Transformar uma eleição excepcional em modelo permanente talvez tenha sido o maior erro estratégico da direita brasileira. A história mostra outro caminho.
Ronald Reagan venceu a eleição de 1980, mas sua vitória não surgiu do nada. Foi precedida por quase duas décadas de reconstrução intelectual, cultural e partidária da direita americana. Vieram antes Barry Goldwater, a National Review de William F. Buckley, a Young Americans for Freedom, a Heritage Foundation, a formação de milhares de lideranças locais, governadores, parlamentares e ativistas. Reagan foi consequência de um movimento que já tinha instituições sólidas. Ele foi o resultado, não a causa da transformação da direita americana.
No Brasil, ocorreu quase o inverso: o líder apareceu antes da organização. Construiu-se uma enorme base eleitoral, mas não uma estrutura política capaz de sobreviver às circunstâncias excepcionais que a originaram. Não se consolidou um partido forte, com identidade programática clara, mecanismos internos de deliberação, formação permanente de quadros e capacidade de administrar conflitos sem transformá-los em crises públicas. Os efeitos começam a aparecer.
A direita continua discutindo pessoas quando deveria estar discutindo instituições
O governo Lula enfrenta dificuldades evidentes. Sua popularidade caiu. A economia cresce menos do que o esperado, a percepção sobre a segurança pública continua negativa e a rejeição ao governo permanece elevada. Em muitas democracias, esse cenário seria suficiente para produzir uma oposição fortalecida e organizada. Mas não no Brasil.
A direita continua discutindo pessoas quando deveria estar discutindo instituições. Continua apostando na força individual de lideranças quando deveria estar formando novas lideranças. Continua tratando partidos como meros instrumentos eleitorais, quando eles deveriam ser espaços permanentes de construção política.
Foi assim com os republicanos americanos. Foi assim com os conservadores britânicos. Foi assim com praticamente todas as forças políticas que conseguiram sobreviver às mudanças de geração e continuar vencendo eleições.
O verdadeiro legado de uma liderança não é apenas ganhar uma eleição. É deixar organizações capazes de continuar vencendo quando ela já não estiver mais presente. Talvez esta seja a principal lição que a direita brasileira ainda precise aprender. Ela já venceu uma vez. Mas ainda não aprendeu como voltar a vencer.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/ricardo-gomes/a-direita-ja-venceu/
Esposa de Moraes enviou a Vorcaro, por Whatsapp, minuta do contrato de R$129 milhões

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, enviou diretamente pelo WhatsApp ao banqueiro Daniel Vorcaro a minuta do contrato de R$129 milhões para “prestação de serviços jurídicos ao Banco Master”, segundo informou esta noite reportagem de Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo, do Estadão.
A conversa foi encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, após primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, quando o celular foi apreendido.
O contrato, cujos valores provocam espanto, previa a defesa dos interesses do banco perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional. Os diálogos mostram que o envio da minuta do contrato ocorreu em janeiro de 2024. O escritório informou que não comenta tratativas envolvendo clientes.

O contrato terá sido formalmente assinado, mas, do total previsto, foram pagos cerca de R$80,2 milhões em parcelas mensais de R$3,6 milhões. Esses pagamentos foram suspensos após a prisão do ex-banqueiro que se encontra preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
De acordo com a Receita Federal, o escritório de Viviane Moraes, onde trabalham dois filhos do casal, recebeu pagamentos do Master em 2024 e 2025. Apesar do valor recorde no País e sem paralelo conhecido no mundo inteiro, a advogada casada com Moraes atuou em poucos processos envolvendo o Master. No escritório também trabalham os dois filhos do ministro.
Viviane escreveu a Vorcaro em 17 de janeiro de 2024, em mensagem no Whatsapp: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”. O banqueiro respondeu cinco dias depois: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”.
Na Câmara, 81% dos deputados alugam carrões e você paga

Deputados federais de oposição têm sido investigados por gastos com aluguel de veículos, como mostrou nesta quarta (1º) outra fase da operação na Rent a Car, da Polícia Federal, mas a farra é praticada por 450 dos 513 parlamentares, equivalentes a 81% do total. Isso custou R$18,5 milhões só este ano. A coluna cruzou os valores das notas fiscais dos veículos apresentadas pelos deputados: o valor de R$18.583.763,80 contempla apenas ao que foi pago entre 1º de janeiro e a data de ontem.
Céu é o limite
Não há limite conhecido para esse tipo de despesas na Câmara, e os valores da farra de locação de veículos devem disparar até o fim do ano.
Se lambuza
Deputado de primeiro mandato, Lula da Fonte (PP-PE) se esbaldou e foi quem mais gastou entre todos os colegas: R$113.882,52.
Centena de reais
A lista da gastança segue com Adilson Barroso (PL-SP), que torrou, até agora, R$101,2 mil só com aluguel de belos carros.
Pódio
Na gastadora trinca, ainda aparece o nome de Marcos Soares (PSDB-RJ), que não teve dó e apresentou faturas que somam R$98,4 mil.
Michelle vira cortina de fumaça para xenofobia de Lula

Enquanto as manchetes de sempre martelam há dias a crise política da briga entre a ex-primeira-dama Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, desapareceu do noticiário qualquer menção à fala de Lula (PT), denunciada como criminosa pelo governador Jorginho Melo (PL) junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Lula chamou toda a população de Santa Catarina de “racista” e de cultivar a “supremacia branca”. Lula foi denunciado pelo crime de xenofobia, imprescritível e inafiançável. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
A xenofobia – especialmente ao microfone, em público – pede ação penal do Ministério Público e acarreta pena de prisão de até 5 anos e multa.
O deputado Sanderson (PL-RS) cobrou de Paulo Gonet, chefe da PGR, resposta à denúncia formalizada pelo governador de Santa Catarina.
O noticiário prioriza as desavenças na família Bolsonaro, que merecem destaque, mas “esquece” o insulto de Lula aos catarinenses.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/michelle-vira-cortina-de-fumaca-para-xenofobia-de-lula
PGR defende manter prisão domiciliar de Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a caracterização de falta grave no caso da arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu que ele permaneça em prisão domiciliar. O parecer foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se mantém as atuais condições do cumprimento da pena.
No entendimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal não encontrou elementos para atribuir ao ex-presidente uma infração disciplinar grave relacionada à apreensão da pistola. A arma foi localizada com um integrante da equipe de segurança de Bolsonaro, que acabou indiciado por porte ilegal de arma de fogo por transportar armamento registrado em nome de terceiros sem atender às exigências legais. A PGR, no entanto, defendeu que a pistola permaneça retida pelas autoridades.
Com a manifestação da PGR, a defesa de Bolsonaro terá prazo para apresentar seus argumentos antes da decisão final de Moraes. Caberá ao ministro avaliar se o episódio justifica alguma alteração no regime de cumprimento da pena ou se o ex-presidente continuará em prisão domiciliar.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/pgr-defende-manter-prisao-domiciliar-de-bolsonaro
Be the first to comment on "Vorcaro ordenou devassa contra jornalista do jornal O Globo"