
Mesmo após os danos causados pela divulgação do financiamento do filme Dark Horse pelo Banco Master e do vídeo de Michelle Bolsonaro com duras críticas, a nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (29), aponta que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) reduziu a diferença para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.
Segundo analistas políticos, o principal pré-candidato da direita conseguiu estancar a trajetória de queda e manter seu núcleo de eleitores cativos. Mesmo sob o impacto de crises ruidosas, o desgaste parou diante da estabilização das intenções de voto, o que o coloca em posição competitiva no segundo turno.
No cenário de primeiro turno, a pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra Lula na frente, com 42%, enquanto Flávio amplia as intenções de voto para 34%, um ponto percentual acima do levantamento anterior. Com isso, ele se consolida na segunda colocação em relação aos demais pré-candidatos.
Na simulação de segundo turno, a vantagem do petista desaparece. Os dois aparecem em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: Lula com 47%, e Flávio com 43%, ganhando também um ponto percentual no comparativo com a última pesquisa.
- Metodologia da pesquisa citada: 2.000 entrevistados pelo instituto Nexus entre os dias 26 e 28 de junho de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-08521/2026.
Números trazem alívio à campanha de Flávio, mas não eliminam os desafios
Analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que a BTG Pactual/Nexus divulgada trouxe alívio à pré-campanha ao registrar oscilação positiva no segundo turno, sinalizando que os danos dos casos envolvendo Flávio já foram absorvidos por boa parte dos eleitores. Eles ressaltam, no entanto, que o cenário ainda pode mudar.
O episódio Dark Horse — que envolveu vazamentos de conversas e pedidos de recursos de Flávio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro — abalou os índices do senador e ainda deixou como maior prejuízo uma forte elevação da taxa de rejeição para 52%.
A polêmica envolvendo Michelle Bolsonaro, madrasta do presidenciável, trouxe, por sua vez, importantes desafios para a candidatura conservadora, ao afetar a percepção de dois públicos com os quais Flávio já tinha encontrado resistência: as mulheres e os eleitores evangélicos.
O diretor da consultoria política Action, João Henrique Hummel Vieira, avalia que a corrida presidencial continuará sendo influenciada pelos desdobramentos do caso Master e pela postura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em relação à candidatura de Flávio.
Segundo ele, a expectativa é de que as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelem novos elementos sobre o escândalo financeiro, político e institucional, ampliando a transparência e produzindo reflexos relevantes sobre o ambiente eleitoral. “As apurações ainda terão consequências”, resume.
Para Vieira, o comportamento de Michelle também tende a impactar a reorganização do campo conservador. “A postura política tem efeitos na política. Os movimentos dela não podem ser ignorados”, ressalta.
Já o cientista político Ismael Almeida avalia que o eleitorado ainda não está plenamente exposto aos fatos relacionados à candidatura de Flávio e, por isso, a melhor avaliação do cenário deve ocorrer a partir do fim de julho — período das convenções partidárias que antecede o início oficial da campanha eleitoral. “Os brasileiros estão com as atenções voltadas para a Copa do Mundo”, acrescenta.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/candidatura-de-flavio-bolsonaro-mostra-resistencia-apesar-de-crises-na-campanha/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=threads
Por que a emissão de dívida do Brasil em yuan interessa à China

O projeto do governo Lula para emitir títulos da dívida pública brasileira no mercado chinês interessa não apenas ao Brasil, mas também à China. Enquanto Brasília busca diversificar suas fontes de financiamento com os chamados panda bonds, Pequim vê a operação como mais um passo para ampliar o uso internacional do yuan e sua influência econômica em meio à disputa com os Estados Unidos.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, uma carta de intenções com o projeto inédito. O governo brasileiro diz que planeja captar até cinco bilhões de yuans com sua primeira emissão de títulos na moeda chinesa. Segundo o ministro, a decisão foi tomada após pedidos de empresas brasileiras para ajudá-las a captar recursos por meio de operações privadas com panda bonds e para atenuar a volatilidade cambial no Brasil.
A iniciativa está alinhada à estratégia da China de ampliar o uso internacional do yuan, fortalecer seu mercado financeiro e aprofundar a relação econômica com países considerados estratégicos, como o Brasil.
De acordo com analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, ao atrair governos estrangeiros para emitir títulos em sua moeda, Pequim também busca reduzir gradualmente a predominância do dólar no sistema financeiro internacional.
Na avaliação de Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal, a introdução de panda bonds no Brasil serve como uma “ferramenta agressiva de financial statecraft” para a China, ou seja, o uso intencional de instrumentos econômicos para projetar poder e alcançar objetivos de política externa.
“[Tal ferramenta foi] desenhada para expandir a hegemonia da China e subordinar a maior economia latino-americana ao seu ecossistema financeiro, controlado diretamente pelo Estado”, opina Coimbra.
Ele afirma que, ao incentivar o endividamento soberano em yuans, Pequim avança de forma assimétrica em seu projeto geopolítico de desdolarização e de enfraquecimento das instituições financeiras ocidentais, “exportando os riscos de sua própria economia doméstica desacelerada para o mercado brasileiro”. Na avaliação do especialista, isso também pode tornar o Brasil mais vulnerável às decisões econômicas da ditadura chinesa.
Acordo reforça aliança com a China e discurso político de Lula de incentivo à desdolarização
O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, destaca que o compromisso firmado entre os países tem como finalidade, basicamente, benefícios geopolíticos, visto que a emissão de títulos em yuan deve gerar menos liquidez no mercado.
“Essa ideia passa o sinal de que o Brasil não estaria totalmente alinhado a fazer única e exclusivamente emissões em dólares, o que é complicado, porque normalmente países tendem a fazer emissões em euro ou outra moeda. Fazer em moeda chinesa que não é extremamente conversível e que tem fluxo de capital preso parece ser uma maneira de se alinhar à ideia do governo Lula de anti-dolarização”, explica.
O avanço do projeto dos panda bonds foi anunciado em um momento de forte crescimento da dívida pública brasileira, o que, segundo Lucena, reforça a necessidade de avaliar o custo e os benefícios de novas emissões.
Segundo dados oficiais divulgados no último dia 26 pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Federal (DPF) subiu em maio, superando a barreira dos R$ 9 trilhões. A DPF passou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões no mês passado, alta de 2,66%.
Lucena avalia que a principal beneficiada pela operação é a China, que amplia o uso internacional do yuan e reforça sua estratégia de reduzir a dependência do dólar. Para o economista, o Brasil perde com a emissão dos panda bonds, já que a moeda chinesa não oferece o mesmo nível de liquidez e conversibilidade das principais moedas internacionais.
Medida abre caminho para novos atritos na relação Lula-Trump
A emissão dos panda bonds pode ampliar a já estremecida relação entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, nos EUA.
Segundo Coimbra, essa emissão é vista em Washington não como uma mera diversificação técnica de portfólio, mas como um sinal de alinhamento político e financeiro com o maior adversário estratégico do Ocidente.
“Embora uma retaliação diplomática imediata ou sanções explícitas sejam improváveis, a adesão aos títulos chineses mina profundamente a credibilidade do Brasil como um parceiro confiável para iniciativas de segurança e alta tecnologia com os americanos”, afirma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/por-que-a-emissao-de-divida-do-brasil-em-yuan-interessa-a-china/
Por que a defesa de Vorcaro mudou a estratégia no caso Banco Master?

Após o ministro do STF André Mendonça rejeitar propostas de delação premiada, a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro agora foca em anular o processo. Ele foi transferido para uma cela comum na Papuda, em Brasília, enquanto advogados buscam brechas jurídicas para invalidar as investigações.
O que significa a tentativa de anulação das investigações?
Em vez de discutir se os crimes aconteceram ou não, a defesa foca em provar que houve erros cometidos pela polícia ou pela justiça durante o processo. Se um erro grave for comprovado — como o uso de uma prova colhida de forma errada —, a justiça pode invalidar parte ou toda a investigação, o que beneficia o acusado independentemente das evidências.
Quais são os principais argumentos para anular o processo?
Os advogados apontam uma possível falha na ‘cadeia de custódia’, que é o controle rigoroso sobre como as provas (como celulares e computadores) são guardadas e analisadas para garantir que não foram alteradas. Também questionam vazamentos de informações sigilosas e a forma como o caso foi distribuído entre os ministros do STF, alegando desrespeito ao princípio do juiz natural.
Por que a delação premiada foi deixada de lado?
Porque as tentativas anteriores foram recusadas. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República consideraram as informações oferecidas por Vorcaro superficiais e chamaram de ‘delação seletiva’, que é quando o investigado escolhe o que contar e quem proteger. Sem um acordo, a defesa entende que buscar erros processuais é o caminho mais viável no momento.
Como as declarações do STF influenciaram essa mudança?
Recentemente, o ministro Gilmar Mendes fez críticas públicas à condução das investigações, comparando certos métodos aos usados na Operação Lava Jato, que teve muitas condenações anuladas. Essas falas deram esperança à defesa de que há abertura no tribunal para acolher teses de nulidade processual.
Qual a situação atual do ex-banqueiro Daniel Vorcaro?
Vorcaro saiu da Superintendência da Polícia Federal e foi enviado para o Complexo Penitenciário da Papuda, em uma cela comum conhecida como ‘Papudinha’. Esse movimento é visto como um sinal de endurecimento do Judiciário após o impasse nas negociações de colaboração, o que deve apressar a apresentação das novas teses de defesa nas próximas semanas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/por-que-a-defesa-de-vorcaro-mudou-a-estrategia-no-caso-banco-master/
Vorcaro aposta em falhas para anular investigação do Master e delação vira possibilidade remota

A mais recente transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha” em Brasília, ocorre em um momento em que especialistas em Direito Penal e Constitucional avaliam que a estratégia da defesa pode deixar de concentrar esforços exclusivamente no mérito das acusações para buscar eventuais anulações do processo. O objetivo seria comprometer parte ou a totalidade das investigações da operação Compliance Zero.
Entre as principais teses estão a alegação de possível quebra da cadeia de custódia dos aparelhos eletrônicos apreendidos, caso sejam identificadas falhas na preservação, no armazenamento ou na extração dos dados. Um dos casos mais questionáveis é o vazamento de conversas de Vorcaro com a ex-noiva. Além disso, a defesa deverá questionar supostos vazamentos de informações protegidas por sigilo e a eventual contaminação do material que serve como prova.
Outra linha pode envolver a alegação de violação ao princípio do juiz natural, com questionamentos sobre a redefinição da relatoria do processo no STF, além de possíveis irregularidades em procedimentos adotados por órgãos envolvidos nas investigações. Na avaliação de especialistas, caso alguma dessas teses seja acolhida pela Justiça, provas ou até etapas da investigação poderão ser declaradas nulas, independentemente das evidências encontradas.
Para analistas, a tentativa de anulação do processo ficou ainda mais evidente após a saída de Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília na última quinta-feira (25), movimento que afasta a possibilidade de uma nova proposta de delação.
Entre os investigadores do caso Master, há a percepção de que Vorcaro deve adotar o silêncio sobre as relações com membros dos Três Poderes e com as autoridades que sustentavam o esquema supostamente fraudulento. Assim, a estratégia prioritária passaria a ser exclusivamente processual, focada em brechas para nulidades.
“O objetivo não seria afastar as acusações por insuficiência de provas, mas discutir a validade jurídica de procedimentos adotados durante a persecução penal”, destaca o criminalista Márcio Nunes.
Defesa já sinalizava para prolongamento do processo
Nunes afirma que o modelo inicialmente proposto pela defesa, que previa delação seletiva e devolução de cerca de R$ 40 bilhões em até dez anos, já era interpretado como tentativa de ampliar o tempo de tramitação do processo, enquanto a defesa buscaria alternativas processuais.
“Esse tipo de estratégia já foi observado em outros processos de grande repercussão, nos quais discussões sobre nulidades acabaram alterando o rumo das ações penais. Além disso, a defesa pode mirar uma suposta quebra da cadeia de custódia, o que comprometeria as investigações”, analisa o criminalista.
A quebra da cadeia de custódia ocorre quando não é possível garantir que uma prova foi coletada, armazenada, transportada, preservada e analisada de forma íntegra e documentada, sem risco de alteração, contaminação ou manipulação. “Nesses casos, a defesa pode questionar a confiabilidade da prova e pedir que ela seja considerada inválida ou desconsiderada pelo Judiciário, caso a irregularidade comprometa a autenticidade ou credibilidade”, explica.
Especialistas avaliam que um dos ingredientes para encontrar respaldo jurídico às nulidades do caso foram as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes durante o voto sobre a prisão do pai e do primo de Vorcaro, Henrique e Felipe Vorcaro, seguida de entrevista ao programa Roda Viva.
Ao retomar críticas que fez à operação Lava Jato e afirmar que o caso Master poderia enfrentar questionamentos semelhantes caso determinadas linhas investigativas fossem mantidas, especialistas analisam que o magistrado retomou o debate jurídico sobre os limites do controle das investigações e deu sinais claros de que há espaço para nulidades, inclusive no STF.
“Pode ser que haja mais ministros que pensem assim. Desta forma, poderia haver um respaldo relevante na Corte para nulidades processuais”, alerta a doutora em Direito Público Clarisse Andrade.
Idas e vindas de delação acendem alerta sobre tentativa de nulidade
Andrade também observa que decisões recentes do ministro André Mendonça e da maioria do colegiado da Segunda Turma do STF demonstram rigor na condução das negociações relacionadas à colaboração premiada, deixando a delação cada vez mais distante.
Para ela, eventual mudança de entendimento dependerá da apresentação de novos elementos relevantes pela defesa ou da análise do colegiado competente do Supremo, caso recursos venham a ser apresentados. “São duas propostas rejeitadas. A nulidade certamente está no topo das alternativas”, destaca.
Ainda não há indicação oficial de que a atual defesa de Daniel Vorcaro tenha adotado formalmente a estratégia centrada em nulidades processuais. Os advogados do ex-banqueiro não detalharam eventuais mudanças na condução do caso, nem comentaram a possibilidade de reforçar a equipe com profissionais especializados nessa área do Direito.
“Existem movimentos de defesa que são estratégicos e não anunciados. Quando uma banca busca nulidades, ela primeiro se aprofunda nas possibilidades sem deixar evidente que pretende fazer isso”, avalia o constitucionalista Alessandro Chiarottino.
Para o constitucionalista André Marsiglia, as sucessivas idas e vindas nas negociações da delação não representam estratégias independentes, mas etapas de um mesmo plano de defesa. “Não tenho dúvida de que ele está mirando as nulidades processuais com essas idas e vindas da delação. Essa insistência funciona como uma forma de ‘esquentar’ uma nulidade futura. Não vejo uma estratégia substituindo a outra, mas uma servindo de fundamento para a seguinte”, afirma.
Segundo Marsiglia, a manutenção das negociações ao longo do tempo pode produzir elementos que, posteriormente, sejam utilizados pela defesa para questionar a regularidade da condução do processo nos tribunais. “Creio que o ministro André Mendonça o devolveu para a Papuda justamente para evitar que esse movimento de incubar futuras nulidades continue acontecendo”, avalia.
Mudança na estratégia da defesa será sentida nas próximas semanas
Nos bastidores, a avaliação é de que a estratégia da defesa pode passar por uma mudança de rumo nas próximas semanas. Em vez de insistir na nova tentativa de acordo de colaboração premiada, a tendência seria concentrar esforços para identificar eventuais atos que possam gerar nulidades processuais.
Para o constitucionalista Alessandro Chiarottino, o cenário que se desenha indicaria que, com respaldo no STF, a defesa pode deixar em segundo plano a estratégia centrada na delação premiada, deixando de expor figuras influentes e de peso no campo político, jurídico e institucional, para priorizar teses processuais.
Segundo ele, a posição manifestada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, de que não pretende homologar uma delação seletiva reforça a tendência. “Me parece uma condição em que a banca pode focar mais nas análises, com especialistas em direito processual para buscar nulidades, em vez de se debruçar tanto em uma delação premiada, principalmente depois da declaração do Mendonça, que não faz questão de uma colaboração, muito menos de uma delação seletiva”, reforça.
A possível mudança de cenário na defesa ocorre após a rejeição da segunda proposta de colaboração pela PF e rejeição dos últimos anexos também pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Isso se somaria à possibilidade da proposta de delação do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que pode ocorrer nesta semana.
A Polícia Federal e a PGR esperavam cruzar versões das delações de Vorcaro e Zettel, mas assim como a do ex-banqueiro, a proposta do cunhado teria chegado superficial demais, sem dar novos direcionamentos ou provas ao caso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-aposta-anular-investigacao-master-delacao-vira-possibilidade-remota/
Michelle Bolsonaro anuncia saída da presidência do PL Mulher após reunião com Valdemar

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) ter deixado a presidência do PL Mulher. A decisão foi comunicada, por meio de nota, após reunião dela com o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.
Ainda de acordo com Michelle, o movimento aconteceu devido ao “momento familiar” e teria acontecido para possibilitar dedicação exclusiva ao marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, declarou.
O presidente Valdemar também divulgou uma nota em que afirmou que é preciso “respeitar” a decisão de Michelle e que ela passa por um “momento difícil”. Valdemar vem tentando convencer Michelle a não desembarcar da campanha em meio ao racha familiar.
Valdemar também atribuiu as”divergências” ao crescimento do partido, mas garantiu que elas não serão maiores do que a “indignação coletiva” pela forma com que o governo federal conduziria o país. Valdemar citou o crescimento das facções criminosas como resultado da má gestão.
Os esforços de união acontecem depois de um vídeo em que Michelle fez diversas críticas a Flávio, ato que vem sendo tratado como um duro golpe por aliados, incluindo Valdemar. Desde a manifestação pública, são também cada vez mais públicos os sinais da cisão na família, como o fato de Michelle ter parado de seguir os enteados nas redes sociais – Eduardo, Carlos e Jair Renan, ou seja, todos, com exceção de Flávio.
Desde que o vídeo veio a público, dirigentes do PL passaram a atuar nos bastidores para reduzir a tensão entre dois dos principais nomes da direita. Valdemar chegou a antecipar seu retorno dos Estados Unidos para conduzir pessoalmente as conversas, afirmando a interlocutores que a legenda não poderia iniciar a disputa presidencial dividida.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/michelle-bolsonaro-anuncia-saida-da-presidencia-do-pl-mulher-apos-reuniao-com-valdemar/
PL processa Lula por suposto discurso de ódio e racismo contra SC

O Partido Liberal (PL) informou nesta terça-feira (30) ter protocolado uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por discurso de ódio contra o presidente Lula por observações feitas em uma agenda em Santa Catarina. Na última sexta (26), em Itajaí, o presidente sugeriu que seria necessário combater racismo no estado e lembrou do ditador Adolf Hitler.
Lula disse que a população “não pode permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo”, e que haveria uma suposta hegemonia branca local. Hitler ficou marcado na história pelo infame plano de purificação racial e extermínio de milhões de judeus ne Europa.
Na petição ao TSE, o partido pede aplicação de multa, a proibição de que Lula repita declarações semelhantes em eventos oficiais e a apuração de “discurso discriminatório”. O partido também solicitou que o caso seja encaminhado para Ministério Público Eleitoral (MPE) e Procuradoria Geral da República (PGR) para apuração de responsabilidades.
O governo federal ainda não comentou publicamente as declarações do presidente ou a representação do PL. A crítica do presidente tinha como alvo principal o governador do estado, Jorginho Mello (PL-SC), que tem por hábito evitar eventos públicos com Lula e não estava presente no encontro. O governo catarinense também entrou na Justiça contra a declaração.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/pl-processa-lula-por-suposto-discurso-de-odio-e-racismo-contra-sc/
Milei exalta avanço da direita na América do Sul e projeta derrota da esquerda no Brasil

O presidente argentino, Javier Milei, afirmou durante um evento da comunidade judaica em Buenos Aires que a América Latina vive um “novo despertar” com o avanço da direita, referindo-se às recentes vitórias de candidatos ideologicamente alinhados no Peru e na Colômbia.
Nesse sentido, o governante projetou uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro no Brasil, dando continuidade a essa sequência eleitoral na região.
“Hoje estamos vivendo um novo despertar em toda a região [da América Latina], onde a esquerda continua a retroceder. Primeiro, perderam no Chile, na semana passada perderam na Colômbia e já sabemos também que perderam no Peru. Espero que em outubro percam no Brasil”, declarou Milei em seu discurso na Latin America Chairman’s Conference, promovida pela comunidade judaica internacional e pela Israel Allies Foundation.
Nesta segunda-feira (29), o líder argentino postou uma foto com o senador e pré-candidato à presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no perfil oficial da Presidência Argentina e em suas contas pessoais.
No X, o governante argentino escreveu: “A onda azul está chegando ao Brasil, liderada por @flaviobolsonaro”. Flávio repostou a foto com a legenda: “Agradeço por todo o carinho e consideração! Javier Milei é um exemplo para o mundo. Que a maré azul avance por toda a América”.
A relação entre Milei e Lula tem sido tensa desde o início do mandato do presidente argentino, que repetidamente expressou apoio à família Bolsonaro, especialmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/milei-exalta-avanco-da-direita-na-america-do-sul-e-projeta-derrota-da-esquerda-no-brasil/
Defesa diz que Moraes demonstrou preocupação com saúde de Bolsonaro após reunião no STF

O advogado Paulo Cunha Bueno, que integra a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que o ministro Alexandre de Moraes demonstrou preocupação com a saúde dele durante uma reunião realizada nesta terça-feira (30) para decidir sobre a prorrogação da prisão domiciliar humanitária. O prazo do benefício de 90 dias venceu na semana passada.
Segundo a defesa, a conversa tratou principalmente do estado de saúde do ex-presidente e da arma registrada em seu nome que foi apreendida durante uma abordagem policial em Brasília. O advogado afirma que os argumentos apresentados são suficientes para justificar a continuidade do regime domiciliar.
“O Ministro relator, com muita urbanidade, deu audição atenta aos argumentos trazidos — tanto no que tange à atual situação médica, quanto à questão referente a arma havida na residência —, deixando assente sua preocupação em relação à condição de saúde e aos cuidados que vem sendo dispensados”, disse Bueno em um comunicado.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o final do mês de março após passar mais de uma semana internado em um hospital de Brasília para tratar de uma grave pneumonia bacteriana nos dois pulmões contraída no 19º Batalhão da Polícia Militar – conhecido como “Papudinha” – onde cumpria a condenação pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Tenho que os argumentos trazidos, sobre ambos os tópicos a serem apreciados, são relevantes e encontram-se com fundamentos bastantes para a manutenção do regime domiciliar, na medida em que o Presidente, à notória evidência, ostenta os requisitos de cariz humanitário a justificar a custódia domiciliar excepcional”, completou.
Outro ponto abordado pela defesa foi a apreensão do armamento em nome de Bolsonaro, em meados de junho, com um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que integra a equipe de segurança do ex-presidente. A alegação é de que estava levando o armamento para o conserto de uma pane.
Os advogados de Bolsonaro sustentam que nunca houve determinação judicial para apreensão da pistola nem qualquer comunicação sobre eventual cancelamento do registro da arma. Por esse motivo, argumentam que sua permanência na residência sempre ocorreu de forma regular.
Na última quarta-feira (24), Moraes destacou que a Lei de Execução Penal considera falta grave o condenado que “possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem”. Segundo o ministro, uma das consequências previstas para esse tipo de infração é a revogação da prisão domiciliar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, afirmou que ainda não existem elementos suficientes para caracterizar falta grave. O órgão defendeu que a decisão seja tomada somente após a conclusão das investigações sobre a apreensão da arma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/defesa-moraes-demonstrou-preocupacao-saude-bolsonaro/
PGR da Itália pede rejeição de novo pedido de extradição de Zambelli

O julgamento de um segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil acontece nesta quarta-feira (1º), na Itália. A equipe da ex-parlamentar confirmou à Gazeta do Povo que a decisão oficial já foi tomada pela Corte Suprema de Cassação e pode sair nas próximas horas.
A Procuradoria Geral do país se manifestou nesta manhã com um parecer desfavorável à nova solicitação do governo brasileiro para levar Zambelli de volta ao Brasil.
Em seus argumentos, o órgão mencionou a falta de imparcialidade do Supremo Tribunal Federal (STF) ao condenar a ex-parlamentar por perseguir armada um homem pelas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Ela foi condenada a cinco anos e três meses de prisão em agosto do ano passado.
Em maio deste ano, o colegiado de magistrados do tribunal superior italiano negou um primeiro pedido de extradição envolvendo a condenação pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os juízes entenderam, na ocasião, que o relator da ação no STF, o ministro Alexandre de Moraes, acumulou simultaneamente os papéis de vítima, investigador e julgador em diferentes etapas do processo, o que violaria o critério de imparcialidade no julgamento do processo.
No último dia 25, a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou a manifestação do Brasil sobre o segundo pedido de extradição da ex-deputada à Corte Suprema, argumentando que o parecer contém as garantias apresentadas pelo ministro do STF Gilmar Mendes sobre a eventual prisão da ex-deputada no Brasil.
“A posição do Estado brasileiro observa os parâmetros estabelecidos pelo Tratado de Extradição celebrado entre a República Federativa do Brasil e a República Italiana, bem como pelas normas internacionais aplicáveis à cooperação jurídica em matéria penal”, destacou a AGU em nota na ocasião.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/pgr-da-italia-pede-rejeicao-de-novo-pedido-de-extradicao-de-zambelli/
Gilmar diz confiar em Mendonça na condução do caso Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, destacou em sessão no plenário da Segunda Turma que as divergências com os demais colegas na Corte referentes à condução do caso Master não significam uma “desunião”.
O decano também afirmou confiar no trabalho do relator André Mendonça, responsável pelas investigações contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Gostaria de reiterar a confiança que deposito na atuação do relator e desta Segunda Turma. É importante que se diga que eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimos de desunião da Corte em relação à importância do caso e à relevância dos direitos fundamentais das pessoas investigadas”, declarou Gilmar nesta terça-feira (30).
Gilmar fez seu discurso de despedida como presidente da Turma, que, por conta do sistema de rotatividade, será presidida pelo ministro Luiz Fux.
Como mostrou o Diário do Poder, o ministro assume os trabalhos e pautas a partir de agosto, afirmando trabalhar em conjunto com Mendonça nas investigações de fraudes do Banco Master.
No entanto, a declaração vem após ele ter feito declarações contra o trabalho de Mendonça no caso.
Em uma entrevista ao programa Roda Viva, Gilmar afirmou que Mendonça havia cometido um “erro crasso” ao participar das discussões com a defesa dos investigados, visando uma possível delação premiada.
O ministro que cuida do caso rebateu, afirmando que “não prende por delação” e que não terá “delação seletiva” em seus casos.
Na sequência, Luiz Fux, ministro que vai assumir a presidência da 2ª Turma no segundo semestre, afirmou que atuará para que divergências entre os integrantes do colegiado “jamais representem discórdia”, mas “mero dissenso”.
Moraes pede nova manifestação da PGR sobre arma de Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quarta-feira (1) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente um novo parecer sobre a arma apreendida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma blitz em Brasília.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou que a arma registrada no nome do ex-chefe do Executivo não se enquadra como crime.
O magistrado relator do caso deu um prazo de 48 horas para Paulo Gonet e a defesa de Bolsonaro pra apresentarem novo manifesto.
Após não encontrar infrações ou quebra de medida cautelar no caso, a PCDF sugeriu o indiciamento do sargento Estácio Leite Filho por porte ilegal de arma de fogo.
Em sua primeira manifestação, a PGR havia defendido o fim das diligências após o depoimento de Bolsonaro aos agentes responsáveis, para defender ou não a “falta grave” durante o regime domiciliar.
Diante da nova posição do ministro, a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar só será decidida após as novas manifestações.
Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por suposta tentativa de golpe desde o dia 27 de março de 2026, após apresentar problemas de saúde quando estava na Papudinha.
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