No Brasil, delação é caminho para anular ações e livrar corruptos

Polícia Federal e PGR rejeitaram segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro. (Foto: Reprodução/Youtube Esfera Brasil)

O cenário jurídico brasileiro atravessa um momento de tensão sem precedentes, em que as cifras envolvidas em novos acordos de colaboração ou delação premiada desafiam a memória recente e a própria lógica do Estado de Direito. O contraste é puramente matemático e estarrecedor. Enquanto a maior operação anticorrupção da história nacional logrou a devolução de aproximadamente 4 bilhões de reais aos cofres públicos após anos de esforços, uma nova frente investigativa no setor bancário projeta agora a recuperação de 40 bilhões de reais.

Trata-se de uma proposta de delação que promete devolver dez vezes o valor acumulado em quase uma década de investigações sobre grandes empreiteiras e operadores financeiros. Entretanto, para além do montante astronômico, a questão central reside na eficácia do sistema de punibilidade e na real preservação da segurança jurídica no país.

A delação que agora se desenha parece ter como alvo o coração da cúpula judiciária, atingindo o que se convencionou chamar de ponto cego do combate à corrupção

O histórico recente envolvendo alguma delação demonstra um ciclo de punição e posterior anulação que gera profunda perplexidade técnica. Os principais protagonistas de ciclos investigativos anteriores encontram-se hoje em plena liberdade e com seus direitos políticos restabelecidos. Condenações foram invalidadas por erros processuais, provas foram descartadas e o próprio arcabouço investigativo foi desmantelado pelas cortes superiores, transformando bilhões de reais recuperados em uma espécie de fumaça jurídica que não impediu o retorno ao poder daqueles que foram sentenciados em múltiplas instâncias.

Diferentemente das investidas passadas, que focaram primordialmente na relação entre o setor privado e o Poder Legislativo, a delação que agora se desenha sobre o Banco Master parece ter como alvo o coração da cúpula judiciária, atingindo o que se convencionou chamar de ponto cego do combate à corrupção.

A complexidade do momento aumenta ao se observar o rito de homologação dessa delação envolvendo o Banco Master. Quando denúncias de tamanha gravidade recaem sobre pares daqueles que devem julgar a validade da colaboração, o conflito de interesses torna-se uma sombra inescapável sobre o processo. Sinais de resistência ao avanço dessas delações já são perceptíveis nos tribunais, sob justificativas de ritos formais que parecem ganhar uma rigidez seletiva quando o conteúdo atinge o topo da pirâmide estatal. Para o mercado, o fenômeno é um indicativo de que as regras do jogo são mutáveis conforme o status e a rede de influência do investigado.

A insegurança jurídica consolidada por esse cenário envia uma mensagem devastadora ao investidor e ao contribuinte local. Os 40 bilhões de reais em questão não são recursos abstratos, mas valores retirados da economia real. Se o sistema permitiu a neutralização de um esforço bilionário anterior, a dúvida sobre o destino desta nova frente é legítima e urgente.

O risco iminente é que o Brasil ratifique a imagem de um ambiente em que a impunidade é uma característica intrínseca de autoproteção das elites. Em um tabuleiro em que o passado é constantemente reescrito, a proteção do patrimônio torna-se um exercício de resistência contra a volatilidade das instituições. O desfecho deste impasse definirá se o Brasil pretende ser uma democracia de leis ou um cenário de riscos imprevisíveis, no qual o rigor da justiça recua precisamente no ponto em que os interesses da cúpula estatal são confrontados.

Willian Jasinski é advogado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/no-brasil-delacao-e-caminho-para-anular-acoes-e-livrar-corruptos/

Luciano Trigo

O que o iPhone de Roberto Carlos diz sobre o Brasil

A cena do ex-jogador Roberto Carlos usando um celular de ouro apareceu durante a transmissão de Brasil x Escócia, disputado na última quarta-feira (24). (Foto: Reprodução/YouTube/CazeTV)

O episódio durou apenas alguns segundos. Na semana passada, na transmissão de um jogo da Copa, o ex-jogador da seleção brasileira Roberto Carlos apareceu usando um iPhone revestido de ouro. Bastou esse gesto para que as redes sociais fizessem o que fazem melhor: transformar um detalhe em acontecimento. Houve quem enxergasse apenas uma demonstração de mau gosto, quem visse uma extravagância inofensiva e quem aproveitasse a cena para condenar a desigualdade brasileira.

O verdadeiro protagonista daquela cena talvez nem fosse Roberto Carlos. Era o Brasil olhando para ele.

Objetos de luxo raramente são apenas objetos. Um relógio de centenas de milhares de reais não serve apenas para marcar as horas, assim como um celular de ouro não melhora chamadas nem acelera aplicativos. Seu verdadeiro valor está na mensagem que transmitem: tornam visível uma posição social.

Essa mensagem silenciosa desperta emoções contraditórias porque toca em uma das ambiguidades mais persistentes da sociedade brasileira. Gostamos de nos definir como uma sociedade sensível às injustiças da desigualdade, e nossa política está repleta de discursos sobre inclusão, redistribuição de renda e combate aos privilégios.

Ao mesmo tempo, poucas coisas capturam tanto a atenção do brasileiro comum quanto a exibição do luxo: as mansões de artistas, os carros de jogadores, os relógios de empresários ou as bolsas das influenciadoras.

Criticamos o excesso, mas consumimos avidamente sua encenação. A riqueza se converte em espetáculo, e para esse espetáculo nunca falta plateia

É tentador explicar a ostentação como um defeito de caráter, uma manifestação de vaidade ou narcisismo. Mas, para pessoas que experimentaram uma ascensão social extraordinária, especialmente quando partiram de condições muito modestas, certos objetos cumprem uma função que vai muito além do consumo. Eles ajudam a consolidar uma nova identidade.

A biografia de Roberto Carlos é uma história clássica de mobilidade social. Ele não nasceu cercado de privilégios. Tornou-se um dos maiores laterais da história do futebol graças a um talento excepcional, demonstrado em alguns dos maiores clubes do mundo. Mas subir economicamente não significa, necessariamente, sentir-se plenamente instalado em um novo universo simbólico. O dinheiro muda de endereço mais depressa do que a percepção que temos de nós mesmos. É possível enriquecer rapidamente. Muito mais difícil é deixar de se sentir pobre.

É aí que o celular de ouro ganha significado. Pode parecer um gesto de arrogância, mas também revela algo menos evidente: a necessidade permanente de confirmar uma conquista que, embora objetiva, nunca deixa de parecer improvável para quem conhece a própria origem. Ostenta-se não porque se duvide da opinião dos outros, mas porque ainda se tenta silenciar a voz interior que insiste em lembrar de onde se veio.

Não é por acaso que o economista Thorstein Veblen descreveu, ainda no século XIX, o consumo ostensivo como uma forma de comunicação social. Alguns bens são comprados porque podem ser vistos. O valor está menos na utilidade do objeto do que naquilo que ele anuncia sobre seu proprietário.

As redes sociais radicalizaram essa lógica. Durante boa parte da história, a riqueza era patrimônio; hoje ela também é conteúdo. Há restaurantes em que o prato esfria enquanto o celular procura o melhor ângulo para a fotografia. A viagem parece começar pela postagem, não pelo embarque. A economia da atenção transformou a visibilidade em ativo. Mostrar parece tão importante quanto possuir.

Um celular dourado deixa de ser um simples telefone para se transformar em um artefato narrativo. Cada pessoa projeta nele seus desejos, ressentimentos, admirações ou frustrações. Mas seria um erro imaginar que esse mecanismo pertence apenas às celebridades. Ele atravessa toda a sociedade brasileira.

O Brasil sempre atribuiu enorme importância aos sinais visíveis de posição social. Em países onde as fronteiras entre as classes são menos rígidas, a riqueza costuma ser exibida com relativa discrição. Aqui ocorre o contrário: o consumo funciona como um idioma de reconhecimento. Roupas, carros, relógios e viagens ajudam a responder, antes mesmo que alguém pergunte, quem ocupa qual lugar na hierarquia social. Isso revela a nossa dificuldade em separar o sucesso de seus adornos.

Essa necessidade de sinalização se torna ainda mais intensa quando a ascensão é recente. O dinheiro compra patrimônio imediatamente, mas pertencimento leva muito mais tempo. Quem enriquece continua carregando consigo hábitos, referências e inseguranças formadas ao longo de décadas. Não surpreende que muitos recorram justamente aos símbolos mais visíveis da prosperidade para reduzir essa distância. É uma tentativa de acelerar o processo.

Cenas como essa provocam tanto debate porque funcionam como testes de personalidade coletiva. Alguns reagem com admiração, outros com indignação, outros ainda com humor, mas ninguém permanece indiferente. A verdadeira notícia nunca foi o aparelho. Foi a intensidade das reações que ele provocou. Porque, no Brasil, a desigualdade não organiza apenas a distribuição da renda. Ela também organiza a imaginação. E é por isso que, às vezes, um celular consegue revelar mais sobre um país do que uma biblioteca inteira de estatísticas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/o-que-o-iphone-de-roberto-carlos-diz-sobre-o-brasil/

Guinada à direita e resposta ao terremoto na Venezuela desafiam protagonismo de Lula no Mercosul

Lula passará a conviver com Mercosul mais à direita após eleições em países vizinhos. (Foto: André Borges/EFE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Assunção, nesta terça-feira (30), para a cúpula do Mercosul diante do cenário regional mais adverso desde o início do terceiro mandato. A consolidação de governos de direita entre países do bloco reduziu a margem de articulação política do Palácio do Planalto. Paralelamente, a resposta internacional aos terremotos que devastaram a Venezuela acrescentou um novo elemento ao debate sobre a liderança regional.

Para a analista política Yolanda Tolentino, especialista em política e gestão estratégica internacional pela FAAP e UFRJ, a mudança do mapa político sul-americano reduziu a margem de articulação do presidente brasileiro. “Lula chegou ao terceiro mandato em 2023 com uma maioria regional. Três anos depois, esse cenário se inverteu completamente. O Brasil deixa de falar em nome de uma maioria e passa a operar como exceção dentro do próprio Mercosul.”

Esse cenário, segundo analistas, tende a marcar as discussões da cúpula em Assunção, onde Lula encontrará interlocutores com prioridades políticas distintas das defendidas pelo Palácio do Planalto. 

No que diz respeito à tragédia na Venezuela, embora o Brasil tenha anunciado o envio de ajuda humanitária, a avaliação é de que a resposta brasileira ficou aquém da capacidade e os analistas apontam uma perda de oportunidade de afirmar sua liderança regional.

“Atualmente, a ajuda humanitária integra o conjunto de instrumentos do chamado soft power. Embora tenha como objetivo principal salvar vidas e reduzir o sofrimento, ela também comunica capacidade logística, liderança política e compromisso internacional. Quem consegue mobilizar rapidamente aeronaves, equipes de resgate, hospitais de campanha e assistência técnica demonstra liderança e fortalece sua influência diplomática”, afirma Cezar Roedel, consultor de relações internacionais.

Participação reduzida reforça enfraquecimento 

Lula viaja para o Paraguai na manhã de terça-feira e retorna no mesmo dia para participar do lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto. A pauta da cúpula do Mercosul deve ser marcada por tratativas relacionadas ao avanço das negociações comerciais com parceiros externos e à modernização das regras do bloco.

O encontro ocorre em um momento de reconfiguração política na América do Sul, com a ascensão de governos de direita entre integrantes e países associados.

Três anos depois de Lula tomar posse para o terceiro mandato, as eleições de presidentes conservadores em países como Argentina, Chile, Equador e Peru reduziram a convergência política do Palácio do Planalto na América do Sul.

Yolanda Tolentino avalia que a estratégia brasileira passou a depender das negociações bilaterais em temas específicos, como infraestrutura e segurança, em vez de uma articulação baseada em convergência ideológica. Apesar disso, o presidente brasileiro não tem previsão de reuniões bilaterais na agenda.

“O Mercosul funciona por consenso. O Brasil operava num bloco em que aliados sustentavam boa parte da agenda comum. Hoje encontra resistência em temas como integração política, direitos humanos e agenda ambiental. O Mercosul torna-se cada vez mais um acordo comercial, e não o projeto político de integração regional que o Brasil sempre defendeu”, explica a analista. 

O contexto também afasta o petista de um dos pilares de seus discursos de campanha: a busca pela retomada do protagonismo global. “Lula está longe de qualquer protagonismo. O PT sempre vendeu a ideia de que tem uma política externa proeminente, mas não passa de uma fórmula vencida, que colocou a diplomacia em seu pior momento histórico”, avalia o consultor de relações internacionais Cezar Roedel.

Enquanto o governo Lula se senta à mesa para debater o Mercosul, o pré-candidato à Presidência senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca estreitar os laços com o presidente argentino. Javier Milei, que já deixou de encontrar Lula para prestigiar o ex-presidente Jair Bolsonaro no CPAC realizado em 2024, esteve com Flávio no domingo, na Argentina. Após o encontro, o argentino apostou em uma “onda azul pelas mãos de Flávio”.

Tragédia na Venezuela tornou-se um teste de liderança regional 

A mudança na correlação política coincidiu com um dos maiores desastres naturais da história recente da América do Sul. Os terremotos que atingiram a Venezuela desencadearam uma ampla mobilização internacional e transformaram a ajuda humanitária em mais um elemento da disputa por influência regional. 

Segundo Cezar Roedel, quem consegue mobilizar rapidamente aeronaves, equipes de resgate, hospitais de campanha e apoio logístico fortalece sua imagem internacional. “O tempo é um fator estratégico. A velocidade da resposta influencia a percepção sobre capacidade de liderança.”

O governo brasileiro já enviou três voos com ajuda humanitária ao país vizinho. De acordo com o Itamaraty, os envios somam um total de 71 bombeiros, um hospital de campanha operado por 48 efetivos da Marinha, 100 purificadores de água e mais de 111,8 mil medicamentos e insumos médicos. A ajuda, apesar de expressiva, foi considerada aquém das capacidades do Brasil.

O cientista político Elton Gomes pondera que o Brasil deu mostras de querer enviar ajuda rapidamente. “Mas, diante da gravidade da circunstância e do ambiente político, acabou não sendo tão célere nem enviando tantos recursos quanto poderia”, aponta.

Segundo Gomes, a estrutura enviada pelo governo brasileiro representa uma contribuição relevante, mas poderia ter sido acompanhada de maior mobilização de pessoal. 

Yolanda Tolentino ressalta que o envio de equipes de resgate constrói imagem e gera capital diplomático, mas não reconstrói a capacidade de articulação institucional que o país perdeu com a virada conservadora do continente. “O Brasil que lidera nos escombros da Venezuela precisa ser o mesmo que consegue pautar o Mercosul. Por enquanto, são dois Brasis distintos”, compara.

Países respondem à tragédia na Venezuela em ritmos e escalas diferentes 

Diversos países pelo mundo responderam com ajuda humanitária ao caos causado pelos terremotos na Venezuela. No continente americano, destacam-se o Brasil, os Estados Unidos, a Argentina e El Salvador. Com exceção do Brasil, esses países possuem governos que não se alinham politicamente ao regime venezuelano.

O Brasil, por exemplo, mobilizou aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira para transportar equipes de busca e salvamento, bombeiros, cães farejadores, medicamentos, kits de calamidade e um hospital de campanha modular. A operação foi ampliada com módulos complementares do hospital, além de insumos médicos suficientes para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês.  

Os Estados Unidos anunciaram um pacote de ajuda de US$ 150 milhões, ativaram equipes de busca e resgate urbano, força-tarefa do Departamento de Estado e apoio aéreo e logístico para transporte de suprimentos. Os norte-americanos também suspenderam algumas sanções impostas contra o país para facilitar a chegada de ajuda.

Desde o dia seguinte à tragédia, o Comando Sul dos EUA (Southcom) está presente em Caracas por meio de seus militares e tem atualizado os envios e ações de socorro enviados à Venezuela. De acordo com as informações divulgadas, pelo menos 100 militares da Força Aérea e 130 membros do Corpo de Fuzileiros Navais atuam na missão. Somente nesta segunda-feira (29), seis aeronaves de carga C-17 Globemaster da Força Aérea dos EUA chegaram ao país.

A operação conta também com um grupo naval liderado pelo navio de transporte anfíbio americano USS Fort Lauderdale, empregado como plataforma para helicópteros, coordenação das missões e apoio médico. Além disso, membros do serviço do Elemento de Resposta de Contingência (CRE, na sigla em inglês) da Força Aérea dos EUA estão gerenciando as operações de torre e solo no Aeroporto Internacional Simón Bolívar para ajudar voos humanitários internacionais a pousarem com segurança, descarregarem carga de forma organizada e levarem suprimentos críticos para as linhas de frente.

A Argentina enviou equipes de bombeiros especializados em estruturas colapsadas, profissionais de saúde e integrantes da Defesa Civil para reforçar as operações coordenadas pelas autoridades venezuelanas e organismos internacionais. Equipamentos, medicamentos, tendas, kits de cozinha, colchões e macas também foram enviados em pelo menos três voos que já chegaram à Venezuela. Argentinos também estão colaborando com assistência na reabilitação do aeroporto de Caracas, que foi danificado pelos tremores.

Já El Salvador despachou um contingente de pelo menos 300 resgatistas das forças de busca e salvamento urbano (USAR), bombeiros, paramédicos, cães farejadores e equipamentos para operações em áreas de desabamento. Pelo menos seis voos partiram do país com 50 toneladas de ajuda humanitária para a Venezuela. 

O presidente salvadorenho Nayib Bukele tem destacado o empenho do país na situação publicando uma série de vídeos de resgates feitos pelas equipes enviadas por ele. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/guinada-direita-resposta-terremoto-venezuela-desafiam-protagonismo-lula-cupula-mercosul/#cxrecs_s

Como a guinada à direita na América do Sul desafia Lula no Mercosul?

Lula passará a conviver com Mercosul mais à direita após eleições em países vizinhos. (Foto: André Borges/EFE)

O presidente Lula desembarca em Assunção nesta terça-feira (30) para a cúpula do Mercosul. Ele enfrenta um cenário adverso, com a consolidação de governos de direita na região e críticas à velocidade da ajuda brasileira após os terremotos que devastaram a Venezuela.

Qual é o principal desafio político de Lula nesta cúpula do Mercosul?

O principal desafio é o isolamento ideológico. Diferente do início de seu mandato em 2023, quando havia uma maioria de governos progressistas, o mapa político sul-americano mudou. Com a eleição de presidentes conservadores na Argentina, Chile, Equador e Peru, o Brasil deixou de ser a voz da maioria e passou a ser uma exceção no bloco, enfrentando resistência em agendas ambientais e de direitos humanos.

Como a tragédia na Venezuela afeta a liderança regional do Brasil?

A resposta aos terremotos na Venezuela tornou-se um teste de influência. Especialistas avaliam que o Brasil perdeu a chance de reafirmar sua liderança, pois enviou ajuda de forma menos célere e em menor escala do que sua capacidade produtiva permitiria. Países como os Estados Unidos e até vizinhos como El Salvador e Argentina mobilizaram recursos vultosos, o que gera uma percepção de perda de protagonismo diplomático brasileiro.

O que mudou no funcionamento interno do Mercosul hoje?

O bloco caminha para ser prioritariamente um acordo comercial, afastando-se do projeto de integração política defendido pelo PT. Como o Mercosul funciona por consenso, a falta de convergência ideológica obriga o Brasil a focar em negociações bilaterais sobre infraestrutura e segurança, já que temas mais subjetivos ou políticos encontram barreiras entre os novos governos de direita.

Quem são os novos interlocutores e como eles se relacionam com o governo brasileiro?

Lula encara interlocutores com prioridades opostas às do Planalto. Um exemplo marcante é Javier Milei, da Argentina, que tem evitado encontros com o presidente brasileiro enquanto prestigia figuras da oposição nacional, como o senador Flávio Bolsonaro. Essa divisão enfraquece a articulação do Brasil dentro do bloco e dificulta a retomada do protagonismo global que Lula buscava no início de seu mandato.

Qual ajuda humanitária o Brasil enviou efetivamente à Venezuela?

O governo enviou três voos com 71 bombeiros, um hospital de campanha da Marinha com 48 efetivos, purificadores de água e cerca de 111 mil medicamentos. Embora significativa, a estrutura foi modesta se comparada aos US$ 150 milhões e às seis aeronaves de carga enviadas pelos EUA, ou ao envio massivo de socorristas por El Salvador, o que acirra a disputa regional pelo chamado ‘soft power’ (influência por meio de ações de cooperação).

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/como-a-guinada-a-direita-na-america-do-sul-desafia-lula-no-mercosul/

Caso Master ameaça mandato de Hugo Motta, mas rede de proteção pode impedir cassação

Hugo Motta conta com apoio de Lula contra movimento que ameaça mandato e comando da Câmara. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A associação do nome de Hugo Motta (Republicanos-PB), com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na operação Compliance Zero, pode dar margem para a cassação do presidente da Câmara dos Deputados, especialmente com o possível aprofundamento das investigações da Polícia Federal. Mas as revelações até o momento ainda não produziram o movimento político necessário para ameaçar de forma concreta o comando do deputado paraibano.

A comparação com o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), cassado por quebra de decoro parlamentar em 2016, é inevitável nos corredores da Casa em Brasília. Ele foi acusado de mentir à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, quando disse que não tinha contas no exterior, o que acabou desmentido por autoridades da Suíça. Mas os analistas políticos são unânimes: o cenário hoje é outro, e o tempo joga a favor de Motta.

Atual presidente da Câmara, Motta conta com o apoio das lideranças do Centrão e, ao contrário do que ocorreu com Cunha, também do governo Lula. A leitura predominante entre especialistas é que, em ano eleitoral, ninguém no Congresso tem interesse em abrir uma crise de grandes proporções.

O nome de Motta entrou nas investigações da Compliance Zero a partir de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Segundo relatórios da PF, com sigilo derrubado pelo STF, as conversas indicam que o presidente da Câmara teria solicitado ao banqueiro a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões para uma empresa ligada à cunhada dele.

Questionado, Motta não confirmou ter solicitado o empréstimo, mas sustentou que a operação foi regular. “O empréstimo está dentro da legalidade”, defende. A polícia investiga se houve contrapartida parlamentar, o que, se confirmado, configuraria em corrupção e quebra de decoro. Ele também esteve em uma degustação de uísque em 2024 em Londres, com outras figuras públicas, que custou quase US$ 641 mil (pouco mais de R$ 3 milhões no câmbio à época).

Para o cientista política Antônio Testa, o destino político de Motta depende diretamente do ritmo e dos resultados da investigação. Se a troca de favores for comprovada, a proteção do governo tende a evaporar. “O governo Lula já está desgastado demais. Os episódios de Jaques Wagner e Motta aprofundariam a crise ainda mais”, afirma.

Regimento interno da Câmara abre caminhos para cassação

O regimento interno da Câmara não prevê rito diferenciado para o presidente da Casa: o processo de cassação começa com uma representação partidária à Mesa Diretora, que, se reconhecer a admissibilidade, autoriza o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a abrir a investigação. No entanto, o presidente da Câmara comanda a Mesa Diretora e dificilmente conduziria um processo contra si.

O precedente de Eduardo Cunha ilustra bem o impasse. Em 2016, o STF precisou intervir para afastá-lo do cargo antes que o processo fosse ao Conselho de Ética. No caso de Motta, o caminho seria semelhante, e igualmente tortuoso.

O cientista político Sérgio Praça, da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), avalia que a probabilidade de um movimento político organizado contra Motta é baixa, mas não descarta mudanças no cenário político caso as investigações avancem. “Pode ser que amanhã surja alguma coisa a mais e mude essa realidade. Por enquanto, o Legislativo prioriza o que precisa ser votado, rapidamente, até o início de agosto para focar nas eleições”, avalia.

O cientista político Antônio Testa reconhece que um partido sem vínculos com o esquema investigado poderia protocolar o pedido de cassação, mas pondera sobre os custos políticos do movimento. “Na prática, o que está em jogo são as eleições. Tirar Motta do comando da Câmara mudaria todo o tabuleiro, mas não sei se algum grupo político conseguiria”, opina.

A operação Compliance Zero não tem prazo de encerramento definido e, mesmo que chegasse a uma conclusão imediata, o rito entre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e o julgamento final no STF levaria até dois anos. Na Câmara, o processo de cassação de Eduardo Cunha consumiu mais de sete meses no Conselho de Ética e foi ao plenário somente após 11 meses do início da tramitação.

O cenário político de hoje, segundo Testa, é estruturalmente diferente daquele que derrubou Cunha. O ex-presidente da Câmara brigou com o governo e o PT, e acabou ficando isolado. Motta, ao menos por ora, tem o oposto: uma base ampla, um Executivo que precisa dele e uma investigação ainda em curso. “Os partidos que fazem parte da base do governo foram os responsáveis por pedir a saída de Cunha do comando da Câmara”, lembra.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/caso-master-ameaca-mandato-hugo-motta-rede-de-protecao-pode-impedir-cassacao/

Alexandre Garcia

Autoridades nas festinhas de Vorcaro violam o princípio da moralidade

“Noite das Astronautas” bancada por Vorcaro em Nova York teria custado quase R$ 4 milhões. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, está agora contando bastidores da política brasileira – ele deve conhecer bem esses caminhos, porque já andou metido nisso, foi condenado, esperneou bastante. Agora está lá, gravando, e prestando um serviço porque está chamando a atenção para certas coisas. Ele disse que houve um bacanal – o termo é esse mesmo; não sei se Garotinho falou em “bacanal”, mas o que ele descreve é exatamente isso, com eslavas nuas. Vejam a ironia, porque “eslavo” é o que originou o inglês slave, “escravo”; alguns povos pegavam os eslavos como escravos, e agora pegam essas “escravas brancas” que vêm lá do Leste Europeu. Elas estavam nuas, segundo o Garotinho, só com capacete de astronauta. E os convidados dessa festinha? Autoridades dos três poderes, deputados, senadores, ministros…

Segundo Malu Gaspar, a “noite das astronautas” aconteceu na suíte presidencial de um hotel em Nova York e custou quase R$ 4 milhões, pagos por Daniel Vorcaro, esse grande anfitrião – ou poderíamos chamar de “cafetão”? A história da festa já era conhecida; a novidade é que Garotinho afirma que há um vídeo, que ele tem esse vídeo, e que já está nas redes sociais. Eu fico imaginando a situação das mulheres desses homens que lá estavam, mas especialmente nos filhos, que, quando virem isso, passarão a conhecer os pais.

Isso foi para o Tribunal de Contas da União (TCU), que não encontrou nenhum dinheiro público bancando isso e, portanto, não podia fazer nada. Mas a Constituição diz, no artigo 37, que o serviço público nos seus três níveis (municipal, estadual e federal) e nos três poderes (Legislativo, Executivo, Judiciário) tem de obedecer ao princípio da moralidade; qualquer pessoa que contrarie esse princípio está violando a Constituição e, teoricamente, teria de deixar o serviço público, seja o cargo eletivo ou não.

Vereador do PT preso pediu afastamento para escândalo não respingar no partido?

O vereador Senival Moura, de São Paulo, que estava no sexto mandato e é presidente da Comissão de Transportes da Câmara, está preso, por suspeita de ligação com o PCC, usando uma empresa de ônibus chamada Transunião; há acusações de homicídio de um ex-diretor da Transunião, tudo com o PCC no meio. Agora, ele pediu afastamento do PT. Decerto alguém lhe disse que vai prejudicar o Lula na eleição, vão pensar que o PT tem ligação com isso, já que ele estava tendo um “diálogo cabuloso”, como disse uma vez um preso do PCC que foi grampeado, lá em 2019: “Os caras [o governo Bolsonaro] tão no começo do mandato dos cara, você acha que os cara já começou o mandato mexendo com nois irmão. Já mexendo diretamente com a cúpula, irmão. (…) Pra você ver, o PT com nóis tinha diálogo. O PT tinha diálogo com nóis cabuloso, mano”, dizia o detento.

Governo é rápido para desalojar produtor rural, mas garimpo ilegal do CV funciona por anos

Por que o governo federal se ocupa tanto em expulsar de suas terras plantadores de cacau, de milho, criadores de gado suíno e gado bovino no Pará? São famílias inteiras, e dá uma pena enorme, porque queimam as máquinas, o gado some, às vezes há agressões, até já houve um revide. E só agora – o Fantástico mostrou domingo – descobriram o Comando Vermelho praticando garimpo (algo que o pessoal da Amazônia já sabia) em uma extensa área da nação Nhambiquara, na terra dos Sararé, no oeste do Mato Grosso. É um ouro que sai ilegalmente do país, e em troca entram armas bem modernas e drogas. Uma extensa área foi destruída; a polícia chegou de surpresa e encontrou lá 153 quilos de ouro, 4 toneladas de explosivos (usados para abrir caminho), 31 escavadeiras e 800 bombas hidráulicas. Foram presas 32 pessoas.

Mas tudo isso só aconteceu depois de três anos de funcionamento desse garimpo. E não é só Comando Vermelho; o PCC também está na Amazônia. E o governo, hipócrita, vem falar em “soberania”. É mais fácil retirar o trabalhador que vem do Ceará, do Piauí, do Maranhão, para produzir e ocupar. Território desocupado não é exatamente nacionalizado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/festas-vorcaro-noite-astronautas/

Ligação do PT ao PCC foi denunciada por Marcos Valério, operador do Mensalão

A oposição sempre denuncia as relações do PT de Lula com o PCC para explicar as omissões do governo no combate ao crime organizado, mas a primeira acusação não é recente. O operador do mensalão Marcos Valério, das entranhas do petismo, contou à PF ter ouvido do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira que o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel foi morto em 2002 após seu dossiê sobre financiamento eleitoral ilegal petista via bingos e empresas de ônibus ligados ao PCC.

Senival, a missão

A prisão semana passada do vereador Senival Moura (PT), suspeito de submissão ao PCC desde 2014, pode indicar que a ligação se manteve.

Ligação cabulosa

Em 2019, áudios de presos do PCC mencionaram “diálogo cabuloso” dos integrantes da organização criminosa com governos do PT.

Companheirada protegida

Em 2006, nos ataques do PCC em SP, presos grampeados indicaram em conversas telefônicas que não atacariam alvos do PT.

Sob controle do PCC

Dirigentes do PT já foram acusados de ligação a perueiros e empresas controladas pelo PCC para lavagem de dinheiro e contratos públicos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/ligacao-do-pt-ao-pcc-foi-denunciada-por-marcos-valerio-operador-do-mensalao

Flávio encontra Milei e prevê vitória da direita no Brasil

Presidente da Argentina, Javier Milei e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – (Foto: Redes Sociais)

O senador Flávio Bolsonaro se reuniu nesta segunda-feira (29), em Buenos Aires, com o presidente da Argentina, Javier Milei.

O encontro ocorreu durante a visita oficial do parlamentar brasileiro ao país vizinho, onde também participou da Latin America Chairmen’s Conference, evento promovido pela comunidade judaica internacional.

Durante discurso no evento, Flávio afirmou que muitos brasileiros observam com “um pouco de inveja” o avanço de governos de direita em diversos países da América do Sul.

Segundo ele, nações da região estariam optando por políticas voltadas à liberdade econômica e à ordem, enquanto o Brasil ainda seguiria um caminho diferente.

O senador declarou que acredita em uma mudança desse cenário nas eleições presidenciais deste ano.

Na mesma fala, Flávio fez críticas à condução econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogiou as medidas adotadas por Milei desde que assumiu a Presidência argentina.

O parlamentar também afirmou que, caso a direita retorne ao comando do Palácio do Planalto, o Brasil deverá fortalecer novamente sua relação política com a Argentina.

Após a reunião, Milei publicou uma fotografia ao lado de Flávio Bolsonaro em suas redes sociais.

Na mensagem, o presidente argentino escreveu que a “onda azul” chegará ao Brasil, em referência ao crescimento de governos identificados com a direita em países sul-americanos.

A imagem também foi divulgada pelos canais oficiais do governo argentino.

A agenda de Flávio em Buenos Aires faz parte de uma série de compromissos internacionais voltados ao diálogo com lideranças políticas e representantes da comunidade judaica.

O encontro com Milei ocorreu na residência oficial da Presidência argentina, a Quinta de Olivos, e reforçou a aproximação entre os dois políticos, que já haviam manifestado posições convergentes em temas econômicos e de política internacional.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/exteriores/flavio-encontra-milei-e-preve-vitoria-da-direita-no-brasil

Rodrigo Constantino

A máquina: Lula aposta tudo na reeleição – e a direita perde tempo com fogo amigo

Lula luta contra rejeição para tentar se reeleger neste ano. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Deu na Folha de SP “Lula libera R$ 520 milhões para propaganda antes da eleição, mais que o dobro de Bolsonaro em 2022”. Segundo o jornal, a campanha do governo de maior valor até aqui tem custo estimado em R$ 150 milhões e o slogan “conectando entregas e futuro”. É uma propaganda classificada como de posicionamento, com objetivo de distribuir anúncios sobre diversas bandeiras da gestão petista.

A essa montanha de recursos para propaganda se soma todo o gasto com estímulos econômicos e renúncias fiscais, que já ultrapassam R$ 200 bilhões. Boa parte disso está fora do orçamento, ou seja, resgata as “pedaladas fiscais” do governo Dilma Rousseff. Lula vem aquecendo a máquina para ser reeleito, com propaganda de governo, assistencialismo e acenos para todas as camadas, dos mais pobres aos mais ricos. A fatura é empurrada para depois das eleições, como todo regime populista faz.

O grande inimigo da reeleição de Lula é o mercado: toda vez que o povo vai às compras, sente no bolso o custo petista. Outro inimigo é a rua: toda vez que o povo é roubado ou se sente ameaçado simplesmente por sair de casa

Não obstante, Lula ainda tem uma rejeição muito elevada, por conta da inflação, da corrupção e do seu radicalismo. Se ele fosse enfrentar um candidato sem qualquer telhado de vidro, moderado e com apoio do bolsonarismo, sua situação estaria mais complicada. Mas se seu adversário for Flávio Bolsonaro no segundo turno, isso poderá lhe trazer algumas vantagens.

Lula poderia até jogar parado pela quantidade de erros da campanha bolsonarista. Na semana em que explode o escândalo do Banco Master envolvendo Jaques WagnerMichelle Bolsonaro solta um vídeo bastante negativo contra Flávio. Pouco depois, o próprio Eduardo Bolsonaro fala em “moer” a “direita limpinha”. Seu aliado próximo, Paulo Figueiredo, afirma que as mulheres votam mal e dobra a aposta depois de péssima repercussão, subindo o tom. Kim Paim, outro aliado próximo de Eduardo, disse que o eleitor do Paraná é “tapado” porque Sergio Moro lidera as pesquisas para o governo do estado.

Com uma direita dessas, produzindo intrigas diárias, gastando quase 100% de sua energia em “fogo amigo”, Lula nem precisaria usar essa máquina toda. Mas ele luta contra seu maior adversário, que é sua própria gestão irresponsável e corrupta. O grande inimigo da reeleição de Lula é o mercado: toda vez que o povo vai às compras, sente no bolso o custo petista. Outro inimigo é a rua: toda vez que o povo é roubado ou se sente ameaçado simplesmente por sair de casa, essa sensação de medo depõe contra o governo que chama traficante de “vítima dos usuários”.

Após o término da Copa do Mundo, as campanhas vão começar para valer. Lula tem a máquina na mão, e não tem melindre algum em usá-la da forma mais nefasta possível. A oposição vai precisar de estratégia e união para ter alguma chance de vitória. Até aqui vem cometendo muitos erros, para deleite do PT. Tomara que tome juízo e foque na real prioridade do país: impedir mais quatro anos de desgoverno lulista.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/maquina-lula-reeleicao-direita-fogo-amigo/

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