
A linha do tempo traçada pela Polícia Federal que resultou na batida policial nos endereços do líder de Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mostra que quando o presidente petista recebeu o Daniel Vorcaro em segredo, fora da agenda, o senador da Bahia e Augusto Lima, sócio de Vorcaro, também alvo dos federais na operação de ontem (18), já mantinham frenética troca de mensagens com negociações milionárias, como a “compra” do apartamento de R$2,45 milhões em Salvador (BA).
Quase um escambo
Foi em 4 de dezembro de 2024 a reunião de Vorcaro, Lula e Lima. Oito dias antes, Wagner e o banqueiro trocavam mensagens sobre o imóvel.
Feijão da mesma concha
Rui Costa (ex-Casa Civil) também esteve na reunião. Wagner era seu secretário na Bahia quando o Credcesta entrou nos negócios do Master.
Copaternidade?
Em 13/08/24, Lima e Wagner fizeram chamada de 9min19s. Foi quando a “Emenda Master” foi apresentada. Lima mandou o link ao senador.
Companheiro Jaques
Enquanto a PF revirava a casa do senador atrás de provas de mutreta, Lula ligou para o baiano para, diz ele, manifestar “solidariedade”.
Quem é Jaques Wagner e por que ele é alvo da Polícia Federal?

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, colocando o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, como beneficiário de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master, incluindo um imóvel de luxo e voos privados, gerando uma crise no Palácio do Planalto.
Quais são as principais suspeitas contra o senador Jaques Wagner?
A Polícia Federal investiga se o senador recebeu benefícios ilegais, como um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de jatinhos particulares e ingressos para shows internacionais. Há também indícios de repasses que somam R$ 3,5 milhões para empresas ligadas à sua família. Os investigadores acreditam que esses mimos não eram apenas cortesia entre amigos, mas sim uma troca por favores políticos no Congresso Nacional.
Como o Banco Master teria sido beneficiado nessa relação?
As investigações apontam que Wagner teria atuado em temas estratégicos para a instituição financeira. Isso inclui propostas para ampliar o crédito consignado (empréstimos descontados direto no salário ou aposentadoria) e mudanças em regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o mecanismo que protege o dinheiro dos investidores se um banco quebrar. Além disso, o senador acompanhava de perto o interesse do banco em ser comprado pelo Banco de Brasília (BRB).
Quem são os outros envolvidos citados pela operação?
O enteado de Jaques Wagner, Eduardo Sodré Martins, que é secretário de Meio Ambiente na Bahia, também é alvo. Planilhas indicam pagamentos de R$ 2,3 milhões destinados a ele. Outra figura central é o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do dono do Banco Master. A relação entre eles teria começado em 2017, durante a privatização de uma empresa estatal de alimentos na Bahia, onde surgiu o produto financeiro CredCesta.
Qual foi a reação do senador e do governo Lula?
Jaques Wagner nega as irregularidades. Ele afirma que o apartamento foi uma negociação particular para ajudar a filha e que o dinheiro em espécie encontrado em seus endereços vem de diárias de viagens oficiais. O presidente Lula manifestou solidariedade ao aliado. No entanto, nos bastidores do Planalto, auxiliares demonstram preocupação com o desgaste político e discutem se ele deve deixar a liderança do governo para focar na defesa.
O que a oposição diz sobre o caso?
Integrantes da oposição afirmam que as suspeitas não são novas e já vinham sendo levantadas em comissões parlamentares. Para eles, a operação confirma uma conexão profunda entre nomes do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia e o crescimento acelerado do Banco Master. Políticos adversários usam o episódio para criticar a narrativa ética do governo e preveem que o escândalo ganhará força durante a campanha eleitoral de 2026.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/quem-e-jaques-wagner-e-por-que-ele-e-alvo-da-policia-federal/
STF compra briga com autoridades estrangeiras em meio à desmoralização internacional

As reiteradas negativas de extradição de exilados do Brasil e o reconhecimento cada vez mais amplo, no cenário global, da politização do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a colocar ministros da Corte contra a parede, levando-os a reagir em tom defensivo e a reforçar, nas próprias reações, o caráter político de sua atuação.
As respostas a governos e tribunais estrangeiros, feitas por meio de notas oficiais, publicações nas redes sociais, entrevistas e até votos em julgamentos, têm assumido um tom confrontativo, com apelos à soberania nacional, acusações de interferência externa e críticas a decisões tomadas soberanamente por Executivos e Judiciários de outros países.
Como mostrou a Gazeta do Povo, o Supremo sofreu uma série de reveses que expõem sua desmoralização internacional:
- A Justiça da Itália apontou falta de imparcialidade no julgamento da ex-deputada Carla Zambelli;
- a Espanha negou a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio por ver motivação política no pedido brasileiro;
- a Argentina concedeu refúgio político a um condenado pelos atos de 8 de janeiro;
- e os Estados Unidos recusaram a extradição do jornalista Allan dos Santos e chegaram a sancionar Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky, acusando o ministro de censura, prisões arbitrárias e perseguição política.
A reação mais recente do STF ocorreu depois que a Corte Suprema de Cassação da Itália divulgou, em 12 de junho, os fundamentos da decisão que anulou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil. Os magistrados italianos apontaram problemas de imparcialidade no julgamento conduzido pelo STF, em razão da atuação de Moraes em diferentes etapas do caso. O ministro foi relator, participou do julgamento e também foi considerado vítima de um dos fatos atribuídos à ex-deputada. O presidente do STF, Edson Fachin, publicou nota para afirmar que acompanha “com preocupação” a decisão italiana.
Alexandre Coutinho Pagliarini, pós-doutor em Direito Constitucional pela Universidade de Lisboa e pesquisador-visitante na Universidad de León, diz que a própria nota do Supremo já representa um problema institucional. “Não cabe ao magistrado brasileiro, segundo o Estatuto da Magistratura, comentar decisões judiciais de outros países, nem tampouco decisões dos poderes Executivos ou Legislativos de outros países.”
Para ele, a crítica de um tribunal brasileiro a uma decisão da Justiça estrangeira é “diplomaticamente reprovável”, e o comentário do STF é equivalente a uma entrevista sobre o veredito do tribunal italiano, o que não deveria ser admitido. “Deve ficar claro aos estudantes de Direito e à população brasileira que magistrados devem se preservar, evitando entrevistas sobre casos que estejam sob a análise do Judiciário brasileiro e de judiciários e governos de outros países.”
Pagliarini afirma ainda que a Corte italiana e outros tribunais estrangeiros têm negado os pedidos do STF porque identificaram uma tendência que causa estranhamento fora do Brasil. “Uma mesma autoridade era concomitantemente o magistrado e também o denunciante e o ofendido, numa verdadeira mistura de posições talvez jamais vista pelas autoridades italianas”, ressalta. “O que causa espanto nos governos e nos judiciários estrangeiros é o seguinte: não existe duplo grau de jurisdição no Brasil! E não existe porque não pode a mesma pessoa, seja lá quem ela for, ser o magistrado da causa, o denunciante, o ofendido e o responsável pela decisão final”, acrescenta.
Para o especialista, o fato de as decisões dos magistrados brasileiros estarem blindadas contra revisão por outras instâncias é algo inaceitável para tribunais estrangeiros regidos pelos princípios do Estado de Direito. “Ainda mais quando essa autoridade integra a Suprema Corte, de modo que a decisão final será irrecorrível. Esse fator anula por completo a exigência constitucional e internacional do duplo grau de jurisdição”, afirma.
No caso da Espanha, Moraes chegou a propor medida de retaliação
A reação pública mais controversa do STF diante de uma decisão de autoridade estrangeira ocorreu no caso da Espanha. Em abril de 2025, a Justiça espanhola negou a extradição de Oswaldo Eustáquio ao Brasil ao entender que o pedido tinha motivação política. Eustáquio é investigado no STF e deixou o país após decisões da Corte.
Depois da negativa espanhola, Alexandre de Moraes suspendeu o processo de extradição do búlgaro Vasil Georgiev Vasilev, acusado de tráfico de drogas e requerido pela Espanha. O ministro invocou o princípio da reciprocidade no tratado bilateral de extradição e deu prazo para que a Embaixada da Espanha apresentasse esclarecimentos. Na mesma decisão, Moraes determinou a substituição da prisão preventiva do búlgaro por prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Dias depois, voltou atrás nessa parte da decisão porque Vasilev não tinha endereço fixo no Brasil, o que impedia a prisão domiciliar.
Para Luiz Augusto Módolo, doutor em Direito Internacional pela USP, o episódio foi uma tentativa de retaliação incompatível com a lógica das extradições. “A Espanha queria a extradição, e o STF fez a enormidade de ameaçar soltar o sujeito para fazer uma retaliação contra a Espanha”, critica. “Quem pagaria o preço desse sujeito solto seria o Brasil e até os próprios ministros do Supremo. Tudo bem que eles andam com seguranças, mas nem todos os seus parentes estão protegidos. Soltar um traficante internacional perigoso aqui dentro… Do que ele iria viver?”, questiona.
Segundo Módolo, um pedido de extradição não funciona como uma troca de favores entre países, mas como um procedimento jurídico em que o Estado requerido tem o direito de fazer sua própria análise. “A extradição faz o que a gente chama, no Direito Internacional, de juízo de delibação. Cada Estado que recebe um pedido de extradição, por exemplo, a Itália, verifica os requisitos formais do processo e não é obrigada a se aprofundar muito na questão”, explica. Mas, mesmo nesse exame mais limitado, diz ele, há pontos básicos que precisam ser verificados.
O especialista lembra que o próprio Brasil também impõe condições para entregar pessoas a outros países. “O Brasil tem regras em extradição: a gente não extradita em caso de pena de morte. Uns anos atrás, modificou-se a jurisprudência para estabelecer que o Brasil não extradita quando há [condenação a] prisão perpétua. Tem que comutar a pena para o máximo da nossa pena”, afirma. Por isso, segundo Módolo, quando uma corte estrangeira nega um pedido brasileiro, o STF deveria respeitar a decisão da mesma forma que espera que outros países respeitem as negativas brasileiras. “Se o Brasil nega uma extradição, como já negou diversas vezes ao longo da história, o outro país não tem que ‘achar ruim’. O STF toma as suas decisões e tem que acatar as decisões dos outros países.”
O exemplo histórico mais conhecido, segundo ele, é o de Gustav Wagner, oficial nazista ligado ao campo de extermínio de Sobibor, na Polônia. Em 1979, Alemanha Ocidental, Áustria, Israel e Polônia pediram ao Brasil a extradição de Wagner, acusado de participação no assassinato de milhares de judeus. “O STF entendeu que já tinha prescrito, tinha alguns motivos para não conceder extradição. Foi criticado na época, mas nenhum desses países pensou: ‘Olha, eu tenho um brasileiro aqui; na próxima vez em que o Brasil pedir a extradição de alguém, eu vou negar’”, ironiza Módolo.
Para ele, usar extradições como instrumento de revanche cria uma lógica perigosa e prejudicial ao próprio país que adota a retaliação. “Isso parece aqueles filmes em que um aponta a arma para o outro e morre todo mundo no final da cena”, compara. “Porque eu tive negada a extradição, eu vou me prejudicar também soltando um bandido perigoso no país e não deixando ele ser devolvido ao país no qual ele deveria cumprir a pena?”
No caso de Zambelli, para Módolo, a reação impetuosa revela o constrangimento que a Corte italiana provocou nos ministros. “Eles realmente ficaram mordidos com a decisão. Foi um tapa com luva de pelica, falando em ‘macroscópica violação’, que era uma coisa óbvia. Estamos realmente nos afastando dos julgados, da tradição jurídica ocidental, dos países civilizados. Passamos vergonha com a Espanha, com a Itália, com os Estados Unidos… Tivemos um refugiado reconhecido na Argentina. Por que fomos nos afastar disso? Por que fomos nos aproximar de outros países, como Rússia e China? O que esses países [que negaram as extradições] podem ensinar para nós, que somos parte da civilização ocidental?”, questiona o jurista.
Julgamento de Eduardo Bolsonaro tem “observação” de Dino sobre “cooperação judiciária internacional”
No julgamento de Eduardo Bolsonaro, na terça-feira (16), os ministros não fizeram menções nominais a autoridades estrangeiras, mas criticaram algumas vezes sanções, tarifas e restrições de visto como instrumentos usados contra o STF.
Além disso, o ministro Flávio Dino fez o que chamou de “uma observação sobre cooperação judiciária internacional, que merece registro”. “É da tradição do Brasil, inclusive da nossa política externa, e, por conseguinte, também tradição deste Supremo Tribunal Federal, ter uma atuação profundamente deferente em relação às jurisdições de outros países. Às vezes, o mesmo não se verifica [reciprocamente]. Às vezes, tal deferência não se faz observar”, comentou.
Dino afirmou ainda que o Supremo, “com muita velocidade e com muita presteza, examina pedidos de prisão preventiva e extradição, e nunca se coloca na posição de juiz dos juízes de outros países”. “Pelo contrário, temos uma atitude compreensiva quanto à multiplicidade de sistemas jurídicos existentes no mundo, salvo em casos extremos, quando prerrogativas básicas não estão atendidas.”
Em provável referência às negativas de extradições, Dino também disse que “independentemente do descumprimento” por outros países do princípio da reciprocidade, o Supremo continuará observando esse princípio, porque “não tem uma atitude etnocêntrica ou prepotente perante a Justiça de outros países”.
A manifestação no julgamento de Eduardo Bolsonaro não foi a primeira vez recente em que ministros do STF aproveitaram votos ou sessões para criticar decisões e atos de autoridades estrangeiras. No julgamento do núcleo central da suposta trama golpista, em setembro de 2025, o próprio Dino ironizou as sanções americanas contra Moraes ao perguntar se “um tuíte de uma autoridade de um governo estrangeiro” poderia mudar um julgamento no Supremo. Antes disso, em fevereiro de 2025, Moraes já havia reagido, durante sessão da Corte, a críticas vindas do governo Trump, afirmando que o Brasil deixou de ser colônia em 1822.
Pagliarini diz que criticar autoridades estrangeiras durante sessões de julgamento não cabe na função de um magistrado. “Durante os seus votos, um juiz, um desembargador, um ministro, só podem fundamentar as suas decisões e os seus comentários no direito positivo, sendo totalmente indevida a formulação de falas sobre atitudes de outros governos ou de outros tribunais de outros países, por conta do fato de decisões de outros países serem protegidas pelas respectivas soberanias”, afirma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/stf-compra-briga-com-autoridades-estrangeiras-em-meio-a-desmoralizacao-internacional/#cxrecs_s
PT racha e ala pede saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado

O avanço das investigações que atingem o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, abriu um racha interno no PT e aumentou a pressão pelo seu afastamento da função. Enquanto uma ala da legenda defende sua saída temporária para que concentre esforços na própria defesa, a cúpula petista e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantêm o apoio ao parlamentar.
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, na véspera, que apura suspeitas de relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para defender seus interesses políticos no Congresso em troca de vantagens financeiras como repasses de recursos, viagens em aeronaves ligadas ao empresário e a negociação de um apartamento milionário em Salvador.
Um dos principais nomes do PT a se manifestar pela saída de Wagner da liderança foi o vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG). Para ele, o senador deve deixar temporariamente a liderança governista enquanto responde às investigações.
“Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência”, afirmou o parlamentar defendendo a saída do cargo para evitar desgastes adicionais para o governo.
Nos bastidores, integrantes do PT compartilham a mesma avaliação e consideram que um afastamento temporário poderia reduzir o impacto político das investigações principalmente às vésperas do início da campanha eleitoral que Lula tentará a reeleição. Apesar disso, o grupo não tem conseguido avançar diante da resistência da direção nacional da legenda.
A principal linha de defesa do partido tem partido de seus dirigentes, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que declarou apoio ao senador e afirmou que ele continua contando com a confiança da sigla.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, declarou Edinho.
O próprio Wagner também demonstrou tranquilidade quanto à permanência no cargo. Segundo ele, uma conversa com Lula reforçou a avaliação de que não há intenção do Palácio do Planalto de substituí-lo na liderança do governo no Senado.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem falei hoje, acho sinceramente muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou o senador.
De acordo com Wagner, Lula ainda teria lhe transmitido uma mensagem de apoio diante da crise, supostamente afirmando que “fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas, conte com a minha confiança”.
O senador também minimizou as manifestações de correligionários favoráveis ao seu afastamento e classificou as críticas internas como episódios de “fogo amigo”. Há a expectativa de que Wagner e Lula tenham um encontro presencial na próxima semana para tratar da situação e discutir os próximos passos.
Inicialmente, o encontro poderia ter ocorrido ainda na quinta-feira (18) ou mesmo nesta sexta (19), mas Lula retornou da viagem à Europa na véspera e cumpre agenda ao longo do dia em Minas Gerais, onde tenta fechar uma articulação para definir quem será seu candidato ao governo do estado.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pt-racha-ala-saida-jaques-wagner-lideranca-governo-senado/
Apartamento, voos privados e R$ 3,5 milhões: as suspeitas da PF envolvendo Jaques Wagner no caso Master

A nova fase da Operação Compliance Zero colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, no centro das investigações sobre o Banco Master. A operação desencadeou também uma corrida no Palácio do Planalto para tentar conter os danos políticos do caso.
De acordo com os investigadores, as vantagens incluiriam um apartamento de aproximadamente R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves privadas, ingressos para shows nos Estados Unidos e repasses a empresas ligadas ao entorno familiar do parlamentar.
Pegos de surpresa pela operação, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes da bancada petista passaram a discutir nos bastidores a conveniência de Jaques Wagner deixar a liderança do governo no Senado para se dedicar à própria defesa. Assessores do Planalto afirmaram à Gazeta do Povo que a prioridade é evitar que o escândalo contamine o governo e a campanha presidencial deste ano. Wagner, porém, afirmou que não irá se afastar da liderança nem desistir de sua pré-candidatura à reeleição ao Senado.
As suspeitas detalhadas pela PF envolvem não apenas benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos ao entorno do senador, mas também a suposta atuação de Wagner em temas de interesse do Banco Master no Congresso. Entre eles estão mudanças nas regras do crédito consignado, discussões sobre os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e iniciativas relacionadas à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
As investigações alcançaram ainda pessoas próximas ao líder governista. Um dos alvos da operação foi Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia no governo Jerônimo Rodrigues (PT). A Polícia Federal atribui a ele participação em cobranças de pagamentos por parte do empresário Augusto Ferreira Lima e aponta repasses milionários para empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado como um dos principais operadores do ecossistema financeiro associado ao Banco Master. A aproximação entre Jaques Wagner e o empresário remonta ao processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2017, quando surgiu o CredCesta, produto que mais tarde se tornaria uma das bases da expansão nacional do grupo financeiro hoje investigado.
Investigação aponta apartamento, jatinhos e repasses ligados a Jaques Wagner
Os indícios reunidos pela PF e acolhidos pelo ministro André Mendonça indicam que Jaques Wagner seria o “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas” nessa fase da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, os benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos ao entorno do líder do governo Lula no Senado estariam relacionados à atuação do grupo ligado ao Banco Master.
Um dos principais eixos da apuração envolve a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador. De acordo com a PF, Wagner encaminhou ao empresário Augusto Lima informações sobre a unidade e sobre o corretor responsável pela negociação.
O imóvel, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, acabou sendo adquirido por uma empresa, em uma operação que, segundo os investigadores, apresenta indícios de ocultação do verdadeiro beneficiário. A decisão de André Mendonça também reproduz diálogos que, na avaliação da PF, demonstrariam tentativas de conferir aparência de normalidade à transação.
Em uma das conversas interceptadas, integrantes do grupo teriam utilizado a expressão “a altura do vão é 2,45m” para se referir ao valor do imóvel. Outro conjunto de elementos apontados pela investigação envolve benefícios pessoais atribuídos ao senador do PT.
A PF afirma que Wagner e familiares utilizaram aeronaves ligadas a Augusto Lima e ao Banco Master em diferentes ocasiões. Os investigadores mencionam encontros na chamada “Ilha da Paixão”, propriedade associada ao empresário, além de mensagens em que o parlamentar solicita contatos de pilotos para deslocamentos particulares.
As investigações também fazem referência ao pagamento de ingressos para shows nos Estados Unidos. Segundo a PF, o grupo ligado a Augusto Lima desembolsou R$ 63,3 mil para a compra de entradas para apresentações de uma cantora internacional em Los Angeles. Mensagens obtidas pelos investigadores indicariam que o senador pediu a ampliação do número de convidados, solicitação que teria sido atendida pelo empresário.
Investigação identificou repasses para empresas ligadas ao entorno familiar do senador
No eixo financeiro, a Polícia Federal identificou repasses para empresas ligadas ao entorno familiar de Jaques Wagner. A investigação aponta que uma financeira associada a familiares do senador recebeu R$ 3,5 milhões de uma corporação vinculada ao ecossistema do Banco Master e à operação do CredCesta.
Planilhas apreendidas durante a investigação também registrariam pagamentos superiores a R$ 2,3 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, que os investigadores associam a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia no governo Jerônimo Rodrigues (PT). Em mensagens reproduzidas na decisão do STF, Eduardo aparece cobrando pagamentos de Augusto Lima e mencionando boletos e outras obrigações financeiras.
Para a Polícia Federal, os benefícios patrimoniais e financeiros não decorreriam apenas de uma relação de amizade entre os envolvidos. Os investigadores sustentam que as vantagens econômicas estariam inseridas em uma relação mais ampla de interesses entre o senador e o grupo ligado ao Banco Master, hipótese que embasa outro eixo da investigação: a atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas considerados estratégicos para a instituição financeira.
A Gazeta do Povo procurou o gabinete do senador Jaques Wagner para solicitar um posicionamento sobre os fatos apontados pela PF, mas não obteve retorno. Em entrevista à BandNews, o parlamentar afirmou que o apartamento investigado pela PF fazia parte de uma negociação para ajudar sua filha na aquisição de um imóvel ainda em construção.
Segundo ele, por essa razão, pediu ao empresário Augusto Lima que realizasse a compra inicialmente, comprometendo-se a recomprá-lo posteriormente. O senador negou qualquer atuação em favor de interesses do Banco Master e disse que os valores em espécie apreendidos têm origem regular, provenientes de diárias de viagens realizadas no exercício do mandato.
Wagner também negou proximidade com Daniel Vorcaro, afirmando ter se encontrado com o banqueiro apenas duas vezes e sustentando que sua relação com ele é “praticamente zero”. Disse ainda ter recebido um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em manifestação de solidariedade e confiança. Ele descartou deixar a liderança do governo no Senado ou desistir de sua pré-candidatura à reeleição.
Já a defesa do empresário Augusto Ferreira Lima afirmou que as diligências realizadas pela PF nesta quinta-feira eram “desnecessárias”, alegando que o investigado está “há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”. Em nota, os advogados sustentaram ainda que as medidas contribuirão para demonstrar “que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos” e afirmaram que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
A reportagem também buscou manifestação de Eduardo Mendonça Sodré Martins por meio da assessoria da Secretaria de Meio Ambiente da Bahia. Até a publicação desta reportagem, no entanto, a pasta comandada pelo enteado de Jaques Wagner não havia retornado o contato. O espaço segue aberto.
PF investiga atuação de Wagner em pautas de interesse do Master no Congresso
Para a PF, os benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos ao entorno de Jaques Wagner não se restringiriam a uma relação de amizade com o empresário Augusto Ferreira Lima. Os investigadores sustentam que o senador também teria atuado em temas considerados estratégicos para a instituição financeira e para empresas associadas ao grupo.
Um dos eixos da apuração envolve propostas relacionadas ao mercado de crédito consignado, área em que o Master se consolidou por meio do CredCesta. Segundo a PF, Wagner e Augusto Lima mantiveram conversas sobre medidas destinadas a ampliar a margem consignável de trabalhadores, aposentados e pensionistas e permitir a concessão de empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas de transferência de renda do governo federal.
Outro ponto sob investigação é a PEC 65/2023, que trata da autonomia financeira do Banco Central. A proposta recebeu uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por investidor.
O texto da emenda foi protocolado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e, segundo a PF, teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master. A mudança beneficiaria instituições que utilizavam a garantia do fundo para atrair recursos do mercado, entre elas o banco comandado por Daniel Vorcaro.
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, Augusto Lima encaminhou a Jaques Wagner o link da emenda no mesmo dia em que ela foi incluída na PEC, em agosto de 2024. Dias depois, após um encontro presencial entre os dois, o empresário voltou a compartilhar o texto com o senador.
Para os investigadores, as mensagens indicam que Wagner “não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”. As investigações também se debruçam sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Segundo a PF, Augusto Lima mantinha o líder do governo Lula no Senado informado sobre os detalhes da operação e sobre iniciativas em tramitação no Congresso relacionadas ao negócio. A decisão do STF reproduz uma mensagem enviada pelo empresário ao senador em março deste ano: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
Ainda de acordo com os investigadores, as mensagens trocadas entre os dois tratariam de temas como o rating da instituição, alterações em sua estrutura acionária, o Will Bank, requerimentos apresentados no Senado e até propostas de criação de uma CPI sobre o caso. Para a PF, a constância desse fluxo de informações sugere uma relação funcionalmente direcionada, e não apenas uma amizade entre os envolvidos.
Operação contra Jaques Wagner abre nova frente de desgaste para Lula
A ofensiva da PF contra Jaques Wagner atingiu um dos aliados mais próximos do presidente Lula e abriu uma nova frente de desgaste para o governo. Agora, integrantes do Planalto tentam preservar a articulação política e evitar novos focos de crise às vésperas da disputa eleitoral.
Além de líder do governo no Senado, Wagner é considerado um dos principais conselheiros políticos do presidente e uma peça central nas negociações com o Congresso. A operação desta quinta-feira pegou integrantes do Executivo e da bancada petista de surpresa.
Interlocutores do governo ouvidos pela Gazeta do Povo afirmaram que a principal preocupação passou a ser impedir que o escândalo do Banco Master se transforme em mais um fator de desgaste para Lula. Nos bastidores, aliados do presidente passaram a defender que Wagner deixe a liderança do governo para se dedicar à própria defesa, reduzindo o embaraço institucional provocado pelo fato de um dos principais articuladores do Executivo estar no centro das investigações.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu as investigações. “Recebemos com tranquilidade [a operação]. A Polícia Federal tem autonomia para investigar, apurar tudo. Queremos que as apurações sejam feitas, doa a quem doer”, disse.
Mas integrantes do governo admitem reservadamente que um eventual afastamento poderia ter ocorrido antes, justamente para evitar que o Palácio do Planalto fosse arrastado para a crise. A avaliação predominante é de que caberá ao próprio presidente e ao senador definir os próximos passos, enquanto cresce a expectativa por explicações públicas sobre os valores apreendidos em endereços ligados ao parlamentar.
Apesar da apreensão nos bastidores, a direção nacional do PT saiu em defesa do líder governista. Em nota, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que Jaques Wagner é “depositário de toda a nossa confiança”.
“Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, declarou. Segundo Edinho, o partido confia que o senador “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência.
Como citado, Wagner descartou deixar a liderança do governo no Senado ou desistir de sua pré-candidatura à reeleição.
Agora, a estratégia do governo é tentar dissociar a imagem de Lula dos desdobramentos da investigação. Interlocutores do presidente afirmam que a orientação é tratar o caso como uma questão de responsabilidade individual, evitando manifestações públicas que possam vincular diretamente o Palácio do Planalto às suspeitas investigadas pela Polícia Federal.
Mendonça determinou sigilo estrito e ciência limitada sobre a operação
O ministro do STF André Mendonça determinou que a data e os detalhes da operação realizada nesta quinta fossem tratados com sigilo estrito e ciência limitada, o que teria sido interpretado por investigadores como cautela para impedir vazamentos políticos da operação.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que retornava de viagem oficial à Suíça onde acompanhava Lula no G7, só teria sido informado formalmente da ação quando os mandados estavam sendo cumpridos. O presidente teria sido avisado por volta das 8h, quando as buscas no hotel onde o senador costuma ficar em Brasília e propriedades dele na Bahia já haviam sido concluídas.
Integrantes do Planalto reconheciam, nos bastidores, que o caso Master poderia respingar com força no PT baiano por conta da privatização da Ebal, da origem do Credcesta e a ligação de Jaques Wagner com Augusto Lima.
O que ninguém esperava, segundo interlocutores do governo, era uma ação direta contra o senador que é líder do governo no Senado, um dos aliados mais próximos de Lula e peça central na articulação política do terceiro mandato e da pré-campanha à reeleição do petista.
A apreensão de milhares de dólares em espécie em um endereço do senador em Brasília, de valores em endereços na Bahia, somada às evidências reunidas pela PF sobre o suposto recebimento de imóvel de luxo, viagens em jatinho e ingressos de shows no exterior, tornou o cenário ainda mais difícil para o governo administrar.
Oposição diz que suspeitas já eram levantadas desde a CPMI do INSS
Integrantes da oposição viram a operação contra o líder do governo Lula como uma confirmação de suspeitas que vinham sendo levantadas desde os trabalhos da CPMI do INSS. Parlamentares que participaram da comissão afirmam que os documentos obtidos por meio da quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro e de pessoas ligadas ao Banco Master já indicavam uma conexão entre o grupo financeiro e personagens do PT da Bahia, especialmente em torno da operação do CredCesta.
Um dos principais críticos do governo durante a comissão, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que a nova fase da Operação Compliance Zero reforça denúncias feitas pela oposição ao longo das investigações parlamentares. “O PT da Bahia está envolvido até o pescoço com o caso do Banco Master”, declarou.
Segundo o deputado, os elementos reunidos pela CPMI já apontavam para a importância da Bahia na expansão do modelo de negócios que impulsionou o crescimento do banco. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), também associou a operação à origem do CredCesta durante os governos petistas na Bahia. “A casa caiu no quintal do PT”, afirmou.
Já o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), utilizou o episódio para questionar o discurso histórico do partido sobre corrupção. O senador Sergio Moro (PL-PR) defendeu o aprofundamento das investigações relacionadas ao Banco Master e às conexões políticas reveladas pela operação.
Em nota, o Partido Liberal afirmou que a nova fase da Operação Compliance Zero reforça as suspeitas sobre a relação entre integrantes do PT e o grupo financeiro investigado. “A cada nova fase da operação, novos nomes ligados ao PT voltam ao centro das investigações. O caso ‘PTMaster’ é a prova de que, mesmo mudando os personagens, a corrupção sempre carrega um nome do partido”, afirmou a legenda.
Para o cientista político Elias Tavares, a entrada de Jaques Wagner no centro das investigações dificulta a estratégia adotada pelo governo de tratar o caso Master como um problema restrito a personagens ligados à oposição.
Segundo ele, até então o PT buscava enfatizar as relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras do campo da direita. “Com Wagner entrando no centro da investigação, essa narrativa perde força”, afirma.
Na avaliação do analista, a percepção que tende a se consolidar é a de que o escândalo ultrapassa divisões ideológicas e atinge diferentes campos políticos. O impacto, segundo ele, é potencializado pelo peso de Jaques Wagner dentro do governo.
“Ele não é um quadro secundário do PT. É uma liderança histórica, muito próxima do presidente Lula, e peça central da articulação do governo no Senado”, diz.
Para Tavares, o caso tem potencial para provocar efeitos mais profundos na imagem do governo do que em sua capacidade de articulação no Congresso.
O cientista político Alexandre Bandeira avalia que a investigação representa uma “fratura” relevante para o Planalto justamente por atingir um dos principais aliados do presidente. Segundo ele, diferentemente de episódios marcados apenas por especulações políticas, o caso reúne elementos que a própria PF considera concretos.
“Jaques Wagner não é um parlamentar qualquer. Ele é o líder do governo no Senado e um dos principais articuladores políticos do presidente. Isso torna mais difícil separar a crise da imagem do governo”, afirma Bandeira. Para o analista, o episódio dificulta a estratégia do Palácio do Planalto de tratar o escândalo do Banco Master como um problema externo ao núcleo governista.
Já o cientista político Flávio Testa avalia que os reflexos institucionais da operação tendem a ser mais limitados. Segundo ele, o governo mantém amplo controle das pautas legislativas e conta com o apoio das presidências da Câmara e do Senado.
“O impacto no Congresso deve ser mínimo. A tendência é que o caso produza mais repercussão na narrativa política do que na governabilidade”, afirma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/apartamento-voos-privados-e-r-35-milhoes-as-suspeitas-da-pf-envolvendo-jaques-wagner-no-caso-master/

Brasil perde competitividade e continua se sabotando

Ouço comerciantes, industriais, lojistas em geral, fabricantes, agricultores, pecuaristas, todos se queixando das dificuldades financeiras, da inflação, dos juros altos, da quantidade de impostos para sustentar um governo gastador, e da falta de infraestrutura e de prestação de serviços por parte do governo. Agora, o Ranking Mundial de Competitividade publicou sua lista, informando que, de 70 países, o Brasil é o 65.º; só ganha de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela. No critério de “eficiência governamental”, estamos em penúltimo lugar; só ganhamos da Venezuela. Eficiência governamental zero.
Eu sempre digo que o governo trabalha contra o Brasil. Vocês se lembram do tempo em que os vigaristas daqui fugiam para o Paraguai. Hoje, quem foge para o Paraguai são as empresas brasileiras; lá, elas sobrevivem pagando menos impostos, dando emprego para os paraguaios, investindo no Paraguai e aumentando a balança comercial paraguaia.
Deolane vira ré junto com Marcola
Deolane Bezerra, aquela advogada que faz sucesso nas redes sociais – vejam como é o Brasil, a pessoa faz lavagem de dinheiro para o PCC e brilha nas redes sociais –, virou ré em Presidente Venceslau (SP). Quem estudou História do Brasil na escola sabe quem foi o presidente Venceslau Brás; há um município com o nome dele em São Paulo, e o juiz de lá aceitou a denúncia e a considerou ré, junto com Marcola e familiares dele. Deolane está presa no presídio feminino de Tupi Paulista (SP).
Cada vez mais gente é flagrada na rede de influência e propina de Vorcaro
Os dados da Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro pagava R$ 400 mil em mesadas para policiais federais, da ativa e aposentados, para que lhe repassassem informações de dentro da corporação. É até pouco, comparado com alguns outros pagamentos que ele fazia. Para o senador Ciro Nogueira, presidente de partido político, começou em R$ 300 mil, depois passou para R$ 500 mil. Temos o contrato com o escritório da mulher de um ministro do STF, para quem Vorcaro perguntou se tinha conseguido bloquear sabe-se lá o quê. E agora parece que surgiu um apartamento para o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula; deve ser igual àquele tríplex no Guarujá, certamente não é dele…
Estamos vendo que Vorcaro comprava pessoas nos três poderes para poder resistir, em um esquema que o ministro André Mendonça descreveu muito bem naquele bate-boca com Gilmar Mendes, durante o julgamento da prisão do pai de Vorcaro. É uma verdadeira máfia, inclusive com armas, intimidação e ameaças. Por isso o “Sicário” sumiu. Eu não consigo acreditar que ele se matou; só se ele já sabia o que esperava por ele, e preferiu se antecipar, do jeito que são os métodos que estamos vendo agora, e que eram usados por essa família – ou famiglia, como acontecia no sul da Itália, na Sicília.
Ainda bem que temos uma pessoa do tamanho de André Mendonça na relatoria do caso no STF, porque a pressão sobre o tribunal está grande, e é preciso acompanhar de perto. Graças à falta de caráter de pessoas que se deixaram comprar, Vorcaro fez um estrago no Supremo muito maior que o estrago material do 8 de janeiro. Pichar a estátua da Justiça com “perdeu, mané”, quebrar coisas, levar a Constituição e devolver, sujar tapetes, isso é pouco perto do que Vorcaro fez no STF.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/brasil-queda-ranking-mundial-competitividade/
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