
Um dos endereços mais prestigiosos de Portugal, o Four Seasons Hotel Ritz Libon, que o enroladíssimo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por fraude contra o sistema financeiro, bancou para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), oferece uma exclusiva suíte presidencial maior que muitos apartamentos brasileiros: 247 m². O chão da mansão, que fica no 10º andar, é outra extravagância que só endinheirados podem bancar, todo em mármore de primeira linha.
Conta direito
Chama atenção o, acredite, baixo valor que Vorcaro teria pagado nas cinco diárias para Motta e senador Ciro Nogueira, R$90 mil.
Só ricaços
O hotel faz questão de exaltar as excentricidades para hóspedes tipo Ciro e Motta, como spa premiado e restaurante com estrela Michelin.
Petistas adoram
O luxuoso hotel recebeu Dilma em um pernoite em janeiro de 2014. À época, 12 anos atrás, a fatura da noitada saiu por R$73,5 mil.
Caminhão de dinheiro
A coluna cotou a segunda suíte mais cara para amanhã (19), a presidencial estava indisponível, o valor: R$32.369. E não é a mais cara.
Motta pediu a Vorcaro ‘empréstimo’ de R$22 milhões para cunhada

A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep-PB), teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro a concessão de um empréstimo para uma empresa ligada à sua cunhada.
As conversas foram encontradas durante investigações envolvendo o Banco Master e passaram a integrar os elementos analisados pela PF. Segundo os documentos apurados, o financiamento foi utilizado em um projeto imobiliário na Paraíba e beneficiou uma empresa controlada por Bianca Medeiros, irmã da esposa de Motta.
Registros empresariais mostram que a operação de crédito, no valor de pelo menos R$ 22 milhões, ocorreu em 2024 e teve como garantia as cotas da empresa utilizada para a aquisição de uma extensa área destinada ao desenvolvimento de um novo empreendimento imobiliário em João Pessoa.
Hugo Motta afirmou não possuir participação no negócio nem relação financeira com o Banco Master. Já Bianca Medeiros declarou que a operação foi realizada em condições normais de mercado e negou qualquer vínculo societário ou comercial do parlamentar com o empreendimento.
A informação é do jornal O Estado de São Paulo. O repórter questionou o presidente da Câmara, por cinco vezes, se ele confirmaria a intervenção, mas Motta se esquivou e não respondeu. Disse apenas que o empréstimo estava dentro da legalidade
Líder do governo Lula é alvo da PF por ligação a Vorcaro

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A nova etapa teve como alvo pessoas e empresas suspeitas de atuar na ocultação e movimentação de recursos ligados ao grupo investigado. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT), é um dos alvos da operação. Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
Segundo os investigadores, a ofensiva amplia o foco sobre estruturas que teriam sido utilizadas para dissimular patrimônio e dificultar o rastreamento de ativos supostamente relacionados ao esquema atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro. A operação apura crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção.
A Compliance Zero foi lançada em novembro de 2025 e, ao longo de suas fases anteriores, resultou em prisões, bloqueios bilionários de bens e no avanço de investigações sobre relações entre executivos do banco, agentes públicos, políticos e operadores financeiros. As apurações também alcançaram ex-dirigentes do Banco Master, integrantes do Banco de Brasília e pessoas ligadas ao núcleo empresarial de Vorcaro.
Líder de Lula teria recebido pagamentos e voos de jatinho de Vorcaro

A investigação da Polícia Federal que levou à deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero, na manhã desta quinta-feira (18), apontou que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, teria recebido diversos pagamentos, a negociação de um apartamento em Salvador e voado em jatinhos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para atender a interesses políticos do empresário.
A constatação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve o sigilo levantado sobre o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão contra o senador e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master e dono do também liquidado Banco Pleno.
“Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, escreveu Mendonça na decisão a que a Gazeta do Povo teve acesso.
A reportagem procurou os assessores do senador, o PT nacional e o governo federal através da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para se pronunciarem sobre a operação e aguarda retorno.
Segundo a investigação, o parlamentar teria atuado em iniciativas legislativas de interesse do Master no Congresso Nacional, entre elas a chamada “Emenda Master” – que aumentaria os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) – e uma proposta de ampliação do limite do crédito consignado para beneficiar a atuação do banco na Bahia para a operação de um produto conhecido como Credcesta.
Ao detalhar os indícios reunidos pela Polícia Federal, André Mendonça afirmou que Jaques Wagner é apontado pelos investigadores como o “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, figurando como o agente público em favor de Vorcaro e Augusto Lima.
“A atuação parlamentar de Jaques Wagner também é indicada como elemento de correlação. A representação aponta sua participação na pauta do crédito consignado, especialmente na Emenda convertida em lei em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa de seu núcleo familiar”, escreveu o ministro.
Relação de Wagner com negociação Master-BRB
Outro eixo da investigação envolve pagamentos destinados a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador, como a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa associada a pessoas próximas a Wagner, realizada pela PKL One Participações S.A., apontada pelos investigadores como integrante do núcleo empresarial ligado a Augusto Lima.
Conversas obtidas durante a investigação mostram cobranças frequentes por pagamentos pendentes, emissão de notas fiscais, vencimento de boletos e dificuldades financeiras que teriam sido discutidas diretamente entre integrantes do grupo e o ex-sócio de Vorcaro.
“Augusto atuou como canal de interlocução com Jaques Wagner sobre temas de interesse do Banco Master. Enviou notícias sobre rating, estrutura acionária, Will Bank (liquidado pelo Banco Central), PEC nº 65/2023 (que recebeu a chamada “Emenda Master”), operação BRB/Master (compra do Master pelo BRB, barrada pelo Banco Central), requerimentos no Senado e CPI do Master. A constância desse fluxo informacional sugere, em juízo preliminar, relação funcionalmente direcionada e não meramente social”, pontua o ministro André Mendonça a partir da representação da Polícia Federal.
Os investigadores também localizaram planilhas armazenadas em aparelhos apreendidos durante as fases anteriores da operação contendo registros de pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, segundo a Polícia Federal, seria uma referência a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e integrante do núcleo empresarial investigado.
A investigação também identificou movimentações financeiras em favor de Bonnie Bonilha, esposa de Martins, de aproximadamente R$ 2,5 milhões em nome de pessoas físicas e jurídicas associadas a ela. Embora o ministro André Mendonça tenha considerado insuficientes os elementos para autorizar medidas cautelares contra ela nesta fase da investigação, os investigadores apontam que os pagamentos integram o conjunto de operações financeiras sob apuração envolvendo o entorno de Wagner e empresários ligados ao Banco Master.
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Augusto Lima atribuiu atrasos em pagamentos pendentes à BN Financeira Ltda. ao que classificou como “crítico” após o fracasso da operação entre o Master e o BRB. Em março de 2025, ao explicar ao senador detalhes da negociação, Augusto Lima sinalizou uma relação de proximidade histórica com o senador.
“Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso”, afirmou o executivo. Ao analisar o conteúdo, Mendonça afirmou que a mensagem indica que o parlamentar “não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.
Os documentos da investigação também apontam que pessoas ligadas ao gabinete de Wagner participaram de interlocuções relacionadas a pautas consideradas estratégicas para o Banco Master. A Polícia Federal identificou uma sequência de contatos envolvendo Daniel Vorcaro, Augusto Lima, o chefe de gabinete do senador e aliados próximos do parlamentar durante discussões da chamada “Emenda Master”, proposta apresentada à PEC 65/2023 que ampliaria os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão e que poderia aumentar consideravelmente as captações e lucros do banco.
Apartamento milionário, voos de jatinho e ingressos para show
Entre os principais elementos citados pela Polícia Federal está a suposta aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador em novembro de 2024. Segundo a investigação o próprio senador enviou a Augusto Lima informações sobre uma unidade do edifício, informando que o imóvel custava R$ 2,45 milhões.
Na sequência, Augusto teria acionado operadores financeiros ligados ao grupo investigado para viabilizar a compra por meio de empresas e estruturas societárias que seriam compatíveis com mecanismos de ocultação do verdadeiro beneficiário do bem.
A suspeita ganhou força após investigadores encontrarem mensagens trocadas meses depois, quando familiares de Wagner buscavam documentos do proprietário formal do apartamento para realizar alterações arquitetônicas na unidade. Para Mendonça, os elementos reunidos conferem “plausibilidade à hipótese de que o imóvel se encontrava formalmente vinculado a terceiro, em estrutura de dissimulação da titularidade real”.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a Polícia Federal identificou que as tratativas envolvendo o apartamento continuaram mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado. De acordo com a investigação, negociações relacionadas ao imóvel prosseguiram por meio de aliados e pessoas ligadas ao entorno de Jaques Wagner, incluindo reuniões presenciais, chamadas telefônicas, videoconferências, troca de mensagens e circulação de minutas contratuais e documentos referentes à cessão dos direitos aquisitivos da unidade.
“Após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, Guilherme Sodré [aliado de Wagner] teria mantido contatos com Daniel Lopes Monteiro [operador vinculado ao Master], inclusive reuniões presenciais, chamadas de voz, videoconferências e mensagens interpretadas como possivelmente cifradas, com vistas à conclusão do negócio imobiliário”, completou.
Além do apartamento e dos repasses financeiros, a Polícia Federal apontou uma série de benefícios pessoais concedidos ao senador e a familiares, entre eles estão viagens realizadas em aeronaves privadas disponibilizadas por Augusto Lima e pessoas ligadas ao Banco Master.
Mensagens analisadas pelos investigadores mostram o envio de prefixos de aeronaves, contatos de pilotos e a organização de deslocamentos para Wagner e parentes em diversas ocasiões, o que reforçam a relação de proximidade e confiança entre o senador e os empresários investigados.
“A representação descreve mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares que demonstrariam proximidade entre os núcleos envolvidos”, afirma Mendonça citando viagens de Wagner em outubro de 2023 e abril de 2024.
A decisão também descreve a concessão de ingressos de alto valor para eventos internacionais a familiares de Wagner, como entradas para apresentações musicais em Los Angeles, nos Estados Unidos, adquiridas por uma empresa ligada ao grupo econômico investigado ao custo total de R$ 63,3 mil. Conversas extraídas dos celulares apreendidos mostram pedidos de ampliação do número de ingressos e o encaminhamento dos bilhetes para utilização pela família do parlamentar.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/wagner-recebido-vantagens-indevidas-voos-jatinho-vorcaro/

Lula passou vergonha diante dos líderes do G7 – e do mundo

O presidente brasileiro Lula da Silva (PT), que pediu para ir ao evento, foi ironizado e desdenhado pelos presidentes das potências reunidas no G7 na França. Realizado num resort à beira de um lago em Évian-les-Bains, o encontro serviu para mostrar a Lula e ao mundo que o governo do petista força a barra para que ele seja reconhecido na turma, a despeito de a potência econômica do Brasil merecer destaque.
Segundo relatos sigilosos de três servidores e diplomatas, o presidente do G7, o líder francês Emmanuel Macron, teve de se explicar aos ouvidos dos presidentes Donald Trump (EUA) e da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, o que Lula fazia ali. O brasileiro, que usa o evento como vitrine eleitoral, foi ignorado por Trump até em tentativa de aperto de mão na foto oficial. Lula acabou encaminhado por um funcionário à outra ponta para o registro da imagem. O desdém e risos amarelos dos líderes foram o coroamento da vergonha alheia.
Forças Armadas em Roraima
O cenário ferve em Boa Vista (RR) e região. Com tantos venezuelanos e cubanos nas ruas – muitos ainda ilegais – e o povo com um olho na Copa e outro na urna, o presidente Lula da Silva autorizou o emprego das Forças Armadas como apoio logístico nas eleições suplementares de Roraima no domingo. Assinou o Decreto 13.028 para isso ontem.
Turma do estágio
A mesa do Senado adiou a votação do PL 6461/19, que cria o Estatuto do Aprendiz. A medida preocupa entidades do setor, que alertam para impactos em cerca de 500 mil contratos de aprendizagem ativos. Para o CEO do CIEE, Humberto Casagrande, o atraso compromete ações de inclusão social, combate à evasão escolar e preparação de jovens para o mercado. O projeto aguarda análise dos senadores.
Dinheiro em alto-mar
Num Brasil que depende muito ainda de hidrelétricas (e das chuvas!) para crescer energeticamente, o mundo passou a ver com olhos mais atentos o potencial do país em alto-mar. A Coalizão Eólica Marinha (CEM), única associação brasileira dedicada exclusivamente ao desenvolvimento da energia eólica offshore, anunciou a entrada do World Forum Offshore Wind (WFO) em sua governança institucional.
Emprego
Pesquisa online da Serasa Experian com 1.733 pessoas mostra que 32,3% dos profissionais do país querem mudar de emprego. Já 29,5% buscam evolução dentro da empresa atual. O levantamento revela que 63% esperam dar o próximo passo na carreira em até um ano. A falta de oportunidades (31,2%) e de qualificação (19,5%) ainda aparece como os principais obstáculos para o crescimento na carreira.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/lula-passou-vergonha-diante-dos-lideres-do-g7-e-do-mundo/

Moraes é sintoma de um problema maior do STF que o mundo precisa conhecer

Na semana passada, a Corte de Cassação da Itália impôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma das maiores humilhações de sua história. Ao negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, os magistrados italianos afirmaram que a mais alta instância da Justiça brasileira cometeu o pecado mais grave de um juiz: julgar sem imparcialidade.
Na decisão, nada foi afirmado sobre a sanha persecutória de Alexandre de Moraes contra os políticos bolsonaristas. Não se acusou o ministro de agir politicamente, com más intenções ou deboche. Em termos jurídicos, a parcialidade não foi subjetiva.
Foram as condições do processo que, de forma objetiva, tornaram o julgamento de Zambelli eivado de parcialidade. Ela foi acusada de falsificar um mandado de prisão contra Moraes. O fato, por óbvio, afeta a honra do ministro. E, por isso, ele jamais poderia ter tocado nesse processo. Simples assim. Não há condições de uma atuação isenta no caso.
E pouco importa o argumento de Moraes de que o Ministério Público não imputou a Zambelli um crime contra sua pessoa, mas contra a Justiça, as instituições ou a democracia. Tampouco se trata de confiar na capacidade de distanciamento ou no desapego pessoal do magistrado.
Não é humano — nem juridicamente aceitável — esperar que qualquer indivíduo com poder de punir consiga avaliar com isenção a conduta de quem lhe causa qualquer prejuízo. Esse princípio está em todas as cartas internacionais de direitos fundamentais, na Constituição e nas leis brasileiras. Tudo isso foi atropelado por Moraes.
Com a repreensão severa da Corte italiana, qual atitude seria esperada do STF? Uma reflexão profunda sobre o brutal erro cometido e uma revisão enfática, pelos demais ministros, do que o tribunal permitiu que fosse feito contra toda sua tradição jurídica.
O que se viu foi a repetição da mesma iniquidade na condenação de Eduardo Bolsonaro nesta terça-feira (16), proferida pelos mesmos ministros que condenaram Zambelli, numa situação semelhante: o ex-deputado foi acusado de pressionar o governo americano a sancionar Moraes na Lei Magnitsky – conduta que, por evidente, causou danos ao ministro.
O que a Corte de Cassação da Itália ainda não percebeu é que tal procedimento se aplica há mais de sete anos no STF. Todas as centenas de condenações contra políticos e militantes com origem no inquérito das fake news, incluindo as sentenças do 8 de janeiro de 2023, seguem a mesmíssima lógica. Os ministros julgam seus ofensores.
Muito em breve, a própria Itália verá outro exemplo da prática. Mais um de seus cidadãos será condenado por Moraes nesse mesmo padrão. O alvo da vez é Eduardo Tagliaferro, o ex-assessor que denunciou os procedimentos do ministro na imprensa.
Ao que tudo indica, o mundo civilizado ainda não percebeu o tamanho e a gravidade do problema enfrentado no Brasil. Nos últimos anos, os ministros se empenharam em elogiar-se, em fóruns no exterior, pela “defesa da democracia”. A plateia era formada por seus bajuladores e compadres: estudantes, colegas de faculdade, advogados e políticos.
Ao lado da Itália, nações de sólida tradição jurídica e democrática, como a Espanha e os Estados Unidos, já acenderam alertas sobre o padrão das decisões de Moraes e o endosso do STF. No passado, o Brasil acolheu italianos e espanhóis em tempos de guerra, perseguição ou miséria na Europa. Hoje, são os brasileiros que precisam de socorro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-ramalho/moraes-e-sintoma-de-um-problema-maior-do-stf-que-o-mundo-precisa-conhecer/

Tren de Aragua já está se espalhando pelo Brasil

O local onde forças dos EUA mataram Niño Guerrero, chefe da fação criminosa venezuelana Tren de Aragua, fica a 88 quilômetros de Pacaraima (RR). Quando eu mencionei esse fato, citando a BBC, que disse que o Tren de Aragua estava presente em seis estados do Brasil, eu citei Roraima como sendo o primeiro deles. Na terça-feira, a Polícia Civil de Roraima realizou uma operação, com 25 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em Roraima e outros cinco estados: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Por quê? Porque o Tren de Aragua abastece o Comando Vermelho com armas – inclusive armas ponto 50, que podem ser uma metralhadora antiaérea, uma metralhadora potente que pode furar blindagens. São armas de guerra, que o Tren de Aragua consegue de algum lugar – o armamento do exército venezuelano vem da Rússia ou da China. O Comando Vermelho está bem estabelecido no Amazonas: domina a entrada do principal rio, o Solimões, que depois se torna Rio Amazonas.
Só achei estranhos os baixos valores apreendidos: US$ 50 mil e, como se disse por aí, “carros de luxo no valor de R$ 1 milhão”. Isso é o preço de um único carro de luxo; não sei o que andam considerando hoje como veículo de luxo, mas de fato também apreenderam carros.
As facções dominam território brasileiro, e Lula ainda fala em soberania
O Tren de Aragua é tratado pelos EUA como terrorista, e a operação que matou Niño Guerrero foi feita com a cooperação do governo venezuelano. Aqui, Lula reclamou que os americanos tenham classificado as facções brasileiras como terroristas, e se recusa a fazer o mesmo. Não sei se ele quer proteger o Comando Vermelho e o PCC. Lula diz que está protegendo a soberania nacional, mas isso é impossível, porque são exatamente o PCC e o CV que atacam a soberania do Estado brasileiro, dominando áreas no Rio de Janeiro ou na Amazônia. Agora, vemos que até uma facção estrangeira já se estabeleceu aqui. Não faz sentido esse argumento da soberania.
Lula insulta delegados e faz pouco de roubo de celulares
Em vez de atacar os bandidos, Lula prefere falar mal da polícia. Dias atrás, afirmou que, se alguém descobrir que comprou um celular roubado, é melhor devolver nos Correios e não na delegacia, porque não dá para confiar no delegado. Já o governador Tarcísio de Freitas, em São Paulo, pediu desculpas à população que teve seus celulares roubados, dizendo que vai trabalhar para acabar com isso. Vocês que me ouvem sabem do quanto o celular é importante. Outro dia, deixei o carro do lado de fora do Senado, onde ocorria o lançamento do livro do general Villas Bôas, e esqueci o celular dentro do veículo. Quando cheguei ao Senado, pensei: “é melhor que me levem o carro que o celular”. O telefone vale muito mais, porque a nossa vida, todos os registros importantes estão ali dentro. Vejam o valor de um celular, mas nosso presidente da República faz pouco disso.
Jornalista que discutiu com Carla Zambelli no caso da arma faz vaquinha e paga multa
O jornalista Luan Araújo tinha uma ordem de prisão expedida contra ele, porque não havia pago a multa que devia por difamação contra Carla Zambelli, em um texto que ele publicou no Diário do Centro do Mundo. Araújo foi aquele que discutiu com Carla Zambelli na véspera da eleição; ela disse que ele a ofendeu e ameaçou, Carla foi atrás dele com a pistola na mão, e foi até condenada por isso. Araújo acabou se sentindo dono do mundo e difamou Carla Zambelli na sua coluna; o advogado dela entrou com processo contra o jornalista; ele foi condenado a uma multa, que não pagou. O juiz, então, determinou a prisão dele, mas ele fez uma vaquinha e conseguiu pagar.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/tren-de-aragua-ja-esta-se-espalhando-pelo-brasil/

Mendonça contra a Máfia: ministro lavou a alma do brasileiro decente

O ministro André Mendonça, ao votar pela manutenção da prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro nesta terça-feira, protagonizou um embate com o ministro Gilmar Mendes que viralizou nas redes sociais. E não foi para menos! Mendonça lavou a alma do brasileiro decente, demonstrando coragem e independência para manter não só as prisões, como as investigações do caso Banco Master, contra toda a pressão do sistema.
Mendonça revelou ter recusado uma proposta de “delação seletiva” vinda da defesa de Vorcaro: “Me chegou uma proposta por um advogado, perderam o pudor, [dizendo]: ‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram na minha cara isso. Eu disse: ‘Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não’”, disse Mendonça, sem identificar o advogado responsável pela proposta.
Mendonça reiterou que a colaboração premiada deve ser um ato de vontade da defesa e que seu único compromisso é com o que a investigação determinar, e não em “pegar todo mundo” por conveniência. O ministro deixou claro isso pois Gilmar fez logo um paralelo com a Lava Jato, sua grande obsessão, querendo claramente plantar a semente da nulidade ali na frente.
Como tem muita gente envolvida, o esforço será para abafar as investigações e assar a pizza. Por isso mesmo, a postura de Mendonça merece tanto apoio: ele resolveu remar contra essa maré e desafiar os poderosos corruptos
Gilmar Mendes nem sempre foi contra a Lava Jato. Ao contrário: ele era um dos seus maiores defensores no Supremo. Mas algo aconteceu que o fez mudar repentinamente de postura. E desde então o decano da Corte vem tratando a Lava Jato como o maior desvio da Justiça brasileira, não como a mais eficaz operação de combate à corrupção que tivemos.
O povo parece discordar, tanto que o ex-juiz Sergio Moro lidera a corrida para o governo do Paraná, segundo pesquisa recente do IGR (Registro no TSE sob o nº PR-07149/2026), que ouviu 1.000 entrevistados entre os dias 10 e 13 de junho de 2026 e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais. O ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, também tem boas chances de ser eleito para o Senado, conforme a mesma pesquisa do IGR. Não obstante, Mendonça fez questão de deixar claro que uma coisa é a Lava Jato, e outra é o caso Master. O ministro tem tomado o cuidado de fazer tudo dentro das regras para não permitir a anulação posterior das sentenças condenatórias, quando vierem.
“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira do nosso país”, retrucou Mendonça no inicio de seu voto. Ele rebateu as críticas de Gilmar, afirmando que o processo não trata de “simples atores num gabinete na Faria Lima” praticando crimes de colarinho branco. Segundo o relator, a investigação revelou “contornos de máfia” e de “crime organizado mafioso”, com uso de fuzis, metralhadoras e infiltração no sistema policial.
De fato, “moer” uma empregada, “quebrar os dentes” de um jornalista e ter como braço-direito alguém chamado de Sicário, matador de aluguel, não é coisa de crime financeiro da Faria Lima apenas. No mais, o que o Tayayá de Toffoli tem a ver com a Faria Lima? O que o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes tem a ver com o mercado financeiro?
O Brasil precisa passar a limpo esse caso Master, pois tudo leva a crer que Vorcaro se transformou na maior lavanderia do sistema podre e carcomido do país. Como tem muita gente envolvida, o esforço será para abafar as investigações e assar a pizza. Por isso mesmo, a postura de Mendonça merece tanto apoio: ele resolveu remar contra essa maré e desafiar os poderosos corruptos.
Mendonça precisa tomar cuidado, evitar jatinhos e reforçar sua segurança. Ele mexeu num vespeiro. O senador Sergio Moro comentou: “Cabe elogiar a Segunda Turma do STF que, por maioria, manteve a prisão preventiva do pai e do primo de Daniel Vorcaro pelo gangsterismo de suas condutas e pelo risco ao processo. Sinaliza ao próprio Vorcaro que ele ficará – como deve ficar – preso. Os Mins. André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques honraram as togas e não embarcaram nas narrativas falsas sobre a investigação ou sobre os motivos das prisões”. Moro acrescentou: “Gilmar Mendes, apesar de sua ladainha contra a Lava Jato, fracassou em sua tentativa de livrar da prisão preventiva a gangue do Master. Vitória da lei e da justiça”.
O advogado André Marsiglia fez a seguinte análise: “O resultado mais importante do julgamento de ontem não foi a manutenção das prisões do clã Vorcaro, mas a demonstração de força de Mendonça diante dos demais ministros, sobretudo de Gilmar. Se o clã Vorcaro tivesse sido solto, ou se Mendonça não tivesse atuado de cabeça erguida, estaria aberto o caminho para a soltura do próprio Vorcaro. O que aconteceu ontem, e a forma como aconteceu, dificultam esse movimento. A ala que quer enterrar o caso Master terá trabalho”.
Mendonça disse que a irmã de Sicário, quem ele custou a acreditar que se matou, teve acesso a dados do iCloud do celular do irmão que a PF ainda não conseguiu acessar. Em seguida, leu a troca de mensagens: “Destruir de vez com a menina não custa”. Mendonça, então, defendeu que esse conteúdo venha à tona, e disse: “Vem mais coisa por aí”. É o que o Brasil todo deseja, à exceção dos corruptos. Com sua postura firme contra a Máfia, André Mendonça alimentou a esperança de combate à impunidade, que vinha sendo destruída num país em que até Sergio Cabral está solto e Lula “voltou à cena do crime”…
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/mendonca-mafia-ministro-lavou-a-alma-do-brasileiro-decente/
Condenação de Eduardo Bolsonaro é novo absurdo jurídico do STF

Na terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão, multa, perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e inelegibilidade, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, o ex-deputado (que está radicado nos Estados Unidos e perdeu o mandato em dezembro de 2025, devido a faltas) teria cometido crime ao pedir a autoridades dos EUA que impusessem sanções aos ministros do STF e tarifas a produtos brasileiros, em resposta ao processo então em curso no Supremo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Eduardo.
O próprio Eduardo Bolsonaro jamais escondeu que tivesse pedido ao governo norte-americano que sancionasse Alexandre de Moraes e outros ministros do Supremo – Moraes chegou a ser incluído na lista da Lei Magnitsky, que elenca violadores de direitos humanos, mas foi retirado meses depois. Por outro lado, embora o processo contra Jair Bolsonaro tivesse sido mencionado por Donald Trump nas justificativas do primeiro “tarifaço” contra o Brasil, Eduardo sempre afirmou que não havia solicitado nenhum tipo de tarifa. Tudo isso, no entanto, é (ou deveria ser) irrelevante, pois apenas uma interpretação muito extravagante, até mesmo teratológica, da lei penal brasileira poderia considerar ambas as atitudes como “coação no curso do processo”, definida no artigo 344 do Código Penal como “usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo arbitral”.
Pedir socorro ao exterior quando alguém julga que as instituições de seu país violam direitos fundamentais é um direito garantido internacionalmente
Violência, obviamente, não houve. Mas tampouco existiu “grave ameaça”; tudo o que o governo norte-americano poderia eventualmente fazer contra qualquer ministro do Supremo teria efeito bastante limitado – muito ao contrário, aliás, do que Moraes costuma fazer com as vítimas de seu arbítrio, não raro censuradas, privadas dos meios de subsistência (com bloqueios de contas ou desmonetização) ou do direito de ir e vir, graças a medidas como confisco de passaportes. Absolutamente nada que os norte-americanos pudessem fazer teria a capacidade de paralisar ou interferir no julgamento de Bolsonaro. E aqui há um detalhe importante: ainda que Eduardo Bolsonaro possa ter se esforçado para convencer as autoridades norte-americanas, ele não tinha poder nenhum sobre uma decisão final que não era dele, mas do governo dos Estados Unidos.
Dessa forma, o Supremo conseguiu, ao mesmo tempo, superdimensionar o poder de Eduardo Bolsonaro e diminuir a sua própria soberania – para usar uma palavra da moda. Primeiro, ao punir o ex-deputado como se tivesse sido dele a decisão de colocar Moraes na Lei Magnitsky ou cancelar vistos norte-americanos de ministros. Segundo, por implicitamente admitir que a possibilidade de não poder mais visitar os Estados Unidos já basta para que os ministros se sintam coagidos – ainda que batam no peito dizendo que não se deixaram coagir e condenaram Bolsonaro mesmo assim, a ideia está posta e não há como escapar dela: se para os ministros um visto cancelado já é “grave ameaça”, temos uma corte de floquinhos de neve.
Só isso já bastaria para descaracterizar o eventual crime de coação, mas o raciocínio dos ministros foi tão tacanho que acabou também negando o que é um direito garantido inclusive em tratados internacionais: o direito de denunciar internacionalmente supostas violações de direitos humanos, incluindo o direito de pedir punições aos responsáveis por tais violações. Ninguém em sã consciência haveria de questionar, por exemplo, a luta dos opositores ao regime do apartheid na África do Sul; as denúncias dos dissidentes dos regimes comunistas do Leste Europeu, como Andrei Sakharov e Alexander Soljenitsin; ou o esforço dos democratas venezuelanos, liderados por María Corina Machado, contra a ditadura chavista.
Sem querer fazer comparações entre o processo de Jair Bolsonaro e as situações elencadas, trata-se apenas de expor o princípio: qualquer um pode pedir socorro ao exterior se julga que as instituições de seu país estejam violando direitos fundamentais. O próprio Lula agiu assim em 2017, quando era processado na Lava Jato e enviou seus advogados à Europa para conseguir apoio de parlamentares britânicos e italianos. Cabe à comunidade internacional avaliar se as alegações fazem sentido e, em caso positivo, decidir o que fazer a respeito. Mas, a julgar pela argumentação dos ministros da Primeira Turma, os brasileiros não têm esse direito quando se trata de denunciar o arbítrio supremo.
A mordaça, assim, torna-se planetária. Criticar o Supremo e apontar seus desmandos, quando se está no Brasil, pode ser “tentativa de golpe de Estado”, “ataque à democracia”, “desinformação”, e mais uma série de outros crimes imaginários; quando se está no exterior, vira “coação no curso do processo”. O absurdo disso tudo é evidente. Ninguém precisa gostar de Eduardo Bolsonaro, ou achar que as denúncias sobre os desmandos do Supremo (não apenas as do ex-deputado, mas todas elas, venham de onde vierem) fazem sentido, para reconhecer que ele tem o direito de se manifestar sobre o processo de seu pai e de usar os canais que tiver à disposição para chamar a atenção de autoridades estrangeiras.
O defensor público apontado para representar Eduardo Bolsonaro, que não constituiu advogado, também fez seu trabalho ao identificar problemas processuais, como a citação feita por meio não previsto em lei e o fato de Moraes não poder julgar o ex-deputado, por ter sido o principal alvo das sanções americanas – ou seja, era parte interessada no processo. Os ministros ignoraram tudo isso, acostumados que estão a trocar o Código de Processo Penal pela própria vontade. E, ao agir assim, só deram ainda mais razão a quem exerce seu direito democrático de levar ao exterior a mensagem sobre um país onde o devido processo legal foi abolido e garantias básicas são negadas para facilitar a perseguição política – porque é disso que se trata.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/condenacao-eduardo-bolsonaro-coacao-stf/
Be the first to comment on "Suíte em hotel de luxo que Vorcaro bancou para Hugo Motta em Lisboa tem 247m²"