
Lula (PT) foi solenemente ignorado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar de suas tentativas, quem sabe, para conseguir um aperto de mão no G7, em Evian, na França. Ele chegou na véspera, tentando cavar o encontro, mas foi inútil. Trump não lhe deu espaço nem mesmo quando estavam a um metro de distância, enquanto os chefes de Estado e de Governo presentes procuravam se posicionar para a foto oficial. O vexame do brasileiro foi construído por ele mesmo.
A assessoria de Lula divulgou a versão de que ele teria conseguido cumprimentar Trump durante a noite, após um concerto organizado pelo anfitrião, Emmanuel Macron, no hotel onde se realiza a cúpula. O suposto cumprimento não foi confirmado por fonte isenta e nem por registro de foto ou vídeo.
Longe, ele ataca
Dias antes da humilhante tentativa de prosa em Evian, Lula chamou o presidente americano de “imbecil” e atacou seu secretário de Estado.
Perto, ele recua
Os insultos de Lula ocorreram dias depois de Trump receber o brasileiro em Washington com delicadeza, ouvindo sua conversa mole por 1h30.
Insulto não se esquece
Lula hostiliza Trump desde quando o chamou de “nazista”, na campanha presidencial americana. Agora, não consegue nem abrir negociação.
Mentiras de palanque
Bravatas eleitoreiras do tipo “não é um gringo que vai dar ordem a este presidente” eram lorotas. No caso, Trump não deu ordem alguma a Lula.
Luxos a Ciro Nogueira, hotel pago para Motta e ameaça da irmã de Sicário: novos detalhes do caso Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de inquéritos relacionados ao caso Master, do qual é relator, nesta terça-feira (16). Documentos encaminhados pela Polícia Federal (PF) ao ministro mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou uma vida luxuosa para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em contrapartida, o parlamentar atuou em favor dos interesses do banco no Congresso, de acordo com o relatório da PF.
Mas o senador não foi o único político que teve despesas pagas por Vorcaro. Os documentos citam registros de viagens e hospedagens pagas para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em outro inquérito, a PF mencionou as ameaças feitas pela irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, à família de Vorcaro. Joana Mourão teria ameaçado expor informações que poderiam “acabar com a família inteira” do banqueiro. A irmã de Sicário também mencionou ter recebido vídeos com mensagens intimidatórias informando que ela e a mãe seriam mortas.
Luxos bancados por Vorcaro a Ciro Nogueira
Os documentos enviados pela PF a Mendonça apontam que Vorcaro mantinha uma relação de benefícios mútuos com o senador Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, a proximidade entre os dois extrapolava uma amizade pessoal e envolvia vantagens econômicas concedidas ao parlamentar em troca de atuação favorável a interesses do Banco Master.
A PF afirma que um dos principais indícios dessa atuação foi a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De acordo com a investigação, a proposta teria sido elaborada pela assessoria do banco, encaminhada a Vorcaro e posteriormente apresentada pelo senador. Os investigadores também identificaram a circulação de minutas de outros projetos de interesse do banqueiro entre pessoas ligadas ao Banco Master e ao gabinete parlamentar.
Em contrapartida, segundo a PF, Vorcaro teria custeado uma série de despesas e regalias para Ciro Nogueira. A investigação cita hospedagens em hotéis de luxo em Nova York, gastos em restaurantes de alto padrão, voos privados e viagens internacionais. Os investigadores também apontam ainda que o banqueiro teria disponibilizado ao senador um imóvel de elevado padrão e autorizado o uso de seu cartão de crédito para despesas pessoais, inclusive durante uma viagem.
Na decisão que tornou públicos os documentos, Mendonça reproduz a avaliação da PF de que os elementos reunidos indicam, em tese, um arranjo voltado à obtenção de benefícios mútuos entre o senador e o banqueiro.
Ciro Nogueira foi procurado pela reportagem da Gazeta do Povo, mas não se manifestou até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
Motta também teve despesas custeadas pelo dono do Master
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também é citado em documentos da investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro que foram encaminhados pela PF ao ministro André Mendonça. Os relatórios registram viagens em aeronaves privadas ligadas ao empresário e despesas de hospedagem atribuídas a Motta pagas por Vorcaro.
Segundo a PF, mensagens de WhatsApp mostram que Motta foi mencionado em conversas sobre a organização de voos em jatos particulares de Vorcaro. Em alguns diálogos, ele aparece ao lado do senador Ciro Nogueira em listas de passageiros e em grupos relacionados à logística de deslocamentos. Para os investigadores, os registros ajudam a mapear a oferta de benefícios do banqueiro a políticos e autoridades.
A investigação também identificou o pagamento de hospedagens durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. Conversas analisadas pela PF mostram que Vorcaro solicitou a reserva de quartos em um hotel de luxo na capital portuguesa para ele mesmo, para Ciro Nogueira e para Hugo Motta. Os investigadores localizaram ainda uma nota de cobrança de cinco diárias no hotel, no valor de 3.155,71 euros, cerca de R$ 20 mil.
Ao comentar o caso, Motta afirmou que tem “muita tranquilidade” em relação às investigações e disse não enxergar irregularidades nos fatos relatados. Sobre a hospedagem em Lisboa, declarou que participou de um tradicional evento jurídico e que não considera inadequado o custeio da viagem. O presidente da Câmara não é investigado formalmente no inquérito.
Ameaças entre as famílias de Sicário e de Vorcaro
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) e encaminhadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, ameaçou divulgar informações que, segundo ela, poderiam comprometer gravemente a família de Vorcaro.
Nas conversas, Joana atribui à família Vorcaro a responsabilidade pela situação financeira enfrentada por ela e sua mãe após a morte do irmão, que se suicidou após ser preso na Operação Compliance Zero. Em uma das mensagens, ela afirma ter material capaz de “acabar com a família inteira” e ameaça entregar as informações à imprensa nacional.
Joana também relatou que ela e a mãe teriam recebido ameaças de morte. Segundo as mensagens, as duas receberam vídeos exibindo fuzis acompanhados de avisos de que seriam assassinadas. Ela afirmou que as ameaças, somadas ao medo de ser presa ou vítima de golpes, provocaram forte abalo emocional e físico, levando-a a perder peso e enfrentar dificuldades para dormir e se alimentar.
Segundo a PF, as declarações geraram preocupação entre os investigados. A corporação identificou tratativas envolvendo o bicheiro Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo, e Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, para transferir recursos e ativos à família de Sicário.
Para os investigadores, o objetivo seria conter a crise, evitar que informações armazenadas em serviços digitais chegassem às autoridades e silenciar possíveis testemunhas. O relatório também descreve a atuação de Manolo à frente de uma estrutura de segurança armada e cita suspeitas de intimidação contra ex-funcionários ligados ao grupo.
Além disso, a PF aponta indícios de que pessoas próximas aos investigados buscavam monitorar investigações em andamento, inclusive por meio do acesso a documentos internos da própria corporação encontrados durante as apurações.
A defesa de Vorcaro foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/luxos-a-ciro-nogueira-hotel-pago-para-motta-e-ameaca-da-irma-de-sicario-novos-detalhes-do-caso-master/

As luxuosas viagens de Hugo Motta e Ciro Nogueira, bancadas por Vorcaro

A Polícia Federal vem divulgando o que está encontrando nos celulares de Daniel Vorcaro. Ainda falta muito, mas os policiais já descobriram que Vorcaro sustentava uma dupla: Hugo Motta, atual presidente da Câmara; e Ciro Nogueira, senador pelo Piauí, ex-ministro de Jair Bolsonaro e presidente do Progressistas.
Vejam só: o banqueiro pagou viagens de Ciro Nogueira para Nova York, Lisboa, Paris e Courchevel. Courchevel é uma das mais atraentes estações de esqui da França, nos Alpes, para onde vão os milionários russos; tem 19 hotéis cinco-estrelas e meia dúzia de restaurantes com estrelas Michelin. É um destino caríssimo. Imaginem Ciro Nogueira no calor de 33 graus de Teresina, e depois indo para Courchevel. Hoje, por exemplo, em pleno verão, estava 16 graus no meio da tarde por lá; para o fim de semana a previsão é de neve! É um senhor contraste.
E Hugo Motta? Ele foi companheiro de Ciro Nogueira no Ritz Four Seasons de Lisboa, que tem também um restaurante com estrela Michelin. Até anotei aqui: por cinco diárias, uns R$ 18 mil por pessoa. Tudo bancado por Vorcaro. Que maravilha! O que será que eles fizeram para merecer?
Se a irmã do “Sicário” podia acabar com os Vorcaro, por que a PF não fez busca e apreensão?
O material que a Polícia Federal já levantou tem ainda um caso envolvendo a irmã do “Sicário”, o apelido de Luiz Phillipi Mourão, que morreu na cadeia. Joana Mourão ameaçou a família de Vorcaro se não recebesse dinheiro, disse que iria ao Fantástico contar tudo. No fim, um sujeito chamado Manolo, que era da “Turma” – a “Turma” eram aqueles que davam um aperto nos inconvenientes, o pessoal que ia quebrar o Lauro Jardim –, foi falar com a mãe de Joana e do “Sicário”, dona Denise, para fazer um acerto. Na sequência, ela virou sócia de uma empresa com capital de R$ 1 milhão. O nome da empresa é JM Consultoria – são as iniciais de Joana Mourão. Essa história ainda está mal contada; se a Polícia Federal sabia que Joana tinha provas para acabar com a família Vorcaro, como ela disse, já devia ter feito busca e apreensão na casa dela, para achar essas tais provas.
O que Peter Kellemen ensinou a Daniel Vorcaro
Enquanto isso, o ministro relator André Mendonça chegou a comentar a audácia da defesa de Vorcaro ao propor uma delação selecionada, filtrada. Queria deixar fatos e pessoas de fora. Vorcaro não está entendendo; a régua moral dele faz com que ele ache que não fez nada de mau, que fez tudo certo, que o país é assim mesmo. Ele foi apenas mais um que fez esse tipo de vigarice. Esse comportamento tem história. Eu estava lendo, em uma velha revista Realidade, o caso do Carnê Fartura, que Vorcaro copiou. Ele deve ter lido o livro do Peter Kellemen, Brasil para Principiantes, dizendo que este é o país da vigarice, o país do jeitinho, onde com dinheiro se compra tudo. E Vorcaro fez exatamente a mesma coisa que Peter Kellemen fez lá atrás, nos anos 60, nos golpes que deu. Só que Peter conseguiu fugir para o Paraguai. Hoje, quem foge para o Paraguai são empresas brasileiras.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/daniel-vorcaro-ciro-nogueira-hugo-motta-viagens/

Donald Trump começou a caçada aos chefões do PCC e CV

A coluna cantou a bola, há dias, de que o presidente americano Donald Trump não ficaria parado depois de classificar o PCC e CV como terroristas. E o governo americano fez anteontem a 1ª captura de um ex-chefão do PCC que vivia como milionário nos Estados Unidos. Ainda há mais por vir, dizem fontes autoridades do Brasil.
Como publicamos, vão surgir, a mando de Trump, operações das Forças Armadas e FBI em países da América Latina onde vivem chefes das seccionais do PCC e CV. Já estão todos monitorados. E no Brasil, haverá invasão americana? Nada, por ora, só na vizinhança. Por ora. E isso assusta muito bandido de colarinho branco no Brasil, que tem deixado o pó voar e navegar há décadas.
Máfia
Foi-se o tempo da marca da Mão Negra nas portas dos alvos mundo afora. Agora, a máfia manda recado por aplicativos bem criptografados e por advogados. Daniel Vorcaro estaria devendo R$ 80 milhões a um mafioso milanês. Temos os detalhes. Por isso tanto se diz na praça que é mais seguro ele ficar na cadeia.
IPTU
Segue a saga dos moradores e comerciantes de Betim, na Grande BH. O prefeito Heron Guimarães mandou o valor do IPTU para o espaço, mas ele volta sempre no bolso do cidadão. Moradores e lojistas estão de mãos atadas. Outro caso do imposto na cidade é de uma padaria, cujo valor saltou de 15 mil para R$ 90 mil da noite para o dia.
Planos de saúde
Dados inéditos da LCA Consultores traduzem o tamanho do abismo: enquanto as farmacêuticas alcançaram margem líquida média de 20,1% ao ano entre 2010 e 2025, as operadoras brasileiras chegaram a 3,5% no mesmo período. Com os medicamentos saltando de 7,3% para 10,2% das despesas assistenciais em cinco anos (alta de 40%), o setor de saúde suplementar alega que a conta ficou desequilibrada.
Em campo
As Lojas Americanas se reerguem na praça com unidades lotadas. No dia de estreia da Seleção do Brasil na Copa Fifa, a venda de camisetas triplicou, em comparação com a média diária. Já os artigos de torcida tiveram um aumento de 60%, comparado à venda do 1º dia do Mundial. Tudo isso nas lojas físicas. Mais de 60 milhões de unidades de figurinhas já foram comercializadas pela varejista
Violência digital
Quase nove milhões de brasileiras já sofreram algum tipo de violência digital, segundo pesquisa do DataSenado. “Esse cenário levou o Banco Central a discutir medidas para impedir o uso do Pix no envio de mensagens ofensivas e ameaças”, afirma Marlon Tseng, CEO da Pagsmile. Durante a 28ª Reunião Plenária do Fórum Pix, o BC anunciou a criação de um grupo de trabalho para propor soluções até julho deste ano.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/donald-trump-comecou-a-cacada-aos-chefoes-do-pcc-e-cv/

PCC, Comando Vermelho e Amazônia: a soberania seletiva dos indignados

A recente decisão do governo dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas tem motivado numerosas manifestações contrárias no Brasil, considerando a medida como uma violação da soberania nacional.
Se o conceito de soberania for entendido como a capacidade de um Estado nacional exercer o domínio territorial e institucional dentro de suas fronteiras, em quatro décadas no Brasil, tenho podido constatar uma constante “relativização” ou “compartilhamento” da soberania nacional em áreas-chave das políticas públicas, em especial, na segurança pública e no aproveitamento dos recursos naturais, principalmente, na Amazônia.
Quem vive nas capitais brasileiras conhece de perto por experiência cotidiana a extensão do domínio de facções criminosas e milícias sobre grandes áreas, onde tais grupos impõem a sua “lei” e a presença das instituições do Estado é virtualmente nula. No Rio de Janeiro, cerca de 48% da população da cidade vive em áreas ocupadas – e sangrentamente disputadas – por tais grupos. Em todo o País, segundo um estudo recente da Universidade de Cambridge, a proporção chega a um quarto da população, contra uma média de 14% para a América Latina em conjunto.
Não menos perniciosa para a soberania nacional é a crescente sinergia entre a criminalidade organizada e um sistema financeiro cada vez mais desvinculado da economia produtiva real
Na Amazônia Legal, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crime organizado já é o principal empregador em um terço dos municípios.
A Amazônia é, aliás, o palco favorito de manifestação de outro poder desafiante da soberania do Estado brasileiro, o aparato internacional que distorce e instrumentaliza a proteção do meio ambiente e a defesa dos povos indígenas, em favor de uma agenda que combina obstaculização do desenvolvimento interno de países como o Brasil e a conversão de recursos naturais em “colaterais” para grandes esquemas de financeirização da economia em escala global, um dos pilares da “globalização” das últimas décadas.
Ali, o Estado brasileiro “terceirizou” de fato o processo decisório sobre a ocupação e utilização dos recursos do território e a implementação de um vasto leque de atividades econômicas a um exército irregular de ONGs ambientalistas-indigenistas vinculadas àquela agenda internacional, apoiadas por seus prepostos institucionais situados em instituições nominalmente estatais como o Ibama, ICMBio, Funai, e por setores engajados do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Por ironia, essa atuação repressiva de atividades econômicas modernas (e, não raro, de pouco mais que subsistência) tem, com frequência, empregado recursos do Estado que teriam maior utilidade no combate ao crime organizado, que, por sua vez, tem a sua penetração facilitada pela carência de alternativas econômicas e infraestruturas modernas de que padece a maior parte da população amazônica.
Não menos perniciosa para a soberania nacional é a crescente sinergia entre a criminalidade organizada e um sistema financeiro cada vez mais desvinculado da economia produtiva real, como mostram as investigações em curso sobre a lavagem de dinheiro por fintechs vinculadas ao PCC, que se intersectam com o caso do Banco Master e os negócios “amazônicos” de seu encalacrado ex-dono Daniel Vorcaro (ver a coluna “Os tentáculos ‘verdes’ de Vorcaro”, 19 de maio).
No extremo, o Estado brasileiro também abdicou em favor da Faria Lima uma parte importante da sua soberania, a monetária e creditícia, fato que muitos brasileiros que rechaçam os golpes contra a soberania nacional naqueles outros aspectos se recusam a sequer examinar, apesar da sua relevância crucial para as perspectivas do País para superar a virtual estagnação que o tem entravado desde a década de 1990. E aqui não se trata de fazer apologia do estatismo à outrance ou da irresponsabilidade fiscal do Estado, mas da mera constatação de que nenhuma nação moderna que atingiu altos níveis de desenvolvimento conquistou tal posição concedendo plenamente aos interesses do sistema financeiro privado as suas prerrogativas monetárias e creditícias.
Todavia, o aprofundamento do tema foge ao escopo deste artigo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lorenzo-carrasco/pcc-cv-e-amazonia-a-soberania-seletiva-dos-indignados/
Imprensa internacional repercute condenação de Eduardo Bolsonaro e lembra do tarifaço de 2025

A imprensa internacional está repercutindo a condenação nesta terça-feira (16), pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos de prisão em regime semiaberto e inelegibilidade por oito anos devido a acusações de crime de coação no curso do processo.
A agência espanhola EFE afirmou que Eduardo foi condenado “por coerção judicial devido aos seus esforços junto ao governo dos Estados Unidos para impor sanções contra o Brasil” à época do processo no STF contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por acusações de tentativa de golpe de Estado, pelas quais o ex-mandatário foi condenado no ano passado a 27 anos de prisão.
“No ano passado, o governo dos EUA impôs sanções a vários ministros do Supremo Tribunal Federal do Brasil que julgaram e condenaram o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado”, lembrou a EFE, que também destacou os vínculos de juízes da Primeira Turma com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O julgamento ocorreu na Primeira Turma do Supremo Tribunal, composta por quatro juízes progressistas, incluindo Cristino Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro do governo Lula”, afirmou a agência espanhola.
Na sua reportagem sobre a condenação, o jornal francês Le Monde falou da amizade da família Bolsonaro com o presidente americano, Donald Trump, que no ano passado impôs um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros devido, entre outros motivos, ao processo contra Jair Bolsonaro.
Essas sobretaxas foram suspensas na maior parte devido à inflação dos alimentos nos EUA e a uma decisão de fevereiro da Suprema Corte americana que apontou irregularidades no tarifaço global que Trump impôs em 2025, mas no início deste mês o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão do governo americano, voltou a recomendar tarifas contra o Brasil sob outros argumentos.
“As relações entre Brasília e Washington estão passando por um momento difícil depois que Trump se reuniu com o irmão de Eduardo e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, às vésperas das eleições, nas quais as pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro e Lula estão numa disputa acirrada”, afirmou o periódico francês, mencionando o encontro na Casa Branca no final de maio.
A BBC disse em matéria no seu site que Eduardo “já havia declarado” à emissora britânica “que vivia ‘exilado’ [nos EUA] por medo de ser preso caso retornasse ao Brasil”.
“Ele tem buscado publicamente o apoio do governo Trump para seu pai, que comparou o caso contra o ex-presidente brasileiro a uma ‘caça às bruxas’”, acrescentou.
A agência americana Associated Press também falou da relação de Trump com os Bolsonaro na sua reportagem sobre a condenação de Eduardo.
“O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs ao Brasil uma tarifa de 50% no ano passado em protesto contra o processo movido contra Jair Bolsonaro por tentar reverter sua derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022”, disse a AP.
“As relações de Trump com Lula parecem ter melhorado no início de maio, quando o líder brasileiro visitou a Casa Branca, mas em junho o governo dos EUA propôs novamente tarifas de 25% sobre as importações brasileiras, alegando que a décima maior economia do mundo adota práticas comerciais abusivas”, lembrou a agência americana.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/imprensa-internacional-repercute-condenacao-eduardo-bolsonaro-lembra-tarifaco-2025/
Em Las Vegas, filme “Dark Horse” é exibido pela primeira vez

O filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro e foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, teve a sua pré-estreia em Las Vegas, nos Estados Unidos.
A exibição ocorreu na noite da segunda-feira (15) durante um evento conservador, o “Fraud-Fighter Summit”, cujo nome pode ser traduzido como “Cúpula de Combate à Fraude”. O congresso foi organizado por um grupo chamado UnAuthorized.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participou de um dos painéis do evento. Segundo o jornal O Globo, ele enfatizou a importância da guerra cultural e afirmou que Dark Horse será um “pesadelo” para a esquerda.
“É assim que esse tipo de coisa é, poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”, disse o ex-deputado.
Eduardo Bolsonaro falou sobre ação do PT impedindo exibição de “Dark Horse”
Questionado sobre as reações políticas à produção do filme, Eduardo não fez menção às investigações sobre o financiamento de “Dark Horse” por Vorcaro. O ex-deputado falou apenas sobre uma ação na Justiça Eleitoral que tentou barrar a execução do filme no Brasil antes das eleições de outubro de 2026.
“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, lembrou.
O pedido foi rejeitado no TSE pelo presidente da corte eleitoral, o ministro Kassio Nunes Marques.
A estreia do filme aconteceu na segunda-feira no hotel Ahern, de forma discreta: Eduardo Bolsonaro e seus aliados não fizeram alarde sobre a primeira exibição do filme, que foi gravado em inglês e ainda não tem data de lançamento no Brasil.
Filme foi financiado por Vorcaro
A relação entre Vorcaro e a produção do filme foi revelada por uma série de reportagens do portal The Intercept. O site publicou conversas do ex-dono do Banco Master com o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Nos diálogos, Flávio cobrou o pagamento do patrocínio acordado para “Dark Horse” e chegou a chamar Vorcaro de amigo.
Segundo as reportagens, ao menos US$ 10,6 milhões de dólares, ou pouco mais de R$ 60 milhões, na cotação do dólar do período das transferências teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Faltariam ainda metade deste valor, ou R$ 136 milhões, que não seriam pagos porque estourou a Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro.
Em sua defesa, o senador apontou que o dinheiro solicitado era privado e voltado para a produção de um filme igualmente privado. Ele reforçou seu ponto lembrando que não houve utilização do mecanismo de incentivo fiscal da Lei Rouanet.
Durante um evento em São Paulo, na última segunda-feira (15), Flávio tentou minimizar a questão do patrocínio vindo de Vorcaro. Para o pré-candidato à presidência, a iniciativa de buscar recursos privados com o banqueiro não configura nenhuma irregularidade.
“A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Eu vi as coisas pelo lado bom, porque não tem outra coisa para falar de mim, a não ser isso, que é algo que não tem absolutamente nada de errado. É uma relação privada, um investimento, e a pessoa teria um retorno”, afirmou o senador.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/em-las-vegas-filme-dark-horse-e-exibido-pela-primeira-vez/
Moraes perde prazo em processo nos EUA, revela advogado
O advogado Martin de Luca, que representa as empresas Rumble e Trump Media, afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes perdeu seu prazo para se manifestar em uma ação que aponta censura contra cidadãos americanos.
De acordo com de Luca, o ministro ainda não se manifestou nos autos. O governo brasileiro, por sua vez, teria insistido no discurso de soberania nacional, mas esclareceu que não fala em nome de Moraes.
“Argumentar a soberania brasileira enquanto Moraes viola simultaneamente leis dos EUA é um direito do Governo do Brasil. O tribunal federal da Flórida ouvirá esses argumentos no momento devido”, concluiu o advogado, por meio de uma postagem em suas redes sociais. Mais tarde, de Luca voltou a publicar, propondo ao internauta um exercício mental:
“Imagine que um juiz americano envie ordens secretas por e-mail a empresas brasileiras. As ordens exigem que elas tomem ações dentro do Brasil que violem a lei brasileira. Os executivos brasileiros são instruídos no e-mail pelo juiz americano a não notificar as autoridades brasileiras ou qualquer outra pessoa sobre a ordem secreta. Alguém em Brasília chamaria isso de “respeito pela soberania americana”? A soberania não é um escudo de mão única. Se um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro quiser que suas ordens tenham efeito em outro país, ele deve passar pela lei, pelos tribunais e pelo devido processo desse país. Esse princípio protege o Brasil. Ele também protege os Estados Unidos.”
A perda do prazo coincide com a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) a 4 anos de prisão. Ele também foi condenado à inelegibilidade por até 12 anos. Ele foi acusado de articular sanções contra autoridades brasileiras, sobretudo Moraes. Em sua defesa, tanto o próprio Eduardo quanto a Defensoria Pública da União (DPU) argumentam no mesmo sentido, o de que o ministro, por ter sido também vítima, não poderia julgar caso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/moraes-perde-prazo-em-processo-nos-eua-revela-advogado/
Vorcaro pediu avião para transportar ‘kengas’

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou por mensagem a seu auxiliar Leo Serrano Giunchetti que precisava de um “avião para as kengas”, como sem referiu a garotas de programa.
A mensagem foi de abril de 2024, mesmo mês em que ele esteve em Londres participando de evento sobra o Brasil no qual bancou a hospedagem de convidados em hotel de luxo e pagou a conta equivalente a R$3,4 bilhões de uma degustação de uísque Macallan e charutos raros.
A degustação, ocorrida no exclusivo George Club, contou com a presença de ministros do governo Lula (PT), integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribiunal de Justiça e outras autoridades. Não há informação de que essas pessoas tenham encontrado supostas garotas de programa
Antes da mensagem sobre “avião para as kengas”, no mesmo dia, Vorcaro tratou por mensagem de um voo com políticos.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/uncategorized/vorcaro-pediu-avao-para-transportar-kengas
Mendonça rebate Gilmar e vê ‘contornos de máfia’ no caso Master

O julgamento no STF sobre a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi marcado por um novo atrito entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
Relator do caso, Mendonça votou para manter a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como integrante do núcleo responsável por intimidações, monitoramento de desafetos e ocultação de recursos ligados ao esquema investigado na Operação Compliance Zero. Em seu voto, o ministro afirmou haver “fortes indícios” da atuação de uma organização criminosa e sustentou que não existiriam medidas cautelares menos gravosas capazes de garantir a ordem pública e o andamento das investigações.
Ao apresentar voto-vista, Gilmar fez duras críticas ao que chamou de riscos de repetição de práticas associadas à Lava Jato. O decano afirmou que delações não podem ser obtidas sob pressão e advertiu que “juiz não pode agir como delegado”, embora nunca tenha feita crítica semelhante sobre a atuação do ministro ALexandre de Moraes. Também questionou o uso de prisões preventivas prolongadas para estimular acordos de colaboração, alertando para a necessidade de respeito às garantias processuais.
Mendonça reagiu diretamente às observações do colega. Em resposta, afirmou que “não estamos a julgar a Lava Jato”, numa referência às constantes comparações feitas por Gilmar com a operação. O relator sustentou que o caso deve ser analisado à luz das provas produzidas pela Polícia Federal e da manifestação da Procuradoria-Geral da República, e não por analogias com investigações do passado. E destacou a existência de “contornos de máfia” no caso envolvendo Vorcaro.
O embate expôs divergências mais amplas entre os ministros sobre os limites da atuação judicial em investigações criminais. Enquanto Gilmar demonstrou preocupação com eventuais excessos na condução do caso Master, Mendonça defendeu a atuação das autoridades responsáveis pela investigação e a necessidade de preservar medidas consideradas essenciais para o avanço das apurações.
Apesar da troca de farpas, a maioria da Segunda Turma se inclinou pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro.
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