O risco da interferência do Judiciário nas eleições está de volta

Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito aberto pelo STF por suposta calúnia contra Lula. (Foto: ChatGPT sobre foto de Jefferson Rudy/Agência Senado)

A disputa presidencial deste ano será muito mais árdua para Lula do que o petismo imaginava tempos atrás. A “união e reconstrução” dos primeiros dois anos e meio de mandato não passaram de slogan: Lula continuou governando só para os seus, antagonizando metade do país, e a economia, em vez de ser reconstruída no pós-pandemia, dá sinais de exaustão. Com o senador Flávio Bolsonaro em sua cola (ou até à sua frente) em pesquisas de opinião, e outros pré-candidatos de direita prometendo bater firme no governo, Lula resolveu pedir a interferência da Justiça desde já.

Na segunda-feira, o ministro do STF Alexandre de Moraes (quem mais?) ordenou a abertura de um inquérito para apurar suposta calúnia cometida por Flávio Bolsonaro contra Lula em uma publicação nas mídias sociais. Para surpresa de muito poucos ou de ninguém, a representação partiu da Polícia Federal, com endosso da Procuradoria-Geral da República e do Ministério da Justiça. Em 3 de janeiro de 2026, logo após a ação norte-americana que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”

Lula e seus advogados de campanha judicializaram pesadamente o debate eleitoral de 2022, com sucesso; por que não fariam o mesmo agora?

Que o palavreado é forte, disso não há dúvida. Suficiente para um processo por calúnia? Apenas se a lei for ignorada. Afinal, o crime de calúnia exige uma imputação específica e concreta, o que não existe na publicação. A bem da verdade, se a lei penal deve ser interpretada da forma mais restritiva possível, o senador nem sequer imputou crimes a Lula, mas ao Foro de São Paulo (ao qual Lula pertence, é verdade). Além disso, nunca é demais recordar que parlamentares como Flávio Bolsonaro são constitucionalmente protegidos “por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”, e só à custa de muito malabarismo jurídico seria possível excluir das atividades relacionadas ao exercício do mandato parlamentar a crítica a um governante, ainda que de forma mais dura. Como não nos parece que nem os delegados da PF, nem o ministro Wellington Lima e Silva, nem o procurador-geral Paulo Gonet, nem o ministro Moraes sejam ignorantes a ponto de não saber que a lei protege as críticas de um senador ao governo e ao presidente da República, restam apenas outras alternativas nada alvissareiras para o pleito que se aproxima.

Lula sabe que o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral desequilibraram a disputa de 2022 com suas decisões de censura, algumas das quais impediram até mesmo a veiculação de conteúdos sabidamente verídicos, como a aliança entre Lula e o ditador nicaraguense Daniel Ortega, ou a postura favorável à legalização do aborto. Se por acaso o petista ainda tivesse dúvidas sobre isso, bastariam as palavras de Gilmar Mendes, em outubro de 2023, para esclarecê-lo: “Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal”, afirmou na ocasião o ministro do STF. Ainda que estivesse falando do desmantelamento da Lava Jato (que limpou a ficha de Lula), ou da tal “defesa da democracia” por parte do Supremo, a formulação escolhida pelo decano do STF não deixa de ser um ato falho interessante.

Moraes, felizmente, já não integra o TSE, mas nem por isso terá perdido o cacoete de árbitro microgerenciador do debate eleitoral, e poderia continuar fazendo estragos no STF. Lula e seus advogados de campanha judicializaram pesadamente o debate eleitoral de 2022, com sucesso; por que não fariam o mesmo agora? Não fará sentido querer esconder do eleitor a amizade de Lula com ditadores de esquerda – incluindo Nicolás Maduro –, sua participação no Foro de São Paulo e as atividades ilegais de que outros membros do Foro são, sim, acusados? Podemos ir além, já que uma condenação criminal no Supremo teria a capacidade até mesmo de tirar uma pessoa da disputa eleitoral. Se até a apresentação de um relatório parlamentar não aprovado deveria render inelegibilidade, na opinião de Dias Toffoli, não é preciso ter muita imaginação para concluir que há riscos sérios de a interferência judicial nas eleições ir muito além do controle do discurso exercido pelos tribunais superiores em 2022.

O desenrolar de um inquérito que nem sequer deveria existir vai mostrar como o Judiciário irá se portar ao longo dos próximos meses. TSE e STF podem e devem reverter as práticas de 2022 e seguir o que disse um certo ex-presidente do TSE naquele mesmo ano, quando, em seu discurso de posse à frente da corte eleitoral, afirmou que “a intervenção da Justiça Eleitoral deve ser mínima, em preponderância ao direito à liberdade de expressão dos candidatos, das candidatas e do eleitorado”. Ou podem fazer o exato oposto e interferir de forma decisiva e parcial no debate eleitoral, como fez o autor desse discurso no exercício do cargo, negando o próprio discurso.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/processo-lula-flavio-bolsonaro-judicializacao-debate-eleitoral/

Gilmar Mendes reclama dos “ingratos”

Gilmar Mendes acha que criticar ministros do STF após ser beneficiado por decisões da corte é ingratidão. (Foto: ChatGPT sobre foto de Luiz Silveira/STF)

Quando não está usando o enorme poder que tem para perseguir seus críticos, o decano do Supremo Tribunal FederalGilmar Mendes, está usando as mídias sociais para reclamar da ingratidão de autoridades beneficiadas pelas decisões da corte. O alvo da vez foi Romeu Zema, que deixou o governo de Minas Gerais e é pré-candidato à Presidência da República pelo Novo. O ex-governador havia afirmado que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli mereciam não apenas impeachment, mas prisão, devido a suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Dois dias depois, Gilmar foi ao X lembrar que o STF havia dado ganho de causa a Minas Gerais em ações relativas à recuperação fiscal do estado.

“É, no mínimo, irônico ver quem já geriu o estado de Minas Gerais atacar o STF e seus membros após ter, durante sua gestão, solicitado ao tribunal medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União”, afirmou o ministro, acrescentando que “sem o socorro institucional do STF, o então governador teria enfrentado um cenário de grave desorganização fiscal”. Gilmar acrescentou link para uma reportagem sobre uma nota técnica do Ministério da Fazenda, listando duas decisões do STF que permitiram a Minas ficar 21 meses sem pagar parcelas de sua dívida com a União.

Gilmar Mendes trata decisões passadas em ações judiciais como moeda de troca que compraria o silêncio em relação aos abusos cometidos pelos ministros

Na primeira destas decisões, a ADPF 983, o Supremo reconheceu a omissão da Assembleia Legislativa mineira, que simplesmente não colocou para votação os projetos de lei que instituíam as medidas de ajuste necessárias para a adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal, adesão essa que já tinha o aval do governo federal. A segunda decisão veio na Petição 12.074 (apresentada em conjunto por Minas e pela União), prolongando a suspensão dos pagamentos enquanto se concluía a homologação do plano de recuperação. Terminados os prazos concedidos pelas liminares, Minas voltou a pagar as parcelas devidas e, no fim de 2025, aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), substituto do RRF.

Gilmar Mendes, então, parafraseia Augusto dos Anjos ao dizer que a mão que pede é a mesma que apedreja: quando precisava do Supremo, Zema correu até ele; agora, fala em impeachment e prisão de dois de seus ministros. “É a política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição”, queixa-se o decano, sem explicar onde a Constituição prevê a blindagem e a autoproteção escancarada dos ministros e, especialmente, sem perceber que o utilitarista, aqui, é ele mesmo, ao tratar decisões passadas em ações judiciais como moeda de troca que compraria o silêncio, da parte de quem obteve ganho de causa no tribunal, em relação aos abusos cometidos por seus membros.

Uma corte – qualquer corte, da primeira instância ao Supremo – serve para interpretar a lei e fazer justiça, não para funcionar como balcão de troca de favores. O tribunal é o lugar da técnica, não da política. Zema recorreu ao STF porque a corte era a instância que deveria resolver aquela controvérsia específica. Se a sua demanda era justa, os ministros não fizeram mais que a sua obrigação ao julgar corretamente – embora saibamos que nem sempre é fácil a uma autoridade cumprir a obrigação. Mas, ainda que Zema não tivesse razão e os ministros tivessem se equivocado quanto à existência de uma omissão legislativa (e não é nosso objetivo aqui discutir o mérito da disputa), isso não lhe retiraria o direito de criticar os mesmos juízes que decidiram em seu favor no passado, especialmente por motivos completamente alheios aos que motivaram a querela judicial que Gilmar Mendes agora quer usar como um cala-boca.

Ao insinuar hipocrisia ou ingratidão da parte de Romeu Zema, é Gilmar Mendes quem rebaixa o Supremo, que deixa de ser o julgador imparcial para se portar como ator político; as decisões já não são a interpretação técnica da lei e sua aplicação aos fatos, mas apenas questão de conveniência – a mesma citada pelo decano em sua publicação –, de favores feitos esperando-se a retribuição, ainda que ela seja apenas o silêncio diante de uma arbitrariedade. É o famoso “você tem de me ajudar a te ajudar” do sargento Rocha, personagem de Tropa de Elite. Que Gilmar não tenha resistido à tentação de tornar pública sua irritação nesses termos específicos é uma demonstração de como ele amesquinha uma das mais altas funções da República, transformando um chamado para defender a Constituição, a lei e a justiça em um trampolim para um poder absoluto, capaz de dizer até mesmo quem pode criticar e quem pode ser criticado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/gilmar-mendes-romeu-zema-ingratidao/

Pesquisa: maioria dos brasileiros afirma não confiar no STF

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido visto com desconfiança por um número crescente de brasileiros, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo (19) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O desgaste na imagem da Corte acompanha a crise relacionada ao escândalo do Banco Master e a suspeitas de envolvimento de magistrados em casos de corrupção, de acordo com o jornal.

Realizado entre os dias 10 e 13 de abril, o levantamento mostrou que, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2022, a maioria da população diz desconfiar do STF: o índice chegou a 53%. Em contrapartida, o percentual de quem diz confiar na Corte recuou para 41%, enquanto 6% não souberam ou não quiseram responder.

A queda registrada pelo levantamento foi brusca, considerando que 56% dos entrevistados tinham uma percepção positiva do STF em 2022. A redução mais acentuada ocorreu entre agosto de 2025 e março de 2026 — período em que o escândalo do Banco Master ganhou as manchetes. Até agosto de 2025, 50% dos brasileiros confiavam na Corte, contra 47% que desconfiavam.

Rejeição é maior no Sul, no Sudeste e entre as faixas de maior renda

A pesquisa revelou ainda um recorte regional: a desconfiança é maior no Sul (62%) e no Sudeste (59%). A rejeição também cresce conforme o nível de renda: 60% dos que ganham mais de cinco salários mínimos não acreditam no Supremo. Já entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos (cerca de R$ 3.500 mensais brutos), há um empate técnico, com 47% de desconfiança e 45% de confiança.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado na Justiça Eleitoral com o número BR-09285/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pesquisa-maioria-dos-brasileiros-afirma-nao-confiar-no-stf/

Há 1.335 dias Lula prometeu picanha e cervejinha, mas era só campanha eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Então candidato ao terceiro mandato à frente da Presidência, Lula (PT) prometeu há 1.335 dias que o brasileiro “voltaria a comer churrasquinho, picanha e cervejinha”. A afirmação do petista em entrevista ao Jornal Nacional da Globo, em 24 de agosto de 2022, virou mantra da campanha petista. Após quase 44 meses, todos os preços aumentaram; a cerveja, por exemplo, ficou 25% mais cara, em média, em mercados e bares.

Só inflação

Só a inflação acumulada desde janeiro de 2023 significa que todos os produtos ficaram ao menos 17% mais caros. No mínimo.

Dois anos de carnes

Entre janeiro de 2024 e março de 2026 a picanha acumulou 12% de alta; o contrafilé subiu 26%; acém, 31,8%; e músculo, 25,7%, diz o Farmnews.

Origem dos cortes

O preço nominal da arroba do bezerro passou dos R$500 pela primeira vez na história, em abril. A alta anterior foi em 2021, durante a pandemia.

Esqueceu

“O povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha”, disse Lula em 2022. Em 2026, não disse nada.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/ha-1-335-dias-lula-prometeu-picanha-e-cervejinha-mas-era-so-campanha-eleitoral

Sem Lula, nome de Camilo Santana cresce no PT

Camilo Santana, ex-ministro da Educação (Foto: Fabiana de Paula/SVM).

A hipótese de o presidente Lula desistir de tentar a reeleição fez com que alas do partido defendessem logo a substituição, com a definição do ex-governador cearense Camilo Santana no posto. A ideia encorpou após possibilidade de Ciro Gomes (PSDB) se lançar ao Planalto, dando fôlego a Elmano de Freitas, com complicada missão de se reeleger, até agora, no pleito contra o tucano. Santana, inclusive, é tido também como “plano B” caso a disputa no Ceará aperte, assumindo a disputa contra Ciro. As informações são do jornalista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Como Santana comandou o Ministério da Educação, a avaliação é que o petista consegue dialogar com o eleitor mais jovem, cansado de Lula.

Santana tem desbancado Fernando Haddad na preferência interna por ser reconhecido no Nordeste, região que é fortaleza eleitoral do partido.

Se tudo errado, Camilo Santana não vai ficar na chuva. O petista ainda tem mais quatro anos de mandato no Senado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/sem-lula-nome-de-camilo-santana-cresce-no-pt

Governo acumula R$28 bilhões da merenda sem análise de contas

Demora na análise de 45 mil contas pode inviabilizar a recuperação de valores usados de forma irregular (Foto: Agência Brasil).

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o governo federal acumula cerca de R$ 28 bilhões em recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) sem a devida análise de prestação de contas. O passivo envolve mais de 45 mil processos de repasses realizados entre 2011 e 2021, que permanecem travados no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela fiscalização.

O PNAE opera de forma descentralizada, enviando verbas para que estados e municípios comprem os alimentos da merenda. No entanto, a falta de análise técnica sobre como esse dinheiro foi gasto impede a verificação de possíveis irregularidades, como desvios de verba, superfaturamento ou a entrega de produtos vencidos, comprometendo a transparência e a eficiência de uma das principais políticas sociais do país.

O TCU alerta que essa demora excessiva traz um risco real de impunidade, uma vez que os casos podem prescrever. A prescrição significa que o governo perde o prazo legal para punir os responsáveis por má gestão e, consequentemente, torna-se impossível recuperar os valores públicos que tenham sido utilizados de forma indevida ou fraudulenta.

De acordo com o tribunal, o acúmulo deve-se a limitações operacionais e à falta de capacidade do FNDE em lidar com o enorme volume de contas. Embora novas tecnologias tenham sido adotadas para agilizar o processo, o montante pendente ainda é considerado expressivo, deixando bilhões de reais destinados à alimentação de estudantes da rede pública sem o controle financeiro adequado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/governo-acumula-r28-bilhoes-da-merenda-sem-analise-de-contas

Alexandre Garcia

Ibaneis Rocha sumiu na véspera da prisão do ex-presidente do BRB

O ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha (Foto: Joédson Alves/EFE)

O ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha sumiu, e sumiu na véspera da prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Interessante: ele pode ter tido informação de que o ex-presidente do banco seria preso e imediatamente sumiu. Ninguém sabe onde ele está.

Eu estou na França, quem sabe eu dou de cara com ele por aqui. A gente sabe por que ele sumiu: foi medo de ser preso. Ele imaginou que, prendendo o ex-presidente do BRB, o prenderiam também.

É uma atitude que o incrimina, porque ele reconhece que tanto o ex-presidente do Banco de Brasília como ele têm responsabilidade sobre a tentativa de compra do Banco Master, para aliviar o Daniel Vorcaro do banco quebrado.

Ele estava comprando R$ 12 bilhões em títulos podres. Os dois convenceram o Legislativo de Brasília a aprovar, por 14 a 10 — em um total de 24 deputados distritais —, a compra do banco, que o Banco Central vetou, porque ia contaminar o banco estatal do Distrito Federal, que é um dos poucos estatais de unidades da federação que ainda subsistem. Ninguém sabe que fim levou Ibaneis. Ibaneis sumiu.

STF dá mau exemplo

Vejam só o mau exemplo, de impunidade, que o Supremo Tribunal Federal (STF) deu na Operação Lava Jato, ao livrar a maior parte das pessoas, principalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Transmitiu a mensagem para os mal intencionados de que corrupção fica na impunidade.

O Maurício Camisotti, ligado ao Careca do INSS, foi preso, fez delação premiada e se comprometeu a devolver R$ 400 milhões. Ou seja, ele tem R$ 400 milhões, cash à vista, depositados à vista em algum paraíso fiscal para devolver. Isso só aconteceu na Lava Jato, mas foi um décimo disso: foi o Pedro Barusco, gerente da Petrobras, que se comprometeu a devolver cerca de R$ 40 milhões.

Quer dizer que essa gente vai levando, vai levando e depositando num banco fora do Brasil. É o crime compensando. Depois que Lula foi solto, depois que o Dias Toffoli liberou a multa da JBS — uma coisa que todo mundo tomou como um escândalo, multa de bilhões.

Universidade é progressista só no nome

Universidade Federal do Rio Grande, da cidade de Rio Grande (RS): fazia 43 anos que a Marinha subsidiava todas as viagens para a Antártida para o curso de Oceanologia daquela instituição, que é um curso brilhante, só que agora não vai ter mais esse financiamento e aporte material.

Por quê? Porque retiraram o título de doutor honoris causa do almirante de esquadra Maximiano da Fonseca. A Marinha reagiu. O almirante Marcos Sampaio Olsen, que é o comandante da Marinha, disse que a Marinha está (vou colocar ipsis litteris aqui) “muito incomodada” porque a universidade negligenciou as contribuições de um homem honrado, de uma vida dedicada ao país.

Eu sou testemunha dessa vida de Maximiano da Fonseca. O almirante Olsen recebeu isso com profundo desagrado, e tem toda a razão.

Aquela universidade que está totalmente aparelhada por uma ideologia retrógrada, não tem nada de progressista. Se chama de progressista exatamente pelo mesmo motivo pelo qual o lado de Berlim, o da Alemanha ligada à União Soviética, se chamava República Democrática da Alemanha. Quando precisa dizer que é, é porque não é. “O homem que diz ‘sou’ não é, porque quem é mesmo não diz”, escreveu Vinícius de Moraes.

Fez muito bem a Marinha, que recebia a universidade lá na estação da Antártida, que dava todo o apoio, que criou o programa especial para beneficiar os estudos da universidade, que agora fica sem isso; prefere ficar no palanque ideológico retrógrado, apoiando ditaduras.

Congresso vai votar derrubada de veto ao PL da Dosimetria

Está marcada para o fim do mês a votação que pretende derrubar o veto do presidente da República ao projeto que se convencionou chamar de PL da Dosimetria, que foi aprovado por 339 deputados e senadores e teve um total de 173 deputados e senadores contra. É esse o escore que espera o exame dos vetos de Lula, que certamente serão derrubados.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/ibaneis-rocha-sumiu-vespera-prisao-ex-presidente-brb/

Luís Ernesto Lacombe

Aécio Neves, o “neto caduco da democracia”

Aécio Neves criticou o impeachment de ministros do STF e o relatório da CPI do Crime Organizado. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

É impressionante a falta de memória dos brasileiros de um modo geral. Triste perceber que ainda há “currais eleitorais” num país que já deveria ter se livrado desse modelo há muito tempo. Politiqueiros que estão na vida pública há muito tempo ainda conseguem ser eleitos, quando deveriam estar mortos politicamente. Tanto já fizeram de errado, tanto deixaram de fazer, e os eleitores ainda digitam o seu número na urna eletrônica, entregando o país a um caos sem fim.

Aécio Neves é hoje um dos maiores exemplos desse descalabro. Deveria estar soterrado, entregue à inexistência política, lembrado apenas como referência negativa, como aquilo de que não precisamos. Em vez disso, anda por aí, confortavelmente, propondo “soluções” para restabelecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário… E as últimas falas do deputado federal representam um apoio à tirania que tomou conta do Brasil.

As últimas falas de Aécio Neves representam um apoio à tirania que tomou conta do Brasil

Aécio resolveu criticar, sem nenhum pudor, a abertura de processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O dispositivo é legal, constitucional, e não faltam razões para o afastamento de alguns magistrados que praticaram abusos, arbítrios e ilegalidades e andam agora envolvidos com o dono de um banco fraudulento. Mesmo assim, o tucano afirma: “O Brasil está precisando de tudo, menos de mais ruptura”. É inacreditável que um deputado federal, mesmo diante de tantas interferências do STF no Legislativo, venha com algo assim. Então, o politiqueiro Aécio, suspeito de corrupção em tantas ocasiões, é contra a ruptura com aquilo que não presta?

O mineiro ainda criticou o relatório não aprovado da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento, por crime de responsabilidade, de três ministros do Supremo: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Aécio achou “frágil” o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e chamou o texto de “peça eleitoral”. E piora: o tucano achou normal a reação dos ministros da corte ao relatório. Gilmar Mendes até pediu investigação contra Alessandro Vieira por possível crime de abuso de autoridade! “Eu entendo, sobretudo alguém com a história, a qualidade intelectual e o espírito público do ministro Gilmar, atacado na sua honra, ter esse sentimento”, disse o deputado.

Aécio também saiu em defesa de Alexandre de Moraes. Para o deputado, o ministro é mesmo uma “muralha em defesa da democracia”: “a marca do ministro Alexandre é de alguém que foi absolutamente firme e determinante para que nós não corrêssemos o risco de perder o nosso mais valioso bem, que são as unidades democráticas, as nossas instituições sólidas e funcionando. Acho que essa foi a grande contribuição que o ministro Alexandre deu, e é essa que eu acho que a história haverá de registrar”.

Ao mesmo tempo em que critica a indicação de pessoas mais jovens para a corte suprema, ele deseja êxito a Jorge Messias, de 46 anos, que ainda nem passou pela sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O deputado disse que “não há nada que desabone” Messias – um defensor do MST e do assassinato de bebês no ventre das mães –, e que ouviu de outros ministros do Supremo elogios à “qualidade técnica” do indicado por Lula.

Definitivamente, o Brasil não precisa de gente como Aécio Neves, que se considera um “neto da democracia”. O deputado, que já enganou muita gente, é presidente nacional do PSDB – como ele, um partido moribundo. É um defensor da “terceira via”, para o bem do Brasil. Aponta para o que não existe como se fórmula mágica fosse. Nem deveria mais ocupar espaço na mídia. Eu mesmo não gostaria de escrever sobre ele, a não ser uma nota de seu obituário político… Que se retire, e o país ficará bem melhor.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/aecio-neves-stf-impeachment-moraes-gilmar/

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