
A oposição denuncia que as duas delações premiadas mais impactantes dos últimos anos no país — a do tenente-coronel Mauro Cid, e a do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master, ainda em negociação — receberam tratamentos opostos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso revelaria um duplo padrão dele na abordagem desse instrumento jurídico, que vem gerando revolta entre a oposição, segundo políticos e analistas ouvidos pela reportagem.
No caso de Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), aliados do ex-presidente afirmam que o acordo só foi obtido após excessiva pressão, sendo usado como base para sustentar investigações e prisões relacionadas ao processo de suposta tentativa de golpe de Estado. Já a possível delação de Vorcaro é vista como ameaça direta ao próprio ministro e a outros colegas de Corte.
Esse contraste alimenta a percepção oposicionista de que a colaboração premiada de Cid teria servido como um instrumento de coação, enquanto a outra, de Vorcaro, deve estar sendo tratada por Moraes e outros como um risco a ser contido. Tal leitura ganhou força nas últimas semanas graças a inesperados movimentos do STF na direção de limitar esse tipo de prova.
Procurada, a assessoria de Alexandre de Moraes não se manifestou até o fechamento desta reportagem sobre como reage à denúncia da oposição de que age de forma defensiva em relação à delação negociada por Vorcaro. O espaço segue aberto ao ministro para registrar a sua posição sobre o caso.
Moraes coloca na pauta do STF ação do PT que pede limites para delações
No começo de abril, Moraes liberou para julgamento do STF a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 919, apresentada em 2021 pelo PT para questionar a validade das delações firmadas com investigados presos. A ação discute se a privação de liberdade compromete a voluntariedade do colaborador e pede a fixação de parâmetros rígidos.
A retomada da ação ocorreu em paralelo ao avanço das tratativas da defesa de Vorcaro para oferecer a delação, evidenciando a coordenação entre agenda jurídica e cenário político. Para os críticos, Moraes antecipou-se a possíveis efeitos de revelações. O presidente da Corte, Edson Fachin, deverá pautar em breve o debate dos ministros, com grande alcance institucional.
Líderes da Lava Jato, como o ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) reiteram que qualquer tentativa de restringir delações, sobretudo as firmadas com investigados presos, representa retrocesso no combate à corrupção, por enfraquecer instrumento central de investigação.
O discurso é respaldado por parlamentares da oposição, como Carlos Jordy (PL-RJ) e Maurício Marcon (PL-RS). Eles lembram que a pauta do STF ocorre quando há expectativa de delação de Vorcaro com responsabilização de autoridades no escândalo financeiro e institucional do Master, e condenam a tentativa de “mudar a regra do jogo no meio da partida”.
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem reiterado em entrevistas a acusação de “tortura psicológica” contra Mauro Cid, lembrando que a cobrança do ministro por delação foi obtida sob ameaça explícita à filha e ao pai do militar. Ele também lembra de áudio vazado, no qual o delator diz ter sido forçado a fazer um relato pré-definido.
Jurista aponta indícios de pressão em delações e aponta assimetria no STF
A professora de direito constitucional Vera Chemin considera procedente a leitura da oposição de que Mauro Cid firmou sua delação sob forte pressão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo ela, a atuação da Polícia Federal (PF), sob orientação do relator, teria buscado construir a narrativa incriminadora contra Jair Bolsonaro e assessores.
Vera Chemin afirma que episódios como a acareação com o general Braga Netto e declarações de Moraes interpretadas como ameaçadoras reforçam dúvidas sobre a validade da colaboração. Para a jurista, tais elementos poderiam sustentar a nulidade da delação, vista pela oposição como instrumento político voltado a atingir Bolsonaro.
No caso de Daniel Vorcaro, a avaliação é oposta: haveria obstáculos institucionais e pressões políticas que dificultam o avanço da delação. Vera aponta influência de interesses do Executivo e do Judiciário sobre a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), o que, segundo ela, comprometeria a condução regular do caso.
A jurista também critica o papel do Senado, que, apesar de ter competência para agir contra abusos de ministros do STF, permaneceria inerte diante das tensões. Para ela, a relação entre Legislativo e Judiciário revela desequilíbrio persistente, alimentando um quadro institucional delicado que tende a aprofundar a crise entre os Poderes.
Analista aposta em parceria de Moraes e Alcolumbre para prejudicar delação
Para o cientista político Antônio Flávio Testa, Moraes pressionou Mauro Cid com ameaças a familiares e à validade da delação — o que, segundo juristas, poderia comprometer o processo por violação ao devido rito legal. Já no caso da delação de Vorcaro, “o cenário se inverteu, com interesses pessoais e familiares do próprio ministro colocados no centro da controvérsia”.
Na leitura de Testa, isso indicaria atuação parcial do ministro. Ele sustenta que Moraes age para proteger interesses próprios e de aliados próximos, relativizando princípios constitucionais. Nesse contexto, o especialista lamenta que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), tende a evitar confronto com o STF, aprofundando a crise institucional.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/duplo-padrao-de-moraes-na-delacao-de-vorcaro-gera-revolta-na-oposicao/
Zema é o segundo concorrente de Lula em outubro a virar alvo de Moraes

Caso (ou quando) a denúncia do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes contra Romeu Zema (Novo) for aceita pelo ministro Alexandre de Moraes, o ex-governador de Minas Gerais se tornará o segundo rival de Lula (PT) em 2026 a virar alvo de ação no STF, a menos de seis meses da eleição. O primeiro foi o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), que passou a ser investigado por suposta calúnia contra o petista por postagem nas redes sociais.
Motivo de sempre
Zema também pode virar investigado pelo mesmo motivo: uma postagem nas redes sociais. A dele considerada “ataque” ao STF.
Vai faltar oposição
Flávio rivaliza com Lula nas pesquisas para presidente; Zema tem ocupado a quarta colocação nos levantamentos, a depender do cenário.
Assunto sério
Caso sejam condenados mesmo numa turma do STF, órgão colegiado, tanto Zema, quanto Flávio correm risco de serem declarados inelegíveis.
Precedente?
A Venezuela tornou inelegíveis todos os adversários de Maduro. A vaga sobrou para Edmundo González, cuja vitória seria roubada pelo ditador.
Protesto em Lisboa: ‘Lula, ladrão, teu lugar é na prisão’

A chegada do presidente Lula (PT) a Portugal, nesta terça-feira (21), foi marcada por protestos em frente ao Palácio de Belém, sede da Presidência da República portuguesa.
Manifestantes contrários ao petista entoaram palavras de ordem como “Lula, ladrão, teu lugar é na prisão” e exibiram cartazes com críticas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre as faixas levantadas durante o ato, estavam mensagens como “PT facção criminosa” e referências ao STF, em um protesto que reuniu apoiadores da direita portuguesa e brasileiros residentes no país.
O movimento ocorreu no momento em que Lula desembarcava para cumprir compromissos oficiais e encerrar sua atual agenda de visitas pela Europa.
Um dos nomes que apareceu discursando durante a manifestação foi André Ventura, líder do partido Chega, legenda de direita em Portugal.
Ventura, que ganhou projeção nacional nos últimos anos, tem se consolidado como uma das principais vozes da oposição ao governo socialista português e costuma adotar um discurso crítico à esquerda latino-americana, incluindo o governo Lula.
Veja abaixo:
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/protesto-em-lisboa-lula-ladrao-teu-lugar-e-na-prisao

Bessias, o “Ministério da Verdade” e a institucionalização da censura

A ação empreendida na semana passada pela AGU (Advocacia-Geral da União), para remover ou rotular postagens feitas no X com críticas ao chamado Projeto da Misoginia, que está em tramitação na Câmara, ilustra de forma sinistra como a censura está se institucionalizando no país.
Antes concentrada no Judiciário, sobretudo no STF (Supremo Tribunal Federal), com o eterno Inquérito das Fake News, e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com sua atuação enviesada nas eleições de 2022, a repressão agora estendeu seus tentáculos ao Executivo.
A pedido da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a AGU – comandada pelo “companheiro” Jorge Messias, o Bessias, indicado pelo presidente Lula para assumir uma vaga no STF – atuou como um autêntico “Ministério da Verdade”, ao querer determinar o que pode e o que não pode ser dito sobre a proposta.
Extrapolando suas atribuições constitucionais de atuar em defesa da União, a AGU assumiu a posição – por meio da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia – de “fiscal de conteúdo”, com base em informações da “agência de checagem” Aos Fatos, conhecida pelo viés ideológico de esquerda.
Por meio de uma notificação extrajudicial ,pressionou o X a tirar do ar publicações de ao menos dez pessoas sobre a questão, entre elas a jornalista Madeleine Lacsko, também colunista da Gazeta do Povo. Incentivou ainda órgãos policiais e o Ministério Público a abrir investigações criminais contra seus autores.
Sem apresentar provas, a AGU argumentou que eles faziam parte de uma “rede de desinformação” destinada a torpedear a proposta, cujo alegado objetivo é criminalizar o “discurso de ódio” e a “aversão” às mulheres, equiparando-os ao crime de racismo, sujeito a penas de dois a cinco anos de prisão.
Na realidade, porém, as publicações questionavam de forma legítima e até bem-humorada a proposta, que é apoiada pelo governo. E mesmo que tenha havido imprecisão em algum post ou que um ou outro tenha gerado confusão em relação ao texto já aprovado no Senado ou sobre outros projetos relacionados, nada justifica o papel de censor oficial exercido pela AGU, que lembrou os tempos do regime militar, quando imperava a “Lei da Mordaça”.
“Mal amada”
Diante da repercussão negativa da medida, a AGU se viu obrigada a recuar, ainda que parcialmente. Pediu que os posts de jornalistas incluídos no pedido original não fossem removidos do X. Mas, até o momento, o órgão e Erika Hilton não se desculparam pelas falsas acusações feitas a Madeleine, chamada pelas próprias milícias digitais do PT de “puta”, “vagabunda”, “velha” e “mal amada”, como ela mesma afirmou nas redes sociais. Também não houve o cancelamento do pedido de retirada das demais postagens incluídas na solicitação da AGU.
Ao contrário do que alguns podem imaginar, boa parte das críticas ao projeto não é fruto de “machismo”. Muitas são feitas pelas próprias mulheres, como Madeleine. Primeiro, porque nas democracias dignas do nome não há crimes de opinião. Os casos de calúnia, injúria e difamação, já previstos na legislação em vigor, são tratados na esfera cível.
Mesmo no Brasil, apesar de a liberdade de expressão estar sob ataque nos últimos anos, ela está prevista na Constituição. Qualquer brasileiro deve ter assegurado o direito de criticar um projeto que está em discussão no Congresso Nacional ou sendo estudado pelo governo. Ou mesmo leis ou decisões já tomadas ou aprovadas pelos Três Poderes. Não cabe ingerência do Estado na opinião dos cidadãos para impor a narrativa oficial.
“A liberdade de expressão não depende de autorização estatal. E, quando passa a depender, já não é liberdade, é concessão”, diz uma nota divulgada sobre o tema pela Lexum, uma associação de profissionais e estudantes do Direito que defende a limitação do Estado, a separação de poderes e a aplicação objetiva da lei.
Além disso, como o texto do projeto é excessivamente vago e como o assunto é subjetivo, a percepção é de que ele abrirá espaço, se for aprovado, para que tudo ou quase tudo seja passível de punição. Na prática, segundo a advogada Érica Gorga, professora da FGV Direito, de São Paulo, vai promover a “criminalização estapafúrdia de meras palavras, por meio das quais mulheres se sintam ofendidas”. Ou, dito de outra forma por ela mesma, “vai estimular o ódio das mulheres contra os homens e inviabilizar as relações heterossexuais no Brasil”.
Sexo biológico
É certo que a violência contra a mulher é inaceitável e deve ser combatida com o maior rigor. Agora, o debate sobre a questão deve ser livre, sem perseguições extrajudiciais a quem discordar ou ironizar as ideias de quem quer que seja e os projetos em análise no Congresso. Como diz o ator e comediante britânico, Ricky Gervais, que é alvo de críticas frequentes da esquerda identitária, “o fato de você se sentir ofendido (ou ofendida) não quer dizer que esteja certo (a)”.
No fim das contas, a medida adotada pela AGU não apenas reforçou os pendores antidemocráticos da deputada psolista, que já deu várias demonstrações de intolerância contra quem pensa diferente dela, em especial contra as mulheres que defendem a primazia do sexo biológico para definição de gênero. Expôs também mais uma vez, para quem ainda tinha alguma dúvida, as inclinações autoritárias de Messias e do governo Lula, que se apresentam, ironicamente, como paladinos da democracia.
Se o Senado estivesse preocupado com os destinos do país e não apenas com os interesses paroquiais de seus integrantes, isso é algo que teria de ser levado em conta na hora de votar a indicação de Messias para o STF, que deverá ocorrer nos próximos dias. O mais provável, no entanto, para desconsolo dos democratas dignos do nome, é que não faça a menor diferença na decisão dos senadores.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/bessias-o-ministerio-da-verdade-e-a-institucionalizacao-da-censura/

Vorcaro cada vez mais perto de Lula

A coluna de Igor Gadelha no Metrópoles hoje revela: “Governo Lula alugou navios para COP 30 via empresa do sócio de Vorcaro”. Segundo documento da Casa Civil, ao qual a coluna teve acesso, o governo alugou navios para hospedar delegações na COP 30 por meio da “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”. A Qualitours foi contratada pela Secretaria Especial da COP 30, vinculada à Casa Civil, por meio da Embratur, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo.
Contratada pelo governo via Embratur, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP). A ligação da Qualitours com Vorcaro, porém, vai além. A empresa pertence à holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen a partir do impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master.
As partes envolvidas atestam que não houve qualquer irregularidade na contratação, mas chama a atenção a “onipresença” de Vorcaro. O dono do Banco Master parece estar ligado a basicamente tudo! Desde aluguel de jatinhos por várias autoridades e empresários até hotéis e embarcações, além de crédito consignado até com o Exército. Cabe perguntar: o que não tem o dedo de Vorcaro ou seu banco?
Pela importância que ele adquiriu em Brasília, como uma espécie de lavanderia geral do sistema, Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes…
As cifras envolvidas são sempre milionárias. É como se alguém que quase ninguém tinha ouvido falar até “ontem” se tornasse uma das figuras mais importantes em Brasília da noite para o dia. O Banco Master idem: comprou o Máxima, banco pequeno e desconhecido, e em pouco tempo já era um dos mais presentes e ativos em operações envolvendo a turma de Brasília.
Esse contrato para alugar os cruzeiros na COP 30, por exemplo, custou R$ 350 milhões aos cofres públicos! No documento, o governo diz que o aluguel de navios foi necessário em razão do déficit de hospedagem em Belém e da necessidade de cumprir o acordo para que o Brasil fosse o país-sede da conferência da Onu. Conveniente, não? Será que foi por isso que Belém foi escolhida? Justamente para justificar gastos exorbitantes?
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou o gasto como “surreal” e questionou o legado do evento para a população do Pará. “Com R$ 350 milhões dava para construir 40 UPAs para atender até 450 pessoas por dia. Mas não foram construídas. Lula torrou alugando cruzeiros”, disse o senador nas redes sociais.
Enquanto Flávio explora com razão o caso para desgastar Lula, seu novo aliado espalha bobagem por aí. Pablo Marçal disse ter ficado “impressionado” com o esquema orquestrado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista à coluna de Paulo Capelli no Metrópoles, Marçal afirmou que Vorcaro “mostrou um nível de inteligência que não esperava ver no Brasil”. Ao minimizar a prisão do banqueiro, o empresário citou as prisões de José do Egito, de Jesus, de Lula e do apóstolo Paulo.
“Eu acredito que o Vorcaro vai ser um cara que, quando alguém for usar uma expressão de alguém que é muito inteligente, vai falar assim: ‘Você é muito Vorcaro’. Você é muito arquiteto de algo que ninguém percebeu”, disse.
Na sequência, o empresário citou Lula. “Nosso presidente do Brasil não ficou preso na cadeia por 580 dias? E continuou sendo inteligente. Eu tive coragem de assumir aqui que ele [Lula] é o político mais influente da história. Não foi a prisão que diminuiu, não. Ele não baixou a cabeça. Então quando você olhar para algo, esse algo não determina o futuro de uma pessoa. Determina se ela desistir”, afirmou Marçal.
Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, Marçal disse ainda não acreditar que Daniel Vorcaro celebre delação premiada para reduzir a pena. Para o empresário, o banqueiro pode sair da prisão em 5 anos mesmo que não entregue nomes de autoridades envolvidas no esquema do Banco Master. “Não faz muito sentido, não [Vorcaro selar acordo de delação premiada]. Não faz de jeito nenhum. Se você está num sistema onde esse tanto de gente está comprometida, fazer uma delação meia-boca com tantas provas não faz sentido. Vai livrar um cara e vai ferrar 80. Você pode até sair da cadeia, mas você não vive mais”, argumentou Marçal.
Com aliados assim, talvez Flávio nem precise de adversários! Será que a delação de Vorcaro chegaria perto do próprio Marçal? O Brasil todo, ao menos a parcela que não tem rabo preso, quer justamente uma delação completa de Vorcaro. Pela importância que ele adquiriu em Brasília, como uma espécie de lavanderia geral do sistema, Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes…
Afinal, vimos o destino de Sicário, seu “matador de aluguel”. E agora ficamos sabendo que Daniel Vorcaro passou mal na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília, onde o banqueiro está preso, e precisou de atendimento médico. Delata todo mundo logo, Vorcaro!
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/vorcaro-cada-vez-mais-perto-de-lula/

Vista grossa para as vítimas de Maduro

Enquanto as famílias de cerca de 500 presos políticos tentam obter informações sobre eles na Venezuela, o músico inglês Roger Waters foi a Nova York pedir a libertação do ditador Nicolás Maduro. O ex-líder do Pink Floyd diz que está defendendo a democracia.
Waters poderia adaptar sua famosa obra “The Wall” para a tragédia venezuelana. No caso, o refrão “another brick in the wall” significaria mais um tijolo na parede da prisão que o regime chavista impôs a seus opositores. Dessa vez, o libertador está a favor do muro.
Por ação da administração Donald Trump, o governo da Venezuela libertou mais 46 presos políticos na semana passada. Já são 250 as vítimas do chavismo postas em liberdade após a captura de Maduro — o protegido de Roger. Enquanto dezenas de pessoas esperavam a saída dos seus familiares da prisão de Yare, próximo a Caracas, na última quinta-feira, Roger Waters berrava diante da fortaleza no Brooklyn o nome de Nicolás Maduro — dizendo aos passantes ter a certeza de que estava sendo ouvido por ele.
Um dos presos venezuelanos disse à agência AFP, ao sair da cadeia, que foi vítima de uma armação do governo Maduro, de sabotagem e corrupção. “Trabalho na indústria do petróleo há 33 anos. Nunca roubamos nada”, declarou o ex-preso, cuja identidade a agência preservou.
Segundo entidades locais de direitos humanos, como o Foro Penal, o trabalho para libertação dos presos políticos é permanentemente dificultado pelo governo, apesar da lei de anistia promulgada após a pressão estabelecida pelos EUA. Cerca de 8 mil pessoas já recuperaram sua cidadania plena desde então, mas o governo venezuelano continua não divulgando listas oficiais de detidos.
O presidente brasileiro, candidato à reeleição este ano, parece não ter nada a dizer sobre os massacrados pelo regime do seu aliado — a quem inclusive chegara a aconselhar a busca de uma “narrativa” melhor. A narrativa de Lula parece se resumir a uma tentativa de polarizar com Trump — justamente o principal agente da libertação das vítimas de Maduro. E por algum motivo misterioso, o líder petista não tem sido chamado pela imprensa a dizer o que acha das masmorras do chavismo expostas pela ação de Trump.
Vale lembrar que, de Waters a Lula, a retórica da defesa da democracia contra o inimigo imaginário tem sido a base para ações autoritárias de “boa aparência” — como as proposições de regulação digital sempre com algum pretexto humanitário. O próprio presidente brasileiro voltou ao tema “regulatório” na semana passada — dessa vez associando esse tipo de controle à proteção da soberania nacional.
Pretexto para perseguição sempre vai existir. O que pode mudar é a disposição de parte da sociedade de legitimar o teatro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/vista-grossa-para-as-vitimas-de-maduro/

Se tudo parece tão bem, por que a popularidade de Lula vai tão mal?

O ministro da comunicação Sidônio Palmeira não deveria, em tese, ter do que reclamar. Mesmo com as contas públicas gerando preocupações, e os juros estando nas alturas como resultado disso, os números gerais da economia durante o governo Lula 3 são positivos.
O índice de desemprego está em 5.8% (o menor da série histórica), a inflação em 2025 fechou em 4.26% (dentro da meta do Banco Central e o menor número nos últimos seis anos), a renda média dos brasileiros chegou a R$ 3.652 em janeiro de 2026 (recorde da série histórica), e a Bolsa de Valores superou os 199 mil pontos (o maior indicador já registrado). Na tabela de Excel, o Brasil não virou a Venezuela.
Mas, se tudo “vai bem”, por que então a avaliação de Lula vai tão mal? É uma dúvida que atormenta petistas e o núcleo duro do governo. Variados institutos mostram uma desaprovação alta e crescente. Segundo a Quaest, o indicador negativo é de 52%. Já o PoderData aponta 61%. Independente da fonte ou do método de avaliação, o que se sabe, e o Palácio do Planalto parece ciente disso, é que o cenário é muito ruim, e não dá sinal de melhor. A preocupação ganha profundidade na medida em que tudo isso se desdobra em ano eleitoral.
Para o cidadão comum, enquanto a elite institucional chafurda tomando uísque no exterior e em verdadeiros bailes fiscais patrocinados por um banqueiro vigarista, a vida passou a ser uma sucessão de boletos pagos e não pagos se acumulando
Há um inequívoco “mal estar” da sociedade. Condição, aliás, que parece emular um pouco do que se ambientou em 2013, na véspera das chamadas “jornadas de junho”. Na época, a maquiagem oficialesca também ostentava números considerados robustos, mas a insatisfação era generalizada, e acabou se materializando numa onda de protestos que mudou os rumos do país, no que, simbolicamente, determinaria o início do processo que levaria ao impeachment de Dilma Rousseff.
O saldo da impopularidade de Lula não pode ser identificado meramente a partir de uma medição da superfície dos resultados macroeconômicos, mas de uma conjuntura mais profunda, que mescla tanto as dificuldades constatadas na economia real quanto a indignação com as forças políticas e institucionais que representam o status quo da República.
O caso Banco Master, por exemplo, reacendeu o sentimento antiestablishment que se mantinha adormecido desde o crepúsculo da Operação Lava Jato. Ainda que o enfoque midiático seja mais no Supremo Tribunal Federal (STF) do que no Legislativo e no Executivo, é impossível que não haja uma associação do que ocorreu com o governo de turno. Lula paga a maior parte de conta, ainda mais considerando que, para boa parte da população, os ministros do STF são seus aliados.
Na seara da chamada “microeconomia”, que passa ao largo da avaliação de parte considerável dos chamados “analistas de mercado”, a realidade da população é bem mais estéril. O endividamento brutal das famílias, que chegou a impressionantes 80% (recorde histórico), asfixia qualquer sensação de bonança.
Empregados ou não, todos se sentem asfixiados financeiramente. Não fosse o suficiente, há ainda o impacto da gigantesca fila do INSS, que chegou a 3.1 milhões de pessoas. O que se têm é a falta de perspectiva do cotidiano econômico somada a falta de perspectiva de futuro.
Na última semana, o governo se mobilizou para fazer passar a pauta da escala 6X1 no Congresso. O tema é visto como fundamental para gerar o fato novo capaz de reanimar Lula nas pesquisas. É improvável que qualquer efeito positivo seja sentido antes da eleição, ainda mais considerando que a negociação política prevê um prazo de transição para a efetivação da medida.
Para o cidadão comum, enquanto a elite institucional chafurda tomando uísque no exterior e em verdadeiros bailes fiscais patrocinados por um banqueiro vigarista, a vida passou a ser uma sucessão de boletos pagos e não pagos se acumulando na caixa de correspondência.
Tomar a aprovação do texto da escala 6×1 como “bala de prata” para inversão dos índices de popularidade é só mais um dos sucessivos erros de avaliação dos áulicos do governo, tão grave quanto aquele que imaginou que um desfile de escola de samba protagonizado por Janja da Silva seria bom negócio para a imagem de Lula.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-macalossi/porque-a-popularidade-de-lula-vai-tao-mal/
Caso de censura enterra indicação de Messias ao STF
A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou a plataforma X para remover ou rotular como “desinformação” críticas de cidadãos a um projeto de lei em debate no Congresso. A iniciativa reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil, especialmente no que diz respeito ao direito de questionar propostas legislativas e políticas públicas. O caso ganha ainda mais relevância por envolver o chefe da AGU, Jorge Messias, que foi indicado para o Supremo Tribunal Federal. Para o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, o episódio não é pontual. Ele entende que a situação faz parte de um movimento mais amplo, com potencial de impactar o equilíbrio entre os poderes e restringir o debate democrático no país.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/caso-de-censura-enterra-indicacao-de-messias-ao-stf/
Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de ex-presidente do BRB

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar a decisão do ministro André Mendonça de prender o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. O julgamento ocorre no plenário virtual nesta quarta-feira (22) e vai até sexta-feira (24). Com o ministro Luiz Fux acompanhando o relator, falta apenas um voto para confirmar a prisão do ex-dirigente. Nunes Marques e Gilmar Mendes ainda não votaram.
Paulo Henrique Costa é suspeito de receber imóveis do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, como propina para que facilitasse a compra, pelo BRB, de ativos fraudulentos do Master. Toffoli deixou o caso Master após revelações de suas relações com Vorcaro. Com isso, André Mendonça assumiu a relatoria e determinou a prisão de ambos.
Toffoli não deu justificativa para se afastar do julgamento, opção permitida pela legislação. Quando do afastamento da ação principal, também não houve explicações. Após uma reunião interna, os ministros divulgaram nota de apoio e declararam que, mesmo sem reconhecer a suspeição, o ministro decidiu sair do inquérito.
O envolvimento do BRB com o Master levou a um prejuízo estimado em R$ 8 bilhões. Ao mesmo tempo em que o ex-presidente caminha para a manutenção de sua prisão, a estatal aprovou um aumento de capital de R$ 8,8 bilhões para lidar com o prejuízo. Com isso, o capital social pode subir para R$ 11 bilhões, R$ 5,3 bilhões vindo diretamente do governo do Distrito Federal.
“A autoridade policial anota que o pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique somente não se concretizou porque Daniel Vorcaro teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina a Paulo Henrique por meio da aquisição e repasse de imóveis”, diz Mendonça na decisão monocrática.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/toffoli-se-declara-suspeito-para-julgar-prisao-de-ex-presidente-do-brb/

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