
As despesas do governo Lula (PT) com viagens dispararam mais de R$107 milhões em 18 dias, segundo o Portal da Transparência. No total, a gestão petista conseguiu torrar R$233,1 milhões nos primeiros 85 dias do ano. Foram quase R$127 milhões para bancar diárias de servidores e mais R$105 milhões com passagens aéreas. Em 9 de março, eram R$126,4 milhões no total. Até dia 27, já passava dos R$233 milhões. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
O Portal da Transparência registra também R$1,28 milhão com “outros gastos” de viagens do governo do PT; são taxas, seguros etc.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra a maior parte dos gastos com viagens do governo Lula, este ano: R$61,7 milhões.
Em 2025, o governo Lula bateu (pelo terceiro ano seguido), o recorde histórico de gastos com viagens: R$2,44 bilhões.
Governo Lula é acusado de trocar antenas parabólicas por votos, no interior

O deputado Evair de Melo (PP-ES) acionou o TCU para fiscalizar o Brasil Antenado, programa que distribui parabólicas. O deputado recebeu denúncia com mensagens de pessoa ligada ao projeto procurando gente para receber o kit em troca de depoimento em favor do governo Lula (PT). Conta a história e recebe a antena, tudo filmado para exploração posterior. “Em ano eleitoral, baixa popularidade, oferecer sinal de satélite de graça e já fazer megaprodução de promoção”, denuncia Evair.
Atualização 08h35 (31/03/2026):
O Ministério das Comunicações entrou em contato com a coluna e negou que o programa esteja sendo usado com finalidade eleitoral. A pasta diz que o acesso ao benefício segue critérios técnicos e que, até o momento, não recebeu qualquer denúncia formal sobre os fatos mencionados, mas já determinou a apuração do caso relatado.
Teatro
O diálogo envolve um fotógrafo do projeto e um empresário, procurado para saber se teria alguns funcionários para a cenografia.
Sem moleza
À coluna, o parlamentar não esconde a desconfiança do partido de Lula, “Vindo do PT, tudo precisa ser vigiado”, afirma.
Ano de ouro
O início programa foi no segundo semestre de 2025, mas foi neste ano (de eleição) que o Ministério das Comunicações turbinou o projeto.
246 cidades
Entre outubro do ano passado e junho deste ano, a previsão é distribuir antenas para mais de 450 mil famílias, em 13 estados brasileiros.

A festa do PT pelo fim da CPMI do INSS fala mais que qualquer narrativa

Ao longo de mais de 10 meses de atividade, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS – que teve a sua prorrogação barrada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na semana passada – foi palco de revelações sinistras sobre o esquema que drenou bilhões dos aposentados por anos a fio.
Depoimentos dramáticos, como o choro de um idoso de 82 anos do Nordeste que perdia R$ 45 por mês de seu benefício para pagar remédio de pressão alta, entraram para a história como símbolos dos estragos causados por um dos maiores escândalos financeiros do país em todos os tempos, junto com o do Banco Master.
Ancorada nas investigações da Polícia Federal, a CPMI do INSS aproximou o caso do Palácio do Planalto, ao apontar o aparente envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico – filho e irmão do presidente – com Antônio Carlos Antunes, o Careca do INSS, acusado de ser o grande articulador das falcatruas. Descobriu também que processos administrativos que deveriam punir as associações envolvidas nas fraudes simplesmente “sumiram” ou mofaram nas gavetas do Ministério da Previdência.
Nada, porém, revelou tanto sobre o que foi – ou deixou de ser – essa CPMI e sobre a armação promovida para abafar o escândalo quanto a imagem bizarra de parlamentares do PT celebrando o fim de seus trabalhos.
A foto dos petistas sorridentes, fazendo o L na sala em que funcionava a comissão, é um retrato perfeito da postura assumida pelo governo, pelo PT e por seus satélites contra o funcionamento da CPMI do INSS desde o princípio. A julgar pela festa, deve ter sido porque o governo e o PT nada tinham a ver com o problema.
Boicote
É certo que, para minar as investigações, eles contaram com o apoio de lideranças do Congresso e de parlamentares do Centrão – cujas digitais surgiram durante as investigações – e mesmo do STF, que deu sua cota de contribuição, ao impedir depoimentos, restringir o acesso a informações da PF e abreviar a atividade da CPMI do INSS. Mas ninguém se empenhou tanto no boicote quanto o governo e o PT. Ironicamente, o partido que se proclama o “legítimo” representante dos trabalhadores foi quem mais atuou para evitar a apuração de fraudes, que quase triplicaram no atual governo.
Embora procurem empurrar a culpa pelo escândalo para o governo anterior e para o ex-presidente Jair Bolsonaro, a verdade é que eles nunca quiseram levar adiante as investigações e a responsabilização de seus operadores. Provavelmente por já estarem informados sobre o envolvimento de aliados e familiares de Lula e por temerem o impacto do caso nas eleições de outubro.
Afinal, por que o governo e sua base de apoio no Congresso seriam contra a criação de uma CPMI se ela fosse expor de fato o ex-presidente? Isto não faz o menor sentido. Quem tem um trunfo contra seus adversários nas mãos não esconde o jogo nem estoura champanhe para comemorar o fim de uma investigação. Quem tenta fazer isso é porque sabe que a apuração pode se voltar contra si mesmo. O deboche da foto, portanto, não é de quem venceu uma disputa política, mas de quem parece ter escapado de um flagrante.
A sabotagem seguiu um roteiro bem organizado. Primeiro, nenhum petista assinou o pedido de criação da CPMI do INSS. Como não conseguiram impedir sua instalação, seguraram a indicação de seus representantes por quase um mês para tentar esvaziá-la. Depois, controlaram seu funcionamento por dentro para sabotá-la e para propagar sua versão distorcida dos acontecimentos.
Publicamente, diziam que também queriam investigar, mas com o foco no que chamavam de “máfia do consignado do governo anterior”. Ao mesmo tempo, recorriam a manobras regimentais para evitar depoimentos inconvenientes, como o de Frei Chico, e obstruir quebras de sigilo consideradas como fundamentais. O Ministério da Previdência, por seu turno, dificultou ao máximo o fornecimento de dados cruciais para as investigações.
Como viram que a opinião pública estava relacionando o escândalo ao governo, Lula liberou R$ 3 bilhões à margem das metas fiscais, para ressarcir parcialmente as perdas dos aposentados. Repassou a fatura para os pagadores de impostos, socializando o prejuízo, em vez de fazer o possível para recuperar os recursos desviados pelo esquema.
Operação de salvamento
Para completar o serviço, a maioria governista rejeitou o relatório final da CPMI do INSS, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) – acusado de forma torpe pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS )de “estuprador” – que pedia o indiciamento do Lulinha e outros envolvidos no caso.
Em seu lugar, o partido produziu um “relatório” próprio, que sequer foi votado, insistindo na narrativa de que “a culpa é de Bolsonaro”, como se não tivesse feito de tudo, o tempo todo, para boicotar a comissão e matá-la de forma precoce. Certamente não fizeram isso para poupar o ex-presidente e seus aliados.
O objetivo nunca foi punir quem roubava o aposentado, mas salvar os acusados de envolvimento nas fraudes, entre eles o filho e o irmão do presidente. A comemoração dos parlamentares do partido pelo fim da CPMI do INSS não foi por ela ter cumprido sua missão, mas pelo sucesso da operação de salvamento.
O governo e o PT podem achar que deram um baile na oposição, com o apoio obtido no “tapetão” e o silêncio conivente dos aliados de ocasião. Mas a imagem dos petistas festejando o seu fim na sala da comissão ficará como símbolo de um dos capítulos mais indecorosos do Brasil de Lula 3 – e olha que a concorrência é grande.
Diante dessa força-tarefa montada contra a devida apuração das fraudes e a punição dos que se locupletaram com os benefícios dos aposentados, o recado tem de ser dado nas eleições de outubro. É como afirmou o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI: “A resposta está nas urnas. Se quisermos mudar essa realidade, precisamos mudar o Congresso Nacional. Mais de 50% no Senado. Mais de 50% na Câmara. Sem isso, o sistema continuará vencendo. E o povo continuará pagando a conta”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/festa-pt-fim-cpmi-do-inss-fala-mais-que-qualquer-narrativa/
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/festa-pt-fim-cpmi-do-inss-fala-mais-que-qualquer-narrativa/
A blindagem do STF choca o Brasil
A decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal, que na semana passada negou a prorrogação da CPMI do INSS, foi mais uma etapa de um processo explícito de blindagem que o STF vem promovendo, e que protege pessoas politicamente expostas, setores do crime organizado e do mercado financeiro, e até mesmo os próprios ministros, no caso da ramificação das investigações que chegava ao Banco Master. E, no julgamento que selou o destino da CPMI, os ministros abusaram das contradições, condenando nas investigações dos deputados e senadores o que eles mesmos fazem em seus inquéritos abusivos. Hipocrisia? Não, é muito mais que isso, como explica o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira. Assista ao vídeo!
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/blindagem-stf-cpmi-inss/

A solução para a crise do Supremo

Com o recente escândalo do caso Master, tornou-se lugar-comum afirmar que o Supremo Tribunal Federal atravessa sua pior crise histórica de credibilidade. Acossados por uma desconfiança generalizada, ministros tentam, semanalmente, provar o valor da Corte por meio de decisões de ocasião.
Vimos esse movimento na suspensão dos “penduricalhos” (posteriormente restaurados), no fim da aposentadoria como sanção para juízes (que já é alvo de insatisfação na classe) e na tardia e incipiente proposta de um código de ética (que quase ninguém lá dentro vai querer seguir).
Em todos esses atos, escapa aos magistrados o motivo prosaico de sua péssima reputação: na mesa do brasileiro, quando se indaga o que move o STF, a resposta raramente é o Direito. Fala-se em interesses políticos, preferências ideológicas, favorecimentos econômicos ou barganhas pessoais e familiares.
Quase ninguém acredita que ali se produz o bem mais elementar da magistratura: a justiça — na simples acepção clássica de dar a cada um o que lhe é devido.
Observe-se o exemplo mais rumoroso da pauta recente: os processos relativos ao “golpe” de 2022. Pesquisa recente do instituto Ideia, contratada pelo canal Meio, mostra que 54% dos eleitores não enxergam uma tentativa de ruptura institucional nos eventos daquele período.
A conclusão lógica é devastadora: a maioria da população considera que o Supremo encarcerou centenas de inocentes. Não existe mácula maior do que isso para juízes. A percepção pública é a de que cidadãos comuns — donas de casa, aposentados e trabalhadores — foram punidos por pura perseguição, em julgamentos padronizados, com sentenças em série.
Mesmo para quem acredita na tese do golpe, a impressão de parcialidade e truculência processual é incontornável. O caso emblemático é o de Jair Bolsonaro, condenado de antemão a partir de uma delação omissa e forçada.
Mas o ativismo não se restringe à seara penal. No campo político, a inclinação governista é flagrante. O decano Gilmar Mendes chegou a sugerir que a eleição de Lula se deveu ao tribunal — uma afirmação que, independentemente da interpretação, revela uma perigosa simbiose. Na prática, quando o Executivo não convence o Congresso, socorre-se do STF para governar, especialmente em questões fiscais.
O dano se estende à economia. Em poucos anos, o Supremo logrou implodir o conceito de coisa julgada no Direito Tributário e desidratar reformas essenciais, como a da Previdência (2019) e a Trabalhista (2017). O escândalo Master foi apenas a cereja do bolo, alarmando o mercado financeiro pelo risco de intervenção direta na regulação do Banco Central.
O Brasil acostumou-se a ver em sua corte máxima o que seria intolerável em qualquer juiz de primeira instância: o julgamento conforme a conveniência. Diante disso, decisões e iniciativas recentes não passam de maquiagem.
Fazer justiça, com reconhecimento e reparação dos erros, é o primeiro passo para começar a retomar confiança, ativo essencial para o Poder Judiciário. Com os ministros que estão aí, não vai acontecer tão cedo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-ramalho/a-solucao-para-a-crise-do-supremo/
Magno Malta chama Gonet de “menino de recados de Gilmar Mendes”

O senador Magno Malta (PL-ES) engrossou o coro contra o Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (31), por conta das sucessivas decisões que derrubaram requerimentos aprovados pela CPI do Crime Organizado e ainda estendeu as críticas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, a quem classificou como “menino de recados de Gilmar Mendes”.
A dura crítica ocorreu em meio a outras feitas pelos senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e Alessandro Vieira (MDB-SE) durante a sessão do colegiado que pretendia ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e votar requerimentos de quebra de sigilos de vários alvos da CPI, entre eles do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro.
“Pra minha decepção, que eu continuo decepcionado, que o Gonet só é um menino de recados de Gilmar Mendes. O grande problema é que a gente faz uma CPI como essa enfrentando todo mundo, aprovamos um relatório, vamos lá e entregamos pra Gonet – e entregamos para ninguém. Não vai pra lugar nenhum”, disparou durante uma fala na comissão.
Entre os ministros mais críticos às decisões das comissões do Congresso, Gilmar Mendes é o mais contrário às votações em globo — de uma só vez — de requerimentos. Na semana passada, durante uma sessão do STF, ele classificou como “ilegal” e que “os senhores [parlamentares] sabem que é ilegal e inconstitucional”.
Diante da grande quantidade de reveses que a CPI enfrenta – além das enfrentadas pela CPMI do INSS, que terminou no último sábado (28) sem a aprovação do relatório final –, Magno Malta defendeu que os parlamentares devem “começar a meter o pé na porta” contra decisões do STF, afirmando que “vem uma ordem de lá e não obedeço”.
Entre as decisões mais recentes do STF contra as comissões do Congresso estão a do ministro Flávio Dino contra a quebra dos sigilos do empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); a de Gilmar Mendes contra o acesso aos dados da empresa Maridt Participações, dos irmãos do ministro Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos, que negociaram títulos com um fundo de investimentos ligado ao Banco Master, entre outros.
A Corte também concedeu o benefício de “habeas corpus” a figuras-chave que poderiam prestar esclarecimentos sobre os temas dos colegiados para não comparecerem, principalmente aqueles ligados ao escândalo do Banco Master ou que se aproximavam demais de integrantes do governo – como pessoas ligadas a Lulinha.
“Não vem? Vou mandar buscar coercitivamente, sempre foi assim. Esse instituto foi violado [nas decisões recentes do STF] de forma vil, abrindo concessões pra bandidos”, disparou citando, por exemplo, o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que chegou a ter um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master para defender os interesses do conglomerado e, por consequência, do próprio banqueiro.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/magno-malta-chama-gonet-menino-recados-gilmar-mendes/
Investigação do Congresso sobre Master agora depende de Nunes Marques

Com o fim da CPMI do INSS, a chance de que as investigações sobre o Banco Master avancem no Congresso agora depende do ministro Kassio Nunes Marques. Ele é relator de um pedido da oposição no Supremo Tribunal Federal (STF) para determinar que o Senado instale uma nova comissão parlamentar de inquérito que apure as fraudes financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro e sua rede de influência política e jurídica.
O encerramento da CPMI do INSS – que começava a investigar o Master, em razão de fraudes em operações de crédito consignado – ocorreu por obra de dois atores: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se recusou a receber e aprovar um pedido de prorrogação, que reunia o apoio necessário de deputados e senadores; e da maioria dos ministros do STF, que decidiu rejeitar uma ação desses parlamentares para obrigar o Congresso a estender a duração da comissão, instalada em agosto.
No julgamento no STF, Nunes Marques se posicionou com a maioria dos ministros, contrários a uma intervenção no Legislativo que determinasse a continuidade da CPMI do INSS. Num curto voto, ele apenas disse que a questão seria interna e deveria ser resolvida politicamente dentro do próprio Congresso, sem ingerência do STF.
“Me preocupa não permitir que a própria Casa [Congresso] faça seus arranjos normativos. Essa aferição [dos requisitos para prorrogação da CPMI] tem que ser feita pelo próprio presidente Senado”, disse Nunes Marques.
Na ação apresentada no STF, parlamentares de oposição apontaram que Alcolumbre se omitiu, pois sequer deixou protocolar o pedido de prorrogação. Eles argumentavam que, segundo a Constituição e a própria jurisprudência do STF, a investigação parlamentar é um direito da minoria, bastando que cumpra os requisitos (apoio de 1/3 de deputados ou senadores e fato determinado) para que, obrigatoriamente, haja a instalação.
Nunes Marques, porém, se posicionou com a maioria do STF, ao entender que o cumprimento desses requisitos não leva automaticamente à prorrogação. Ele evitou dizer se o preenchimento dessas condições também obrigaria à criação de uma CPI, como já deliberou o STF em diversas ocasiões – a última vez ocorreu em 2021, quando a Corte obrigou o Congresso a instalar a CPMI do Pandemia.
Assim como ocorreu em relação ao pedido de prorrogação da CPMI do INSS, Alcolumbre também tem se recusado, até o momento, a instalar a CPI do Master.
O pedido para a criação da comissão foi protocolado no Senado há quatro meses, no fim de novembro do ano passado. Inicialmente, o pedido foi assinado por 34 senadores (acima dos 27 exigidos), e atualmente já conta com o apoio de 53. Desde então, Alcolumbre nada fez para instalar a comissão.
“A não instalação imediata da CPI compromete a efetividade da investigação parlamentar, na medida em que favorece a perda de contemporaneidade dos fatos, dificulta a reconstituição adequada das operações investigadas e amplia o risco de dissipação de provas e de ocultação de documentos relevantes”, argumenta o senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do pedido de CPI e da ação no STF.
Nesta quinta-feira (27), quando o STF decidiu, por maioria, rejeitar o pedido de prorrogação da CPMI do INSS, parlamentares que integram a comissão demonstraram frustração com o voto de Kassio Nunes Marques, mas evitaram críticas públicas.
Havia expectativa porque, assim como André Mendonça – relator da ação, e que votou a favor da prorrogação, junto com Luiz Fux – Kassio Nunes Marques foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o STF, em 2020.
Mendonça alcançou poder sobre as investigações porque, por sorteio, tornou-se relator, no STF, dos inquéritos da Polícia Federal envolvendo as fraudes no INSS e também as fraudes financeiras do Master.
A indicação de Kassio, no entanto, foi patrocinada e teve forte influência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que depois ganhou mais projeção sobre Bolsonaro ao assumir o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, o ministério mais importante do Executivo, que coordena o trabalho das demais pastas.
Ciro é um dos nomes mais próximos de Vorcaro na política. O senador nega ter praticado qualquer irregularidade em favor do banqueiro.
A indicação de Kassio Nunes Marques também contou com o apoio de Alcolumbre, que também presidia o Senado na época e marcou rapidamente sua sabatina.
O que a CPI do Master quer investigar?
No requerimento da CPI do Master, os senadores apontam o interesse em apurar “crimes financeiros, gestão temerária, manipulação de ativos, participação de organizações criminosas, violação da legislação bancária e uso indevido de instituição financeira pública para encobrir prejuízos ou viabilizar operações ilícitas”.
O documento, porém, diz que as investigações poderão atingir empresas e pessoas vinculadas ao banco, como executivos do Banco de Brasília (BRB), que tentaram negociar a compra de ativos podres. E não se descarta o uso do banco e de fundos ligados a ele para lavagem de dinheiro, inclusive do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa facção criminosa do país.
“O esquema atribuído a Daniel Vorcaro utilizava estruturas financeiras da própria Faria Lima para ocultar recursos do PCC. As investigações descrevem operações simuladas, contratos inflados e empresas de fachada que permitiam fragmentar, circular e reinserir no mercado valores oriundos de atividades criminosas”, diz o requerimento.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/investigacao-do-congresso-sobre-master-agora-depende-de-nunes-marques/
Comissão convoca Castro e Ibaneis e quebra sigilos de cunhado de Vorcaro

A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), e do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), para prestarem depoimentos sobre o avanço da criminalidade no estado fluminense e nas decisões que levaram o governo distrital às negociações do Banco de Brasília (BRB) com o Banco Master.
A comissão também aprovou a quebra dos sigilos do cunhado do banqueiro preso Daniel Vorcaro, o empresário e pastor Fabiano Zettel, que é apontado como operador financeiro das fraudes cometidas pelo Banco Master.
Enquanto os dois primeiros requerimentos foram aprovados em globo, ou seja, de uma só vez, a quebra dos sigilos de Zettel ocorreu de forma separada e nominalmente por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu acessos a esses dados em votações amplas.
Isso levou a fortes críticas do presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), do relator Alessandro Vieira (MDB-SE) e do senador Magno Malta (PL-ES), que chegou a defender o descumprimento de decisões da Corte principalmente em relação às convocações derrubadas por recursos de “habeas corpus”.
Também foram aprovados os requerimentos de informações sobre a compra do antigo Banco Máxima por Vorcaro, que o transformou no Master, informações sobre atos conduzidos pelo ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves, e pele o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária, Belline Santana, entre outros. Estes dois últimos recebiam propina de Vorcaro para fornecer informações privilegiadas sobre atos e processos internos do Banco Central referentes ao Master.
A comissão aprovou, ainda, a convocação obrigatória do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para prestar esclarecimento sobre eventuais falhas na fiscalização no período em que comandou o órgão e que o Banco Master cresceu e se projetou no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele seria ouvido na sessão, mas, pela segunda vez, não compareceu.
“Considerando a informação prestada pelo ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alegando impossibilidade de comparecimento para a presente sessão, e considerando que isso já vem se arrastando e é fundamental que a gente tenha aqui a coleta de informações com os dois presidentes de Banco Central que estavam à frente durante esse périplo do Banco Master, peço que coloque em votação o requerimento de convocação de Roberto Campos Neto”, afirmou o senador Alessandro Vieira, relator da CPI.
Convocações de Castro e Ibaneis
No caso de Cláudio Castro, Vieira afirmou que a CPI precisa ouvi-lo por conta do avanço da criminalidade – principalmente da atuação do Comando Vermelho – no Rio de Janeiro, que teria se tornado o “laboratório das mais sofisticadas dinâmicas de crime organizado do país”. “Absolutamente indispensável”, classificou.
No ano passado, uma megaoperação policial descobriu que a facção utilizava os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital, como centro de treinamento de aliados de outros estados, que se abrigavam lá por conta das restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com a chamada “ADPF das Favelas”, que definiu regras rígidas para as incursões das autoridades nas favelas.
Já a justificativa para a convocação de Ibaneis Rocha se dá pelas decisões envolvendo as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, como o processo frustrado de compra e a venda de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas pelo banco privado ao estatal. A CPI pretende saber qual foi o grau de envolvimento do então governador nestes processos.
Ibaneis Rocha negou que tenha tido participações e que se encontrou algumas vezes com Daniel Vorcaro apenas em caráter institucional, mas sem jamais tratar de negociações. A CPI, no entanto, não acredita nesta versão, já que o Governo do Distrito Federal (GDF) é o acionista majoritário e controlador do BRB, e todas as decisões mais importantes – incluindo estas com altos volumes financeiros – passam pelo escrutínio da direção.
O BRB, inclusive, tem até está terça (31) para apresentar o balanço financeiro de 2025 que deve dar a dimensão do real prejuízo tomado nas negociações com o Master – que devem ficar na casa dos bilhões, segundo fontes.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/comissao-convoca-castro-ibaneis-quebra-sigilos-cunhado-vorcaro/
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