
Os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) vão trabalhar nos próximos meses com o mesmo objetivo: derrotar Davi Alcolumbre (União-AP) na eleição para presidente do Senado. O plano desenhado prevê um período de campanhas paralelas em que cada parlamentar atuará em nichos distintos de influência, atraindo votos que dificilmente migrariam de forma imediata para o outro.
Ao longo das próximas semanas, os dois aliados pretendem medir o alcance de suas investidas e testar a temperatura das bancadas partidárias, principalmente entre as senadoras e os partidos de centro. Mais adiante, Marinho e Tereza Cristina ditarão o momento em que um abrirá mão da candidatura em favor do outro, consolidando um bloco de oposição coeso e competitivo.
Trata-se da estratégia de “pinça eleitoral”, quando dois ou mais aliados atuam por frentes aparentemente diferentes para encurralar um adversário comum e, no momento decisivo, decidem convergir e se unir.
A oficialização do senador Rogério Marinho, na quarta-feira (4), como candidato do Partido Liberal à presidência do Senado deu a largada formal para a disputa da Mesa Diretora marcada para fevereiro de 2027. A senadora Tereza Cristina também confirmou à Gazeta do Povo que vai concorrer ao comando da Casa.
“A senadora Tereza é nossa parceira, está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos e juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente, o senador Davi Alcolumbre”, declarou Marinho ao lançar a sua candidatura à presidência do Senado.
O especialista em Teoria Geral do Estado e professor da USP Rubens Beçak avalia que tanto a candidatura de Rogério Marinho quanto a de Tereza Cristina são fortes e com representatividade no Senado.
“A candidatura do senador Rogério Marinho é natural porque ele é o líder do PL, a maior bancada em 2027. A candidatura da senadora Tereza Cristina já vinha sendo anunciada e ela se apresenta com a perspectiva de ser a primeira presidente mulher do Senado. Então, me parece que são duas pretensões escudadas em maiorias, com possibilidade de costuras políticas que as tornem não só legítimas, mas viáveis”, disse.
Os alvos de Marinho e Tereza na busca por votos contra Alcolumbre
A tática de Rogério Marinho é fincada no núcleo da oposição conservadora. O senador potiguar dialoga diretamente com as bandeiras mais enfáticas da bancada do PL e de setores independentes.
A sua plataforma centraliza o compromisso com o avanço do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o freio ao ativismo judicial por meio de limites às decisões monocráticas e a reestruturação de competências do Supremo Tribunal Federal (STF).
Marinho é a favor do impeachment de ministros da Suprema Corte como resposta às tensões institucionais. No entanto, ele reforçou que sua candidatura não representará ataque contra os ministros do STF, mas a defesa da Constituição.
“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, disse durante o anúncio de sua candidatura.
Rogério Marinho mantém postura de enfrentamento firme contra a agenda econômica e política do Palácio do Planalto. Para ele, a presidência do Senado precisa atuar como um poder moderador e assertivo, pautando matérias de interesse da oposição que historicamente foram travadas na gaveta da presidência.
Por sua vez, Tereza Cristina opera em uma frequência distinta, voltada para a diplomacia legislativa. Ela lidera a bancada do agronegócio e é reconhecida por ter capacidade de dialogar com os partidos do Centrão, incluindo alas do Republicanos, PSD e MDB.
Tereza aposta ainda na atração do voto feminino, articulando junto à Bancada Feminina o apelo histórico de eleger a primeira mulher a presidir o Senado em mais de duzentos anos de história do Parlamento.
No tocante ao Judiciário e ao Executivo, a abordagem de Tereza é mais cautelosa do que a de Marinho. Ela evita a retórica de confronto direto e não coloca o impeachment de ministros do STF como eixo prioritário de sua campanha, priorizando antes reformas no processo legal e a recuperação da harmonia entre os poderes.
Sua relação com o governo Lula, embora de oposição clara em matérias fiscais e regulatórias, mantém portas abertas para a negociação institucional, o que a torna uma opção palatável para os parlamentares que temem uma gestão de confronto direto e contínuo entre o Senado e os outros Poderes, como explica o especialista em política Elias Tavares.
Tereza Cristina também mantém uma situação particular na disputa: pertence ao PP, partido que integra a federação União Progressista, formada também pelo União Brasil, cuja direção anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre.
A manifestação da federação, porém, não encerrou as articulações individuais da senadora, que defende a liberdade de voto dos parlamentares. Em 27 de outubro, após o anúncio de apoio da federação a Alcolumbre, ela defendeu publicamente o “voto livre, soberano e secreto” dos 81 senadores.
“Tereza Cristina pode buscar parlamentares de centro e de centro-direita que resistam tanto à recondução de Davi Alcolumbre (União-AP) quanto ao perfil mais combativo de Marinho. Sua experiência e suas relações políticas, somadas à possibilidade de ser a primeira mulher a presidir o Senado, podem ampliar esse diálogo”, avaliou Tavares.
Os números e os possíveis votos da direita no Senado
A matemática do plenário do Senado, composto por 81 senadores, exige 41 votos para a vitória na eleição da Mesa Diretora, em votação secreta.
O atual presidente, Davi Alcolumbre, controla a máquina administrativa do Senado e tem forte influência na distribuição de relatorias e comissões. Ele transita com facilidade entre os partidos governistas – PT e PSB – e legendas de centro, como MDB e PSD. O grupo ainda tem um grande aliado: o presidente Lula.
As estimativas preliminares apontam que Rogério Marinho detém 32 votos – senadores do PL serão 29 e o Novo terá 3 em 2027.
Para alcançar os nove votos restantes, o líder da oposição terá de contar com dissidências em partidos de centro-direita e do Centrão, como Republicanos, PP, MDB, Podemos e PSD.
A senadora Tereza Cristina, por sua vez, parte de um piso menor. Analistas preveem que ela tem entre 12 e 15 votos entre parlamentares do PP e nas bancadas do Agronegócio e Feminina. No entanto, especialistas entendem que a senadora tem potencial de crescer por conta da baixa rejeição de seu nome entre os parlamentares do Centrão.
A conta mostra que, juntos, Marinho e Tereza têm votos suficientes para derrotar Alcolumbre na corrida eleitoral do Senado.
Embora a convergência das candidaturas de Rogério Marinho e Tereza Cristina seja tida como certa para superar a barreira dos 41 votos, a costura prática dessa aliança traz uma pergunta crucial: como transferir os votos de um para o outro sem sofrer dispersão no momento do anúncio da chapa única? Os especialistas lembram que a transferência mecânica de votos não existe no Senado, sobretudo sob a regra da votação secreta.
Por isso, a estratégia para defender os votos conquistados de um lado e de outro deve contemplar movimentos coordenados para privilegiar o poder compartilhado, que incluiria ainda o acordo tácito entre Marinho e Tereza para o comando da Casa.
Diante desse cenário, quem abrir mão da presidência assume de imediato a candidatura à 1ª Vice-Presidência ou à presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por exemplo. Na prática, no entendimento dos analistas, a mensagem ao plenário é de que os dois grupos governarão a Casa em conjunto, garantindo espaço e influência a todos os aliados envolvidos.
Por outro lado, a estratégia também apresenta riscos. “Na medida em que a transferência de votos, no caso de uma desistência em favor do outro, não é automática, porque não são questões fechadas partidárias, se dá muito na vontade de cada senador, de um partido, de outro, das bancadas. Pode ser que isso acabe, em última análise, beneficiando o senador Davi Alcolumbre”, analisou Rubens Beçak.
União futura das chapas também precisará ser calculada
O momento do anúncio da união das chapas também precisa ser milimetricamente cronometrado, nem cedo demais, permitindo que a máquina de cargos e emendas do Planalto e de Alcolumbre coopte os dissidentes, nem tarde a ponto de gerar sensação de improviso.
Portanto, garantir que os votos de partida do PL se somem aos apoios potenciais de Tereza Cristina sem vazamentos dependerá de uma equação de mútua confiança.
A eficácia da manobra repousa na capacidade de convencer os pares de que a chapa unificada não é a vitória de uma turma sobre a outra, mas a única via real de tirar Alcolumbre da presidência da Casa.
“O sucesso depende de coordenação, avaliação realista dos apoios e disposição para apoiar quem demonstrar maior capacidade de chegar aos 41 votos. A candidatura mais competitiva será aquela que conseguir transformar a força do próprio campo em uma maioria dentro da Casa”, afirmou Elias Tavares.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/rogerio-marinho-e-tereza-cristina-articulam-estrategia-para-derrotar-alcolumbre-no-senado/
Fachin precisa devolver inquérito do Master a Mendonça

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, continua trabalhando para finalmente encerrar o abusivo inquérito das fake news, a investigação que nunca deveria ter existido e que, ao longo de quase oito anos, serviu apenas para perseguir os adversários e críticos dos ministros, especialmente os do relator Alexandre de Moraes. Já pediu que a Polícia Federal termine as diligências ainda pendentes e, aos poucos, vem arquivando investigações. Fachin ainda faria um enorme bem ao país se levantasse totalmente o sigilo sobre tudo o que foi feito ao longo desses anos, para que o abuso ficasse evidente até mesmo para quem ainda nega todos os ataques à democracia cometidos por Moraes em nome da “defesa da democracia”. Mas esta não é a única frente em que o presidente do Supremo tem a chance de fazer o certo.
Em setembro, Fachin também assumiu a relatoria de duas investigações que estavam sob os cuidados de André Mendonça: o inquérito sobre a fraude bilionária cometida contra milhões de aposentados e pensionistas do INSS, e o inquérito sobre o escândalo do Banco Master – este último, como o Brasil todo já sabe, com ramificações que chegaram ao próprio Supremo. A primeira investigação foi devolvida a Mendonça no fim de outubro, mas a do Master continua retida na presidência da corte, sem motivo algum que o justifique; também ela precisa ser entregue de volta a seu relator original o quanto antes.
Tratar da mesma forma Alexandre de Moraes e André Mendonça, dando os mesmos “castigos” a um e a outro, não é justo, pois eles nem de longe podem ser tratados como equivalentes
Por mais que se compreenda a intenção de Fachin de impedir um agravamento da crise que tomou conta do Supremo, não se resolve esse tipo de disputa na base do igualitarismo puro e simples: se um ministro perdeu o inquérito que comandava, o outro deve perder também; se um ministro será investigado, o outro também deve sê-lo. Pode funcionar para um pai que tem de apartar uma briga entre filhos pequenos, mas não é assim que se fará verdadeira justiça capaz de resolver o caos no STF – por mais que seja essa a solução preferida da ala chicaneira da corte, como ficou evidente na vergonhosa sessão de 15 de setembro.
Tratar da mesma forma Alexandre de Moraes e André Mendonça, dando os mesmos “castigos” a um e a outro, não é justo, pois eles nem de longe podem ser tratados como equivalentes. O primeiro agiu como déspota por quase oito anos, fazendo de “seu” inquérito o que bem entendesse, e estabeleceu relações promíscuas com um banqueiro acusado de fraude; por mais que Daniel Vorcaro tenha assinado o fabuloso contrato de R$ 129 milhões com o escritório da esposa de Moraes, era ao ministro que ele recorria para ver se era possível “bloquear” as investigações do Master, ou para perguntar-lhe se era uma boa ideia deixar o Brasil. Já André Mendonça conduziu as investigações com lisura, a ponto de, percebendo que as conversas de Vorcaro envolviam um ministro do Supremo, ter encaminhado o pedido de investigação ao plenário da corte – o que, por sua vez, disparou uma resposta bem ao estilo de Moraes, que desejou incluir o colega no inquérito dasfake news.
Se a definição clássica de justiça é dar a cada um o que lhe é devido, e se Fachin deseja que o Supremo volte a ser uma corte onde realmente se faz justiça, o mínimo que ele pode fazer é criar as condições para que Moraes e a Mendonça tenham o que lhes é devido: que este volte a conduzir as investigações do Master, e que aquele possa responder pelos abusos e pelas relações indecentes que o tornam indigno de ocupar a cadeira de ministro do STF. Que as manobras chicaneiras de quem está empenhado apenas na blindagem, própria e dos colegas, sejam rechaçadas. E este mínimo já será meio caminho andado para colocar Fachin na história do STF e da democracia brasileira.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/edson-fachin-devolver-inquerito-banco-master-andre-mendonca/
Governo Lula infla pacote de portos com leilões não realizados

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou um plano para realizar 34 leilões portuários durante o próximo mandato de Lula (PT), entre 2027 e 2030. O número de empreendimentos, porém, só é superlativo porque contempla projetos que o governo não conseguiu efetivar na atual gestão.
Só em 2026, o MPor planejava 18 leilões. Chegando ao fim do ano, apenas três viram o martelo. E se tudo correr bem para as ambições do governo, mais três certames serão realizados em dezembro, contemplando projetos nos portos de Fortaleza (CE), Itaqui (MA) e Salvador (BA).
A carteira para o próximo quadriênio prevê R$ 20,6 bilhões em contratos a partir dos leilões. Esse montante é superior aos R$ 15,68 bilhões garantidos nos 29 certames desde 2023. O governo ainda estima gerar R$ 33,1 bilhões com autorizações para empreendimentos privados, como terminais, estações de transbordo de carga e instalações portuárias de turismo.
Entre os empreendimentos estão alguns anunciados anteriormente e que não saíram do papel, como o Tecon Santos 10 no porto de Santos (SP), previsto inicialmente para 2025. Na lista também estão:
- o terminal multipropósito de São Sebastião (SP);
- o arrendamento definitivo do terminal de contêineres e de carga geral do porto de Itajaí (SC);
- o terminal de movimentação de granéis sólidos vegetais em Itaqui (MA);
- o terminal de granéis sólidos e líquidos no porto de Vila do Conde (PA).
Esses cinco projetos somam R$ 16,1 bilhões e equivalem a quase 80% do estimado para os quatro anos. Se forem retirados da conta, já que estavam previstos para até 2026, o próximo quadriênio terá investimentos menos robustos, de R$ 4,5 bilhões.
Tecon 10 de Santos estava previsto para 2025
O megaterminal de contêineres do porto de Santos, com capacidade para movimentar até 3,25 milhões de TEUs (contêiner de 6 metros de comprimento) por ano, ficará localizado na região do cais do Saboó, na margem direita do porto, em uma área de 622 mil metros quadrados. Os investimentos previstos são de R$ 6,45 bilhões.
A infraestrutura do terminal deverá ser capaz de receber os maiores navios do mundo, da classe Triple E, com 400 metros de comprimento, 59 metros de largura e 73 metros de altura, e capacidade de até 18 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) — a dinamarquesa Maersk é a única a operar essas embarcações.
O projeto do Tecon 10 é de 2019, mas até hoje não chegou à fase de leilão. O governo Lula previa o certame para 2025. A modelagem da concorrência, porém, ainda não foi completamente equalizada.
Isso porque o MPor e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) defendem restrições aos armadores que já possuem terminais no porto de Santos, enquanto a Casa Civil sugere concorrência mais aberta. Em julho deste ano, o governo federal criou um grupo de trabalho para tentar um consenso entre as posições divergentes.
A ideia é de que durasse apenas um mês. Mas até o momento nenhum resultado foi apresentado e o leilão segue sem data.
Em entrevista ao Broadcast, o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Alex Ávila, adiantou que os trabalhos estão na fase final. “As equipes que precisavam se reunir, já se reuniram, já debateram. O que eles estão fazendo é lapidando a manifestação final. Uma vez concluído, me encaminham e a gente emite uma manifestação e devolve para Antaq”, disse.
Governo marca três leilões para dezembro
O governo federal pretende fechar três leilões em dezembro deste ano e, assim, completar seis certames dos 18 planejados para 2026. Na lista estão três empreendimentos no Nordeste, todos previstos para 9 de dezembro, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
O destaque é o terminal de contêineres no porto de Fortaleza (CE), que terá capacidade para movimentar cerca de 400 mil TEUs anualmente. Durante 25 anos de arrendamento, deverão ser investidos R$ 429 milhões, com valor estimado de contrato de R$ 5,5 bilhões. O projeto contempla dois berços de atracação, três guindastes móveis portuários e instalações para armazenamento de contêineres refrigerados.
Outro leilão previsto é o de uma área para movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais no porto de Itaqui, em São Luís (MA), com investimentos de R$ 14,7 milhões. E para finalizar o ano, o governo leiloará uma área no porto de Salvador (BA) para movimentar cargas gerais, prevendo R$ 39,1 milhões durante o contrato de dez anos.
FONTE: GAEZTA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/governo-lula-infla-pacote-de-portos-com-leiloes-nao-realizados/
Como um escândalo financeiro ameaça derrubar Peña e redesenhar o poder no Paraguai

O colapso do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, desencadeou uma crise financeira e política que pode mudar o comando do país. O escândalo levou o presidente Santiago Peña a apresentar nesta quinta-feira (5) um pedido de renúncia, cuja análise foi interrompida no Congresso por falta de quórum.
Agora, ainda na Presidência, Peña enfrenta um processo de impeachment no Senado. O julgamento foi aberto na noite de quinta e deve continuar ao longo desta sexta-feira (6). Caso seja destituído, Peña deve ser sucedido pelo vice-presidente Pedro Alliana, em meio a uma possível reorganização das forças políticas paraguaias.
Entenda a seguir como a crise se desenrolou e as possíveis consequências para o futuro do Paraguai.
A crise do Ueno Bank
A crise política começou após o Banco Central do Paraguai decidir intervir no Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país. A medida, aprovada na segunda-feira (2) e anunciada na terça-feira (3), provocou a suspensão das operações do banco, deixando os correntistas temporariamente sem acesso a salários e economias depositadas na instituição. A situação se agravou porque a instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo dinheiro destinado à previdência social.
O Ueno Bank cresceu rapidamente no Paraguai com a expansão dos serviços financeiros digitais a partir de 2021 e a incorporação do tradicional Visión Banco em 2024. Com campanhas publicitárias, patrocínios e benefícios aos correntistas, chegou a quase 3 milhões de clientes em um país com pouco mais de 6 milhões de habitantes. Paralelamente, o banco passou a receber depósitos milionários de órgãos públicos.
A rápida expansão, porém, contrastava com problemas identificados pela fiscalização paraguaia, incluindo empréstimos a empresas ligadas aos próprios controladores do banco, operações sem documentação suficiente e inconsistências no registro de ativos. Durante a revisão dos balanços da instituição, o Banco Central paraguaio constatou que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei. A situação financeira levou a autoridade monetária a iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank.
Entre os US$ 850 milhões em recursos públicos depositados na instituição, aproximadamente US$ 380 milhões pertenciam ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável por aposentadorias e serviços de saúde. A presença desses recursos ampliou a dimensão da crise e provocou questionamentos sobre as decisões que permitiram a concentração do valor no banco.
A paralisação levou manifestantes às ruas de Assunção, que protestaram contra a crise envolvendo o banco. O Ministério Público paraguaio abriu investigações contra o Ueno e integrantes do banco por suspeitas de irregularidades financeiras e a Justiça determinou, nesta semana, a prisão preventiva de seis dirigentes do banco e a prisão domiciliar de outros dois investigados.
Para conter a crise, o Congresso paraguaio aprovou nesta quarta (4), em regime de urgência, uma lei que permite antecipar a devolução de recursos aos correntistas por meio do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). O fundo é destinado a proteger o dinheiro dos clientes caso uma instituição financeira entre em processo de resolução ou liquidação. A lei foi sancionada no mesmo dia pelo presidente Peña.
Nesta quinta-feira (5), as autoridades iniciaram a primeira etapa dos pagamentos via fundo, destinada a clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 8,9 mil), sem dívidas com o Ueno Bank e com contas em outras instituições financeiras. O limite geral da garantia é maior, chegando a 228,3 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 204 mil) por depositante. A medida, porém, ainda não resolveu a situação de todos os correntistas nem esclareceu quanto dos recursos públicos poderá ser recuperado.
Peña era acionista de empresa vinculada ao banco digital
O escândalo atingiu Peña por suas antigas relações com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente manteve participação acionária em uma empresa vinculada ao conglomerado até março de 2025, quando afirmou ter vendido suas ações. Desde a quebra do banco, a oposição passou a questionar os depósitos de instituições públicas no banco durante seu governo e possíveis conflitos de interesses.
O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também se envolveu no escândalo. Ele renunciou na terça-feira (3), a pedido de Peña, em meio a questionamentos sobre a fiscalização da instituição, já que Carvallo havia presidido a Financiera Ueno, antecessora do banco, antes de assumir o comando da autoridade monetária em 2023.
Peña negou ter cometido irregularidades no caso e afirmou que já não mantinha participação na instituição. O banco também sustentou que o presidente não era acionista ou investidor direto da instituição.
Cezar Roedel, mestre em relações internacionais e estrategista internacional, avalia que o volume de recursos públicos e previdenciários administrados pelo Ueno Bank, somado aos questionamentos sobre a independência da fiscalização bancária, coloca em debate a transparência e a segurança jurídica do sistema financeiro paraguaio. Segundo o analista, o escândalo também expôs possíveis conflitos de interesses nas relações entre o poder público e o setor privado, que ainda precisam ser esclarecidos pelas investigações.
Derrocada do banco acelerou desgaste de Peña
A crise financeira ganhou dimensão política mais forte nesta quarta-feira, quando 35 deputados apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, alegando conflitos de interesses e omissões na fiscalização bancária. No dia seguinte, Cartes, presidente do Partido Colorado, também apoiou o afastamento de Peña, acompanhado por parlamentares governistas e dissidentes da legenda.
Cartes conserva influência sobre a bancada e a estrutura partidária. Foi com seu apoio que Peña chegou à Presidência em 2023. Roedel avalia que o escândalo precipitou o anúncio da renúncia de Peña, mas não explica sozinho a rapidez dos acontecimentos que culminaram na eventual queda do governo dele. Segundo o analista, Peña já vinha enfrentando desgaste político, inclusive dentro do próprio partido, e a intervenção do Banco Central no Ueno apenas acelerou um processo de enfraquecimento do governo que já estava em andamento.
Peña anunciou nesta quinta-feira (5) que deixaria o cargo para preservar a “estabilidade e as instituições democráticas”. Mesmo assim, a Câmara aprovou a abertura de impeachment contra ele por unanimidade e o processo foi enviado ao Senado. Os deputados, porém, rejeitaram, por 48 votos a 30, o pedido de impeachment contra o vice-presidente, Alliana.
Após as votações do impeachment na Câmara, houve uma tentativa de analisar a renúncia de Peña em uma sessão conjunta de deputados e senadores. Caso ela fosse aprovada, Peña se livraria do processo de impeachment e poderia gozar dos benefícios concedidos a ex-presidentes eleitos, que se tornam senadores vitalícios (com direito a voz, mas sem voto), e contam com imunidade parlamentar. Nesse caso, um eventual processo criminal contra ele poderia depender da retirada de sua imunidade pelo Senado, o que geraria um novo e longo processo político.
Peña passou a ser investigado criminalmente pelo Ministério Público paraguaio nesta quinta-feira. O procurador-geral Emiliano Rolón Fernández determinou a abertura de uma investigação para apurar possíveis responsabilidades do presidente nas irregularidades envolvendo o Ueno Bank.
A votação da renúncia de Peña, porém, não foi concluída. Durante a votação, parlamentares governistas abandonaram o plenário ao perceberem que não tinham votos suficientes para aprová-la. A retirada provocou a perda do quórum mínimo de 41 deputados e impediu uma decisão sobre o caso.
Com a renúncia ainda pendente, o Senado decidiu dar continuidade ao processo de impeachment do presidente. Peña deve apresentar sua defesa no caso nesta sexta-feira (6).
Setores da oposição e até alas do Partido Colorado defendem a destituição do presidente pelo processo de impeachment para impedir que ele adquira imunidade. Caso isso ocorra, ele perderá o direito à vaga de senador e a imunidade. Para aprovar a destituição do presidente, serão necessários pelo menos 30 votos dos 45 senadores.
Segundo o presidente do Congresso, Basilio Núñez, o julgamento de impeachment prevê cinco sessões extraordinárias, incluindo a apresentação da defesa, a análise das provas, as alegações finais e a votação nominal dos senadores. Se todas as etapas forem concluídas sem atrasos, a decisão sobre a destituição poderá ocorrer ainda nesta sexta-feira.
O que muda no Paraguai se Peña for derrubado do poder
Como o vice-presidente Pedro Alliana não se tornou alvo do processo de impeachment, ele deverá assumir o comando do Paraguai caso o Senado aprove a destituição de Peña. Nesse cenário, Alliana concluirá o mandato presidencial, que vai até agosto de 2028.
A expectativa dos especialistas é de que Alliana, caso assuma o governo de fato, preserve as principais orientações econômicas e internacionais de Peña, especialmente quanto à disciplina fiscal, à atração de investimentos estrangeiros e às relações com os Estados Unidos e o Brasil.
A principal diferença entre os dois presidentes, segundo os analistas, estará no perfil político. Enquanto Peña construiu sua carreira predominantemente na área econômica, Alliana tem maior experiência nas negociações parlamentares e na estrutura partidária, já que, antes de chegar à Vice-Presidência, ele presidiu a Câmara dos Deputados e o Partido Colorado. Essa trajetória poderá facilitar a reorganização da base governista, mas também poderá colocar no centro das atenções a relação entre Alliana e Cartes, que abandonou Peña na atual crise e exerce influência entre os governistas.
Eduardo Galvão, especialista em Relações Governamentais e professor do Ibmec Brasília, avalia que, apesar da proximidade histórica com Cartes, Alliana possui interesses políticos próprios e precisará construir uma base de apoio no Congresso para governar com autonomia, especialmente diante de possíveis divergências com Cartes.
Segundo Galvão, os primeiros sinais dessa relação de forças deverão aparecer na formação do novo governo. Na visão dos analistas, a escolha do gabinete de governo, especialmente da equipe econômica, e a condução das investigações sobre o Ueno Bank poderão mostrar até que ponto Alliana conseguirá tomar decisões próprias ou precisará negociar os rumos de sua administração com Cartes e os parlamentares ligados a ele.
Roedel avalia que uma eventual saída de Peña e a chegada de Alliana à Presidência demonstram o funcionamento pleno dos mecanismos constitucionais de sucessão do Paraguai, mas não significariam o fim da crise política e institucional enfrentada pelo país neste momento. Segundo o analista, a estabilidade de um eventual governo Alliana vai depender da capacidade dele de recuperar a confiança da população, proteger os recursos dos clientes do Ueno Bank e esclarecer as responsabilidades pela crise bancária.
As investigações do Ueno Bank prometem ser um dos grandes desafios para qualquer nome que esteja à frente do governo. Galvão considera que eventuais revelações envolvendo mais autoridades ou outras instituições financeiras poderão provocar novos desgastes e ampliar as disputas dentro do Partido Colorado.
A eventual chegada de Alliana à Presidência também poderá provocar uma reorganização política dentro do Partido Colorado, especialmente diante das eleições de 2028. O atual vice-presidente era apontado como um dos possíveis candidatos da legenda à sucessão de Peña, mas a perspectiva de assumir o restante do mandato poderá tirá-lo da próxima disputa presidencial.
Isso porque a Constituição paraguaia estabelece mandatos de cinco anos e proíbe a reeleição presidencial. Segundo Cezar Roedel, caso Alliana assuma definitivamente a Presidência até agosto de 2028, ficará impedido de disputar o mandato seguinte. O especialista avalia que essa consequência, somada à necessidade de o Congresso escolher um novo vice-presidente, poderá alterar o equilíbrio de forças dentro do Partido Colorado e abrir espaço para outras lideranças interessadas na sucessão presidencial.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/como-um-escandalo-financeiro-ameaca-derrubar-pena-e-redesenhar-o-poder-no-paraguai/
TSE aceita ação do Novo que pede cassação de Lula e Alckmin por suposto abuso de poder

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, aceitou nesta quinta-feira (5) a tramitação da ação do Partido Novo que pede a cassação e inelegibilidade por 8 anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por suposto abuso de poder político. Antes de avaliar o mérito do processo, o ministro deu prazo de 5 dias para que as defesas se manifestem.
Cueva concluiu que o processo reúne todas as condições necessárias para a tramitação regular. O partido argumentou que a Presidência da República teria utilizado atribuições privativas de edição de medidas provisórias e decretos para desequilibrar a corrida presidencial em benefício da reeleição.
De acordo com levantamento anexado aos autos, o governo federal editou 35 atos normativos de concessão de benefícios ou de forte apelo popular entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026. Segundo a legenda, esse número iguala a soma de todas as medidas análogas editadas ao longo dos três anos anteriores do mandato: 17 em 2023, 4 em 2024 e 14 em 2025.
O Novo sustenta que, das 35 medidas, 12 foram publicadas durante o período de campanha eleitoral. A legenda pediu acesso a relatórios e documentos sigilosos do governo para verificar a real execução orçamentária dos programas no período, mas o ministro determinou que a análise será realizada após a juntada das contestações das defesas.
Em nota, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue “com rigor” o caso e destacou que a “lei não permite que um governo gaste R$ 100 bilhões para comprar uma eleição”.
“Não se pode permitir que o dinheiro do contribuinte e a estrutura do Estado sejam utilizados dessa forma. O Novo levou ao TSE fatos concretos e um conjunto de documentos que apontam para uma nítida distorção da disputa eleitoral… Democracia exige eleições livres, equilíbrio e respeito à legislação”, disse o dirigente.
A ação destaca que foram concedidos subsídios ao diesel de R$ 2,12 por litro, valor prorrogado até 26 de outubro — dia seguinte à votação do segundo turno. O governo também instituiu alíquota zero para tributos federais sobre a gasolina e o etanol entre os turnos de votação.
Na ocasião, o ministro Dario Durigan, da Fazenda, negou que a isenção de impostos federais sobre o preço da gasolina teria motivação eleitoral, apesar de ter sido anunciado a 16 dias do segundo turno.
A 17 dias do primeiro turno, Lula reajustou o Bolsa Família em 15,04%, por decreto, após mais de três anos sem correção monetária, com cronograma de pagamentos escalonado para outubro, exatamente entre o primeiro e o segundo turno da disputa. A 9 dias do primeiro turno, o governo editou a Medida Provisória 1.394 para proibir as bets.
“Em 2026, o governo abriu, por medida provisória, 13 (treze) créditos extraordinários cuja finalidade, segundo o anexo ou a exposição de motivos do próprio ato, é custear as medidas descritas nesta inicial, no total de cerca de R$ 99,7 bilhões, parte deles destinada a operações de crédito, cujos recursos retornam ao Tesouro”, citou o partido.
Para a legenda, a licitude formal dos decretos e MPs não afasta a configuração do ilícito eleitoral, pois as competências estatais teriam sido instrumentalizadas de forma desproporcional para produzir dividendos eleitorais imediatos.
“O abuso pode ocorrer ‘podendo ou não haver desnaturamento dos institutos jurídicos envolvidos’, o que significa que a medida provisória regularmente editada, o decreto validamente publicado e o crédito extraordinário aberto segundo o rito constitucional não deixam de servir ao ilícito eleitoral quando a finalidade que os anima é a vitória nas urnas”, afirmou a defesa do Novo.
A Gazeta do Povo procurou a defesa da campanha de Lula, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/tse-aceita-acao-do-novo-que-pede-cassacao-de-lula-e-alckmin-por-suposto-abuso-de-poder/#cxrecs_s

Imposto do pecado: o PT odeia sua cervejinha (e sua liberdade)

Se você ainda fuma de vez em quando, se curte uma cervejinha gelada depois do trabalho ou simplesmente dirige, saiba que o PT te odeia. O grupo de Lula é obcecado por impostos e sempre encontra um pretexto fácil para vendê-los: os famosos “impostos do pecado”. São “vícios”, coisas ruins, prejudiciais à saúde. Então o governo mete a mão e cria tributação absurda para “proteger” você – o ingrato que não entende.
Na prática, o PT é fiscalmente irresponsável, esbanjador, gasta como se não houvesse amanhã e compra voto. Depois de destruir as contas públicas, precisa de receita de qualquer jeito. Aí vem o Imposto Seletivo da reforma tributária – que não simplifica nada, só gera mais confusão, insegurança jurídica e a maior alíquota de IVA do mundo.
A medida provisória publicada nesta quarta-feira define as alíquotas que começam a valer em fevereiro de 2027: até 66,7% + R$ 3,50 por maço para cigarros, 24% para destilados (uísque, vodca, gin), 20% para cachaça, 8% para vinhos e 4,2% para cervejas de malte.
Amanhã vem imposto para sedentários, para quem come sal demais, açúcar ou fritura. Qual o limite? O inspetor do Estado no supermercado dizendo que seu carrinho está cheio de junk food e que você não pode, porque ‘nós pagamos o SUS’?
Sua cervejinha vai ficar mais cara. Enquanto isso, Lula pode degustar do Macallan de meio milhão que o banqueiro picareta Daniel Vorcaro lhe deu de presente. Haja hipocrisia, não?
O primeiro problema é o paternalismo puro. Não cabe ao Estado proteger adultos de si mesmos. Isso é a tirania do bem. A vida é uma aventura arriscada e cada um deve ser livre para escolher como trilhá-la, assumindo as consequências. Parte da liberdade é o direito de ir para o “inferno” do seu próprio jeito – escrevi isso numa coluna em 2012 e continua valendo. Não cabe ao governo cuidar de nós, e quem não entende isso não entendeu o básico sobre liberdade.
O SUS dá o pretexto necessário para punir quem não busca a “saúde perfeita”. Se o custo da saúde é coletivo, então a “sociedade”, por meio do Estado, tem direito de se intrometer na vida de cada cidadão. Amanhã vem imposto para sedentários, para quem come sal demais, açúcar ou fritura. Qual o limite? O inspetor do Estado no supermercado dizendo que seu carrinho está cheio de junk food e que você não pode, porque “nós pagamos o SUS”?
O segundo ponto é o contrabando. Cerca de 30% do mercado de cigarros no Brasil já é ilegal, vindo do Paraguai com produtos piores, sem fiscalização. Imposto alto empurra a oferta para o mercado negro, beneficia redes criminosas (como a Lei Seca gerou o Al Capone) e ainda gera perda de receita. O Paraguai agradece. E a demanda por bens viciantes é inelástica: o fumante ou o bebedor não para, só migra para o produto mais barato e de pior qualidade. Não reduz o “pecado”; só piora seus efeitos.
Quem não fuma e não bebe e aplaude isso está ajudando a criar o monstro que amanhã se voltará contra ele – proibição de bronzeamento artificial, controle de sal, o que for. A mentalidade paternalista não para. Eu não fumo, bebo um vinho de vez em quando e nem moro no Brasil, mas aponto o óbvio: isso é ineficaz, injusto e perigoso para as liberdades individuais.
E o PT mascara tudo isso no manto da bondade, como se fosse preocupação legítima com a saúde do povo. O governo precisa de caixa e usa a saúde pública como desculpa. O resto é conversa para boi dormir.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/imposto-do-pecado-o-pt-odeia-sua-cervejinha-e-sua-liberdade/#cxrecs_s

Só o mandato é novo; todo o resto continuará igual a Lula 3

Vejo gente insistindo que vamos ter um “novo governo”. Não! Foi reeleito o mesmo governo, será a mesma coisa, o gasto público vai continuar, a dívida pública vai aumentar, a inflação vai subir – segundo o Banco Central, está rumando para o dobro da meta, que é de 3%. O desequilíbrio nas contas públicas provoca inflação, que provoca desgaste da moeda, que provoca queda do poder aquisitivo do povo. E os juros sobem também: se o governo está devendo mais, tem de oferecer uma boa remuneração para atrair quem queira comprar os papéis do governo.
Não tem como não percebermos as contradições desse presidente reeleito, que já foi condenado por corrupção várias vezes, tendo mentido durante a campanha toda. Houve uma reunião com uma pequena equipe, incluindo Geraldo Alckmin e Dario Durigan, mas na saída só disseram que está tudo mantido. Como é que um ministério desse tamanho vai cortar gastos, com essa mania de achar que gastar significa estimular o crescimento do país, quando não é?
Estamos vivendo um período de alta de impostos e queda de horas de trabalho. Sabemos o resultado dessa equação. É óbvio, e nós tememos esse óbvio; ficamos na esperança de que surja algo imprevisível, que o presidente finalmente se convença e diga “vamos cortar gastos públicos, vamos resolver a dívida pública”. É o melhor para todos, diante da possibilidade quase certa de piora.
Estrangeiro está tirando dinheiro da bolsa brasileira
Desde a reeleição de Lula, saíram quase R$ 8,5 bilhões de dinheiro aplicado não em rentismo, mas em ações de empresas brasileiras na bolsa. Esse dinheiro foi embora, talvez os investidores estrangeiros apliquem na bolsa do Paraguai, que em três dias resolveu uma grande crise bancária que afetou metade do país. Isso quer dizer que o caso de um certo contrato de R$ 129 milhões entre um certo banqueiro e um certo escritório de advocacia, da esposa de um certo ministro do STF, que apareceu em 9 de dezembro do ano passado, deveria estar resolvido até o dia 12 de dezembro; em vez disso, já se passaram 11 meses. O Paraguai ganha com facilidade de Brasília.VEJA TAMBÉM:
Eleições legislativas não mudam nada sobre vários poderes de Trump
Tenho visto algumas análises sobre Donald Trump e as midterms que perderam o rumo. Foi uma eleição legislativa. O Congresso americano faz as leis, libera verba orçamentária, aprova ou barra propostas do governo, instala comissões de inquérito. Mas o Congresso não é o Poder Executivo dos EUA. O Executivo ainda é comandado por Trump, e é ele quem tem poderes de fazer a política externa, de aplicar tarifas no comércio exterior, de aplicar punições da Lei Magnitsky a qualquer pessoa do mundo, de fazer acordos com países vizinhos para se proteger na segurança pública, de exigir que países tenham a boa vontade de considerar como terroristas as suas facções criminosas, de receber exilados políticos, de dar asilo, de tirar ou conceder vistos. Isso tudo é competência do Executivo, não do Legislativo; e foi para o Legislativo que houve eleição, vencida pelos democratas.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lula-politica-economica-mantida/

Reeleição de Alcolumbre seria uma desgraça para o país

Reeleger Davi Alcolumbre para a Presidência do Senado seria uma desgraça, como se não bastassem as que já temos. Uso essa palavra com um certo constrangimento, pois desde pequeno fui orientado por minha Vó Maria a não utilizar o termo “desgraça”, nem por brincadeira. No entanto, por mais que procure, é-me impossível encontrar uma palavra que expresse melhor o que significaria manter o senador amapaense em um dos cargos mais altos e poderosos da República.
Alcolumbre é o pior presidente da história do Senado (não que lhe faltassem concorrentes fortíssimos ao título, como seu antecessor Pachequinho, senador de um mandato só, e Renan Calheiros, agora rejeitado pelos alagoanos). Sua recondução ao comando da Casa significaria garantia de impunidade para Moraes, o abusador-mor do STF, e caminho livre para Lula, o ocupante da Presidência, desgovernante e desgovernado, conduzir a sua agenda de destruição do país.
Qualquer tipo de acordo com esse sujeito deve ser repudiado de imediato, e por um motivo muito simples: o que Alcolumbre fala não se escreve. Acreditar que ele permitirá a liberdade dos presos políticos e dos injustiçados pela farsa de 8 de janeiro (e que o STF concordará com isso) é, na melhor das hipóteses, de uma ingenuidade suicida. Tudo que Alcolumbre quer é proteger a casta político-burocrática que vampiriza o Brasil e da qual ele participa ativamente.
À frente do Senado, Alcolumbre colecionou catástrofes e deu um show de pusilanimidade
Alcolumbre, assim como seu equivalente na Câmara, Hugo Motta, é um pusilânime. Em latim, pusillus animus significa literalmente “alma pequena”. É o termo usado para descrever indivíduos cuja mesquinhez é diretamente proporcional à altura do cargo que ocupam. O indivíduo acometido pela pusilanimidade é aquele que, mesmo investido de responsabilidades graves, subestima suas próprias obrigações, apequena-se diante do perigo e renuncia à honra por medo do esforço ou do conflito.
À frente do Senado, Alcolumbre colecionou catástrofes e deu um show de pusilanimidade: blindou o STF e engavetou inúmeros pedidos de impeachment; mostrou, mais do que alinhamento, subserviência ao regime; centralizou decisões e ignorou as demandas da minoria; freou pautas conservadoras; abusou do poder para barganha orçamentária. Sem esquecer, é claro, de impedir a realização da CPMI do Banco Master, escândalo no qual está pessoalmente envolvido.
Eleito com menos de 200 mil votos (enquanto o senador mais votado do Brasil, Guilherme Derrite, obteve mais de 13 milhões), Alcolumbre se comporta como um obediente cão de guarda da agenda socialista de Lula. Seu único bom momento foi a atuação de bastidores para evitar a aprovação do nome de Bessias ao STF, não por razões nobres, mas por divergências internas do consórcio ditatorial. Até relógios parados acertam duas vezes por dia, mas não sejamos inocentes: esse golpe de sorte não se repetirá.
Tenho enfatizado que a um regime ditatorial e ilegítimo não se faz propriamente oposição, mas dissidência. A sociedade precisa mobilizar-se desde já para exigir dos senadores eleitos uma estratégia que impeça a reeleição de Alcolumbre e o mergulho do país no caos absoluto.
Basta de Alcolumbre! O Senado precisa virar essa página sombria de sua história.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/reeleicao-de-alcolumbre-seria-uma-desgraca-para-o-pais/
Em evento conservador nos EUA, Flávio diz que “ainda não foi o fim”: “Grandes coisas estão por vir”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que “grandes coisas estão por vir” no Brasil e nos Estados Unidos em um pronunciamento na noite de quinta-feira (5) na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), evento realizado no resort de Mar-a-Lago, residência do presidente americano, Donald Trump, na cidade de Palm Beach, na Flórida.
O parlamentar fluminense disse que é necessário ter “fé de que ainda não foi o fim”, em referência à sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial brasileira, no final de outubro, e ao revés do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato presidencial americanas, na terça-feira (3).
“A minha palavra para o Brasil e também aqui, para a América, é que Deus está sempre no controle de tudo. A porta que Ele abre ninguém fecha e a porta que Ele fecha ninguém abre”, afirmou Flávio.
“Um ano atrás, eu jamais imaginava que seria candidato à presidência do Brasil. Mas eu creio que era o projeto de Deus não só para mim, mas para a minha nação”, disse o senador.
“Mesmo quando o que parece ser o final não é aquilo que nós esperávamos, nós temos que agradecer a Deus e ter ainda mais fé de que ainda não foi o fim”, acrescentou, reiterando a intenção de seguir liderando a oposição a Lula.
“Cada um de nós temos que continuar fazendo nossa parte, nos aproximando ainda mais de Deus, que grandes coisas estão por vir. Eu sei que não foi o fim para o Brasil e eu sei que não foi o fim para a América”, falou Flávio, em referência à derrota dos republicanos nas midterms americanas.
“O que eu quero falar para os meus irmãos brasileiros é que ainda não chegou o fim, muita coisa pode acontecer. Porque a fé é exatamente ter a certeza de que aquilo que nós não estamos vendo existe, é real”, continuou o senador.
“Por mais que a nossa visão humana não enxergue completamente tudo o que está acontecendo e não consiga enxergar uma saída à luz dos olhos humanos, Deus está no controle e a saída está muito mais próxima do que nós imaginamos. E quando você faz o que está ao seu alcance para conquistar um objetivo e ele ainda não aconteceu, e você entrega nas mãos de Deus aquilo que não está ao seu alcance fazer, isso dá um conforto para tudo em nossas vidas, de que o possível nós fizemos. O impossível, só Deus pode fazer”, disse Flávio.
No X, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, postou um vídeo curto de Flávio cumprimentando na CPAC o ator americano Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”.
“Agora em Mar-a-Lago, Flávio Bolsonaro, em liberdade, se encontra com o ator Jim Caviezel”, escreveu Eduardo.
Flávio admitiu este ano, depois de reportagem do site The Intercept, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, financiou “Dark Horse”, mas alegou que a operação foi legal e não envolveu dinheiro público.
O candidato derrotado à presidência brasileira chegou à Flórida na quarta-feira da semana passada (28), em uma operação que passou pela Argentina e pelo Equador, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado depois da eleição do dia 25 de outubro que Flávio não poderia deixar o Brasil.
O senador e sua família ingressaram nos EUA sob uma autorização de permanência por motivos humanitários, o chamado humanitarian parole, que permite ficar no país por um ano.
Porém, relatos da imprensa americana apontaram que a gestão Trump deve acelerar a concessão do green card, que permite residência legal permanente nos EUA, a Flávio e seus familiares.
Embora aliados do secretário de Estado americano, Marco Rubio, tenham afirmado que ele coordenou a ida do senador aos EUA, o chefe da diplomacia americana negou essa informação.
Trump, que chamou a eleição brasileira de “fraudada”, “estranha” e “uma vergonha”, disse que Flávio pode ficar nos Estados Unidos “quanto tempo quiser”, mas alegou que não tomou partido no pleito e, segundo relatos da imprensa americana, não pretende apoiar o senador na disputa pelo poder no Brasil.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/flavio-pronunciamento-cpac-ainda-nao-foi-fim/

A Síndrome de Estocolmo e a política

Em 23 de agosto de 1973, o mundo foi assombrado com o espetacular assalto ao Banco de Crédito, situado na Praça Norrmalmstorg, em Estocolmo, capital da Suécia. Esse evento trágico ganhou fama mundial em função de dois elementos. O primeiro deles foi a duração do assalto, que ocorreu de 23 a 28 de agosto. O segundo foi o que aconteceu depois e ficou conhecido como “Síndrome de Estocolmo”, nome de um distúrbio psicológico de graves consequências.
Depois de seis dias presas no interior do banco, sob ameaças, agressões e tortura psicológica, as vítimas apresentaram um comportamento assustador e revelador das loucuras de que a mente humana é capaz. Após as prisões, e nos processos judiciais que se seguiram, as vítimas começaram a demonstrar sentimento de apreço e afeição pelos criminosos, atitude que assombrou a polícia e os investigadores, e dificultou a apuração dos fatos.
Ao ver as vítimas agindo para não culpar os criminosos, o psicólogo Nils Bejerot, um especialista em criminologia, auxiliar da política durante o assalto, criou a expressão “Síndrome de Estocolmo” para nomear o vínculo psicológico entre os reféns e os bandidos.
A paixão por políticos ditadores que se tornam algozes da própria sociedade que os apoia é um caso evidente de Síndrome de Estocolmo
A Síndrome de Estocolmo tornou-se uma teoria sobre o que leva uma vítima de abuso, agressão e tortura a desenvolver afeto por seu algoz, como em casos de relacionamento abusivo em que, mesmo torturada e castigada, a vítima continua no relacionamento, por vezes demonstrando afeição por seu agressor.
Um caso famoso dessa doença é o de Patricia Hearst: sequestrada pelo grupo de extrema-esquerda Exército Simbionês de Libertação, após um assalto a banco em 1974, ao sair do cativeiro passou a viver com seus raptores e se tornou cúmplice em assalto a bancos.
A síndrome pode ser desenvolvida por vítimas de sequestro, sobreviventes de campos de concentração, pessoas mantidas em prisão domiciliar por familiares e outras situações similares. Aqui, também entra o comportamento de pessoas que desenvolvem paixão por políticos ditadores que se tornam algozes da própria sociedade que os apoia.
Dois casos sintomáticos de Síndrome de Estocolmo envolvem o socialista venezuelano Hugo Chávez e o revolucionário sanguinário Che Guevara – este último, um assassino cruel e impiedoso, que se tornou ídolo da juventude, reverenciado em camisetas e tatuagens.
Chávez teve apoio da população venezuelana durante um tempo, mesmo quando destruía o país e perseguia opositores com requintes de crueldade. Chávez nunca escondeu que queria transformar o país em um experimento socialista, com tudo que há de opressão e violência nesse tipo de regime. Durante algum tempo, tanto Chávez como Nicolás Maduro, seu sucessor, tiveram votos suficientes para serem eleitos. Mas, como é normal em toda ditadura, ao perder apoio popular eles passaram a fraudar o processo eleitoral.
Quanto a Che Guevara, que assassinava pessoas de próprio punho, basta ler o que ele disse em discurso na Assembleia Geral da ONU, no dia 11 de dezembro de 1964: “Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte”.
Hugo Chávez teve apoio da população venezuelana mesmo quando destruía o país e perseguia opositores com requintes de crueldade
O amor de vítimas por seus próprios algozes pode ser visto em países nos quais o povo segue elegendo políticos e governantes corruptos, que seguem mentindo e mantendo a população na pobreza, numa espécie de Síndrome de Estocolmo coletiva.
Em geral, maus políticos conseguem ser eleitos prometendo dar dinheiro aos pobres, oferecer creches e escolas gratuitas, transporte público de graça, tabelamento de preços e aluguéis, aumento de imposto sobre os ricos e um extenso cardápio de bondades. Quase sempre o resultado é atraso, pobreza e fuga de capitais, como agora se vê na cidade de Nova York, onde o prefeito socialista muçulmano Zohran Mamdani se elegeu prometendo em voz alta que faria um experimento socialista e acabaria com a pobreza.
As nações devem adotar políticas públicas conducentes à redução da pobreza e melhoria das condições de vida da população. Mas devem fazer isso sem destruir a economia e o espírito de iniciativa dos empreendedores. Nessa linha, vale lembrar as palavras do presidente Abraham Lincoln (1809-1865): um país não cria prosperidade desestimulando a poupança; não fortalece os fracos enfraquecendo os fortes; não ajuda os pequenos esmagando os grandes; não ajuda o assalariado arruinando aquele que o paga; não ajuda os pobres destruindo os ricos; não cria estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado; não evita dificuldades gastando mais do que ganha; não promove a fraternidade humana alimentando o ódio de classes; não forma o caráter e a coragem dos homens tirando-lhes a iniciativa e a independência; não ajuda os homens de maneira permanente se fizer por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si mesmos. Pense nisso!
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-pio-martins/sindrome-de-estocolmo-politica/
Eleição de Lula não apaga escândalos do STF nem clamor por impeachment

Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu quarto mandato, a oposição deve se concentrar novamente em uma das suas principais apostas para a próxima legislatura: levar adiante o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco em Alexandre de Moraes.
Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto, a direita recorre agora à força conquistada no Congresso, em especial no Senado. O PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 senadores.
O partido busca converter esse peso em influência, em primeiro lugar para tentar eleger o presidente do Senado, responsável por encaminhar os pedidos contra ministros do Supremo. Sob Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), a Presidência da Casa travou por anos as iniciativas da oposição contra Moraes.
Nas últimas semanas, o compromisso com o impeachment foi apresentado por parlamentares eleitos como uma obrigação com seus eleitores. “Seria uma covardia, uma traição ao povo brasileiro a gente recuar”, disse recentemente a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), em entrevista à Folha de S.Paulo.
Passadas as eleições, um dos desafios da oposição será recolocar os escândalos envolvendo os ministros no centro do debate público.
Moraes deve ser o primeiro alvo da ofensiva. Sua atuação no inquérito das fake news e nos processos contra os presos do 8 de janeiro continua na memória da oposição. As revelações recentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornaram a pressão por seu impeachment mais forte.
Entre as iniciativas já apresentadas contra Moraes está a representação protocolada em 30 de setembro pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e outros parlamentares. A petição reúne assinaturas de diferentes partidos e inclui até nomes da esquerda.
A maioria dos senadores da próxima legislatura já sinalizou ser a favor do impeachment de ministros. A permanência de Lula no Planalto, contudo, pode dificultar a conversão desse apoio declarado em votos para afastar um ministro.
Um senador ouvido pela Gazeta do Povo vê o risco de o governo Lula e o STF se articularem para pressionar o Senado e fazer até parlamentares favoráveis ao impeachment recuarem.
Comando do Senado será decisivo para avanço do pedido
A vitória de Lula pode fortalecer Alcolumbre no Senado e até viabilizar sua reeleição à Presidência da Casa. Segundo o colunista da CNN Caio Junqueira, o presidente do Senado já disse a interlocutores que calcula ter pelo menos 48 votos para se reeleger e que continuará sem pautar o impeachment de ministros do STF.
O PL planeja disputar o comando da Casa com Rogério Marinho (RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A disputa pela presidência do Senado será a etapa central para a direita tentar cumprir a promessa de derrubar ministros do STF. Os levantamentos feitos até agora por diversos veículos sobre o apoio ao impeachment dão estimativas de 48 a 54 senadores favoráveis, mas esses números terão pouca relevância se o Senado continuar nas mãos de Alcolumbre.
Em dezembro de 2025, Gilmar Mendes determinou, por meio de uma liminar individual, que as fases iniciais do impeachment de ministros do STF exigiriam 54 votos no Senado, em vez da maioria simples prevista em lei. A decisão ainda não foi referendada pelo plenário da Corte.
Como mostrou a Gazeta do Povo, o Senado pode tentar reverter essas restrições por meio de uma revisão no próprio STF ou de mudanças na legislação – caminho que também exigiria aprovação da Câmara e ficaria sujeito à sanção ou ao veto de Lula. Essa disputa envolve só as etapas preliminares. A condenação definitiva exige 54 votos por determinação da Constituição.
Segundo a Folha de S.Paulo, Edson Fachin já sinalizou que pretende submeter a liminar de Gilmar ao plenário ainda em 2026, antes da posse dos novos parlamentares. O julgamento poderá consolidar as condições para a tramitação dos pedidos criadas por Gilmar.
A permanência de Lula no Planalto impõe outro dilema à direita: se um ministro perder o cargo, caberá ao petista indicar seu substituto. A escolha, por outro lado, dependerá da aprovação de pelo menos 41 senadores, o que dá à oposição margem para negociar com o Executivo o perfil do novo integrante da Corte.
Além disso, a própria ameaça de impeachment poderia servir de freio aos ministros, levando-os a adotar uma postura mais contida, mesmo que a composição da Corte continue muito inclinada à esquerda.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/eleicao-de-lula-nao-apaga-escandalos-do-stf-nem-clamor-por-impeachment/#cxrecs_s
Republicanos tenta atrair Michelle Bolsonaro

O partido Republicanos começou a rondar a senadora eleita Michelle Bolsonaro (DF), atualmente filiada ao PL do marido Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama está às turras com os liberais há algum tempo, com ápice do aborrecimento quando Michelle desistiu da presidência do PL Mulher, que ela estruturou. No partido dirigido por Marcos Pereira, o sonho é a chapa puro-sangue Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, bem avaliado e reeleito no primeiro turno como governador de São Paulo.
Sabotagem
A insatisfação não é com o comando do partido, tipo Valdemar Costa Neto, mas com alas bolsonaristas que não digerem a ex-primeira-dama.
Asas podadas
Michelle é conhecida no partido por exercer com pulso firme o prestígio e a força política que tem, mas há queixas de que, agora, falta espaço.
Potência nas urnas
A senadora consegue acumular votos do eleitor conservador, feminino e evangélico. No DF, teve mais votos do que qualquer outro candidato.
É de casa
O perfil discreto e alinhado à “família tradicional” agrada o Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/republicanos-tenta-atrair-michelle-bolsonaro
Bolsonaro quer receber Marinho e Tereza Cristina em sua casa

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou nesta quinta-feira (5) autorização junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para receber em sua casa as visitas do senador Rogério Marinho (PL-RN) e da senadora Tereza Cristina (PP-MS). O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação contra Bolsonaro.
Aliados do ex-chefe do Executivo, os dois anunciaram nesta semana que irão concorrer à presidência do Senado Federal no ano que vem, contra o senador Davi Alcolumbre (União-AP), que busca sua reeleição.
“Para tanto, requer-se que as visitas sejam realizadas em datas a serem designadas por essa Relatoria [Alexandre de Moraes], preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras, observadas as condições de ingresso, fiscalização e segurança vigentes”, escreveram os advogados de Bolsonaro em trecho do documento publicado na CNN Brasil.
Na semana passada, Bolsonaro já havia solicitado a autorização para receber o senador, que foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O intuito inicial era debater os destinos da oposição no Congresso após a reeleição do presidente Lula (PT) e a saída de Flávio do Brasil para os Estados Unidos (EUA).
Tereza Cristina, que faz parte da oposição e tem bom relacionamento com o PL, sigla partidária de Marinho, que formou força majoritária no Senado, afirmou que tem o desejo de ser a primeira mulher a presidir o Congresso Nacional e que não seria um empecilho para o senador, e sim, uma aliada.
Em recentes relatos à imprensa, tanto Marinho quanto Tereza já afirmaram seus compromissos em pautar impeachment de ministros do STF e combater a política de gastos tributário da base governista. Bolsonaro cumpre sua pena de 27 anos e três meses de prisão em sua casa, no Condomínio Solar de Brasília, desde março deste ano.
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