Eleitorado acima dos 60 anos cresce 74% e ganha peso decisivo nas urnas

Abstenção do eleitorado com mais 70 anos, que tem voto facultativo, também caiu nas últimas eleições. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O eleitorado brasileiro está envelhecendo mais do que em qualquer período anterior, e outubro será o primeiro teste real dessa mudança nas urnas. Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que a “geração prateada” apta a votar aumentou 74% nos últimos 16 anos, passando a representar 36,8 milhões dos eleitores no país.

No mesmo período, o número de brasileiros com título de eleitor aumentou 15%. De acordo com a pesquisa, a faixa etária acima dos 60 anos representa 23,2% do eleitorado brasileiro, com maior peso nas urnas do que o público jovem, entre 16 e 24 anos, que ocupa 11,9% da fatia eleitoral. Em 2010, a geração mais jovem era 18% do eleitorado do país.

“Na prática, poderemos ter um de cada quatro votos dados por pessoas com pelo menos 60 anos. Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença, conquistar o voto desse eleitor é mais do que estratégico”, afirma o diretor-geral da Nexus, Marcelo Tokarski.

Apesar de o voto ser facultativo para esta faixa etária, Tokarski ressalta que o eleitorado com mais de 70 anos aumentou a participação nos resultados das urnas nas últimas eleições. Em 2022, segundo ele, a abstenção foi de 58,9% nessa faixa etária, abaixo dos 60% como registrados em 2014 e 2018.  

“Assim como os jovens, esses são os brasileiros a serem conquistados pelos candidatos. Eles não têm obrigação de votar e só vão às urnas se tiverem um bom motivo. […] Essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição”, analisa.

Além da maior presença nas urnas, em virtude da mudança demográfica provocada pelo aumento da expectativa de vida, o brasileiro com mais de 60 anos tem um perfil de “eleitor-pêndulo” com posicionamento distinto nas últimas eleições presidenciais.

De acordo com o histórico de dados da Quaest, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu Fernando Haddad (PT) nesse segmento no segundo turno de 2018, quando foi eleito para o Palácio do Planalto. Bolsonaro teve 50% dos votos do eleitorado acima dos 60 anos, enquanto o petista ficou com 34%. 

No entanto, o pêndulo pesou para a esquerda no segundo turno seguinte, quando Lula (PT) bateu o líder da direita por 47% contra 39% na faixa etária mais envelhecida do eleitorado. Segundo a pesquisa Quaest divulgada em agosto, Lula lidera o segmento no cenário estimulado de segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O presidente tem 48% das intenções de voto, contra 35% da preferência do eleitorado com 60 anos ou mais pelo candidato do PL.

  • Metodologia: A Quaest realizou o levantamento por meio de entrevistas presenciais com 2.004 pessoas aplicadas em âmbito nacional do dia 10 a 13 de agosto. O levantamento foi contratado pela Rede Globo. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O nível de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo número BR-06773/2026.

População idosa é mais presente no Sul e no Sudeste

Em entrevista à Gazeta do Povo, o analista socioeconômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Jefferson Mariano informou que a população brasileira com 60 anos ou mais saltou de 10% para 17,2% entre os censos de 2010 e 2022, com repercussões em diferentes áreas da sociedade.

“No mercado de trabalho, também ocorre o envelhecimento do contingente populacional. A maior faixa etária de pessoas ocupadas está subindo e alcançando a faixa entre 40 e 49 anos. Há um processo significativo de envelhecimento que impacta em todos os setores e dimensões sociais”, explica.

Segundo Mariano, a expectativa de vida do brasileiro é de 77 anos, com predominância de mulheres e da raça branca na população idosa. “A concentração é maior nas regiões Sul e Sudeste, e também em termos de participação no mercado de trabalho e nos demais indicadores. A longevidade está associada diretamente à existência e à maior disponibilidade de equipamentos sociais urbanos”, comenta o analista.

Conforme a Nexus, os estados do Rio Grande do Sul (29,3%), Rio de Janeiro (28%) e Minas Gerais (26%), São Paulo (24,6%) e Paraná (24,5%) lideram o ranking nacional de participação do eleitorado acima dos 60 anos. “O fato de os maiores colégios eleitorais do país estarem entre os que mais envelhecem coloca a geração 60+ no centro gravitacional de qualquer estratégia política vitoriosa”, reforça o diretor-geral Marcelo Tokarski.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/eleitorado-acima-60-anos-peso-decisivo-nas-urnas/

Uma canetada malandra contra Dallagnol quer amarrar o eleitor paranaense

Em 2022, Deltan Dallagnol foi o candidato a deputado federal mais votado no Paraná, mas o TSE calou de forma teratológica a voz de cerca de 350 mil eleitores, cassando sua candidatura. Agora, o ex-procurador da Lava Jato é candidato ao Senado, teve sua elegibilidade reconhecida pelo TRE-PR, mas é vítima de uma nova canetada arbitrária, com o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques suspendendo sua campanha. É uma nova decisão que afunda ainda mais a credibilidade do Judiciário, como demonstra o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, citando também outras decisões, como a que acabou de condenar o influenciador Monark.

O vídeo foi gravado e publicado antes da decisão do plenário do TSE que confirmou a liminar de Azevedo Marques e manteve a suspensão da campanha de Deltan Dallagnol.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/tse-deltan-dallagnol-judiciario-credibilidade/

Sílvio Ribas

Lula tenta construir na ONU última narrativa com Trump para a exploração eleitoral

Relação entre os presidentes Donald Trump e Lula da Silva teve reflexo direto na campanha presidencial do Brasil. (Foto: Jonas Roosens/EFE/EPA / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A poucos dias do primeiro turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Nova York para a última investida para explorar eleitoralmente a conturbada relação com Donald Trump. O petista abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral das Nações Unidas, logo antes do colega americano. Essa pode ser também sua despedida da cerimônia.

Lula avisou antes de viajar que vai aproveitar a proximidade protocolar para avisar pessoalmente a Trump que não aceitará ingerência dele na eleição brasileira. Não há encontro bilateral confirmado, mas os dois estarão no mesmo ambiente e poderão repetir o contato informal do ano passado. Para o brasileiro, a distensão poderá ser prova de diálogo com Washington.

A relação entre Lula e Trump atravessou meses de fortes atritos. O Palácio do Planalto confrontou a Casa Branca em temas comerciais, geopolíticos, partidários e institucionais, enquanto Lula alternou críticas públicas ao presidente americano com declarações de que preserva relação pessoal capaz de manter abertos todos os canais diplomáticos de negociação.

A história começou justamente na sede das Nações Unidas, em setembro de 2025. Trump disse ter havido uma “química” entre ambos após breve contato. No mês seguinte, se encontraram na Malásia e, em maio deste ano, tornaram a conversar em Washington, sem, contudo, encerrar divergências. Com breve pausa, o tarifaço americano contra o país voltou um ano depois.

Da “química” entre os dois presidentes à crise histórica na relação bilateral

A aproximação pessoal não impediu a deterioração política. Os Estados Unidos elevaram tarifas sobre lista de produtos brasileiros e relacionaram medidas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à atuação da Justiça brasileira e às restrições impostas no país às plataformas digitais. A tensão avançaria depois, ao se atrelar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em julho de 2025, a Casa Branca aplicou pesadas sanções financeiras e administrativas da Lei Global Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, o STF, e depois à mulher dele, Viviane Barci Moraes, por agressões a direitos humanos de cidadãos brasileiros e americanos. Ambos deixaram a lista de sancionados em dezembro, após meses de atritos entre os dois países.

No pior momento de 200 anos de relações diplomáticas, outros ministros da Corte também tiveram vistos americanos cancelados e autoridades do governo Trump passaram a criticar decisões do Judiciário brasileiro. Lula reagiu recorrendo sistematicamente ao discurso de defesa da soberania e da não interferência externa, tema logo levado à campanha de reeleição.

O componente político-partidário ganhou novo patamar com a divulgação recente de avaliação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre riscos relacionados à atuação americana no processo eleitoral de 2026. A análise do órgão ligado à Presidência da República não representa comprovação de interferência dos EUA no pleito deste ano, mas ajuda a engajar a esquerda.

Lula faz desafio a Trump na ONU de olho no impacto na campanha eleitoral

É nesse ambiente que Lula chega ao plenário dos países. O discurso deverá enfatizar multilateralismo, direito internacional e soberania, assuntos já abordados nas participações anteriores dele. Para analistas, a proximidade do primeiro turno das eleições, no primeiro domingo de outubro, faz da tribuna internacional também um palco voltado à repercussão doméstica.

As Nações Unidas oferecem assim ao presidente um dos últimos grandes eventos internacionais antes do pleito. A decantada defesa da soberania permite conectar atritos com Washington à campanha, enquanto Lula tenta mostrar que pode confrontar Trump como sendo o governo deste um aliado do rival Flávio Bolsonaro (PL), mas sem romper diálogo com a Casa Branca.

Lula precisa equilibrar sua narrativa de defesa da autonomia brasileira sem inviabilizar a distensão com os EUA. Ambos os governos têm interesses estratégicos que suplantam divergências políticas e mantêm canais de contato. O petista não conseguiu barrar classificação de facções criminosas como terroristas, mas espera acordo para a exploração de terras raras.

O simbolismo será inevitável: Lula falará antes de Trump. Um cumprimento, conversa ou referência pública entre ambos terá repercussão imediata no Brasil. A Assembleia Geral das Nações Unidas fecha, assim, o ciclo iniciado pela “química” de 2025 e dá a Lula uma última narrativa internacional antes das urnas. A fotografia pode registrar a sua saída definitiva da cena global.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/lula-tenta-construir-na-onu-ultima-narrativa-com-trump-para-a-exploracao-eleitoral/

Enquanto Lula falará de “soberania”, Trump deve abordar Irã e críticas à ONU na Assembleia Geral

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Cúpula da Asean no Centro de Convenções de Kuala Lumpur, na Malásia, em 25 de outubro do ano passado (Foto: Daniel Torok/Casa Branca/Wikimedia Commons)

Com Brasil e Estados Unidos por tradição abrindo os discursos do debate de líderes de governo e Estado da Assembleia Geral da ONU, a expectativa é sobre o teor das falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta terça-feira (22) em Nova York, com o primeiro pronunciamento com início previsto para as 10 horas (de Brasília).

Informações de bastidores apontam que o petista deve falar sobre multilateralismo e defesa da “soberania nacional”, em um momento em que a gestão do presidente americano lidera uma ofensiva contra organismos multilaterais – como a própria ONU – e mira o Brasil com tarifas e cobranças por falhas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), designados por Washington como grupos terroristas, e sinaliza com sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Tais informações, porém, apontam que Lula não deve se referir diretamente a Trump no seu discurso. Outros temas a serem abordados pelo petista devem ser os conflitos crescentes pelo mundo, meio ambiente e sustentabilidade.

“O Brasil gosta de ser visto no papel de um possível interlocutor para negociações de paz, então o discurso do Lula deve ter isto. Ele vai falar também, possivelmente, da possibilidade de uma mudança na estrutura das Nações Unidas para dar maior voz ao Sul Global, propondo uma nova estrutura da ONU que reflita a nova organização mundial — organização esta que está um pouco confusa, para falar a verdade”, afirmou Maurício Fronzaglia, professor de relações internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), à Gazeta do Povo.

Por sua vez, o presidente americano deve, como no pronunciamento de 2025, criticar a ONU, de cujas agências cortou financiamento e que acusa de burocracia, aparelhamento ideológico e de não resolver grandes problemas mundiais.

“Qual é o propósito das Nações Unidas? A ONU tem um potencial enorme. Tudo o que parece fazer é escrever uma carta em termos muito contundentes e, depois, nunca segui-la. São palavras vazias — e palavras vazias não resolvem guerras”, afirmou Trump na Assembleia Geral do ano passado.

Analistas também projetam que o republicano deve falar sobre a guerra no Irã. “Acredito que ele apresentará argumentos contundentes a favor da ação militar realizada com Israel no início deste ano. Creio que ele abordará a atual missão para garantir o escoamento de petróleo através do Estreito de Ormuz e falará sobre a indignação causada pelo fato de o Irã continuar tentando manter uma via navegável internacional como refém”, afirmou Richard Goldberg, consultor da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), em um recente debate no canal no YouTube do think tank conservador americano.

“Seria correto e lógico da parte dele cobrar os membros da Assembleia Geral — especialmente aqueles que possuem capacidade naval própria, mantêm relações diplomáticas com o Irã ou detêm influência econômica ou militar sobre o país — e questioná-los: enquanto seus suprimentos são interrompidos ou restringidos, o que eles têm feito para tentar reverter as tentativas do Irã de atacar o Estreito de Ormuz?”, acrescentou.

Eleições terão influência nos discursos, dizem especialistas

Em entrevista à Gazeta do Povo, Natali Hoff, professora do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), destacou que tanto Lula quanto Trump enfrentam momentos de processos eleitorais — no caso do americano, as midterms, as eleições de meio de mandato presidencial, em novembro, quando estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

“Assim como o Lula, ele também deve entender que discursar na Assembleia Geral da ONU é um momento não só para falar com as contrapartes internacionais e outros líderes de Estado, mas também para produzir fato político, utilizar aquele espaço não necessariamente para fazer um discurso eleitoral, mas para trazer um fato político que possa ser usado a seu favor”, afirmou a analista.

“Acho que esse discurso da soberania deve aparecer com muita força na fala do Lula, assim como o de defesa das instituições democráticas. Só que, claro, esse discurso, diferentemente do ano passado, não deve trazer a defesa do STF, uma vez que vivemos agora um momento muito conturbado de crise com essa instituição, que ele defendeu no último discurso em decorrência da [aplicação da] Lei Magnitsky, que tinha acabado de ser aprovada [sanções contra o ministro Alexandre de Moraes]”, projetou Hoff.

No caso de Trump, a analista afirmou que o presidente americano deve fazer um discurso voltado muito para a sua base interna por conta das midterms, “nas quais se espera que o Partido Republicano tenha dificuldade de manter a maioria nas casas legislativas, ou pelo menos em uma delas”.

“Ele vai usar esse momento para reforçar determinados pontos, tentar fazer parecer que a guerra do Irã não é algo negativo — já que isso tem um grande efeito no eleitorado americano para as midterms — e reforçar suas políticas domésticas contra a migração e suas políticas econômicas mais unilaterais como medidas que estariam fazendo os Estados Unidos grandes de novo”, disse Hoff.

Maurício Fronzaglia também projeta pronunciamentos “mais eleitoreiros”, não no sentido de discursos de campanha típicos, mas enfatizando políticas dos dois presidentes de olho nos eleitorados dos seus países.

“O presidente Trump, nesse sentido, deve dizer que, em seu governo, os Estados Unidos prosperaram como nunca e jamais estiveram tão bem. Ele pode ser um pouco mais direto, digamos assim, ao demonizar os governos democratas anteriores por não terem cuidado da grandeza dos Estados Unidos, na visão dele. Contudo, não haverá um apelo tão direto ao voto das pessoas, até porque isso não faz parte do protocolo das Nações Unidas”, afirmou.

Natali Hoff afirmou que, a princípio, não acredita que o Brasil deva ser citado diretamente no discurso de Trump, mas alertou que o presidente americano “é muito reativo”.

“Pensando que estamos falando aqui do Brasil, temos que ficar atentos para ver se ele vai reagir de novo às falas do Lula. No ano passado, foi de maneira positiva, e aquele encontro acabou sendo até bastante engraçado”, lembrou, citando o trecho do discurso em que Trump descreveu que teve uma “química excelente” com Lula durante uma breve conversa antes do seu discurso.

“Será interessante observarmos se ele vai reagir e colocar o Brasil no grupo de países que serão criticados por ele de forma mais direta ou indireta por não seguirem os interesses dos Estados Unidos ou por se aproveitarem dos Estados Unidos de alguma forma, no entendimento dele”, destacou Hoff.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/que-esperar-discursos-lula-trump-onu/

EUA podem sancionar ministros do STF só depois das eleições para não ajudar Lula

(Foto: André Borges/EFE)

O Departamento de Estado dos Estados Unidos calcula até onde pode apertar o cerco contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sem transformar uma eventual nova rodada de sanções em um “favor” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição brasileira do próximo mês. Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo indicam que os Estados Unidos (EUA) devem adotar a estratégia de “intervir não intervindo”. 

A possibilidade de novas punições a integrantes do STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, permanece em discussão no governo americano. Mas o calendário eleitoral é um fator que pesa para uma eventual decisão.

Segundo analistas e fontes ligadas à diplomacia americana, a leitura no momento é de que qualquer medida tomada pelos EUA durante a campanha eleitoral brasileira poderia ser interpretada como interferência externa e incorporada ao discurso político de defesa da soberania do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso poderia favorecê-lo nas urnas.

“O calendário eleitoral brasileiro é, indiscutivelmente, uma variável de altíssima relevância no cálculo diplomático do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional em Washington”, afirma o cientista político Márcio Coimbra, mestre em Ação Política pela Universidade Rei Juan Carlos da Espanha.

Ele também ressalta que o momento da adoção de medidas coercitivas é calibrado para evitar que sejam percebidas como uma tentativa de influenciar o resultado das urnas. 

Para Coimbra, a estratégia de “intervir sem intervir” faz com que a possibilidade de sanções seja mantida como instrumento de pressão sobre o governo Lula.

O estrategista internacional Cezar Roedel, doutor em Filosofia e mestre em Relações Internacionais (UFRGS), concorda que, em um período eleitoral, sanções contra ministros do STF poderiam ser apresentadas por Lula como “interferência externa”. A consequência seria trazer novamente o tema da soberania para o centro da discussão, o que poderia beneficiar Lula nas urnas.

“Nesse contexto, aguardar o encerramento das eleições pode fazer parte de uma avaliação diplomática sobre o momento mais adequado para agir, preservando a possibilidade de aplicação das sanções e evitando que uma decisão do governo americano passe a integrar diretamente a campanha de Lula, por exemplo”, afirma Roedel.

Estratégia dos EUA considera impacto político 

Para Coimbra, o governo dos Estados Unidos leva em conta o fato de que, caso uma sanção seja aplicada em pleno período eleitoral, o ato possa perder seu caráter primordialmente institucional e jurídico para se converter instantaneamente em combustível de apelo popular e polarização político-partidária. 

“Esperar o fechamento das urnas permite a Washington reavaliar o cenário político real que emergirá do pleito, calibrando a intensidade da resposta internacional em conformidade com o novo desenho do poder Executivo e Legislativo no Brasil, ao mesmo tempo em que evita desestabilizar prematuramente o ambiente de negócios e as parcerias bilaterais críticas em segurança e comércio”, explica Coimbra. 

O cientista político destaca ainda que a possibilidade de o governo Lula explorar politicamente uma eventual sanção imediata é considerada não apenas como uma hipótese plausível, mas se trata de um fator central na avaliação de risco feita por diplomatas e analistas de inteligência dos EUA. 

“Historicamente, governos de esquerda no continente latino-americano encontram em ações coercitivas de Washington a narrativa perfeita para insuflar a base eleitoral, enquadrando as medidas como atos de intervenção ou agressão à soberania nacional”, lembra Coimbra.

Entre os precedentes latino-americanos, o exemplo moderno mais evidente de instrumentalização é o da Venezuela. Sob o ditador Nicolás Maduro, as sanções americanas foram associadas pelo regime à narrativa de uma “guerra econômica” e do “bloqueio imperialista”.

Na Argentina de Cristina Kirchner, Coimbra vê o exemplo mais refinado e diretamente comparável ao caso do STF. O caso envolveu a rejeição política a uma decisão do Judiciário norte-americano. Em 2014, quando o juiz federal de Nova York Thomas Griesa proferiu decisões favoráveis aos fundos de hedge contra a dívida soberana argentina, o governo de Cristina Kirchner lançou a ostensiva campanha nacional “Patria o Buitres” (pátria ou abutres, em espanhol).

“O kirchnerismo transformou uma decisão judicial técnica de um tribunal dos EUA em um embate existencial entre a soberania nacional e o “imperialismo judiciário-financeiro” americano. A estratégia galvanizou [mobilizou] a base governista, elevou a aprovação de Cristina em um momento de desassossego econômico e unificou o discurso contra a interferência externa”, avalia Coimbra.

Em outros episódios, como a expulsão do embaixador americano e da Drug Enforcement Administration (DEA) – a agência de combate às drogas – pelo governo Evo Morales, na Bolívia, a confrontação com Washington também foi apresentada como defesa da independência do país.

Segundo o cientista político Coimbra, esses episódios ilustram um fenômeno em que a pressão externa pode favorecer a coesão em torno do governo e deslocar o debate político para a defesa da soberania.

No caso brasileiro, uma eventual sanção contra ministros do STF poderia, portanto, ser incorporada ao discurso eleitoral como uma disputa entre instituições nacionais e uma potência estrangeira — embora os efeitos políticos concretos sejam difíceis de antecipar.

Ainda na avaliação do analista, na conjuntura atual, sanções contra o STF antes das eleições poderiam fornecer para a campanha de Lula um argumento de coesão nacional, ao serem apresentadas como uma ameaça externa às instituições e à ordem constitucional.

Uma sanção dirigida a ministros específicos poderia ser menos favorável a Lula do que mais um tarifaço, já que se trata de uma sanção à economia brasileira como um todo. Isso porque já há uma percepção popular de que existem evidências fortes de que o ministro Alexandre de Moraes está envolvido com corrupção.

Analistas apontam efeitos de sanções dos EUA a ministros do STF

A preocupação de Washington, nessa hipótese, não seria apenas a reação diplomática do governo brasileiro. Uma nova sanção contra ministros do STF durante a campanha poderia ser utilizada politicamente por diferentes grupos, com efeitos difíceis de antecipar. 

Roedel avalia que o governo Lula poderia apresentar uma eventual medida como ingerência americana em assuntos internos e explorar o discurso de defesa da soberania nacional. Ao mesmo tempo, setores críticos ao STF poderiam utilizar a mesma decisão como argumento de apoio às sanções. 

“Essa possibilidade de apropriação por diferentes campos ajuda a explicar por que o momento da decisão pode entrar no cálculo de Washington”, afirma. 

Coimbra afirma que, ao manter a ameaça de sanções pairando sobre o Judiciário brasileiro sem efetivá-la no ápice da campanha, os Estados Unidos projetam poder e sinalizam desagrado institucional sem arcar com o custo reputacional e diplomático de serem acusados de ingerência direta na soberania de uma das maiores democracias do Hemisfério Sul. 

A hipótese, contudo, não significa que Washington tenha decidido esperar o fim da eleição. Roedel ressalta que nada impede que eventuais sanções sejam aplicadas antes do pleito, caso o governo americano considere que existam fundamentos para isso. 

Outra hipótese é que, embora o Departamento de Estado americano avalie que uma sanção nesse momento seja negativa, Trump pode tomar uma decisão diferente baseada em sua percepção subjetiva.

Pressão dos EUA permanece sobre o STF 

Moraes já havia sido incluído, em 2025, na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos com base na Global Magnitsky. A medida foi posteriormente retirada. 

Agora, a possibilidade de novas punições voltou ao debate em Washington em meio à crise envolvendo Moraes e o julgamento no STF sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro, por sua ligação com o escândalo do Banco Master. 

A ausência de uma nova decisão oficial, entretanto, mantém uma diferença importante entre pressão política e ação de governo. Até o momento, não há anúncio formal do Departamento do Tesouro ou do Departamento de Estado confirmando uma nova sanção contra Moraes ou outros ministros da Corte. 

Para Roedel, essa distinção também é relevante para compreender a natureza das sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo ele, há no Brasil desconhecimento sobre a cadeia sancionatória americana e sobre o fato de que a decisão é tomada em território dos Estados Unidos, embora produza efeitos sobre o sancionado e possa gerar consequências secundárias fora do país. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/eua-podem-sancionar-ministros-do-stf-so-depois-das-eleicoes-para-nao-ajudar-lula/

Europa se prepara para possível guerra contra a Rússia

O ditador russo, Vladimir Putin. (Foto: VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN/EFE/EPA/POOL)

Governos europeus e a Organização do Tratato do Atlântico Norte (Otan) estão acelerando planos militares, reforçando infraestruturas e preparando até hospitais para um possível conflito com a Rússia. As medidas ocorrem diante de uma sequência de alertas sobre o aumento das ações de Moscou para além da guerra na Ucrânia.

Nas últimas semanas, autoridades da Polônia, França e da própria aliança militar ocidental passaram a alertar para uma intensificação de ataques híbridos, violações de espaço aéreo, sabotagens e incidentes envolvendo drones. Serviços de inteligência europeus também analisam a possibilidade de Moscou tentar testar a capacidade de reação da Otan com ações limitadas antes de qualquer confronto convencional de grande escala. O temor dos europeus está concentrado principalmente no risco de a Rússia ampliar operações que ficam abaixo do limite de uma guerra aberta e, no futuro, reconstruir capacidade suficiente para um confronto direto com a aliança.

Alertas de guerra ganharam força nos últimos dias

No dia 13, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, reuniu integrantes de seu governo e dos serviços de segurança depois de um ataque russo contra instalações ucranianas a apenas dois quilômetros da fronteira polonesa.

“As próximas semanas e meses serão um período de ações russas muito intensas. Infelizmente, não podemos excluir que essa escalada também envolva o território da Polônia”, afirmou Tusk. O governo polonês colocou serviços de segurança em estado reforçado e anunciou medidas adicionais nas passagens da fronteira com a Ucrânia.

Quatro dias depois, Tusk elevou o tom. Em discurso no Parlamento, o premiê polonês afirmou que avaliações de inteligência apontam para a possibilidade de a Rússia realizar ataques híbridos com drones e mísseis contra países que apoiam a Ucrânia, incluindo a própria Polônia. Segundo o primeiro-ministro, o objetivo de Moscou seria enfraquecer a confiança dos integrantes da Otan no Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte, que estabelece que um ataque armado contra um membro da aliança deve ser considerado um ataque contra todos.

Macron alerta para intensificação das ações russas

Na França, o presidente Emmanuel Macron reuniu líderes dos principais partidos políticos na última sexta-feira (18) para discutir a deterioração do cenário de segurança na Europa.

“Nas últimas semanas, a ameaça, especialmente a ameaça híbrida russa, que pesa sobre os europeus e a França se intensificou”, afirmou Macron.

O francês determinou que seu governo elabore um novo plano de proteção das infraestruturas críticas, de instalações da indústria de defesa e de empresas de tecnologia contra possíveis ataques com drones e ações cibernéticas.

Macron citou episódios recentes na Alemanha e em outros países europeus e afirmou que Moscou estaria tentando intimidar governos para enfraquecer o apoio à Ucrânia.

No dia seguinte, a própria Otan fez um alerta semelhante. O presidente do Comitê Militar da aliança afirmou que o “comportamento imprudente” da Rússia aumentou nas últimas semanas e meses, citando violações de espaço aéreo, incidentes com drones e atividades híbridas. “Essa ameaça é real”, afirmou a aliança.

Ataque em aeroporto alemão aumentou preocupação

Parte dos alertas europeus é baseada em episódios que já ocorreram. O mais grave aconteceu em agosto no Aeroporto de Leipzig, na Alemanha, um dos maiores centros de transporte de cargas da Europa e utilizado também na logística de apoio à Ucrânia.

Um drone carregado com explosivos foi encontrado em uma área restrita próxima a uma pista. O episódio levou ao fechamento temporário de partes do aeroporto e à abertura de uma investigação antiterrorismo. No início deste mês, o governo alemão atribuiu formalmente a operação à Rússia. Segundo o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, a configuração do drone, os explosivos, os componentes e a tecnologia usada para detonação eram conhecidos pelas autoridades a partir de outras operações híbridas atribuídas a Moscou.

“A tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig se encaixa no padrão conhecido das operações híbridas russas na Europa”, afirmou.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, classificou posteriormente o episódio como um “ataque híbrido imprudente” da Rússia e disse que a aliança estava ao lado da Alemanha.

Para Emily Ferris, pesquisadora sênior associada do think tank Royal United Services Institute (RUSI), e mestre em Crime Organizado e Terrorismo pela University College London (UCL), o ataque mostrou um aumento da sofisticação das operações de sabotagem atribuídas à Rússia contra infraestruturas da Otan. Em análise publicada pelo RUSI em 10 de setembro, Ferris afirmou que o episódio também expôs a falta de clareza sobre qual tipo de ação russa levaria a uma resposta militar da aliança.

Pressão contra os Bálticos

No último dia 15, um caça italiano destacado para uma missão da Otan derrubou um drone que havia entrado no espaço aéreo da Lituânia vindo da direção de Belarus. O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou que o aparelho “muito provavelmente” tinha origem russa. Autoridades lituanas encontraram explosivos nos destroços.

Investigações posteriores indicaram que o drone provavelmente tinha como destino a Ucrânia e pode ter entrado no território lituano por desvio ou interferência eletrônica. Apesar disso, o episódio mostrou o risco de a guerra ultrapassar as fronteiras ucranianas a qualquer momento.

Um dia antes, no Mar Báltico, uma fragata russa lançou dois sinalizadores em direção a um helicóptero militar dinamarquês que realizava uma missão de vigilância em águas internacionais. Um deles passou a poucos metros da aeronave, segundo o Ministério da Defesa da Dinamarca.

Copenhague convocou o embaixador russo para dar explicações. Moscou respondeu acusando os militares dinamarqueses de realizarem manobras perigosas perto do navio russo.

Nesta segunda-feira (21), a Letônia emitiu um novo alerta após detectar uma possível ameaça ao espaço aéreo na região de Krāslava, no leste do país, próxima às fronteiras com Belarus e a Rússia. Caças da missão de patrulhamento aéreo da Otan foram acionados, enquanto as Forças Armadas letãs reforçaram as unidades de defesa antiaérea posicionadas na fronteira oriental. O alerta foi encerrado cerca de duas horas depois, sem que as autoridades informassem a entrada confirmada de um drone no território.

O presidente da Letônia, Edgars Rinkēvičs, levou a preocupação do país sobre as ações russas diretamente ao secretário-geral da ONU, António Guterres. Em reunião ao lado dos presidentes da Estônia e da Lituânia, Rinkēvičs afirmou que está aumentando a pressão da Rússia contra os países bálticos e outras nações que apoiam a Ucrânia, o que, segundo ele, amplia os riscos de uma escalada regional.

Analistas veem nova fase da pressão russa

think tank Institute for the Study of War (ISW) publicou no dia 16, em seu próprio site, o estudo The Russian Military Campaign Against Europe: Defining the Threat, dentro do projeto Defense of Europe. A análise afirma que o Kremlin já conduz uma campanha coordenada de ações cinéticas contra países europeus e que a Otan precisa distinguir entre essas operações atuais e uma eventual ameaça militar convencional no futuro. O instituto argumenta que sabotagens, ações com drones e outras medidas atribuídas a Moscou podem servir para testar respostas, provocar divisões dentro da aliança e dificultar o apoio europeu à Ucrânia.

think tank Centro de Estudos Orientais da Polônia (OSW) publicou no dia 18, também em seu site, uma análise assinada pelo pesquisador Marek Menkiszak intitulada Russia’s war plan: subjugate Ukraine, intimidate Europe, buy off the US, onde trata as recentes ações russas como parte de uma nova fase da guerra híbrida do Kremlin contra a Europa. Segundo a análise, Moscou tende a ampliar sabotagens, ataques cibernéticos, violações de espaço aéreo e ações contra infraestrutura crítica com o objetivo de pressionar sociedades europeias, reduzir o apoio à Ucrânia e enfraquecer as sanções contra o Kremlin.

Por sua vez, o think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS), dos Estados Unidos, publicou em 9 de julho, em seu site, o relatório Managing the Long-Term Russian Threat to Europe, assinado pelo pesquisador Jeffrey Mankoff, onde pontua que a Rússia vem reformulando suas capacidades militares e mobilizando sua economia e sua população para um confronto prolongado. Segundo Mankoff, analistas de inteligência, planejadores de defesa e autoridades europeias temem que Moscou possa direcionar essas capacidades contra integrantes europeus da Otan quando os combates de alta intensidade na Ucrânia diminuírem.

Em análise publicada em julho, Emily Ferris afirmou que a Otan está claramente se preparando para a possibilidade de um futuro confronto com a Rússia.

Alemanha prepara hospitais para cenário de guerra

A Alemanha elaborou neste ano um plano nacional de defesa que integra Forças Armadas, empresas, transportes, infraestrutura e autoridades civis para um eventual cenário de conflito na Europa. O chamado “Operational Plan Germany” prevê que o país funcione como uma das principais bases logísticas da Otan caso seja necessário deslocar tropas e equipamentos para o flanco oriental.

A Bundeswehr, força integrada de defesa, trabalha com uma estimativa de planejamento de até mil militares feridos por dia em um eventual conflito no leste da Otan. Nesse cenário, soldados alemães e de outros países seriam transportados para hospitais em território alemão ao mesmo tempo em que tropas e suprimentos seguiriam na direção oposta, rumo ao front.

Neste mês, a Alemanha também passou a estudar a reativação de estruturas médicas construídas durante a Guerra Fria. Entre elas está um complexo subterrâneo no hospital militar de Ulm, projetado originalmente para continuar funcionando mesmo após um ataque nuclear e capaz de abrigar milhares de pessoas.

União Europeia prepara população e infraestrutura

Em março de 2025, a União Europeia lançou a Preparedness Union Strategy, uma estratégia de preparação para crises que prevê estoques de equipamentos essenciais, fortalecimento de hospitais e de sistemas de energia, telecomunicações e transporte, além da recomendação de que a população consiga manter suprimentos básicos por pelo menos 72 horas em uma emergência. 

Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os ataques híbridos contra países europeus estão deixando de ser apenas “ameaças”.

“Ciberataques e sabotagem, incêndios criminosos e incursões de drones. Eles estão aumentando todos os dias”, afirmou.

Von der Leyen anunciou a elaboração de uma nova estratégia europeia de segurança e propôs um protocolo para que os países da União Europeia consigam coordenar uma resposta rápida a incidentes que não chegam ao nível de uma agressão militar aberta. A Otan também publicou neste mês, pela primeira vez, requisitos básicos de resiliência para os países integrantes da aliança. As orientações tratam da manutenção de serviços como energia, água, alimentação, telecomunicações e saúde durante crises e conflitos.

Até a Suíça, historicamente neutra, passou a reforçar seus preparativos. Na última sexta-feira, o Conselho Federal suíço aprovou a nova Estratégia de Política de Segurança de 2026, afirmando que a guerra da Rússia contra a Ucrânia e o avanço de ameaças híbridas deterioraram significativamente o ambiente de segurança europeu. O governo estabeleceu 10 objetivos e 46 medidas para ampliar a proteção de infraestruturas críticas, a capacidade de defesa e a resistência do país a ataques.

O documento considera improvável um ataque armado direto contra a Suíça no futuro próximo, mas alerta que o país pode ser atingido por armas de longo alcance, como drones e mísseis balísticos, mesmo sem uma invasão terrestre. Berna afirma ainda que precisa se preparar para combater ataques híbridos e, em caso de conflito, ter condições de atuar em cooperação com outros países.

A Alemanha também elevou o nível de alerta. No último dia 14, o Conselho Nacional de Segurança alemão se reuniu especificamente para discutir as ameaças híbridas russas após o ataque atribuído a Moscou no aeroporto de Leipzig. O governo afirmou que trabalha com a avaliação de que a Alemanha continuará sendo alvo dessas operações e anunciou novas medidas contra espionagem e sabotagem, além do reforço da proteção de infraestruturas críticas.

Rússia amplia forças próximas às fronteiras da Otan

A inteligência da Lituânia afirmou em sua avaliação de ameaças de 2026 que Moscou continua criando e ampliando unidades militares próximas ao flanco oriental da Otan apesar das perdas sofridas na Ucrânia. Brigadas vêm sendo transformadas em divisões no Distrito Militar de Leningrado e uma nova brigada equipada com mísseis Iskander-M começou a ser formada na região.

Segundo o serviço lituano, enquanto a guerra na Ucrânia continuar consumindo grande parte dos recursos russos, a capacidade de Moscou de iniciar um grande conflito contra a Otan permanece limitada. O cenário mudaria, porém, se houvesse um cessar-fogo ou congelamento da guerra. Nesse caso, a Rússia poderia deslocar soldados, reconstruir estoques de munição e acelerar a formação de unidades próximas aos países bálticos.

A avaliação lituana afirma que, em determinadas condições, Moscou poderia adquirir capacidade para uma ação militar limitada contra países bálticos antes mesmo de reconstruir completamente suas Forças Armadas.

O Kremlin rejeita as acusações de que pretende levar a guerra na Ucrânia para outros países europeus. Nesta segunda-feira (21), o porta-voz Dmitry Peskov voltou a afirmar que a Rússia não representa ameaça à França nem a outros países da Europa e negou que Moscou esteja promovendo ameaças, chantagens ou intimidação contra governos europeus.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/europa-se-prepara-para-possivel-guerra-contra-a-russia/

Quem eram os jovens americanos que cortaram cana em Cuba para ajudar a revolução

Fidel Castro conversa com trabalhadores durante a safra de açúcar em Cuba: a ditadura recebeu jovens americanos que pagaram para cortar cana e viver a experiência do comunismo (Foto: EFE/EPA/Prensa Latina)

Fidel Castro tinha uma meta ambiciosa para comemorar os dez anos da revolução: colher 10 milhões de toneladas de açúcar na safra de 1970. Seria a maior colheita da história de Cuba.

Mas faltava gente para cortar tanta cana na ilha. E a solução, por incrível que pareça, veio justamente do outro lado da Guerra Fria: os Estados Unidos. Mais especificamente, das universidades americanas.

O problema da mão de obra chegou aos ouvidos do grupo radical Students for a Democratic Society — uma das principais organizações da esquerda dos EUA nos anos 60, que mantinha contato direto com a burocracia cubana e estava disposta a cooperar como pudesse com Fidel.

Só que naquele tempo não havia botão de curtir nem de compartilhar. E, em vez de torcer longe pela revolução, os jovens simpatizantes do comunismo decidiram pagar do próprio bolso para ir até Cuba ajudar no campo.

Nascia então a Brigada Venceremos, projeto que mistura turismo político, recrutamento e rede de influência. Em sua primeira “missão”, o coletivo enviou 216 americanos a Cuba pelo México, driblando as restrições do governo às viagens para a ilha. Durante seis semanas, eles não só colocaram a mão na massa como participaram de atividades de doutrinação pelo regime cubano.

Agora, mais de 50 anos e cerca de 10 mil participantes depois, o grupo é um dos assuntos do relatório “Cuba: A Capital do Comunismo do Século XXI”, que mapeia a influência da ditadura da ilha em todo o mundo. Publicado em julho pelo Departamento de Estado americano, o documento de 100 páginas aborda operações de inteligência, apoio a movimentos armados e o uso de organizações de fachada para induzir o debate político ocidental.

O novo estudo confirma uma informação que outros levantamentos realizados desde a década de 70 já apontavam: a Brigada Venceremos foi uma das mais perigosas iniciativas de infiltração ideológica promovidas por um governo estrangeiro nos EUA. Mas o projeto não só continua existindo como forma quadros políticos no país — com destaque para Karen Bass, atual prefeita democrata de Los Angeles, que por pouco não foi escolhida para ser vice de Joe Biden.

Luta armada

Fidel não conseguiu as 10 milhões de toneladas de açúcar. Mas o trabalho braçal era só metade do projeto, organizado pela ditadura com a ajuda da militante americana Bernardine Dohrn (uma das fundadoras do Weather Underground, grupo de extrema-esquerda que defendia a luta armada contra o governo dos EUA).

A outra metade do tour era voltada para a formação política: palestras sobre imperialismo, revolução internacional e os princípios da Revolução Cubana. Tudo de acordo com a cartilha elaborada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos, órgão estatal que ainda hoje coordena essas delegações.

Karen Bass tinha 19 anos em 1973, quando embarcou para a ilha e passou o verão construindo casas. Por “coincidência”, seu antecessor na prefeitura de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, também passou pelo mesmo acampamento na juventude.

A homenagem que pesou

O interesse de Karen Bass por Cuba começou ainda no ensino médio, em Los Angeles, por influência de um professor de espanhol entusiasmado com a revolução sangrenta comandada por Fidel Castro e Che Guevara.

Aos 19 anos, em 1973, Bass foi à ilha pela primeira vez. A viagem foi custeada por ela mesma — que, a exemplo de outros estudantes e voluntários da Brigada, chegavam a pagar mais de R$ 2 mil para participar da excursão doutrinária.

Ao todo, Bass esteve 16 vezes em Cuba, incluindo viagens como congressista e uma visita oficial ao lado de Barack Obama, em 2016. Naquele mesmo ano, depois que Fidel morreu, ela chamou o ditador de “Comandante em Chefe” e disse que sua morte era “uma grande perda para o povo de Cuba”.

A homenagem pesou na disputa pela vice-presidência em 2020, quando Joe Biden avaliava seu nome para a chapa. Na “moderninha” Califórnia, a relação de Bass com Cuba não era um grande problema. Mas, na Flórida, onde o eleitorado cubano-americano tem uma força eleitoral mais decisiva, sua ligação com o regime de Fidel virou um problema.

Karen Bass chegou a mudar o tom e dizer que “não repetiria aquelas palavras”. Kamala Harris acabou ficando com a vaga.

Política, educação e Direito

A lista de ex-brigadistas levantada pelo governo dos EUA mostra a penetração do grupo na política, nas universidades e em organizações radicais do país.

A sindicalista Karen Nussbaum virou diretora do Departamento de Mulheres do Ministério do Trabalho na gestão Bill Clinton. Johnnetta Cole, antropóloga, atuou como reitora de faculdades tradicionais e quase foi Secretária de Educação dos EUA. Leslie Cagan, escritora e militante socialista, comandou a campanha que elegeu David Dinkins prefeito de Nova York em 1989.

Em comum, além da temporada de suor revolucionário sob o sol cubano, todas migraram da militância jovem para posições de prestígio no Partido Democrata.

Ainda há a turma que permaneceu nas salas de aula ou ingressou no Direito. O historiador Michael Kazin virou professor na Universidade de Georgetown. Roxanne Dunbar-Ortiz, também historiadora, tornou-se professora na Universidade Estadual da Califórnia.

Michael Ratner presidiu o National Lawyers Guild (associação progressista de advogados ativistas). E a já citada Bernardine Dohrn lecionou por mais de duas décadas na faculdade de Direito da Northwestern University.

Arsenal de armas e explosivos

Uma parte da militância, porém, seguiu o caminho da violência armada. A ativista Susan Rosenberg, mais tarde conhecida por sua defesa dos direitos dos presos, é um exemplo emblemático desse grupo.

Susan migrou da Brigada Venceremos para a May 19th Communist Organization (M19CO), uma milícia terrorista formada apenas por mulheres e que defendia ações extremas contra o próprio governo americano. Em 1984, ela foi presa por transportar um arsenal de armas automáticas e mais de 330 quilos de explosivos.

Condenada a 58 anos de prisão, Susan cumpriu 16, em seis diferentes presídios federais. Em janeiro de 2001, no último dia do mandato de Bill Clinton, ela recebeu o perdão presidencial e foi libertada. Hoje, a militante faz parte do conselho da ONG Thousand Currents, uma das principais patrocinadoras do movimento Black Lives Matter.

Nova roupagem

Mas a Brigada Venceremos não ficou presa aos anos 70. Em 2025, o grupo realizou sua 53ª expedição a Cuba, dessa vez com uma nova roupagem: foi a primeira versão “queer e trans” do programa, para aproximar ativistas pela diversidade dos dois países.

Atualmente, o projeto conta com o apoio do People’s Forum, ONG de Nova York ligada ao empresário Neville Roy Singham. Fundador da companhia de software Thoughtworks, vendida por US$ 785 milhões em 2017, Singham vive em Xangai e é conhecido por patrocinar organizações alinhadas ao Partido Comunista Chinês.

O turismo político, no entanto, pode estar com os dias contados. Em junho deste ano, os EUA sancionaram o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e a Amistur — agência de viagens estatal que fatura alguns bons dólares com a Brigada. A medida, que considera os dois órgãos braços da espionagem cubana, busca atrapalhar a logística das expedições e cortar uma tradicional fonte de recursos para o regime.

Depois de quase seis décadas levando jovens americanos à ilha para experimentar a utopia comunista, a Brigada Venceremos está descobrindo que até a solidariedade revolucionária precisa da autorização do “império”.Fidel Castro tinha uma meta ambiciosa para comemorar os dez anos da revolução: colher 10 milhões de toneladas de açúcar na safra de 1970. Seria a maior colheita da história de Cuba.

Mas faltava gente para cortar tanta cana na ilha. E a solução, por incrível que pareça, veio justamente do outro lado da Guerra Fria: os Estados Unidos. Mais especificamente, das universidades americanas.

O problema da mão de obra chegou aos ouvidos do grupo radical Students for a Democratic Society — uma das principais organizações da esquerda dos EUA nos anos 60, que mantinha contato direto com a burocracia cubana e estava disposta a cooperar como pudesse com Fidel.

Só que naquele tempo não havia botão de curtir nem de compartilhar. E, em vez de torcer longe pela revolução, os jovens simpatizantes do comunismo decidiram pagar do próprio bolso para ir até Cuba ajudar no campo.

Nascia então a Brigada Venceremos, projeto que mistura turismo político, recrutamento e rede de influência. Em sua primeira “missão”, o coletivo enviou 216 americanos a Cuba pelo México, driblando as restrições do governo às viagens para a ilha. Durante seis semanas, eles não só colocaram a mão na massa como participaram de atividades de doutrinação pelo regime cubano.

Agora, mais de 50 anos e cerca de 10 mil participantes depois, o grupo é um dos assuntos do relatório “Cuba: A Capital do Comunismo do Século XXI”, que mapeia a influência da ditadura da ilha em todo o mundo. Publicado em julho pelo Departamento de Estado americano, o documento de 100 páginas aborda operações de inteligência, apoio a movimentos armados e o uso de organizações de fachada para induzir o debate político ocidental.

O novo estudo confirma uma informação que outros levantamentos realizados desde a década de 70 já apontavam: a Brigada Venceremos foi uma das mais perigosas iniciativas de infiltração ideológica promovidas por um governo estrangeiro nos EUA. Mas o projeto não só continua existindo como forma quadros políticos no país — com destaque para Karen Bass, atual prefeita democrata de Los Angeles, que por pouco não foi escolhida para ser vice de Joe Biden.

Luta armada

Fidel não conseguiu as 10 milhões de toneladas de açúcar. Mas o trabalho braçal era só metade do projeto, organizado pela ditadura com a ajuda da militante americana Bernardine Dohrn (uma das fundadoras do Weather Underground, grupo de extrema-esquerda que defendia a luta armada contra o governo dos EUA).

A outra metade do tour era voltada para a formação política: palestras sobre imperialismo, revolução internacional e os princípios da Revolução Cubana. Tudo de acordo com a cartilha elaborada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos, órgão estatal que ainda hoje coordena essas delegações.

Karen Bass tinha 19 anos em 1973, quando embarcou para a ilha e passou o verão construindo casas. Por “coincidência”, seu antecessor na prefeitura de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, também passou pelo mesmo acampamento na juventude.

A homenagem que pesou

O interesse de Karen Bass por Cuba começou ainda no ensino médio, em Los Angeles, por influência de um professor de espanhol entusiasmado com a revolução sangrenta comandada por Fidel Castro e Che Guevara.

Aos 19 anos, em 1973, Bass foi à ilha pela primeira vez. A viagem foi custeada por ela mesma — que, a exemplo de outros estudantes e voluntários da Brigada, chegavam a pagar mais de R$ 2 mil para participar da excursão doutrinária.

Ao todo, Bass esteve 16 vezes em Cuba, incluindo viagens como congressista e uma visita oficial ao lado de Barack Obama, em 2016. Naquele mesmo ano, depois que Fidel morreu, ela chamou o ditador de “Comandante em Chefe” e disse que sua morte era “uma grande perda para o povo de Cuba”.

A homenagem pesou na disputa pela vice-presidência em 2020, quando Joe Biden avaliava seu nome para a chapa. Na “moderninha” Califórnia, a relação de Bass com Cuba não era um grande problema. Mas, na Flórida, onde o eleitorado cubano-americano tem uma força eleitoral mais decisiva, sua ligação com o regime de Fidel virou um problema.

Karen Bass chegou a mudar o tom e dizer que “não repetiria aquelas palavras”. Kamala Harris acabou ficando com a vaga.

Política, educação e Direito

A lista de ex-brigadistas levantada pelo governo dos EUA mostra a penetração do grupo na política, nas universidades e em organizações radicais do país.

A sindicalista Karen Nussbaum virou diretora do Departamento de Mulheres do Ministério do Trabalho na gestão Bill Clinton. Johnnetta Cole, antropóloga, atuou como reitora de faculdades tradicionais e quase foi Secretária de Educação dos EUA. Leslie Cagan, escritora e militante socialista, comandou a campanha que elegeu David Dinkins prefeito de Nova York em 1989.

Em comum, além da temporada de suor revolucionário sob o sol cubano, todas migraram da militância jovem para posições de prestígio no Partido Democrata.

Ainda há a turma que permaneceu nas salas de aula ou ingressou no Direito. O historiador Michael Kazin virou professor na Universidade de Georgetown. Roxanne Dunbar-Ortiz, também historiadora, tornou-se professora na Universidade Estadual da Califórnia.

Michael Ratner presidiu o National Lawyers Guild (associação progressista de advogados ativistas). E a já citada Bernardine Dohrn lecionou por mais de duas décadas na faculdade de Direito da Northwestern University.

Arsenal de armas e explosivos

Uma parte da militância, porém, seguiu o caminho da violência armada. A ativista Susan Rosenberg, mais tarde conhecida por sua defesa dos direitos dos presos, é um exemplo emblemático desse grupo.

Susan migrou da Brigada Venceremos para a May 19th Communist Organization (M19CO), uma milícia terrorista formada apenas por mulheres e que defendia ações extremas contra o próprio governo americano. Em 1984, ela foi presa por transportar um arsenal de armas automáticas e mais de 330 quilos de explosivos.

Condenada a 58 anos de prisão, Susan cumpriu 16, em seis diferentes presídios federais. Em janeiro de 2001, no último dia do mandato de Bill Clinton, ela recebeu o perdão presidencial e foi libertada. Hoje, a militante faz parte do conselho da ONG Thousand Currents, uma das principais patrocinadoras do movimento Black Lives Matter.

Nova roupagem

Mas a Brigada Venceremos não ficou presa aos anos 70. Em 2025, o grupo realizou sua 53ª expedição a Cuba, dessa vez com uma nova roupagem: foi a primeira versão “queer e trans” do programa, para aproximar ativistas pela diversidade dos dois países.

Atualmente, o projeto conta com o apoio do People’s Forum, ONG de Nova York ligada ao empresário Neville Roy Singham. Fundador da companhia de software Thoughtworks, vendida por US$ 785 milhões em 2017, Singham vive em Xangai e é conhecido por patrocinar organizações alinhadas ao Partido Comunista Chinês.

O turismo político, no entanto, pode estar com os dias contados. Em junho deste ano, os EUA sancionaram o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e a Amistur — agência de viagens estatal que fatura alguns bons dólares com a Brigada. A medida, que considera os dois órgãos braços da espionagem cubana, busca atrapalhar a logística das expedições e cortar uma tradicional fonte de recursos para o regime.

Depois de quase seis décadas levando jovens americanos à ilha para experimentar a utopia comunista, a Brigada Venceremos está descobrindo que até a solidariedade revolucionária precisa da autorização do “império”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/quem-eram-jovens-americanos-cortaram-cana-cuba-para-ajudar-revolucao/

Vorcaro contratou escritório de filho de Lewandowski para defender Master

Mensagens apreendidas pela PF mostram que dono do Master pediu atenção ao contrato com filho de Lewandowski. (Foto: André Borges/EFE)

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o então dono do Banco Master cobrou o departamento jurídico do banco para retomar o contato com Enrique Lewandowski, filho do ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski. Vorcaro lembrou que havia um contrato com o escritório e pediu que fosse apresentado ao advogado “algum caso ou parecer” para dar andamento à relação profissional.

O pedido consta em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e obtidas pela Folha de S. Paulo, de acordo com uma reportagem publicada nesta terça-feira (22). Na conversa, Vorcaro orientou o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, a procurar Enrique pessoalmente no banco, apresentar-se como o novo responsável pela área e pedir desculpas pela falta de contato.

Em nota, o escritório de Enrique Lewandowski afirmou que prestava serviços jurídicos a diversos clientes, entre eles o Banco Master. Segundo a banca, foi firmado um contrato de consultoria jurídica em agosto de 2023, com prazo de validade até agosto de 2025, quando os serviços foram encerrados.

A banca também afirmou que, a partir de 2024, a consultoria passou a se concentrar em assuntos fiscais e tributários e que os contatos do advogado Enrique Lewandowski “se davam com o corpo jurídico do banco para discutir questões relacionadas a esses temas”.

Ricardo Lewandowski deixou o escritório em 17 de janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça, e a banca passou a ficar sob responsabilidade de sua mulher, Yara de Abreu Lewandowski, e de Enrique.

De acordo com os diálogos obtidos pela Polícia Federal e realizados em dezembro de 2024, Vorcaro pediu a Rennó que encaminhasse algum caso a Enrique Lewandowski para justificar um contrato que havia firmado.

“Temos um contrato. Tem que chamar ele urgente. No banco. Vc se apresentar. Falar que trocou o diretor. Pedir desculpas que ficamos sem contato. E dá algum caso ou parecer para ele fazer”, disse Vorcaro.

Luiz Rennó confirmou que faria o contato presencial e, posteriormente, informou ao empresário que o assunto estava resolvido e que daria sequência ao contato.

“Aqui dominado! Quase bebemos cerveja aqui no banco! Vou dar sequência”, disse Rennó.

As mensagens foram trocadas quando Ricardo Lewandowski já atuava como ministro da Justiça do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de fevereiro de 2024. Antes de assumir o cargo, após deixar o STF em abril de 2023, Lewandowski também havia prestado serviços de advocacia ao Master.

Ricardo Lewandowski deixou o escritório em janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça, e sua mulher, Yara de Abreu Lewandowski, e Enrique passaram a conduzir a banca. Procurado para comentar as mensagens relacionadas ao escritório do filho, o ministro aposentado não se manifestou.

“Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, disse o ex-ministro

Daniel Vorcaro tinha uma estratégia de contratar escritórios de advocacia de pessoas próximas a ministros do STF, como o de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O contrato de R$ 131 milhões previa a defesa de interesses do Banco Master “onde for necessário” e sempre que solicitado, sendo tratado pelo empresário como o mais importante e que poderia ser pago até mesmo sem nota.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-contratou-escritorio-filho-lewandowski-para-defender-master/

Sílvio Ribas

Direita se divide sobre convocar ou não protestos nas ruas contra Moraes

Nikolas Ferreira organizou protesto contra Moraes para pressionar Alcolumbre no estado do presidente do Senado. (Foto: Rhuan Pablo/Divulgação Nikolas Ferreira)

A desastrosa sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da terça-feira (15) abriu nova frente de discussão na direita, se é hora de convocar ou não seus apoiadores às ruas para pressionar os plenários da Corte e do Senado diante do impasse para se autorizar a investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento deixou profundo mal-estar para milhões de brasileiros e grave desconfiança entre investidores e observadores internacionais, aturdidos com o decadente retrato que pintou da República brasileira. Após oito horas de embates, o plenário do STF decidiu nada decidir e consolidar incertezas.

A crise, portanto, está longe de terminar. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu também a sessão prevista para quarta-feira (23), enquanto ainda persistem dúvidas sobre rito, relatoria e separação de casos. Se considerar as suspeições e o quórum apertado, a autocontenção da Corte é impossível.

De catimba e bate-boca no plenário da Corte para o clamor das ruas e urnas

O imbróglio reforçou entre setores da direita a tese de que a solução política para a crise passa mesmo pelo Senado, a quem cabe constitucionalmente processar o impeachment de ministros de tribunais superiores. Com a eleição próxima, os senadores da próxima legislatura ganharam um papel essencial.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), mais influente parlamentar de direita do país nas redes sociais, tornou-se o primeiro e principal defensor de uma nova mobilização popular. Rapidamente, ele classificou a sessão do STF de “circo” e afirmou que o país deveria parar e ir às ruas na próxima reunião da Corte.

Sugerindo um ato sem candidatos ou carros de som e aberto para cidadãos até de outras vertentes ideológicas, que deixariam divergências de lado em favor da causa maior da defesa da institucionalidade e a da democracia, Nikolas colocou à mesa um tema que engaja, mas também divide a direita.

Nikolas liderou protesto contra Alcolumbre no estado do senador

A convocação de Nikolas não veio do nada. Antes, no dia 13 de setembro, ele liderou manifestação para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no Amapá, estado do senador, pelo andamento do impeachment de Moraes. No 7 de Setembro, houve atos contra o ministro em ao menos 15 cidades.

O movimento, porém, encontra cautela dentro da própria direita. O receio é que incidentes isolados, confrontos ou provocações desviem o foco das denúncias envolvendo o Banco Master e deem argumentos para associar de novo os protestos conservadores aos acontecimentos do 8 de Janeiro.

O temor tem lá as suas razões. Setores governistas e o próprio Moraes vêm usando a expressão “golpe continuado” para relacionar o 8 de Janeiro a pressões posteriores contra o STF, incluindo articulações internacionais por sanções a autoridades brasileiras. Para eles, seria um novo modus operandi.

Rony Gabriel, vereador de Erechim (RS), influenciador de direita e candidato a deputado federal pelo Podemos, tem ganhado projeção nacional ao fazer duras críticas e cobrar investigações contra Moraes, defendendo que integrantes do STF respondam por seus atos perante a lei.

Contudo, ele foi um dos que criticaram líderes que convocaram a população para protestos nas ruas contra o ministro, alertando que, no atual contexto eleitoral, os conservadores podem cair em novas armadilhas da esquerda. “Tudo que o governo e Moraes querem nesse momento é um motivo para punir seus rivais, supostamente defendendo a democracia ou o STF”, diz.

Esquerda tem discurso pronto para denunciar excessos em protestos de rua

Moraes tem sustentado que acusações do escândalo Master contra ele são “tentativa de vingança” de aliados de Jair Bolsonaro, entre os quais o colega André Mendonça. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê a prisão do antecessor como causa de birra do rival Flávio Bolsonaro (PL) com o juiz. Lula ainda acusou Mendonça de agir politicamente e de divulgar seletivamente.

Há ainda um precedente recente para a preocupação com a segurança. Na caminhada organizada por Nikolas em janeiro, sua própria equipe montou cordão de proteção por receio da presença de infiltrados capazes de agredi-lo. O episódio ajuda a explicar a cautela diante de novos grandes protestos.

Desta forma, a divergência na direita é sobretudo tática. Uma ala vê as ruas como instrumento legítimo de pressão sobre Senado e STF; outra, contudo, teme que qualquer descontrole dê aos adversários a chance de recolocar o 8 de Janeiro no meio da campanha e deslocar o debate de graves suspeitas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/direita-se-divide-sobre-convocar-ou-nao-protestos-nas-ruas-contra-moraes/

Alexandre Garcia

Nunes Marques vai se enrolando cada vez mais no caso Banco Master

O ministro Nunes Marques, durante sessão plenária do STF. (Foto: Alejandro Zambrana/TSE)

Eu continuo cada vez mais preocupado com a gestão de Kassio Nunes Marques – o “KN” ou “Kilo November” da “turma”, citado lá nos telefonemas do pessoal de Daniel Vorcaro. O site Metrópoles mostrou que ele aparece em um caso envolvendo a liberação de R$ 8,5 bilhões em precatórios de usinas de açúcar e álcool. Aparecem também um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF1), Newton Ramos, e a mulher dele, a advogada Camila Ramos. Ela é sócia de um escritório de advocacia que tinha a causa, vencida pelo Banco Master por 3 votos a 2 na Segunda Turma do STF. Foram derrotados Gilmar Mendes e André Mendonça; Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin formaram a maioria. Com essa vitória, o escritório levou 5%, o que dá R$ 427 milhões. É muita coisa que Kassio Nunes Marques tem de explicar. Aquela mansão de 600 metros quadrados durante o Carnaval, lá no Joá; a história do filho dele, Kevin; mais esse caso dos precatórios; mais a mulher de R$ 10 mil…

OAB-RJ saiu em defesa de filho de Luiz Fux 

Falando em filho de ministro do Supremo, a OAB do Rio de Janeiro emitiu uma nota em defesa de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, dizendo que o que está registrado nas mensagens com Vorcaro é uma tentativa normal, lógica, de aproximação comercial com o Banco Master, que não teve êxito. Convidou para um café, disse que vai esperá-lo com “tapete vermelho”, mas não deu em nada.

Mexendo com os números é fácil zerar a fila do INSS…

Na sabatina do Jornal Nacional, Lula prometeu que na semana seguinte a fila do INSS, que estava em 3,128 milhões de pedidos, estaria zerada. Agora, dizem que cumpriram a promessa, mas o que realmente aconteceu foi um pouco diferente. Praticamente metade dos pedidos foi indeferida; depois, atenderam 840 mil. Ainda estão faltando 200 mil, que já contam mais de 45 dias de espera. Esse foi o resultado de um levantamento feito pelo Estadão, para saber se a promessa realmente tinha sido cumprida.

É surreal que Moraes possa ser sorteado para relatar ação que envolve a esposa

Alexandre de Moraes foi sorteado para ser relator de um caso que envolve a própria mulher, além de Lulinha e Vorcaro. Depois Moraes se declarou impedido, mas é uma coisa incrível, que só aconteceu porque ele ainda está lá. Se no dia 15 o Supremo tivesse afastado Moraes para investigá-lo, mas não, enrolaram Fachin e não fizeram coisa nenhuma. Gilmar xingou, gritou, esbravejou, e sabemos: eleva o volume da voz quem não tem argumento. No fim, Moraes continua no STF e consegue até ser sorteado como relator de um processo envolvendo a mulher dele! A ação é do vereador curitibano Guilherme Kilter, que pede acesso à lista de quem frequentou o Senado na época das fraudes no INSS.

Corrida para o Senado em São Paulo está virando

Para governador, em São Paulo, todos sabem quem leva, mas parece que no Senado está havendo virada. A pesquisa Real Time Big Data está mostrando Guilherme Derrite e André do Prado na frente: Derrite com 20% e André do Prado com 18%. Logo em seguida vêm Simone Tebet, com 17%, e Marina Silva, com 14%. Aqui em Brasília, as pesquisas continuam mostrando Michelle Bolsonaro na frente da corrida para o Senado.

Metodologia da pesquisa

2 mil entrevistados pelo Real Time Big Data de 16 a 19 de setembro de 2026. Pesquisa contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE: SP-07495/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/nunes-marques-precatorios-banco-master/

Paulo Briguet

O charuto de Gonet e o avião de Moraes: você vai acreditar nos seus próprios olhos?

Procurador-geral minimizou relação com banqueiro, mas imagem mostra encontro entre os dois. (Foto: Reprodução/Polícia Federal)

Conta-se que alguém certa vez maliciosamente questionou Freud sobre seu vício em charutos, indagando se o hábito compulsivo possuía algum significado oculto, como a fixação oral. O fundador da psicanálise teria dado uma resposta bem pouco freudiana:
 Ora, meu caro, às vezes um charuto é apenas um charuto.

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Apesar da velha anedota, há ocasiões em que um charuto é bem mais do que um charuto. Lembro-me de um amigo que, há muitos anos, trabalhou para o PT e abandonou o partido depois de contemplar um salão forrado com as sobras de charutos cubanos consumidos pelos companheiros após uma noite de festa. A depender do contexto, o charuto pode simbolizar não apenas o poder, mas toda a maldade e a degradação humana a ele associadas.

Uma foto que circulou nas redes mostra Paulo Gonet, o chefe do Ministério Público do Brasil, saboreando um charuto em Londres, ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro, aquele que viria a ser o personagem central da maior fraude bancária do país. Na fatídica sessão do STF da última terça-feira, Gonet negou possuir qualquer vínculo íntimo com Vorcaro, tendo apenas mantido um contato “brevíssimo e banal” com o fraudador. Mentiu diante do país inteiro.

Sabemos agora que as despesas de Gonet e de seu filho naquela viagem a Londres foram bancadas por Vorcaro. Quando Vorcaro foi preso pela segunda vez, por uma decisão corajosa do ministro André Mendonça, Gonet pediu um tempo para pensar, o que mais uma vez dá razão aos que o apelidaram de “prevaricador-geral da República”.

Considerados esses fatos, se tivesse o mínimo de vergonha na cara, Gonet deveria se declarar impedido de tomar qualquer decisão sobre o caso Master

Nos últimos dias, diante das revelações sobre o envolvimento de altas autoridades da República com Daniel Vorcaro, os porta-vozes do Regime PT-STF têm repetido a famosa frase de Groucho Marx: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”

Neste fim de semana, o Brasil inteiro viu as imagens de Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando do luxuoso e exclusivo avião de Vorcaro, mas o casal Master exige que as pessoas neguem a evidência dos próprios sentidos. É uma característica universal dos ditadores de todos os tempos, essa de contrariar a realidade que está saltando à frente de todos.

Em sua patética “defesa” enviada ao plenário do STF, Moraes já havia negado a evidência dos sentidos, ao afirmar que os seus diálogos com Vorcaro eram meras “ilações” feitas por “golpistas do 8 de janeiro”. Ele quer nos fazer acreditar que Vorcaro conversava com um amigo imaginário, e não com um ministro plenipotenciário.

Todas as evidências apontam para uma realidade simples: Vorcaro comprou a cadeira do mais poderoso ministro da Suprema Corte para não responder por seus crimes; ofereceu-lhe contrato milionário, avião de luxo, cartão de crédito para a família e prioridade total. Da mesma forma, bancou viagens e regalias para altos membros do regime.

O que foi visto não pode ser desvisto. O que aconteceu não pode desacontecer. A permanência de Moraes e Gonet em seus cargos é um escárnio para todo brasileiro decente.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/o-charuto-de-gonet-e-o-aviao-de-moraes-voce-vai-acreditar-nos-seus-proprios-olhos/

Tarcísio chega a 50,7% para seguir governando SP, e Haddad ‘lidera’ rejeição

Tarcísio Gomes de Freitas, governador do Estado de São Paulo. (Foto: Secom/SP).

Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas realizada entre 19 e 21 de setembro de 2026 no Estado de São Paulo aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança isolada da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. No cenário estimulado com todos os nomes, Tarcísio registra 50,7% das intenções de voto, contra 33,3% de Fernando Haddad (PT). A diferença de 17,4 pontos percentuais superaria a margem de erro e, se a eleição ocorresse hoje, indicaria vitória no primeiro turno.O levantamento, registrado no TSE sob o número SP-03057/2026, ouviu 1.600 eleitores em 70 municípios, com entrevistas pessoais e domiciliares. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para os resultados gerais, com 95% de confiança. A amostra é representativa por gênero, faixa etária, escolaridade e renda.Governador: espontânea ainda mostra muita indecisãoNa pergunta espontânea (sem lista de nomes), 42,8% não souberam ou não opinaram. Tarcísio aparece com 32,1% e Haddad com 17,9%. Brancos, nulos ou “ninguém” somam 6,2%. Os demais nomes ficam abaixo de 0,3%: Izadora Dias (PCO) 0,2%; Carlos Machado (PCB), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) com 0,1% cada.No cenário estimulado completo (Cenário 1), os números são:

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 50,7%
  • Fernando Haddad (PT): 33,3%
  • Vera Lúcia (PSTU): 1,8%
  • Carlos Machado (PCB): 1,0%
  • Izadora Dias (PCO): 0,9%
  • Policial Edjane (Agir): 0,8%
  • Vivian Mendes (UP): 0,6%
  • Nenhum/branco/nulo: 7,2%
  • Não sabe/não opinou: 3,8%

Em comparação com rodadas anteriores do mesmo instituto, Tarcísio oscilou de 48,5% em julho para 50,0% em agosto, 49,7% no início de setembro e agora 50,7%. Haddad passou de 35,1% (julho) para 33,3%.No confronto direto (Cenário 2, apenas os dois principais), Tarcísio sobe para 54,0% e Haddad para 36,4%. Brancos/nulos ficam em 6,5% e indecisos em 3,1%. Nesse recorte, o governador também apresenta estabilidade acima de 50% desde julho.A rejeição favorece Tarcísio. Haddad é rejeitado por 43,2% dos eleitores (poderiam votar em todos: 5,2%; não souberam: 8,8%). Tarcísio tem 29,4% de rejeição. Os demais candidatos ficam entre 6,4% e 8,3%.Há diferenças relevantes por perfil. Tarcísio lidera com folga entre homens (60,8% no Cenário 1 contra 27,4% de Haddad) e entre quem participou de celebração religiosa nos últimos 10 dias (57,1% a 28,4%). Haddad cresce entre mulheres (41,8% x 42,7% no confronto direto) e entre quem não foi a culto ou missa.Senado: quatro nomes na briga pelas duas vagasA disputa pelas duas cadeiras de senador é mais equilibrada. Na espontânea, 68,2% não souberam citar nomes. Guilherme Derrite (PP) aparece com 9,3%, seguido por Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas com 8,1%. André do Prado (PL) tem 4,6% e Ricardo Salles (Novo) 1,2%.No estimulado (cada eleitor podia indicar até dois nomes), o quadro é:

  • Simone Tebet (PSB): 29,6%
  • Guilherme Derrite (PP): 29,3%
  • Marina Silva (Rede): 28,3%
  • André do Prado (PL): 25,0%
  • Ricardo Salles (Novo): 10,6%
  • Geraldo Rufino (Podemos): 5,4%
  • Soninha Francine (Cidadania): 3,5%

Os demais (Dra. Eliana Ferreira/PSTU, Maíra de Souza/UP, Guto Schiavetto/Missão, Márcio Alves/UP, William Teixeira/Agir, Ednelson Cesaretti/PCO, Weller Gonçalves/PSTU e Petter Maahs/PCB) ficam entre 0,4% e 2,0%. Não sabe: 6,6%; nenhum/branco/nulo: 10,4%.Na primeira opção isolada, Derrite lidera com 22,3%, à frente de Tebet (17,7%) e Marina (17,6%). André do Prado tem 12,6%. Na segunda opção, do Prado sobe para 12,4%, seguido por Tebet (11,9%) e Marina (10,8%).A comparação com as pesquisas anteriores do instituto mostra movimento: André do Prado avançou de 16,8% em agosto para 19,3% no início de setembro e agora 25,0%. Salles recuou de 19,7% para 16,4% e 10,6%. Marina perdeu um pouco de fôlego (30,1% em agosto para 28,3%).Na rejeição ao Senado, Marina Silva lidera com 20,4%, seguida por Tebet (16,6%), Derrite (11,6%), André do Prado (9,4%) e Salles (9,3%).Derrite tem desempenho mais forte entre homens (38,1%) e entre quem frequentou celebração religiosa (36,3%). Tebet e Marina pontuam melhor entre mulheres.O Paraná Pesquisas informa que pelo menos 30% das entrevistas foram auditadas. Os dados reforçam um quadro polarizado no governo, com Tarcísio estável na dianteira, e uma corrida senatorial ainda aberta entre quatro nomes principais a pouco mais de duas semanas do primeiro turno.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/tarcisio-chega-aos-507-para-seguir-governando-sp-e-haddad-lidera-em-rejeicao-43

PT pede e Justiça Eleitoral censura site na Bahia baseada em mentira

Jaques Wagner, ex-Líder do Governo Lula (PT) no Senado, com o presidente petista- Foto: redes sociais.

O PT da Bahia acionou a Justiça Eleitoral para censurar o site MasterWhats, plataforma que reunia, em interface semelhante à do WhatsApp, mensagens já tornadas públicas pela imprensa e por processos judiciais sobre diálogos da Lava Jato datados de 2016, envolvendo Lula (PT) e o senador Jaques Wagner, também investigado por suas relações com o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro e o ex-sócio Augusto Lima.

Wagner e os aliados que o sucederam no governo da Bahia nomearam praticamente todos os titulares dos tribunais estaduais. O site MasterWhats foi tirado do ar.

Usar a Justiça Eleitoral para retirar do ar informações de origem pública, mesmo quando a petição erra o conteúdo e mesmo após pedido de desistência, transforma o tribunal em instrumento de censura seletiva em período eleitoral.

A Constituição garante liberdade de expressão e o direito de receber informações. Cercear o acesso a documentos e reportagens já conhecidos, sob o pretexto falso de “conversas que nunca existiram”, ofende ambas as garantias.

Violência revoltante

A página foi derrubada nesta segunda-feira (21), apesar de a ação judicial ter sido baseada na mentira de que a plataforma divulgava diálogos entre Wagner e Vorcaro. A coligação chegou a pedir desistência da ação, mas a Justiça Eleitoral, em vez de reconhecer o erro abusivo, manteve a censura.

As mensagens atribuídas a Wagner estavam na aba de Lula e reproduziam interceptações telefônicas de 2016, sem qualquer relação com o atual escândalo do Banco Master. O criador do site, Lucas Matheus Alves, declarou que o projeto apenas centralizava conteúdo já divulgado por veículos de imprensa e que não foi notificado antes do bloqueio. “Era um trabalho de transparência. Tiraram sem explicação. É revoltante”, disse ele.

Censura protege enrolados

O eleitor tem o direito de ver o material, julgar sua relevância e decidir sozinho — não de ter a decisão tomada por liminar que some o site sem contraditório efetivo.

O episódio se insere em um padrão mais amplo: a Justiça Eleitoral tem sido acionada para interromper a circulação de conteúdos inconvenientes a campanhas, em vez de se limitar à propaganda irregular ou à desinformação comprovada.

Quando um site que replica o que a imprensa já publicou é apagado por ordem judicial, o que se protege não é a lisura do pleito, mas o conforto de quem prefere que certos fatos não circulem. Liberdade de expressão não é privilégio de quem está no poder. Direito à informação não é favor concedido pela Justiça Eleitoral.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/pt-pede-e-justica-eleitoral-censura-site-na-bahia-baseada-em-mentira

‘Troféu Pinóquio’ anda disputado por autoridades flagradas em mentiras

Lula e o procurador-geral da República Paulo Gonet.

Ao menos três autoridades de primeira linha no Brasil disputam, sem pudor, o pódio do “nunca vi, nunca falei, nunca voei” — enquanto fotos, whatsapp, portaria do Planalto, FAB e câmera de aeroporto fazem o papel de cronômetro oficial. Lula abriu a série com o clássico “nunca vi essa moça na vida”. Ela é Roberta Luchsinger, lobista e sócia do filho Fabio Luiz, o Lulinha, ambos investigados por negócios no governo Lula. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder. “Estamos de FAB”, “tô no palácio… na sala do pai do Fábio”, escreveu a lobista. Precisaria de um hangar só para o nariz presidencial de Pinóquio.

Dias após jurar que nunca foi próximo de Vorcaro, o PGR Paulo Gonet reapareceu em foto charutando sorridente ao lado do fraudador.

Alexandre de Moraes negou ter voado em jato de Vorcaro e foi chamado de mentiroso pelo vídeo do seu desembarque do Legacy do fraudador.

Quem tem o maior nariz de Pinóquio? Empate técnico claro. No Brasil, a verdade não precisa ser dita: basta que a autoridade a desminta.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/trofeu-pinoquio-anda-disputado-por-autoridades-flagradas-em-mentiras

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