PF aponta atuação de Jaques Wagner em quatro frentes de interesse do Banco Master

Relatórios da PF indicam que o Senador Jaques Wagner (PT-BA) teria atuado em propostas legislativas para beneficiar o Banco Master. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Os relatórios produzidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero descrevem uma atuação recorrente do senador Jaques Wagner (PT-BA) em temas considerados estratégicos para o antigo Banco Master e seus principais controladores, Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima.  

A partir da análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos, documentos e proposições legislativas, os investigadores identificaram quatro eixos nos quais a atuação do parlamentar teria coincidido com interesses econômicos do grupo: a ampliação do crédito consignado; mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); a negociação para venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB); e a regulamentação do mercado brasileiro de créditos de carbono. 

A análise integra uma série de Informações de Polícia Judiciária (IPJs) remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF), que reúne elementos obtidos durante a investigação sobre a atuação de executivos do Banco Master.

Segundo a PF, o objetivo foi confrontar a atividade legislativa desenvolvida por Jaques Wagner desde o início de seu mandato no Senado com o conteúdo das conversas mantidas por Augusto Lima e Daniel Vorcaro, buscando identificar eventual convergência entre iniciativas parlamentares e interesses privados do banco. 

“A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta e indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”, aponta o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em sua decisão. 

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do senador Jaques Wagner não respondeu individualmente aos questionamentos encaminhados pela reportagem sobre cada um dos episódios descritos nos relatórios da Polícia Federal.

Foram encaminhadas apenas declarações dadas pelo parlamentar na sexta-feira (31), nas quais ele afirma estar tranquilo em relação às investigações e diz ter “certeza de que vai provar sua inocência”. Segundo Wagner, o caso segue o curso normal das instituições e ele confia que a apuração afastará as suspeitas.

A reportagem também buscou contato com a defesa de Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem (o espaço permanece aberto para manifestações).

Embora os investigadores afirmem não terem encontrado referências diretas para a maior parte das proposições analisadas, quatro temas aparecem de forma recorrente nas mensagens apreendidas e passaram a integrar o conjunto de elementos considerados relevantes para a investigação.

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Emenda apresentada por Jaques Wagner beneficiaria Master e empresa da nora

O primeiro eixo envolve a Medida Provisória 1.106/2022, posteriormente convertida na Lei 14.431/2022, que ampliou a margem para contratação de crédito consignado por aposentados, pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e beneficiários de programas sociais. 

Durante a tramitação da proposta, Jaques Wagner apresentou a Emenda 30 e manifestou apoio à aprovação do texto. Para a Polícia Federal, a matéria tinha interesse direto para o Banco Master porque o crédito consignado constitui uma das principais linhas de atuação da instituição financeira, por meio do produto CredCesta. 

Os investigadores também apontam que, paralelamente ao andamento da medida provisória, a BN Financeira foi contratada pelo Banco Master para prospectar, com exclusividade, operações de crédito consignado. A empresa tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, nora do senador Jaques Wagner. A investigação considera que a simultaneidade entre a atuação legislativa e a contratação da empresa representa um elemento relevante para a apuração. 

A reportagem buscou contato com Bonnie Bonilha, mas não obteve retorno.

Jaques Wagner teve encontros reservados com Augusto Lima para tratar da “emenda Master”

Outro capítulo destacado pelos relatórios diz respeito à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que trata da autonomia administrativa e financeira do Banco Central. 

Segundo a PF, Augusto Ferreira Lima encaminhou ao senador documentos e o link da proposta logo após reuniões realizadas no gabinete parlamentar. O interesse do Banco Master estaria concentrado na Emenda 11, que ficou conhecida como “emenda Master, que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). 

Nas mensagens analisadas pelos investigadores, Daniel Vorcaro afirma que a aprovação da medida poderia “sextuplicar” o negócio da instituição financeira. Os relatórios também registram conversas em que Jaques Wagner sugere que determinados encontros ocorram em seu gabinete por ser um ambiente “mais protegido e discreto”, reduzindo a exposição de Augusto Lima em agendas oficiais. 

Para a Polícia Federal, as mensagens demonstram interlocução direta entre o senador e os representantes do Banco Master sobre uma proposta considerada estratégica para o modelo de negócios da instituição. 

O interesse do Banco Master na proposta já havia aparecido em outra frente da investigação. Como mostrou a Gazeta do Povo, a redação Emenda 11 foi atribuída pela Polícia Federal à assessoria jurídica do próprio banco.

Segundo a investigação, o texto foi encaminhado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que o apresentou no Senado praticamente sem alterações. Por esse envolvimento e por suspeitas de que receberia uma mesada de R$ 500 mil de Vorcaro, Nogueira foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da operação Compliance Zero. 

À época, Ciro Nogueira negou as acusações, afirmou ser alvo de uma tentativa de “manchar” sua imagem em ano eleitoral e, por meio da defesa, repudiou qualquer irregularidade, sustentando que não recebeu pagamentos ilícitos

Em mensagens apreendidas pela PF, Daniel Vorcaro comemorou a apresentação da proposta e afirmou que ela havia saído “exatamente como mandei”, por considerar que a mudança poderia ampliar significativamente os negócios da instituição.  

Senador era favorável à venda do Banco Master ao BRB 

A investigação também aponta indícios de atuação política relacionada ao processo de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). 

Segundo os investigadores, Daniel Vorcaro mencionava Jaques Wagner como integrante de uma ala do governo favorável à operação em conversas com jornalistas.

Em outro trecho dos relatórios, a PF descreve mensagens nas quais o senador envia áudios a Augusto Lima perguntando “como estão as coisas do banco”, diálogo interpretado pela investigação como referência ao andamento das negociações envolvendo o Master e o BRB. 

O relatório da PF também mostra que Augusto Lima enviava recorrentemente ao senador links de matérias sobre a transação, incluindo notícias sobre a aprovação da compra pelo conselho do BRB e sobre requerimentos no Senado para que o Banco Central prestasse informações sobre a operação. 

A Polícia Federal afirma que esse conjunto de conversas reforça a hipótese de acompanhamento político da operação por parte do parlamentar. 

Master tinha interesse em proposta que Jaques Wagner relatou 

O quarto eixo identificado pelos investigadores envolve o Projeto de Lei 412/2022, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa e teve Jaques Wagner como relator. 

A análise da PF conclui que Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima demonstravam interesse direto na regulamentação do mercado de carbono em razão de investimentos relacionados ao projeto conhecido como “Fazenda Amazônica”, posteriormente citado em notícias envolvendo suspeitas de irregularidades na comercialização de créditos de carbono

Os relatórios apontam ainda que pessoas ligadas aos empresários encaminharam sugestões de emendas consideradas “fundamentais” para serem incorporadas ao parecer elaborado pelo senador.

Para os investigadores, diferentemente da maioria das demais matérias legislativas analisadas, nesse caso foram encontradas conversas que evidenciam interesse específico dos controladores do Banco Master no conteúdo do projeto relatado por Jaques Wagner.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pf-aponta-atuacao-de-jaques-wagner-em-quatro-frentes-de-interesse-do-banco-master/

Master, emendas, Rio de Janeiro e INSS: STF dita ritmo de casos explosivos com impacto eleitoral

Ação da PF ou despachos de ministros vão norteando campanhas Brasil afora. (Foto: Antonio Augusto/STF)

À medida que as eleições se aproximam, as chapas são formadas e as alianças partidárias começam a se cristalizar, o ritmo da cena política nacional não é ditado apenas pelo fim da Copa do Mundo de futebol, pelo período das convenções partidárias ou pelas costuras de bastidores, mas também pelas canetas de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes tornaram-se maestros involuntários de processos que têm o potencial de implodir palanques, asfixiar finanças partidárias e reconfigurar o equilíbrio de forças com impacto direto nas urnas Brasil afora. Os ministros do STF conduzem neste ano de eleição alguns dos casos mais explosivos da República:

  • o bloqueio e a fiscalização de bilhões de reais em emendas parlamentares;
  • a devassa financeira e política do caso Master;
  • a intervenção judicial na tumultuada política do Rio de Janeiro; e
  • o escândalo do INSS.

Todos esses casos têm grande repercussão política tanto para a base do governo Lula (PT) quanto para a oposição. O momento de decisões específicas em cada um destes processos tem potencial de erguer ou sepultar candidaturas de forma fulminante.

O radar na destinação de emendas parlamentares

O embate do ministro Flávio Dino — que conduz os inquéritos sobre falta de transparência e eventuais desvios de bilhões em emendas parlamentares — com lideranças do Centrão não vem de hoje, e sim pelo menos desde 2024. O conflito ganhou ares dramáticos a pouco mais de dois meses do primeiro turno, com a mais recente decisão de Dino no caso. 

No último dia 10, o ministro determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Ele é investigado pela suspeita dos crimes de desvio de dinheiro e de associação criminosa.

A Polícia Federal investiga se Costa Neto desviou R$ 119 milhões em emendas parlamentares por meio de um esquema clandestino — o ministro do STF determinou o bloqueio do mesmo valor em bens do dirigente partidário, que diz não possuir tamanho patrimônio. 

Em entrevista à GloboNews no dia 14, o presidente do PL confirmou que decidiu o destino de emendas, defendeu as ações e diz que todos os dirigentes de partidos políticos com representantes no Congresso fazem o mesmo. “É lógico, a função do presidente é cuidar do partido”, disse.

“O deputado chega para mim e diz: ‘Valdemar, olha aqui, eu fiz as emendas, vai sobrar R$ 5 milhões das minhas emendas’. Aí, eu pego essas emendas, dou para os deputados que não têm mais emendas, que acabou com as emendas dele e precisa de atender mais cidades. Essa função é uma função normal. A liderança examina as condições e quem assina isso é o líder”, declarou.

As declarações de Costa Neto têm potencial de ampliar a crise, já que o ministro Dino considerou o expediente irregular e cobra explicações de outros líderes de partidos se o que o líder do PL disse sobre eles destinarem verbas de emendas parlamentares é verdade. O prazo para as manifestações no processo está aberto.

Desde então, Dino determinou o envio das manifestações de Valdemar Costa Neto e de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, à Polícia Federal, para que integrem as investigações, mantendo aberta a apuração sobre eventual participação de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares.

Todos de olho em novas fases das operações relacionadas ao Master

Se as emendas asfixiam o varejo político, o avanço do caso Master no gabinete do ministro André Mendonça ameaça provocar um curto-circuito na alta cúpula dos maiores partidos do país, atingindo o topo da pirâmide governista e da oposição conservadora de forma simultânea. A relatoria do inquérito que investiga ramificações financeiras e supostas vantagens indevidas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da investigação, e ao Banco Master transformou Mendonça no homem mais temido e cortejado de Brasília

A complexidade do caso reside na sua transversalidade ideológica. De um lado, a investigação alcançou o coração do governo Lula ao mirar o senador Jaques Wagner (PT), até então líder do governo Lula no Senado.

Alvo de mandados de busca e apreensão autorizados por Mendonça, Wagner se viu obrigado a vir a público tentar explicar transações imobiliárias e movimentações financeiras atribuídas por investigadores a pressões políticas em favor da instituição financeira. Ele é suspeito no inquérito da PF de ter recebido cerca de R$ 8 milhões de Vorcaro, e diz que não há nenhuma irregularidade nos negócios de familiares e pessoas próximas com o banqueiro.

Do outro lado do espectro, a mesma caneta de Mendonça mantém a corda no pescoço do senador Ciro Nogueira, cacique do Progressistas e um dos principais pilares da oposição de direita, também sob a lupa por supostos favorecimentos ao banco. A proximidade dele com o banqueiro preso está detalhada no inquérito da PF, que também já lhe rendeu uma operação de busca e apreensão, com mensagens e fotos dos dois juntos em viagens internacionais.

Nogueira também teria recebido cerca de R$ 6 milhões apenas entre 2024 e 2025 para defender os interesses do banqueiro no Senado. As investigações continuam, e o senador nega qualquer irregularidade na relação entre os dois.

O ingrediente que torna o caso Master ainda mais volátil é a presença colateral do principal pré-candidato à Presidência da República da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no cenário. O senador foi exposto em vazamento à imprensa em troca de mensagens amistosas com Vorcaro, onde chega a chamar o ex-dono do Banco Master de “irmãozão”, e diz que “estarei contigo para sempre”.

Mensagens revelam que Flávio pediu R$ 134 milhões de financiamento ao banqueiro para a cinebiografia ainda não lançada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse — o próprio senador confirma que recebeu parte do dinheiro para a produção cinematográfica, e nega qualquer possível irregularidade. O caso segue aberto no gabinete de Mendonça no STF.

Investigação sobre desvios de aposentadorias do INSS tem potencial de atingir campanha lulista

Paralelamente, corre na mesa de Mendonça no STF outro caso explosivo, com repercussões imprevisíveis para Lula e seus aliados às vésperas das eleições: o escândalo dos desvios bilionários de aposentadorias do INSS por meio de descontos indevidos, e a aparição do nome de Fábio Luiz da Silva, conhecido como “Lulinha” e filho do presidente da República, no meio das investigações.  

“Lulinha” se tornou alvo da PF e da CPMI do INSS e teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por suposto vínculo com o caso. Os dados sobre ele ainda estão em análise. A Polícia Federal teria informado ao ministro relator do caso que as investigações estão atrasadas e devem ser prorrogadas significativamente.

Neste mês, a PF concluiu a primeira parte das investigações da operação “Sem desconto”, sobre os desvios. O relatório, de 265 páginas, foi apresentado pela PF ao ministro.

As conclusões serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que é a quem cabe apresentar a denúncia, pedir o arquivamento do caso ou solicitar novas diligências. Ao todo, até agora foram indiciadas 48 pessoas — o filho do presidente não está entre elas.

Operações e olhar do STF alterou estratégia para as eleições no RJ

Se no âmbito nacional e em outros estados os inquéritos conduzidos pelos ministros do STF são uma ameaça eleitoral constante, no Rio de Janeiro a situação já é de “terra arrasada” para o grupo do ex-governador e ex-pré-candidato ao Senado Cláudio Castro (PL). A PF e o STF têm conduzido operações interligadas no estado.

Os principais alvos são esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de emendas parlamentares e ligações de políticos com milícias e facções. Duas das operações de maior repercussão sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes são a “Unha e carne” e “Sem refino”.

Na primeira, a PF investiga a relação de agentes públicos e deputados estaduais do Rio de Janeiro com milícias e facções criminosas, além de lavagem de dinheiro. A operação revelou movimentações de bilhões de reais e listas com dezenas de políticos.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ex-candidato de Castro à sucessão no governo do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso e transferido para um presídio federal por ordem de Moraes. 

Na segunda operação, que investiga um esquema de fraude e sonegação fiscal no ramo de combustíveis no estado fluminense, o próprio Castro é um dos alvos. Ele já estava condenado à inelegibilidade desde o ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas pretendia concorrer ao Senado com recursos à Justiça. 

Porém, após ser alvo de duas operações de busca e apreensão em menos de 15 dias por parte da PF em maio, o PL desistiu de lançar o ex-governador para o cargo. Além da operação “Sem refino” relatada por Moraes, motivo da primeira batida policial, Castro é investigado na 8ª fase da “Compliance zero”, relatada por Mendonça — que investiga aportes de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. O ex-governador do Rio nega qualquer irregularidade nos dois casos. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/master-emendas-rio-de-janeiro-inss-stf-dita-ritmo-casos-explosivos-impacto-eleitoral/

O que é a Quinta Emenda americana, que permitiu silêncio de Fauci no Congresso

Anthony Fauci: silêncio no Congresso foi protegido pela Quinta Emenda. (Foto: EFE/EPA/Ken Cedeno / POOL)

Quando o senador Josh Hawley pediu a Anthony Fauci que dissesse a cor da própria gravata e a do carpete sob seus pés, o médico devolveu a frase que já repetira dezenas de vezes: por orientação de seus advogados, recusava-se a responder com base nos direitos que a Quinta Emenda da Constituição lhe garante. Fauci, ex-diretor do instituto americano de alergia e doenças infecciosas e rosto da resposta dos Estados Unidos à pandemia, invocou a mesma fórmula 111 vezes ao longo da audiência de quarta-feira, 29 de julho, na Subcomissão de Segurança Interna do Senado. O episódio mostra a Quinta Emenda em sua forma mais incômoda: o poder de não entregar nada ao Estado, mesmo quando calar, aos olhos de todos, parece equivalente a fazer uma confissão.

Ele estava ali por causa de um diário. Semanas antes, o senador Rand Paul, que preside o comitê, tornou públicas centenas de páginas das anotações pessoais do médico. Paul o acusa de ter mentido ao Congresso e de ter escondido a hipótese de que o vírus escapou de um laboratório. Em mais de 250 comparecimentos ao Congresso ao longo da carreira, Fauci nunca havia recorrido ao silêncio. Desta vez disse, na abertura, que a única finalidade da convocação era arrancar dele alguma frase capaz de confirmar a promessa pública de Paul de vê-lo atrás das grades.

A câmara estrelada

A garantia que Fauci acionou 111 vezes nasceu de uma recusa parecida, quatro séculos antes. Em 1637, o panfletário puritano John Lilburne foi levado diante da Câmara Estrelada (Star Chamber), tribunal inquisitorial que respondia apenas ao rei. Antes de ele conhecer as acusações, as autoridades exigiam que jurasse responder a qualquer pergunta sobre qualquer assunto. Lilburne recusou o juramento, foi açoitado e preso, e saiu da cadeia como símbolo. Nenhuma consciência, dizia ele, deveria ser torturada por juramentos impostos.

O princípio que ele defendeu tem um nome latino que os juristas repetem até hoje, nemo tenetur seipsum accusare: ninguém é obrigado a acusar a si mesmo. Quando os fundadores americanos redigiram a Declaração de Direitos, em 1791, a memória da Câmara Estrelada estava fresca. Escreveram na Quinta Emenda que nenhuma pessoa poderia ser obrigada, em processo criminal, a servir de testemunha contra si mesma.

A originalidade não está na ideia de que o acusado pode calar, velha no direito inglês. Está na extensão que os Estados Unidos deram a ela. A emenda reúne várias garantias, do grande júri ao devido processo legal, mas a cláusula contra a autoincriminação deixou de valer apenas no tribunal e passou a alcançar qualquer procedimento em que uma resposta possa expor alguém a acusação criminal, inclusive uma audiência no Congresso. É por isso que Fauci, sentado diante de senadores e não de um juiz, pôde repetir a recusa mais de cem vezes sem cometer crime algum. O ônus da prova segue inteiro com o Estado, que precisa montar o caso sem recrutar o réu contra ele próprio.

O trilema cruel

Os tribunais de Lilburne operavam por um mecanismo que os juristas apelidaram de trilema cruel. Diante do juramento, o acusado frequentemente tinha três saídas, todas ruins: incriminar-se, mentir sob juramento e cometer perjúrio, ou calar-se e responder por desacato. A Quinta Emenda foi desenhada para desfazer esse nó, assegurando a terceira porta sem punição.

Aqui a história de Fauci ganha sua ironia mais aguda. Ao encerrar a audiência, Paul anunciou que o comitê votará, na semana seguinte, se declara Fauci como tendo cometido desacato ao Congresso. O silêncio que a emenda protege reabre, pela via política, a mesma porta que ela pretendia trancar.

Há ainda a questão do perdão. Antes de deixar o cargo, em janeiro de 2025, Joe Biden concedeu a Fauci um indulto preventivo. Paul e Hawley sustentam que, sem risco de processo, não existe autoincriminação possível, e portanto não caberia a Quinta Emenda. Os advogados de Fauci respondem que declarações novas, ditas sob juramento, ainda poderiam render acusação de perjúrio, e que o temor de perseguição, diante deste Departamento de Justiça, é razoável. Em 1896, no caso Brown contra Walker, a Suprema Corte decidiu que quem já recebeu perdão não pode se escudar no privilégio. Ninguém sabe como a disputa terminaria hoje, e Paul já avisou que pretende levá-la aos tribunais.

O episódio expôs o outro lado da garantia constitucional. O instrumento pensado para proteger o inocente contra a força do Estado serve, na prática, para que uma figura poderosa, cercada de advogados e blindada por um indulto, não responda a nada diante do público. Para a plateia, cada recusa soa como confissão. A emenda assegura o direito de calar, mas não impede que o país inteiro leia no silêncio aquilo que ele se recusa a dizer.

A traição bonificada

No Brasil, a pressão do Estado por respostas seguiu outro caminho. A Constituição de 1988 também garante ao preso o direito de permanecer calado, e a doutrina repete o mesmo princípio latino que sustenta a Quinta Emenda. Mas o instrumento que moldou a última década da Justiça criminal brasileira não protege o silêncio. Ele o compra.

A delação premiada, ou colaboração premiada, oferece ao réu redução de pena, e às vezes o perdão judicial, em troca de confissão e da denúncia de comparsas. A lei que a regulou em 2013 é explícita num ponto decisivo: para assinar o acordo, o colaborador renuncia formalmente, diante de seu defensor, ao direito de calar, e se obriga a dizer a verdade. O silêncio que Lilburne defendeu com o próprio corpo virou, aqui, moeda de troca.

O instituto é antigo por estas terras. Já constava das Ordenações Filipinas de 1603, e sua figura mais lembrada é Joaquim Silvério dos Reis, que entregou Tiradentes em troca de vantagens. Foi a Lava Jato, a partir de 2014, que o alçou à peça central. Prendia-se para fazer falar. Procuradores da época defenderam a prisão como forma de pressão, e circulou entre eles uma frase que o jurista Lenio Streck denunciou como autoritária, a de que passarinho, para cantar, precisa estar preso. O penalista Cezar Bitencourt “batizou” o arranjo de traição bonificada.

As mesmas ferramentas

O que está em jogo, dos dois lados, é quanto o Estado pode arrancar da boca de um cidadão. Nos Estados Unidos, invocar a Quinta Emenda virou um gesto quase honroso, exercido com algo próximo do orgulho mesmo quando parece esconder alguma coisa. Fauci repetiu a mesma frase 111 vezes e foi para casa.

A cena, porém, conta só metade da história. O mesmo país que trata o direito de calar como valor fundador produz o maior volume de confissões negociadas (plea bargains) do mundo. Um relatório de 2023 da American Bar Association (a ordem dos advogados dos Estados Unidos) apontou que mais de nove em cada dez condenações na Justiça federal nascem de acordos em que o acusado se declara culpado e abre mão do julgamento.

Nenhum dos dois arranjos chega ileso ao presente. O comitê de Paul ainda precisa votar o desacato de Fauci, e a validade do indulto que o protege pode terminar nos tribunais. Aqui, a delação saiu da Lava Jato desmoralizada, cercada de acordos anulados e de delatores que se sentiram traídos pelo próprio pacto.O caso de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostra o quanto o instrumento perdeu força: o banqueiro tentou por meses fechar uma delação, viu a Polícia Federal recusar sucessivas propostas por considerá-las insuficientes e, em julho, desistiu do acordo. Resta a pergunta de fundo, mais incômoda que qualquer uma feita a Fauci naquela quarta-feira: o que um país ensina o cidadão a fazer quando o Estado bate à porta exigindo respostas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-e-a-quinta-emenda-americana/

Alexandre Garcia

O Brasil está cheio de cúmplices das mentiras de Anthony Fauci

Anthony Fauci (em foto de 2022) escondeu efeito colateral grave da vacina que tomou contra a Covid. (Foto: Shawn Thew/EFE/EPA)

Esse diário do médico Anthony Fauci teve um efeito explosivo. Ele escreveu tudo em um computador do trabalho, salvou em servidor do governo, e aí foi fácil para as investigações do Senado encontrarem o material. Fauci foi convocado, precisou ir à Comissão de Segurança e Assuntos Governamentais do Senado, ficou em silêncio o tempo todo, mas revelaram tudo o que estava no diário. O que me chamou atenção foi o fato – que ele escondeu, mas estava no diário – de o próprio Fauci ter tido uma trombose pulmonar depois de ter tomado a vacina contra a Covid. O que se diz por aí – eu até procurei, mas não encontrei comprovação – é que, só em 2021 e 2022, as mortes de atletas jovens equivaleram ao registrado nos 50 anos anteriores.

E temos ouvido um barulhento silêncio aqui no Brasil sobre tudo isso. Pelo jeito, muita gente sentiu que também é responsável pelas coisas que Fauci pregou e que não eram necessárias: máscara, distanciamento, isolamento. Aqui no Brasil a Constituição foi totalmente desrespeitada: direito de ir e vir, direito de reunião, liberdade de expressão, vedação à censura, tudo foi ignorado. As pessoas eram censuradas só por falar em certas coisas; eu falava o óbvio, daquilo que eu via. Minha mulher é médica e estava curando; nenhuma paciente dela foi hospitalizada com Covid porque havia (e há) cura, e cura barata. Mas era proibido falar no tratamento, e a Polícia Federal chegou a ir à casa de pesquisadores como Flávio Cadegiani e Ricardo Zimerman, fora tantos outros médicos e médicas que foram calados.

Enquanto isso, toda hora um certo programa de televisão mostra (ou mostrava, não sei mais, faz mais de 20 anos que eu não assisto a televisão) que “descobriram agora uma raiz na Amazônia que cura o câncer”. Era amplamente noticiado, e não havia problema nenhum. Na medicina existe o que se chama de uso off label de medicamentos, quando se descobre um uso que não estava na bula. A ciência é assim: experimenta-se; se não deu certo, esquece; se deu certo, usa-se para salvar vidas.

Depois de tudo o que aconteceu no Senado americano, os estados de Louisiana, Flórida e Alabama estão se unindo para processar Fauci. Mas em 19 de janeiro de 2025, um dia antes de sair da presidência, Joe Biden assinou um perdão amplo e incondicional a Fauci por sua atuação desde 2014 no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. E, como assessor de saúde do presidente dos Estados Unidos, recebeu um perdão sem que estivesse respondendo a nenhum inquérito. Não sei como a Justiça vai resolver isso.

Ainda já juízes que sabem o que é imunidade parlamentar

Alexandre de Moraes perdeu uma causa judicial em São Paulo. A mulher dele, Viviane, e os filhos, componentes do escritório de advocacia que teve um contrato de R$ 129 milhões com o Daniel Vorcaro e o Banco Master, estavam processando o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, pedindo indenização por danos morais. Ele havia dado uma entrevista no SBT na qual falava das ligações entre o Master e o PCC, além de algumas declarações sobre Moraes e Dias Toffoli. O juiz recusou. É óbvio: a Constituição, no artigo 53, diz que “deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer palavras”. E Viviane Barci ainda terá de pagar R$ 2 mil em honorários advocatícios para o senador.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/brasil-cumplices-mentiras-anthony-fauci/

Roubo aos aposentados: PF investiga familiares do vice-líder de Lula no Senado

Leila do Vôlei, Lula e Weverton Rocha (Foto: Ricardo Stuckert)

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), uma nova fase da Operação Sem Desconto e cumpriu mandados de busca e apreensão contra familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado às fraudes em descontos irregulares de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ao todo, os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão. Segundo a Polícia Federal, as diligências são resultado do avanço das investigações, que identificaram indícios de movimentações financeiras e patrimoniais supostamente realizadas para ocultar a origem e o destino de recursos por meio de terceiros, empresas e operações em dinheiro vivo.

Weverton Rocha, aliado do governo Lula e vice-líder no Senado, foi o primeiro político citado na CPMI que investigou o roubo aos aposentados do INSS. A Polícia Federal já o apontou anteriormente como “sustentáculo político” do esquema, e ele figura entre os investigados no caso que envolve descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários.

A PF busca apreender documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a origem dos valores movimentados, a finalidade dos repasses e o grau de participação de cada investigado.

A Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Nesta etapa, o foco é apurar possíveis práticas de lavagem de dinheiro relacionadas aos fatos já investigados.

A assessoria do senador Weverton Rocha foi procurada e ainda não se manifestou.

Veja a nota do advogado Willer Tomaz:

Willer Tomaz, advogado e empresário, esclarece que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.

A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/roubo-aos-aposentados-pf-investiga-familiares-de-vice-lider-de-lula-no-senado

Alvo da Lava Jato é suspeito de lavar dinheiro para Weverton

Senador Weverton Rocha, aliado de Lula, com seu amigo advogado Willer Tomaz, alvo da Lava Jato – Foto: redes sociais.

Além do senador Weverton Rocha (PDT-MA), outro alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (4) é o advogado Willer Tomaz, envolvido em suspeitas de lavagem de dinheiro para o político que é vice-líder do governo Lula (PT) no Senado, no esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A residência do senador também é alvo de buscas por causa de operações suspeitas envolvendo sua esposa. As defesas deles ainda não se manifestaram.

Advogado com trânsito em diversos espectros no meio político de Brasília, Willer Tomaz é suspeito de ter feito operações de lavagem para Weverton e disponibilizado uma aeronave para uso pelo senador, segundo informou reportagem de Aguirre Talento, Felipe de Paula e Fausto Macedo, do Estadão. As buscas são cumpridas na residência e no escritório de Willer Tomaz.

Um dos focos da PF é apreender bens para recuperar valores supostamente desviados. Foram apreendidos veículos de luxo e outros itens.

No governo Lula, Tomaz tinha proximidade com o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho e foi beneficiado por uma regra do ministério, como revelou o Estadão nesta terça. Em 2017, Willer chegou a ser alvo de prisão na Lava Jato após ser citado na delação premiada de executivos do grupo J&F como intermediário de propina a um procurador da República. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) rejeitou a denúncia movida contra ele por falta de provas. Em depoimento prestado posteriormente, o empresário Joesley Batista voltou atrás e disse que não contratou Willer com o objetivo de influenciar autoridades públicas.

Nesta manhã, agentes federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. As ordens foram do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“As investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”, informou a PF.

Weverton Rocha é uma das figuras conhecidas dos investigadores da Operação Sem Desconto. O senador entrou na mira da Polícia Federal em 18 de dezembro, quando foi alvo de busca e apreensão. Na ocasião, afirmou que recebeu a operação “com surpresa, mas com serenidade” e que se colocava à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tivesse acesso integral à decisão judicial.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/uncategorized/alvo-da-lava-jato-e-suspeito-de-lavar-dinheiro-para-weverton

Governo tenta votar pelo menos o fim da escala 6×1

Senado | Foto: Jonas Pereira / Agência Senado

Entre as duas propostas que o Palácio do Planalto gostaria de ver aprovadas antes da eleição, a base de apoio a Lula (PT) no Congresso já concentra esforços apenas na Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1. Foi discutido priorizar a PEC da Segurança, mas a proposta dormita no Senado desde março. O governo petista não conseguiu construir consenso pela tramitação da proposta, que tem resistência de governadores e da bancada da segurança.

Dono da bola

Para avançarem, as duas propostas dependem de despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), às turras com Lula.

Agora ou nunca

No governo, a avaliação é que se o fim da escala 6×1 não entrar na pauta no “esforço concentrado”, não deve ser votada este ano.

Olho no voto

Como a proposta tem forte apelo e renderia dividendos eleitorais, a esperança governista é que isso faça Alcolumbre andar com a pauta.

Deixa quieto

No caso do PEC da Segurança, o governo não formou maioria e teme que o Senado altere o texto e inclua, por exemplo, endurecimento penal.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-tenta-votar-pelo-menos-o-fim-da-escala-6×1

Sinais de riqueza de Wagner deve virar caso para polícia

Jaques Wagner, ex-Líder do Governo Lula (PT) no Senado, com o presidente petista- Foto: redes sociais.

O senador Jaques Wagner (PT-BA), amigão de Lula (PT), é alvo central da 9ª fase da Op. Compliance Zero, de junho, e passa a ser investigado pelos sinais de enriquecimento. Intriga quem se interessa pelo tema como o petista carioca chegou na Bahia sem um tostão no bolso, virou sindicalista e na política declara fortuna de R$24,5 milhões. O patrimônio que cresceu 631% em oito anos, com bens que vão de apartamento do exclusivo Corredor da Vitória, em Salvador, a terrenos de valor milionário. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Wagner é acusado de receber vantagens como apartamento adquirido com dinheiro da corretora Reag, suspeita de elo com o crime organizado.

Lula e seu governo protegeram Wagner, como indica a suspeita de vazamento da 9ª fase da operação Compliance Zero.

O crescimento patrimonial abrupto, bens não declarados e suspeitas de propina reforçam a desconfiança contra conhecidas práticas petistas.

FONTE: https://diariodopoder.com.br/uncategorized/sinais-de-riqueza-de-wagner-deve-virar-caso-para-policia

Evangélicos rejeitam Lula e dão ampla vantagem a Flávio

Senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução).

Levantamento nacional da BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (3) mostra que os eleitores evangélicos formam o grupo religioso com maior índice de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados desse segmento afirmam que não votariam no petista de forma alguma, enquanto 36% dizem que poderiam apoiá-lo.

No cenário estimulado de primeiro turno entre os evangélicos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece à frente de Lula.

O parlamentar registra 50% das intenções de voto nesse recorte, contra 28% do atual presidente.

Já entre os eleitores católicos, o levantamento indica um cenário diferente, com Lula à frente de Flávio Bolsonaro.

A pesquisa também simulou um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Entre os eleitores evangélicos, o senador alcança 59% das intenções de voto, enquanto o presidente soma 33%, mantendo ampla vantagem dentro desse segmento religioso.

O levantamento foi realizado entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, com 2.002 eleitores em todo o país.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e10-brasil/evangelicos-rejeitam-lula-e-dao-ampla-vantagem-a-flavio

Lobista de Careca do INSS mandou dinheiro para assessor de Lula

Roberta Luchsinger fez pagamentos para Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que foi dispensado do Planalto há duas semanas pelo presidente

A empresária e lobista Roberta Luchsinger fez pagamentos para Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que de janeiro de 2023 até 21 de julho foi o chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os valores repassados por Roberta foram na casa das dezenas de milhares de reais, mas ainda não são inteiramente conhecidos nem a razão pela qual eram realizados –os dados completos estão com a Polícia Federal. Essa história passou a circular em Brasília há cerca de duas semanas, logo depois de Lula dispensar Marcola do Planalto.

Roberta Luchsinger, por meio de seu advogado, disse desconhecer o assunto e que pretende responder só nos autos do processo em que é citada. O Palácio do Planalto e Marcola foram procurados, mas não responderam. Esta reportagem será atualizada assim que enviarem alguma manifestação.

Personagem conhecida dos meios políticos em Brasília, Roberta está citada na investigação de fraudes na Previdência Social e prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está preso desde 12 de setembro de 2025.

O Poder360 confirmou a informação sobre as transferências de dinheiro de Roberta para Marcola com 4 pessoas familiarizadas com o assunto. O fato foi tema de conversa de bastidores entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção de lançamento de Lula à reeleição, no último sábado. Há apreensão entre petistas, pois o tema “corrupção” tem se mostrado aderente ao atual governo, de forma negativa, e pode prejudicar a campanha presidencial do partido.

Não foi possível apurar os valores exatos dos pagamentos feitos por Roberta a Marcola e com que frequência eram feitos. O Poder ouviu que os valores eram na casa dos R$ 80.000, mas essa informação não pode ser confirmada. O ex-assessor de Lula era uma pessoa de total confiança do petista. Acompanha Lula há anos e tinha responsabilidade de fazer a agenda de compromissos do presidente. Também era a pessoa comissionada para ficar com um telefone celular para atender as chamadas que chegavam para o chefe.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, com o presidente Lula: assessor acompanha o petista há anos, cuidava da agenda do presidente e era seu chefe de Gabinete até 21 de julho de 2026

Roberta também é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No início do inquérito sobre as fraudes no INSS, em abril de 2025, Lulinha e Roberta foram citados como possíveis participantes do esquema –o que ambos negam. Lulinha é alvo de 3 inquéritos, inclusive um em que é investigado pela Polícia Federal por tráfico de influência. O Poder revelou em 4 de dezembro de 2025 que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Em maio de 2026, Roberta deu uma entrevista e disse ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS. Disse que se tratou de um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.

Ao longo das investigações, a PF já identificou ao menos 6 viagens realizadas por Roberta e por Lulinha em que as reservas de ambos foram registradas sob o mesmo código localizador das passagens de avião. Os 2 foram para Portugal em junho de 2024 e percorreram outros 5 trechos nacionais, aqui no Brasil, de abril a junho de 2025. As viagens são consideradas pela PF como indícios da relação de amizade entre Roberta e Lulinha.

O Poder apurou também que nos telefones apreendidos na operação Sem Desconto (sobre as fraudes no INSS) há algumas informações que deverão ser esclarecidas por Roberta e Lulinha no decorrer do processo.

Na edição de 23 a 29 de maio, foi revelado que Roberta conversava com frequência com Lulinha. Os dois mostram muita familiaridade sobre os negócios do INSS e com outras empresas. Chegam a celebrar quando algumas operações são concluídas. Numa troca de mensagens, Roberta pergunta se deve prosseguir com uma determinada operação. E Lulinha responde, peremptório: “Pode fechar”. Há indícios de possíveis irregularidades com Correios e Dataprev.

Nessas mensagens que estão há muitos meses com a PF, é possível verificar que o filho do presidente Lula e a lobista conversam até sobre onde seria melhor receber e guardar dinheiro para ficar fora do radar da Receita Federal. Um dos destinos considerados foi Luxemburgo, conhecido paraíso fiscal na Europa. Roberta diz a Lulinha que esse local é seguro.

FONTE: https://paulofigueiredoshow.com/lobista-de-careca-do-inss-mandou-dinheiro-para-assessor-de-lula/

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