Máquina de propaganda de Lula torra R$840 milhões somente no ano eleitoral de 2026

Lula e ministro da Propaganda, Sidônio Palmeira. Foto: assessoria PR.

A máquina de propaganda do governo Lula (PT), bancada com impostos, opera sem limites neste ano eleitoral. Quase inimputável nos tribunais superiores, Lula estendeu essa condição a seu governo, o que explica a olímpica indiferença do Tribunal Superior Eleitoral sobre o fato de haver gasto entre janeiro e junho R$255,3 milhões, superando seu recorde de 2009, e tem R$584,7 milhões para torrar sem piedade até outubro. Total: R$840 milhões que fazem falta em segurança, saúde, educação etc.

Boca do caixa

A linha entre publicidade legítima e promoção eleitoral se desfaz e expõe uma sofisticada operação de influência paga com dinheiro público.

Incomparável

Gastos abusivos da propaganda de Lula até junho de 2026 somam mais que o triplo dos gastos do governo Bolsonaro no ano eleitoral de 2022.

Pagou, levou

A gastança cria relação de dependência financeira que, em ano eleitoral, suaviza notícias negativas e prioriza pautas desfavoráveis à oposição.

É ruim, esconde

A bolha informativa bancada pelo pagador de impostos não disfarça o objetivo de diluir críticas e ampliar a mensagem oficial.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/maquina-de-propaganda-de-lula-torra-r840-milhoes-somente-no-ano-eleitoral-de-2026

Flávio supera Lula entre eleitores fluminenses

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. (Fotos: Vittor Sales/Ricardo Stuckert).

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência entre os eleitores do Rio de Janeiro, segundo pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira (28). Flávio tem 46% das intenções de voto, contra 42% de Lula. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 5% disseram não saber ou não responderam. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

No cenário de primeiro turno, Flávio também lidera numericamente no estado, com 39% das intenções de voto, seguido por Lula, com 37%. Na sequência aparecem Ratinho Júnior (PSD), com 5%; Romeu Zema (Novo), com 4%; Ronaldo Caiado (União Brasil), com 3%; e Helder Barbalho (MDB), com 2%. Outros candidatos não passaram de 1%. Indecisos representam 4%, e brancos e nulos, 5%.

A pesquisa ouviu 1.500 eleitores do estado do Rio de Janeiro entre os dias 25 e 26 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06074/2026.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/flavio-supera-lula-entre-eleitores-fluminenses

Cinco vezes em que Lula tomou partido nas eleições de outros países

Lula e Maduro durante visita do ditador venezuelano ao Brasil em 2023 (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

As declarações do presidente argentino Javier Milei durante a convenção do PL no último sábado (25) acertaram em cheio seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como consequência de ter chamado o petista de “ladrão” e “presidiário”, e o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca”, o Planalto – via Itamaraty – convocou o embaixador da Argentina no Brasil para transmitir a “repulsa” pelas declarações.

Em comunicado oficial, a diplomacia brasileira condenou os “impropérios” emitidos pelo líder da Casa Rosada durante visita privada a São Paulo. A base da reclamação, que não apareceu de forma tão explícita, parece ser o fato de um presidente estrangeiro ter tomado posição sobre um adversário de Lula nas eleições de outubro de 2026.

Curiosamente, o próprio Lula não tem o costume de poupar apoios diretos a candidatos em eleições presidenciais de outros países. Seja na América Latina, seja nos EUA, o petista não mediu esforços para apoiar nomes da esquerda – algumas vezes, sem sucesso.

Relembre algumas vezes que o presidente Lula demonstrou apoio a candidatos à presidência em eleições em outros países.

1) Joe Biden (EUA)

Em fevereiro de 2024, Lula disse abertamente que torcia pela reeleição do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais dos EUA. Para Lula, um novo governo Biden poderia garantir “a sobrevivência do regime democrático”.

“Eu espero que o Biden ganhe as eleições. Eu espero que o povo possa votar em alguém que tenha mais afinidade. Eu tenho visto o Biden em porta de fábrica. O discurso do Biden desde o começo até agora é em defesa do mundo do trabalho”, afirmou o chefe do Executivo brasileiro, em uma entrevista à RedeTV.

Naquele ano, o republicano Donald Trump retornaria à Casa Branca após uma disputa nas urnas com a vice de Biden, Kamala Harris. Biden sequer terminou o mandato, consequência do debilitado estado de saúde do agora ex-presidente norte-americano.

2) Gustavo Petro (Colômbia)

Durante um evento com movimentos populares em maio de 2022, Lula até que tentou se conter, dizendo que “não gosta de dar palpite em política de outro país”. Mas a vontade de dar palpite nas eleições alheias foi maior, e o petista acabou puxando um coro, pedindo que o público presente repetisse suas palavras

“Nós, trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, estudantes, representantes de todos os movimentos sociais do Brasil… queremos pedir ao povo trabalhador da Colômbia, aos estudantes da Colômbia, aos movimentos sociais da Colômbia, a todos aqueles que defendem a democracia que no dia da eleição colombiana, no próximo domingo, o povo pudesse votar no companheiro Gustavo Petro para presidente da Colômbia”, comandou o presidente brasileiro.

Pouco tempo após ter sido eleito, Petro viu sua popularidade junto aos colombianos despencar. Nas eleições de 2026, a esquerda foi derrotada nas urnas, e Abelardo de La Espriella, do movimento Defensores da Pátria, foi escolhido como novo presidente eleito.

3) Pepe Mujica (Uruguai)

Assim como já havia feito em 2003, ao apoiar o socialista Tabaré Vázquez, em 2009 Lula voltou a pedir votos dos uruguaios para outro nome de esquerda, o ex-guerrilheiro José “Pepe” Mujica. O porta-voz da recomendação foi o ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra, nome forte no PT gaúcho.

Em um encontro com o candidato uruguaio às vésperas da eleição, Dutra transmitiu as palavras de apoio de seu líder. “Lula tem a certeza de que em um segundo governo da esquerda uruguaia, comandada por Mujica, a relação entre nossos povos será mais produtiva e rica, especialmente na área do Mercosul. Mujica é uma figura emblemática, carismática, capaz de trabalhar na diversidade e pluralidade de ideias e construir consenso”, declarou o político petista.

4) Hugo Chávez (Venezuela)

Em setembro de 2012, movimentos sociais e partidos de esquerda, como PT, PSOL, PCB, MST, UNE e CUT se reuniram para demonstrar apoio à reeleição de Hugo Chávez. O ditador venezuelano vinha se perpetuando no poder desde 1999, e recebeu o apoio do petista quando estava prestes a entrar em uma nova eleição.

Em um vídeo que seria enviado para a coordenação da campanha de Chávez, sob responsabilidade do então marqueteiro do PT, o publicitário João Santana, Lula deu o tom do evento de apoio da esquerda brasileira ao venezuelano. “Chávez, a tua vitória será a nossa vitória”, disse, empolgado, o petista.

O apoio de Lula ao ditador vinha de longa data. Ainda em 2009, Chávez sugeriu a realização de um referendo sobre a possibilidade de implantação de um sistema de reeleição ilimitada para presidente da República e outros cargos do Poder Executivo da Venezuela.

O petista não se furtou a apoiar a decisão. “Chávez é jovem e aguenta um novo mandato”. Lula insistiu em que a questão da reeleição está relacionada “à cultura e à vontade de cada povo”, e fez uma ressalva de que este modelo não seria aplicado no Brasil.

5) Nicolás Maduro (Venezuela)

O ano de 2013 chegou e com ele a notícia da morte de Chávez. Naquele mês de abril, Lula se apressou em gravar um novo vídeo voltado à campanha à presidência venezuelana. Desta vez, o tom foi de homenagem ao ditador morto e também de apoio explícito ao sucessor deixado por Chávez, Nicolás Maduro.

Em uma frágil tentativa de dissimular suas intenções, Lula disse que não desejava “interferir num assunto interno da Venezuela”, como as eleições. Sua fala seria apenas um testemunho “em nome do futuro do país” e “em nome do Mercosul”.

Por fim, no ápice do vídeo, Lula não se conteve. “Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou”, cravou o petista. O vídeo foi exibido em Caracas, no Museu da Revolução, onde se encontra o corpo de Hugo Chávez. O endosso foi agradecido com entusiasmo por Maduro, que usou a peça em sua campanha.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/lula-ja-declarou-apoio-a-candidatos-a-presidencia-de-outros-paises-relembre/

Armínio Fraga critica Lula, mas falta o “mea culpa” sobre apoio em 2022

Em entrevista, Armínio Fraga, que apoiou Lula em 2022, afirmou que não descarta uma recessão em 2027, causada pela política fiscal do petista. (Foto: ChatGPT sobre foto de Antonio Lacerda/EFE)

O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, é um dos economistas mais influentes do Brasil, com vivência extensa no exterior (onde ocupou cargos relevantes) e trânsito nos grandes centros econômicos. Ele acaba de fazer uma análise grave e pessimista sobre a situação da economia brasileira, em forma de entrevista à seção “Páginas Amarelas” da edição mais recente da revista Veja. Sob o título “o quadro é desastroso”, Fraga afirma na entrevista que “a situação fiscal é bastante grave” e que, “embora o governo tenha criado o arcabouço fiscal, ele chutou o pau da barraca logo de cara e os resultados estão aí, na forma de juros altos”. Fraga ainda afirmou não descartar uma recessão em 2027, e por isso tem recomendado às empresas e às pessoas que tomem muito cuidado com as dívidas, preservem o caixa e não peguem empréstimos.

O economista prossegue seu diagnóstico, afirmando que a taxa de investimento como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) continua muito baixa e, “sem isso [uma elevação neste indicador] e sem ganhos de produtividade, o país não vai andar” e “as fragilidades da economia estão crescendo”. Desde 1994, ano do nascimento do Plano Real – que pôs fim à hiperinflação e teve Fraga com um de seus consolidadores –, o crescimento por habitante foi de apenas 1,3%, considerado medíocre para um país que tem renda per capita inferior a US$ 11 mil/ano, um terço da renda do último colocado entre os países desenvolvidos.

Fraga acrescenta que há várias medidas que podem ser tomadas para melhorar as condições econômicas do país. Segundo ele, primeiro é preciso fazer uma reforma importante da Previdência – que, apesar da reforma de 2019, segue deficitária estruturalmente e no longo prazo. Outro problema a ser enfrentado é o da qualidade do Estado, pois nenhum país se desenvolve sem um setor estatal que funcione bem e preste serviços de qualidade à população, pois é daí que surgem ganhos de produtividade.

Ao emprestar sua credibilidade a uma candidatura que já nascera disposta a jogar o Brasil no caos fiscal, economistas como Fraga tornaram-se cúmplices do cenário que agora denunciam

O economista ainda rebate as críticas do governo aos que dizem não haver austeridade fiscal. “Que austeridade fez o governo se o gasto público saiu de um quarto do PIB para um terço nos últimos 40 anos?”, questiona, e ele mesmo responde: “não houve austeridade nenhuma”, defendendo a revisão dos gastos tributários, especialmente na questão dos subsídios e renúncias fiscais, incluindo os estaduais, que chegam a representar 9% do PIB. Faltou a ele, no entanto, dizer que esse mesmo Estado que oferece subsídios e renúncias fiscais já teve carga tributária de 21% em meados dos anos 1970, passou para 25% em meados dos anos 1980, e hoje a carga efetivamente arrecadada atingiu 34% do PIB – ou seja, o governo deu subsídios e renúncias tributárias com uma mão, mas com a outra retirou isso e muito mais por outras vias de aumentos de tributos.

Fraga conclui suas declarações dizendo que “O Brasil precisa passar por uma boa peneirada, porque o quadro geral é desastroso. Uma verdadeira vergonha”; e que “os mais de 80 milhões de brasileiros inadimplentes e as dificuldades das empresas em rolar dívidas são sintomas de problemas no mercado de crédito que costumam anteceder a períodos recessivos” – mas afirma também que “por outro lado, há muito espaço para melhorar em todas as áreas, o que viabilizaria um crescimento acelerado e inclusivo”.

O diagnóstico do economista está bem feito – o problema não é este. Por mais que a polarização política no Brasil tenha empobrecido tremendamente a discussão sobre os grandes temas nacionais, com qualquer crítico ao governo e às políticas públicas sendo rotulado de “inimigo do Brasil”, “oportunista”, “bolsonarista” e outros tantos adjetivos que dispensam Lula, o governo e seus representantes de contestar e apresentar provas em contrário, este definitivamente não é o caso de Armínio Fraga.

Em outubro de 2022, Fraga e outros economistas responsáveis pelo Plano Real endossaram a candidatura de Lula. “Votaremos em Lula no 2º turno; nossa expectativa é de condução responsável da economia”, afirmaram, em nota, Fraga, Edmar Bacha, Pedro Malan e Persio Arida. Os economistas criticavam Jair Bolsonaro, mencionando “ameaças a democracia”, e fazer essa avaliação para rejeitar o então presidente era um direito seu – se estava certa ou errada, pouco importa. Mas, ao afirmar que esperavam uma “condução responsável da economia” da parte de Lula, os “pais do Real” demonstraram uma ingenuidade (para dizer o mínimo) indesculpável, pois o petista já havia manifestado inúmeras vezes que, uma vez eleito, faria do gasto público a tônica de seu governo.

As críticas de Fraga à política econômica de Lula não chegam a ser novas – ainda durante a transição, o ex-presidente do BC já havia dito que as ideias do petista estavam se distanciando daquilo em que ele acreditava; Henrique Meirelles, outro defensor da responsabilidade fiscal que anunciou apoio a Lula após , chegou ao cúmulo de desejar “boa sorte” aos que o ouviram em uma palestra em novembro de 2022. Eles não estão errados nas críticas que fazem; mas erraram, sim, em apoiar uma candidatura que prometia o exato oposto daquilo que eles defendiam, e justificar esse apoio com base em expectativas sem lastro algum na realidade, e que não passavam de wishful thinking – algo inexplicável para pessoas que estão muito longe de serem ignorantes em economia. E ainda erram ao não reconhecer que, ao emprestar sua credibilidade a uma candidatura que já nascera disposta a jogar o Brasil no caos fiscal, tornaram-se cúmplices do cenário que agora denunciam. O diagnóstico certeiro de agora acaba manchado pela ausência de um mea culpa em relação ao que ocorreu em 2022.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/arminio-fraga-criticas-lula-apoio-2022/

Moraes analisará decreto de Lula contestado por risco de censura e impacto sobre startups

Lula, autor dos novos decretos que regulamentam as redes sociais, e Alexandre de Moraes, maior defensor da fiscalização dentro do STF e relator de uma das ações contra as novas regras (Foto: Antonio Augusto/STF)

Entraram em vigor, na semana passada, dois decretos editados em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para regulamentar o monitoramento de conteúdo na internet. As novas regras, no entendimento de empresas do setor de tecnologia, potencializam o risco de censura generalizada nas plataformas e quebradeira nas startups. O tema já é alvo de ao menos duas ações judiciais que buscam suspender e anular as normas.

Os decretos 12.975 e 12.976, publicados em 21 de maio, passaram a valer na última quarta-feira (22). O primeiro amplia a regulamentação do Marco Civil da Internet (MCI), lei aprovada em 2014, mas que no ano passado sofreu forte revisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com a ampliação da responsabilidade jurídica das plataformas pelo conteúdo de usuários.

Em linha com o entendimento da Corte, os decretos impõem deveres mais rígidos às redes sociais para a remoção de publicações presumidamente ilícitas. A principal mudança, derivada da decisão do STF, é que as plataformas responderão judicialmente por conteúdos publicados por usuários a partir do momento em que forem denunciados por qualquer pessoa. O texto original do Marco Civil estabelecia que a responsabilização só ocorria caso o conteúdo julgado ilegal permanecesse no ar após determinação judicial de remoção.

O primeiro decreto de Lula diz que as plataformas poderão ser responsabilizadas diretamente em caso de “falha sistêmica na indisponibilização imediata” de manifestações enquadradas como terrorismo, induzimento ao suicídio, racismo, delitos contra a mulher, exploração sexual infantil, tráfico de pessoas e crimes contra o Estado. Além do “dever de cuidado”, as redes deverão remover postagens específicas assim que forem notificadas de forma privada.

O segundo decreto busca combater o constrangimento moral ou sexual de mulheres no ambiente digital. O texto do Marco Civil de 2014 já previa que cenas de nudez não consentida fossem retiradas de imediato a partir de notificação da vítima ou de seu representante legal — sem necessidade de ordem judicial.

Este decreto fixa prazos rígidos: até duas horas após a notificação para remoção desses conteúdos. Nos casos de “conteúdo manifestamente ilegal” — que caracterize calúnia, injúria, difamação, intimidação, perseguição, ameaça, violência psicológica, doméstica ou política contra a mulher e misoginia —, o prazo é de seis horas. Para os demais casos de violência digital contra a mulher, o limite é de 24 horas.

Ações tramitam na Justiça Federal e no STF

As ações judiciais que contestam os decretos reconhecem a necessidade de combater ilícitos digitais, mas apontam vícios formais. Argumentam que o próprio STF definiu que caberia ao Congresso Nacional, por meio de lei — e não ao Executivo, via decreto —, regulamentar os deveres das plataformas, definir o órgão fiscalizador e fixar os ritos de sanção. O governo, contudo, atribuiu à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a competência para supervisionar as redes.

Os questionamentos apontam ainda que as regras foram baixadas sem debate legislativo ou técnico e antes de o STF concluir a decisão final sobre a matéria — cujos recursos foram julgados em junho. Alegam também que o Executivo criou obrigações não determinadas pela Corte.

A primeira ação partiu da Associação Brasileira de Liberdade Econômica (ABLE), entidade que reúne advogados e economistas. A associação apresentou uma ação civil pública na Justiça Federal de São Paulo para anular os decretos, sustentando que as normas geram insegurança jurídica e prejudicam startups e médias empresas de tecnologia.

Na última terça-feira (21), o juiz federal Luís Gustavo Neves negou o pedido de liminar. A entidade recorreu, e o recurso será analisado pela desembargadora Leila Paiva, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

Em 24 de junho, o Partido Renovação Democrática (PRD) acionou o STF por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), com pedido de liminar. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator e adotou rito célere.

No dia 1.º de julho, solicitou manifestações da Presidência da República, do Congresso Nacional, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Após o recebimento dos pareceres, caberá ao relator solicitar ao presidente do STF, Edson Fachin, a inclusão do processo em pauta.

Riscos regulatórios e censura colateral

A ABLE sustenta que os decretos ferem a Lei de Liberdade Econômica (2019) ao onerar as operações de tecnologia e afastar investimentos. Aponta também a ausência da Análise de Impacto Regulatório (AIR), exigida por lei. Em parecer anexado ao processo, os economistas Luciana Yeung e Willian Pereira apontam riscos de concentração de mercado, elevação de barreiras de entrada e remoção excessiva de conteúdo lícito (“censura colateral”).

A entidade argumenta que os decretos criam obrigações complexas cujos custos só podem ser suportados por grandes corporações globais (big techs, como Meta e Google), que dispõem de escala, infraestrutura e departamentos jurídicos robustos.

“Para startups, pequenas empresas e novos entrantes, o custo de implementar sistemas automatizados e equipes de resposta 24 horas torna-se uma barreira intransponível”, alega a ABLE, ressaltando que as obrigações impostas são uniformes, sem diferenciar o porte ou faturamento das empresas.

Outro risco apontado é a remoção preventiva de conteúdos legítimos. Receosas de multas pesadas ou indenizações decorrentes de denúncias infundadas ou politicamente motivadas, as plataformas tenderiam a apagar qualquer postagem polêmica.

“Os decretos combinam três elementos inadequados: conceitos jurídicos abertos (como ‘violência psicológica’ e ‘ataques coordenados’); prazos exíguos sob pena de ‘falha sistêmica’; e sanções severas geridas pela ANPD. Diante disso, a plataforma, como agente econômico racional avesso ao risco, optará por remover qualquer conteúdo denunciado que apresente mínima dúvida”, argumenta a entidade.

A associação acrescenta que a norma estimula a “captura do mecanismo de notificação” por meio de denúncias em massa (brigading), usadas para silenciar oponentes. Pressionada pelo prazo de 24 horas, a empresa tenderia a remover o conteúdo com base no volume de notificações, e não em sua veracidade.

Atuação da AGU e questionamentos judiciais

Outro ponto criticado é a previsão de que a Advocacia-Geral da União (AGU) possa notificar diretamente as plataformas para remover conteúdos que considere “propaganda enganosa” sobre políticas públicas.

Desde 2023, o órgão realiza essas notificações por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD). Com o decreto, o descumprimento dessas notificações pode sujeitar as redes a punições aplicadas pela ANPD — órgão integrante do próprio governo federal.

“Atribui-se, por decreto, ao advogado do Estado o poder de provocar a retirada de conteúdo sobre a atuação governamental, sem ordem judicial ou contraditório. A medida não consta da tese do STF nem do Marco Civil, criando o risco de que o instrumento seja empregado para suprimir a crítica pública”, diz a ABLE.

Na ADI apresentada ao STF, o PRD acusa o Executivo de invadir a competência privativa do Congresso Nacional ao definir ritos de notificação, os conceitos de “falha sistêmica” e a estrutura de fiscalização. O partido aponta a ampliação indevida das atribuições da ANPD — cuja função legal é a proteção de dados pessoais — e da AGU.

“Ao reservar à AGU a fiscalização sobre informações relativas a políticas públicas, o decreto entrega ao órgão de representação do próprio governo o poder de provocar a remoção de conteúdos críticos, sob um conceito de contornos abertos. O desenho abre flanco para desvio de finalidade e censura indireta, com efeito inibidor sobre o debate público”, conclui a ação do PRD.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/moraes-analisara-decreto-de-lula-contestado-por-risco-de-censura-e-impacto-sobre-startups/

Alexandre Garcia

Alexandre de Moraes não deixa Débora do Batom em paz

Sequência de ocorrências de ausência de sinal de GPS colocaram prisão domiciliar de Débora em risco. Defesa diz que quantidade em curto espaço de tempo é indicativo de falha e pede substituição do equipamento. (Foto: Débora Rodrigues/Arquivo Pessoal / Joedson Alves/Agência Brasil)

Temos mais uma interferência do ministro Alexandre de Moraes no caso da Débora do Batom. Ele está dando prazo para o Serviço de Administração Penitenciária de São Paulo explicar por que a tornozeleira dela volta e meia sai do ar. O sinal não chega. A defesa de Débora já informou que é defeito do equipamento; ela não está foragida, está em casa porque tem de cuidar dos dois filhos. Como vocês sabem, Débora foi condenada a 14 anos de prisão pelo horrível crime de usar um batom na estátua da deusa Têmis, a deusa da justiça, de granito, para escrever uma frase pronunciada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, em Nova York, na rua, para um circunstante que fez uma pergunta para ele. O batom não estragou nada no granito, mas deu 14 anos de prisão.

O interessante nisso tudo é que, como todos sabemos, Débora não tem foro privilegiado no Supremo. O caso dela poderia estar em um juizado de pequenas causas, em que ela fosse condenada, por exemplo, a limpar a estátua ou pagar uma multa de uma cesta básica. Moraes é ministro de corte constitucional, não de tribunal de pequenas causas, nem da primeira instância; no entanto, ele age como um juiz de execuções criminais. Estou dizendo tudo isso animado pela visão da Suprema Corte da Itália, berço do Direito Romano, que estranhou tudo isso – só no Brasil é que já nos acostumamos, apesar de o artigo 5.º da Constituição afirmar que não pode haver tribunal de exceção.

Guerra na Ucrânia ressuscita abate aéreo com fuzil

Estamos vendo coisas na guerra da Ucrânia que nunca tínhamos visto em uma guerra convencional, ou então que considerávamos extintas há um bom tempo. Vi um militar ucraniano dentro de um Yak-52 – um avião a hélice, dos tempos soviéticos – caçando e abatendo drones, com o cockpit aberto e atirando com seu fuzil. Isso é coisa da Primeira Guerra Mundial (que chamavam de Grande Guerra, antes de vir a Segunda Guerra Mundial), em que os ases franceses, alemães e, depois, ingleses voavam em biplanos e atiravam uns nos outros com fuzis, até que desenvolvessem um sistema em que a metralhadora ficava atrás da hélice, mas não a acertava com os tiros; antes disso, também colocavam a metralhadora sobre a asa superior. E agora voltaram a usar esse expediente para abater drones, que são uma arma muitíssimo eficaz nas guerras modernas, principalmente porque não envolve pessoas.

Keiko Fujimori toma posse no Peru nesta terça

Nesta terça-feira Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, toma posse como presidente do Peru. Ela já anunciou que a sua política econômica será liberal, de mercado, com ênfase na iniciativa privada e no desenvolvimento. Com ela também ressurge o sistema bicameral, que tinha sido abolido: o Peru volta a ter Câmara e Senado. Há lugares em que o parlamento é unicameral; em Portugal, por exemplo, existe a Assembleia da República; o Senado parou de funcionar há 100 anos; se um dia for ressuscitado, o espaço será ocupado. Keiko Fujimori deve terminar uma obra do pai, que fez uma limpeza no Sendero Luminoso, naqueles grupos de extrema-esquerda revolucionários que queriam implantar o marxismo no Peru. Por isso ela ganhou a eleição. Javier Milei deve estar presente à posse.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/alexandre-de-moraes-debora-do-batom-tornozeleira/

José Fucs

Lula ataca “interferência externa”, mas sempre abraçou seus “companheiros” lá fora

Lula não poupou apoios a nomes da esquerda, de Joe Biden aos ditadores venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Com a campanha eleitoral ganhando tração, o presidente Lula mostra mais uma vez que, para ele e o PT, as eleições não passam de um grande teatro para a propagação das narrativas criadas pelo Planalto e pelo partido. Afinal, como disse a ex-presidente Dilma Rousseff, eles podem “fazer o diabo” para obter a vitória nas urnas.

Diante do apoio de líderes internacionais ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, como os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, além do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a narrativa da hora é posar de vítima de uma suposta interferência externa, que estaria ocorrendo ou que poderá ocorrer no pleito de outubro, em benefício da oposição.

Em meados de junho, no encerramento da reunião do G-7 na França, Lula já havia mandado um recado a Trump para que ele “não se meta nas eleições no Brasil”. Agora, aproveitando a presença de Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio e a decisão do Itamaraty de negar vistos a dois funcionários do governo americano que queriam se reunir com autoridades eleitorais no país, ele retomou a ladainha, com o jeitinho “carinhoso” que encarnou após abandonar o papel do “Lulinha paz e amor”, encenado no passado recente.

“Quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar (sic) muito aqui. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou Lula no evento de lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, no sábado, 25 de julho.

Forças alienígenas

Como é característico de sua atuação política e do PT, de querer reescrever a história com suas narrativas, o presidente fala como se o recebimento de apoio externo por um candidato à Presidência representasse uma tentativa espúria de intervenção de forças alienígenas no pleito. Fala também como se ele mesmo e o PT não tivessem apoiado ao longo do tempo, de todas as formas possíveis, candidatos da esquerda em vários países da América Latina.

Em 2022, segundo denúncias realizadas em depoimento na Câmara dos Deputados por Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, houve forte interferência do governo democrata de Joe Biden nas eleições brasileiras. De acordo com Benz, a intervenção ocorreu por meio da Usaid (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional), da CIA (agência de inteligência americana) e de outras organizações, para favorecer Lula e prejudicar o ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito.

Biden apoiou, conforme Benz, a construção de uma rede de censura contra vozes conservadoras e de direita, disfarçada de “combate à desinformação”, e aumentando de forma considerável a injeção de recursos nas chamadas agências de checagem, em sindicatos, universidades e até em grupos de comunicação, para dar suporte ao STF e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na remoção de conteúdos das redes sociais.

Em 2025, em evento empresarial realizado em Nova York, o próprio ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE Luís Roberto Barroso admitiu que o governo Biden teve participação ativa nas eleições de 2022 no Brasil, em defesa, segundo ele, da manutenção do regime democrático.

“Tivemos um decisivo apoio dos Estados Unidos à institucionalidade e à democracia brasileira em momentos de sobressalto”, disse Barroso na ocasião. “Eu mesmo, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, estive com o encarregado de negócios americanos muitas vezes. Mas, em três vezes, pedi declarações dos Estados Unidos de apoio à democracia brasileira, uma delas do próprio Departamento de Estado. Acho que isso teve algum papel, porque os militares brasileiros não gostam de se indispor com os Estados Unidos, porque é aqui que obtêm os seus cursos e os seus equipamentos.”

Marqueteiros do PT

Além do apoio recebido de Biden, ao ser alçado a “arauto da democracia” no país, em oposição ao suposto risco representado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político, Lula sabe bem o que é “interferir” na campanha eleitoral dos outros para beneficiar a “companheirada”. Não só de forma direta, mas também por meio da máquina do PT e do apoio de marqueteiros ligados a ele e ao partido.

Entre 2003 e 2014, João Santana, principal marqueteiro do PT na época, atuou em campanhas de esquerda por toda a América Latina – na Argentina, na Venezuela, no Peru, na República Dominicana e em El Salvador. Como revelaram depois as investigações da Lava Jato, parte do financiamento das operações internacionais de Santana veio da Odebrecht, que realizava obras de infraestrutura na região financiadas pelo BNDES e custeava parte de seu trabalho, realizado em parceria com sua mulher Mônica Moura, presos em 2016 por receber recursos por meio de uma offshore ligada à empreiteira.

Na Argentina, nas eleições de dezembro de 2023, quando as coisas pareciam difíceis para o candidato peronista Sergio Massa, Lula enviou os marqueteiros do PT para tentar ajudá-lo a vencer Milei – sem sucesso, como se viu depois. Integrantes do governo brasileiro e lideranças do PT também fizeram sucessivas declarações de que a vitória de Milei seria um “risco para o Mercosul”, usando a estrutura do governo federal brasileiro como ferramenta de pressão na campanha argentina.

Em maio daquele ano, Lula já havia recebido Massa e o então presidente da Argentina, Alberto Fernández, em Brasília. Na época, assumiu o compromisso de buscar uma solução financeira para reforçar as reservas internacionais do país, com a liberação de um financiamento bilionário do Banco do Brics, já sob a presidência de Dilma. No fim, o “papagaio” não saiu, porque era algo que nem estava previsto no estatuto do banco, e Lula buscou outras opções para tentar evitar a vitória de Milei.

No auge da campanha, em agosto de 2023, a então ministra do Planejamento, Simone Tebet, deu seu aval a um empréstimo de US$ 1 bilhão do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), apesar de a Argentina já ter atingido seu limite de crédito. Na ocaisão, Lula foi acusado de ter pressionado Tebet a autorizar o negócio, viabilizado com garantias do Tesouro Nacional e anunciado numa entrevista coletiva conjunta entre Massa e Haddad, então ministro da Fazenda, embora oficialmente o governo tenha alegado que o empréstimo tinha embasamento técnico, para “ajudar a Argentina a enfrentar a escassez de reservas”.

Socialismo bolivariano

O mesmo Lula que hoje se coloca como vítima da “interferência externa” no Brasil também utilizou a estrutura do governo para influenciar o FMI (Fundo Monetário Internacional) a liberar um empréstimo de US$ 7,5 bilhões aos “hermanos”, além de ter anunciado, em visita oficial à Argentina, que o BNDES financiaria a construção do gasoduto de Vaca Morta, cuja operação plena deve garantir a autossuficiência energética ao país.

Na eleição de 2019, não foi diferente. Quando Fernández era o candidato peronista à presidência, Lula lhe enviou cartas de apoio da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde estava preso. Não por acaso, Fernández veio visitá-lo na cela da PF logo após sua vitória. Antes, na eleição de 2015, Lula já havia ido a Buenos Aires para subir no palanque com a então presidente Cristina Kirchner e seu candidato, Daniel Scioli, atacando os adversários, para evitar a vitória do candidato anti-peronista, Mauricio Macri, que acabou vencendo o pleito.

Como a Argentina, a Venezuela é um caso emblemático da “interferência” de Lula e do PT em eleições latino-americanas para ajudar candidatos da esquerda. Na reta final da eleição presidencial de 2012, Lula gravou um vídeo para a campanha na TV de Hugo Chávez, morto em 2013, criador do famigerado “socialismo bolivariano”.

“Chávez, conte comigo. Conte conosco, do PT. Conte com a solidariedade e o apoio de cada militante de esquerda, de cada democrata e de cada latino-americano. Sua vitória será a nossa vitória”, dizia Lula. “Sob a liderança de Chávez, o povo venezuelano teve conquistas extraordinárias. As classes populares nunca foram tratadas com tanto respeito, carinho e dignidade.”

Na eleição presidencial de 2013, após a morte de Chávez, Lula repetiu a dose ao gravar um vídeo apoiando explicitamente a candidatura de Nicolás Maduro, seu sucessor. “Maduro tem a mesma visão de mundo de Chávez e foi uma das figuras centrais na construção da nova Venezuela”, afirmava Lula na gravação. “Chávez e Maduro tinham exatamente as mesmas ideias sobre os desafios da América Latina. Maduro presidente é a Venezuela que Chávez sonhou.”

“Briga normal”

Mais recentemente, em 2024, em meio às denúncias de fraudes perpetradas por Maduro nas eleições presidenciais, Lula jogou parado, para favorecer o ditador venezuelano. Na prática, ele nada fez para pressionar Maduro a apresentar as atas eleitorais que lhe conferiram a vitória oficialmente, evitando classificar abertamente o país como uma ditadura ou aplicar sanções contra o regime.

Ao contrário. A direção nacional do PT e o próprio presidente Lula procuram minimizar as denúncias de fraude. Em declarações à imprensa, Lula classificou as contestações ao resultado oficial do pleito como “nada de grave” e uma “briga normal”. A nota do PT publicada logo após a eleição, saudou a “jornada eleitoral pacífica e democrática” e chancelou a reeleição de Maduro antes mesmo de qualquer checagem ou publicação das atas.

Além da Venezuela e da Argentina, Lula e o PT ainda atuaram para beneficiar aliados que disputavam a presidência pela América Latina afora. Na Colômbia, em 2022, dias antes do primeiro turno das eleições, Lula gravou um vídeo no qual apoiava a campanha do ex-guerrilheiro Gustavo Petro, que acabou se tornando o primeiro presidente de esquerda do país.

No Chile, em 2021, gravou outro vídeo, no qual pedia votos para o candidato da esquerda, que também acabou vencendo o pleito. “Votem no Gabriel Boric e ajudem o Chile a fazer parte do bloco de governos progressistas da América do Sul”, afirmava Lula em sua mensagem.

Na Bolívia, em 2014, na campanha para o 3º mandato do então presidente Evo Morales, Lula discursou ao seu lado em Santa Cruz de la Sierra, elogiando o modelo social boliviano e falando que sua continuidade no governo era fundamental para a “integração da América Latina”. Em 2005, duas semanas antes das eleições, Lula já havia declarado que a vitória de Evo seria “extraordinária” e comparou seu impacto à eleição de Hugo Chávez na Venezuela.

O presidente brasileiro e o PT ainda atuaram no apoio a candidatos de esquerda em pelo menos mais cinco países latino-americanos: Uruguai, Paraguai, Equador, Panamá e Honduras. Em vários casos, depois da posse de seus “companheiros”, quando eles chegaram à vitória nas urnas, Lula ainda procurou facilitar suas vidas, como na renegociação dos preços da energia produzida em Itaipu feita com o Paraguai e na nacionalização de ativos da Petrobras por Morales na Bolívia, quando abriu mão da indenização que caberia ao Brasil.

Para quem teve o apoio do governo Biden em 2022 e nunca poupou esforços para apoiar sua turma na América Latina, recorrendo até à Odebrecht e a marqueteiros amigos, Lula e o PT não têm moral para questionar o apoio de Trump, Milei e Netanyahu a Flávio Bolsonaro ou de qualquer governante do exterior a quem quer que seja. Mas, para eles, em linha com a frase infame de Dilma Rousseff, vale tudo na eleição. O que conta são as narrativas. Só resta para a oposição desconstruí-las com os fatos e – se o jogo for esse mesmo – criar suas próprias versões para eles.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/lula-ataca-interferencia-externa-mas-sempre-abracou-seus-companheiros-la-fora/

O Brasil não está condenado

No vídeo anterior, o presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, descreveu a “crise da alma” que assola o Brasil e suas três dimensões, mas também lembrou que há saída. Hoje, ele mostra exemplos que nos dão esperança e desmentem o discurso de que o Brasil está irremediavelmente condenado a ser sempre assim: cidades que eliminaram o crime, países que deram saltos econômicos apenas com reformas estruturais, e avanços registrados também no próprio Brasil.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/brasil-nao-esta-condenado-exemplos/

Quaest vira alvo de ironias após apontar Indecisos como ‘favoritos’

Bo Rio de Janeiro de Eduardo Paes, os Indecisos seriam 64%, na pesquisa “espontânea” da Quaest para presidente – Foto: Thomaz Silva/ABr.

Sempre muito atencioso com o governo Lula (PT), o Quaest virou motivo de gozação em grupos de especialistas em pesquisas, que fazem piada com o “favoritismo de um Sr. Indecisos”. No Pará (reg. PA-04548/26), os indecisos somam 26%, à frente de Hana Ghassan (MDB), 24%; Daniel Santos (Podemos), 20%; e correndo por fora 13% de brancos, nulos e “não vai votar”. Na espontânea do RJ (reg. 02671/26), Flávio Bolsonaro (PL) lidera, e indecisos seriam improváveis 64% em briga tão polarizada. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Desse jeito, periga o Quaest não tirar boa nota do TSE, que premiará as pesquisas cujos números mais se aproximem dos votos apurados.

Ironias à parte, especialistas advertem para o caso do Pará, que consideram irreais os 39% de indecisos, brancos, nulos e “não vai votar”.

No Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes é o favorito, a Quaest de julho crava até 37% de indecisos somados a branco, nulo e “não vai votar”.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/uncategorized/quaest-vira-alvo-de-ironias-apos-apontar-indecisos-como-favoritos

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