“Penduricalhos” são imoralidade que mata credibilidade do Judiciário e do MP

Mesmo sem os penduricalhos, juízes e membros do MP já estão no topo da pirâmide socioeconômica brasileira. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT e Google Flow/Gazeta do Povo)

No fim de junho, o Supremo Tribunal Federal validou de vez o pagamento de “penduricalhos” a membros do Judiciário e do Ministério Público, em uma clara violação do teto constitucional, que atualmente é de cerca de R$ 46 mil. A decisão causou grande aversão entre os cidadãos – uma pesquisa Datafolha mostrou que 83% dos brasileiros reprovam os supersalários e defendem o resgate da autoridade do teto constitucional. E essa indignação existe não apenas porque os penduricalhos representam uma enorme ilegalidade, mas especialmente porque a decisão e as circunstâncias em que ela foi tomada expõem o que é uma verdadeira imoralidade.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a remuneração média de um magistrado brasileiro – ou seja, de todos os juízes do país, dos recém-ingressados àqueles às portas da aposentadoria – já ultrapassa o teto constitucional. Há casos individuais de juízes que receberam mais de R$ 400 mil em um único mês graças a retroativos, e são numerosos os estados em que os pagamentos a dezenas de magistrados ultrapassam os R$ 100 mil e mesmo os R$ 200 mil por meses a fio. Não se trata de um supersalário esporádico, mas de valores exorbitantes pagos por vários meses.

Não há justificativa para salários desse montante no serviço público. Sob qualquer ângulo, são valores absurdos. E, como afirmamos anteriormente, não apenas porque eles desrespeitam grotescamente a regra constitucional, mas principalmente por revelarem uma grave crise moral.

Quando se olha para a insistência de parte da magistratura e do MP no pagamento dos penduricalhos e para a retórica usada em defesa dessa remuneração, é fácil constatar uma crise moral

Nesta crise, pessoas em princípio honestas, inteligentes e bem formadas deixam de perceber que algo profundamente injusto está acontecendo, sobretudo quando elas são as beneficiárias diretas de tal injustiça. E nos parece que é exatamente isso o que ocorre quando se olha para parte importante da magistratura e do Ministério Público brasileiros, para sua insistência no pagamento dos penduricalhos e para a retórica que utilizam em defesa dessa remuneração – como não recordar, a esse respeito, a desembargadora paraense que falou em “regime de escravidão”?

A desproporção e o absurdo dessas remunerações são evidentes. A começar, porque o teto constitucional já é muito generoso: pouco mais de 12 vezes e meia o rendimento médio de um trabalhador brasileiro (que é de R$ 3.722, segundo o IBGE) – um ministro de tribunal superior alemão ou suíço recebe seis vezes a média dos trabalhadores de seus países, a título de comparação. Qualquer juiz brasileiro já pode se considerar no topo do topo da pirâmide socioeconômica nacional. É verdade que a estrutura das carreiras da magistratura e do MP já tem uma distorção que antecede os penduricalhos: salários iniciais para juízes recém-aprovados em concurso que já correspondem a quase 80% do teto constitucional, quando o ideal seria uma remuneração na casa dos R$ 15 mil a R$ 20 mil para o início de carreira – o que já é muito para a realidade brasileira, recorde-se; na iniciativa privada, tais salários são pagos a profissionais em cargos de liderança e anos de experiência. Salários iniciais em patamares mais razoáveis possibilitariam uma progressão gradual até o teto de R$ 46 mil. Admita-se o possível desestímulo quando um profissional, acostumado desde cedo a um padrão de vida muito acima da média dos brasileiros, sabe que, ao longo de décadas, não verá seu salário subir tanto quanto gostaria. Surge, então, a pressão por formas de se ultrapassar o teto constitucional.

Outra fonte de pressão é o acúmulo de trabalho. Se um juiz responde por duas varas ao mesmo tempo, ou acumula uma função além daquela assumida ao tomar posse, isso poderia, no limite, justificar uma remuneração adicional. Dentro da magistratura, no entanto, o meio de burlar o teto constitucional foi atribuir caráter indenizatório ao pagamento pelo trabalho adicional, como se esses valores reparassem um dano, em vez de remunerar trabalho. Uma indenização, como o próprio nome diz, repara prejuízos, mas neste caso não há prejuízo algum a reparar: no máximo, há trabalho a mais, cuja remuneração precisa se manter dentro do limite constitucional.

E isso nos leva à pergunta crucial àqueles que tanto insistem na violação do teto constitucional por meio dos penduricalhos: não é moralmente incoerente (e não apenas tecnicamente questionável) que as mesmas instituições responsáveis pela fiscalização do uso do dinheiro público e por combater os desvios criem, para si mesmas, mecanismos de captação de recursos públicos que burlam exatamente o tipo de limite que deveriam fazer cumprir para os outros? Não é moralmente incoerente que sejam os próprios membros do Judiciário, por meio do Conselho Nacional de Justiça, a decidir sobre a suposta legalidade dos penduricalhos, um privilégio que não existe no setor privado?

A justiça distributiva exige dois tipos de proporcionalidade: entre o que a sociedade arrecada e o que se paga a diferentes categorias de servidores; e entre essa remuneração e a realidade salarial da própria população que a financia. Ainda que os pagamentos a juízes e membros do MP sejam definidos por quem tem competência legal para fazê-lo, isso não os torna justos. Quando esses servidores recebem valores desproporcionais e sem a menor razoabilidade em relação à sociedade que paga a conta, há injustiça. Não há como classificar de outra forma o fato de o rendimento médio do trabalhador brasileiro ser de R$ 3.722, enquanto o Brasil tem mais de 50 mil servidores recebendo acima do teto constitucional, muitos deles acima de R$ 100 mil reais, a um custo de R$ 20 bilhões por ano.

Se até nas carreiras encarregadas de proteger a Constituição a percepção do justo pode ser anestesiada quando o interesse próprio entra em cena, estamos diante de uma corrosão silenciosa da consciência moral coletiva

Como é possível que isso tenha deixado de causar constrangimento? Em que momento uma categoria inteira deixou de sentir o peso moral dessa desproporção? Como associações representativas conseguem realizar eleições em que a promessa de ampliar esses benefícios se torna um dos principais critérios de escolha de seus dirigentes? Não deveria ocorrer exatamente o contrário? Não deveriam surgir, de dentro dessas próprias categorias, vozes dizendo que isso não é compatível com a missão institucional que juízes e membros do MP exercem? Eis o aspecto mais preocupante envolvendo os penduricalhos: o silêncio quase geral dentro de carreiras encarregadas de proteger a Constituição, fiscalizar a legalidade e realizar a justiça. Se até nelas a percepção do justo pode ser anestesiada quando o interesse próprio entra em cena, estamos diante de algo maior que um problema orçamentário: uma corrosão silenciosa da consciência moral coletiva.

Magistrados e membros do MP precisam parar e olhar para esses argumentos e esses números, inclusive comparativos, como se os estivessem vendo pela primeira vez – e não como beneficiários, mas como cidadãos. Eles defenderiam esse mesmo sistema caso não fossem seus beneficiários? Aceitariam os mesmos argumentos vindos de qualquer outra categoria do funcionalismo público? E, sobretudo: esse modelo fortalece ou enfraquece a autoridade moral das instituições às quais eles dedicam a vida?

As instituições brasileiras precisam recuperar sua credibilidade, e nenhuma recuperação será completa enquanto aqueles chamados a realizar a justiça não voltarem também a ser reconhecidos como exemplo de justiça no que diz respeito aos próprios interesses.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/penduricalhos-imoralidade-credibilidade-judiciario-mp/

Lula evita greve nas estradas com MP do Frete, mas não reconquista caminhoneiros

MP do Frete é aprovada no Senado e governo Lula não deve ter muito a comemorar. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A aprovação da Medida Provisória 1.343/2026, a MP do Frete, pelo plenário do Senado na terça-feira (14), evitou uma crise iminente para o governo, que temia uma nova paralisação nas estradas pela insatisfação dos caminhoneiros com o preço do diesel.

Apesar do alívio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não alcançou o objetivo eleitoral da medida: reconquistar a categoria que, em 2022, protagonizou bloqueios em rodovias em protesto contra a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na tramitação no Congresso, o texto ganhou um dispositivo que Lula prometeu vetar: o perdão para as multas aplicadas aos caminhoneiros que participaram dos bloqueios. Por causa disso, o petista deve perder mais votos do ganhar com a medida.

A MP foi editada em março por Lula em resposta ao aumento no preço do diesel, decorrente da alta no petróleo pela guerra no Irã, e de queixas da categoria. A norma estabelece valores mínimos para o transporte de cargas.

No Legislativo, porém, representantes do agronegócio rejeitaram a criação de uma tabela de preços, interpretando-a como intervenção estatal que contraria a lógica da oferta e da procura. Representantes das empresas de transporte alertaram para a insegurança jurídica gerada pelas penalidades severas previstas para quem descumprir os valores do piso.

Por fim, o dispositivo que anistia multas aplicadas a caminhoneiros por bloqueios de 2022 transformou a medida num campo minado político para Lula.

A anistia foi incluída pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC) durante a análise do texto na Comissão Mista do Congresso. Os defensores do dispositivo argumentam que o caráter educativo das punições já foi cumprido e que mantê-las apenas prolongaria um clima de perseguição política.

“O projeto busca anular multas aplicadas em 2022. Entendo que o caráter pedagógico dessas multas já foi alcançado. Manter essa injustiça passaria uma ideia de vingança, o que não contribui em nada para a sociedade”, disse o senador Styvenson Valentim (Podemos-AC), durante a sessão do Senado que aprovou a MP do Frete.

O PT já sinalizou o veto. Durante a discussão da MP no Senado, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), confirmou que a anistia será excluída da medida pelo Planalto. “O compromisso que vai ser assumido pelo governo é esse dispositivo, que está sendo reivindicado pela oposição à alteração, ser vetado. Esse certamente vai ser objeto de veto”, afirmou.

Zé Trovão, por sua vez, garantiu à Gazeta do Povo que a oposição não vai recuar, que os esforços serão direcionados para derrubar o veto de Lula no Congresso Nacional. “Se o presidente Lula decidir vetar esse trecho, vamos respeitar o processo constitucional, mas trabalharemos no Congresso pela derrubada do veto. A defesa da categoria não termina com a aprovação da MP; ela continua em todas as etapas do processo legislativo”, disse.

A pressão que forçou a votação foi protagonizada pelos próprios caminhoneiros. Na segunda-feira (13), representantes da categoria provocaram lentidão nos acessos ao Porto de Santos (SP) como forma de advertência ao Senado.

A MP perderia validade em 16 de julho. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), se viu diante de uma escolha incômoda: votar uma medida do governo Lula, com quem mantém atrito declarado, ou assumir a responsabilidade numa eventual paralisação nacional.

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, foi direto ao ponto em vídeo publicado nas redes sociais: “O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome”, disse, dirigindo-se a Alcolumbre.

Alcolumbre transfere risco para Lula

O presidente do Senado escolheu votar a MP. A decisão, porém, não foi um gesto de aproximação com o Planalto, foi uma jogada de transferência de risco. Ao pautar a MP do Frete, Alcolumbre devolveu ao governo a responsabilidade sobre o que vem a seguir: a sanção de medida, que desagrada o agronegócio, impõe penalidades severas ao setor de transportes e carrega um dispositivo de anistia que o próprio PT prometeu vetar. Alcolumbre jogou a bomba de volta no colo de Lula.

A leitura dos especialistas é que o governo Lula construiu uma armadilha para si mesmo. A MP do Frete foi concebida para aproximar o Planalto de uma categoria simpática ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O que deveria ser uma ponte eleitoral com os caminhoneiros, no entanto, tornou-se um texto que, ao mesmo tempo, irrita os produtores rurais, incomoda as empresas contratantes de frete e frustra parte da própria categoria que pretendia seduzir justamente no ponto mais simbólico: o perdão das multas aplicadas em 2022.

“Lula sabe que dificilmente obterá votos da categoria. O que ele pretende evitar é uma greve que possa prejudicar a economia durante a campanha. Nesse contexto, o governo tende a negociar para encontrar uma saída que atenda a todos: agro, caminhoneiros e parlamentares”, avalia Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria.

Para Juan Carlos Arruda, diretor do Ranking dos Políticos, o governo errou ao deixar a tramitação da MP escorregar para o terreno político sem controle sobre o resultado.

“O governo tentou se reaproximar de uma categoria estratégica, tanto pelo peso econômico quanto pela capacidade de mobilização, oferecendo maior proteção ao valor do frete. No entanto, a inclusão da anistia às multas dos bloqueios de 2022 colocou o presidente diante de uma escolha politicamente difícil: sancionar um dispositivo contrário à posição histórica do próprio governo ou vetar uma demanda com forte apelo entre parte dos caminhoneiros”, explica.

Mas se sancionar a medida sem a anistia, Lula confirma, aos olhos dos caminhoneiros, que o perdão prometido pela oposição vale mais do que o benefício econômico oferecido pelo PT. O voto que a MP deveria render pode ser exatamente o que o veto vai custar.

Entenda o conteúdo da MP do Frete aprovada pelo Senado

A Medida Provisória 1.343/2026 reestrutura o arcabouço regulatório do transporte rodoviário de cargas em território nacional, endurecendo as regras de fiscalização e estabelecendo novos parâmetros de preços e punições. Abaixo, destacamos os três principais pilares do texto aprovado pelo plenário:

1. Regulamentação da tabela de preços e o Piso Mínimo

A MP restabelece e detalha as regras de aplicação da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM), instituída originalmente após a greve de 2018. A nova regulamentação determina que:

  • Cálculo de custos: A planilha de preços mínimos deve considerar variáveis obrigatórias, como o óleo diesel, custos com pedágio, depreciação do veículo, quantidade de eixos, distância percorrida e a tipicidade da carga transportada (carga geral, granel, frigorificada, perigosa, entre outras).
  • Atualização periódica: A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) fica encarregada de atualizar os valores da tabela semestralmente, ou sempre que houver oscilação igual ou superior a 5% no preço do óleo diesel no mercado nacional.

2. Sanções severas e aplicação de multas

Para garantir a eficácia do piso mínimo e coibir o descumprimento dos valores fixados, o texto aprovado estabelece penalidades severas para os contratantes do serviço de transporte:

  • Multas para embarcadores e transportadoras: Quem contratar o serviço de frete por valores inferiores ao piso mínimo estipulado pela ANTT estará sujeito a multas administrativas que variam de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, de acordo com a capacidade econômica do infrator e a reincidência da conduta.
  • Fiscalização simplificada: A ANTT terá prerrogativa para lavrar autos de infração e aplicar as multas de forma célere pela via administrativa, reduzindo a necessidade de judicialização para fazer valer a tabela de preços.

3. A polêmica anistia das multas de 2022

Incluído por iniciativa parlamentar, o artigo prevê o perdão irrestrito de todas as sanções aplicadas a caminhoneiros autônomos e transportadoras em razão dos bloqueios de rodovias federais ocorridos logo após o segundo turno das eleições presidenciais de outubro de 2022.

Escopo do perdão: A anistia cobre multas de trânsito de natureza administrativa emitidas pela PRF e penalidades acessórias associadas às manifestações. É exatamente este o dispositivo que o presidente Lula prometeu vetar, sob o argumento de que a anistia compromete a autoridade do Estado de Direito e a integridade da malha viária brasileira.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-evita-greve-nas-estradas-com-mp-do-frete-mas-nao-reconquista-caminhoneiros/

Alexandre Garcia

Ingleses não gostaram de faixa sobre Malvinas exibida por jogadores argentinos

Governo britânico alegou que exibição da faixa sobre as Malvinas desrespeitou regra da Fifa de vetar manifestações políticas em suas competições (Foto: Will Oliver/EFE/EPA)

Os ingleses se queixaram da faixa aberta ao fim do jogo que terminou em 2 a 1 para a Argentina, dizendo “Las Malvinas son Argentinas”. Mais do que isso, a festa em Buenos Aires foi uma festa política. Os argentinos aprendem desde criancinhas na escola que “as Malvinas são argentinas”. Foi isso que o bêbado Galtieri tentou, invadindo as ilhas, e acabou derrotado. A guerra durou dois meses, matou muita gente e não adiantou nada, mas o desejo de retomar as ilhas permanece.

É como se uma nação europeia estivesse ocupando Fernando de Noronha, pertinho de nós, embora a história seja um pouquinho diferente. Fernando de Noronha sempre esteve do lado português; já as Malvinas começaram francesas – o nome original era “Malouines” –, depois houve interferências de Espanha, Reino Unido e Argentina, e por fim os ingleses tomaram conta.

Mas a Inglaterra devia agradecer, porque os argentinos descarregaram no futebol essa gana de retomar as Malvinas. A pressão da panela diminuiu, graças ao futebol. Quem dera as guerras todas fossem resolvidas em um campo de futebol. Na quarta-feira tivemos o aniversário da nossa derrota no Maracanã, em 1950: 2 a 1 para o Uruguai, que se tornou bicampeão do mundo – já tinha vencido a primeira Copa, realizada lá no Uruguai mesmo, e que foi jogada toda em Montevidéu.

Procurador quer explicações sobre aumento da mistura de etanol na gasolina

E, assim como os argentinos reivindicam o direito sobre as ilhas, os proprietários de automóveis, que pagam caro pelo combustível, têm direito a receber um produto não adulterado. Mas a gasolina que está nas motos e carros brasileiros passará a ter 32% de etanol em agosto. Ou seja, de cada três litros que abastecemos, só dois são de gasolina. Isso é vergonhoso, um desrespeito muito grande. A decisão foi do Conselho Nacional de Política Energética, para dar mais força para o etanol. No entanto, o máximo possível é 11%; na Europa, é 10%.

Insisto nisso porque um procurador do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, está pedindo que o CNPE comprove que essa mistura não faz mal para o carro nem para o bolso do proprietário do veículo. Dizem que fizeram testes, mas que testes? A mistura ficou quanto tempo dentro de um tanque de gasolina? Seis meses, um ano? Óbvio que não. O motor ficou funcionando por quanto tempo? Deu tempo para entupir os injetores, para afetar o sistema eletrônico de distribuição? Deu tempo de verificar os anéis, os cilindros, os pistões? É óbvio que não.

O Brasil está sendo tarifado, inclusive, por nossa política de exportação de etanol. O programa do álcool é uma maravilha, mas é preciso respeitar a população. Não é possível enfiar goela abaixo dos proprietários de automóveis qualquer mistura com gasolina para um motor que foi feito para um máximo de 11% de etanol. Imaginem os carros importados, ou os carros mais antigos. 

Eleitor precisa parar de pensar só em nomes e analisar o que cada um está fazendo

A eleição está quase aí e as pessoas não se informam sobre o que está acontecendo. Vejamos os dois principais candidatos: Flávio Bolsonaro, quem é? As pessoas sabem quem é ele realmente, o que está fazendo? E Lula, quem é? O governo dele está aí, exposto. Só neste ano, temos lojas C&A fechando, Pão de Açúcar com alto prejuízo, Land Rover fechando fábrica, a construção civil sentindo, rombo nas estatais, fuga de empresas para o Paraguai, recordes de recuperação judicial, inadimplência crescendo tanto nas famílias como nas empresas, endividamento público nas alturas. Por causa disso é preciso manter os juros altos, do contrário ninguém compra os papéis do governo. Cada vez mais desempregados – mas dizem que o desemprego está baixo, porque só é considerado desempregado quem está procurando emprego; quem recebe Bolsa Família não é desempregado. Essas coisas estão bem diante de nós, e o eleitor precisa se informar antes de ficar fixado apenas em nomes, sem examinar o que eles fazem. É preciso pensar no futuro de seus filhos, no que vai acontecer nos próximos quatro anos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/malvinas-argentina-inglaterra-copa-do-mundo/

Por que o tarifaço dos EUA virou o centro da disputa entre Lula e os Bolsonaro?

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: para o americano, Lula colocou o ego à frente do interesse nacional. (Foto: EFE/EPA/SHAWN THEW/Octavio Guzmán)

O governo Lula intensificou o discurso eleitoral após os EUA anunciarem sobretaxas às exportações brasileiras. O Palácio do Planalto culpa a família Bolsonaro pela crise, enquanto a oposição aponta falhas diplomáticas na relação bilateral com a administração de Donald Trump.

O que é o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos?

Os Estados Unidos decidiram aumentar impostoscobrados sobre produtos brasileiros que entram no país, medida que afeta cerca de 25% das nossas exportações para lá. Isso encarece o produto do Brasil no mercado americano e prejudica empresas nacionais. O governo brasileiro reagiu afirmando que usará leis de reciprocidade, ou seja, também poderá taxar produtos americanos em resposta, o que preocupa especialistas pelo risco de uma guerra comercial.

Como o governo Lula está usando esse tema politicamente?

O presidente Lula transformou o impasse econômico em uma bandeira de campanha para a sucessão de 2026. Ele adotou slogans como “O Brasil é dos brasileiros” e acusa a família Bolsonaro de “entreguismo”. Na visão do governo, os opositores estariam colaborando com o governo Trump para prejudicar o país por interesses eleitorais próprios e para evitar a prisão de Jair Bolsonaro.

Quem são os principais alvos das críticas governistas?

O foco principal é o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e principal concorrente de Lula no momento. Ministros e aliados petistas também cobram posicionamentos de figuras como o governador Tarcísio de Freitas. O governo tenta colar na oposição a imagem de “traidores da pátria” que estariam pedindo sanções contra a própria economia brasileira.

Qual é a versão de Flávio Bolsonaro sobre a crise?

Flávio Bolsonaro nega ter estimulado as taxas e afirma que sua atuação em Washington buscou justamente o contrário: pedir que as empresas brasileiras não fossem punidas. Ele contra-ataca dizendo que Lula não tem condições de governar e que as tarifas são o preço do “ego” do atual presidente, que teria conduzido as negociações de forma arrogante e sem boa-fé.

O que dizem os especialistas sobre essa disputa?

Especialistas em comércio exterior lamentam que uma negociação técnica e pragmática tenha sido capturada pela corrida eleitoral. Eles alertam que a substituição da diplomacia por narrativas ideológicas e slogans de campanha enfraquece o Brasil. O temor é que a solução real para o conflito comercial seja deixada de lado em favor de ganhos de imagem e intenções de voto para 2026.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/por-que-o-tarifaco-dos-eua-virou-o-centro-da-disputa-entre-lula-e-os-bolsonaro/

Fiesp culpa Lula por tarifaço e coordenador de campanha petista reage: “Vergonhoso”

O coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio de Carvalho. (Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República)

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIesp) atribuiu diretamente ao governo e a atitudes do presidente Lula a aplicação de novas taxas dos Estados Unidos a produtos brasileiros. A avaliação foi rebatida pelo coordenador da campanha de reeleição de Lula, que viu objetivos “político-eleitorais” na nota da entidade.

anúncio do novo tarifaço americano na noite desta quarta-feira (15) foi seguido de uma série de repercussões, tanto do setor produtivo como do governo brasileiro. O governo petista atribuiu a crise à família Bolsonaro e sua relação com Donald Trump, enquanto a oposição da direita sustenta que o endurecimento da relação bilateral se deve à condução hostil do comando brasileiro. A Fiesp acompanhou esta avaliação.

“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, diz o texto assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Skaf viu na aplicação do tarifaço um resultado da política de enfrentamento de Lula aos EUA como tendo um objetivo político-eleitoral. O próprio Skaf já foi três vezes candidato ao Palácio dos Bandeirantes na década passada, sempre na oposição aos governos de esquerda do PT.

Coordenador da campanha de Lula critica “uso político-eleitoral” da Fiesp

Coordenador nacional da campanha de Lula e regional do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho rebateu Skaf e classificou a nota como “vergonhosa”.

“A instrumentalização de uma entidade importante como a Fiesp preocupa a sociedade, mas principalmente deveria preocupar seus associados, porque Skaf dá uma força aos americanos e tende a ser utilizada a favor dos ataques à soberania nacional”, disse Carvalho.

Carvalho defendeu que Skaf seja publicamente cobrado pelos associados à Fiesp por não buscar “consenso” e harmonia.

Marco Rubio atribuiu a Lula responsabilidade

O governo brasileiro emitiu uma nota em que alega que a imposição da taxa é o resultado de um “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro” e atacou: “São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.

“Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, conclui a nota.

A tentativa de responsabilização da família Bolsonaro, no entanto, contou com uma declaração contrária do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio:

“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.

A oposição passou a utilizar a manifestação de Rubio nas redes sociais. Flávio chamou o petista de “Biden brasileiro”, a quem classificou como “ranzinza”, “inconsequente” e “um perigo para a nossa nação”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/fiesp-culpa-lula-por-tarifaco-e-coordenador-de-campanha-de-lula-reage-vergonhoso/

Tarifaço de Trump atinge US$ 11 bilhões, mas impacto na economia divide especialistas

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Daniel Torok/Casa Branca/Wikimedia Commons)

O tarifaço de 25% imposto pelos EUA afetará exportações brasileiras equivalentes a US$ 11 bilhões, segundo estimativa da Amcham Brasil. Os setores de máquinas, calçados e móveis devem sofrer maior pressão, segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povo.

Em relação aos impactos à economia em geral, há visões distintas. Para Alexandre Chaia, professor do Insper, os efeitos devem ser limitados, já que produtos de maior peso nos negócios — café, petróleo, carne bovina, aviões comerciais e celulose — ficaram de fora da nova cobrança.

“A decisão tem mais viés político do que prático, já que a maior parte das mercadorias exportadas foi preservada devido à necessidade que os EUA têm desses produtos”, diz.

Por outro lado, Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), acredita que os efeitos do tarifaço devem afetar a economia de forma mais significativa.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. O cenário tende a piorar”, afirma.

Para Alban, o aumento das tarifas tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar desde 1997.

A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente de produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço.

Os maiores efeitos sobre a economia devem vir de possíveis custos fiscais com subsídios estatais e outras medidas para mitigar os danos econômicos sofridos pelas indústrias mais atingidas. O governo federal já anunciou que criará auxílios aos setores mais afetados pelas tarifas.

Setores pressionados buscam reduzir dependência dos EUA

Um dos principais setores afetados é o de máquinas e equipamentos, dos quais os Estados Unidos são o maior comprador. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em 2025 as vendas brasileiras foram de US$ 3,2 bilhões. As importações norte-americanas de máquinas brasileiras somaram US$ 4,8 bilhões.

A entidade empresarial ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico — negócios entre filiais de uma mesma corporação. Isso reflete investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos.

“A elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo consequências que vão além da relação comercial bilateral”, ressalta a Abimaq em nota.

Para reduzir os efeitos do tarifaço, os setores afetados tendem a buscar a diversificação de mercados. A indústria moveleira, por exemplo, já vem redesenhando o mapa de suas exportações.

Os Estados Unidos seguem como principal destino do setor no país, mas viram sua participação cair de 28,3% em 2024 para 16,5% no acumulado de 2026 — quase a metade em dois anos. No mesmo período, a América Latina avançou de 53,1% para 64,5% das exportações nacionais de móveis.

A mudança também reflete outro fator: as calçadistas brasileiras aceleraram sua presença em países latino-americanos, favorecidas pela proximidade geográfica, logística mais eficiente e perspectivas de ampliação dos acordos comerciais internacionais, como o Mercosul-União Europeia.

“Nenhum empresário tira o pé dos Estados Unidos por conta própria, a não ser que aconteça uma situação como essa”, diz Cleberton Ferri, diretor internacional do Sindicato das Indústrias de Móveis de Bento Gonçalves (RS).

Subsídios do governo a setores mais afetados

Para as indústrias e empresas que ficaram de fora da lista de exceções e sofrerão os efeitos diretos das tarifas adicionais, o auxílio estatal será fundamental.

O pacote de medidas que o governo federal já se comprometeu a colocar em prática, conhecido como plano “Brasil Soberano”, é visto por alguns setores como essencial para apoiar e mitigar a crise.

Chaia explica que o suporte, por meio de linhas de crédito do BNDES, ajudará essas empresas a atravessarem a turbulência enquanto buscam diversificar seus compradores. “A gente sobreviveu ao primeiro [tarifaço], que foi mais surpreendente e com menos alternativas de ocorrência”, ressalta o especialista, indicando que o Brasil foi pego de surpresa no passado, mas hoje está mais bem preparado.

Parte da conta pode ficar com norte-americanos

Humberto Aillon, professor do núcleo contábil e tributário da Fipecafi, identifica três momentos de impacto: restrição às importações, freio à atividade e menor confiança sobre a economia em um cenário de juros elevados. “O tarifaço não derruba a economia brasileira, mas tira totalmente o fôlego de um PIB que já vinha desacelerando”, diz.

A conta recai principalmente sobre a indústria de transformação, que responde por 84% da pauta exportadora para os EUA. Os mais vulneráveis são máquinas, móveis, calçados e têxteis. Estes últimos dois são mais intensivos em mão de obra.

Apesar disso, o peso financeiro da nova taxação pode recair com mais força sobre os próprios norte-americanos. Isso porque os Estados Unidos não conseguirão substituir facilmente as importações brasileiras e deverão manter o fluxo de compras mesmo com tarifas maiores, diz o professor do Insper.

No mercado interno brasileiro, um dos possíveis efeitos pode ser até mesmo a redução de preços de alguns itens, já que o excesso de produtos retidos no país pode gerar aumento de oferta e, consequentemente, baixar os preços locais.

Reversão depende da política norte-americana

Embora não haja temor de uma crise imediata na economia nacional, a reversão das novas barreiras comerciais no curto prazo é complexa. A medida deriva de uma investigação estruturada, não apenas de uma decisão executiva arbitrária.

Raquel Borges de Sá, estrategista da XP Investimentos, aponta que as chances de reversão dessas medidas são pequenas. Isso porque a imposição das novas tarifas foi elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sob uma base institucional e jurídica muito forte, diferentemente de tarifas que entram em vigor por meio de decretos de urgência mais frágeis.

“O desafio do Brasil será defender sua soberania sem transformar a disputa em uma guerra comercial prejudicial para empresas, trabalhadores e consumidores”, diz Leonardo Roesler, sócio do RCA Advogados.

Retaliação pode ampliar perdas para o Brasil

Apesar da pressão para uma reação incisiva, a adoção de medidas de retaliação pelo governo brasileiro — como o acionamento da Lei de Reciprocidade econômica, já confirmado pelo governo — divide especialistas.

O presidente Lula admitiu a possibilidade como resposta. Contudo, Chaia avalia que essa estratégia seria como “colocar mais calor nesse fogo”, prejudicando o próprio consumidor local e não trazendo benefícios ao país.

Para o professor do Insper, a resposta ideal está na continuidade da política de expansão de parceiros comerciais, buscando novos mercados importadores para substituir a parcela afetada da demanda norte-americana.

Mesmo diante desse cenário, a expectativa é de que as negociações entre os dois governos permaneçam abertas, já que uma sobretaxa adicional de 12,5% pode ser aplicada sobre as exportações brasileiras em decorrência de uma outra investigação dos EUA sobre trabalho forçado.

“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/tarifas-trump-impacto-economia-brasil/

Qual será a resposta de Lula ao tarifaço dos EUA?

Governo Lula avalia Lei da Reciprocidade, auxílios e mais negociações diretas para amenizar tarifaço de Trump ao Brasil (Foto: Jonas Roosens/EFE/EPA / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O governo federal articula medidas contra o novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A resposta inclui o uso da Lei da Reciprocidade, auxílios financeiros a setores afetados e negociações diretas com a gestão Trump para ampliar a lista de isenções.

Quais são as principais medidas de reação do governo brasileiro?

O Brasil estuda três caminhos principais: acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para taxar produtos americanos, criar auxílios financeiros via medida provisória para proteger empresários nacionais e tentar negociar com Washington uma lista maior de produtos que fiquem de fora da cobrança extra.

Como funciona a Lei da Reciprocidade que pode ser usada pelo Brasil?

Essa lei autoriza o governo brasileiro a aplicar alíquotas de imposto iguais às que o outro país impôs aos produtos nacionais. É uma forma de ‘dar o troco’ comercial para equilibrar a competição. Porém, o uso dessa ferramenta não é automático: exige análises jurídicas, consultas aos setores afetados e pode depender de discussões na Organização Mundial do Comércio, além de precisar respeitar as regras do Mercosul.

Por que os Estados Unidos decidiram aplicar essas tarifas ao Brasil?

O governo americano alega práticas desleais em seis áreas. Entre os motivos estão o funcionamento do Pix e de pagamentos digitais, barreiras ao etanol dos EUA e acordos comerciais do Brasil com Índia e México. Também citam o desmatamento ilegal, falhas na proteção de marcas (pirataria) e até decisões judiciais sigilosas que mandaram remover conteúdos e suspender perfis americanos em redes sociais como X, Meta e Google.

Quais setores da economia brasileira são os mais atingidos?

O atual tarifaço de 25% atinge diversos itens, mas se soma a outras taxas que já impactam as indústrias de aço, alumínio, cobre, madeira, automóveis e autopeças. Algumas dessas cobranças entraram em vigor nos primeiros meses de 2025. O objetivo do Brasil agora é convencer os EUA de que muitos desses produtos são essenciais para a própria indústria americana, tentando reduzir o impacto nas exportações.

Há chances de o tarifaço ser suspenso ou reduzido?

Sim, existe esse precedente. No ano passado, negociações diretas conseguiram retirar vários itens da lista de taxação. Além disso, a Suprema Corte dos EUA já chegou a suspender tarifas anteriores por falta de autorização do Congresso americano. O governo brasileiro aposta que o diálogo diplomático e técnico possa mitigar os danos, mostrando que as tarifas elevam os custos para os consumidores e empresas dentro dos próprios Estados Unidos.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/como-o-governo-lula-pretende-reagir-ao-tarifaco-de-donald-trump/

Governo Lula fingiu negociar e torceu pelo tarifaço

Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. (Foto: Marcelo Camargo/ABr).

O governo Lula (PT) esperou até os ‘45 minutos do segundo tempo’ para realizar qualquer negociação significativa com os Estados Unidos, no caso do tarifaço do governo americano. Além de o próprio presidente Lula antagonizar o governo Trump sempre que podia, em seus comícios pré-eleitorais, até o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela diplomacia, passou a fazer politicagem em comunicado oficial, insinuando que forças armadas dos EUA poderiam invadir o Brasil.

Sem tempo hábil

Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA, revelou: “reuniões construtivas” com o Brasil só começaram nas últimas seis semanas.

Esforço nenhum

Antes disso, o governo havia enviado duas cartas ao governo americano e feito só uma reunião “de alto escalão”, isto é, a visita de Lula a Trump.

Ideia única

O efeito desejado pela administração petista é que o tarifaço produza uma nova alta nas pesquisas de opinião, como ocorreu no ano passado.

Governo vê vitória

Quem vai pagar a conta do tarifaço não é o governo Lula, serão principalmente os exportadores e os trabalhadores atingidos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-lula-fingiu-negociar-e-torceu-pelo-tarifaco

Gaspar diz que Lula transformou política externa em palanque

Alfredo Gaspar, deputado que relatou a CPMI do INSS. (Foto: Vitor Felix/Diário do Poder).

O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou que o presidente Lula (PT) “transformou a política externa em palanque” após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmar que o petista não negociou com os EUA sobre o tarifaço.

O parlamentar avalia que, agora, quem sofrerá as consequências dessa teimosia será o povo brasileiro.

“Lula transformou a política externa em palanque e agora quem paga a conta é o povo brasileiro. As tarifas impostas pelos Estados Unidos ameaçam empregos, reduzem a competitividade do Brasil e aumentam a insegurança para quem produz e trabalha”, postou Gaspar nas redes sociais.

Veja abaixo um vídeo também compartilhado pelo alagoano:

Em declaração que reforça a justificativa para as tarifas impostas ao Brasil, Rubio afirmou que o petista “colocou o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/e01-brasil/gaspar-diz-que-lula-transformou-politica-externa-em-palanque

Governo deve adiar eventual aplicação da reciprocidade

Presidente Lula (PT) e Donald Trump (Republicano) – (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Redes Sociais)

Representantes da indústria brasileira defenderam que o governo mantenha as negociações com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço sobre produtos brasileiros e evitar uma escalada na disputa comercial. O setor produtivo teme prejuízos às exportações e impactos sobre empregos e investimentos, enquanto cobra uma solução diplomática.

A posição do governo, por enquanto, é adiar uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade. A avaliação é de que esse instrumento deve ser usado apenas em um “momento adequado”, caso as tratativas com os norte-americanos não avancem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos não têm justificativa e reforçou que o Brasil continua aberto ao diálogo.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que uma retaliação imediata poderia agravar a crise comercial. A estratégia, neste momento, é priorizar as negociações para buscar uma solução que preserve as relações comerciais entre os dois países e reduza os impactos para a economia brasileira.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/governo-deve-adiar-eventual-aplicacao-da-reciprocidade

Be the first to comment on "“Penduricalhos” são imoralidade que mata credibilidade do Judiciário e do MP"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*