
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue superando a aprovação de acordo com a nova rodada da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), mas já encostando na aprovação dentro da margem de erro.
De acordo com o levantamento, a desaprovação chega a 48%, enquanto que a aprovação alcança 47%. Em ambos os números, houve uma oscilação de 1 ponto percentual na comparação com a pesquisa realizada no mês passado, em uma tendência de inversão.
“Essa melhora no cenário para o presidente Lula tem três explicações complementares: primeiro, os efeitos da isenção do imposto de renda continuam a aumentar mesmo que marginalmente. Segundo, o novo Desenrola já fez cair o percentual de brasileiros que se diziam com muitas dívidas (de 28% para 23%), enquanto foi para 30% o percentual de quem diz que não tem mais dívidas. E, terceiro, a circulação de notícias positivas sobre o governo Lula continua aumentando”, afirmou o pesquisador Felipe Nunes, CEO da Quaest.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho em 120 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07661/2026.
A Quaest apontou que a desaprovação ao governo Lula ainda é maior nas regiões Sul (63%), Sudeste (51%) e Centro-Oeste/Norte (50%). A aprovação é maior apenas no Nordeste (61%).
Já entre as preferências políticas, os entrevistados que se declaram independentes ainda desaprovam mais (47%) do que aprovam (41%). Lula é, ainda, desaprovado mais pelos homens (53% a 44%) do que pelas mulheres (44% a 49%).
A desaprovação a Lula também segue em alta entre os evangélicos e chega a 60%, um patamar comum desde o início deste terceiro mandato e que o governo petista vem tentando reverter. Nesta semana, o PT lançou uma carta para tentar se aproximar desta denominação religiosa chamada “Acreditamos em um Brasil onde a política esteja a serviço da vida”.
“Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica”, destacou a legenda.
Avaliação de Lula
Além da desaprovação a Lula ainda superar a aprovação, a avaliação negativa do petista também supera a positiva – e estacionou no atual patamar registrado na pesquisa anterior:
- Negativo: 38%, ante 39% em maio;
- Positivo: 34% nas duas pesquisas;
- Regular: 26%, ante 25%;
- Não sabe/não respondeu: 2% nas duas pesquisas.
A redução da desaprovação e da avaliação negativa, no entanto, caminha mais devagar do que o esperado pelo Palácio do Planalto principalmente por conta de questões como o aumento do custo de vida, de preocupações com as contas públicas e da sensação da falta de segurança. Mesmo com indicadores macroeconômicos favoráveis em alguns momentos, a inflação de alimentos e serviços continua crescendo, o que leva a uma pressão cada vez maior sobre os salários.
Já as preocupações com as contas públicas e a política fiscal, sobretudo entre setores do mercado e do empresariado, demonstram ceticismo quanto à capacidade de controle do déficit e da dívida pública.
E, por fim, a sensação de que as ações de combate ao crime organizado não estão sendo suficientes. Recentemente, o governo lançou um plano bilionário para tentar reverter a imagem de que não se engaja em políticas de segurança pública, com um investimento direto de R$ 1,06 bilhão do Orçamento de 2026 e mais R$ 10 bilhões através de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos estados que aderirem.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/desaprovacao-governo-lula-supera-aprovacao-quaest/
Alcolumbre freia PEC da escala 6×1 e impõe novo revés ao governo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, interrompeu o avanço da PEC que pretende reduzir a jornada de trabalho e substituir a escala 6×1. A decisão ocorreu depois do cancelamento de uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que discutiria a proposta. Dessa forma, o texto perdeu impulso político e, consequentemente, enfrentou mais um obstáculo em sua tramitação. Além disso, o adiamento contrariou expectativas de aliados do governo, que esperavam acelerar o debate ainda neste semestre.
Enquanto defensores da proposta pressionam por uma análise mais rápida, Alcolumbre sinaliza cautela e, ao mesmo tempo, prioriza outras pautas consideradas mais urgentes para o Senado. Assim, embora o tema mantenha apoio entre setores da base governista e de movimentos sindicais, a PEC segue sem definição sobre os próximos passos. Portanto, o governo precisará reorganizar sua estratégia política e, por conseguinte, buscar novos acordos para recolocar a proposta na agenda legislativa nos próximos meses.
Alcolumbre cita eleições e segura pautas-bomba: Ou voto todos, ou não voto nenhum
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (9) que “não pode ser seletivo” para pautar propostas que alteram pisos salariais de diversas categorias em ano eleitoral.
A declaração ocorreu em meio a cobrança de senadores pelas votações e do governo Lula (PT), que tenta evitar a análise de matérias com grande impacto orçamentário, as pautas-bomba.
CCJ da Câmara adia votação da PEC que reduz a maioridade penal
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara adiou a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 32/2015 que reduz a maioridade penal para 16 anos.
Os deputados debateram o parecer favorável do relator, Coronel Assis (PL-M), mas a análise foi interrompida após o início da ordem do dia no plenário.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/cafe-com-a-gazeta/alcolumbre-freia-pec-da-escala-6×1-e-impoe-novo-reves-ao-governo/

Fugindo da ditadura, cubanos pagam coiotes para chegar a Roraima

Com a crise imigratória ainda ativa na Venezuela – são em media 300 venezuelanos entrando legal e ilegalmente no estado por dia, Roraima agora se vê destino forte de cubanos fugitivos do regime dos Castro no Caribe. Os cubanos chegam por trilhas nas florestas e trazidos por “coiotes”, longe da fiscalização do Exército na Operação Acolhida, na fronteira. Esses “coiotes” cobram até US$ 1.000 por cabeça (perto de R$ 5.600) apenas para atravessá-los como guias.
Uma vez em solo brasileiro, motoristas de vans e picapes cobram para levar os grupos de cubanos de Pacaraima para a capital Boa Vista. Alguns ficam ali e conseguem emprego, ou não. Mas muitos seguem Brasil adentro até acharem emprego ou assistência. Os coiotes continuam a agir diariamente assim com venezuelanos e cubanos, e virou um grande negócio ilegal em Roraima.
IPTU assustador
Comerciantes, empresários e moradores de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, estão assustados com aumento exorbitante na taxa do IPTU de 2026. Em alguns casos, o acréscimo chega a variar entre 164% e 198%. Lojistas e comerciantes de shoppings estão muito preocupados com os valores cobrados. Procurada pela reportagem, a assessoria da prefeitura não respondeu demanda sobre o tema.
Contradições
Mais de 30 instituições brasileiras, investidoras do Santander, receberam carta aberta de organizações ambientais com denúncias de greenwashing. Enviado pelo Instituto Internacional Arayara, o documento aponta que o banco financia empresas e projetos ligados a petróleo, gás, infraestrutura fóssil e termelétricas, enquanto divulga metas climáticas e compromissos públicos com ESG, transição energética e sustentabilidade.
Vacina na Copa
Especialistas alertam brasileiros que irão à Copa FIFA nos EUA, México e Canadá para atualizarem a carteira de vacinação. Sarampo, coqueluche e febre amarela voltaram a circular em diversos países, aumentando o risco de contaminação. A infectologista Rosana Richtmann (Lab. Exame) reforça que a tríplice viral, influenza, Covid-19 e hepatite A, é essencial para quem quer acompanhar o torneio na América do Norte.
Casa de chá
Com menos de dois anos desde a sua inauguração, a Casa de Chá de Brasília, na Praça dos Três Poderes, já é um sucesso de público nacional e internacional. Segundo registros do Senac-DF, mantenedor da casa, mais de 300 mil pessoas já visitaram o estabelecimento, entre turistas, brasilienses e autoridades. O local é muito frequentado por congressistas e ministros do Judiciário.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/fugindo-da-ditadura-cubanos-pagam-coiotes-para-chegar-a-roraima/

O presidente, o enforcamento e a regulação

Lula disse que o senador Flávio Bolsonaro merece ser enforcado como traidor da pátria. Não foi uma gafe — como alegou o presidente quando disse que traficantes são vítimas dos usuários de drogas. Na ocasião, houve uma espécie de desmentido — ou seja, a versão oficial foi de que não era sua intenção dizer aquilo.
Muitos dizem que não faz diferença. Que se trata, no mínimo, de um ato falho — ou seja, alguém expressar sem querer aquilo que realmente acha. E a fala fica ali, registrada em vídeo e repetida inúmeras vezes em diversas mídias, “testemunhando” o que realmente foi dito. De qualquer forma, faz muita diferença quando há um desmentido ou uma alegação de mal-entendido.
Dessa vez, ao que se saiba, não houve nada disso. Nenhuma atenuante surgiu no radar; nem mesmo uma dessas “fontes próximas” procurou mitigar o ataque, alegando qualquer coisa, até mesmo um momento de destempero. Nada. Segundo Lula, Flávio Bolsonaro merece a forca. E ponto final.
Insultos e agressões fazem parte da política. Já se viu de tudo. A questão está em comparar a contundência do ato com a respectiva repercussão na sociedade — e que consequências esse ato teve
Nesse aspecto, as coisas estão estranhas, bem estranhas mesmo, em torno dessa fala do presidente da República sobre seu (até aqui) principal concorrente eleitoral.
Cada época tem o seu contexto — que determina a dimensão do ato agressivo. Quase três décadas atrás, por exemplo, o ex-governador Leonel Brizola declarou que o então presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser “metralhado”. O país tinha acabado de passar pela maxidesvalorização do real após a crise da Rússia, e o nascente segundo mandato de FHC no Planalto estava sob ataque de todos os lados.
Brizola era um retórico — um político habituado a usar linguagem figurativa, licenças poéticas e diversas expressões espirituosas que caíram na boca do povo. E, depois de fazer barba, cabelo e bigode na política com o Plano Real, adquirindo força inclusive suficiente para colocar a reeleição na Constituição — a tempo de se beneficiar da mudança —, FHC estava no alvo. Qualquer vereador, naquele momento, tinha o seu petardo na agulha contra o presidente.
Mesmo com a conjuntura acima descrita, que de certa forma atenuava (ou pelo menos contextualizava) o ataque de Brizola, a declaração leviana do ex-governador teve ampla repercussão — e recebeu ampla rejeição na sociedade. Fernando Henrique tinha por hábito não passar recibo, não reclamar do noticiário e não judicializar seus conflitos. Mas os tempos eram outros.
Hoje existe a hipersuscetibilidade geral. Existe a indústria dos ofendidos. E existe a alegação de combate ao “discurso de ódio” para cercear a crítica — mesmo aquela que não seja mero exercício do ato de odiar. Ou seja: hoje todos estão pisando em ovos para se expressar publicamente, para dirigir uma reação pertinente a alguma autoridade ou instituição, porque se normalizou a demonização da crítica. Frequentemente, no estranho padrão atual, criticar é afrontar a democracia…
E enforcar? O que seria?
Nada. Pelo menos a julgar pela suavidade com que a declaração de Lula foi assimilada pela sociedade. O presidente da República declarou, furiosamente, aos palavrões, quase aos berros, que seu principal concorrente eleitoral merece ser punido com a forca. Será que voltamos para 1999?
Mesmo em 1999, a tirada mórbida de Brizola pareceria um afago perto da declaração pensada e calculadamente proferida por Lula. O presidente chegou, inclusive, a conclamar os brasileiros a “meditarem” sobre o que ele estava dizendo.
A sociedade, o Estado e as forças de coerção, tão rigorosos com qualquer adjetivo mais azedo, deixaram passar essa. A proposição de um ato de violência contra um opositor, revestida pela ideia de punição com uma medida letal que não está na lei, saiu bem barata para o presidente. Pelo menos até aqui, pode-se dizer que a “regulação” das mentes tem suas exceções especialíssimas.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/o-presidente-o-enforcamento-e-a-regulacao/

Gilmarpalooza propõe controlar a IA mundo afora, mas há um bug no algoritmo

Na semana passada, a elite da magistocracia compareceu em peso, pela 14ª vez, ao “Gilmarpalooza“, a badalada confraria jurídica que transfere, por uma semana a cada ano, a capital política do Brasil para Lisboa. Muito já se murmurou sobre os gastos públicos com passagens e hospedagem de autoridades e suas agendas paralelas com lobistas e empresários. Mas pouca atenção foi dada ao conteúdo do evento.
O tema oficial – ordem internacional, tecnologia e soberania – serviu de moldura para a mais nova ambição de nossos magistrados: a regulamentação internacional das redes sociais. O Brasil ficou pequeno para os ministros, que agora querem oferecer ao mundo nossa receita para dobrar as “big techs” e conter a ameaça da inteligência artificial.
Na abertura do evento, as gigantes do Vale do Silício foram colocadas no papel de vilãs universais e os juízes vestiram novamente a capa de heróis da estabilidade democrática.
O anfitrião, Gilmar Mendes, resgatou o conceito de “tecnofeudalismo” para ilustrar, na definição de Yanis Varoufakis, “um domínio absoluto exercido pelas plataformas digitais, que monopolizam a atenção coletiva, ditam comportamentos e extraem rendas de usuários e empreendedores”. Nesse sistema, cidadãos foram reduzidos a “servos” das megacorporações digitais, que subjugam Estados “curvados”.
Contra essa “concentração de poder econômico, informacional e político nunca visto”, ergue-se o “constitucionalismo digital”, corrente do direito que visa controlar essa força privada a fim de proteger direitos fundamentais de cidadãos e preservar a democracia.
Endossando o diagnóstico e o remédio, Alexandre de Moraes advertiu que o mundo se deixou enganar com a promessa das redes de “democratizar a opinião”. Embora finjam neutralidade, as empresas que controlam as plataformas transformaram-nas em usinas de manipulação ideológica para atender aos próprios interesses econômicos e políticos.
Para o ministro, a ausência de neutralidade das plataformas exige que instituições públicas sejam capazes de devassar seus algoritmos, para que saibamos “o que entra, o que sai, o que podemos bloquear ou não” nos feeds. O ápice do alerta foi geopolítico: com a internet via satélite contornando fronteiras físicas, a regulação precisa ser global e urgente, sob pena de os Estados perderem o controle sobre conteúdos ilícitos em seus territórios.
A descrição sobre a concentração do poder digital não carece de lógica. O paradoxo reside no remetente. Ao transpor essa severa moldura teórica para o Planalto Central, a alegoria do “feudalismo” muda de endereço.
No Brasil de hoje, o cidadão comum não se vê subjugado por algoritmos californianos, mas curvado a um estrato estatal que concentra uma fatia de poder político sem precedentes na história republicana. Um poder não eleito, exercido por práticas políticas oligárquicas pouco transparentes, e que subjuga até mesmo legisladores. Não raramente, assume as funções de editor-chefe da opinião pública, distribuindo censuras e cassando mandatos com a desenvoltura de quem maneja um painel de controle social.
Em nome da defesa da Constituição, protege direitos de forma seletiva, conforme certos interesses políticos, econômicos ou ideológicos. Critica-se a “extração de renda” pelas corporações digitais, mas financia-se a opulência desse aparato com os tributos de um empresariado que assiste, perplexo, a satélites privados serem multados em milhões de reais por linhas tortas de responsabilidade solidária.
Em Lisboa, recorreu-se ao alerta do Papa Leão XIV sobre o poder das “big techs” em sua encíclica Magnifica Humanitas: “quando um poder desta magnitude se concentra na mão de poucos, ele tende a tornar-se opaco e a fugir ao controle público”.
A máxima é irretocável. Mas se o STF almeja exportar para o globo as regras de trânsito do pensamento digital, convém retirar a viga dos próprios olhos antes de apontar para o cisco na vista dos outros.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/renan-ramalho/gilmarpalooza-propoe-controlar-a-ia-mundo-afora-mas-ha-um-bug-no-algoritmo/

Brasileiro acha que corrupção aumentou com Lula. Nem podia ser diferente

Pesquisa de opinião mostra que 47% dos entrevistados dizem que a corrupção aumentou no governo Lula; 28% acham que permaneceu igual e 21% acham que diminuiu. Tudo depende do exemplo que vem de cima. Quando se vê os contratos com Daniel Vorcaro no Poder Judiciário, quando se vê desvios de verbas de emendas no Legislativo, quando se vê o presidente da República dando maus exemplos, dizendo “que mal faz roubar um celular se é só para tomar uma cervejinha”, isso estimula as pessoas comuns que já têm uma tendência ou uma falha de caráter a querer tirar a sua parte também.
Vejam só o que acabou de acontecer, só de terça para quarta-feira. Em Palmas (TO), a Polícia Federal pegou um funcionário de banco que falsificava dados cadastrais, principalmente do crédito rural, inventava a propriedade de fazendas, habilitava pessoas a receber crédito, e fazia empréstimos a rodo para a turminha. Houve um bloqueio de quase R$ 147 milhões. No Ceará, a Polícia Federal está apurando fraudes em cinco prefeituras; são R$ 29 milhões em fraudes usando dinheiro de emendas em licitações.
Enquanto isso, em São Paulo, descobriu-se que um sujeito, hoje advogado, foi estagiar no Ministério Público Estadual para saber das investigações e passar informação para o PCC. Um investigador-chefe da Polícia Civil também era informante da facção. E um policial civil, que foi afastado, sequestrava pessoas envolvidas com o narcotráfico para extorquir o chefão delas. É incrível como isso está infiltrado dentro do Estado brasileiro.
Na Justiça, os maus exemplos também vão se acumulando
Lembram do desembargador de Minas Gerais que absolveu um homem de 35 anos que vivia com uma menina de 12 anos? Ele e a mãe da menina tinham sido condenados, e o desembargador Magid Nauef Láuar absolveu os dois. O Ministério Público entrou com um recurso, e então o magistrado recuou.
Agora, o Conselho Nacional de Justiça abriu um processo administrativo disciplinar contra ele. Quando o nome dele apareceu no noticiário, começaram a aparecer queixas de assédio sexual quando ele era juiz em Betim e Ouro Preto, uma coisa incrível, parece cena de horror. E o sujeito chegou a desembargador.
Na segunda-feira, houve operação contra esquema de venda de sentenças, envolvendo um desembargador, no Mato Grosso do Sul. E enquanto isso acontece, tem juiz e desembargador achando que ganham pouco, mesmo com magistrado recebendo R$ 1 milhão, ou R$ 140 mil num único mês, sendo que o máximo permitido na Constituição é o teto de ministro do Supremo, R$ 46 mil. Se não gostam, sinto muito, que mudem a Constituição. Mas, se a própria Justiça desobedece a Constituição, que força ela terá? E sem Constituição, sem a lei maior, as leis menores serão igualmente enfraquecidas. O que vai vigorar é a lei da selva.
Se o Brasil não consegue desmontar as facções, que os EUA consigam
Andam falando muito de soberania por esses dias. Pois espera-se que o governo americano pegue os integrantes das organizações criminosas brasileiras que estão refugiados no exterior, e mostre que a intenção é essa: desbaratar as facções, coisa que o governo brasileiro não fez nessas últimas décadas, deixando que elas aumentassem seu poder sobre o território brasileiro. É isso que enfraquece a soberania nacional. É como eu tenho dito: os perigos para a soberania não vêm de fora, vêm aqui de dentro mesmo.
Metodologia da pesquisa citada na coluna
A pesquisa foi realizada com 2,5 mil pessoas pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, entre os dias 30 de maio e 1.º de junho, um levantamento já realizado à luz da divulgação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pediu recursos para a realização do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O Poder 360 realiza sua pesquisa por telefone, em todos os 26 estados da Federação e no Distrito Federal, por meio da metodologia Interactive Voice Response (IVR, ou Unidade de Resposta Audível, em português).
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/pesquisa-corrupcao-aumentou-lula/
Vorcaro promete entregar Ciro e livrar Moraes, mas não impressiona PF

Uma nova tentativa de emplacar um acordo de delação premiada que o tire da prisão o mais rápido possível, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro agora promete incriminar objetivamente o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que antes tratava como “amigo de uma vida”, passando a afirmar que pagamentos ao político foram mesmo propina.
As mudanças na proposta de delação passaram a circular em Brasília e incluem “pegar leve” com o ministro do STF Alexandre de Moraes, apesar de haver assinado contrato com o escritório de advocacia de sua esposa no valor de cerca de R$130 milhões, dos quais foram efetivamente pagos R$80 milhões e, segundo revelação recente da jornalista au Gaspar, de O Globo, ainda estava acertado um outro contrato de R$50 milhões, que, no entanto ñao chegou a ser assinado. Vorcaro promete sustentar que Moraes não cometeu qualquer crime.
Agora defendido e orientado pelo advogado Sérgio Leonardo, o ex-banqueiro promete entregar o que a Polícia Federal espera, incluindo atribuir seus pagamentos a políticos como tentativas de cooptação do senador para defesa dos seus interesses.
A primeira proposta de acordo foi recusada pela Polícia Federal diante da avaliação de que Vorcaro não prometia relatar nada efetivamente relevante, até porque a perícia em seus celulares permitiu levar as investigações a outro patamar, muito além das pessoas que ele prometia entregar. O problema é que a avaliação da PF segue a mesma, segundo pessoas próximas a sua nova defesa.
Por essa razão, se a PF confirmar a rejeição da proposta, o ex-banqueiro deve ser transferido de volta ao presídio da Papuda, nas cercanias de Brasília. Ele está preso desde março em uma cela especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, nesse período de negociação do seu acordo de delação.
Líderes do governo Lula brigam após a derrota de Messias

A rejeição do nome de Jorge Messias para o STF criou um conflito entre integrantes do governo Lula. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, passou a demonstrar insatisfação com a atuação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e, em menor escala, do líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Guimarães avalia que a condução da votação foi insuficiente e contribuiu para a derrota histórica sofrida pelo governo no Senado.
Wagner e Randolfe estariam mais concentrados nas disputas eleitorais em seus estados do que na construção de apoio para projetos do Executivo. A avaliação na SRI é de que o governo precisa retomar o foco nas pautas prioritárias que seguem travadas no Congresso.
A principal preocupação do Planalto é a PEC que extingue a escala 6×1. A proposta aguarda sinalização do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União), para avançar no Senado.
Eleitor resiste à tese de Lula contra a classificação “terrorista” de CV e PCC

A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não emplacou na população a imagem de ingerência estrangeira na decisão do governo americano de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
Em vez de gerar uma reação nacionalista – de rejeição ao risco de suposta intervenção militar de Washington no país –, a medida seguiu respaldando o endosso do pré-candidato da direita a presidente, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vê o apoio externo como estratégico ao resgate das áreas tomadas pelo crime.
Pesquisa da AtlasIntel divulgada na semana passada revelou que 53,1% dos brasileiros apoiam a decisão dos Estados Unidos de enquadrar PCC e CV como grupos terroristas internacionais. O levantamento apontou ainda que 55,9% defendem que o governo brasileiro também adote igual classificação.
A sondagem registrou 1.273 respondentes, por meio digital, entre 30 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Já uma pesquisa da Genial/Quaest apresentada nesta quarta-feira (10) diz que os brasileiros estão divididos: 45% apoiam a classificação americana e o mesmo percentual é contra. Por outro lado, 60% dos pesquisados acham que o Brasil tem que classificar as facções como terroristas e 29% são contra.
A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. Ela foi contratada pelo Banco Genial S.A, tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O levantament foi registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.
Os resultados apurados sugerem que a tese do PT encontra forte resistência do público. Segundo a legenda, a medida da gestão Donald Trump, anunciada em 28 de maio e oficializada em 5 de junho, ameaça a soberania nacional.
Flávio Bolsonaro explorou intensamente o tema em discursos e entrevistas e afirmou que PCC e CV terão de “meter o pé (sair) do Brasil” ou enfrentar prisão a partir de 2027, caso ele seja eleito. Ele também associou o combate às facções à sua proximidade com a Casa Branca e à sua conversa com Trump. Segundo a pesquisa Quaest, 47% dos entrevistados acham que Flávio influenciou Trump na decisão sobre as facções criminosas, enquanto 37% disseram que ele não teve influência.
Eleitor apoia Lula contra tarifas, mas quer ver PCC e CV enquadrados
Do lado governista, a aposta era que a vinculação da medida aos EUA desgastaria o adversário, sobretudo por envolver decisão externa sobre organizações criminosas em território brasileiro. A maioria da população entende a classificação como meio legítimo de combate ao crime, mas enxergam Lula como defensor da soberania nacional em relação à possibilidade de Trump elevar tarifas de importação de produtos brasileiros devido à práticas de comércio desleais e possível retaliação ao PIX.
A pesquisa da Quaest aponta que 64% dos brasileiros consideram que o governo age de forma correta ao defender a soberania frente às medidas e sanções impostas pelos EUA. Outros 26% desaprovam a postura, enquanto 10% não souberam ou não responderam.
O levantamente diz ainda que 47% dos pesquisados acham que Lula representa melhor o discurso de patriotismo e defesa dos interesses do Brasil, enquanto 37% atribuem esse mérito a Flávio.
A Quaest avaliou a percepção do público em meio às tensões nas relações entre Brasil e EUA. A estratégia de comunicação do governo federal vem se focando na defesa dos interesses nacionais, chegando a lançar campanha com o slogan “O Brasil é dos brasileiros”.
Ação dos EUA reforça a centralidade do tema segurança nas eleições 2026
Os resultados das pesquisas reforçam a tendência apontada por analistas de que a segurança ocupará espaço crescente entre as preocupações do eleitor. Nesse quadro, classificar facções como terroristas permite à oposição conectar o discurso de endurecimento penal à percepção de insegurança em várias regiões do país.
O debate testa qual narrativa prevalecerá: a defesa da soberania enfatizada pelo governo ou a promessa da direita de combater o crime organizado de forma dura.
Levantamentos convergem para uma realidade incômoda para o governo
Uma pesquisa mais antiga do PoderData apontou que 53% dos brasileiros consideram positiva a decisão dos EUA de enquadrar PCC e CV, enquanto 33% a avaliam negativamente. O levantamento foi feito entre 30 de maio e 1º de junho, com 2,5 mil entrevistas telefônicas em 166 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A sondagem foi divulgada no último dia 3.
Para analistas, os números das pesquisas indicam que a preocupação com o avanço do crime organizado tem pesado mais na opinião pública do que eventuais resistências à influência dos Estados Unidos ou ao presidente Donald Trump, fortalecendo a pauta que passou a ser explorada intensamente pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Para o especialista em políticas públicas e segurança pública Fidelis Fantin, a investida do governo contra a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas não conseguiu mudar a percepção geral porque o eleitor tende a reagir mal a qualquer sinal de proximidade entre agentes políticos e entes criminosos.
Na avaliação dele, a discussão acaba sendo vista menos sob a ótica diplomática e mais como questão de combate ao crime. “Assim, a resistência à denominação de organizações terroristas parece produzir mais foco de atrito entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, o que, em princípio, é prejudicial ao diálogo bilateral”.
Especialista aponta para vitória da tese oposicionista de país entregue ao crime
Para Eduardo Galvão, diretor da consultoria internacional Burson e professor de Relações Institucionais do Ibmec-DF, não há evidências de que a estratégia adotada pelo governo tenha conseguido alterar significativamente o tom do debate público. A discussão continua centrada na ideia de combate ao crime organizado.
Galvão ressalta que, do ponto de vista da comunicação política, o governo enfrenta desafio difícil. “Enquanto seus argumentos estavam voltados para riscos futuros, como sanções, pressões externas ou precedentes para a soberania, os defensores da classificação conseguiram associar a medida à resposta dura contra facções”.
Ele acrescenta que os efeitos econômicos e diplomáticos da decisão precisarão ser observados. Mas, no curto prazo, a disputa parece ter sido vencida por quem já definiu o significado da medida perante a opinião pública. “Nesse caso, a narrativa dominante foi a de combate ao crime, não a defesa da soberania”, afirma.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/eleitor-resiste-a-tese-de-lula-contra-a-classificacao-terrorista-de-cv-e-pcc/
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