Se Flávio Bolsonaro convenceu Trump, ele se tornou mais importante que Lula

Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
O senador e pré-candidato a Presidência Flávio Bolsonaro durante encontro com o presidente Donald Trump, dos EUA, no dia 26 de maio. (Foto: Divulgação/Paulo Figueiredo)

Um goiano que mora em Brasília foi campeão do torneio juvenil masculino de simples em Roland Garros. É muito bom, isso nos deixa felizes. Agora teremos a Copa do Mundo de futebol, e até o penteado do Neymar é notícia. Não esqueçamos que muito mais importante é a eleição: no dia seguinte ao jogo final da Copa, sua vida não vai mudar nada; mas, no dia seguinte ao resultado da eleição, sua vida começa a mudar em função desse resultado. Não se esqueça disso: a eleição é mais importante que a Copa.

Se Trump não ouve Lula, mas ouve Flávio, quem é mais poderoso?

Nessa discussão sobre as relações de Lula Flávio Bolsonaro com Donald Trump, parece que Lula não se deu conta de uma coisa. Ele está afirmando, implicitamente, que Flávio é mais importante que ele. Vejamos: Lula foi pedir para Trump não classificar PCC Comando Vermelho como organizações terroristas; deixou um documento em inglês para Trump – ele mesmo afirmou isso –, foi mostrar que o Brasil estava cumprindo todas as exigências da lei de comércio dos Estados Unidos. E não adiantou nada, aí vem outro tarifaço. E Lula está dizendo que Flávio Bolsonaro foi lá e convenceu Trump, algo que ele não conseguiu fazer. E Flávio nem é chefe de Estado como Lula! Mas é o que ele está deixando subentendido. É um ato falho, um engano estratégico do candidato à reeleição.

Enquanto isso, as investigações do roubo do INSS estão quase parando

Sempre digo que nós somos os donos do país. Nós pagamos os impostos que sustentam o governo – Forças Armadas, Poder Judiciário, Poder Executivo, Poder Legislativo: todos recebem dinheiro dos nossos impostos. E nós elegemos os membros do Executivo e do Legislatvo, no município, no estado e na União. Se nós escolhemos, nós nomeamos, eles têm de investigar quando levam o nosso dinheiro. Por exemplo, o dinheiro dos idosos, que contribuíram a vida toda e depois foram roubados em mais de R$ 6 bilhões. Foram uns 4,3 milhões de vítimas: seu avô, sua avó, seu tio, sua tia.

E mesmo um caso tão absurdo está meio parado. Um delegado que andou querendo investigar Lulinha foi substituído por outro. O Frei Chico, irmão de Lula, dirigente de uma entidade envolvida na roubalheira, passou por cima de tudo. O “careca do INSS” até está preso, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto foi preso, o empresário Maurício Camisotti e o ex-procurador Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho também. O ministro Carlos Lupi caiu fora, e a empresária Roberta Luchsinger está dizendo que não tem nada a ver com isso. É muito dinheiro, com muita gente envolvida, mas parece que não querem investigar. Alfredo Gaspar, que era da CPMI do INSS, reclamou, reclamou, e não adiantou. A CPMI terminou e nem no STF conseguiram a prorrogação. Acabou, não se investiga mais. E na Polícia Federal não sabemos como vão levar isso adiante.

Não vamos cair nessa conversa de que os EUA estão agredindo nossa soberania

Falando em Polícia Federal, o diretor-geral acabou de dizer na Globo News que é um equívoco do governo americano classificar o PCC, que aterroriza os brasileiros, e o Comando Vermelho como organizações terroristas, mas disse também que está pronto para trabalhar em conjunto. Como assim, se é tudo um “equívoco”? Uma autoridade brasileira está desqualificando uma decisão norte-americana, que tem validade nos Estados Unidos, não tem nada a ver com o Brasil, até porque os norte-americanos não têm jurisdição sobre o Brasil.

Não vamos cair nessa de “ataque à soberania”. É lei americana, para pegar o CV e o PCC nas suas ligações financeiras e pessoais. As facções já estão presentes em vários estados americanos, e obviamente fazem operações financeiras. A partir de agora, os americanos têm condições de bloquear isso e de responsabilizar os cúmplices das facções.

Os norte-americanos não vão entrar aqui no Brasil. Aqui o problema é nosso. Somos nós que temos de retomar a soberania que já foi retirada pelo Comando Vermelho e pelo PCC no Rio de Janeiro, na Amazônia, no Ceará, no Pará, no Amazonas, na Bahia, em partes de São Paulo. Então, quando ouvirem essa conversa de que os EUA estão interferindo na nossa “soberania”, pensem: vocês estão sendo enganados? Estão se deixando enganar, ou estão esperando pensar pelos outros? Não deixe que outros pensem por você.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/flavio-bolsonaro-trump-lula-faccoes-tarifas/

Cidadania Digital

Lula não precisa mais do Judiciário para censurar: está fazendo por decreto

Decretos regulamentam decisões do STF sobre o Marco Civil da Internet e ampliam poderes da ANPD. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A censura no Brasil de 2026 já não depende de uma ordem judicial, de um inquérito espetaculoso ou de uma decisão monocrática do Supremo Tribunal Federal. O governo Lula encontrou um caminho mais simples, mais silencioso e mais perigoso: criar, por decreto, obrigações vagas, estruturas administrativas, deveres preventivos e mecanismos de pressão sobre plataformas digitais. Tudo com a embalagem das boas causas.

Em 20 de maio, o governo federal editou dois decretos que mexem em pontos centrais da regulação das plataformas digitais no Brasil. O Decreto 12.975/2026 pretende regulamentar a responsabilidade de provedores no contexto do julgamento do STF sobre o Marco Civil da Internet. O Decreto 12.976/2026 estabelece diretrizes para a proteção de mulheres na internet e para o enfrentamento da violência de gênero no ambiente digital.

O país precisa enfrentar abusos online, fraudes, redes artificiais de manipulação, violência digital e falhas reais das plataformas. Isso não autoriza o Executivo a reescrever, por ato unilateral, o regime jurídico da liberdade de expressão. Quando o tema envolve responsabilidade de intermediários, moderação de conteúdo, privacidade, proteção de dados, livre iniciativa e competência administrativa, o caminho constitucional passa pela lei, pelo Congresso, pelo debate público e pela deliberação democrática.

Os decretos de maio avançam sobre esse limite. Tratam como simples regulamentação aquilo que, na prática, cria obrigações novas, amplia competências administrativas e altera incentivos sobre o discurso público. O governo não está apenas organizando a execução de uma lei existente. Está preenchendo, pela própria caneta, o espaço que pertence ao Legislativo.

A Convenção Americana de Direitos Humanos, o Pacto de San José da Costa Rica, admite responsabilidades posteriores pelo exercício da liberdade de expressão, mas estabelece requisitos estritos: previsão em lei, finalidade legítima e necessidade em uma sociedade democrática. A palavra “lei”, nesse ponto, tem peso próprio. Não se confunde com decreto, portaria, diretriz administrativa ou interpretação conveniente de uma decisão judicial. Lei é produto de processo legislativo, com publicidade, disputa política, emendas, votação, controle social e responsabilização parlamentar.

É exatamente essa proteção que os decretos contornam. A exigência de lei existe para impedir que governos alterem sozinhos o equilíbrio entre liberdade, responsabilidade e controle do discurso. Quando o Executivo pode definir, sem passar pelo Congresso, novos deveres de prevenção, novas hipóteses de responsabilização e novas competências para interferir na circulação de conteúdo, a liberdade de expressão passa a depender menos da Constituição e mais da conveniência política do governo da vez.

A censura vai sendo implementada por partes, em meio ao ruído permanente da política brasileira. Enquanto a opinião pública se dispersa entre crises diárias, disputas internas, falas de ministros, votações episódicas e escândalos sucessivos, o governo altera a base normativa da circulação de conteúdo

A tentativa de apoiar os decretos no julgamento do STF sobre o Marco Civil da Internet não resolve o problema. Decisão judicial, mesmo em repercussão geral, não transforma o Executivo em legislador. O Supremo definiu parâmetros constitucionais e apontou a necessidade de disciplina legislativa posterior. Não entregou ao governo uma autorização aberta para criar obrigações permanentes, estruturas regulatórias, presunções de responsabilidade e canais administrativos de pressão sobre plataformas digitais.

No Decreto 12.975/2026, o governo cria deveres materiais para plataformas digitais, como obrigações permanentes de gerenciamento de riscos sistêmicos, deveres proativos de impedir redes artificiais de distribuição de conteúdos ilícitos e mecanismos de encaminhamento de informações ao poder público. A falha sistêmica, discutida pelo STF como critério de responsabilização, passa a funcionar como obrigação regulatória ampla, contínua e preventiva.

Essa mudança altera o comportamento esperado das plataformas. Se mantiver no ar um conteúdo controverso passa a representar risco jurídico, administrativo e político incerto, a tendência racional será remover mais, bloquear antes, restringir por excesso de cautela e reduzir o espaço de debate. A censura moderna não precisa aparecer como ordem direta de proibição. Ela pode operar pela criação de incentivos que tornam a liberdade custosa demais.

O Decreto 12.976/2026 repete e aprofunda a mesma lógica. Seu objetivo declarado é enfrentar a violência contra mulheres na internet, tema real e grave. O desenho escolhido, porém, cria um regime próprio de deveres para provedores, impõe prazos reduzidos de moderação, prevê obrigações técnicas de filtragem, interfere na arquitetura dos serviços digitais e atribui à ANPD poderes normativos e fiscalizatórios sobre moderação de conteúdo.

O texto trabalha com expressões amplas, como “sofrimento psicológico ou político”, “ódio ou aversão às mulheres” e “ataques coordenados”. Esses conceitos podem fazer parte de diagnósticos sociais e políticas públicas. Quando passam a servir de base para remoção de conteúdo, responsabilização e obrigações impostas a plataformas, precisam de definição legal precisa. Sem critérios objetivos aprovados pelo Congresso, abre-se espaço para enquadrar como violência aquilo que pode ser crítica dura, sátira, oposição política, jornalismo, denúncia, debate acadêmico ou contestação de interesse público.

O risco aumenta quando o decreto estabelece tratamento prioritário para conteúdos envolvendo mulheres com exposição pública decorrente de atuação profissional. A proteção contra violência digital é necessária. A criação de um regime administrativo capaz de interferir em críticas a figuras públicas exige cuidado extremo. Pessoas em posição de visibilidade estão sujeitas a escrutínio, contestação e oposição. A fronteira entre violência, discriminação, crítica legítima, sátira e disputa política não pode ser presumida por ato infralegal.

Também merece atenção a imposição de soluções técnicas obrigatórias. Ao exigir mecanismos de filtragem, bloqueio de reenvio e funcionalidades específicas de governança, o governo interfere diretamente no desenho dos produtos digitais. Isso aumenta custos de conformidade, favorece grandes plataformas, dificulta a operação de provedores menores e tenta fixar por decreto soluções tecnológicas em um ambiente que muda rapidamente. A regulação pode exigir diligência. Não pode transformar a Presidência da República em instância de engenharia de plataformas.

Nos dois decretos, aparece ainda a ampliação das competências da Agência Nacional de Proteção de Dados. A ANPD foi criada para proteger dados pessoais, com mandato definido em lei. Transformá-la em autoridade geral de governança de conteúdo online, por ato do Executivo, desvirtua sua função e amplia seu poder sem autorização legislativa. Moderação de conteúdo envolve liberdade de expressão, responsabilidade civil, defesa do consumidor, segurança pública, direitos políticos e devido processo. Esse arranjo institucional precisa nascer no Congresso.

O Decreto 12.975/2026 também confere papel sensível à Advocacia-Geral da União em notificações relacionadas a publicidade vinculada a políticas públicas. Uma campanha pode ser enganosa ou fraudulenta. Também pode ser crítica política, denúncia, jornalismo, advocacy ou oposição legítima. Sem lei que delimite critérios, procedimento, contraditório e controle independente, o próprio Executivo passa a ter instrumento para pressionar a retirada de conteúdos sobre sua atuação.

Esse é o ponto central. A censura vai sendo implementada por partes, em meio ao ruído permanente da política brasileira. Enquanto a opinião pública se dispersa entre crises diárias, disputas internas, falas de ministros, votações episódicas e escândalos sucessivos, o governo altera a base normativa da circulação de conteúdo. Cada ato parece técnico demais para mobilizar indignação ampla. Somados, eles deslocam poder do Congresso para o Executivo e transformam a liberdade de expressão em matéria administrada por burocracias, agências e notificações oficiais.

O governo não precisava receber do Congresso uma lei ruim para avançar. Aproveitou a ausência de lei para ocupar o espaço. Em uma democracia, o Parlamento pode aprovar, rejeitar, adiar ou refazer uma proposta de regulação. Pode concluir que um texto não está maduro. Pode recusar soluções autoritárias disfarçadas de modernização. A decisão de não legislar também pertence ao Legislativo. Não cabe ao Executivo transformar essa ausência em autorização para governar por decreto.

A Constituição prevê o remédio para esse tipo de abuso. O art. 49, V, atribui ao Congresso a competência para sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa. Esse dispositivo existe para conter exatamente a tentativa de obter por decreto aquilo que o governo não conseguiu obter por lei.

No Senado, houve ao menos um movimento institucional. O presidente da casa encaminhou o tema à Comissão de Constituição e Justiça e solicitou análise da consultoria legislativa sobre a constitucionalidade dos decretos. É uma reação mínima diante de atos que reorganizam, por via infralegal, o regime de responsabilidade das plataformas digitais.

Na Câmara dos Deputados, a resposta tem sido omissão. Mesmo com mais de 30 projetos de decreto legislativo apresentados para sustar os atos do Executivo, a presidência da casa não deu consequência política compatível com a gravidade do caso.

A omissão da Câmara não é neutra. Ao deixar que o Executivo ocupe por decreto o espaço próprio da lei, a casa diminui a si mesma. Aceita que a deliberação parlamentar seja contornada quando o governo considera o processo legislativo lento, incerto ou inconveniente. Abre mão de exercer a função de freio institucional justamente no tema em que esse freio é mais necessário.

Os antecessores que lutaram pela redemocratização se envergonhariam. A Constituição de 1988 não entregou ao Congresso apenas a função de aprovar leis. Entregou também a responsabilidade de controlar o poder, conter excessos e preservar a separação entre os poderes. Quando a Câmara se cala diante de uma invasão infralegal de competência, enfraquece a própria razão de existir do Parlamento.

Sustar os decretos de maio não significa abandonar a discussão sobre plataformas digitais. Significa recolocar essa discussão no lugar certo. Liberdade de expressão, responsabilidade de provedores, proteção de mulheres, competência de agências e moderação de conteúdo não podem ser reorganizadas por decreto presidencial.

O Brasil precisa de uma política séria para plataformas digitais. Política séria nasce da lei, da deliberação democrática e do respeito aos limites constitucionais do poder. Quando o governo troca esse caminho pela imposição administrativa, o nome técnico pode variar. O efeito político é o mesmo: menos Parlamento, mais Executivo, menos liberdade e mais controle sobre o que pode circular no debate público.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cidadania-digital/lula-nao-precisa-mais-do-judiciario-para-censurar-esta-fazendo-por-decreto/

Coluna Esplanada

Sem dinheiro, agências reguladoras como a ANTT estão na UTI

Com a nova fiscalização eletrônica da ANTT, centenas de caminhoneiros estão retidos no Polo Empresarial Sul, em Teresina. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

Com orçamentos contingenciados, as agências reguladoras estão na UTI. A ANTT travou no Piauí. Centenas de caminhoneiros estão retidos no Polo Empresarial Sul, em Teresina – alguns há semanas – porque a Agência precisa emitir Código Identificador da Operação de Transporte, e os fiscais batem cabeça. Com a nova fiscalização eletrônica da ANTT, tem ocorrido a cada fiscal emitir uma multa a cada quatro minutos.

Pink e Cérebro

Uma empresa está se tornando famosa nos bastidores do Rio de Janeiro por supostos golpes em gente importante. Ela seria administrada por uma dupla conhecida como “Pink e Cérebro”, apelido recebido pelos mirabolantes planos e por querer passar as pessoas para trás. Tivemos acessos a alguns casos. Como no desenho animado do Pink e Cérebro, toda armação articulada uma hora vem à tona. E quando a verdade aparece, as consequências chegam. De forma nada “Pacífica”, a conta sempre acaba cobrada. As autoridades, inclusive, já receberam informes da atuação da dupla.

Advogada do Master

A advogada Ana Patrícia Dantas Leão soltou vídeo no Instagram criticando a OAB por não defendê-la: “Esta luta sem o apoio institucional tem sido muito penosa”. Mas a própria quer virar desembargadora com o apoio da Ordem pela vaga do Quinto. Advogada do Banco Master, ela não atende aos pedidos de explicação sobre o quanto ganhou do banco de Daniel Vorcaro e que peças protocolou, já que atua no direito de família.

Silêncio conivente

Há dias o Ibama não responde a reportagem: onde estão cocares apreendidos em operação recente em Brasília? Por que aplicar multas de R$ 100 mil a R$ 190 mil a pobres indígenas em lojas regularizadas na Feira da Torre? E se tem fiscal usando a equipe para fazer vídeos para pré-campanha a deputado federal.

Reuso da água

A gestão da água ganha espaço nas estratégias da indústria brasileira de latas de alumínio. Em meio às discussões da Semana do Meio Ambiente, empresas do setor ampliam investimentos tratamento e reuso, na economia circular e descarbonização, cita a Abralatas. Uma das empresas associadas trata cerca de 16 mil metros cúbicos de efluentes por mês e reaproveita aproximadamente 76% da água usada na produção.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/sem-dinheiro-agencias-reguladoras-como-a-antt-estao-na-uti/

Ministro admite que governo Lula errou ao superestimar cálculo político no Congresso

Wellington Dias acredita que movimentação eleitoral pode ampliar base aliada no final do mandato. (Foto: Roberta Aline/MDS)

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, avaliou que o governo Lula (PT) cometeu um erro político ao priorizar a ambição de ter maioria qualificada (dois terços) no Senado e na Câmara. Para ele, o Planalto deveria “cuidar bem” dos parlamentares que já integravam a base aliada, para que se mantivésse, ao menos, a maioria simples (metade mais um).

“Qual foi o erro político desse terceiro mandato do presidente Lula? A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível. […] A gente saiu do resultado da eleição de 2022 com 39 senadores. Bastava que a gente cuidasse bem deles, buscasse dialogar com mais parlamentares e teríamos uma maioria simples que é o que um governo precisa para 95% das matérias que chegam ao Parlamento. Na Câmara, saímos com 242 deputados eleitos que, de alguma forma, no primeiro ou segundo turno, participaram da eleição apoiando o presidente Lula. E a gente não cuidou de conseguir mais 30 parlamentares”, disse Wellington.

Em setembro de 2025, União Brasil e PP anunciaram que desembarcariam da bancada governista, em meio à consolidação da federação União Progressista. Com isso, 12 senadores e 101 deputados passaram a ser, ao menos formalmente, oposição.

A movimentação pré-eleitoral fez com que um nome conhecido do União Brasil passasse ao PSB: a senadora Soraya Thronicke (MS), que vem se posicionando favoravelmente ao governo.

Ainda no parlamento, mas com outro objetivo em mente, o senador Sergio Moro (PR) decidiu deixar o União Brasil e se filiar ao PL. Ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), ele deixou o cargo acusando o ex-presidente de tentar interferir na Polícia Federal (PF) para blindar seus filhos contra investigações. Agora, ele usará a legenda para concorrer ao cargo de governador do Paraná.

Para Wellington, há a possibilidade de que a formação de palanques nas eleições auxilie no diálogo, ampliando as chances de conseguir mais apoio nas duas Casas. A moeda de troca para este aperto de mãos seria o protagonismo no anúncio de obras e medidas do governo federal em cada região.

“É no estado e em cada município que as coisas acontecem. Se a gente tem esse compromisso e valoriza esse parlamentar para ser a referência do que o governo faz ali, eles passam a ser protagonistas, representando e com apoio governamental para as políticas. A população valoriza e daí nasce a fidelidade”, explicou.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/ministro-admite-que-governo-lula-errou-ao-superestimar-calculo-politico-no-congresso/

O novo “tarifaço” de Trump e a reação intempestiva de Lula

O presidente norte-americano, Donald Trump, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. (Foto: ChatGPT sobre foto de Will Oliver/EFE/EPA/Pool)

As idas e vindas da política comercial de Donald Trump voltaram a mirar o Brasil. Após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado, em fevereiro deste ano, o primeiro “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, a Casa Branca avisou que usaria a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para procurar e punir práticas consideradas desleais, justificando novas tarifas, e para muitos era questão de tempo até que os norte-americanos alegassem novos pretextos para retomar a cobrança sobre produtos importados de várias nações. No caso brasileiro, duas investigações separadas resultaram em duas recomendações de tarifas.

Na segunda-feira, dia 1.º, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou relatório recomendando uma tarifa de 25% a importações oriundas do Brasil, com algumas exceções. Entre os motivos estavam questões ambientais, falta de combate à pirataria e à corrupção, tarifas preferenciais a outros países como México e Índia, e a fúria censora do Supremo Tribunal Federal. Sobrou até para o Pix, em um trecho sobre um suposto prejuízo a “empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal empresa nacional” – um equívoco grosseiro, já que o Pix não pertence a empresa alguma, sendo um sistema de pagamentos implantado pelo Banco Central.  

No tarifaço de 2025, Lula teve mais sorte que juízo: Trump recuou porque sua política comercial causou inflação, não por causa das provocações do brasileiro

Uma segunda investigação dizia respeito ao combate ao trabalho escravo, e terminou com a recomendação de uma tarifa de 12,5% não apenas sobre produtos brasileiros, mas também de dezenas de outros países – mesmo os que já teriam mecanismos de combate ao trabalho escravo ou assinaram acordos com os EUA também seriam taxados em 10%, incluindo aliados próximos de Donald Trump, como a Argentina de Javier Milei. Nenhuma das duas tarifas sugeridas está em vigor; audiências sobre os dois relatórios estão marcadas para a primeira quinzena de julho, e só depois disso deve haver alguma decisão sobre a cobrança – que nem é certa, caso Trump esteja preocupado com efeitos inflacionários que reduzam as chances de seu partido nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Há muitas justificativas frágeis nos relatórios americanos – o caso do Pix é evidente, pois as operadoras de cartão continuam trabalhando tranquilamente no Brasil –, mas outras apontam problemas reais. As citações do relatório ao Supremo Tribunal Federal, por exemplo, são certeiras: tanto no que se refere ao desmonte do combate à corrupção, com a anulação constante de condenações da Operação Lava Jato, quanto no que se refere ao ataque à liberdade de expressão, com ordens de censura que chegam a invadir a jurisdição norte-americana – motivo pelo qual Alexandre de Moraes está respondendo a processo nos Estados Unidos. E, naquilo que os norte-americanos identificaram corretamente, a chance de haver qualquer mudança de rumo por parte do Brasil é nula.

Desde que Trump anunciou seu primeiro tarifaço, a Gazeta do Povo tem demonstrado o desacerto das medidas, no atacado e no varejo. Em termos gerais, o norte-americano prejudica seriamente o comércio global, comprovada ferramenta de geração de riqueza e prosperidade. No caso brasileiro em específico, punir setores inteiros da economia pelos abusos de algumas autoridades é algo totalmente desproporcional. Se Trump quer expor ao mundo os desatinos dos inimigos da Lava Jato no STF, como Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ou a censura de Alexandre de Moraes, que os sancionasse individualmente.

Mesmo que Trump esteja errado, no entanto, a reação brasileira à possibilidade de voltar a ter seus produtos taxados nos EUA retrocedeu aos níveis de infantilidade que marcaram os dias seguintes ao primeiro tarifaço. O presidente Lula, agora operando em modo 100% eleitoral, tem respondido com as bravatas de praxe, aproveitando para acusar seu provável rival na disputa pelo Planalto, Flávio Bolsonaro, de estar por trás das possíveis novas tarifas, já que o senador esteve em Washington e se encontrou com Trump dias antes dos anúncios do USTR. O petista chegou a insinuar que Flávio e seu irmão Eduardo deveriam ser enforcados como “traidores da pátria”.

No tarifaço de 2025, Lula teve mais sorte que juízo: Trump recuou porque sua política comercial causou inflação, não por causa das provocações do petista, que se mostrou disposto a sacrificar o exportador brasileiro para colher alguns pontos porcentuais em popularidade com o discurso da “soberania”. Ao repetir a reação intempestiva diante de um possível “tarifaço 2.0”, o petista mostra mais uma vez que só pensa em aproveitar eleitoralmente a nova crise, em vez de deixar para os adultos a tarefa de negociar para defender o produtor nacional e uma boa relação entre Brasil e Estados Unidos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/novo-tarifaco-trump-reacao-lula/

Lula divulga foto com camisa da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo

Petista passou a defender o uso do verde e amarelo com a proximidade da Copa. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou na tarde deste sábado (6) uma série de fotos com a camisa da seleção brasileira. As imagens foram produzidas pelo fotógrafo oficial da Presidência da República, Ricardo Stuckert, na Granja do Torto, em Brasília (DF).

“O Brasil é dos brasileiros”, diz a legenda da imagem divulgada nos perfis do petista nas redes sociais. O bordão em defesa da soberania tem sido usado por ele para se posicionar contra as medidas do presidente Donald Trump nas últimas semanas, quando a Casa Branca classificou as facções criminosas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e voltou a taxar os produtos brasileiros com destino ao mercado norte-americano. 

A postagem foi comentada por políticos do PT, entre eles José Dirceu e o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e por aliados, como o deputado federal André Janones (Avante). O parlamentar faz parte da comitiva que foi aos Estados Unidos nesta semana para pedir a abertura de investigações sobre as supostas conexões financeiras da família Bolsonaro no país.  

Postagem foi comentada por petistas e aliados. (Foto: Reprodução/Instagram @lulaoficial)

Além de reforçar o discurso petista — de que as medidas representam um risco ao processo eleitoral pela interferência dos Estados Unidos e pela proximidade entre Trump e a família Bolsonaro — Lula passou a utilizar as cores da bandeira na tentativa de resgatar o verde e amarelo na pré-campanha pela reeleição, com o intuito de diminuir a rejeição a ele e ao partido, historicamente ligado ao vermelho.

No último final de semana, Lula disse que a esquerda deve voltar a usar as cores verde e amarela durante a Copa do Mundo para evitar que a bandeira seja associada aos adversários políticos. “A gente vai ter que, nessa Copa do Mundo, andar de verde e amarelo pra não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”, declarou o petista.

A Copa do Mundo, que será disputada no México, Estados Unidos e Canadá, começa na quinta-feira (11). O Brasil estreia no próxima sábado (13) contra o Marrocos pelo grupo C.

Às vésperas do Mundial, Lula passou a disputar com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) o protagonismo nas relações com a Casa Branca durante a pré-campanha pelo Palácio do Planalto. O petista ensaiou uma aproximação com Trump durante uma visita a Washington, mas perdeu espaço após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pedir ao republicano a classificação das maiores facções do país como organizações terroristas.

Lula criticou a postura norte-americana, enquanto Flávio e lideranças da direita se posicionaram favoravelmente à nova classificação para aprimorar o combate ao crime organizado.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-divulga-foto-camisa-da-selecao-brasileira-copa-do-mundo/

Por que empresários temem a crise entre Lula e Marco Rubio?

Lula sobe o tom e empresariado teme politização das negociaçõs de tarifas. (Foto: Jonas Roosens/EFE/EPA / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Lula elevou a tensão diplomática com os Estados Unidos ao acusar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, de influenciar novas sobretaxas contra produtos brasileiros. O setor produtivo agora teme que a disputa política prejudique exportações importantes do Brasil.

Qual é o motivo da nova briga comercial com os Estados Unidos?

O governo americano propôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Eles alegam que o Brasil pratica concorrência injusta, baseando-se em uma lei interna chamada Seção 301. Se a medida for aprovada, o imposto médio pago para vender produtos brasileiros nos EUA vai subir de 12,2% para mais de 18%, encarecendo muito nossas mercadorias.

O que o presidente Lula disse que irritou o setor privado?

Lula atacou diretamente Marco Rubio, o secretário de Estado dos EUA, chamando-o de ‘inimigo mortal’ da América Latina. Além disso, o presidente criticou o senador Flávio Bolsonaro, chamando-o de traidor. Especialistas acreditam que misturar brigas políticas internas e ofensas a autoridades estrangeiras prejudica os negociadores que tentam evitar as tarifas.

O que é essa investigação sobre trabalho forçado citada pelo governo?

Além das tarifas por ‘práticas injustas’, os EUA abriram outra frente de pressão, sugerindo uma taxa extra de 12,5% sob a acusação de que o Brasil falha no combate ao trabalho forçado em suas cadeias produtivas. É um tema muito sensível que atinge a imagem internacional das empresas brasileiras e pode fechar portas em outros mercados.

Como o governo brasileiro pretende reagir aos americanos?

O Planalto discute usar a Lei de Reciprocidade Econômica. Na prática, isso significa ‘dar o troco’: se os EUA taxarem nossos produtos, o Brasil criaria impostos equivalentes para produtos americanos que entram aqui. No entanto, muitos empresários acham que isso é perigoso, pois pode gerar uma escalada de retaliações que ninguém ganha.

Existem produtos específicos que estão no centro da disputa?

Sim, o etanol é um dos principais exemplos. O Brasil cobra 18% para o álcool vindo dos EUA, enquanto eles cobram apenas 2,5% do nosso. Essa diferença é vista pelos americanos como uma barreira injusta. Máquinas, equipamentos e o setor automotivo também estão na mira e podem sofrer prejuízos bilionários se as negociações diplomáticas fracassarem.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/por-que-empresarios-temem-a-crise-entre-lula-e-marco-rubio/

Fundão eleitoral, que faz alegria dos partidos, supera até valores do ‘novo PAC’

Urnas eletrônicas do sistema eleitoral brasileiro. (Foto: Divulgação/TSE).

O indecoroso valor que os partidos políticos vão receber apenas para torrar nas eleições deste ano, uma montanha de dinheiro de mais de R$4,9 bilhões, supera o que o governo federal de Lula vai investir, até agora, no Programa de Aceleração do Crescimento, o “Novo PAC”. Por mais que a ação não tenha decolado e ameaça ser outro projeto petista que flerta com o fiasco, o valor destinado é de R$4,4 bilhões; R$500 milhões atrás daquilo que caciques políticos vão poder torrar até outubro.

Emergência é o bolso

O fundão bancaria cerca de 15.123 ambulâncias para Unidades de Suporte Básico, ideais em emergências que exigem assistência imediata.

Vergonha na UTI

A fortuna destinada aos partidos também poderia comprar 10.425 do modelo Unidades de Suporte Avançado, conhecidas como UTI móvel.

Dá e sobra

Seria possível destinar duas ambulâncias para cada um dos 5.570 municípios do Brasil e ainda sobrariam 3.983 unidades de socorro.

Fundão da imoralidade

O fundão também supera os R$4,1 bilhões que o governo destinou para construir 1.178 creches e escolas de educação infantil via PAC.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/fundao-eleitoral-que-faz-alegria-dos-partidos-supera-ate-valores-do-novo-pac

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