Só Lula não vê os problemas da PEC do fim da escala 6×1

Coluna Esplanada
Coluna Esplanada

Lula aposta no fim da escala 6X1 como parte de “pacote de bondades” com foco na reeleição (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A despeito dos alertas do setor produtivo contra a PEC do fim da escala 6×1, o governo Lula da Silva 3 passa o trator com intenções eleitorais e não vê o problema a curto e médio prazos, apontam congressistas e grandes empresários.

Estudos sérios sobre o fim da escala 6×1, de associações industriais e do comércio, apontam para alta da inflação, desemprego, queda da produtividade e até risco de sonegação de impostos, com a alta carga tributária. Sobre a inflação, um dado latente é o de setor de bares e restaurantes, cujos donos vão repassar a conta do fim da escala 6×1 para o consumidor de imediato. Só no DF, os sindicatos apontam alta de 8% a 15% nos preços dos cardápios.

Os congressistas mais moderados vêem como inevitável o debate sobre o fim da escala 6×1, mesmo após as eleições, e pedem cautela ao governo para tentar uma transição e flexibilidade nas regras, para não matar o patronato e não travar o crescimento do PIB.

Atirou, levou

Os investidores da Faria Lima, o coração do PIB brasileiro, já notaram os movimentos contraditórios de Vladimir Timerman. Ele saiu atirando para todo lado – além do litígio com Nelson Tanure – e acabou se acertando no pé. Sua Esh Capital entrou numa série de derrocadas no mercado, e colegas apontam que ele perdeu o rumo fazendo acusações a terceiros.

Desistência

Peça-chave do suposto pagamento de mesada do Careca do INSS ao filho mais velho do presidente Lula da Silva, o denunciante desistiu de depor à Controladoria-Geral da União semana passada, revelou a Revista Oeste. Alegou ameaça de morte e falta de proteção da PF. A dúvida principal é: o que a CGU, órgão vinculado à Presidência (portanto, ao pai do suspeito) quer com ele? Deixa a Polícia Federal trabalhar…

Marina e prefeitos

Antes de deixar o Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva se reuniu com prefeitos de 60 cidades às margens da BR-319, em Rondônia e Amazonas, as que mais desmataram. Constatou que, em 2022, antes de assumir o MMA, foram registrados 11 mil km² de desmate nas regiões destes municípios – o número caiu para 5 mil km² no 1º trimestre de 2026. O desmatamento caiu mais de 60% na sua gestão, comemorou.

Exibição

Uma operação com fiscais do Ibama apreendeu cocares com penas de aves (até de galinha e pato) em lojas de índios Pataxó na Torre em Brasília no sábado (30). Há relatos de que o grupo, comandado por um fiscal atuante nas redes sociais, foi arrogante e invasivo, abrindo bolsas de pertences pessoais. O fiscal seria filiado a um partido político, foi candidato a deputado federal em 2022 e pretende voltar às urnas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/lula-nao-ve-problemas-pec-fim-escala-6×1/

Servidor da Receita é alvo de investigação por suposta propina milionária em importações por Itajaí

Porto de Itajaí, em Santa Catarina. (Foto: Ricardo Stuckert/Secom / arquivo)

Um servidor público que atua no porto de Itajaí (SC) é alvo de uma operação da Polícia Federal, nesta terça-feira (2), suspeito de receber mais de R$ 5 milhões em propina para supostamente facilitar operações de importação na região aduaneira do porto da capital catarinense.

A Operação Benaia cumpre 19 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina e São Paulo, incluindo endereços ligados ao servidor investigado, familiares e pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor de comércio exterior. As autoridades estimam que o esquema possa ter causado prejuízos superiores a R$ 10 milhões aos cofres públicos.

“As investigações apontam que despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas, direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados através de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens”, afirmou a Receita Federal em nota, que atua em conjunto com a Polícia Federal.

Os mandados são cumpridos na cidade catarinense de Itajaí e nas paulistas de Campinas, Guarulhos, São Paulo, Barueri, Hortolândia, Paulínia, Santana de Parnaíba e Valinhos. O servidor investigado foi afastado de suas funções até a conclusão das apurações e dos procedimentos administrativos.

As primeiras imagens divulgadas pela Polícia Federal apontam a apreensão de grandes somas de dinheiro em espécie, artefatos de luxo, armas e munições. Os nomes das empresas envolvidas não foram divulgados.

A investigação começou após a Corregedoria da Receita Federal identificar indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida do servidor e sua remuneração oficial. Também foram detectadas possíveis movimentações financeiras irregulares e sinais de favorecimento a empresas e profissionais ligados ao comércio exterior.

Segundo as investigações, o servidor teria recebido, direta ou indiretamente, pagamentos que ultrapassam R$ 5 milhões. Os repasses teriam ocorrido por meio de dinheiro em espécie, depósitos bancários e até pagamento de despesas pessoais, incluindo aluguéis, contas de cartão de crédito e aquisição de bens.

Os investigadores suspeitam que despachantes aduaneiros, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos possam ter participado do esquema. A hipótese é que essas empresas tenham sido beneficiadas em processos relacionados à fiscalização e liberação de mercadorias em troca das vantagens indevidas.

As autoridades alertam que a participação destes agentes compromete a fiscalização aduaneira, fragiliza os controles sobre cargas e cria concorrência desleal para empresas que atuam dentro da legalidade. As investigações continuam para aprofundar a análise dos indícios já identificados e verificar a possível existência de outros crimes relacionados ao caso.

Isso, porquê, o modo de operação deste grupo investigado é semelhante ao observado em outras apurações recentes da Receita Federal envolvendo fraudes no comércio exterior, nas quais empresas e intermediários atuariam em conjunto para obter benefícios indevidos em processos de importação com a ajuda de servidores públicos.

O porto de Itajaí é um dos principais do Brasil para movimentação de contêineres e um dos mais importantes corredores de importação e exportação do Sul do país. O complexo portuário ocupa tradicionalmente a segunda posição nacional em movimentação de contêineres, atrás apenas do porto de Santos (SP), e é fundamental para o escoamento da produção industrial e agropecuária de Santa Catarina.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/servidor-propina-milionaria-importacoes-itajai/

Luciano Trigo

Uma inimiga do povo?

Quem decide o que pode ser dito? E quais limites impedem que a proteção da sociedade se transforme em controle do debate público? (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

Na peça teatral “Um Inimigo do Povo”, publicada em 1882, o dramaturgo norueguês Henrik Ibsen construiu uma poderosa metáfora sobre o choque entre verdade, poder institucional e opinião pública. Uma reflexão atualíssima sobre a ditadura da maioria, a manipulação da sociedade e o isolamento de quem desafia consensos estabelecidos.

A trama é conhecida. O médico Thomas Stockmann descobre que as águas termais que sustentam a economia da sua cidade estão contaminadas. Convencido de que será aplaudido por alertar a população, ele vê acontecer exatamente o contrário. A imprensa, os políticos e os empresários locais o abandonam quando se dão conta dos custos econômicos da revelação. Stockmann é perseguido e silenciado e, em uma assembleia popular, acaba sendo declarado inimigo do povo. Tudo por tentar expor uma verdade inconveniente.

Eu me lembrei dessa peça ao ler as notícias sobre o caso da médica Isabel Braga, servidora da Fiocruz. Em ação movida pela própria instituição, com apoio da AGU, a Justiça Federal determinou o bloqueio de seus perfis em redes sociais, proibiu a criação de novas contas e impôs restrições adicionais à sua atividade nas redes sociais.

A justificativa — quem poderia imaginar? — foi o combate à desinformação. Segundo a decisão, a médica divulgava conteúdos considerados falsos ou enganosos sobre vacinas, saúde pública e pesquisas científicas, com potencial para comprometer a confiança da população em instituições e campanhas sanitárias.

Mas o ponto mais delicado do episódio não está na remoção de conteúdos específicos (o que pode ser justificado), mas na abrangência da medida. Punir manifestações consideradas ilícitas após sua publicação é uma coisa. Impedir previamente que alguém continue participando do debate público é outra.

A diferença não é meramente formal: ela toca diretamente o princípio da vedação à censura prévia, que, até pouco tempo atrás, costumava ser um dos pilares das democracias contemporâneas.

Quem define o que pode ou não ser dito? E quais são os mecanismos que impedem que a necessária proteção da sociedade se converta em controle excessivo do debate público?

Como já escrevi mais de uma vez, a liberdade de expressão não existe para proteger opiniões consensuais. Estas não precisam de proteção. Ela existe justamente para garantir espaço às opiniões erradas, impopulares, incômodas ou dissidentes. Pode-se argumentar que esse princípio não é absoluto, que o uso da palavra envolve limites e responsabilidades. Concordo. Informações falsas sobre vacinas podem, de fato, ter consequências nocivas para a saúde coletiva.

O problema é outro: quanto mais o Estado se aproxima da censura, por meio da regulação preventiva do discurso, mais necessário se torna o debate sobre seus critérios e justificativas. Quem define o que pode ou não ser dito? E quais são os mecanismos que impedem que a necessária proteção da sociedade se converta em controle excessivo do debate público?

Uma olhada na própria história da ciência recomenda cautela. Antes de virar consenso, o conhecimento avança por meio de questionamentos. Muitas ideias que hoje são aceitas surgiram como posições minoritárias e fortemente contestadas. Evidentemente, isso não transforma toda dissidência em ciência, nem toda crítica em descoberta revolucionária. Mas a linha que separa a opinião equivocada, necessária na ciência e na democracia, da heresia intelectual nem sempre é tão nítida quanto se pretende.

É nesse aspecto que o paralelo com Ibsen parece pertinente. Guardadas as diferenças, Thomas Stockmann e Isabel Braga têm em comum o fato de entrarem em choque com as estruturas que reivindicam autoridade e legitimidade para definir os limites do discurso aceitável. A pergunta levantada pela peça permanece atual: o que acontece quando instituições passam a enxergar a divergência como ameaça?

No ambiente digital, essa questão ganha relevância ainda maior. As plataformas já exercem considerável poder de moderação sobre o que circula online. Quando decisões judiciais passam a eliminar perfis inteiros ou a restringir previamente manifestações futuras, o debate deixa de ser apenas sobre conteúdos específicos e passa a envolver o próprio acesso ao espaço público.

Ibsen entendeu esse risco há mais de um século. Sua advertência continua atual porque mostra como sociedades convencidas de estar defendendo o bem comum podem ultrapassar limites e transformar a discordância em ameaça. É assim que uma médica acusada de desinformação por dar opiniões divergentes pode acabar sendo vista não como alguém que foi derrotada em um debate racional e democrático, mas como mais uma dissidente silenciada pelo sistema. A lista é longa.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/uma-inimiga-do-povo/

Flávio diz que pediu para Trump não taxar empresas após relatório americano sugerindo tarifa

Senador defendeu Pix e etanol como tecnologias a serem valorizadas e falou em diálogo com os EUA. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Em entrevista concedida à Radio Itatiaia nesta terça-feira (2), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que, no encontro com Donald Trump, pediu que o presidente dos Estados Unidos não aplique taxas contra empresas brasileiras.

“Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas”, afirmou o senador.

Fala ocorre após ameaça de tarifa de 25%

A declaração ocorre um dia após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa de 25% sobre a importação de todos os produtos brasileiros, com exceção de commodities estratégicas. De acordo com a nota do órgão, a ideia é enfrentar práticas consideradas lesivas aos interesses americanos:

  • Remoção de conteúdos políticos de cidadãos americanos;
  • Multas a plataformas de mídia americanas por descumprimento de ordens de bloqueio;
  • Bloqueio da plataforma Rumble;
  • Favorecimento do Pix em detrimento de outras formas de pagamento de empresas americanas;
  • Tratamento tarifário preferencial ao México e à Índia;
  • Falhas no combate à corrupção;
  • Proteção insuficiente à propriedade intelectual;
  • Falta de equilíbrio tarifário para o comércio de etanol desde 2017;
  • Dificuldades em conter o desmatamento ilegal.

Flávio defende Pix e etanol, mencionados em relatório

Na mesma fala, Flávio citou o Pix como exemplo de tecnologia que precisa ser valorizada. O sistema automático de pagamentos vem gerando tensão comercial entre os dois países. O setor bancário vem se queixando do privilégio dado ao Banco Central (BC) ao método de pagamento. Com o alinhamento ideológico entre Flávio e Trump, os petistas passaram a divulgar que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acabaria com o Pix caso fosse eleito. O senador, porém, nunca propôs nada nesse sentido.

“Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual”, defendeu Flávio.

O Brasil foi alvo do chamado “tarifaço”, em agosto de 2025. Os produtos brasileiros passaram a ser taxados em 50%, no mesmo bloco de medidas em que houve a inclusão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no rol de sancionados pela Lei Magnitsky. A sanção contra Moraes foi revogada e as tarifas suspensas no final do ano.

Pix e classificação de facções como terroristas se encontram em discurso petista de soberania nacional

Logo após a divulgação do relatório, o BC citou a modalidade 163 vezes em seu relatório de cidadania financeira de 2025. O presidente Lula vem usando o Pix como forma de investir no discurso de soberania nacional, mesmo conceito utilizado para se posicionar contra a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, que ocorreu logo após a viagem de Flávio e é atribuída à influência do parlamentar.

Agora, o governo brasileiro tenta abrir um canal de diálogo com Trump para que a decisão seja revertida. O Planalto vê risco de sanções e interferência externa, além de problemas na cooperação internacional, que passaria da segurança pública para a defesa nacional, impondo maiores restrições de sigilo.

Para o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), a medida não apenas dificultará o combate ao crime organizado como prejudicará a economia, afastando investimentos no país por temor de uma acusação de envolvimento com o que, agora, será enxergado como terrorismo.

A mudança atinge qualquer pessoa ou empresa que prestar qualquer forma de apoio material ao PCC e ao CV, incluindo dinheiro e outros auxílios. Os integrantes das facções podem ter seus ativos bloqueados, sendo impedidos de viajar aos Estados Unidos ou de negociar com pessoas e empresas do país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-diz-que-pediu-para-trump-nao-taxar-empresas-apos-relatorio-americano-sugerindo-tarifa/

Vorcaro pagou férias milionárias de Ciro Nogueira nos Alpes Franceses, aponta PF

Investigação aponta que senador e companheira passaram 13 dias em hotel de luxo e frequentando restaurantes de alto nível. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre a fraude bilionária promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, revelou mais um desdobramento envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido mesadas de R$ 500 mil para encaminhar projetos de interesse do empresário no Senado e que o levaram a ser alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero.

Segundo uma nova apuração da Polícia Federal revelada pela revista Piauí nesta terça-feira (2) e confirmada por fontes à Gazeta do Povo, Vorcaro bancou uma viagem de luxo de férias de Ciro Nogueira e de sua companheira, Flávia Rosalen, aos Alpes Franceses em janeiro de 2025. Segundo os documentos anexados ao inquérito, o casal permaneceu por 13 dias em Courchevel, um dos destinos de inverno mais exclusivos do mundo, com despesas pagas pelo empresário.

A reportagem procurou o senador e aguarda retorno. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não se pronunciará sobre a apuração.

A investigação da Polícia Federal aponta que as férias de Ciro e sua companheira nos Alpes Franceses tiveram um custo milionário, com hospedagem em um hotel de alto padrão e refeições em restaurantes renomados da região, incluindo estabelecimentos com estrela Michelin. Uma delas teria custado R$ 63 mil.

Em mensagens analisadas pelos investigadores, o banqueiro se referiu ao senador como “um dos meus grandes amigos de vida”, reforçando a proximidade entre os dois. Fotos incluídas no processo também comprovam a convivência durante a viagem.

Em uma imagem registrada em 21 de janeiro, Ciro Nogueira e Vorcaro aparecem abraçados diante das montanhas cobertas de neve de Courchevel, usando roupas típicas para o frio e óculos escuros.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou buscas na residência do senador também menciona uma troca de mensagens entre Vorcaro e um homem apontado como responsável pela logística do banqueiro nos Estados Unidos. Na conversa, ele pergunta se os “meninos” deveriam continuar pagando as despesas de restaurantes de “Ciro/Flavia até sábado”.

A resposta do banqueiro foi direta, de que “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”. Para os investigadores, a mensagem reforça a suspeita de que despesas pessoais do senador eram custeadas pelo empresário durante a estadia na França.

As apurações da Polícia Federal indicam que Courchevel não teria sido o único destino internacional associado a benefícios pagos por Vorcaro. Mensagens obtidas pelos investigadores apontam ainda para transferências financeiras recorrentes relacionadas à BRGD, empresa ligada à família do senador.

Em conversas registradas nos dias 21 e 24 de junho e em 25 de julho de 2024, Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, questiona se deveria manter pagamentos de “300k” (R$ 300 mil) ao “pessoal que investiu” na BRGD. Em todas as ocasiões, segundo o material reunido pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro respondeu autorizando a continuidade dos repasses.

As investigações que levaram à quinta fase da Operação Compliance Zero, que teve Ciro Nogueira como principal alvo, apontaram que ele tentou passar no Senado um projeto de lei inteiramente redigido por assessores de Vorcaro.

A proposta pretendia ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão, o que ajudaria o Banco Master a aumentar exponencialmente a captação de dinheiro no mercado usando o mecanismo como chamariz.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pf-vorcaro-pagou-ferias-milionarias-ciro-nogueira-alpes-franceses/

Alexandre Garcia

Pacote de bondades de Lula não é compra indireta de votos?

O presidente Lula no lançamento de programa de crédito para taxistas e motoristas de aplicativos. Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Advogados de uma associação chamada Juristas pela Democracia – são praticamente todos de esquerda, com filiados do Psol e do PT – viram uma oportunidade óbvia de entrar com uma ação contra Flávio Bolsonaro, por ter ido à Casa Branca falar da necessidade de classificar os terroristas brasileiros como o que são: terroristas, que aterrorizam a população brasileira. Eu até já havia dito que era melhor deixar que Donald Trump fizesse isso sozinho porque, indo à Casa Branca, Flávio deixaria uma possibilidade que vai atrapalhar o registro de sua candidatura. A lei eleitoral fala muito em não intervenção, em proibir a interferência de governos estrangeiros na eleição, mas não adiantou o meu alerta. Está faltando estratégia, jogar xadrez em vez de damas.

Mas o outro lado também está com telhado de vidro. A Gazeta do Povo mostrou que Lula já gastou R$ 190 bilhões do nosso dinheiro, dos nossos impostos, do nosso trabalho, do nosso suor, em bondades para ter votos e se reeleger. É subsídio para o gás, para a energia elétrica (que ficou mais cara, ou seja, não adiantou muito), para o combustível, crédito para taxista, para motorista de Uber, para estudante. Isso também estimula o endividamento. A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não teve grandes resultados.

Não sei se isso também não deixa a possibilidade para que advogados do outro lado também entrem na Justiça, invocando a lei eleitoral que proíbe a compra de voto direta ou indiretamente. Isso é importante: não precisa ser direto. Assim como há crime quando um funcionário público recebe dinheiro, direta ou indiretamente, em troca de algum favor: pode ser para a mulher, o sobrinho, alguém da família, pode ser de outra forma; vemos muito isso por aqui, envolvendo milhões. 

Morte de idosa alerta para cuidado ao descer de aviões

Aconteceu no ano passado e, agora, de novo. No ano passado, foi em São José do Rio Preto (SP): um homem, ao desembarcar do avião, tropeçou em um dos degraus da escada e morreu. Agora, em Congonhas, uma senhora de 72 anos tropeçou ao descer no desembarque – a descida é sempre mais perigosa – e morreu. Talvez estivesse com as mãos ocupadas, carregando bagagem, e não pôde se segurar no corrimão. Mas é essencial manter a mão no corrimão quando se está descendo. Fica aqui a lembrança: se alguém sofre um acidente desses e bate com a cabeça no chão, atinge uma região muito delicada do corpo humano, e a lesão pode paralisar o coração e o funcionamento dos pulmões.

Em Brasília, o “anti-Gilmarpalooza”

Está havendo em Brasília um seminário internacional sobre direito e justiça, com presença de representantes de supremas cortes de 17 países. Lá estão os presidentes do STF, do STJ, do Superior Tribunal Militar e do Superior Tribunal do Trabalho, além da ministra Cármen Lúcia. Estão tratando de inteligência artificial, redes sociais, da perda de confiança do Judiciário. Esse seminário, realizado ao mesmo tempo que o Fórum de Lisboa, de Gilmar Mendes, está sendo tratado como um “anti-Gilmarpalooza” – em Portugal, além de Gilmar, também está Alexandre de Moraes; Flávio Dino iria também, mas fraturou o pé e não teve como ir. Aliás, o Gilmarpalooza deve ser prejudicado por uma greve geral marcada para quarta-feira, último dia do evento, e que promete parar tudo em Lisboa

Esses dois fóruns, ao mesmo tempo, merecem comparação. Um deles já teve programação paralela bancada pelo Master, e o outro é uma tentativa de buscar ética. Não custa comparar, porque todo mundo já considera que o STF está dividido.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/pacote-bondades-lula-190-bilhoes-compra-votos/

Aliados do governador do Ceará são acusados de crimes e ligação a facções

Deputado Carmelo Neto (PL) é opositor ferrenho do governador Elmano de Freitas (PT), no Ceará. (Foto: Júnior Pio/Alece)

O deputado estadual Carmelo Neto (PL-CE) expôs aliados do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), que já foram presos ou acusados de crimes e de ligações com facções criminosas. A lista, que inclui o presidente Lula (PT), foi exposta na noite desta segunda-feira (1º), após o parlamentar ter sido listado pelo governador petista entre os bolsonaristas que representariam o “pior da política” na base de apoio a Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense.

O deputado do PL ressaltou preferir integrar a turma do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E disse não precisar falar de Lula, que já ficou preso por 580 dias, entre 2018 e 2019, após ser condenado a mais de 8 anos de prisão por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Condenação que foi anulada em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Sabe o que é que tem em comum entre todos eles? Todos têm uma ficha corrida extensa e são aliados do governador Elmano. Gente, eu prefiro ser da turma do Bolsonaro, como diz o Elmano, do que tá rodeado por essa gente. E eu peço a você, compartilha esse vídeo pra gente mostrar pro Brasil quem são os aliados do governador do PT aqui no Ceará”, disse Carmelo Neto, ao lembrar que é pré-candidato a deputado federal pelo Ceará para “desmascarar essa turma e trabalhar de verdade pelo povo”.

A ficha da turma do Elmano

O primeiro integrante da “Turma do Elmano” citado por Carmelo Neto foi o ex-prefeito de Santa Quitéria, José Braga Barrozo, o “Braguinha” (PSB), preso e cassado em 2025, após ter sido eleito com apoio da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Outro da turma do governador petista é o ex-prefeito da cidade de Potiretama, Luan Dantas Felix (PP), também preso e cassado após ser acusado de mandar incendiar a fazenda de um adversário político na cidade de Alto Santo, com ajuda da facção criminosa PCC.

Carmelo também relata que Elmano é aliado político do ex-prefeito de Choró, Carlos Alberto Queiroz, o “Bebeto Queiroz” (PSB), foragido há mais de um ano, cassado após ser alvo de duas operações policiais por fraudes no abastecimento de veículos da prefeitura, corrupção eleitoral e organização criminosa.

A lista de aliados de Elmano prossegue com a citação do prefeito afastado de Jardim, Antônio Coutinho (PT), alvo da Operação Kingdon, em março, por fraudes licitatórias, desvios de recursos públicos federais, corrupção e lavagem de dinheiro.

O parlamentar do PL cita outro homem de confiança do governador, Marco Antônio de Araújo Bica Júnior, o “Marquinho da Ana” (PT), alvo da Operação Traditori, em março deste ano, após ter disputado a prefeitura de Morada Nova, em 2024. Em 2023, o aliado de Elmano visitou na prisão um líder da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), em março de 2023. Já nomeado em 2025 como superintendente da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) do governo do petista, Marquinho da Ana voltou a manter contato telefônico com o mesmo chefe da facção que domina o tráfico de drogas na região do Vale do Jaguaribe.

Carmelo ainda disse que o ministro das Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães (PT), é lembrado como “deputado do dólar na cueca”, em referência ao fato ocorrido em 2005, quando um assessor do petista foi preso com US$100 mil na cueca e R$209 mil numa maleta.

O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre, em prisão domiciliar, uma pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes na chamada “trama golpista” contra a eleição de Lula. E o deputado chegou a mudar seu nome de parlamentar na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para “Carmelo Bolsonaro”, em solidariedade ao ex-presidente.

Veja o vídeo de Carmelo Neto:

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/carmelo-expoe-aliados-de-elmano-acusados-de-crimes-e-elo-com-faccao

Governo acusa Alcolumbre de usar PEC 6×1 para se manter presidente do Senado

Senador Rogério Marinho (PL-RN) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre Foto: Carlos Moura/Agência Senado.

Parte do governo tem certeza de que Davi Alcolumbre (União-AP) quer usar a tramitação do projeto que acaba com a jornada de trabalho de 44 horas semanais, a escala 6×1, para viabilizar a reeleição à Presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Além disso, o senador não parece disposto a dar de mão beijada a vitória política a Lula (PT). Alcolumbre agilizou a tramitação da proposta da oposição sobre o tema. O texto é assinado pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Vapt-vupt

O texto de Marinho entrou no sistema na última quinta-feira (28) e no mesmo dia já foi despachado para a Comissão de Constituição e Justiça.

No molho

Também na quinta-feira (28) chegou ao Senado o texto governista aprovado pela Câmara, que ainda aguarda despacho de Alcolumbre.

Semana esvaziada

A reunião de líderes para resolver a tramitação da proposta já desidratou. Deve ser só com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA).

Boca de sacola

Senadores contam que Alencar disse que a tramitação começa dia 10 na CCJ. O prazo vazou antes da reunião com Alcolumbre, que não gostou.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-acusa-alcolumbre-de-usar-pec-6×1-para-se-manter-presidente-do-senado

Cármen Lúcia cobra integridade de juízes em evento anti-Gilmarpalooza

Cármen Lúcia participou de congresso do STJ, evento visto como anti-Gilmarpalooza. (Foto: Antonio Augusto/STF)

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia cobrou integridade dos magistrados para combater a desconfiança institucional. Ela participou do Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial, promovido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O evento é visto como um contraponto ao 14º Fórum de Lisboa, o “Gilmarpalooza”, organizado pelo ministro Gilmar Mendes que também começou nesta segunda-feira (1º).

“Continuamos a precisar de juízas e juízes que tenham coragem no mundo em que há risco de uma erosão democrática em vários países. Por isso, a importância de um encontro como este, para que juntos a gente consiga oferecer proposições e instrumentos para superarmos esta crise permanente de riscos à democracia de direito”, apontou a ministra.

Cármen Lúcia é a relatora do Código de Ética do Supremo, iniciativa anunciada diante da crise causada pela investigação envolvendo o Banco Master. A ministra defendeu a necessidade de uma ética constitucional compartilhada por todos os Poderes — Legislativo, Executivo e Judiciário.

Para fortalecer a confiança da população, ela sugeriu que o Judiciário e a sociedade passem por um processo de educação democrática. O objetivo é que o povo compreenda o papel do juiz e o que pode esperar das instituições.

Com isso, segundo a ministra, eventuais equívocos individuais não serão vistos como falhas institucionais permanentes. “O que nós queremos é que nossas instituições sejam devidamente alvo da confiança e não de uma desconfiança do povo”, disse.

Sob a coordenação do presidente do STJ, Herman Benjamin, o congresso tem como objetivo discutir a integridade da magistratura em um cenário de transformações tecnológicas e pressões políticas.

Congresso do STJ discute “dever de reserva” de juízes nas redes sociais

Os participantes debateram sobre o “dever de reserva” nas redes sociais para evitar que manifestações privadas contaminem a percepção de imparcialidade dos tribunais.

O presidente da Corte de Cassação da França, ministro Christophe Soulard, destacou que, embora os juízes tenham liberdade de expressão como qualquer cidadão, esse direito é ponderado pelo dever de reserva.

Isso significa que os magistrados devem agir com moderação e contenção em suas manifestações públicas para preservar a dignidade de sua função e a imparcialidade do Judiciário.

Soular alertou que um comentário imprudente ou excessivo em uma rede social pode dissolver instantaneamente a confiança do público na imparcialidade de um juiz e, por extensão, de toda a instituição.

Em abril deste ano, o ministro Gilmar Mendes rebateu críticas do pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), por meio das redes sociais. Na ocasião, o decano disse ser “no mínimo irônico” ver Zema atacando o STF após tê-lo acionado para adiar o pagamento da dívida de Minas Gerais com a União.

Neste ano, o “Gilmarpalooza” reúne autoridades brasileiras, empresários e personalidades em Lisboa, Portugal, para debater “nova ordem internacional, tecnologia e soberania”. No primeiro dia do fórum, Gilmar e o ministro Alexandre de Moraes defenderam a regulação das redes sociais.

Não existe democracia sem Judiciário íntegro, diz presidente do STJ

Na abertura do congresso, Benjamin alertou para uma “preocupante erosão do Estado de Direito” observada em várias partes do mundo. Ele defendeu que não existe democracia sem um Judiciário independente e íntegro, classificando ataques às instituições judiciais como atos “anticivilizatórios”.

Também participaram dos debates a relatora especial da ONU, Margaret Satterthwaite, e os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Administrativo de Portugal, ministros João Cura Mariano e Jorge Aragão Seia.

Em mensagens enviadas por vídeo, os chefes das Supremas Cortes da Índia, Irlanda e França reforçaram que a independência judicial não é um privilégio do juiz, mas uma garantia fundamental do cidadão.

Revisão de padrões éticos internacionais

Um dos desdobramentos práticos do congresso é a discussão sobre a atualização dos Princípios de Bangalore, o código de conduta ética que orienta juízes em todo o mundo.

O ministro Vieira de Melo Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ressaltou a necessidade de uma “jurisdição transparente” que responda às expectativas da sociedade contemporânea.

O encontro seguiu com sessões fechadas sob a regra de Chatham House, permitindo um diálogo franco entre os magistrados para a elaboração de um relatório final que servirá de guia para o fortalecimento da integridade judicial globalmente.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/carmen-lucia-cobra-integridade-de-juizes-em-evento-anti-gilmarpalooza/

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