
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual (MPSP) devolveram à prisão a advogada e influencer digital Deolane Bezerra, aliada do presidente Lula (PT) e suspeita de atuar em uma organização criminosa que opera na lavagem de dinheiro da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), é um desdobramento de informações encontradas em celular apreendido na Operação Lado a Lado, sem relatos de ligação com Lula.
“O conteúdo extraído do dispositivo revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. […] Essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas daquela transportadora”, narrou a Polícia Civil de São Paulo, sobre a origem da Vérnix, terceira etapa da investigação iniciada em 2019, com apreensão de bilhetes que se referiam a uma “mulher da transportadora”.
O novo cerco para estancar o amplo esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras, resultou em 6 prisões preventivas decretadas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados. O objetivo é interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.
“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relata a polícia judiciária paulista.
Não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos à Deolane Bezerra, que participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo do Brasil e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade, antes das operações que levaram a influencer à prisão.
Os investigadores apontam que a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial de Deolane eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. Também foram identificadas estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas usadas como mecanismo para dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos do PCC.
“Os afastamentos de sigilos fiscal e financeiro revelaram um fluxo vultoso de dinheiro, com cifras sem lastro econômico compatível, movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores, operações envolvendo empresas sem capacidade financeira aparente e repasses que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, não apresentaram justificativa lícita suficiente”, relata a Polícia Civil.
Os outros alvos da Vérnix que teriam relação com Deolane são:
- Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, fundador e chefão do PCC, já preso em penitenciária federal;
- Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro, preso hoje;
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola, já preso em penitenciária federal;
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, considerada foragida e procurada na Bolívia, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, considerado foragido e procurado em Madri, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Deolane, presa pela polícia civil em setembro de 2024, posa com Lula e Janja.
‘Mulher da transportadora’
Segundo a Polícia Civil comandada pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a investigação de alta complexidade foi iniciada em 2019, revelou uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula da facção criminosa autodenominada
A investigação iniciou em 2019, com Polícia Penal apreendendo bilhetes e manuscritos com dois condenados presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que narravam a dinâmica interna sobre a atuação de líderes da organização criminosa encarcerados e possíveis ataques contra agentes públicos. Com novas diligências e três inquéritos policiais, novas camadas da organização foram expostas.
“A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Ocorre que dentre os trechos analisados, chamou atenção a citação a uma ‘mulher da transportadora’, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa”, relatou a Polícia Civil, sobre o primeiro inquérito.
O segundo inquérito visava identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora com o grupo criminoso. E evidenciou uma empresa de Presidente Venceslau usada pelo crime organizado para lavar dinheiro, que foi alvo da Operação Lado a Lado, contra movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção.

Lula ao receber dezenas de influenciadores em fevereiro de 2023, no Planalto.
Dimensão internacional
A revelação de que três investigados estariam na Itália, na Espanha e na Bolívia levou a Polícia Civil paulista a representar pela inclusão dos suspeitos na Difusão Vermelha da Interpol, que caça foragidos internacionais, com apoio direto do MPSP e da Polícia Federal.
O Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) também ajudou no cumprimento das diligências da Polícia Civil e do MPSP, que apontam a Operação Vérnix como mais um avanço no enfrentamento ao crime organizado sob a perspectiva patrimonial, atingindo não apenas operadores periféricos, mas também estruturas financeiras ligadas ao núcleo de comando da facção.
“A ação reforça que o combate ao crime organizado passa, cada vez mais, pela identificação e interrupção dos fluxos de dinheiro ilícito. Ao atingir bens, contas, empresas e patrimônio de alto valor, a investigação busca enfraquecer a capacidade econômica da organização criminosa, impedir a continuidade da lavagem de capitais e assegurar a responsabilização dos envolvidos”, concluiu a Polícia Civil.
Outro lado
A advogada e irmã de Deolane, Daniele Bezerra, manifestou-se em defesa da influenciadora acusada de ligação com Marcola e o PCC. Veja:
Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.
PF comunica ao STF decisão de rejeitar delação de Vorcaro

Confirmando o que havia sinalizado na segunda-feira (18), ao solicitar autorização de transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum e com restrições para conversar com seus advogados, a Polícia Federal comunicou ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), sua decisão de rejeitar a proposta de delação premiada do dono do Banco Master. Vorcaro é investigado por fraude no mercado financeiro e vários crimes, incluindo corrupção de autoridades e outros agentes públicos.
A PF considerou que as informações apresentadas pelo banqueiro não eram novas e não justificavam a assinatura do acordo. Essa foi a decis˜ão da PF, mas ainda falta o pronunciamento da Procuradoria Geral da República (PGR), cujo titular Paulo Gonet esteve entre os convidados de Vorcaro para a degustação de uísque Macallan e charutos em um requintado clube de Londres. Participaram daquele evento três ministros do STF, cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STF), vários ministros do governo Lula e o diretor da Polícia Federal.
A PGR considera possível pedido de “complementos” à proposta de delação para avaliar a assinatura do acordo. Para prosseguir com a negociação, os advogados do banqueiro precisam convencer a PGR da utilidade das revelações que está disposto a compartilhar com os invstigadores.
Vorcaro começou a negociar acordo em 19 de março, poucos dias depois da sua prisão, mas a delação proposta proposta entregue por seus advogados, cerca de 45 dias depois, foi considerada seletiva e criticada por não contou tudo o que sabia sobre personagens relevantes.
Dona da produtora do filme de Bolsonaro trabalhou na campanha de Mário Frias

Dona da Go Up, produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, Karina Gama aparece como sócia de outra produtora, a GO7 Assessoria, que usa o nome Conhecer Brasil Assessoria, Produção e Marketing Cultural. A empresa está entre as maiores despesas da campanha para deputado federal de Mário Frias (PL-SP), em 2022, e recebeu R$ 54 mil. Não há mais detalhes sobre o serviço prestado. À justiça eleitoral, o pagamento foi classificado como despesas “diversas a especificar”.
Velho conhecido
No mesmo ano, a produtora também trabalhou na campanha para deputado estadual de Felipe Carmona Cantera, que virou suplente.
Já te vi
Cantera atuou como Secretário Nacional de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual. Pagou R$13 mil à produtora de Karina.
Tudo em casa
Frias foi secretário especial da Cultura entre 2020 e 2022. À época, Cantera era diretor de departamento subordinado ao ex-ator.
À revelia
A coluna não conseguiu contato com Karina Gama, mas procurou a assessoria de Mário Frias, que não respondeu.
Cerco policial à aliada de Lula inclui traficante Marcola, chefão do PCC

O líder nacional da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, também foi alvo da Operação Vérnix, que voltou a prender, nesta quinta-feira (21), a advogada e influencer digital Deolane Bezerra. A aliada do presidente Lula (PT) é suspeita de atuar em uma organização criminosa que opera na lavagem de dinheiro da facção, sem relatos de envolvimento do petista.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa Deolane de atuar em crimes com família do chefão do PCC e operadores financeiros da organização criminosa de Marcola, que está preso desde 1999, condenado a penas que somam mais de 300 anos de prisão por diversos crimes.
Um novo mandado de prisão preventiva foi expedido contra Marcola, que cumpre penas na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do complexo prisional da Papuda, para onde o traficante foi transferido em janeiro de 2023, após passagens por diversos presídios.
Não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos à aliada Deolane Bezerra, que participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo do Brasil e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade, antes das operações que levaram a influencer à prisão, pela primeira vez, em setembro de 2024.
Marcola e Deolane foram presos entre seis mandados de prisões preventivas e atingidos por bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, como medidas cautelares demandas pelo MPSP e a Polícia Civil de São Paulo. E as evidências do elo entre Deolane e Marcola foram identificadas em um aparelho celular apreendido na Operação Lado a Lado, com conversas entre a influenciadora e parentes de Marcola.
Os outros alvos da Vérnix que teriam relação com Deolane são:
- Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro, preso hoje;
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola, já preso em penitenciária federal;
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, considerada foragida e procurada na Bolívia, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, considerado foragido e procurado em Madri, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Cerco ao PCC
O objetivo da Operação Vérnix é desarticular o complexo esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Além de interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.
Também houve sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados.
“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relatou a polícia judiciária paulista.
Outro lado
A advogada e irmã de Deolane, Daniele Bezerra, manifestou-se em defesa da influenciadora acusada de ligação com Marcola e o PCC. Veja:
Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.
Gilmar Mendes insiste em reescrever a história da Lava Jato

O ministro do STF Gilmar Mendes cassou uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que determinava a exclusão de uma publicação do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) sobre o ex-procurador e ex-deputado federal Deltan Dallagnol. O petista havia afirmado que Dallagnol estava inelegível, “é criminoso” e “foi pego também tentando desviar 2 bilhões de recursos públicos”. A corte eleitoral paranaense havia considerado que o deputado havia promovido desinformação (ao usar um documento descontextualizado) e “propaganda eleitoral antecipada negativa”; Zeca Dirceu recorreu e Gilmar Mendes reverteu a decisão do TRE-PR, aproveitando a oportunidade para retomar seus costumeiros ataques à Operação Lava Jato.
Não é nosso objetivo, neste momento, analisar a eligibilidade de Dallagnol, que teve sua candidatura a deputado federal em 2022 impugnada pelo TSE de forma absurdamente teratológica; nem tratar da imunidade parlamentar, um dos argumentos invocados por Zeca Dirceu ao recorrer da decisão do TRE-PR (e sobre a qual já tratamos extensivamente neste espaço); nem discutir o conceito de “propaganda eleitoral antecipada negativa”, inexistente na lei eleitoral e que já deu margem a censura no passado. Interessa-nos, aqui, denunciar a tentativa canhestra de reescrever a história da Operação Lava Jato, criminalizando os agentes que, de forma heroica, deram seu melhor para combater a corrupção e desvendar o enorme esquema montado pelo PT para fraudar a democracia brasileira.
A estratégia dos inimigos da Lava Jato é repetir as mesmas mentiras tantas vezes até que o brasileiro se convença de que tudo aconteceu exatamente como eles narram
Este é trabalho que Gilmar Mendes – cuja virulência contra a Lava Jato é tamanha que já rendeu uma condenação à União, em ação atualmente suspensa – não faz sozinho. Seu colega Dias Toffoli também tem se dedicado a essa tarefa, usando como leitmotive um suposto “conluio” entre a força-tarefa e o então juiz Sergio Moro e, especialmente, uma inacreditável “coação” por parte do Ministério Público, que forçava empresas e investigados – todos capazes de pagar as melhores bancas advocatícias do país – a assinar acordos de leniência e colaborações premiadas. Gilmar investe em outra frente, lembrando, sempre que possível, a história dos R$ 2,6 bilhões pagos pela Petrobras nos Estados Unidos, parte dos quais ajudaria a montar uma fundação destinada a programas de combate à corrupção. “No âmbito da referida operação, observou-se o surgimento de um verdadeiro conúbio formado por investigadores, procuradores e juiz que, atuando em afronta à legalidade, buscou até mesmo se apropriar de verbas bilionárias, com a criação de fundos que seriam administrados pelos procuradores da força-tarefa”, escreveu Gilmar na decisão.
Em 2019, a Petrobras pagou US$ 853 milhões para encerrar ações judiciais nos EUA, relativas à corrupção na estatal petrolífera. Os norte-americanos concordaram em repatriar 80% desse valor – uma decisão rara, que apenas atestava a idoneidade e a competência da Lava Jato. Um acordo assinado entre Petrobras e Ministério Público, e homologado pela Justiça, previa que metade desses R$ 2,6 bilhões iria para o ressarcimento de acionistas minoritários, e a outra metade iria para uma fundação destinada a promover ações educativas de combate à corrupção. A fundação seria constituída pelo MPF, mas seu Comitê de Curadoria Social (CCS) não seria formado pelos procuradores, e sim por cinco pessoas “com reputação ilibada e trajetória reconhecida em organizações da sociedade civil”. A fundação acabou questionada no STF pela então procuradora-geral Raquel Dodge e sua criação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes. No fim, o dinheiro acabou destinado a outras finalidades, incluindo o combate a queimadas na Amazônia. Não houve fundação, e nem os acionistas minoritários receberam a compensação devida.
Em resumo, o Ministério Público não ficaria com um único centavo – nem sequer administraria o dinheiro. Não houve nenhuma tentativa espúria de apoderar-se dos valores; houve, sim, um acordo público, envolvendo várias partes, e homologado pela Justiça. Os detratores da Lava Jato não foram capazes nem mesmo de acertar o valor envolvido, que correspondia a metade do que eles alardeiam. Essa é a verdade, independentemente do que diga inclusive o Conselho Nacional de Justiça, um dos vários órgãos que têm se dedicado à inversão total de valores no caso da Lava Jato, enxergando crimes e irregularidades inexistentes no que foi apenas uma ação incansável de combate à corrupção.
Daí o absurdo evidente em se chamar Dallagnol de “criminoso”, como fez Zeca Dirceu em sua publicação, em um caso que de fato configura calúnia (pois há uma imputação específica a respeito de uma suposta tentativa de “desviar 2 bilhões de recursos públicos”). Era perfeitamente defensável, portanto, a decisão de remoção do conteúdo por parte da Justiça Eleitoral – e isso sem recorrer a nenhum dos recentes malabarismos censores presentes em resoluções e outros atos normativos do TSE. E totalmente equivocada, pelo contrário, a decisão de Gilmar Mendes (ainda que não contivesse um único insulto à Lava Jato, ressalte-se), que não enxerga a calúnia onde ela é escancarada, enquanto se exaspera com “calúnias” fictícias.
A estratégia dos inimigos da Lava Jato, como Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Zeca Dirceu, Lula e tantos outros, é repetir as mesmas mentiras tantas vezes até que o brasileiro se convença de que tudo aconteceu exatamente como eles narram. Por isso, é preciso preservar a história e a verdade sobre aquela que foi a maior operação de combate à corrupção no Brasil – e a mais bem-sucedida, até que o STF se encarregasse de desmontá-la. Impedir que a história seja reescrita e que corruptores e corruptos sejam transformados em vítimas enquanto os agentes da lei são descritos como vilões é missão de cada cidadão decente deste país.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/gilmar-mendes-lava-jato-deltan-dallagnol-fundo-petrobras/

Mídia e PF esqueceram o escândalo do INSS – para a alegria da família de Lula

Quanto mais o noticiário e as rodinhas do poder discutem o escândalo do Banco Master com o BRB, as prisões e delações de seus ex-dirigentes, mais se nota que outro mega escândalo – de R$ 6 bilhões de assalto – ficou na gaveta da Polícia Federal e saiu de pauta da mídia. Ninguém mais fala da roubalheira contra aposentados no INSS, o que atinge em cheio esse governo, sob o qual o rombo foi bem maior.
A viatura sumiu das ruas, também. A CPMI do INSS foi enterrada num acórdão e contou até com habeas corpus para investigados blindados por ministros do STF. A não ser que a Polícia Federal coloque na rua mais operações contra os verdadeiros beneficiários da fraude do INSS – diretores do órgão, lobistas e políticos – fica a conotação popular de que o Judiciário (PF e togados) protegeu os investigados.
Essa inação é um alento especial ao filho do presidente Lula da Silva, Lulinha, que teria sido beneficiado com R$ 300 mil de mesada do esquema, e o irmão de Lula, Frei Chico, diretor de entidade que tungou R$ 300 milhões dos velhinhos. Nada avançou sobre esses dos personagens, aliás.
O mal do jatinho
Arapongas têm em mãos, e devem vazar para um veículo de mídia nas próximas semanas, um vídeo comprometedor que pode aniquilar uma candidatura presidencial. Um adversário de Lula dentro do Gulfstream num voo para Miami. No avião, Daniel Vorcaro e um expoente partidário, com as respectivas esposas. Não há crime, não há prevaricação, mas qualquer um que apareça hoje ao lado de Vorcaro é queima certa.
Aécio Neves
Cacique do Cidadania, ex-PPS, Roberto Freire lançou mão na praça da potencial candidatura de Aécio Neves (PSDB) para presidente da República. Cidadania e PSDB compõem uma federação. Ocorre que nem o mineiro quer isso. Aécio, hoje deputado, quer ficar quieto onde está, e concorrer à reeleição. E só entra na disputa para o governo de Minas se tiver apoio amplo. O que não há, e é difícil de acontecer.
Racha no DC
A possibilidade de troca de candidato à presidência no Democracia Cristã – sairia Aldo Rebelo e entraria o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa – causa grande insatisfação no partido, incluindo a Juventude Nacionalista da legenda. Os jovens se organizam para tentar demover a executiva do DC da mudança. Para eles, Aldo é uma liderança “com experiência, patriotismo, coragem política, e conhecimento da realidade do país”.
Esporte sustentável
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) recebeu no CT 32 bancos feitos com 1,25 T de lonas e plásticos poliondas dos Jogos da Juventude Caixa 2025. Material que iria para o lixo e virou mobiliário em um projeto piloto, que será mantido dentro dos eventos e ações do COB. O uso de energia limpa em parceria com a Neoenergia também ganhou destaque, com energia 100% renovável por meio do mercado livre.
Museus free
A B3 promove de amanhã a domingo ações de gratuidade no calendário cultural. Durante a Semana Nacional dos Museus, diferentes instituições parceiras terão entrada gratuita. A iniciativa visa incentivar a aproximação do público com espaços culturais e ampliar o contato da população com manifestações artísticas, históricas e educativas que fazem parte do patrimônio nacional.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/midia-pf-esqueceram-escandalo-inss-alegria-familia-de-lula/
Alcolumbre barra abertura de CPMI do Master e diz que decisão é dele

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), barrou nesta quinta-feira (21) a leitura de requerimentos para a criação de uma CPMI do Banco Master e afirmou que a decisão cabe exclusivamente à presidência da Casa. Atualmente há, pelo menos, cinco pedidos para investigar a rede de influência costurada pelo banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos Três Poderes.
A rejeição à abertura de uma apuração pelo Legislativo ocorreu durante a sessão do Congresso convocada para analisar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dispositivos do Orçamento de 2026, em que deputados e senadores tentaram pedir a palavra para ler os requerimentos. Alcolumbre, no entanto, negou os pedidos.
“Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou ao ser questionado por parlamentares. Veja o vídeo com a fala de Alcolumbre:
Entre os quatro vetos em análise e derrubados, três foram em acordo entre governistas e oposição. Já o último, que o PT foi contra, liberou doações a municípios durante o período eleitoral.
A rejeição de Alcolumbre foi seguida de críticas dos parlamentares que participavam da sessão, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a ser alvo de denúncias de envolvimento com Vorcaro. Na semana passada, áudios vazados à imprensa apontaram a cobrança de dinheiro ao banqueiro para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder”, disparou o senador.
Pelos lados da base governista, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) desafiou Alcolumbre de que ele não conseguirá segurar a instalação de uma investigação de Daniel Vorcaro e o Banco Master. O parlamentar citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) dos anos de 2007 e de 2021 que obrigaram a leitura de requerimentos pelo Congresso.
“Vossa excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, afirmou.
Dos cinco requerimentos já protocolados nas casas legislativas, há o de uma comissão mista, uma na Câmara dos Deputados e três no Senado. Há, ainda, ações no STF tanto da base governista como da oposição para que o Congresso investigue o caso.
A rejeição de Alcolumbre à abertura de uma investigação já era esperada pelos parlamentares por conta do silêncio que ele tem mantido sobre o caso nos últimos meses, principalmente em meio ao envolvimento de pessoas indicadas por ele na Amprev, a previdência dos servidores do estado do Amapá, alvos da Polícia Federal no âmbito das investigações do Banco Master.
É um posicionamento semelhante ao adotado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou recentemente que dará um tratamento “regimental” ao pedido de abertura de uma CPI. Ou seja, que cumprirá o regimento de que apenas ele pode pautar a leitura de requerimentos.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/alcolumbre-barra-abertura-cpmi-master-decisao-e-dele/
Flávio Bolsonaro cobra CPI do Master com depoimento de Vorcaro

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou a tribuna da Câmara, na sessão conjunta do Congresso Nacional desta quinta-feira (21), para expressar tranquilidade quanto às investigações do caso Master e cobrar a instauração de uma CPI para tratar do tema, com a oitiva do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, para que detalhe suas relações com políticos de alto escalão e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após falar do suposto envolvimento do empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo de fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele fez uma comparação: “Esse é um lado, é o lado da corrupção. Do outro lado, está o filme do presidente Bolsonaro, que recebeu investimento privado de alguém que, na época, não tinha absolutamente nada que pudesse desabonar a sua conduta, inclusive premiado, suas empresas premiadas como exemplo de compliance”.
Lindbergh reage e Flávio rebate

Petista cobrou explicações, mas ouviu presidente ser chamado de “ladrão”. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) subiu à tribuna logo depois. Ele destacou a visita presencial ocorrida dias após a soltura. O petista argumentou que seria possível saber das irregularidades à época do contato e ressaltou o valor do patrocínio, de R$ 136 milhões.
“O senhor foi visitar ele um dia depois que ele sai da prisão com tornozeleira eletrônica? Quer dizer que não sabia dos envolvimentos dele? Vossa excelência não sabia da aplicação do RioPrevidência, governado pelo seu partido? No seu estado, pelo PL, Cláudio Castro, R$ 970 milhões sem Fundo Garantidor [de Créditos]? Vossa excelência não sabe de nada?”, questionou Lindbergh.
O parlamentar ainda destacou pedidos de CPI protocolados pelos deputados Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) para dizer que é mentira que a esquerda não quer a investigação parlamentar. Na direita, o pedido que busca assinaturas é o do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).
Como foi citado nominalmente, Flávio obteve direito de resposta. Nela, falou sobre o envolvimento do Banco Master com o CredCesta, na Bahia, além de citar a reunião entre Vorcaro e o presidente Lula (PT).
“Quem tem que dar explicações é o seu chefe. […] O Lula é sócio, conselheiro ou é só amigo? […] O seu chefe é ladrão, abre seu olho, rapaz”, concluiu.
Relembre a cronologia da relação entre Flávio e Vorcaro
No dia 13 de maio, o portal The Intercept divulgou mensagens de texto e áudio ocorridas em 16 de novembro de 2025, dois dias antes da liquidação extrajudicial do Master e da prisão preventiva de Vorcaro em Guarulhos. No áudio, o filho de Bolsonaro disse saber que o banqueiro estava “passando por um momento dificílimo”, mas que precisaria cobrar pelo patrocínio ao filme Dark Horse.
Na tarde da divulgação, Flávio foi questionado por um jornalista e rebateu: “É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado”.
Em 19 de maio, o portal Metrópoles divulgou que Flávio se encontrou com Vorcaro entre 29 de dezembro e 5 de dezembro, período entre a saída do banqueiro da prisão e o anúncio de que o senador substituiria seu pai na corrida ao Planalto.
Flávio admitiu, mas justificou: “Fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-bolsonaro-cobra-cpi-do-master-com-depoimento-de-vorcaro/
Por que a delação premiada de Daniel Vorcaro está sob risco?

As negociações de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enfrentam grave crise após a Polícia Federal considerar sua proposta superficial. Transferido para uma cela comum em Brasília, ele corre o risco de ser enviado para a Papudinha ou para um presídio federal.
O que mudou na situação de Daniel Vorcaro na prisão?
Desde segunda-feira (18), o ex-banqueiro deixou uma sala especial com confortos como ar-condicionado e frigobar para ocupar uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília. Essa mudança sinaliza um tratamento mais rígido diante do impasse nas negociações de seu acordo de colaboração com a justiça.
Por que os investigadores estão insatisfeitos com a proposta de delação?
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República consideraram o conteúdo apresentado pela defesa superficial. Há uma suspeita de que Vorcaro esteja poupando nomes influentes da República, incluindo senadores como Ciro Nogueira e até ministros do STF, fornecendo provas que os agentes já possuem em vez de revelar fatos novos.
Como a família de Vorcaro foi afetada pelas investigações?
O cerco se fechou ainda mais com a recente prisão do pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, na operação Compliance Zero. A polícia acredita que o esquema bilionário continuou operando mesmo após a primeira prisão de Daniel, contando com a participação direta de seu genitor.
Quais são os valores financeiros exigidos para validar o acordo?
Para que a delação seja aceita, as autoridades exigem que Vorcaro devolva entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões, valores supostamente desviados em fraudes. O banqueiro tem pressa em fechar o negócio para recuperar cerca de R$ 40 bilhões em paraísos fiscais sob gestão de terceiros, temendo que o dinheiro desapareça.
O que acontece se a delação for definitivamente rejeitada?
Caso não apresente provas robustas e fatos inéditos, Vorcaro deve perder os benefícios de uma pena reduzida. O provável destino será a transferência para o Centro de Detenção Provisória, a Papudinha, ou o retorno ao sistema penitenciário federal, onde as regras de segurança e isolamento são muito mais severas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/por-que-a-delacao-premiada-de-daniel-vorcaro-esta-sob-risco/
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