Direita terá dificuldade de conter STF se não impedir reeleição de Alcolumbre

Sem tirar Davi Alcolumbre do comando do Senado, direita terá dificuldade para fiscalizar ministros e avançar reformas sobre o STF. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A principal batalha da direita no próximo ciclo político deve ser pelo comando do Senado. Sem controlar a presidência da Casa, a bancada conservadora corre o risco de permanecer incapaz de transformar sua força numérica em poder efetivo para conter o Supremo Tribunal Federal (STF). Para isso, a direita precisará impedir a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), principal responsável por blindar a Corte e seus ministros.

A disputa é estratégica porque o presidente do Senado detém amplo controle sobre a agenda legislativa. Cabe a ele decidir o que avança e o que permanece engavetado, influenciar a tramitação de propostas destinadas a limitar o poder da Corte e conduzir a análise de pedidos de impeachment de ministros do STF – que se encontram parados, apesar do interesse de grande parte dos senadores.

A principal barreira para esse objetivo pode ser justamente o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que busca preservar sua posição na Casa. O peso político de Alcolumbre não é recente e já vem crescendo há alguns anos. Ele presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e, após ser impedido pelo STF de disputar a recondução na mesma legislatura, articulou a eleição de seu fiel escudeiro Rodrigo Pacheco, que permaneceu no cargo por dois mandatos consecutivos. De volta à presidência, pretende disputar a reeleição se utilizando da forte influência que tem sobre as principais estruturas de poder do Senado.

O poder de Alcolumbre tem se manifestado também recentemente em sua capacidade de construir e bloquear pautas. O senador participou de articulações decisivas como a rejeição histórica de Jorge Messias para o cargo de ministro do STF, mesmo após a liderança do governo no Senado confiar em sua aprovação. Também conduziu Rodrigo Pacheco ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, articulando para que a indicação fosse votada diretamente no plenário sem passar por sabatina em comissão. Na reta final da campanha eleitoral, ainda conseguiu acelerar a votação de um pacote de propostas de interesse de Lula, incluindo o fim da escala 6×1 e o perdão de dívidas de MEIs, enquanto segurou projetos defendidos pela direita.

Esse poder sobre a pauta também ajuda a explicar a capacidade de negociação de Alcolumbre. Como presidente do Senado, ele pode influenciar o destino de projetos para diferentes grupos políticos. Entre as pautas colocadas à mesa para receber apoio de parlamentares de direita à sua possível reeleição, por exemplo, estariam temas como a anistia dos envolvidos no 8 de janeiro e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Aos aliados, Alcolumbre chegou a afirmar já ter votos suficientes para sua reeleição. Para a direita, porém, sua permanência significaria a continuidade de um grupo político que não só evita confrontos diretos com a Corte, mas a blinda de investigações e controles.

STF precisa de controles institucionais e escrutínio público sobre casos de corrupção

A importância da disputa pelo comando do Senado decorre justamente de seu potencial para influenciar a relação entre os Poderes. Na avaliação de Ricardo de João Braga, doutor em Ciência Política, a Corte enfrenta hoje dois problemas diferentes. O primeiro diz respeito ao seu desenho institucional. Na avaliação dele, o STF passou a atuar de forma cada vez mais proativa em disputas políticas e sociais, muitas vezes por meio de decisões individuais de ministros em temas que deveriam ser submetidos ao conjunto do tribunal.

O segundo problema se trata da falta de legitimidade, decorrente de suspeitas e denúncias envolvendo ministros. “A corrupção exige escrutínio legal, com o devido processo e punição se constatados erros. Há desafios enormes. Haverá pressão enorme por CPIs contra ministros, mas isso terá que ser muito bem conduzido pelo Senado, sob risco de explodir em mais problemas”, analisa Braga.

Na avaliação de Bruno Coletto, doutor em Direito e cientista político, a disputa pelo comando do Senado ganhou relevância porque a Casa pode ser o principal instrumento de reequilíbrio entre os Poderes nos próximos anos. “O Senado, dado o atual cenário, parece ser o último órgão institucional com poder suficiente para trazer um equilíbrio à separação de Poderes”, afirma.

Segundo Coletto, embora a autocontenção do próprio STF seja uma possibilidade, o cenário recente aponta para um caminho diferente. “Com os acontecimentos pós-eleições, só tenho visto um acirramento da relação do Supremo com a oposição. Então, fica difícil acreditar que uma autocontenção virá espontaneamente”, avalia.

Passividade do Senado favorece expansão do poder do STF

Ricardo de João Braga também afirma que o Senado tem falhado em exercer plenamente sua função de fiscalização sobre o Supremo, como ao deixar de submeter os indicados à Corte a um exame rigoroso, transformando as sabatinas em etapas meramente protocolares. “Acho que isso se deve à relação que se estabelece em que o senador que vota hoje é o senador sujeito a julgamento pelo STF amanhã. Ninguém quer estar mal com ninguém”, afirma.

O cientista político também critica a crescente politização das indicações para a Corte. Segundo ele, tanto presidentes da República quanto senadores passaram a enxergar o Supremo por uma lógica de alinhamento político, e não de excelência jurídica. “Os presidentes passaram a não escolher mais juristas de destaque, personalidades referência no ramo do Direito, mas sim partidários, pessoas ‘leais'”.

A tendência, segundo ele, é que futuras indicações enfrentem maior resistência no Senado caso sejam vistas como partidárias. Em sua avaliação, nomes de reconhecida reputação jurídica e independência teriam mais condições de obter apoio amplo e contribuir para “sabatinas mais apartidárias e edificantes ao STF”.

No fim das contas, a principal disputa da direita nos próximos anos pode não ser por mais cadeiras, mas pela presidência do Senado. É dela que dependerá a capacidade da Casa de fiscalizar o STF, impor limites à Corte e exercer plenamente as atribuições que a Constituição lhe conferiu.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/direita-dificuldade-conter-stf-impedir-reeleicao-alcolumbre/

Governo herda lista de cobranças sociais enquanto mercado cobra corte de gastos

O brasileiro que acabou de votar nas eleições 2026 quer aumento real do salário mínimo e preservação de benefícios. Quer também inflação menor, juros em queda e contas públicas em ordem.

A lista de exigências que o governo eleito recebe das urnas é vasta e resta saber como o governo do PT vai se sair ao responder a esses anseios com ações efetivas. No primeiro discurso após a vitória, Lula (PT) disse que, durante esta última campanha eleitoral, aprendeu muitas lições com o povo brasileiro.

“Posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar este país. Quero dizer para vocês que vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. (…) Tenho que governar para 215 milhões, para todas as cidades”, disse ele, no último dia 25 de outubro.

E agora, presidente? 

Reiterados levantamentos de opinião feitos por institutos de pesquisa deixam claro quais são as prioridades dos brasileiros. No topo da lista de prioridades dos eleitores que acabaram de ir às urnas está a segurança pública e o combate à violência. 

De acordo com levantamento BTG/Nexus* divulgado em 8 de setembro, o tema “segurança Pública/violência/criminalidade” ocupa o primeiro lugar dentre os principais problemas do Brasil, concentrando 35% das respostas dos brasileiros entrevistados. Em segundo lugar aparece a saúde pública, com 31%, e em terceiro a corrupção, com 23%.

A educação aparece em quarto lugar na lista das principais preocupações dos brasileiros, com 17% das respostas, e a classe política em quinto, com 16%. O ranking do BTG/Nexus traz ainda 14 opções, todas com entre 10% e 1% das respostas dos entrevistados:

  • baixo crescimento da economia (10%)
  • inflação/custo de vida/preços altos (9%)
  • desemprego/falta de trabalho (7%)
  • desigualdade social/pobreza/miséria (7%)
  • impostos/aumento de impostos (5%)
  • gastos públicos/gastos do governo (5%)
  • fome/insegurança alimentar (3%)
  • dívida nas contas públicas/contas no vermelho (2%)
  • taxa de juros/aumento na taxa de juros (2%)
  • saneamento básico/falta de água tratada e esgoto (1%)
  • moradia/habitação (1%)
  • outros (6%); nenhum (1%); não sabem ou não responderam (4%)

Em outra pesquisa, então feita pelo instituto Quaest** e divulgada em 14 de agosto, a segurança pública também aparece como principal preocupação do brasileiro, citada por 33% dos entrevistados.

Quando perguntados sobre qual a sua maior preocupação com o Brasil hoje, 5% dos entrevistados responderam que trata-se da economia e, logo depois, a saúde e a corrupção com 14% cada.

Os problemas sociais estavam no topo da lista de 12% dos que responderam a pesquisa; a educação de 7%, e outras preocupações, 5%. Na série histórica da Quaest, a violência mantém-se no topo da lista de problemas do país na opinião dos brasileiros desde o final de 2025. 

Combate à violência é prioridade dos brasileiros 

Todas as 27 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, possuem a atuação de alguma facção criminosa, conforme mostra o mapa das facções preparado pela Gazeta da Povo. Facções criminosas e milícias aumentaram sua presença e alcançaram a vizinhança de nada menos que 19% da população, aponta do Fórum Brasileiro de Segurança Pública no ano passado.

Os crimes de roubo e furto de telefones celulares assola as grandes e médias cidades. Na área da segurança pública, são apontados como caminho urgente o aumento da responsabilidade tanto dos municípios quanto do governo federal no combate ao crime de rua e organizado, respectivamente, junto com a reformulação e fortalecimentos dos setores policiais de investigação e inteligência, coordenação efetiva entre os diversos órgãos de segurança pública no país e asfixia financeira do crime.

Quanto à economia, o presidente está diante de escolhas salomônicas a partir de 2027. Diferentes setores da sociedade possuem expectativas diversas, e caberá à gestão pública federal tentar conciliar pautas que, muitas vezes, são antagônicas.

A equação entre manutenção de benefícios, queda da inflação e corte de gastos

As pesquisas junto ao eleitorado brasileiro também mostram que há apoio popular para pautas como o fim da escala 6×1, aumento real do salário mínimo, manutenção de benefícios, isenção de taxas como a das blusinhas, ao mesmo tempo em que querem a queda da inflação.

Já o mercado, empresários e outros atores econômicos cobram do governo federal corte de gastos, redução da trajetória da dívida pública, fim dos déficits fiscais, redução de impostos e redução dos juros. Como conciliar tudo com um orçamento cada vez mais comprimido pela trajetória da dívida pública e aumento proporcional dos gastos obrigatórios vinculados? 

“O primeiro grande desafio será político”, avalia o economista e estrategista político Luis Carlos Burbano Zambrano. “O governo encontrará um ambiente marcado por forte tensão entre os Poderes, desgaste da credibilidade da política, questionamentos sobre o Congresso, controvérsias em torno do Judiciário e cobrança por respostas mais efetivas contra a corrupção”, afirma.

Na análise dele, não será suficiente simplesmente administrar esses conflitos. “Será necessário reconstruir condições mínimas de confiança, previsibilidade e cooperação institucional. Isso exigirá poder político, capacidade de negociação, liderança e construção de acordos”, ressalta Zambrano.

Há pouco espaço para investimentos em um cenário de desequilíbrio fiscal e dívida pública elevada

O Brasil enfrenta desequilíbrio fiscal, dívida pública elevada, forte rigidez orçamentária, juros altos, necessidade de controlar a inflação, pouco espaço para investimentos e o desafio de sustentar crescimento e emprego. “São problemas particularmente difíceis porque muitas das medidas necessárias podem produzir custos imediatos, enquanto seus benefícios tendem a aparecer apenas no médio prazo”, diz Zambrano.

O governo terá de discutir temas como reforma administrativa, trajetória das despesas obrigatórias, Previdência, vinculações orçamentárias, subsídios, benefícios tributários, eficiência do gasto e recuperação do espaço para investimento público. “São decisões sem alternativas politicamente gratuitas”, aponta o economista.

Zambrano avalia que, de um lado, haverá pressão de empresários, investidores e agentes econômicos por maior equilíbrio fiscal, estabilização da dívida, controle da inflação e condições para juros menores. De outro, haverá pressão social para preservar programas sociais, investimentos em saúde e educação, emprego, renda, valorização do salário mínimo e poder de compra.

“O terceiro desafio imediato é a vida cotidiana, onde estão os problemas percebidos diretamente pela população: segurança, saúde, educação, endividamento das famílias, emprego, renda, custo de vida e qualidade dos serviços públicos”, afirma ele. “Esses problemas, entretanto, não exigem os mesmos recursos nem produzem resultados ao mesmo tempo.”

*A pesquisa apresentava uma extensa lista de possibilidades de resposta, e cada entrevistado podia escolher duas, assim, a soma total dos itens dá mais de 100%. A pesquisa quantitativa foi realizada pela Nexus por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. Foram entrevistados 2.002 eleitores. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O registro da pesquisa do TSE é: BR-06790/2026. 

**A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro geral é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06773/2026.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/governo-herda-lista-de-cobrancas-sociais-enquanto-mercado-cobra-corte-de-gastos/

O que está em jogo para Trump nas eleições que definirão o controle do Congresso dos EUA

Disputa pela Câmara e pelo Senado dos EUA pode fortalecer Trump ou ampliar investigações e limitar sua agenda até o fim do mandato. (Foto: LAURA BRETT/EFE/EPA)

As eleições legislativas desta terça-feira (3) nos Estados Unidos podem mudar os rumos do governo de Donald Trump nos dois últimos anos de mandato. Embora seu nome não esteja na cédula de votação, o republicano terá seu futuro político diretamente afetado pelo resultado das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas nos EUA como midterms, que definirão qual partido – Democrata ou Republicano – controlará a Câmara dos Deputados e o Senado americano a partir de janeiro de 2027.

Uma vitória dos democratas poderá limitar a aprovação de novas leis, abrir caminho para investigações contra integrantes do governo e dificultar a agenda nacional e internacional da Casa Branca. Caso os republicanos mantenham a maioria nas duas Casas, Trump terá mais espaço para aprofundar sua agenda econômica, migratória e de segurança nacional e internacional nos dois últimos anos de sua presidência.

As eleições ocorrem em meio à baixa popularidade de Trump nos EUA. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na semana passada mostrou que 32% dos americanos aprovam sua gestão, enquanto 66% desaprovam.

Entre os eleitores registrados para votar nessas eleições, 47% disseram preferir candidatos democratas para o Congresso, contra 36% que escolheriam republicanos. A baixa popularidade de Trump está relacionada principalmente à insatisfação dos americanos com a economia, à alta dos preços e à guerra contra o Irã, que contribuiu para encarecer os preços dos combustíveis.

O que está em disputa nas eleições americanas

As eleições de meio de mandato ocorrem a cada quatro anos nos EUA, na metade do período presidencial. Nesta terça, os americanos escolherão os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e 35 vagas do Senado.

Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras da Câmara, contra 214 dos democratas. Há ainda um deputado independente alinhado aos republicanos e duas vagas abertas após a renúncia de parlamentares, um de cada partido. Para alcançar a maioria de 218 deputados, os democratas precisariam recuperar a cadeira deixada vaga por um integrante do próprio partido e conquistar outras três atualmente ocupadas pelos republicanos. Para os republicanos seguirem no controle da Casa, basta manter ou ampliar a atual quantidade de deputados.

No Senado, os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras, enquanto os democratas têm 45, além do apoio de dois independentes. Para conquistar a maioria, a oposição precisa obter um ganho líquido de quatro cadeiras nesta eleição, chegando a 51 senadores. Já os republicanos podem perder até três assentos e, ainda assim, manter o controle da Casa. Isso porque, em caso de empate de 50 a 50, o vice-presidente J.D. Vance, também republicano, tem o poder de exercer o voto de desempate.

O novo Congresso assumirá em 3 de janeiro de 2027, quase dois anos antes do encerramento do atual mandato presidencial de Trump.

Como uma derrota pode limitar o governo Trump

O professor João Alfredo Lopes Nyegray, dos cursos de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), explica que o principal impacto dessas eleições poderá ser sentido na capacidade de Trump de avançar com sua agenda política e aprovar novas medidas nos dois últimos anos de mandato.

“Como leis e recursos vão depender do Legislativo, quando um presidente perde a maioria em apenas uma dessas casas, isso já permite que a oposição bloqueie uma parte importante da agenda presidencial”, afirmou Nyegray em entrevista à Gazeta do Povo.

Se os democratas conquistarem apenas uma das Casas, a Câmara, por exemplo, eles já poderão controlar as comissões parlamentares, estabelecer pautas de fiscalização e convocar integrantes do governo Trump para prestar esclarecimentos, o que pode gerar dor de cabeça para o Executivo republicano. Os democratas também terão condições de bloquear projetos apresentados pela Casa Branca e condicionar a aprovação de recursos federais a negociações mais amplas com a oposição.

O cientista político Ross K. Baker, professor emérito da Universidade Rutgers, avalia que a perda de qualquer uma das Casas pelos republicanos dificultaria seriamente a aprovação de grandes projetos legislativos pelo governo Trump e que uma maioria democrata na Câmara já produziria uma ampliação das investigações sobre integrantes do governo. Os deputados poderiam convocar secretários de Trump, exigir documentos e examinar decisões administrativas tomadas desde o retorno do republicano à Presidência, em janeiro de 2025.

O Partido Democrata já começou a preparar uma ofensiva nesse sentido. Segundo a Associated Press, líderes do partido já colocaram na mira de possíveis investigações negócios da família Trump, conflitos de interesse, operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e a atuação do Departamento de Justiça no caso Jeffrey Epstein. Também estão na mira dos parlamentares democratas as operações militares conduzidas pelos Estados Unidos no Irã e na Venezuela.

As comissões parlamentares americanas exercem funções semelhantes às das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) no Brasil, podendo convocar autoridades, exigir documentos e colher depoimentos. Isso não significa, porém, que o governo seja obrigado a atender imediatamente a todas as solicitações. Integrantes do governo Trump poderiam contestar intimações, alegar sigilo ou recorrer à Justiça para impedir a divulgação de informações, dando origem a disputas judiciais que poderiam se prolongar por meses.

Para o pesquisador Max Yoeli, do think tank britânico Chatham House, essas dificuldades podem limitar o alcance das investigações conduzidas pelos democratas. O maior poder de pressão da oposição no controle de uma das Casas estaria no orçamento federal, já que o Congresso precisa aprovar os recursos destinados ao funcionamento do governo e novas medidas tributárias. Caso conquistem a Câmara, os democratas poderiam bloquear propostas de gastos, exigir concessões para aprovar verbas e obrigar Trump a negociar mudanças em sua política econômica. Por outro lado, decisões tomadas diretamente pelo presidente, dentro de suas atribuições legais, como certas tarifas e sanções, seriam mais difíceis de impedir.

O risco de um terceiro impeachment

A possibilidade de Trump enfrentar outro processo de impeachment também pode ser uma das consequências políticas da perda de controle do Congresso pelos republicanos, especialmente porque o presidente já foi alvo de dois processos aprovados pela Câmara durante seu primeiro mandato. Uma vitória democrata na Câmara permitiria a abertura de novos procedimentos e até a aprovação de outro processo por maioria simples. Isso, porém, não significaria a destituição do presidente.

“No caso de impeachment, o principal obstáculo notoriamente seria o Senado. A Câmara aprova por maioria simples, mas a condenação exige dois terços dos senadores — ou seja, 67 votos de cem. Portanto, a maioria democrata não basta; seria necessário um apoio republicano bastante relevante”, explica Nyegray.

Hakeem Jeffries, líder do Partido Democrata na Câmara, afirmou à Associated Press que não pretende descartar antecipadamente “instrumentos de fiscalização” sobre o governo Trump, mas tampouco anunciou um novo impeachment como consequência das eleições.

Para Nyegray, uma eventual tentativa dos democratas de abrir um novo processo de impeachment contra Trump, sem votos suficientes para destituí-lo, envolveria riscos políticos para a oposição. “Apostar no impeachment sem perspectiva de condenação no Senado até poderia mobilizar a base democrata, mas também poderia permitir que Trump apresente a fiscalização democrata como perseguição partidária”, avalia.

Em janeiro, durante um encontro com deputados republicanos em Washington, Trump advertiu que poderia enfrentar um novo processo de impeachment caso a oposição conquistasse a maioria no Congresso.

“Vocês precisam vencer as eleições de meio de mandato, porque, se não vencermos, eles encontrarão um motivo para me submeter a impeachment. Vou sofrer impeachment”, afirmou o presidente na ocasião.

O que mudaria se os democratas também conquistassem o Senado

A perda simultânea da Câmara e do Senado produziria consequências ainda maiores para Trump, principalmente na formação de seu governo e nas nomeações para o Judiciário.

Nos Estados Unidos, o presidente precisa da aprovação do Senado para confirmar secretários, embaixadores, diversas autoridades federais e juízes, incluindo integrantes da Suprema Corte.

Uma maioria democrata no Senado poderia rejeitar as indicações presidenciais ou prolongar sua análise. Isso dificultaria a substituição de autoridades e poderia impedir Trump de nomear novos magistrados conservadores para os tribunais americanos, por exemplo.

A oposição também assumiria o controle das comissões do Senado, ampliando a fiscalização sobre o Executivo e a capacidade de convocar integrantes do governo para prestar esclarecimentos.

Ainda assim, controlar as duas Casas não garantiria aos democratas a aprovação de sua própria agenda. Trump conservaria o poder de veto presidencial e, no Senado, a maioria dos projetos legislativos continuaria sujeita à regra que exige 60 votos para encerrar a obstrução parlamentar, conhecida como filibuster.

Na política externa, as mudanças dependeriam do tema. A agência Reuters apontou que uma maioria democrata no Senado e na Câmara poderia aumentar a pressão por autorização parlamentar para operações militares contra o Irã, defender novos pacotes de ajuda à Ucrânia e questionar decisões de Trump sobre sanções à Rússia. Também poderia tentar alterar os gastos militares e recuperar recursos públicos destinados a programas de assistência internacional, como os da Usaid, que foi reformulada e teve os recursos substancialmente cortados pelo governo Trump.

Sobre a política tarifária, William Alan Reinsch, especialista em comércio internacional do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), avalia que uma maioria democrata no Congresso poderia investigar as medidas do governo Trump e até propor restrições aos poderes comerciais do presidente. Entretanto, essas mudanças dependeriam de novas leis e, segundo ele, “essas propostas legislativas, mesmo que aprovadas, não sobreviverão a um veto presidencial”. Para derrubar um veto presidencial são necessários dois terços dos votos em cada Casa do Congresso, uma barreira que é significativa para qualquer oposição.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, chegou a afirmar em outubro que uma Câmara controlada pelos democratas teria muito pouco poder para interromper a agenda de Trump, especialmente em assuntos relacionados às tarifas comerciais. “Temos poderes tarifários muito sólidos”, disse ele.

Uma situação catastrófica para Trump só ocorreria se os democratas alcançassem 67 cadeiras no Senado, número suficiente para condená-lo em um eventual processo de impeachment, desde que todos os senadores estivessem presentes e a bancada votasse unida pela destituição. Para chegar a esse patamar já nas eleições de novembro, os democratas precisariam conquistar 20 das 22 cadeiras republicanas em disputa, sem perder nenhuma das 13 que defendem, um cenário extremamente difícil.

O que Trump pode ganhar com uma vitória republicana nas eleições

Se os republicanos mantiverem o controle da Câmara e do Senado, Trump continuará governando com maiorias parlamentares alinhadas ao seu partido.

John Raines, responsável pela análise de risco político da América do Norte na S&P Global Market Intelligence, aponta que esse cenário permitiria ao governo tentar avançar em novas reduções de impostos, mudanças no sistema de saúde, restrições à imigração e iniciativas de desregulamentação. Manter o controle do Senado também facilitaria a aprovação de novos juízes conservadores para os tribunais e de outras autoridades indicadas pelo presidente. Caso surja uma vaga na Suprema Corte, a manutenção da maioria republicana no Senado daria poder suficiente para Trump encaminhar uma nova nomeação com tranquilidade, mantendo a maioria conservadora na Corte.

O governo também teria mais poder para aprovar pacotes orçamentários para defesa, segurança de fronteiras e programas econômicos.

A vitória também teria um significado político. Nyegray avalia que ela seria apresentada pelos republicanos como o reconhecimento popular da gestão Trump e autorização para que o presidente continue suas políticas de governo. O professor ressalta, porém, que o resultado não eliminaria as divergências internas entre os republicanos nem os obstáculos institucionais à aprovação de novas medidas.

“No Senado, por exemplo, muitas matérias vão continuar dependendo de 60 votos para encerrar a obstrução parlamentar”, explicou.

Influência de Trump sobre os republicanos também estará em jogo

Além da aprovação de leis, as eleições podem redefinir a posição de Trump dentro do Partido Republicano. Nyegray avalia que uma derrota expressiva nesta terça poderia incentivar deputados e senadores republicanos a agir com maior independência, principalmente aqueles preocupados com a própria sobrevivência eleitoral e a eleição presidencial de 2028.

“Eles [os republicanos] poderiam demonstrar maior autonomia, enquanto possíveis candidatos à presidência em 2028 começariam, desde já, a disputar a orientação do partido. Se Trump tiver agora uma derrota expressiva, ele enfraquece a capacidade de exigir lealdade da base republicana”, afirma.

Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, os democratas conquistaram a Câmara nas midterms, enquanto os republicanos mantiveram o Senado. A configuração abriu caminho para investigações parlamentares contra o governo, confrontos sobre gastos públicos e o primeiro impeachment do presidente.

O resultado desta terça decidirá se Trump continuará contando com o Congresso para consolidar suas propostas até o final de seu mandato ou se precisará negociar com uma oposição fortalecida, podendo enfrentar condições políticas mais desafiadoras do que as que marcaram a primeira metade deste seu segundo governo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/o-que-esta-em-jogo-para-trump-nas-eleicoes-que-definirao-o-controle-do-congresso-dos-eua/

Alíquota da nova CBS é tudo de que um Lula gastador precisava

Sede do TCU, com o Congresso Nacional ao fundo: Senado tem de validar alíquota da CBS aprovada pela corte de contas. (Foto: ChatGPT sobre foto de Samuel Figueira/TCU)

Aviso não faltou. Ao longo da tramitação do projeto de lei que regulamentava a primeira fase da reforma tributária no Congresso, havia uma unanimidade: cada setor beneficiado com alguma isenção ou redução contribuiria para que a alíquota-base do novo IVA dual ficasse cada vez maior. Deputados e senadores não se importaram, e foram inflando a lista. O resultado veio agora, às vésperas do início da transição para o novo sistema: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a parte federal do IVA dual que substituirá o PIS e a Cofins, terá alíquota de 11,3%, aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas ainda pendente de aprovação pelo Senado, o que precisa ocorrer até 15 de dezembro.

A alíquota supera as previsões de especialistas, que oscilavam entre 9% e 9,5%; o governo partia de 8,8%; e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, a outra parte do IVA dual, de competência estadual e municipal) previa 9,2%. O certo é que, se não houver nenhuma alteração, o Brasil caminha para ter o IVA mais alto do mundo, superando os 27% da Hungria – os especialistas pela reforma juravam inicialmente que o país poderia até chegar perto, mas não conquistaria essa duvidosa liderança global; em janeiro de 2025, no entanto, o secretário especial para a Reforma Tributária, Bernard Appy, passou a falar em 28%. Já há tributaristas, como Luiz Gustavo Bichara, estimando uma alíquota total de IVA de 34,2% caso o IBS também seja anabolizado como foi a CBS.

Uma reforma que tem o mérito de simplificar o atual manicômio tributário nacional tem tudo para aumentar ainda mais uma carga tributária que já é excessiva

E uma pergunta paira no ar: teriam os atuais ministros do TCU, em sua maioria oriundos da política, resolvido dar um enorme presente a Lula, recentemente reeleito para a Presidência da República? Especialistas e empresas dedicadas à análise da reforma tributária têm chamado a atenção para o fato de que, embora a legislação determinasse que o cálculo da alíquota fosse feito com base nos dados de 2024 e 2025, o TCU, alegando que a escrituração de 2025 ainda não estava completa, e graças a um acordo com a Receita Federal, usou os números de 2023 e 2024. Isso alterou a base de cálculo de forma significativa, jogando potencialmente no colo do governo dezenas ou até centenas de bilhões de reais que ele não teria caso o TCU tivesse feito o que diz a lei, mas de que Lula precisa desesperadamente para bancar todas as bondades prometidas para comprar os votos necessários na reta final da campanha eleitoral.

O empresário brasileiro já terá de passar o fim de 2026 fazendo inúmeras contas para saber como lidar com o aumento automático do valor pago por hora trabalhada, graças à aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho semanal, sem redução proporcional dos salários. Agora, terá de pensar também em como essa alíquota inesperadamente mais alta que o previsto inicialmente afetará seu planejamento e o comportamento do consumidor final diante de um possível aumento de preços de produtos e serviços – tudo isso a apenas dois meses do início da cobrança, e sem considerar que o governo ainda não divulgou as alíquotas do Imposto Seletivo, que incidirá sobre alguns produtos; o ministro Dario Durigan havia prometido essa definição para a semana passada, mas o prazo não foi cumprido.

Com a gastança lulista esgarçando as contas públicas até o limite, e contratando uma crise futura, o país não precisava testar também a Curva de Laffer – o conceito segundo o qual, quando a tributação cresce demais, as empresas simplesmente param de produzir porque a atividade já não compensa. Mas, graças ao TCU, e sabe-se lá com que incentivo do governo, é o que está prestes a acontecer a partir de 2027. O Senado pode rever a alíquota, ou poderia até reduzir a lista de exceções. Mas isso significaria comprar briga ou com o Planalto, ou com setores do empresariado; parece mais fácil deixar tudo como está e diluir a conta entre todos os pagadores de impostos. Assim, uma reforma que tem o mérito de simplificar o atual manicômio tributário nacional tem tudo para aumentar ainda mais uma carga que já é excessiva, para o júbilo de um presidente que só sabe gastar e poderá culpar meio mundo, do TCU aos congressistas que aprovaram a reforma, para não arcar com o ônus político de um aumento de impostos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/aliquota-cbs-tcu-lula-contas-publicas/

Após eleição, Ministério da Justiça muda classificação de desenhos bíblicos da Record

Portaria fala que desenhos têm atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito (Foto: Reprodução/TV Record)

Três dias após as eleições, em 28 de outubro passado, o Ministério da Justiça elevou de livre para 12 anos a classificação indicativa do programa Record Kids Desenhos Bíblicos, exibido pela Record.

Com a mudança, a atração também passa a ter uma restrição de horário: a recomendação oficial é que seja transmitida na televisão aberta somente a partir das 20h.

A alteração foi formalizada em portaria publicada pela Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça. Até então, o conteúdo era considerado adequado para todas as idades.

Na justificativa, o órgão apontou quatro elementos: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. A decisão foi fundamenta na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Portaria MJSP nº 1.048, de 15 de outubro de 2025.

Exibido atualmente aos domingos, a partir das 9h, o Record Kids integra a programação infantil da emissora desde 2003. O bloco reúne animações que apresentam passagens bíblicas, especialmente do Novo Testamento, incluindo parábolas atribuídas a Jesus Cristo, além de episódios sobre a crucificação e a ressurreição.

A classificação indicativa é definida pelo Ministério da Justiça a partir de critérios previstos nas normas que regulamentam a avaliação de conteúdos audiovisuais. A nova recomendação altera a faixa etária indicada para o programa e estabelece que sua exibição na TV aberta ocorra em horário posterior às 20h.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/apos-eleicao-ministerio-da-justica-muda-classificacao-de-desenhos-biblicos-da-record/#cxrecs_s

José Fucs

Flávio Bolsonaro: “fujão” ou “perseguido político”?

Com sua escapada espetacular para os Estados Unidos na calada da noite de terça-feira passada, que deixou o ministro Alexandre de Moraes e a Polícia Federal no vácuo, tentando entender até agora como ele conseguiu passar incólume pelos controles de fronteira, Flávio Bolsonaro se tornou alvo de uma saraivada de críticas de seus adversários e até de alguns de seus aliados.

A onda de reprovação a Flávio – turbinada pelo presidente Lula, pelo PT, por sua tropa de choque e pelos isentões que posam de independentes, mas na hora h fazem o L “pela democracia”, com apoio da mídia amiga e militante – parecia produzida sob medida para desmoralizá-lo perante seu eleitorado, que acabava de lhe conferir quase 60 milhões de votos e tentava digerir o resultado adverso e inesperado nas urnas.

Seus opositores o chamaram de “fujão”, “amarelão”, “pipoqueiro”, “covarde” e que tais. Disseram que a viagem foi “uma fuga patética para os braços de Donald Trump”, presidente dos EUA, que lhe deu guarida, “uma evasão rocambolesca” e que ele “fez seus eleitores de palhaços”.

A narrativa propagada por aí, que varreu os veículos tradicionais de comunicação do país como um tsunami, parecia destinada também a abafar qualquer tentativa de mostrar que sua escapada foi um ato de autodefesa contra a perseguição e os abusos desferidos contra ele (e tantos outros representantes da direita) pelo ministro Alexandre de Moraes e pela Polícia Federal.

Como se sabe, apenas sete minutos depois de anunciado o resultado do pleito pelo TSE, a PF pediu e Xandão prontamente atendeu a demanda do órgão para impedir as viagens de Flávio ao exterior, no âmbito do inquérito sobre o advogado e amigo Willer Tomaz, suspeito de lavar dinheiro para ele.

Numa canetada, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República, o ministro o proibiu de deixar o país e autorizou o confisco de seus passaportes, escorado num suposto risco de fuga apontado pela PF, apesar de as investigações ainda estarem em fase preliminar e de até o momento não haver evidências concretas de sua participação num suposto esquema de falcatruas operadas por Tomaz.

De acordo com a defesa de Flávio, o banco Santander negou que ele fosse “usuário master” de contas ligadas a uma empresa de Tomaz. A defesa sustenta também que o risco de fuga apontado pela PF não poderia ser fundamentado em declarações de terceiros – no caso, de Eduardo Bolsonaro, seu irmão, que declarou que ele deveria deixar o Brasil se perdesse a eleição.

Julgamento imparcial

É certo que Flávio terá de pagar por sua conduta, se ficar provado, num julgamento justo e imparcial, que ele realmente agiu de forma fraudulenta para se beneficiar com recursos obtidos e aplicados à margem da lei. Isso vale também para o outro inquérito do qual ele é alvo no STF, relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem como relator o ministro André Mendonça.

Agora, diante da percepção de que dificilmente teria um julgamento imparcial no caso relatado por Moraes e de que sua prisão era uma questão de tempo, como indicavam as restrições que lhe foram impostas de forma arbitrária pelo ministro, Flávio fez o que provavelmente qualquer cidadão de bom senso faria na sua situação, se tivesse oportunidade para tanto e se o seu futuro dependesse do sadismo de ministros como Moraes: foi embora para os EUA. Lá, ao menos, ele poderá preservar sua liberdade de expressão longe das garras de Moraes emanter sua atuação política, ainda que à distância.

“Eu soube fazer a análise de cenário e entendi onde é que eles chegariam – e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, disse Flávio numa live transmitida nas redes sociais na sexta-feira passada, já nos Estados Unidos. Até Garotinho, ex-candidato ao governo do Rio pelo Republicanos e ex-governador do estado (1999-2002) pelo PDT, afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que ficou claro que a ordem para retenção de seus passaportes “era pra logo em seguida iniciar um processo para levar Flávio Bolsonaro preso”.

Ignorando, porém, o fato de que o Brasil está sob o jugo de uma togacracia autoritária, que atua em parceria com o governo Lula, e de que Flávio dificilmente seria julgado de forma justa, a turba petista e a esquerda como um todo, apoiada por seus porta-vozes na imprensa, apressou-se em condená-lo por antecipação, como se fosse um fugitivo criminoso, antes mesmo de ele ser julgado. A própria PF esclareceu que Flávio não pode ser considerado “foragido”, porque não havia pedido de prisão contra ele.

“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, afirmou Lula. “Quem não deve não teme”, disse um analista político. “Se ele fugiu é porque tem culpa no cartório”, reforçou outro. “Ele se comportou como culpado”, acrescentou um terceiro.

Plena democracia

Embora a esquerda se recuse a admitir que o Brasil não vive há um bom tempo em plena democracia, até por ser a principal beneficiária do atual regime, e conte com o apoio da centro-esquerda de plumagem tucana, da isentolândia e até de representantes da centro-direita, não é preciso ser bolsonarista nem paquita de Flávio para se dar conta disso.

“Reconhecer a perseguição judicial que existe no Brasil não é uma questão de ser de direita ou de esquerda. É uma questão de bom senso. O mundo inteiro já percebeu o que está acontecendo no Brasil”, afirmou o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR).

No exterior, a máscara do regime já caiu faz tempo. Já ficou claro que há perseguidos políticos no Brasil e que o STF, especialmente Xandão, atua para “demonizar” uma corrente que representa praticamente a metade da população.

Não por acaso a Justiça italiana negou a extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes e ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Negou também, numa primeira decisão, a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O mesmo se pode dizer em relação à Justiça espanhola no caso do jornalista Oswaldo Eustáquio.

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Agora, com a saída de Flávio do país logo depois da eleição, tal percepção saiu da bolha de Trump e até a esquerda passou a compartilhá-la, como o economista grego Yanis Varoufakis, professor de economia da Universidade de Atenas e ex-ministro das Finanças da Grécia em 2015, durante o governo do socialista Alexis Tsipras.

“O Judiciário não tem o direito de usar poderes para indiciar e perseguir alguém porque eles perderam uma eleição. É vergonhoso, para ser preciso. E também é perigoso para nós, da esquerda, que sabemos o que significa ser banido e caçado por juízes e delegados corruptos”, afirmou Varoufakis em publicação no X. “Temos no Brasil um Judiciário que extrapola as próprias atribuições e habitualmente cruza a linha que deveria separar o Poder Judiciário do político.”

Nos EUA, Bill Maher, que apresenta um famoso talk show na HBO e tem uma ligação histórica com os democratas, apesar de cutucar com seu bom humor tanto conservadores como progressistas, disse estar “perturbado” com a perseguição a Flávio no Brasil. “Não quero ver isso aqui. Um cara perde a eleição e tem de sair do país para não ser preso”, afirmou.

Em editorial publicado na quarta-feira passada, intitulado “Quando juízes se tornam promotores”, até o esquerdista Washington Post questionou a concentração de poderes na Corte e disse que a fuga de Flávio para os EUA logo depois do pleito de 25 de outubro expôs os problemas que afetam a democracia brasileira.

Segundo o jornal, é preocupante que um senador e ex-candidato da oposição à Presidência tenha dúvidas de que será julgado de forma justa no país, embora não seja possível dizer se ele é culpado ou inocente dos crimes pelos quais é investigado. A publicação criticou, ainda, o acúmulo de funções de investigadores, acusadores e julgadores por ministros do STF, em processos relacionados a ataques à democracia e à disseminação de desinformação.

Também em editorial publicado na quarta-feira, o The Wall Street Journal, a bíblia do mercado financeiro americano, afirmou que Flávio tem “bons motivos para acreditar que não conseguirá um julgamento justo” se for acusado por um crime no Brasil.

“A responsabilidade de decidir se cabe processar criminalmente um político federal é do procurador-geral. Mas o ministro Moraes tem o hábito de expandir sua jurisdição quando isso lhe convém politicamente”, disse o jornal, que também colocou em xeque a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Como se vê, a narrativa do regime que procura desmoralizar Flávio Bolsonaro por escapar das garras de Xandão pode até prosperar no país, com a colaboração incondicional da mídia tradicional brasileira. Lá fora, porém, como afirmou Dallagnol, hoje todo mundo já sabe o que está acontecendo no Brasil.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jose-fucs/flavio-bolsonaro-fujao-ou-perseguido-politico/

Coluna Esplanada

Cadê os governadores que apoiaram Flávio no segundo turno?

Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no evento em que o candidato à Presidência pelo PSD declarou apoio ao candidato do PL no segundo turno. (Foto: André Borges/EFE)

Houve um avanço inesperado do presidente Lula da Silva no 2º turno em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo – estados considerados de domínio bolsonarista, com governadores aliadíssimos de Flávio Bolsonaro e cujos resultados ajudaram mais ao presidente petista que seu adversário. Os governadores “flavistas” destes estados pouco ajudaram. Lula cresceu mais que Flávio nestes redutos.

Depois do resultado, sumiram os governadores que bateram bumbo na mídia e prometeram a Flávio centenas de milhares de votos. Caso do ex-governador Ronaldo Caiado (GO), e dos eleitos Jorginho Melo (SC) e Cleitinho Azevedo (MG). Numa análise fria do cenário, os caciques bolsonaristas descobriram semana passada que boa parte dos eleitores destes governadores migrou para Lula, não para Flávio.

Efeito Janones

Fato é que não teve roubo, nem fraude, até que alguém prove. E não há provas, por ora. A grande verdade é que o eleitor do Lula que se absteve no 1º turno apareceu em peso no 2º com o chamamento do “Exército” de André Janones. Esse é o poder das redes sociais e do boca-a-boca dos aplicativos de mensagens.

Jogo sujo

Há outra verdade incontestável – e nós mostramos apenas um caso aqui na Coluna, o da ministra das Mulheres espalhando fake sobre o vice de Flávio  ser pedófilo. Janones entrou de carrinho por trás nessa partida, jogando sujo em alguns casos, espalhando fake news, como fim do Bolsa Família, fim da escala 5×2, privatização do SUS e deixou o Flávio Bolsonaro na defensiva. Ele teve que usar seu horário na TV e rádio desmentindo.

O derrotado do PT

Há derrocada também pelo lado do PT, porém discreta. Um grande derrotado. Ninguém percebeu isso. O desânimo de Fernando Haddad. Usado como bucha de canhão por Lula da Silva em outras eleições (nas quais perdeu), desde que deixou a prefeitura de São Paulo. E no Ministério da Fazenda, para onde não volta, apanhou até do chefe. Não tinha um mês em que o presidente jogava contra as metas.

Articulação

Dentro do Palácio Lulista há uma forte ala que prega o foco na Era Lula 4 e sem dar motivos para mídia ou holofote para Flávio Bolsonaro. Ou seja, desejam que ele fique nos Estados Unidos. Para esse grupo, o bolsonarismo acabou com a fuga do presidenciável derrotado, e com o pai preso em domiciliar, sem poder articular, ele abriu caminho para articulação do governo petista até com o PL controlado por Valdemar da Costa Neto. Entre aliados, há uma mágoa com Flávio, porque acreditam que não se faz oposição à distância, embora reconheçam que ele teve seus motivos pessoais para sair do Brasil.

Moraes

No Judiciário – e entre portas do Congresso Nacional, em especial no Senado – o ato do ministro Alexandre de Moraes de exigir o passaporte de Flávio, um senador ainda em mandato, pegou mal, muito mal, e só piorou a situação do togado entre seus críticos. Moraes ainda não está seguro para essa turma.

Sem nexo

Moraes deu mais motivos para o mote de perseguição citado por Flávio, que passou a ser investigado no inquérito sobre lavagem de dinheiro de bets que foca seu advogado, Willer Tomaz, que também saiu do Brasil. O elo seria uma conta conjunta que o próprio Santander já negou existir, conforme documento exposto pela Coluna.

Mais Engenharia?

“Lula pode dar salto estratégico e implementar o Programa Mais Engenharia no Brasil”, afirma o engenheiro civil e presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, Marcos Túlio de Melo. Ele defende a proposta nos moldes do Programa Mais Médicos, de modo que o Programa Mais Engenharia seja reconhecido como política de Estado para levar infraestrutura para os municípios de menor IDH no país.

Novo modelo

Com apenas um ano de operação, o Consórcio QuintoAndar alcançou a marca de R$ 1,3 bilhão em créditos originados e quer expandir a integração da modalidade à sua plataforma para as principais capitais do país. A estratégia é conectar o aluguel à casa própria: hoje 40% dos clientes contemplados concluem a compra pela própria base da proptech. A operação aposta em cashback de 10% para unidades listadas em catálogo.

Ponto Final

Os cães ladram, a caravana passa, o uísque londrino continua no copo e ninguém mais cobrou sobre o contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, tampouco um cerco moral no STF ou na PGR.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/cade-os-governadores-que-apoiaram-flavio-no-segundo-turno/

Chanceler decorativo já entra na lista de ministros que devem rodar em reforma de Lula

Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. (Foto: Marcelo Camargo/ABr).

Chamado até de chanceler de enfeite, já que é Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais, que aluga os ouvidos de Lula quando o presidente quer saber sobre política externa, Mauro Vieira tem grandes chances de deixar o posto de ministro das Relações Exteriores segundo apostas de auxiliares próximos a Lula. Um dos cotados para o posto é até o ex-ministro da Fazenda e derrotado na eleição para governador de São Paulo Fernando Haddad (PT), deslocado no governo.

Ioiô

O nome de Haddad já foi ventilado para Casa Civil e até uma eventual volta ao Ministério da Fazenda. Poucas chances para ambos os casos.

Mais gente

Em alta está o embaixador André Corrêa do Lago, que assumiu a bucha de presidir a COP30, conferência do clima da ONU em Belém (PA).

Segue a lista

Maurício Lyrio é outro que pode ascender no Itamaraty. Atuou no tarifaço contra o Brasil e tem um “diferencial” que conta: é próximo de Amorim.

Na disputa

Pelas beiradas ainda tem Maria Luiza Viotti, atual embaixadora do Brasil em Washington (EUA), mas a crise com os EUA complica o caso dela.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/chanceler-decorativo-ja-entra-na-lista-de-ministros-que-devem-rodar-em-reforma-de-lula

‘Maldição das midterms’: derrota do partido do presidente é regra histórica

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Casa Branca.

Quando Donald Trump declarou que “seja você um bom presidente ou um ótimo presidente, você perde as eleições de Meio de Mandato” e prometeu “mudar isso”, ele apenas descreveu uma das regularidades mais consistentes da política americana moderna. A frase revela mais sobre o funcionamento do sistema eleitoral dos Estados Unidos do que qualquer narrativa que trate o resultado como um julgamento excepcional do governo do momento.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o partido que ocupa a Casa Branca perdeu cadeiras na Câmara dos Representantes em 18 das 20 eleições de meio de mandato realizadas entre 1946 e 2022. A perda média gira em torno de 26 assentos. As únicas exceções claras no período pós-1946 foram Bill Clinton em 1998 (ganho de 4 cadeiras na Câmara) e George W. Bush em 2002 (ganho de 8). Antes disso, Franklin D. Roosevelt também ampliou a base democrata em 1934, no auge do New Deal e do apoio popular pós-Grande Depressão. São casos raros, quase sempre ligados a contextos extraordinários de popularidade ou coesão nacional.

Fenômenos atinge democratas e republicanos

A lógica é estrutural, não conjuntural. Todos os 435 deputados da Câmara enfrentam o eleitor a cada dois anos. Qualquer oscilação nacional de humor ou de aprovação do presidente se propaga quase de forma uniforme pelo país, transformando a disputa da Câmara em algo próximo a um referendo sobre o governo. O Senado, com apenas um terço das cadeiras em jogo a cada ciclo, é menos previsível: depende de quais estados estão em disputa e de seus equilíbrios locais. Por isso, o padrão de perdas é mais rígido na Câmara do que no Senado.

O fenômeno atinge democratas e republicanos indistintamente. Barack Obama perdeu 63 cadeiras na Câmara em 2010; Bill Clinton perdeu 54 em 1994; Harry Truman perdeu 56 em 1946; Donald Trump perdeu 41 em 2018; Joe Biden perdeu 9 em 2022. As maiores derrotas costumam ocorrer quando a aprovação do presidente está baixa ou quando há descontentamento econômico ou político generalizado. As raras vitórias do partido no poder exigem circunstâncias excepcionais — como o efeito de unidade nacional pós-11 de setembro sob Bush ou a rejeição popular ao impeachment de Clinton.

No Brasil, torcida contra Trump distorce o fato

Parte da cobertura brasileira das midterms, no entanto, tende a apresentar o enfraquecimento do partido do presidente como um evento mais dramático ou particular do que o histórico permite. Fala-se em “revés”, “desastre” ou “risco de impeachment” como se a perda de assentos fosse uma anomalia ligada à figura do ocupante da Casa Branca, e não a regra do jogo. O próprio Trump, ao reconhecer publicamente o padrão e tentar superá-lo, oferece um contraponto útil: a previsibilidade é tão forte que até o presidente em exercício a trata como dado.

Isso não significa que a magnitude da perda seja irrelevante. Com maiorias estreitas, a diferença entre perder 10 ou 40 cadeiras pode determinar o controle da Câmara e a capacidade de oposição de investigar ou bloquear a agenda do Executivo. Mas a direção do movimento — o partido do presidente perder força na Câmara — é, há décadas, o resultado esperado. Tratar esse desfecho como surpresa recorrente obscurece a regularidade estatística e a mecânica institucional que a produz. O verdadeiro debate, na maioria dos ciclos, não é se o presidente vai “perder as midterms”, e sim o quanto.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/ttc-internacional/maldicao-das-midterms-derrota-do-partido-do-presidente-e-regra-historica

Embaixador trocou conflito na Palestina pelo consulado do Brasil em Lisboa

O diplomata brasileiro Alessandro Candeas, de 60 anos, passou de coordenador de uma operação de evacuação de cerca de 100 brasileiros da Faixa de Gaza, em plena guerra entre Israel e os terroristas do Hamas iniciada a 7 de outubro de 2023, a cônsul-geral do Brasil em Lisboa desde 2025. A experiência adquirida na embaixada em Ramallah (2020-2024) tem servido, segundo ele, para gerir uma comunidade que, segundo dados da AIMA, ronda os 500 mil brasileiros em Portugal — número que pode facilmente duplicar quando se contabilizam os que possuem passaporte português ou europeu.

Como descreve o jornalista Álvaro Filho, na reportagem publicada na plataforma Mensagem de Lisboa, Candeas afirma que “o que vi e vivi na Palestina me fez aprender a dar o sentido exato à palavra guerra”. Essa bagagem foi útil na organização da maior zona eleitoral brasileira do mundo, em Lisboa, com quase 80 mil eleitores nas presidenciais brasileiras de outubro de 2026 — um salto de 74% face a 2022. A votação na Cidade Universitária decorreu sem incidentes, num contraste deliberado com a “guerra” que o cônsul deixou para trás.

Em Lisboa, os conflitos são outros: a onda de xenofobia na Europa e o aumento de bullying contra crianças brasileiras nas escolas. Em resposta, o consulado lançou em 2026 o projeto Amigos e Amigas do Brasil, que premiou trabalhos de redação, desenho e vídeo de estudantes de Lisboa, Leiria, Torres Vedras e Belmonte. A diplomacia cultural inclui também saraus literários e o próprio livro de Candeas, A Carta de Pero Vaz de Caminha e o seu Espelho, publicado em outubro — um exercício que o cônsul chama de “pequeno manifesto anti-eurocêntrico”.

A reportagem de Álvaro Filho na Mensagem de Lisboa recorda ainda a operação de retirada de Gaza, documentada no livro governamental Voltando em Paz e nas memórias do próprio diplomata, Peregrinações & Guerra. Um episódio particularmente marcado foi o da última brasileira a sair: uma grávida de nove meses que percorreu parte do trajeto numa carrocinha puxada por um burro e deu à luz na noite de Natal, batizando o filho de Maomé. Mesmo em Lisboa, Candeas mantém um celular antigo com a aplicação de alertas de bombardeamento para acompanhar a filha, que optou por permanecer em Tel Aviv.

Nascido no Recife em 1966, formado em Direito e diplomata pelo Instituto Rio Branco, Candeas (com passagens por Brasília, Paris e Buenos Aires), gere agora o que descreve como “um país dentro de outro”. O Consulado-Geral no Chiado tem sido usado pelo Itamaraty como laboratório de novos serviços (passaportes emitidos na Casa da Moeda no Brasil, identidade, CPF, carteira de motorista e título de eleitor no estrangeiro). Em 2026 criou o Espaço da Mulher Brasileira (EMub), com apoio contra a violência doméstica e promoção de empreendedorismo.

Entre o chapéu de vaqueiro nordestino no cabide do escritório e a vista do terraço reaberto do palacete do Chiado, o cônsul interessa-se também pela história comum luso-brasileira — como o percurso dos judeus sefarditas de Portugal até ao Recife e, depois, à fundação de Nova Iorque. Como nota Álvaro Filho na Mensagem de Lisboa, Candeas brinca que, “do ponto de vista histórico, acabou por ser a colônia brasileira mais bem-sucedida”.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/embaixador-trocou-conflito-na-palestina-pelo-consulado-do-brasil-em-lisboa

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