
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a Rede Globo desistiu de realizar uma entrevista exclusiva com ele depois de receber a exigência que a conversa fosse exibida na íntegra, sem cortes ou temas proibidos. A declaração foi publicada na noite deste domingo (1º) em sua conta na rede social X, em uma nota intitulada “Nota ao Brasil”.
Na publicação, Flávio também acusa a emissora de preparar uma reportagem sobre ele para o programa Fantástico sem oferecer espaço para sua versão. O senador afirma que, se o maior grupo de comunicação do país está “com medo”, não teria condições de julgar ou tentar destruir sua reputação. A Gazeta do Povo procurou a Rede Globo e aguarda retorno.
A reportagem da emissora apontou uma rota divergente do que se sabia da saída de Flávio do Brasil. Por ela, o senador teria ido em um jatinho do advogado Willer Tomaz para Buenos Aires antes de seguir para Porto Iguazu e depois para os Estados Unidos com escala no Equador.
O parlamentar aproveitou o texto para reforçar temas como perseguição política e judicial que vem fazendo desde que deixou o Brasil, após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Senador diz que deixou o país após medidas judiciais
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, acompanhado da família, depois de deixar o Brasil por via terrestre em direção à Argentina. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes e impor medidas cautelares.
Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular, com escala no Equador, antes de chegar a Miami. O senador não detalhou publicamente como organizou ou financiou a viagem.
A saída ocorreu depois de Flávio afirmar, em vídeo, que não pretendia deixar o país e que entregaria os passaportes. Posteriormente, ele relatou que foi intimado pela Polícia Federal ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que decidiu viajar após conversar com a mulher.
Na nota deste domingo, o senador afirma que a decisão judicial contra ele foi publicada sete minutos depois do anúncio do resultado eleitoral. Ele diz que foi intimado em via pública, 12 horas depois, ao deixar a casa do pai, e classifica as medidas como o início de uma perseguição.
Flávio também relaciona a situação à prisão de Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos no processo sobre a suposta tentativa de golpe de estado. O senador afirma que o pai não cometeu crime e menciona a distância de outro filho, que, segundo ele, está há mais de um ano e meio sem vê-lo.
Rede Globo apontou rota diferente para explicar saída de Flávio do Brasil
A reportagem do programa Fantástico buscou reconstruir o passo a passo da viagem de Flávio e de sua família para os Estados Unidos. Diferentemente de versões anteriores, a apuração aponta que Flávio teria feito um trajeto distinto daquele percorrido por sua esposa e filhas até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina.
Na suposta rota de Flávio sustentada pela Globo, ele teria saído de Brasília às 5h05 da manhã da terça-feira (27) e voado em um avião do advogado Willer Tomaz, amigo do senador, para a região de Buenos Aires. O advogado negou que Flávio tenha usado sua aeronave. De Buenos Aires, o senador teria pegado outro jato particular para chegar a Puerto Iguazú.
A esposa e as filhas teriam saído de Brasília em um segundo avião, com destino a Cascavel. Na noite da terça-feira, teriam se deslocado em uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. com destino a Puerto Iguazú. A empresa negou, em suas redes sociais, ter sido responsável pelo transporte de Flávio.
A reportagem ainda indica a participação de um ex-militar israelense, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, na saída de Flávio do Brasil. O advogado Frederick Wassef, representante legal de Flávio, declarou ao Fantástico que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada, e negou que tenha se tratado de uma fuga.
Flávio afirma em Nota ao Brasil que nos EUA pode se manifestar livremente
O senador diz que está em um país onde pode expressar suas opiniões sem ser alvo de decisões judiciais que considera arbitrárias. Na publicação, critica o ministro Alexandre de Moraes e afirma que a polícia foi enviada à sua casa para realizar buscas que, segundo ele, atingiram até as roupas íntimas de suas filhas.
Flávio também sustenta que disputou a Presidência enfrentando um sistema político que, em sua avaliação, pretende preservar a situação atual do país. Ele afirma não se arrepender de suas ações e diz que continuará se manifestando a partir dos Estados Unidos.
Na nota, o senador afirma que pretende conversar nos próximos dias com veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros. Segundo ele, as entrevistas serão realizadas “sem cortes, sem filtro”, para que possa expor o que, em sua avaliação, não conseguiria dizer estando no Brasil.
Leia a íntegra da publicação de Flávio Bolsonaro.
Nota ao Brasil
Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação.
Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras.
Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre.
Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial.
Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juíz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta.
Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016).
Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.
FONTE: GAEZTA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-diz-que-aceitou-dar-entrevista-mas-pediu-a-emissora-exibicao-sem-cortes/
Prédios passam a valer mais no chão do que de pé em bairros nobres de São Paulo

A prefeitura de São Paulo emitiu 11.152 alvarás de demolição nos últimos cinco anos, uma média de seis por dia, de acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Por trás do número está a falta de terreno.
Nos bairros mais valorizados, comprar um prédio e derrubá-lo virou, muitas vezes, a única forma de abrir espaço para um novo empreendimento. As demolições se concentram nas regiões mais caras.
Só as subprefeituras de Pinheiros (2.184 alvarás) e Vila Mariana (2.044) somam quase 38% do total. Na outra ponta, Cidade Tiradentes teve dois alvarás no período, e Parelheiros, apenas um.
Perto do Parque Ibirapuera, numa avenida movimentada, um prédio foi sumindo aos poucos, de cima para baixo. Miniescavadeiras levadas por guindastes até o topo derrubaram o edifício andar por andar, ao longo de seis meses.
O imóvel fazia parte de um complexo com dois edifícios: um residencial de 12 andares, com dois apartamentos por andar, e um comercial de oito andares descrito como “novinho” por Andrés Diez, engenheiro civil e sócio da Demolidora Diez.
De acordo com informações do mercado, uma demolição como essa custa cerca de R$ 4 milhões. No lugar, a Cyrela vai erguer um empreendimento com elevador panorâmico e vista para o Parque Ibirapuera.
“Isso aconteceu muito em Taiwan, onde não tem mais área para construir, e está crescendo faz uns três anos em São Paulo de uma forma assustadora”, afirma Diez. De acordo com ele, a empresa derruba de 15 a 20 prédios por ano, e a demanda continua aumentando.
Há 12 demolições fechadas para os próximos meses, a maior parte na zona sul da cidade. A empresa também atua no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, mas cerca de 80% dos projetos estão na capital paulista.
Na lista recente da empresa estão um prédio alto na Consolação, três em Moema e quatro no Brooklin. Os mais comuns têm de cinco a oito andares.
Plano Diretor concentra novos prédios perto do transporte público
O movimento também é resultado das regras urbanísticas da cidade. Em 2023, uma revisão do Plano Diretor da cidade ampliou áreas perto de estações de metrô e trem e de corredores de ônibus onde é permitido construir prédios mais altos e com mais apartamentos.
De acordo com a administração municipal, a distribuição das demolições está ligada justamente a essa diretriz de adensamento perto do transporte público. Levantamento do Secovi-SP, o sindicato da habitação, mostra o peso dessas áreas.
A capital lançou 154.769 unidades residenciais entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Dessas, 67% ficam nas zonas de maior adensamento, e só os eixos de transporte concentram 43,9% do total.
“Essas áreas representam mais ou menos 3% da área do município, não é uma área muito grande e, por isso, é tão procurada”, afirma o vice-presidente de Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP, Claudio Bernardes.
Em 2014, quando foi sancionado o Plano Diretor Estratégico, foram criados os eixos estratégicos da cidade, áreas ao longo dos sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade. “Esses eixos vêm sendo usados há dez anos e vão acabando. Quando acabam os terrenos vagos, sobram os que têm prédios um pouco maiores. Aí, na hora que fica viável, eles entram nesse processo de demolição”, diz Bernardes.
Alto padrão puxa a troca de prédios antigos por novos
A maioria dos clientes da demolidora são incorporadoras, mas há também fundos. Os prédios derrubados ficam, em geral, no mercado de alto padrão, além de construtoras do programa “Minha Casa, Minha Vida” que compram prédios antigos para demolir, e muitos edifícios comerciais velhos que já não conseguem inquilinos.
Para a incorporadora, a demolição pesa pouco na conta. “É uma coisa muito perigosa mas, pelo preço, é muito barata”, diz Diez. De acordo com ele, a demolição fica em torno de 2% do custo do empreendimento. “O problema não é a demolição, é o próprio terreno, que é muito caro.”
Para regiões disputadas, como o entorno do Ibirapuera, são investimentos que valem à pena. “Quantos terrenos tem no entorno do Ibirapuera? É um número muito finito”, diz Bernardes.
“A incorporadora faz a conta: vou aumentar o custo do terreno, mas consigo repassar isso no preço porque tem mercado”, complementa. A representação do terreno costuma variar entre 15% e 25% do custo de um lançamento de alto padrão. Do lado de quem vende, muitas vezes o proprietário negocia o terreno com o imóvel construído por querer se livrar de um empreendimento parado e que gera altos custos com IPTU.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/sao-paulo/escassez-terrenos-demolicao-sao-paulo/
Balneário Camboriú desbanca Dubai e pela primeira vez terá cruzeiro de luxo no Réveillon

Balneário Camboriú receberá pela primeira vez um navio de cruzeiro fundeado diante da Praia Central durante o Réveillon. A Explora Journeys, marca de luxo do grupo MSC, escolheu a cidade para a virada de 2027 para 2028, quando o Explora I deverá permanecer no mar para que seus hóspedes assistam à queima de fogos.
A escala substitui uma passagem inicialmente prevista por Dubai e coloca a cidade catarinense à frente do Rio de Janeiro na disputa pela operação. Pesaram na decisão a possibilidade de reservar uma área exclusiva para o fundeio do navio durante a virada — condição considerada inviável em Copacabana — e os indicadores de segurança em Balneário Camboriú.
Com capacidade para cerca de 900 passageiros, o Explora I é voltado ao segmento de luxo. A bordo, reúne lojas de marcas como Cartier e Rolex e uma suíte de 500 metros quadrados assinada pela designer espanhola Patricia Urquiola.
A expectativa da companhia é que a operação atraia, sobretudo, viajantes estrangeiros: segundo o chefe de Portos e Experiências da Explora na América do Sul, Wellington Zampronio Zarpellon, cerca de 80% dos hóspedes da marca em viagens internacionais são norte-americanos.
Cidade prepara operação inédita para a virada
A chegada do Explora I exigirá uma operação específica em Balneário Camboriú. Embora o município já esteja na rota de cruzeiros marítimos, será a primeira vez que uma embarcação permanecerá fundeada diante da Praia Central durante a noite de Réveillon, período de maior concentração de turistas na cidade.
Os detalhes sobre desembarque de passageiros, transporte por embarcações de apoio, área de fundeio, protocolos de segurança e integração com os serviços em terra ainda serão definidos para a temporada 2027-2028. O planejamento deverá envolver a companhia marítima, o Atracadouro Barra Sul, administrado pelo Grupo Tedesco, e os órgãos responsáveis pela operação no mar e em terra.
Para o secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Evandro Neiva, a escala adiciona um diferencial comercial ao destino. “Além do destino, o Réveillon passa a ser um atrativo dentro da própria venda do cruzeiro”, afirma.
A preparação envolve também a programação da virada. A prefeitura prevê ampliar o espetáculo pirotécnico de nove balsas no próximo Réveillon para dez no ano seguinte. A estrutura deverá se distribuir pelos quase seis quilômetros de orla, com 15 minutos de fogos.
Segundo Neiva, a antecedência permite que o município conheça o horário de chegada e saída da embarcação, o número de passageiros e o perfil dos visitantes, informações que podem orientar serviços turísticos, roteiros e experiências em terra. “A operação de um transatlântico tem uma característica muito importante: ela é previsível. Nós sabemos o horário de chegada, o horário de saída e quantos passageiros estão embarcados”, diz.
A expectativa é que os cruzeiristas tenham o dia para circular pela cidade e retornem ao navio para assistir à queima de fogos antes de seguir viagem. Os passeios podem ser contratados antecipadamente, no momento da compra do cruzeiro, ou no próprio destino, com opções que vão de visitas guiadas e atividades de aventura a roteiros personalizados.
Escala mira turismo de alto padrão
Para o Atracadouro Barra Sul, a chegada do Explora I combina potencial de consumo direto e exposição de Balneário Camboriú a viajantes e operadores ligados ao turismo de alto padrão. A avaliação é que esses dois efeitos caminham juntos: o passageiro que desembarca movimenta serviços locais, enquanto a experiência da escala ajuda a projetar a cidade entre quem vende e organiza roteiros internacionais.
A administração do atracadouro afirma que, em navios com esse perfil, as excursões costumam estar incluídas no roteiro. Por isso, a expectativa é que os hóspedes desembarquem para conhecer o destino. “Isso representa consumo direto em passeios, gastronomia, comércio, serviços turísticos e experiências oferecidas em Balneário Camboriú e na região”, destacou Juliana Tedesco, do grupo que administra o atracadouro.
A escala de Réveillon terá um diferencial em relação a uma parada convencional. “O que muda é o cenário: a operação ocorrerá na noite de maior público da temporada e durante o maior evento turístico do município”, completou ela.
A avaliação é que a operação pode demonstrar o potencial de Balneário Camboriú para receber esse tipo de público e abrir espaço para um novo mercado de escalas futuras. Tedesco ressalta que o atracadouro recebeu outras embarcações de luxo desde o início das operações internacionais na cidade, mas classifica a parada durante a virada como especial por associar o cruzeiro ao produto turístico que o município promove há anos: o Réveillon.
Para a diretora-executiva do BC Convention, Ludiane Goulart, o ganho não se limita ao aumento pontual de visitantes. Ela afirma que a cidade tem a oportunidade de criar uma conexão com um público “altamente qualificado” e fazer com que Balneário Camboriú seja visto como uma alternativa de viagem além da escala de poucas horas.
“Pode ir além de uma escala, pode se transformar no próximo destino desse viajante”, argumentou. Segundo Ludiane, empresas da região passaram, nos últimos anos, a demonstrar maior disposição para personalizar serviços e montar experiências exclusivas.
Entre as possibilidades citadas por ela estão experiências gastronômicas reservadas, com menus personalizados; compras com atendimento privativo; navegação pela costa; e atividades ao nascer do sol em atrativos turísticos. A diretora-executiva afirma que o desafio não é necessariamente criar uma nova oferta de luxo, mas dar unidade à estrutura disponível.
“O próximo passo é conectar melhor os produtos existentes e transformar essa oferta em uma experiência de destino”, afirma. Para ela, o visitante precisa enxergar uma jornada completa, personalizada e segura, em vez de encontrar apenas bons serviços isolados.
“O luxo está cada vez menos relacionado à ostentação e cada vez mais associado à qualidade da experiência, ao acesso, à exclusividade e à forma como o destino faz o visitante se sentir”, diz Ludiane.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/balneario-camboriu-cruzeiro-de-luxo-reveillon/
Defesa de Flávio Bolsonaro pede afastamento de Moraes de investigação

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja declarado impedido de relatar o inquérito que apura a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e inclui a solicitação de redistribuição do caso ao ministro André Mendonça.
Os advogados sustentam que Moraes deveria deixar a investigação porque teria utilizado uma aeronave vinculada à estrutura empresarial investigada pela Polícia Federal. O avião também aparece na apuração sobre a relação entre Flávio e Willer, que são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro.
A defesa argumenta que a investigação pode alcançar circunstâncias relacionadas ao próprio ministro, ainda que ele tenha participado apenas como passageiro. Segundo a petição, a conexão envolvendo a aeronave e a sociedade Fraction 024, cujas cotas teriam sido destinadas ao escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, justificaria o afastamento.
Caso o STF não reconheça o impedimento, os advogados pedem que seja declarada a suspeição do ministro.
Defesa também quer revogar medidas cautelares
Além da mudança de relator, a defesa solicita a revogação das medidas cautelares determinadas contra Flávio. Entre elas estão o cancelamento dos passaportes brasileiros, a entrega do documento italiano e a proibição de contato com Willer Tomaz.
Os advogados contestam os fundamentos utilizados para justificar as restrições. Afirmam que o banco negou que Flávio fosse “usuário master” de contas de uma empresa ligada a Willer e sustentam que o risco de fuga não poderia ser fundamentado em declarações de terceiros.
A defesa também argumenta que questionar o resultado eleitoral por meios institucionais não poderia ser considerado indício de intenção de deixar o país. A petição não menciona a viagem de Flávio aos Estados Unidos, realizada depois da determinação de entrega dos passaportes.
Advogados apontam relação de Moraes com aeronave investigada
A defesa afirma que Moraes e Viviane Barci de Moraes utilizaram o jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, em julho e agosto de 2025. A aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade que também aparece na investigação sobre Flávio e Willer.
Segundo a petição, a empresa tinha participação dividida entre Willer Tomaz, Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a Prime You. O advogado teria sido um dos sócios, enquanto Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, manteve participação na Prime You de 2021 a setembro de 2025.
A defesa também menciona que Viviane foi contratada pelo Banco Master por R$ 130 milhões e afirma que a Polícia Federal investiga a possível transferência de cotas da Fraction 024 como parte do pagamento ao escritório. O escritório nega essa relação comercial.
Os advogados de Flávio sustentam que esses vínculos tornam necessário afastar Moraes da condução do caso. Na petição, afirmam que o resultado da apuração sobre a sociedade pode ter repercussões na esfera jurídica da esposa do ministro e em fatos dos quais ele próprio participou como passageiro.
Defesa questiona distribuição do inquérito
Em outra frente, os advogados argumentam que o caso deveria estar sob a relatoria de André Mendonça, responsável pela investigação sobre fraudes no INSS, conhecida como Operação Sem Desconto.
A defesa afirma que o inquérito envolvendo Flávio seria um desdobramento dessa apuração e que os dois casos têm como ponto comum a investigação sobre Willer Tomaz e sua rede de empresas.
Os advogados também questionam a imposição das medidas cautelares por Moraes na noite da eleição, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República. Segundo a peça, as restrições foram requeridas e autorizadas em poucas horas, com base, entre outros elementos, em declarações de Eduardo Bolsonaro (PL).
A investigação apura se Flávio e Willer mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro, inclusive por meio de uma casa de apostas. Ambos negam irregularidades.
FONTE: GAEZTA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/defesa-de-flavio-bolsonaro-pede-afastamento-de-moraes-de-investigacao/
Perdoar e amar enquanto há tempo: o que a morte pode nos ensinar sobre a vida

A morte é uma das poucas certezas da existência humana, mas falar sobre ela continua sendo uma dificuldade para muitas pessoas. O receio de sofrer, a tentativa de afastar a ideia da própria finitude e a falta de preparo para lidar com a perda fazem com que, muitas vezes, a reflexão sobre a morte só comece quando ela já está próxima ou quando alguém querido se vai. Para o jornalista e teólogo em formação Caio Castro Lima, aprender a lidar com esse momento passa por uma mudança de perspectiva: em vez de pensar apenas no fim da vida, é preciso refletir sobre a maneira como se vive até lá.
“A morte é a vida, né? Ela é uma etapa da vida”, afirma Lima, que há três anos atua voluntariamente como ministro extraordinário da Consolação e Esperança, serviço religioso de acolhimento a famílias enlutadas em cemitérios do Rio de Janeiro. A experiência de acompanhar pessoas durante velórios, somada aos estudos de teologia e de cuidados paliativos, despertou nele o interesse em compreender melhor as dúvidas, os medos e as necessidades de quem enfrenta a perda de alguém querido.
Para o autor, falar sobre a morte é também uma oportunidade de repensar as próprias escolhas, os relacionamentos e as prioridades. A consciência de que o tempo é limitado pode ajudar a construir relações mais saudáveis, abandonar ressentimentos e atribuir mais sentido ao cotidiano. “Você passa a dar sentido melhor ou buscar um novo sentido ao longo da sua vida, de servir a Deus, de tentar lidar melhor com o seu irmão, de perdoar, de entender o que que de fato é amar”, diz.
Essa preparação, na visão de Lima, não acontece de uma só vez. Deve ser uma construção diária, que envolve reconhecer que não temos controle sobre tudo o que acontece e aprender a conviver com as próprias limitações. A fé tem papel importante nesse processo, mas a preparação também passa pela disposição de conversar, expressar sentimentos e cultivar relações de confiança com as pessoas próximas.
“É a entrega, a intimidade com Deus e com as pessoas, a oração e a disposição para reconhecer os próprios erros ajudam a enfrentar a perspectiva da finitude”, resume. Isso não significa eliminar o medo da morte, mas desenvolver recursos para lidar com ele e para atravessar os momentos difíceis com mais serenidade.
O perdão diante da perda
A importância de resolver mágoas enquanto há tempo ganhou um significado pessoal para Lima quando seu pai morreu, durante a pandemia de Covid-19. Na época, ele trabalhava em Curitiba e fazia viagens frequentes entre a cidade e o Rio de Janeiro. O pai sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), e o filho não conseguiu chegar a tempo para se despedir.
Além da impossibilidade de participar do funeral como gostaria, a perda trouxe à tona os desentendimentos e as pendências que permaneciam na relação entre os dois. Como acontece em muitas famílias, havia lembranças boas, mas também mágoas e períodos de afastamento.
“Eu tive momentos de alegrias com meu pai, mas tive momentos de desentendimentos que criaram algumas mágoas, alguns afastamentos”, conta. A ausência da despedida tornou ainda mais difícil lidar com o que não havia sido resolvido em vida.
A saída que encontrou foi trabalhar o perdão, inclusive em relação a si mesmo. “Eu só comecei a aceitar melhor eu não ter resolvido as pendências que eu teria que resolver com meu pai, porque eu comecei a me perdoar e a perdoá-lo pelas coisas que um fez ao outro”, afirma.
Cinco anos depois da morte do pai, Lima diz que passou a enxergar a relação de maneira mais serena. A experiência também contribuiu para entender como as mágoas podem continuar pesando sobre quem fica mesmo quando já não é possível conversar diretamente com quem morreu.
Para o autor, perdoar não significa necessariamente retomar uma relação ou tornar-se amigo de quem causou sofrimento. Significa deixar de carregar o peso da mágoa, da raiva e do desejo de vingança. “O perdão é você tirar esse peso de você, da mágoa, da raiva, do ódio, da vingança”, explica.
Por isso, Lima sugere o perdão como uma prática cotidiana, e não uma providência a ser tomada apenas diante da possibilidade de perder alguém. A reconciliação, quando possível, e o reconhecimento dos próprios erros podem ajudar a evitar que conflitos não resolvidos se transformem em fontes adicionais de sofrimento no luto.
Como acolher quem está de luto
Se a preparação para a morte começa antes da perda, o cuidado com quem fica exige sensibilidade para respeitar o tempo e a dor de cada pessoa. Na experiência de Lima, uma das atitudes mais importantes é não tentar oferecer respostas prontas para um sofrimento que nem sempre pode ser explicado ou aliviado por palavras.
“Não há palavra ou conselho que vai ajudar a pessoa naquele momento de sofrimento. A pessoa precisa passar por isso, ela tem que viver aquele período de luto”, afirma.
A orientação contrasta com a tendência de tentar consolar o enlutado por meio de frases feitas, explicações sobre o sentido da perda ou recomendações para que seja forte. Mesmo quando bem-intencionadas, essas tentativas podem não corresponder ao que a pessoa precisa naquele momento.
Em vez de procurar uma solução imediata, Lima recomenda acolher, ouvir e permanecer ao lado de quem sofre. “É você se colocar do lado, é você acolher, é você apertar a mão, é você aceitar o desabafo da pessoa e ouvir e estar ali do lado”, diz.
O respeito ao luto também envolve reconhecer que cada pessoa enfrenta a perda de uma maneira. Para quem tem fé, a oração pode ser uma fonte de consolo. Mas, no entendimento do entrevistado, o mais importante é oferecer presença e afeto, sem impor interpretações ou exigir que o sofrimento seja superado rapidamente.
Seu trabalho nos cemitérios segue essa lógica. Ao conduzir celebrações religiosas para famílias enlutadas, ele procura não transformar o momento em um relato de experiências pessoais nem em uma ocasião para dar conselhos. A intenção, explica, é levar a palavra de Deus e oferecer uma possibilidade de esperança a quem enfrenta a perda.
Conversar antes que seja tarde
A preparação para a morte também envolve a possibilidade de conversar sobre o fim da vida antes que uma doença ou uma emergência obrigue a família a tomar decisões difíceis. Lima tem se dedicado ao estudo dos cuidados paliativos, que buscam oferecer qualidade de vida e aliviar o sofrimento de pessoas que enfrentam doenças graves.
Nesse contexto, a possibilidade de expressar desejos, medos e necessidades pode ajudar tanto o paciente quanto seus familiares. A conversa também pode ajudar a lidar com questões cotidianas, como a necessidade de cuidadores e as mudanças na rotina de quem envelhece. Para Lima, dar espaço para que a pessoa fale sobre o que sente e sobre como deseja ser cuidada é uma forma de preservar sua autonomia e fortalecer os vínculos familiares.
A ideia é que o diálogo não fique restrito aos momentos em que a morte parece iminente. Falar sobre a finitude pode permitir que familiares expressem afeto, resolvam conflitos e compreendam melhor as necessidades uns dos outros. É também uma maneira de evitar que a despedida seja marcada apenas por assuntos que ficaram sem resposta.
A reflexão sobre a morte, portanto, não precisa ser encarada como um exercício de pessimismo. Ao contrário, pode servir como incentivo para prestar mais atenção às relações e às escolhas feitas no presente.
Fé e esperança
A perspectiva cristã é central na maneira como Lima compreende a morte. Para ele, a esperança na ressurreição permite enxergar a finitude não como uma ruptura definitiva, mas como parte de uma existência que, segundo a fé cristã, não se encerra com a morte física.
Essa convicção também orienta seu trabalho de consolação às famílias. O nome do ministério em que atua reúne justamente os dois propósitos que procura levar a quem enfrenta uma perda: consolar os que ficam e transmitir esperança.
A fé, porém, não elimina a necessidade de atravessar o sofrimento. Na experiência do entrevistado, a dor precisa ser vivida, e o acolhimento não deve ser substituído por explicações simplistas. A esperança oferece uma maneira de enfrentar a perda sem negar a tristeza que ela provoca.
Essas reflexões foram reunidas por Lima no livro A Morte é um Canto Gregoriano – É Preciso Entendê-la para não Temê-la, publicado pela Juruá Editora. Nas 102 páginas da obra, ele aborda temas como luto, saudade, perdão, envelhecimento, cuidados paliativos e dignidade no fim da vida, combinando sua experiência pessoal com referências à tradição cristã.
Ao resumir o que considera essencial para viver diante da certeza da morte, o autor volta às duas atitudes que atravessam sua reflexão: amar e perdoar. “Se a gente soubesse quando ia morrer, a única coisa que deveríamos fazer é perdoar e amar”, afirma.
A frase não elimina as dificuldades de lidar com a perda, nem oferece uma fórmula capaz de evitar o sofrimento. É, antes, um convite a não adiar indefinidamente conversas, gestos de afeto e tentativas de reconciliação. Afinal, embora não seja possível controlar quando a morte chegará, é possível escolher como tratar as pessoas enquanto há tempo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/perdoar-e-amar-enquanto-ha-tempo-o-que-a-morte-pode-nos-ensinar-sobre-a-vida/
Lula apelou ao populismo para conquistar pequenos empreendedores na reta final da eleição

Depois de passar quatro anos sem dar prioridade à pauta dos pequenos empreendedores, Lula (PT) lançou um pacote de benefícios para a categoria a poucos dias do segundo turno, em uma ofensiva de apelo populista que pode ter favorecido sua campanha à reeleição.
Sancionado em 21 de outubro, o programa Prospera MEI alcança cerca de 3,6 milhões de microempreendedores individuais. O pacote prevê o perdão de dívidas com a União, a ampliação do limite de faturamento e facilidades para a contratação de crédito e o acesso a compras públicas. Lula também acenou com um Pix de até R$ 5 mil para investimentos nos negócios e com a renegociação de dívidas bancárias.
As duas últimas iniciativas ainda dependem de regulamentação. Já a renúncia fiscal estimada com o perdão das dívidas soma R$ 3,04 bilhões entre 2027 e 2029. Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o conjunto de medidas de apelo popular e econômico pode ter favorecido eleitoralmente o presidente.
“Lula trabalhou com a máquina pública, tomando medidas de elevado apelo popular e político”, avalia o cientista político Leandro Gabiati, da consultoria Dominium. “Pode-se questionar, do ponto de vista ético e moral, seu uso em benefício próprio, mas a lógica da política é que, se o governante não usa a máquina, perde a eleição. Se usa, tem chances de se reeleger.”
Histórico do PT contrasta com aceno aos MEIs
Ao sancionar o pacote, Lula afirmou que o empreendedorismo já era uma prioridade de seus governos e citou a criação do Simples Nacional e do MEI , além da criação, em 2023, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Os fatos mostram, no entanto, uma realidade diferente. As iniciativas sempre enfrentaram resistências dentro do próprio campo petista. Em 2024, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) pediu vista do PLP 261/2023, que previa a atualização anual dos limites de faturamento do MEI e do Simples Nacional.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chegou a classificar como “crime” uma eventual validação, pelo STF, da contratação de pessoas jurídicas para a terceirização de atividades — prática conhecida como “pejotização”. Ele também criticou o uso do MEI para disfarçar vínculos empregatícios.
A criação da pasta, por sua vez, também ocorreu durante uma reforma ministerial e foi criticada pelo partido. Na prática, foi vista como estratégia para acomodar Márcio França (PSB), deslocado do Ministério de Portos e Aeroportos em meio às negociações para ampliar o espaço de partidos do Centrão no governo.
A estrutura criada também não conseguiu garantir benefícios concretos aos microempreendedores. Em auditoria de dezembro de 2025, o TCU apontou falhas de integração entre órgãos, acompanhamento insuficiente das ações e desconhecimento dos programas por parte dos MEIs.
“O PT sempre viu o empreendedor com desconfiança”, diz Marcelo Faria, presidente do Instituto Liberal de São Paulo. “Para o partido, o trabalhador ideal tem carteira assinada e sindicato, e quem trabalha por conta própria aparece ora como vítima da ‘precarização’, ora como ameaça à Previdência.”
Faria lembra que o governo resistiu à correção dos limites de faturamento do Simples Nacional, congelados desde 2018. Ele também aponta outras medidas que, na avaliação dele, criaram entraves para o setor, como a exigência de convenção coletiva com sindicatos para o comércio abrir nos feriados.
“O manifesto ‘Construindo o futuro’, aprovado no 8º Congresso do PT em abril, não menciona uma única vez o microempreendedor”, afirma o executivo. “Ele fala em Estado indutor, socialismo e economia solidária. Os MEIs só foram lembrados no período eleitoral.”
Tradição sindicalista do PT dificulta aproximação com autônomos
Na mesma linha, Giuliano Miotto, CEO do Instituto Liberdade e Justiça, afirma que o “aceno tardio” do governo Lula aos microempreendedores individuais, “por cálculo eleitoral”, contraria a tradição sindicalista do PT.
“O trabalhador autônomo acaba escapando da tutela do Estado e da dependência de sindicatos”, diz. “Essa aproximação de última hora foi uma manobra desesperada que buscava sobrevivência política.”
A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado também aponta a dificuldade de parte da esquerda em compreender o desejo de autonomia econômica. “A gente percebe que, muitas vezes, parte da esquerda mais intelectualizada ou de grupos de camadas médias, olha com deboche para esses grupos”, afirmou à BBC em outubro.
Para Gabiati, a hesitação histórica da esquerda em incorporar a pauta do empreendedorismo deriva de sua origem e formação conceitual. “A esquerda tem um DNA de formação no século XX, a partir dos anos 1970, com o fortalecimento dos sindicatos. Isso gera alguma dificuldade em relação à modernização do trabalho.”
Brasileiros veem empreendedorismo como oportunidade para melhorar de vida
A pesquisa Meio/Ideia, divulgada na semana pré-segundo turno, apontou que a intenção de ter o próprio negócio é uma aspiração relevante entre os eleitores brasileiros.
Ao perguntar o que significa “melhorar de vida”, o levantamento identificou que 43,3% associaram a expressão a “ter o próprio negócio” ou “trabalhar por conta própria, com mais autonomia sobre horários e ganhos”.
Outros 32% preferem trabalhar com carteira assinada e direitos garantidos, como férias, 13º salário e FGTS. Para 12%, nenhuma das duas opções representa o que entendem por melhorar de vida, enquanto 12,7% não souberam responder.
Entre os que associam a melhora de vida ao próprio negócio ou ao trabalho por conta própria, 62,3% declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL), contra 33,5% em Lula (PT). Já entre os que preferem a carteira assinada e os direitos trabalhistas, Lula somou 65,4%, ante 30,2% de Flávio.
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores por telefone, entre 15 e 19 de outubro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-08251/2026.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-empreendedores-populismo-mei-eleicao/

Pela mentira ou pela força, legado da esquerda é caracterizar oposição como traidores

Para a esquerda, a luta pelo poder não acaba quando os resultados da eleição são anunciados.
Após a eleição mais acirrada e confusa da história – um marco que, provavelmente, será superado pela próxima eleição – a marcha da insensatez segue acelerada.
A mídia está repleta de especulações tão absurdas sobre a viagem de Flávio Bolsonaro que são quase ofensivas. São palpites, sem base na realidade, apresentados como análises sofisticadas.
“Analistas” e jornalistas esqueceram o que aconteceu nos últimos tempos – o derretimento do devido processo legal, os atos populistas e ilegais do governo no período eleitoral, a campanha de mentiras e a decisão de um juiz (que deveria estar impedido) ampliando o horário de votação. Mas artigos publicados ontem, por dois dos maiores jornais americanos – The Wall Street Journal e The Washington Post – e pelo jornal alemão Welt lembraram tudo isso.
Sete minutos após o anúncio do resultado das eleições, a polícia política entrou em campo para confiscar o passaporte do perdedor. Quem considera isso democracia está cego pelo fanatismo.
Há intelectuais, artistas e jornalistas aplaudindo e fazendo julgamentos morais absolutos que ignoram o Estado de Direito e o devido processo legal. No Brasil de hoje, a punição antecede a investigação e o julgamento – mas só para a oposição e os dissidentes. A compreensão e a leniência são infinitas para o lado esquerdo. Para o direito, sobra a repressão.
A campanha da esquerda não foi apenas para vencer eleições, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida
Mais uma vez, há quem enxergue justiça na perseguição porque já decidiu que o perseguido precisa ser culpado. A tentativa de manter a liberdade serve como evidência de crime.
“Se fugiu, é porque é culpado” – esse é o julgamento de intelectuais, analistas e jornalistas (vou economizar as aspas, mas elas sempre estão presentes nesses termos). Essa afirmação é parecida com o que a ativista de esquerda Ângela Davis, suposta defensora americana dos direitos civis, disse quando dissidentes soviéticos pediram sua ajuda para libertar presos políticos da União Soviética. Resumindo o cinismo e a falsidade criminosa da esquerda, ela disse: “Se foram presos, é porque têm culpa”.
Parece incrível – mas é isso que alguns jornalistas e analistas estão escrevendo.
A campanha da esquerda não foi apenas para vencer a eleição, mas para caracterizar seus adversários como traidores que devem ser eliminados. A retórica continua sendo repetida. E a tragédia é que essas ideias foram absorvidas por milhões de pessoas.
Todo eleitor da oposição – todos os que votaram contra a perpetuação da esquerda no poder – provavelmente tem um parente, ou vizinho ou colega de trabalho, que foi convencido de que eleitores de direita são extremistas perigosos que, se for preciso, devem ser monitorados, presos ou coisa pior.
Esse é o legado da esquerda.
Quando a vitória do PT na eleição foi anunciada, moradores do meu prédio e de edifícios vizinhos foram berrar nas janelas – mas não para dar vivas ao socialismo ou saudar a “justiça social” – eles foram gritar pedindo a prisão dos milicianos e golpistas.
O germe do ódio, inoculado desde a infância por professores ativistas (da creche ao pós-doutorado), inflamado pela mídia e levado ao paroxismo pelo líder da esquerda e seu “general” – que aplicou a mentira em escala industrial – corrói agora o tecido social e transforma colegas de trabalho, vizinhos e parentes em dedos-duros do regime.
Por isso, em muitas casas, nesse Natal não haverá famílias reunidas. De vermelho, nesses lares, só o papai Noel.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/eleicao-mentira-esquerda-quer-caracterizar-oposicao-como-traidores/

Rubio nega participação dos EUA na saída de Flávio e evita atrito com o Brasil

O governo americano negou através do secretário de Estado, Marco Rubio, que foi perguntado e disse: “Não, a gente não fez nenhum esquema, nós não participamos da saída de Flávio do Brasil”.
É para evitar problemas diplomáticos com o Brasil, assim como o Brasil quer evitar problemas diplomáticos com a Argentina por causa disso. Vai ter um encontro do ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, com Marco Rubio, em breve.
Então, Rubio nega, mas o governo americano deu asilo, esperou com visto normal. Flávio Bolsonaro (PL) disse que a família já tinha visto, vai ter a permanência nos EUA, a residência.
Então, o Flávio explicou que decidiu na hora que o pai dele viu a intimação sobre entrega de passaporte e a decisão de que não poderia sair do país, o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, disse: “Olha, já começou? Começou a perseguição”. E o Flávio disse: “Então, eu já sei o que fazer”. Foi assim.
Michelle transmite mensagem sóbria de Jair Bolsonaro
Agora eu vou repetir aqui uma mensagem muito, muito sóbria, sábia da Michelle Bolsonaro (PL-DF) em nome de Jair Bolsonaro. Ela fala como uma porta-voz. Ela disse:
“Ele, Jair, se entristece quando vê notícias falsas atribuindo a ele manifestações mentirosas que pregam a divisão, apontam injustamente supostos culpados e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados. Ele sente respeito, carinho e gratidão por essas pessoas.”
É uma mensagem para o chamado público interno, que está se digladiando tal como o PT fez no primeiro turno com a derrota. Começam a procurar culpados.
Ajuste fiscal não está entre as prioridades
Bom, vamos ao governo Lula. Olha só que interessante, uma declaração do ministro Guilherme Boulos (Psol-SP): “O tesouraço foi derrotado nas urnas. A agenda econômica é de quem ganhou”.
Aí vem o José Guimarães (PT-CE), que sempre esteve em lideranças do governo, e diz: “O ajuste fiscal não está nas prioridades”. A escolha foi, portanto, de 64 milhões de brasileiros. Pena que as consequências serão pagas também por outros 60 milhões de brasileiros, que ficam sem ajuste fiscal, sem conter a dívida, sem conter os juros. É uma escolha que atinge todo mundo.
Lula não cumpriu juramento de defesa da Constituição
Lula nunca prometeu resolver o problema econômico, nunca prometeu. Não está sequer descumprindo promessa de campanha. O que ele prometeu no atual mandato e vai ter que prometer ao ser empossado no Congresso é defender a Constituição.
Isso ele não cumpriu, porque a Constituição foi atacada, rasgada, desrespeitada muitas vezes e o presidente não abriu a boca, mas ele jurou defender a Constituição. Em um país sério, isso seria motivo para uma discussão moral sobre um juramento não cumprido.
Existe até um crime de falso testemunho. Isso é muito grave. Fazer um juramento solene, diante da Constituição — acho que aqui não se faz diante da Bíblia — e diante do Congresso Nacional, dos representantes do povo e dos estados, e, depois, não cumprir. Ele vai ter que jurar de novo defender a Constituição.
Indicações de eleitos para cargos no governo desrespeitam voto
Bom, uma outra questão contra a qual eu me insurjo, porque está desvalorizando você, eleitor. Você escolhe um sujeito para governar de novo, pois você aprovou o governo dele. A maioria dos eleitores do Piauí aprovaram o governo de Rafael Fonteles (PT) e o reelegeram.
Agora estão falando que o Fonteles pode ir para o Ministério da Fazenda. Como assim? Para ser um mero auxiliar do presidente da República? Um mero ministro do presidente? Que é o mesmo que secretário. Nos Estados Unidos, por exemplo, não se chama de ministro, mas de secretário.
Quando o povo, a maioria do povo do Piauí, escolheu Rafael Fonteles para ser governador, para continuar sendo governador, cogitam sua saída. Isso é muito grave.
Da mesma forma, eu vejo acontecer com pessoas recém-eleitas ao Senado, como o Rui Costa (PT-BA). Já estão falando: “Não, o Rui Costa vai ser ministro”. Como? O povo da Bahia elegeu Rui Costa para ser o representante do estado no Senado Federal.
Tem gente aí, está cheio de gente que ficou desempregada. O João Campos (PSB), lá do Recife, a Gleisi Hoffmann (PT), o Fernando Haddad (PT). Bom, esses podem ser ministros.
Eu disse isso para o Eduardo Bolsonaro quando ele estava querendo ser embaixador nos Estados Unidos: “Espera aí, você vai trair 1,8 milhão de eleitores de São Paulo? Isso é uma traição”. O sujeito se torna o mandatário e abandona? Recebeu uma procuração do povo e abandona a procuração para ser empregado de outro? É incrível.
Câmara discute voto distrital
Na Câmara dos Deputados estão discutindo outra questão, que ninguém entende como certos deputados que não têm voto são eleitos e outros, que foram muito mais votados, não são eleitos. E agora estão falando em voto distrital misto.
Eu acho que não, acho que tem que ser distrital mesmo, distrital pleno, puro. Cada área geográfica do Estado brasileiro tem uma vaga e tem vários candidatos para aquela vaga e aquele sujeito vai representar aquela área na Câmara dos Deputados.
Bom, é o Hugo Motta (Republicanos-PB) que está falando isso. Aliás, Hugo Motta e Davi Alcolumbre (União-AP) estão querendo ficar. Meu Deus, será que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não têm gente melhor?
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/governo-americano-evita-atritos-diplomaticos-com-brasil-flavio/
Paraguai inicia programa para receber e regularizar imigrantes brasileiros após vitória de Lula

A Direção Nacional de Migrações do Paraguai inicia nesta segunda-feira (2) o atendimento para regularizar a situação de imigrantes brasileiros em Ciudad del Este, na fronteira com a cidade brasileira de Foz do Iguaçu (PR). Segundo informações do programa Migramóvil, do governo paraguaio, os brasileiros serão atendidos até a próxima sexta-feira (6), em Ciudad del Este, no Centro Cultural Mangoré.
Após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia 25, o Google Trends registrou um aumento de 1.700% nas buscas pelo termo “como morar no Paraguai” nas primeiras 48 horas após o resultado do segundo turno.
Entre 16 e 20 de novembro, o Migramóvil atenderá em Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com o Brasil pela cidade de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
O Migramóvil levará equipes de documentação a diferentes cidades paraguaias para facilitar o acesso de estrangeiros aos serviços migratórios. Entre os procedimentos disponíveis estão pedidos de residência temporária e permanente, prorrogações de permanência, renovação e reposição de documentos, além da emissão de certificados de radicação.
Paraguai atrai imigrantes e empresas brasileiras
Entre os fatores de atração estão a menor carga tributária do país vizinho, o custo de vida, a proximidade geográfica e a facilidade de obtenção de residência pelo Mercosul, além do governo de direita do presidente paraguaio, Santiago Peña.
O sistema tributário paraguaio, conhecido como “Triplo 10”, prevê alíquotas de até 10% para o imposto sobre a renda empresarial, Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e imposto de renda pessoal. Segundo especialistas, parte dos pedidos de residência serve apenas à estruturação de empresas, sem mudança efetiva de país.
Dados oficiais paraguaios mostram que 22.628 brasileiros receberam autorização de residência no primeiro semestre de 2026, quase o dobro dos 11.723 registrados no mesmo período de 2025. Estimativas do Itamaraty indicavam que 263,2 mil brasileiros viviam no país vizinho em 2023. Despesas com serviços, saúde e lazer podem ser de 10% a 20% menores na capital Assunção em relação ao Brasil.
A mudança, porém, exige planejamento, seja para a pessoa física ou para empresas. Sem formalizar a saída definitiva perante a Receita Federal, o contribuinte pode continuar sujeito à tributação brasileira sobre a renda global.
Além disso, a informalidade atinge cerca de 65% da população economicamente ativa paraguaia, e os serviços públicos de saúde e educação são limitados. A adaptação ao espanhol e ao guarani e as diferenças culturais também representam desafios, especialmente para quem chega sem recursos ou rede de contatos.
Como participar do programa Migramóvil no Paraguai
Em Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero, o atendimento será realizado das 8h às 16h. A distribuição de senhas começa às 7h30, presencialmente. A orientação da Direção Nacional de Migrações é que os interessados compareçam com a documentação exigida para o procedimento desejado.
O programa conta com a participação de diferentes instituições paraguaias, incluindo a Polícia Nacional, a Secretaria de Repatriados e a Comissão Nacional para Refugiados, além do apoio das governadorias, das prefeituras das cidades atendidas e de consulados estrangeiros no país.
Os requisitos e as taxas variam conforme o serviço solicitado. As informações estão disponíveis no portal oficial da instituição.
Para esclarecer dúvidas sobre o Migramóvil, a Direção Nacional de Migrações disponibiliza atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 15h, pelo telefone 021 411 2000 e pelo e-mail migraciones@migraciones.gov.py.
Também é possível acompanhar as informações nos perfis oficiais da instituição nas redes sociais: Instagram, Facebook e X.
Quais documentos podem ser solicitados
O Migramóvil oferece serviços relacionados à regularização migratória de estrangeiros no Paraguai. Entre os procedimentos disponíveis estão:
- Residência temporária e permanente;
- Prorrogação da residência temporária;
- Prorrogação do período de permanência;
- Residência espontânea ou ocasional;
- Renovação de carteira de residência permanente;
- Segunda via das carteiras de residência temporária e permanente;
- Certificado de radicação;
- Cancelamento de pedidos de residência;
- Cancelamento de residências temporárias e permanentes, com conclusão do procedimento na sede central;
- Certificado de movimentação migratória, cujo processamento também deverá ser concluído na sede central.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/paraguai-programa-migramovil-imigrantes-brasileiros/

Meus mortos como me lembro deles

Do avô Pedro ficou apenas a má fama, coitado: bêbado e jogador. Morreu cedo. Deixou à míngua a viúva e as quatro filhas. Um irresponsável de quem nunca ouvi coisa boa. Triste. Não o conheci. Morreu de câncer no pulmão. Ou de cirrose. Ou das duas coisas. O que pensou o avô Pedro na agonia? Que dores o levaram ao vício? Tinha ele algo de bom? Toda uma biografia inacessível. Talvez o inferno seja isto: viver na mentes dos netos como um mau exemplo. Um alerta. Mais uma cerveja, Paulinho? Teu avô foi assim e deu no que deu. Que dó.
Do outro avô a lembrança é um pouco melhor. Reza a lenda que morreu no colo do meu pai. Doença de Chagas. E pensar que hoje têm por vilão qualquer branco. Pode um opressor morrer de doença de Chagas? Doença de pobre miserável. Por acaso todo branco é opressor, mesmo que tenha vivido numa tapera? Dizem que era bom e que morreu sem realizar o sonho de se naturalizar brasileiro. Minhas pesquisas dizem o contrário. Mas quem sou eu para tirar da família essa mágoa? Chamava-se Alexandre, esqueci de dizer. Meu nome era para ter sido Alexander ou Alexsander, em homenagem a ele. Ainda bem que não é.
Analfabeta e namoradeira
Da avó Olenka me lembro pouquíssimo. Era uma bruxa, não queria o casamento dos meus pais, não gostava da minha mãe. Ao menos assim ela entrou para a história familiar. Talvez não fosse nada disso, mas a lenda pegou. Talvez fosse muito pior. Uma vez fui visitá-la e ela me tratou como um estranho. Para compensar, me joguei no chafariz do jardim. Apanhei, molhei a sala toda, mas me vinguei. Ana era o primeiro nome dela. Morreu ejetada de um Escort XR3, ali na entrada de Joinville. De madrugada, fomos ao enterro lá em Umuarama. Não entendia nada. A mãe do pai morreu. Não o vi chorar a avó maldita.
Enquanto a vó Olívia… Ah, a Olívia. Dona Olávia, para os íntimos e ousados. Ela ficava furiosa. Dela dizem que herdei o bom humor. Não sei onde. Depois da morte do vodrastro, a velha curtia um bailão. Era analfabeta e namoradeira. Se recusava a envelhecer. Uma vez disse que era ateu e ela saiu correndo, gritando deusolivre!, deusolivre!, deusolivre! Pedia para ver todos os panos das lojas da Praça Tiradentes e não levava nenhum. Vinha a Curitiba de Viação Garcia. Quando ela ia embora eu chorava, sem saber por quê. Um dia morreu e não fui ao enterro para não encontrar os primos. Que idiota eu sou.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/mortos/

R$ 46 mil por mês: as pensões pagas a filhas solteiras pelo Senado

Dezesseis filhas solteiras de servidores do Senado teriam renda acima do teto remuneratório constitucional de R$ 46.366,19, mas sofrem o abate-teto. Assim, suas rendas correspondem ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos próprios senadores.
A renda de Márcia Mendes Viana é de R$ 62.429,26. Além da remuneração de R$ 41.441, ela recebe R$ 20.988 em “vantagens”, mas sofre um abate-teto de R$ 27 mil. Márcia recebe pensão de Evandro Mendes Viana desde janeiro de 1988 — são 38 anos —, acumulando cerca de R$ 16 milhões em pensões.
Verônica Macedo Albuquerque ganharia R$ 56 mil — R$ 41 mil de remuneração, mais R$ 14.643 em vantagens —, mas sofre um abate-teto de R$ 16 mil. Ela recebe pensão de Antônio Cavalcanti Albuquerque desde março de 1978. São 48 anos, somando cerca de R$ 22 milhões.
Abel Ferraz de Macedo deixou uma pensão de R$ 54.774 para Daiane Macedo — R$ 50.556 de remuneração, mais R$ 4.218 em vantagens —, mas ela sofre um abate-teto de R$ 8 mil. É pensionista desde janeiro de 1985, acumulando aproximadamente R$ 22 milhões.
Quantas são as pensionistas
No total, são 132 filhas solteiras pensionistas do Senado Federal. Maria Raposo Albuquerque recebe R$ 44.706 de pensão deixada por Adherbal Albuquerque, após um abate-teto de R$ 8.117, desde abril de 1978.
Júlia Chermont teria uma pensão de R$ 54 mil. Com um abate-teto de R$ 15 mil, a remuneração ficou em R$ 39 mil. Com 43 anos como pensionista, os ganhos de Chermont totalizam R$ 20 milhões.
As despesas mensais com as pensões somam R$ 3 milhões. Por ano, são R$ 36 milhões.
As pensionistas mais antigas
Considerando os pagamentos mais antigos, Regina Lúcia Dutra, filha de Theotonio Dutra, recebe pensão desde dezembro de 1953, no valor atual de R$ 42.461, sem abate de teto. São 73 anos, somando R$ 37 milhões.
Maria Rosa Alves da Silva recebe pensão de Oscar Alves da Silva desde 1956. São 70 anos. Ela divide a pensão com Regina Célia Alves da Silva — cada uma recebe R$ 14.565 mensais, contabilizando R$ 24 milhões.
Milton Farias de Souza deixou uma pensão de R$ 42.599 para duas pensionistas a partir de junho de 1964. Cada uma recebe R$ 21.299.
Luiz Lourenço deixou uma pensão única de R$ 42.186 para Genilda Lourenço em fevereiro de 1967.
Walter Fonseca deixou uma pensão de R$ 43.150 para três dependentes a partir de abril de 1973. Cada um recebe R$ 14.383.
Acrísio Ferreira deixou uma pensão de R$ 42.599 para Ana Lúcia Ferreira a partir de janeiro de 1975.
Deusdedith de Araújo deixou uma pensão de R$ 45.643 — quase o teto remuneratório — para Zenilda da Silva, a partir de maio de 1976.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/r-46-mil-por-mes-as-pensoes-pagas-a-filhas-solteiras-pelo-senado/
Flávio Bolsonaro faz primeira aparição pública nos EUA ao lado de Eduardo

A primeira aparição pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos desde que deixou o Brasil foi em um culto evangélico na Flórida, ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e de familiares. O encontro ocorreu na comunidade Celeiro, onde o parlamentar posou para fotografias com a mulher, Fernanda Bolsonaro, o deputado Eduardo e a cunhada, Heloísa.
As imagens foram divulgadas nesta segunda-feira (2). Flávio também aparece ao lado dos pastores responsáveis pela igreja.
Durante a celebração, o pastor dirigiu uma mensagem ao senador, sem mencionar diretamente a eleição presidencial. “Não ganhou ou perdeu porque com Jesus você não perde. E se perder, você está ganhando”, afirmou.
Flávio chegou a Miami após deixar o Brasil pela Argentina
A aparição ocorre poucos dias depois de Flávio desembarcar em Miami com a família. O senador embarcou em um avião particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.
A viagem aconteceu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes e impor medidas cautelares.
Flávio reforça que é alvo de perseguição política e judicial. Em publicação na rede social X, no domingo (1º), afirmou que uma decisão judicial com medidas cautelares foi tomada poucos minutos depois do anúncio do resultado eleitoral.
O senador também criticou a atuação de Moraes e disse que não considera o processo justo ou imparcial. Na mesma publicação, afirmou que pretende conceder entrevistas a veículos nacionais e internacionais nos próximos dias, sem cortes ou filtros. Flávio é investigado em inquérito que apura sua relação com o advogado Willer Tomaz e suspeitas de lavagem de dinheiro. A defesa contesta as medidas cautelares e pediu que Moraes seja afastado da relatoria. O senador nega irregularidades.
FONTE: GAZERTA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/flavio-bolsonaro-faz-primeira-aparicao-publica-nos-eua-ao-lado-de-eduardo/
Listas negras petistas contra boicote lembram perseguição a judeus na Alemanha nazista

A “força-tarefa” de inspiração fascista do governo Lula (PT) para criar listas negras de quem se recusa a lidar com petistas ou a consumir seus produtos, encontra precedente na Alemanha nazista, com listas de comerciantes judeus, depois com a estrela de Davi pichada em suas portas. Aquela história de horrores acabaria nos campos de concentração. Foi a militância petista que introduziu isso no Brasil já em 2020, com boicote e até depredações a grandes marcas “bolsonaristas”.
Intolerância e barbárie
Além da Madero, passaram pelo perrengue do ódio petista empresas como a Havan, de Luciano Hang, caçado até no STF por apoiar a direita.
Rchlo pagou seu preço
A varejista Riachuelo entrou na lista negra petista pela opção corajosa do acionista majoritário Flávio Rocha, na defesa de pautas conservadoras.
Mens sana in corpore sano
As redes de academias Smart Fit e Bio Ritmo foram vítimas do ódio ativista após o fundador Edgard Corona ser apontado como “de direita”.
Jamais fariam nada igual
Também despejaram ira e inveja contra Coco Bambu (restaurantes) e Centauro (esportivos) porque os fundadores defenderiam ideias liberais.
Eduardo agradece a Trump acolhimento de Flávio pelo tempo que desejar

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o republicano afirmar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi “muito mal tratado” e que é bem-vindo em território norte-americano pelo tempo que desejar.
Em publicação nas redes sociais neste domingo (1º), Eduardo destacou a manifestação de Trump e afirmou que o presidente americano tem uma visão clara sobre o cenário político brasileiro.
“Muito obrigado Pres. Trump, o Brasil não é mais uma democracia e cada vez mais o mundo vai perceber isso”, escreveu.
A declaração de Trump ocorreu após um jornalista perguntar se ele pretendia se encontrar com Flávio, que está na Flórida com a família.
“Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi tratado muito mal, muito mal mesmo. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser. Ele é bem-vindo”, afirmou o presidente dos EUA.
No vídeo, Eduardo também criticou o pedido de apreensão do passaporte de Flávio, apresentado sete minutos após a divulgação do resultado oficial das eleições presidenciais.
Para o deputado, a medida é um sinal de que as garantias democráticas no Brasil estão comprometidas.
“Não tem liberdade de expressão, não tem liberdade de imprensa, não há imunidade parlamentar. Essa parte da democracia brasileira morreu, e já tem tempo”, declarou.
Veja o vídeo abaixo:
https://www.instagram.com/reels/DfNU8GGx4ek
PL se reúne quarta para discutir Rogério Marinho contra Alcolumbre

De olho na presidência do Senado, o PL se reúne nesta quarta-feira (4), em Brasília, para discutir a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN). O senador deve entrar na disputa contra Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a reeleição, e Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende concorrer ao comando da Casa.
O PL chega à disputa pelo comando do Senado com a maior bancada da Casa. A partir de fevereiro de 2027, o partido terá 29 dos 81 senadores, além de 121 deputados federais. O tamanho da bancada dá mais peso às articulações da legenda, que pretende lançar Rogério Marinho contra o atual presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre.
A movimentação também tem como pano de fundo os pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Parlamentares da direita cobram o andamento dessas solicitações, que seguem sem encaminhamento pela presidência do Senado, e defendem uma mudança no comando da Casa.
Além de Marinho e Alcolumbre, a disputa inclui Tereza Cristina, que também pretende concorrer ao cargo. A eleição está prevista para fevereiro de 2027, quando os senadores escolherão, por voto secreto, o presidente da Casa para os próximos dois anos.
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