
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux suspendeu, na noite desta segunda-feira (28), todos os efeitos da decisão do ministro Flávio Dino, que havia liberado publicações envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida. Com isso, a ordem do ministro André Mendonça, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), volta a valer.
“Faz sentido que este Supremo Tribunal Federal determine a veiculação de notícia comprovadamente falsa? Não! Sob esse ângulo, medidas das mais autoritárias foram adotadas no âmbito dos inquéritos das fake news (Inq 4.781) e das ‘milícias digitais’ (Inq 4.874) sob o pretexto de coibir a desinformação, inclusive de coerção pessoal (prisão) e patrimonial”, escreveu Fux.
No despacho, ele citou uma frase usada de forma recorrente pelo ministro Alexandre de Moraes, ex-relator do inquérito das fake news: “Liberdade de expressão não é liberdade de destruição da Democracia, das Instituições e da dignidade e honra alheias!”.
As plataformas digitais X, Meta, ByteDance e Google foram intimadas a remover, no prazo de 24 horas, os posts sobre a fake news de que Flávio teria a suposta intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil, sob pena de multa e enquadramento em crime de desobediência.
No último dia 25, Mendonça determinou a remoção dessas publicações. A defesa do humorista Antonio Tabet, um dos afetados pela determinação, recorreu ao STF em uma ação que trata da remoção de posts envolvendo Deltan Dallagnol (Novo-PR), que já era relatada por Dino.
Dois dias depois, Dino cassou a ordem de Mendonça, liberou a publicação do humorista e estendeu sua decisão para outras publicações “que tenham sido excluídas pelo mesmo fundamento”, apontando risco de “censura em massa” e violação da liberdade de expressão e religiosa. Além disso, o ministro pediu, nesta segunda-feira (28), que o caso seja avaliado pelo plenário da Corte.
A defesa de Flávio solicitou a Fux, relator de uma das ações que tratam sobre o Marco Civil da Internet e a responsabilização de redes sociais, que restabelecesse os efeitos da decisão de Mendonça.
Ao admitir o candidato do PL como terceiro interessado na ação, Fux apontou que a petição do humorista deveria ter sido submetida à livre distribuição entre os 10 ministros do STF. Para o ministro, a escolha do relator por via incidental violou a garantia constitucional do juiz natural.
“Não é exagero dizer que a decisão, nesse ponto, usurpa a competência dos demais Ministros desta Corte. A distribuição faz-se ‘entre todos os Ministros’ (art. 67 do RISTF), e cada um deles é o juiz natural das reclamações que o sorteio lhe destinar”, enfatizou.
Ele classificou como ultra petita (expressão em latim que significa “além do pedido”) o fato de Dino ter estendido a decisão para postagens de milhares de terceiros que não acionaram a Corte.
Segundo Fux, o ato do TSE combateu a afirmação categórica de um fato comprovadamente falso, enquanto a decisão de extensão tratou o episódio como mera defesa de liberdade de expressão ou crença religiosa.
Além disso, o ministro afirmou que Dino cassou a decisão de Mendonça sem citação do beneficiário da medida, sem pedido de informações ao relator eleitoral e sem manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fux ressaltou que as teses vinculantes dos Temas 533 e 987 ressalvaram expressamente a competência normativa do TSE e asseguraram a remoção de replicações de conteúdos reconhecidos como ilícitos, autoridade que restou vulnerada pela decisão estendida.
Fux considerou a existência de evidente perigo na demora diante da proximidade do primeiro turno das eleições de 2026, destacando que a circulação massiva de desinformação nesse período produz danos irreversíveis que não podem ser corrigidos após o pleito.
O ministro determinou a comunicação imediata da decisão aos presidentes do STF, Edson Fachin; do TSE, Nunes Marques, e ao ministro André Mendonça, ordenando que as plataformas digitais informem o cumprimento da ordem em 24 horas.
A medida cautelar foi submetida ao referendo do plenário do STF, com solicitação para inclusão na mesma pauta de julgamento presencial que apreciará a liminar de Dino. A expectativa é que o referendo das decisões ocorra na sessão desta quarta-feira (30).
“Entre duas decisões monocráticas que se contrapõem, a última palavra é do Plenário. A providência que devolve ao colegiado a decisão, com o estado de coisas preservado, é a que melhor realiza a colegialidade, não a que a compromete”, disse Fux.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/fux-enfrenta-dino-e-restabelece-ordem-de-mendonca-sobre-posts-de-nossa-senhora/
Decisão de Dino contra Flávio reaquece crise no STF e acirra disputa eleitoral

A recente decisão do ministro Flávio Dino que liberou a publicação, nas redes sociais, de postagens insinuando que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, poderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, reacendeu a guerra interna no Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrada no início do mês com a iniciativa de André Mendonça de investigar o colega Alexandre de Moraes.
A decisão de Dino derrubou uma liminar proferida por Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, acolhendo um pedido de Flávio Bolsonaro, determinou a remoção de conteúdos que sugeriam um ataque deliberado do candidato, que é evangélico, a símbolos católicos, o que ele e a campanha do PL classificaram como “fake news”. Na noite de segunda-feira (28), no entanto, a história teve um revés: o ministro do STF Luiz Fux suspendeu todos os efeitos da decisão de Dino.
Um novo capítulo da crise interna no STF surgiu em razão, mais uma vez, da forma como a decisão de Dino foi proferida. Em regra, decisões individuais de um ministro do TSE são contestadas, inicialmente, por meio de recursos internos, a serem julgados no plenário da Corte Eleitoral. Quando se esgotam os recursos possíveis no TSE, a parte contrariada pode apelar ao STF por meio de recurso extraordinário, quando alguma questão constitucional da decisão eleitoral merece uma rediscussão.
Como os dois tribunais são compostos, em parte, pelos mesmos ministros (dos sete ministros titulares do TSE, três são do STF, incluindo o presidente), há uma tradição de respeito às decisões colegiadas da Corte Eleitoral antes de uma manifestação do STF.
Em geral, aguarda-se uma decisão final do TSE para que o Supremo delibere sobre ela de forma colegiada. No caso da Padroeira, Dino suspendeu de forma monocrática uma liminar de Mendonça antes que o plenário do TSE julgasse o caso. E não o fez dentro de um recurso extraordinário – ação distribuída por sorteio entre os ministros do STF –, mas a partir de um pedido de extensão, apresentado pelo humorista Antonio Tabet, dentro de uma ação apresentada em maio que já estava sob relatoria de Dino.
Nesta ação – a Reclamação 95295 –, um deputado estadual do PT pediu a Dino para derrubar decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná que havia proibido que ele postasse, nas redes, que o então pré-candidato a senador Deltan Dallagnol (Novo) estava inelegível. Dino atendeu ao pedido invocando precedente de 2009 do STF que derrubou a antiga Lei de Imprensa e serviu como marco de proteção à liberdade de expressão – a reclamação é o tipo de ação em que o STF pode derrubar decisões de outros tribunais que contrariem sua jurisprudência em determinado tema.
Foi com base na decisão em favor do deputado petista que a defesa de Tabet pediu uma extensão para sua postagem, na qual escreveu que “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Mendonça havia determinado a remoção do post e de outros com conteúdo semelhante, disseminados numa onda de rumores, alimentada pela esquerda, de que Flávio iria retirar o título de Padroeira do Brasil, por causa de um projeto de lei de 2007, de um aliado, já arquivado.
No final da decisão em favor de Tabet, Dino indicou ainda que estaria disposto a receber, no mesmo processo, outros pedidos para derrubar decisões do TSE. “Caso se faça necessário, outros pedidos de extensão podem ser deduzidos mediante petição nestes autos, a fim de que se preserve a autoridade do precedente vinculante do Supremo Tribunal Federal”, escreveu na decisão.
Defesa de Flávio Bolsonaro e Nunes Marques reagem à decisão de Dino
A reação veio nesta segunda. De forma semelhante ao que fez a defesa de Tabet, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu diretamente ao ministro Luiz Fux para derrubar a decisão de Dino e restabelecer a ordem de Mendonça para remoção da postagem. Na noite desta segunda, Fux atendeu ao pedido e derrubou a decisão de Dino.
O pedido foi apresentado no âmbito de um processo já em andamento sob relatoria de Fux, no qual o STF alterou a aplicação do Marco Civil da Internet para impor cerceamento mais rigoroso, pelas redes sociais, de conteúdos ilícitos.
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentaram que a decisão de Flávio Dino esvaziou um dos pontos da decisão do STF que preservava a competência do TSE para julgar a propaganda eleitoral e a desinformação nas campanhas.
“A competência própria da Justiça Eleitoral, segundo suas normas específicas, para tutelar o ambiente informativo nas eleições foi assegurada no julgamento do presente recurso, estabelecendo-se um regime institucional especial, a salvo das regras gerais sobre o Marco Civil da Internet”, afirmou a defesa de Flávio.
A decisão de Fux contra Dino repete, em outro caso, situação criada pelo próprio Dino, no início do mês, na qual ele neutralizou uma decisão anterior de Mendonça que afastava do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues – tendo por motivo a produção de relatórios de inteligência apócrifos contra Mendonça, usados por Moraes para retaliá-lo com a acusação de abuso de autoridade no inquérito das fake news.
Na ocasião, para cessar o conflito entre os ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e, para conter o acirramento dos ânimos dentro da Corte, desmarcou sessões do plenário. No dia 15 de setembro, quando estava agendada sessão para deliberar sobre a abertura de investigação contra Moraes, Gilmar Mendes passou a atacar Mendonça e Dino pediu vista para adiar a decisão.
Outra reação à decisão de Dino, desta vez, dentro do próprio STF, partiu de Kassio Nunes Marques, o atual presidente do TSE. Em ofício a Edson Fachin, sem citar o colega, ele apontou “risco de captura institucional” e o esvaziamento, pelo Supremo, da competência constitucional do TSE de garantir a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral, bem como o equilíbrio da disputa.
Apontou “subordinação funcional do TSE a juízos individuais externos à estrutura da Justiça Eleitoral” e pediu que Fachin filtre os pedidos que chegam ao STF já direcionados para determinados ministros, por serem relatores de ações sem ligação estrita com o caso em discussão.
“Em período eleitoral, marcado por prazos exíguos e por efeitos de difícil reversão, a instabilidade decisória gera insegurança jurídica, estimula a litigância estratégica perante a instância percebida como mais favorável e compromete a previsibilidade das regras do jogo. É por essa via incremental formalmente lícita, mas materialmente desestruturante – que se opera a erosão democrática, mediante o progressivo enfraquecimento das instituições incumbidas de assegurar a integridade do pleito”, escreveu Nunes Marques no ofício a Fachin.
Ele ainda criticou a parte final da decisão de Dino, que abriu a possibilidade de receber outros pedidos contra decisões do TSE. “O convite expresso à formulação de ‘outros pedidos de extensão’ converte a reclamação em instância permanente de revisão difusa dos atos da Corte Eleitoral e em juízo universal da propaganda eleitoral”, escreveu Nunes Marques.
Ainda pela manhã, depois que surgiram as primeiras notícias de bastidores sobre a insatisfação criada no STF com sua decisão, Dino pediu a Fachin que levasse sua decisão sobre o caso da Padroeira para deliberação colegiada do plenário.
No despacho, escreveu que a questão envolve “debate sobre o controle de constitucionalidade de decisões monocráticas de um ilustre ministro que faz parte de um Tribunal Superior, o qual tem competências jurisdicionais subordinadas ao Supremo Tribunal Federal”, numa referência indireta a André Mendonça.
Na decisão monocrática, Dino argumentou que, em proteção à liberdade de expressão e à liberdade religiosa, seria inconstitucional proibir manifestações críticas à suposta pretensão de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A decisão não levou em conta as alegações de Flávio Bolsonaro de falsidade de tal plano por sua candidatura.
Medidas autoritárias já foram tomadas “sob pretexto de coibir desinformação”, diz Fux
Ao sustar a ordem de Dino, Fux fez críticas à atuação do colega e lembrou que medidas “das mais autoritárias” foram adotadas nos inquéritos das fake news e das “milícias digitais” sob o argumento de combate à desinformação.
“Faz sentido que este Supremo Tribunal Federal determine a veiculação de notícia comprovadamente falsa? Não! Sob esse ângulo, medidas das mais autoritárias foram adotadas no âmbito dos inquéritos das fake news (Inq 4.781) e das ‘milícias digitais’ (Inq 4.874) sob o pretexto de coibir a desinformação, inclusive de coerção pessoal (prisão) e patrimonial”, escreveu.
O ministro também apontou uma possível violação ao princípio do juiz natural, ao considerar que a ação deveria ter sido distribuída livremente entre os integrantes do STF. “Não é exagero dizer que a decisão, nesse ponto, usurpa a competência dos demais Ministros desta Corte. A distribuição faz-se ‘entre todos os Ministros’ (art. 67 do RISTF), e cada um deles é o juiz natural das reclamações que o sorteio lhe destinar”, enfatizou.
Dino concentra outras ações com potencial para desgastar Flávio
Nas últimas semanas, com o acirramento da disputa eleitoral, Dino passou a concentrar em seu gabinete outras ações com potencial de desgastar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Um dos casos envolve o filme “Dark Horse”, de homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em maio, depois da revelação de que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para bancar a obra, André Mendonça abriu uma investigação sobre o financiamento da produção – o ministro é relator das investigações envolvendo as fraudes e corrupção no Banco Master.
Dino, então, abriu uma nova investigação, a partir de pedidos de deputados de esquerda, para apurar se emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, foram desviadas para a obra.
O parlamentar e a produtora negam uso de verba pública. Dino, no entanto, determinou busca e apreensão em busca de possíveis provas do uso de emendas parlamentares na produção – ele é relator de ações mais amplas, de 2021, que impõem mais transparência para indicação e destinação dessas verbas.
Na semana passada, Dino recebeu um pedido do PT para investigar uma suposta “interferência estrangeira” nas eleições por parte do governo dos Estados Unidos em favor de Flávio Bolsonaro.
Seguindo a mesma estratégia de driblar o sorteio entre os ministros, o partido não protocolou uma nova ação, mas apresentou o pedido dentro de uma ação já em andamento sob relatoria de Dino – no caso, um processo que discute se municípios afetados por desastres ambientais podem processar mineradoras no exterior. Dino, no entanto, ainda não despachou sobre esse pedido do PT.
O ministro também abriu uma nova investigação sobre o Master, desta vez, no âmbito de uma ação do partido Novo que, originalmente, questionava a falta de recursos para incrementar a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no mercado financeiro. Dino determinou uma ampla análise dos procedimentos e normas internas e verificou que denúncias enviadas ao órgão desde 2022 sobre o Master foram descartadas.
Com base nisso, ele determinou a instauração de inquérito para investigar “a atuação funcional de agentes públicos ligados à Comissão de Valores Mobiliários, bem como de autoridades de alto escalão que teriam influenciado em processos decisórios na autarquia”. Ele não apontou nomes que podem ser investigados, mas fez referência a atos de 2022, ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em meio à guerra interna no STF relacionada ao caso Master, Dino também intensificou uma investigação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de Flávio Bolsonaro, por suposto tráfico de influência – ele destacou, para isso, conversas com Vorcaro para agendar um encontro do banqueiro com André Mendonça.
Em outra frente, Dino mandou a PF investigar investimentos do Master no setor funerário em São Paulo, no âmbito de uma ação que, originalmente, discutia irregularidades na prestação desses serviços por concessão do governo estadual.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/decisao-de-dino-contra-flavio-reaquece-crise-no-stf-e-acirra-disputa-eleitoral/
PT usa truque sujo no Supremo para vencer a eleição
O presidente da Gazeta do Povo, Guilherme Cunha Pereira, denuncia todas as tentativas do petismo de desequilibrar as eleições em seu favor com a ajuda de um ministro do Supremo Tribunal Federal: Flávio Dino. No domingo, ele derrubou uma decisão de André Mendonça que proibiu a divulgação de fake news envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Dias antes, ele recebeu um pedido de investigação contra Flávio por suposta interferência estrangeira. E, nos dois casos, foi usada uma trapaça jurídica cada vez mais comum: o uso de ações cujo objeto original não tem nenhuma relação com a disputa eleitoral, mas que têm Dino como relator. Por isso é fundamental votar bem especialmente para a Presidência da República e para o Senado, a instituição com poder constitucional para frear os abusos do Supremo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/pt-lula-truque-sujo-stf-eleicoes/
Reforma do STF pode incluir mandato fixo e responsabilização disciplinar de ministros

A reforma do Supremo Tribunal Federal (STF) pode avançar no Congresso Nacional sobre dois pontos centrais: o tempo de permanência dos ministros na Corte e os mecanismos de responsabilização por eventuais infrações. Em entrevista à Gazeta do Povo, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), um dos parlamentares que têm pressionado no Congresso por mudanças no funcionamento do Judiciário, defende mandatos fixos de 8 a 12 anos, novas regras para a escolha dos integrantes do Supremo e a possibilidade de processos administrativos disciplinares.
A pressão pela reforma do Judiciário ganhou força após audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH), que foi realizada neste mês a pedido do parlamentar. Na ocasião, a presidente do colegiado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), apresentou uma indicação para que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) crie um grupo de trabalho para reunir PECs e projetos de lei sobre a reforma do Judiciário e consolidar uma proposta em até 60 dias.
Vieira também levou ao STF a disputa pela instalação de uma CPI para investigar possíveis relações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em 22 de setembro, o ministro Cristiano Zanin indeferiu, por ora, o pedido de liminar apresentado pelo senador para obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a dar andamento à comissão. A decisão não encerra o processo. Nesta segunda-feira (28), o senador pediu que Zanin reconsidere a decisão sobre a CPI.
Segundo o senador, o requerimento de criação da CPI conta com 40 assinaturas, mas a comissão ainda não foi instalada pelo Senado.
As propostas integram uma discussão mais ampla no Congresso. Um grupo de trabalho no Senado deve reunir projetos sobre a reforma do Judiciário, incluindo mudanças nos critérios de escolha dos ministros, limites para decisões individuais e mecanismos de transparência e controle.
Para Vieira, uma das prioridades deve ser criar um mecanismo específico para apurar a conduta de ministros do STF. Ele defende que isso possa ocorrer por meio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou por outro procedimento.
O CNJ exerce controle administrativo e financeiro sobre o Judiciário – com exceção do STF – e tem atribuições disciplinares sobre magistrados.
Mandato fixo e novas regras de escolha
Vieira também defende que os ministros do STF tenham mandato de 8 a 12 anos. Atualmente, eles permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos, o que faz com que o tempo de permanência varie conforme a idade da nomeação.
Para o senador, a mudança deveria vir acompanhada de novas regras para a escolha dos integrantes da Corte. Entre as propostas estão a divulgação, pelo presidente da República, de uma lista prévia de candidatos e a adoção de um quórum mais elevado no Senado para a aprovação das indicações.
Hoje, a Constituição determina que os ministros sejam nomeados pelo presidente da República após aprovação da escolha pela maioria absoluta do Senado.
Vieira também defende restrições à indicação de determinadas autoridades em situações de possível conflito de interesses, além de uma quarentena após o exercício de determinados cargos.
A ideia de estabelecer mandato para ministros do STF não é nova no Congresso. Há propostas anteriores sobre o tema, como a PEC 77/2019, que prevê duração determinada para os integrantes da Corte.
Transparência além do STF
O senador também defende que mecanismos de controle não sejam restritos ao Supremo. Vieira cita medidas apresentadas, segundo ele, no relatório da CPI do Crime Organizado e posteriormente transformadas em projetos.
Entre elas estão sindicâncias patrimoniais aleatórias de bens de servidores públicos, transparência sobre o beneficiário final de empresas e regras específicas para pessoas expostas politicamente. Ele também menciona propostas relacionadas a precatórios e à aplicação das regras de prevenção à lavagem de dinheiro a escritórios de advocacia e contabilidade.
“Há diversas medidas que precisam ser discutidas não só em relação aos ministros do STF, mas para autoridades em geral”, afirmou.
Na visão do senador, essas medidas ampliariam os mecanismos de transparência e responsabilização no setor público. A discussão sobre a reforma do Judiciário, portanto, envolve não apenas os poderes do Supremo, mas também as regras de entrada, permanência e controle dos integrantes da Corte.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/reforma-do-stf-pode-incluir-mandato-fixo-e-responsabilizacao-disciplinar-de-ministros/

Hugo Motta é mais um que trata Daniel Vorcaro como irmão

Em que tipo de político você vai votar no domingo? A Veja, em matéria de capa, desnudou Davi Alcolumbre e suas relações promíscuas e pecaminosas com Daniel Vorcaro. Agora vemos que o presidente da Câmara, Hugo Motta, está na mesma. Vazaram os diálogos que a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro, em que um chama o outro de “amigo para toda a vida”. “Fala, meu amigo”, diz Hugo Motta para Vorcaro. “Muito feliz de estarmos juntos. Te admiro muito. É o início de uma parceria de vida.” Quanta fraternidade entre eles!
Eles trataram de um substitutivo aprovado no Senado de um projeto de lei sobre créditos de carbono, tema de interesse do Banco Master. Em certo momento, Motta diz para o chefão do Banco Master: “Acha que consegue tempo para darmos seguimento ao negócio da PB?” – “PB”, pelo que eu entendo, é a sigla da Paraíba, estado de Motta. Outro diálogo: “Vou estar em São Paulo, o avião que vai me levar para Brasília sai de Guarulhos. Posso pegar helicóptero em Congonhas?” E Vorcaro autoriza: “Pode pegar, sim”. Ele pede um endereço em São Paulo para se encontrarem: Rua Tabapuã, no Itaim Bibi, um bairro chique. E também deu um endereço em Brasília: QI 26, chácara 7. É um lugar maravilhoso, com vista para o Lago Paranoá, para a cidade toda, com terrenos imensos e mansões. É o lugar de encontro desses dois irmãos, o presidente da Câmara e o dono do Master. Está tudo aí para o público brasileiro, especialmente o da Paraíba, onde Motta disputa votos. O público de Alcolumbre já o conhece.
Deputado paraense escondeu celular no esgoto, mas a PF achou mesmo assim
Nesta segunda-feira houve busca e apreensão contra um deputado federal do Pará. A Polícia Federal encontrou R$ 87 mil distribuídos em envelopes na casa dele. Imaginem, R$ 87 mil guardados em casa! Eu não guardo em casa nem R$ 1 mil… talvez uns R$ 300, no limite. O deputado não confia em banco? Banco é mais seguro, e ainda pode render uns juros. E o celular dele estava em um buraco de esgoto. Escorregou da mão dele, será? A Polícia Federal não é um bando de ingênuos que não sabem onde as pessoas escondem coisas. E vocês sabem o nome desse deputado federal, candidato à reeleição? Antônio Doido. Esse é o nível, até no nome.
Balanço de pagamentos está negativo em US$ 63 bilhões nos últimos 12 meses
Vejam só mais um número da maravilhosa situação econômica do nosso país, deixada por esses quatro anos de governo. O balanço de pagamentos é a conta de todas as nossas relações com o exterior: inclui a balança comercial (as exportações e importações), mas também mudanças de capital, gastos de turismo, aluguéis, taxas, tarifas, transferências. Nos últimos 12 meses, nosso balanço de pagamentos está negativo em US$ 63 bilhões, segundo o Banco Central. E temos aquele outro déficit, o fiscal, porque o governo gasta muito mais do que arrecada, mesmo nos cobrando imposto com mais voracidade que um senhor feudal da Idade Média. Ainda assim, falta dinheiro. Por isso, o governo vende papéis no mercado, paga R$ 1 trilhão em juros por ano, e está com uma dívida de quase R$ 11 trilhões. É também sobre isso que vamos decidir no domingo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/mensagens-hugo-motta-daniel-vorcaro/
Vorcaro encontrou Dias Toffoli 12 vezes de olho em voto de usinas sucroalcooleiras

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, encontrou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo menos 12 vezes entre outubro de 2023 e fevereiro de 2025, segundo mensagens apreendidas pela Polícia Federal. As reuniões teriam servido para o empresário negociar cotas societárias do resort Tayayá, no interior do Paraná, que teve o magistrado e seus irmãos como sócios.
As mensagens foram divulgadas pelo UOL e confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação. A apuração aponta que Vorcaro se aproximou de Toffoli de olho em um voto favorável do ministro em um processo envolvendo direitos creditórios de usinas do setor sucroalcooleiro, que representavam um patrimônio bilionário para o Master – semelhante ao recente caso envolvendo pessoas ligadas ao ministro Nunes Marques.
A reportagem procurou todos os citados na apuração para se pronunciarem e aguarda retorno. Ao UOL, a defesa de Vorcaro repudiou o vazamento das informações que fizeram parte de uma das propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “A defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”, pontuou.
Na proposta de colaboração rejeitada pela PGR por insuficiência de provas, Vorcaro afirma que acertou em 2021 o pagamento de R$ 35 milhões por uma fatia do empreendimento, mas desembolsou R$ 20 milhões e deixou R$ 15 milhões pendentes. Segundo o relato, o restante não foi pago porque Toffoli teria se afastado dele após críticas feitas por pessoas próximas ao ministro.
A versão apresentada por Vorcaro sustenta que a relação só teria sido retomada no início de 2025, durante um evento social de um amigo em comum. Na ocasião, segundo o ex-banqueiro, o empresário Alberto Leite teria oferecido comprar sua participação no Tayayá, embora ele diga ter conversado pouco com Toffoli durante o encontro.
As mensagens, porém, indicam que a cobrança dos R$ 15 milhões já ocorria em 2024, antes do suposto reencontro descrito na proposta de delação. Em 24 de maio daquele ano, horas depois de receber uma ligação de Toffoli, Vorcaro escreveu ao cunhado Fabiano Zettel que ele “nao resolveu o aporte no fundo. Tayayá. Estou em situação ruim”.
Os diálogos mostram ainda que a negociação com Alberto Leite também teria começado antes do evento de 2025 citado por Vorcaro. Em 5 de novembro de 2024, ele escreveu a Leite que “estou pronto pra executar aquele deal que falamos”, recebendo como resposta um “beleza”.
Na mesma noite, Vorcaro avisou Zettel que “aquele FIP [fundo de investimento] Tayayá tem que passar pra um amigo que vai comprar” e, em seguida, identificou o comprador como “Alberto”. Em 27 de dezembro, voltou a tratar do negócio e escreveu que “preciso fazer contrato de venda do fundo Tayayá”, estabelecendo prazo de pagamento de até 180 dias e registrando uma citação a “sem nome” sobre o comprador.
A cronologia registrada nas mensagens inclui ainda uma confirmação em fevereiro de 2025. No dia 19 daquele mês, Zettel informou a Vorcaro que “Alberto Leite concluído! Tá todo feliz”, indicando que a operação havia sido finalizada.
Outro ponto citado pela PF é a ligação entre o negócio e o fundo Arleen, administrado pela gestora Reag, também investigada no caso Master. Em 2021, o fundo adquiriu dos irmãos de Toffoli uma participação no Tayayá por R$ 20 milhões, valor igual ao montante que Vorcaro afirma ter aplicado inicialmente no empreendimento.
Na nota divulgada em fevereiro de 2026, Toffoli afirmou que a Maridt Participações, empresa presidida por um de seus irmãos e que teve participação no Tayayá, é “uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado”. O ministro também declarou que “todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado” e que os atos da empresa e de seus sócios foram devidamente informados à Receita Federal, “sem nenhuma restrição”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-encontrou-dias-toffoli-12-vezes-voto-usinas-sucroalcooleiras/
Mensagens de celular mostram Motta tratando de negócios milionários com Vorcaro

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma possível “sociedade” na compra de um terreno em João Pessoa (PB) ligado à cunhada do deputado. A história é mal contada, mas explica a recusa de Motta para instalar comissões parlamentares de inquérito (CPIs) propostas para investigar o Banco Master, seguindo o padrão de Davi Alcolumbre, também ligado a Vorcaro, que adota comportamento idêntico no Senado.
As conversas, iniciadas em março de 2024, indicam que Motta tratava diretamente com Vorcaro sobre a negociação. A operação envolveu um empréstimo de ao menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa da cunhada do parlamentar, usado na aquisição de uma área de mais de 400 hectares, comprada por R$ 45 milhões.
Em uma das mensagens, Motta afirma que a empresa havia sido transferida para a cunhada e diz acreditar que a outra parte da negociação não conhecia o “formato de sociedade” que havia sido combinado. Dias depois, o deputado agradeceu a Vorcaro pela “confiança e parceria” e afirmou acreditar que o projeto teria êxito.
Os diálogos também mostram que Vorcaro procurou Motta, em novembro de 2024, para tratar de um projeto de lei sobre mercado de carbono que havia sido aprovado pelo Senado. Em outra conversa, Motta pediu ao banqueiro um estudo sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para discutir possíveis formas de incluir o tema na pauta.
As mensagens ainda indicam que Vorcaro teria colocado uma aeronave à disposição de Motta para uma viagem entre São Paulo e Brasília. O presidente da Câmara negou irregularidades e afirmou que mantém diálogo com diversos setores do empresariado. Segundo Motta, os diálogos não retratam qualquer ilícito ou favorecimento e ele confia nas investigações conduzidas pelas autoridades.
Campanha de Lula já teme que excesso de maldades eleitorais podem virar tiro no pé

Levantamentos internos fizeram Lula (PT) e seus marqueteiros ligarem todos os alertas: pode virar tiro no pé do petista as recentes presepadas para turbinar sua campanha – da proibição das bets à decisão do aliado no STF Flávio Dino de liberar fake news sobre a Padroeira contra Flávio Bolsonaro (PL), em nome da “liberdade de expressão”. Pegaram pesado demais no oportunismo debochado: os sinais são de que empurram os indecisos e eleitores de outros candidatos a apoiar Flávio Bolsonaro (PL).
Encolhimento
Assim, a tendência do voto útil, em curso, pode encolher a expectativa de Lula de bom desempenho de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos.
Excesso de maldades
Lula contava que candidatos nanicos de oposição somariam de 11% a 13% no 1º turno, retirando votos de Flávio, mas esperteza engole o dono.
Ops, não pensaram
Sobre as bets, marqueteiros não avisaram Lula do risco de desagradar clubes e torcidas de futebol, um dos maiores demográficos no País.
Parece caso pensado
Oportunismo e ignorância não deixaram perceber que proibir bets legais garantiria o mercado de R$100 bilhões para bets clandestinas, marginais.
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