Dario Durigan não convence ninguém

Dario Durigan vem tentando convencer o mercado financeiro de que Lula não tem nada a ver com a inflação e os juros altos. (Foto: ChatGPT sobre foto de Washington Costa/Ministério da Fazenda)

Dario Durigan está em campanha – não para si, mas para seu chefe. Catapultado ao comando do Ministério da Fazenda com a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, Durigan foi encarregado por Lula de fazer a interlocução com o mercado financeiro e convencê-lo de que os juros altos, a inflação persistentemente acima da meta, a explosão da dívida pública, os recordes de endividamento e inadimplência, e os sucessivos déficits primários são culpa de tudo e de todos, menos do presidente da República e de sua gastança. Uma tarefa ingrata, sem dúvida; e, ainda que Durigan acredite piamente na lorota que vem contando, aqueles que ele deveria convencer vêm mostrando que não estão dispostos a acreditar no ministro.

Poucos dias atrás, durante um evento do Banco Santander, Durigan afirmou que, “se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre”. Se é que esse caminho existe, no entanto, o governo se desviou dele há muito tempo, pois o Brasil só registrou déficits primários desde que Lula subiu a rampa do Planalto, e o próprio Ministério da Fazenda estima que 2026 não será diferente. E isso, recorde-se, considerando que inúmeras despesas não são incluídas para efeitos de cálculo e cumprimento da meta fiscal, o que transforma o dado oficial em ilusão pura que a maioria dos economistas já nem considera em suas análises, como afirmou em novembro de 2025 Marcos Lisboa, que trabalhou com Lula no primeiro mandato do petista.

Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal

Mais recentemente, em entrevista, o ministro da Fazenda também tirou do governo a culpa pela inflação e pelos juros altos: “não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país”, disse, sem resistir à tentação eleitoreira de mencionar os adversários políticos de Lula. Esta é uma tecla em que Durigan vem batendo ao menos desde julho, quando disse algo parecido em outro evento do mercado financeiro. A este respeito, no entanto, muito mais certeiro tem sido o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central; seus integrantes (todos indicados por Lula) de fato concordam que a guerra afeta os preços, e seria insensato negar essa realidade, mas recentemente eles têm sido mais explícitos quanto aos efeitos nefastos da gastança do governo. Desde junho, os comunicados e atas passaram a mencionar, como risco de alta para a inflação, os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial” – uma referência direta às bondades eleitoreiras de Lula.

Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz em nada com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal. Aqui, o ministro terá de brigar com o próprio plano de governo do presidente-candidato, segundo o qual “o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções” – o “como fizemos até aqui” importa, pois, fazendo o que fez até aqui, o governo só colheu resultados negativos e aumento alarmante da dívida pública como proporção do PIB, apesar de bater recordes seguidos de arrecadação.

A resposta da “Faria Lima” ao discurso de Durigan tem sido pragmática: “precificar” a vitória do petista, elevando juros futuros e posicionando carteiras de modo a transformar limão em limonada, na medida do possível, diante da manutenção de uma política fiscal expansionista e que reduzirá o valor da moeda brasileira. Os poucos que falam em um ajuste durante um eventual “Lula 4” o fazem não por imaginar um petista subitamente convertido à responsabilidade, mas por julgar que a deterioração será tão severa que não haverá outra opção, como Dilma Rousseff teve de fazer em 2015 ao trocar Guido Mantega por Joaquim Levy. Como aquela história terminou, todos sabemos; acreditar que desta vez será diferente é ingenuidade pura.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/dario-durigan-mercado-financeiro-ajuste-fiscal-lula/

Justiça dos EUA rejeita recurso e agência deve liberar dados do Mais Médicos em ação sobre o Brasil

Médicos cubanos ingressaram com uma ação nos EUA para denunciar as condições de trabalho no Brasil no programa Mais Médicos (Foto: EFE/Joédson Alves)

O Tribunal de Apelações dos EUA para o Distrito de Colúmbia rejeitou, por unanimidade, um recurso da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que buscava impedir a divulgação de documentos em um processo movido por médicos cubanos que alegam ter enfrentado trabalho forçado no Brasil, por meio do programa Mais Médicos.

Um painel de juízes concluiu neste mês que não tinha jurisdição para revisar, nesta fase processual, esse tipo de recurso. Portanto, a medida judicial foi indeferida e o caso foi devolvido ao tribunal distrital para dar continuidade ao processo.

A decisão judicial mantém uma ordem que exige que o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas responda a pedidos de apresentação de documentos, participe de dois interrogatórios e solicite o depoimento sob juramento de Gerald Anderson, diretor administrativo da organização. A corte de primeira instância autorizou esses procedimentos após quase dois anos de negociações infrutíferas entre as partes a respeito da coleta de provas.

Entre os dados que devem ser divulgados para angariar provas estão comunicações relacionadas ao possível uso de um banco americano para transferência de recursos envolvendo o programa, documentos referentes à movimentação de dinheiro e ao destino do percentual retido pela Opas, bem como informações destinadas a apurar se as transações em questão foram realizadas dentro dos EUA.

Relembre o caso

A ação foi ajuizada em 2018 por quatro médicos cubanos que trabalharam no Brasil no programa Mais Médicos, criado em 2013 durante o governo Dilma. Eles alegam que o regime cubano restringiu seus movimentos e contato com a família, além de ter pagado uma fração do que o Brasil destinou aos seus serviços e os submeteu a ameaças de “assédio, intimidação e represálias”.

O processo foi inicialmente instaurado na Flórida por Ramona Matos Rodríguez, Tatiana Carballo Gómez, Fidel Cruz Hernández e Russela Margarita Rivero Sarabia. O caso foi transferido em 2020 para o Distrito de Columbia, onde está localizada a sede da Opas. As partes autoras dizem representar aproximadamente 3.500 profissionais cubanos que foram submetidos a circunstâncias semelhantes em outros países.

Segundo as investigações, a Opas firmou acordos com ambos os governos, que lhe conferiram um papel central na estrutura de pagamentos do programa: o Brasil transferia os fundos para a organização, que retinha 5% e enviada o restante para Cuba.

As informações apresentadas em juízo afirmam que os pagamentos eram depositados em uma conta da Opas no Citibank, em Washington, D.C., enquanto 85% eram então enviados ao regime cubano e 10% ou menos chegavam aos profissionais, e a organização ainda retinha 5%. A Opas rejeita as alegações de que utilizou o sistema americano e que a porcentagem retida fosse uma taxa por serviços de intermediação.

Em 2022, o Tribunal do Circuito de D.C. ordenou que, caso fosse comprovado que a Opas atuou a partir dos EUA como intermediária financeira, “movimentando dinheiro em troca de uma taxa”, essa conduta poderia ser incluída na exceção de atividade comercial à imunidade reconhecida para organizações internacionais.

No ano passado, o governo de Donald Trump revogou os vistos de funcionários públicos de Cuba e outros países, incluindo dois ex-integrantes do Ministério da Saúde da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff (2011-2016), em razão do envio de médicos cubanos para trabalharem em outras nações.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/justica-dos-eua-rejeita-recurso-e-agencia-deve-liberar-dados-do-mais-medicos-em-acao-sobre-o-brasil/

“Dragão de Troia”: decisão judicial e pressão dos EUA colocam na berlinda megaporto chinês no Peru

Porto de Chancay, localizado perto da capital do Peru, Lima, é ponto de atrito na disputa dos EUA e da China pelo domínio das Américas (Foto: Paolo Aguilar/EFE)

A disputa dos Estados Unidos e da China sobre o Porto de Chancay, localizado a 75 km da capital do Peru, Lima, ganhou capítulos recentes nas últimas semanas.

Inaugurado em 2024 com uma participação por videoconferência do ditador chinês, Xi Jinping, o megaterminal foi construído e está sendo operado pela estatal chinesa Cosco em parceria com a empresa de mineração peruana Volcan.

O projeto gera preocupações em Washington por simbolizar a influência econômica de Pequim nas Américas e sobre possível uso dual (civil e militar).

Nesta quarta-feira (26), o deputado americano Carlos Gimenez, do Partido Republicano, publicou um artigo no site The Washington Reporter no qual chamou o Porto de Chancay de “Dragão de Troia”.

“Pequim apresenta Chancay como um investimento multibilionário no futuro do Peru. Mas, por trás das promessas de comércio e desenvolvimento, esconde-se a mesma estratégia que o Partido Comunista Chinês tem utilizado em todo o mundo: investimentos maciços com apoio estatal, controle de longo prazo sobre infraestruturas estratégicas, concorrência econômica desleal, pressão sobre instituições locais e uma dependência crescente em relação a Pequim”, escreveu o deputado.

“Chancay não é apenas um porto. Deve servir de alerta para todo o nosso hemisfério”, acrescentou Gimenez.

Em junho, um tribunal do Peru ordenou que o governo do país supervisionasse o porto, anulando uma decisão de janeiro que isentava o terminal de Chancay de certas formas de supervisão por parte da Ositran, a agência reguladora de infraestrutura peruana.

O embaixador dos EUA no Peru, Bernie Navarro, celebrou a decisão judicial, postando no X emojis de mãos batendo palmas ao compartilhar uma notícia sobre o assunto. A Cosco recorreu da decisão e o Tribunal Constitucional peruano (TC) analisará o tema.

Em 2024, a general Laura Richardson, então comandante do Comando Sul dos EUA (Southcom, na abreviação em inglês), havia alertado que a Marinha chinesa poderia utilizar o Porto de Chancay como base para ações estratégicas. “Esse é um roteiro que já vimos se desenrolar em outros lugares”, declarou na ocasião.

A nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, busca uma maior aproximação com os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo sofre a pressão da China.

Em 27 de julho, um dia antes de tomar posse, ela se reuniu com um enviado especial do regime chinês, Yin Hejun.

“A China permanece como o maior parceiro comercial e o maior mercado de exportação do Peru há 12 anos consecutivos, e o Porto de Chancay — um projeto emblemático da cooperação de alta qualidade entre os dois países no âmbito da Nova Rota da Seda [projeto chinês de investimento em infraestrutura em outros países] — tem apresentado resultados impressionantes”, afirmou a diplomacia chinesa em comunicado.

A presença chinesa nas Américas tem gerado atritos diretos entre Pequim e Washington: este mês, o embaixador americano na Argentina, Peter Lamelas, se manifestou contra a presença de tecnologia chinesa na região dos campos de gás e petróleo de Vaca Muerta e em outros setores estratégicos do país sul-americano.

“A China exige que as empresas concedam ao Estado chinês acesso a quaisquer dados que passem por sua tecnologia. Tudo é controlado pelo Partido Comunista Chinês; isso é inaceitável. Tampouco ajudará a atrair investidores estrangeiros para Vaca Muerta”, disse o embaixador.

Em resposta, a China afirmou que Lamelas age “motivado por uma mentalidade de Guerra Fria”. Com a controvérsia sobre Chancay, o Peru pode ser o próximo palco desse embate.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/decisao-judicial-pressao-eua-colocam-berlinda-megaporto-chines-peru/

Polzonoff

A lição que o túmulo de um ditador ensina a todos nós

O ditador Alfredo Stroessner no auge do poder: oblívio. (Foto: Frank Scherschel/ Wikipedia)

Me diz se essa história não é fascinante. Se não é uma lição que todo tirano ou aspirante a tirano deveria aprender. De uma vez por todas. Vinte anos depois de sua morte, o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner está esquecido. E não me refiro apenas aos livros de história. Não. Me refiro a um esquecimento muito mais, digamos, palpável: no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o túmulo de Stroessner está abandonado. Sem qualquer identificação. Tanto para nada.

Sepultado numa cerimônia privada em 2006, não se sabe se a extrema discrição do túmulo de Stroessner é intencional, para evitar que o local seja vandalizado por paraguaios revoltados e vingativos. O que me parece improvável. Ou se a identificação do túmulo foi furtada e posteriormente trocada por uma pedra de crack – como costuma acontecer. O fato é que Stroessner, apesar de todo o poder, toda a violência e todo o sofrimento que causou, voltou ao pó. Ao nada. Ao oblívio.

Estátua equestre recoberta por fezes de pombos

Me lembro. Depois de deixar o poder, em 1989, Stroessner correu para a casa de veraneio que mantinha em Guaratuba, aqui no litoral do Paraná. Lá ainda há uma praça batizada em homenagem ao ditador, mas não espalha. Me lembro também de quando Puerto Stroessner virou Ciudad del Este. E me lembro ainda dos vários pedidos de extradição de Stroessner. Nenhum deles foi adiante nos governos FHC e Lula. Forçando um pouco a memória, acho que me lembro até do Cid Moreira anunciando a morte do ditador no Jornal Nacional.

De volta ao esquecimento ao qual todos estamos destinados, por mais poder e dinheiro que possamos ter neste mundo, me pergunto sem vergonha da tolice: o que seria do mundo se todos tivéssemos como horizonte a Eternidade, e não a ilusão de imortalidade que nos vende o diabo? Essa coisa de virar nome de rua esburacada ou estátua equestre recoberta por fezes de pombos. De ser sepultado sob uma lápide de ouro. De entrar para a história. Ah, como somos patéticos. Eu e você. O Stroessner. O Lula. O Alexandre de Moraes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/stroessner/

Alexandre Garcia

Empresário ligado a Vorcaro planeja delação. Agora vai?

João Carlos Mansur, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, em março de 2026. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, ligado a Daniel Vorcaro, ao Banco Master e a um monte de gente em toda aquela teia que encontrou terreno fértil no Brasil para quem topa qualquer negócio e não tem princípios, entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada com 17 anexos, e prometeu pagar R$ 40 milhões. Agora a PGR vai examinar e encaminhar para o ministro relator André Mendonça, para saber o que vai ser feito.

Todos querem saber quem forjou registro de entrada de Filipe Martins nos EUA 

O juiz norte-americano que julgou o caso da fraude que falsificou a entrada inexistente de Filipe Martins nos Estados Unidos disse que já tem os nomes dos responsáveis por forjar o registro. Seriam quatro americanos e três brasileiros, incluindo dois delegados federais. O juiz ainda não revelou os nomes, mas andam falando em Fábio Shor, que é assessor de Alexandre de Moraes. Vocês devem estar pensando que, se ele estiver mesmo envolvido, isso vai complicar Moraes, mas eu digo que não. Eduardo Tagliaferro era assessor de Moraes no TSE, e tudo o que ele denunciou não afetou o ministro. Moraes continua lá. Nem o contrato de R$ 129 milhões o pegou. Eu não sei por que nada disso pega. Mas todo mundo sabe, todo mundo vê, todo mundo ouve e todo mundo comenta.

TSE precisa definir melhor as regras para o deep fake 

Em uma das reuniões do TSE, o ministro André Mendonça, que é vice-presidente da corte, propôs que o tribunal chegue a um consenso sobre o que é deep fake. Literalmente, a expressão significa “mentira profunda” ou “falsidade profunda”: é aquela construção de inteligência artificial que faz uma foto ou vídeo com determinada pessoa parecer autêntico, e isso é usado na campanha eleitoral. Ainda ontem um amigo, candidato à reeleição para a Câmara, me ligou pedindo que eu gravasse um apoio, mas eu recusei. Imaginem se eu for gravar algo para todos os que conheço e que me pedem, eu não posso; aí eu largo o jornalismo e vou ser propagandista de campanha. E aí as pessoas às vezes constroem algo com IA, como o vídeo de Jair Bolsonaro no lançamento da candidatura de Fábio. Naquele caso estava dito que era IA. Até onde pode ou não pode isso? Realmente é preciso definir os critérios antes que cheguem as queixas.

Estudantes do Colégio Militar de São Paulo fazem bonito em Olimpíada de Matemática 

Parabéns aos alunos do Colégio Militar de São Paulo, que foram ao Vietnã, representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática, e ganharam seis medalhas. Isso mostra que ainda há esperança no Brasil, ainda há cérebros no país. Um país só existe, só progride, só tem bem-estar se tem cérebros construtivos e produtivos. 

Afastamento de professora em SP tem cara de caça às bruxas 

Uma professora em Mogi das Cruzes (SP) foi afastada pela Secretaria de Educação depois de uma fala em uma reunião digital com outros diretores de escola – ela não estava falando com alunos. Nessa reunião, ela disse que era estimulante ler biografias de líderes, inclusive de Hitler, ou Mussolini, ou “Salazar da Espanha” (aqui ela se enganou: Salazar era português, o espanhol era Franco). Não falou em Pol Pot, Stalin ou Mao, que mataram milhões; nem de Fidel e Che Guevara, que mataram milhares.

Preocupa-me que isso vire uma caça às bruxas. A professora tinha dito que eram líderes maus. O pensamento e a discussão precisam ser livres. Ela recomendou leitura. Eu faço isso: não estudo apenas as pessoas com quem quero aprender, como Winston Churchill, mas também estudo as pessoas que devo evitar, que devo criticar, e exatamente por isso leio a vida de Stalin ou de Hitler. Está havendo um exagero nesse caso; parece que as pessoas não pensam, ou não querem pensar, ver com calma o que as pessoas queriam dizer.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/delacao-premiada-joao-carlos-mansur-vorcaro-master/

PGR se antecipou à defesa de Lulinha para tentar mandar ação à primeira instância

Paulo Gonet, chefe da Procuradoria Geral da República (PR) e Lula (PT): sempre de mãos dadas – Foto: assessoria/PR.

Nomeado por Lula para o cargo de procurador-geral da República, Paulo Gonet pediu para que o processo envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, saísse do Supremo Tribunal Federal (STF) antes mesmo de os advogados do filho mais velho do petista fazer a solicitação. Quem relata dois dos inquéritos envolvendo Lulinha é o ministro do STF André Mendonça. A rapidez do solícito Gonet na iniciativa de remeter o processo à primeira instância também ocorreu antes de os advogados terem acesso integral aos autos.

Morreu na praia

Apesar da proativa iniciativa da PGR, a coluna apurou que a expectativa da defesa é que André Mendonça mantenha o processo no Supremo.

Curiosa ‘parceria’

Advogado de Lulinha disse à coluna que “reconhece e aplaude” a manobra da PGR para tentar tirar o processo de Mendonça. Claro.

Serviço feito

Já que a PGR tomou à frente da pressão para remeter o caso à 1ª instância, a defesa oficial de Lulinha nada fará até Mendonça decidir.

Sem prazo

A coluna já antecipou que é remota a chance de o ministro, que não tem prazo ou pressa para despachar, mandar o processo à 1ª instância.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/prestimosa-pgr-se-antecipou-a-defesa-de-lulinha-para-tentar-mandar-acao-a-1a-instancia

Camisotti delatou Careca do INSS e admitiu crimes de R$ 400 milhões

Mauricio Camisotti foi preso com Careca do INSS e admitiu fraudes contra aposentados e pensionistas. (Foto: Reprodução/Instagram/@mauriciocamisotti)

O maior operador do esquema de roubo bilionário a aposentados e pensionistas, Maurício Camisotti, já prestou mais de dez depoimentos de sua delação premiada proposta à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), e apontou Antônio Camillo Antunes, o “Careca do INSS”, como grande orquestrador do roubo a quase 10 milhões de vítimas de descontos fraudados e não autorizados em contracheques. Segundo a CNN Brasil divulgou nesta quinta-feira (27), Camisotti admitiu ter movimentado ao menos R$ 400 milhões do esquema criminoso em empresas ligadas a ele mesmo.

De acordo com o jornalista Elijonas Maia, a PF está satisfeita com as delações de Camisotti e, junto com a PGR, já estão na fase final de preparação do acordo de colaboração premiada que será submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como relator do caso o ministro André Mendonça.

Preso na carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, Camisotti não foi indiciado no inquérito sobre operadores do roubo aos beneficiários do INSS, por ter colaborado com novas informações que contribuíram com o indiciamento de 54 investigados, em dois relatórios concluídos no início deste mês de agosto. Entre eles estão Careca do INSS e o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

Em março de 2026, o ministro André Mendonça determinou a transferência de Camisotti da Penitenciária II de Guarulhos para a carceragem da PF. E está sendo mantido lá por seguir colaborando com as equipes de investigadores que atuam na superintendência paulista da corporação.

Preso em setembro de 2025, Maurício Camisotti largou na frente dos demais investigados, ao assinar o primeiro acordo de delação sobre o roubo bilionário do INSS, em abril deste ano, quase um ano após a deflagração da Operação Sem desconto. E sua primeira versão da delação, conduzida pela PF, já havia sido enviada ao STF, mas a Mendonça devolveu o acordo de colaboração para ser refeito com participação conjunta da PGR e da PF.

A CPMI do INSS estimou que o esquema rendeu entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões, entre 2015 a 2025, envolvendo 47 entidades associativas e sindicatos acusados de lesar 10 milhões de aposentados e pensionistas. E os órgãos de controle estimaram R$ 6,3 bilhões roubados de cerca de 4,1 milhões a 6 milhões de aposentados e pensionistas, entre 2014 e 2024.

Em abril, o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), expôs sua expectativa de que Camisotti tiraria o sono de integrantes da cúpula do poder da República, em Brasília, com sua delação. O vice da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cobrou que Camisotti delatasse políticos e autoridades envolvidos nos crimes monstruosos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/justica/csa-justica/camisotti-delatou-careca-do-inss-e-admitiu-crimes-de-r-400-milhoes

Tragédia no Nepal registra 332 mortos e 1,3 mil desaparecidos

Enchente no Nepal – (Foto: X/Redes Sociais).

O Ministério das Relações Exteriores da China informou nesta quinta-feira (27) que já foram confirmados 332 mortos após a enchente repentina que atingiu as fronteiras do Himalaia, Nepal e China. Uma avalanche catastrófica avançou por um vale, destruindo infraestruturas essenciais e dificultando o acesso à área, o resgate de vítimas e a avaliação da dimensão do desastre.

Familiares aguardam respostas das buscas por parentes que estão desaparecidos, nos quais já se passaram mais de 24 horas sem contato. O número de desaparecidos está registrado em 1.300 pessoas.

Equipes de emergência chinesas chegaram à principal zona do desastre, ao longo da fronteira entre a China e o Nepal, onde enfrentam grandes bloqueios nas estradas causados ​​por lama e escombros.

No Nepal, helicópteros de resgate têm dificuldades para pousar em áreas devido ao alto nível da água. A União Europeia e a Índia estão formalizando um acordo para enviar ajuda humanitária.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/ttc-internacional/enchente-no-nepal-registra-332-mortos-e-13-mil-desaparecidos

PF aponta pressão de lobista ligada a Lulinha por negócios de Careca do INSS

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha | Foto: Reprodução / Redes Sociais

A Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger buscou a intervenção de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula (PT), para tentar viabilizar negócios de interesse do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde.

Mensagens encontradas no celular de Roberta mostram movimentações para acelerar negociações envolvendo a contratação de material derivado de canabidiol e de kits para combate à dengue. Nenhum dos dois contratos foi firmado.

Segundo a PF, as conversas indicam que Roberta tentava viabilizar os negócios antes da mudança de Lulinha para a Espanha, em 2025. Em 23 de janeiro daquele ano, ela relatou ao empresário Gustavo Gaspar que Antunes pressionava pela conclusão dos negócios, mas não fazia o mesmo diretamente com Fábio Luís. Na sequência, afirmou que havia tratado do assunto com Lulinha e que seria necessário que ele “se mexesse”.

A Polícia Federal interpretou o diálogo como indicação de que as demandas de Antunes dependeriam da intervenção de Fábio Luís. Gaspar, empresário e ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também participava das negociações.

Lulinha “em cima do Berge”

Em 27 de janeiro de 2025, Roberta afirmou que buscava “capitalizar” Antunes e pressionava Swedenberger do Nascimento Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, conhecido como Berger, para acelerar a compra dos kits contra a dengue.

Em uma das mensagens, escreveu: “Correr para o Berger comprar isso logo”.

Para a Polícia Federal, a lobista também indicou que havia urgência porque “Fábio vai embora”, em referência à mudança de Lulinha para o exterior.

Os documentos registram conversas entre Roberta e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo a investigação, ela tratava dos negócios com o governo desde março de 2024. Naquele mês, Roberta afirmou a Marcola que havia feito Gaspar investir na empresa de canabidiol e pediu que ele pressionasse Berger.

Em maio, escreveu: “Temos q colocar Fábio em cima do berge rsrs”.

Marcola respondeu “blz”.

Em novembro de 2024, Roberta disse a Marcola que Fábio Luís, então em Portugal, havia pedido que ele pressionasse Berger sobre os negócios. As conversas mencionam um churrasco para o qual Roberta pediu que Marcola levasse o então secretário-executivo.

Antônio Camilo Antunes tornou-se posteriormente um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades em benefícios de aposentados e pensionistas. Ele está preso desde setembro de 2025. Gaspar atualmente cumpre prisão domiciliar.

A defesa de Marco Aurélio Ribeiro afirma que ele jamais intermediou negociações ou encaminhou documentos relacionados a compras ou licitações no Ministério da Saúde, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou em outros órgãos. Segundo a defesa, a ausência de acesso à íntegra dos autos e os vazamentos de trechos da investigação estariam sendo usados para distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/pf-aponta-pressao-de-lobista-ligada-a-lulinha-por-negocios-de-careca-do-inss

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