Dino e Moraes querem criar classe de jornalistas permitidos e deslegitimar “blogueiros”

Distinção entre “jornalismo sério” e “blogueiros”, defendida por Dino e Moraes, contraria entendimento consolidado da Constituição Federal. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

discurso dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao sugerir uma distinção entre o jornalismo profissional e os chamados “blogueiros”, abre um precedente grave, de acordo com juristas consultados pela Gazeta do Povo. Na prática, as declarações sugerem um papel central do Judiciário na definição de quem pode invocar as garantias tradicionalmente associadas à atividade jornalística.

A tese deslegitima jornalistas independentes que não atuam em veículos tradicionais, mas exercem atividade jornalística por meio de sites, blogs, canais digitais e redes sociais. Embora também desempenhem o trabalho de informar, esses profissionais foram tratados pelos ministros sob o rótulo pejorativo de “blogueiros”, em contraposição ao que definiram como “jornalismo sério” ou “jornalismo profissional”.

Os dois ministros defenderam em tese a liberdade de imprensa como um dos pilares fundamentais da democracia e reafirmaram o STF como um grande defensor da garantia.

Em seguida, Dino apresentou ressalvas. Para ele, as garantias relacionadas à liberdade de imprensa foram concebidas tendo em vista o jornalismo profissional e sua aplicação se tornou mais complexa diante da transformação digital do ambiente informacional. Para o ministro, cabe ao Poder Judiciário interpretar a Constituição e definir o alcance dessas proteções.

A interpretação constitucional predominante, porém, caminha em sentido oposto. Ana Luiza Rodrigues Braga, doutora em Direito e professora de Direito Constitucional, destaca que a Constituição Federal não condiciona a liberdade de imprensa, o sigilo da fonte nem a proteção da atividade jornalística ao vínculo com veículos tradicionais.

“Isso porque, segundo a jurisprudência consolidada e acertada do Supremo, os jornalistas são simplesmente aquelas pessoas que se dedicam ao exercício pleno da liberdade de expressão, não sendo razoável exigir deles quaisquer requisitos acadêmicos ou vinculações institucionais para a sua atuação”, afirma.

Recentemente, Alexandre de Moraes determinou a realização de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo e o ex-delegado da Polícia Federal Raimundo Cutrim. A operação ocorreu para apurar a divulgação, em um site do jornalista, de informações sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino e seus parentes. Na avaliação de juristas, a medida contrariou as garantias fundamentais previstas na Constituição Federal de liberdade de imprensa e sigilo da fonte.

Entretanto, uma reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mostrou que o relatório da PF que baseou a decisão de Moraes afirmava que não havia indícios de crime de sigilo funcional e de recebimento de dinheiro para fazer matérias contra Dino.

Ambiente digital ampliou a importância da liberdade de imprensa

A tentativa de restringir o reconhecimento da atividade jornalística a profissionais vinculados à mídia tradicional destoa ainda mais do contexto atual, marcado pela descentralização da produção de conteúdo e de acesso à informação por meio da internet.

Após a fala de Dino, Moraes reforçou o argumento. “Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz: ‘a partir de hoje eu sou jornalista’, e começa em seu blog a ofender a honra de inúmeras pessoas, escudando-se na liberdade de imprensa”, afirmou. Em outro trecho, acrescentou: “Claramente, nós não podemos tratar essas pessoas como a imprensa séria e o jornalismo sério”.

Para Rodrigues Braga, porém, é justamente esse novo estilo de consumo de informações que exige uma interpretação mais ampla das garantias constitucionais. “Como a produção de conteúdo é ainda mais rápida e acessível, pretender restringir a atividade jornalística apenas àqueles que participam da chamada “imprensa tradicional” ou que possuem diploma de jornalista não é apenas um retrocesso, mas também absolutamente ineficaz, tendo em vista os mecanismos atuais de disseminação da informação”, aponta.

Nos últimos anos, comunicadores independentes passaram a figurar entre os principais alvos de investigações conduzidas pelo STF. Nomes como Allan dos Santos, criador do canal Terça Livre, e Oswaldo Eustáquio, que atuou principalmente em plataformas digitais e também publicou reportagens no jornal Agora Paraná, estiveram entre os principais alvos dessas investigações.

A repercussão dos casos chegou ao exterior. A Justiça espanhola recusou a extradição de Oswaldo Eustáquio ao apontar motivação política na persecução promovida pelo Estado brasileiro. Allan dos Santos, por sua vez, permanece nos Estados Unidos, onde, segundo o senador Jorge Seif, o pedido de extradição apresentado pelo Brasil foi arquivado.

O jornalista independente Jackson Rangel, fundador da Folha do ES, também enfrentou medidas restritivas após publicar críticas a autoridades, tornando-se mais um caso frequentemente citado em debates sobre liberdade de imprensa e atuação do Judiciário.

STF já rejeitou a ideia de restringir quem pode ser jornalista

Durante a discussão, Dino também sugeriu que a decisão do STF que afastou a exigência de diploma para o exercício da profissão tornou o tema mais complexo e levantou a possibilidade de reabrir esse debate.

Em 2009, porém, o próprio Supremo derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalismo ao entender que o exercício da atividade jornalística está diretamente ligado à liberdade de expressão e de informação, não podendo ser condicionado a uma habilitação estatal.

O jurista Fabrício Rebelo, presidente do Centro de Pesquisa em Direito e Segurança (Cepedes), observou que o julgamento está transitado em julgado, sem recursos pendentes ou questionamentos formais sobre a validade da regra atualmente em vigor.

“No entanto, por iniciativa própria, membros da Corte Suprema começam a falar em retomar a exigência e até em regra de transição, repita-se, sem ninguém ter provocado, simplesmente porque agora querem que seja diferente”, escreveu em publicação no X.

Segundo Rebelo, o debate vai muito além da exigência de diploma. “O problema está longe de ser apenas a exigência ou não da formação acadêmica, já autoritária em si mesma, mas igualmente, e sobretudo, quem está pretendendo regulamentar a questão. […] O Brasil normalizou o absurdo”, concluiu.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/dino-moraes-classe-jornalistas-permitidos-deslegitimar-blogueiros/

Derrota de Toffoli: Justiça inglesa escancara o estado de coisas no Brasil

Juiz de Londres manifestou estranheza com decisão de Dias Toffoli de cessar compartilhamento de provas porque Lava Jato foi anulada (Foto: André Borges/EFE)

No programa Última Análise desta terça-feira (18), os convidados falaram a respeito da decisão da Justiça inglesa que manteve o bloqueio de R$ 45 milhões em propina de Mário Ildeu de Miranda, ex-diretor da Petrobras, acolhendo as provas obtidas na operação Lava Jato. O caso ignorou a anulação de provas, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

“O estado de coisas no Brasil é vergonhoso. O país foi, novamente, submetido a uma decisão que envolve o combate à corrupção. Infelizmente, a comunidade internacional agora entende a situação”, diz o jurista Frederico Junkert.

Na decisão, o Judiciário britânico chegou a deixar claro a sua estranheza com as manobras de Toffoli, para barrar a investigação ao deslegitimar provas. “Altamente incomum”, classificaram os ingleses e reafirmaram que as provas foram legítimas.

“Estamos falando de um país sério com instituições de verdade, com regras e ordem. É a Inglaterra olhando para o Brasil e afirmando que nossa justiça anula as provas e blinda os corruptos”, diz a advogada Anne Dias.

Fachin reage a críticas

Colega de Toffoli, o presidente do STF, Edson Fachin, criticou o que chamou de “populismo” contra a a Corte. Segundo ele, os ataques ao Judiciário não podem ser usados como estratégia política nas eleições.

“O discuso de Fachin em nada difere do de Alexandre de Moraes. É a mesma tentativa de corroer as instituições por meio de um discurso radicalizado e extremista”, afirma Junkert.

Moraes e Dino contra sigilo de fonte

Já Flávio Dino e Moraes seguem na investida, desta vez, contra a liberdade de imprensa. Após derrubar o sigilo de fonte contra jornalista do Maranhão, agora afirmam que nenhum direito é absoluto, para reforçar a censura.

“Assim como a imunidade parlamentar é um pilar da democracia, também é a imunidade de atuação contida no sigilo de fonte. Quando isso é violado, viola-se o acesso à informação e a própria atividade jornalísitca”, aponta o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/derrota-de-toffoli-justica-inglesa-revela-estado-de-coisas-no-brasil/

MPE faz defesa incontestável da eligibilidade de Deltan Dallagnol

Parecer do Ministério Público Eleitoral defendeu elegibilidade de Deltan Dallagnol em 2026. (Foto: ChatGPT sobre foto de Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol conseguiu uma vitória que, mesmo provisória, é importante para que ele possa disputar sem preocupações uma vaga ao Senado pelo Paraná em outubro. Um parecer do Ministério Público Eleitoral do estado defendeu a elegibilidade de Dallagnol, com argumentos que não deixam dúvidas quanto à regularidade de sua situação atual, mas que também evidenciam o quão absurda foi a decisão de 2023 do Tribunal Superior Eleitoral que cassou o registro de sua candidatura em 2022 com base na Lei da Ficha Limpa – uma decisão que, recorde-se, reverteu o que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná havia julgado, e contrariou o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral.

Para colocar um fim às fake news espalhadas por políticos paranaenses de esquerda, Dallagnol havia procurado o TRE-PR com um Requerimento de Declaração de Elegibilidade, imediatamente contestado pela Unidade Popular (uma legenda nanica de esquerda) e pela federação formada por PT, PcdoB e PV. Todos os argumentos, os formais e os de mérito, foram rebatidos pelo procurador regional eleitoral Marcelo Godoy ao longo de cerca de 70 páginas. Godoy demonstrou, por exemplo, usando a jurisprudência do mesmo TSE que cassou a candidatura anterior de Dallagnol, que a decisão de 2023 “não opera efeito vinculante automático para o processo eleitoral em curso”, o que exige o reexame das circunstâncias de elegibilidade a cada pleito. Foi exatamente isso que o procurador eleitoral fez em seu parecer.

A força dos fatos expostos por Godoy é avassaladora; que o Tribunal Regional Eleitoral a reconheça, como fez de forma tão acertada em 2023

Especialmente relevante foi a forma como Godoy enfrentou o malabarismo jurídico que os ministros do TSE tiveram de fazer para cassar Dallagnol. A Lei da Ficha Limpa diz que só ficam inelegíveis os membros do Ministério Público que deixam o cargo enquanto respondem a processo administrativo disciplinar (PAD). Diante do fato cristalino de que não havia nenhum PAD aberto contra Dallagnol quando de seu pedido de exoneração, os ministros recorreram à bola de cristal: havia reclamações abertas que poderiam se tornar PADs e, ao deixar o MP antes que isso ocorresse, Dallagnol teria intencionalmente burlado a lei. No entanto, como diz Godoy, a fraude precisa ser provada, e os membros do TSE não o fizeram, recorrendo a ilações e exercícios de futurologia.

Se já era assim à época, escreve Godoy, ainda mais o é agora, porque nenhuma das reclamações, pedidos de providências ou sindicâncias existentes contra Dallagnol quando de sua exoneração se converteu em PAD, mesmo quando os alvos incluíam procuradores que permaneceram no MP. Além disso, segundo o procurador eleitoral, há documentação comprovando que Dallagnol já havia recebido convite para entrar na carreira política, e só depois disso pediu sua exoneração, passando então a integrar o Podemos, legenda pela qual se elegeu em 2022. Godoy afirma que cabe à Justiça Eleitoral analisar “se o ato de exoneração praticado em novembro de 2021 produziu, no plano concreto, o resultado proibido pelo ordenamento: o impedimento de que infrações disciplinares graves passíveis da pena de demissão fossem apuradas e sancionadas pelo órgão de controle competente. O exame exauriente do acervo probatório destes autos demonstra o oposto”. Ou seja: ao contrário da fábula criada por Benedito Gonçalves e endossada pelo restante do TSE, Dallagnol não havia deixado o MP com o objetivo de escapar de uma demissão certa que o tornaria inelegível.

“A quase totalidade dos pilares sobre os quais se estruturou o juízo de fraude à lei no julgamento de 2022 esvaziou-se completamente, perdendo a sua força persuasiva e a sua densidade jurídica”, diz o procurador eleitoral – se é que tais pilares um dia tiveram força e densidade, em vez de serem completamente ocos. A força dos fatos expostos por Godoy é avassaladora; que o Tribunal Regional Eleitoral a reconheça, como fez de forma tão acertada em 2023, e que o TSE, se for chamado a se pronunciar sobre a questão, não volte a cometer uma injustiça que atinge não apenas Dallagnol, mas todos os eleitores que lhe confiarem seu voto.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/parecer-mpe-deltan-dallagnol-elegivel/

EUA preparam nova fase da guerra contra o crime organizado – e PCC e CV podem entrar na mira

Governo Trump disse que agora realizará operações terrestres contra o crime na América Latina. (Foto: Bonnie Cash/EFE/EPA/POOL)

Os Estados Unidos preparam uma nova fase da ofensiva contra organizações criminosas na América Latina, com a possibilidade de ampliar para operações terrestres uma campanha que até agora se concentrou em ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico. A estratégia também pode atingir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas em junho deste ano.

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou na semana passada que os EUA já estão trabalhando com países da região para expandir a estratégia de combate aos grupos criminosos. A iniciativa dará continuidade às ações já em curso contra o crime na região, que incluem os ataques contra embarcações do narcotráfico no Caribe e no Pacífico.

Hegseth também afirmou que a Colômbia, agora sob o comando do presidente conservador Abelardo de la Espriella, já autorizou operações militares conjuntas com os Estados Unidos. O secretário de Guerra também admitiu a possibilidade de os EUA realizarem ações mais amplas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN) e outras dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que ainda atuam em território colombiano.

Ações terrestres não seriam algo inédito na atual ofensiva americana contra o crime na região. Em março deste ano, militares dos Estados Unidos afirmaram ter realizado operações letais por terra no Equador, com apoio das forças locais. Uma das operações incluiu um bombardeio contra um acampamento de narcotraficantes no nordeste do país, próximo à fronteira com a Colômbia. De acordo com o governo equatoriano, o acampamento era utilizado pelos Comandos de la Frontera, grupo criminoso colombiano formado por dissidentes das Farc, e tinha capacidade para abrigar cerca de 50 pessoas.

A operação realizada no Equador pode servir como um primeiro exemplo do tipo de ação que Washington pretende realizar nessa nova fase. Hegseth disse que pretende obter nessas operações terrestres o mesmo efeito das operações realizadas contra embarcações do narcotráfico no Caribe e no Pacífico, nas quais os americanos afirmam ter destruído mais de 60 embarcações e matado cerca de 220 indivíduos classificados pela Casa Branca como narcoterroristas.

Hegseth indicou também que, nesta nova fase, todas as organizações criminosas latino-americanas que foram classificadas pelos EUA como terroristas deverão se tornar “alvos legítimos” das forças americanas. Ele comparou esses grupos ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda e afirmou que capacidades desenvolvidas pelos EUA durante décadas de combate ao terrorismo no Oriente Médio poderão ser empregadas contra redes criminosas no Hemisfério Ocidental.

Para Eduardo Galvão, especialista em risco político e professor do Ibmec Brasília, as ações anunciadas por Washington servem tanto para combater o narcotráfico quanto para ampliar a presença estratégica dos Estados Unidos na América Latina.

“Há uma guerra mais agressiva contra o crime organizado e há uma reconstrução da presença estratégica americana nas Américas”, afirmou Galvão.

O especialista considera que a mudança anunciada nesta semana está entre as maiores transformações da política antidrogas americana para a América Latina desde o Plano Colômbia, programa de cooperação lançado em 2000 que envolveu financiamento, inteligência, treinamento e equipamentos dos Estados Unidos para apoiar Bogotá no combate ao narcotráfico e a grupos armados.

Segundo Galvão, Washington passou agora de um modelo baseado principalmente na atuação da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), inteligência, extradições e assistência militar para outro em que a fronteira entre apoio e participação direta começa a diminuir.

EUA vão contar com mais países da América Latina em sua nova ofensiva

A chegada de Abelardo de la Espriella à Presidência da Colômbia acrescentou à estratégia americana um dos países mais importantes para o combate ao narcotráfico nas Américas.

Ao assumir o cargo, De la Espriella colocou a Colômbia na Coalizão Americana Contra os Cartéis, que faz parte do chamado Escudo das Américas, iniciativa criada por Trump para coordenar a atuação dos países das Américas contra organizações criminosas transnacionais. A Colômbia não participava da iniciativa durante o governo do esquerdista Gustavo Petro.

O país é considerado por diversas organizações como o maior produtor mundial de cocaína. Segundo relatório da ONU, o país possuía cerca de 261 mil hectares de plantações de coca em 2024. As Nações Unidas também apontam que o país é uma das principais rotas para o tráfico internacional de drogas.

Além da Colômbia, países como Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá e Paraguai também integram a coalizão de Trump contra o crime. O governo Lula não colocou o Brasil na iniciativa.

Segundo o Departamento de Guerra americano, os países integrantes da coalizão já começaram a dividir responsabilidades e discutir quais organizações criminosas serão priorizadas nesta nova fase e quais funções cada parceiro poderá exercer.

Para Galvão, os países participantes da iniciativa devem trabalhar na oferta de inteligência, treinamento e apoio logístico, bem como na oferta de acesso territorial, capacidade naval ou aérea e até autorizar operações militares conjuntas.

Hegseth disse que o Equador e a Colômbia já toparam realizar operações conjuntas. O Paraguai, por sua vez, aprofundou sua relação de defesa com Washington no ano passado por meio do Acordo sobre o Estatuto das Forças (Sofa), que estabelece condições para a presença temporária de militares e civis americanos no país durante atividades de cooperação. A Argentina, sob Javier Milei, também se alinhou à política de combate às organizações criminosas, classificando diversos grupos como terroristas, seguindo o enquadramento adotado pelos Estados Unidos.

Segundo Galvão, a existência da coalizão permite que Washington apresente eventuais ofensivas por terra como uma ação coordenada por governos do continente contra uma ameaça comum, e não como uma intervenção unilateral dos Estados Unidos na América Latina.

Caso os países participantes consigam apresentar resultados, acrescenta, a iniciativa também poderá aumentar a pressão sobre governos que decidiram permanecer fora da coalizão.

Nova estratégia pode ter impactos no Brasil e atingir PCC e CV

Segundo os analistas consultados pela reportagem, embora o Brasil não participe da coalizão contra o crime liderada pelos Estados Unidos, o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas coloca as duas facções diretamente no alcance da nova estratégia americana e, por consequência, pode gerar impactos e aumentar a pressão sobre o próprio Brasil.

As duas facções mantêm fornecedores, rotas, operadores e alianças criminosas em países vizinhos que ampliaram sua cooperação em segurança com Washington. Isso abre espaço para que os Estados Unidos atuem contra estruturas ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho sem precisar realizar operações dentro do Brasil.

Segundo Galvão, uma estrutura logística no Paraguai, um operador instalado na Bolívia ou outros integrantes das redes das facções localizados em países parceiros dos EUA podem ficar mais expostos a prisões, sanções, ações de inteligência e operações conjuntas.

“Para PCC e CV, fronteiras nacionais sempre foram oportunidades. Com a nova estratégia americana, elas podem começar a se transformar também em vulnerabilidades”, afirmou.

A possibilidade de uma eventual operação militar americana dentro do Brasil contra esses grupos não é totalmente descartada pelos analistas, embora seja considerada pouco provável. “Eu classificaria uma operação militar unilateral dos Estados Unidos dentro do Brasil como um evento de baixa probabilidade”, afirmou Galvão. Segundo ele, sem a concordância de Brasília, uma ação desse tipo teria elevado custo diplomático e jurídico.

Por sua vez, Fernando Villena Del Carpio, doutor em Direito e professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Positivo (UP), lembra que eventuais operações realizadas pelos EUA em países vizinhos, sobretudo em áreas de fronteiras extensas e de difícil controle, podem se aproximar ou até ultrapassar o território brasileiro. Para o professor, uma ação desse tipo poderia gerar uma crise diplomática e de segurança entre os governos Trump e Lula.

Ambos os analistas apontam que a nova estratégia dos EUA também pode aumentar a pressão política sobre o Brasil. Galvão avalia que, à medida que países vizinhos aprofundem sua cooperação com Washington, Brasília pode ficar mais isolada nessa área de segurança e ser mais cobrada por resultados no combate ao PCC e ao Comando Vermelho.

Del Carpio faz avaliação semelhante e afirma que a pressão por mais medidas contra o crime pode vir agora não apenas dos Estados Unidos, mas também de outros governos da região.

“A pergunta seria: se todo mundo está participando dessa operação, por que o Brasil não faz junto?”, afirmou.

Classificação de organizações criminosas como terroristas abriu caminho para nova fase

A nova fase da estratégia contra o crime nas Américas foi precedida por uma mudança na forma como Washington passou a tratar cartéis e organizações criminosas. Logo no início do segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva que abriu caminho para classificar diversos grupos criminosos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs).

Nos meses seguintes, organizações como o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), o Cartel do Golfo, a MS-13, o Tren de Aragua e o chamado Cartel de Los Soles foram classificados como terroristas.

Segundo Fernando Villena Del Carpio, a classificação dos grupos criminosos como terroristas ampliou o alcance da estratégia americana ao permitir que Washington trate como ameaça organizações que atuam em outros países, mesmo quando os governos locais não adotam o mesmo enquadramento.

Na prática, o enquadramento abriu caminho para uma participação cada vez maior das Forças Armadas americanas na estratégia de combate ao crime transnacional, levando aos ataques contra embarcações, à captura do ditador Nicolás Maduro na Venezuela, a operações conjuntas com países aliados e, agora, à preparação de uma campanha mais ampla em terra.

FONTE; GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/eua-preparam-nova-fase-da-guerra-contra-o-crime-organizado-e-pcc-e-cv-podem-entrar-na-mira/

Alexandre Garcia

Segurança é importante, mas Brasil corre outro risco muito grande na economia

Inadimplência e endividamento estão se espalhando entre pessoas físicas e jurídicas no Brasil. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

Como os candidatos olham para o que o povo mais está sentindo, têm insistido em segurança pública, segurança pública, segurança pública. Mas cuidado! A segurança pública é muito importante, porque diz respeito à vida e ao patrimônio das pessoas, mas há algo que está nos levando para o caos e vai atingir o patrimônio de todo mundo, sem exceção: é o que está causando o endividamento das famílias. O Brasil paga, só de juros, o equivalente a duas Petrobras por ano; o Estado gasta demais, se endivida demais, os juros sobem, as empresas fecham ou vão para o Paraguai. Os empresários estão procurando mão de obra, mas as pessoas preferem ficar na esmola, que não vem do governo; vem dos impostos de quem produz e consome, mas não recebe retorno porque não sobra para o ensino, para a saúde, e também para a segurança pública.

Candidatos precisam estar preparados para criminosos que se modernizam

E vamos falar, então, de segurança pública. Será que os candidatos estão realmente preparados para uma criminalidade que está se modernizando? O crime parece acompanhar as guerras modernas, e no Rio de Janeiro as facções estão copiando a Ucrânia, usando drones no Complexo da Penha. O Comando Vermelho está treinando pilotos para controlar drones à distância. Um desses drones, por exemplo, decolou, viajou alguns quilômetros e lançou uma granada, que acabou atingindo um trailer e não feriu ninguém. São granadas artesanais feitas em casa, lançadas com drones. Esse é um novo desafio para a polícia, o ataque aéreo.

Mas há o ataque que ninguém vê, o ataque digital. Os crimes digitais estão ocupando hoje 80% das queixas. Lavagem de dinheiro usando criptomoedas, transferência de recursos entrando em bancos, em órgãos financeiros, roubo de documentos supostamente originais que convencem as pessoas a cair em contos do vigário… Até já fizeram um deep fake meu fazendo propaganda de remédio para disfunção erétil, um negócio de doido – aliás, muita gente teme esse tipo de falsificação na campanha eleitoral.

O que têm dito os candidatos sobre esses casos em que a pessoa que é atingida porque desviaram o dinheiro da conta dela, casos de dinheiro roubado que passa por lavagem de dinheiro, contrabando, pagamento de automóvel contrabandeado, entrada ilegal? Esse tipo de crime é universal: o bandido pode estar no Tibete e, de lá, controlar invasões digitais aqui no Brasil. Será que os candidatos se deram conta de que é necessária uma absoluta integração de polícias digitais no território brasileiro, no mínimo? E mais: precisamos de acordos com polícias de todos os países da vizinhança: Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Uruguai, Argentina, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa – ainda mais no Norte, onde há ouro, diamante e outros minerais, usados como commodities do crime.

Prefeita de cidade nos EUA confessa que era espiã chinesa

Dentro do condado de Los Angeles, na Califórnia, há uma cidade chamada Arcadia, que tem um belo hipódromo, um mall muito famoso, um arboreto… o símbolo da cidade é um pavão. Pois a prefeita de Arcádia confessou que era espiã a serviço da China. Eileen Wang renunciou e confessou que era agente de Pequim, para fazer propaganda da China dentro dos Estados Unidos. Agora, pode pegar dez anos de prisão. O mayor substituto também tem nome chinês: é Paul Cheng, um advogado que representava um dos distritos. Mas esse parece que não tem vínculo com o governo chinês; segundo ele, a família chegou aos EUA em 1970, ele era pequeno. Mas vejam só, uma espiã chinesa sendo prefeita dentro dos Estados Unidos. Aí o pessoal pergunta: quantos outros mayors estarão a serviço da China, dentro dos EUA?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/economia-seguranca-publica-criminalidade-digital/

Rodrigo Constantino

Fim da escala 6×1: a “conquista” que vai impedir o trabalhador de ganhar mais

Segundo encontro entre os dois políticos buscou acertar o andamento de pautas como o fim da escala 6″1 e PEC da Segurança Pública. (Foto: José Cruz/Agência Brasil / arquivo)

Lula se reuniu com Alcolumbre, na casa de Alexandre de Moraes pela primeira vez, e ambos fizeram as pazes. Disso deve sair a decisão de pautar a PEC do “fim da escala 6×1” antes das eleições, ou seja, um projeto eleitoreiro que cria uma armadilha para a direita, como no caso da misoginia. Quem votar contra será rotulado de inimigo do trabalhador, e não terá sequer tempo para se explicar. Mas a medida é boa mesmo para o trabalhador?

O nome já é enganoso: na prática, trata-se de um projeto que visa a proibir o trabalhador de trabalhar mais para ganhar mais, se assim desejar. Ou seja, retira liberdade de escolha do trabalhador. O Brasil, desde a CLT de Vargas, acumula muitas “conquistas trabalhistas”, que a esquerda celebra. No entanto, temos cerca de um terço da mão de obra na informalidade, uma parcela grande no desemprego e milhões no assistencialismo estatal. Deu certo?

Nenhuma dessas “conquistas” brasileiras é obrigatória por lei federal nos Estados Unidos. O sistema americano é muito mais baseado em negociação individual ou política da empresa (at-will employment + poucas obrigações federais além de salário-mínimo, horas extras e algumas proteções contra discriminação). O que existe é voluntário, desigual e frequentemente inferior ao padrão brasileiro da CLT.

Trabalhadores americanos não desfrutam desses direitos como garantias legais. O que existe depende fortemente do empregador, do setor (tech e finanças costumam ser mais generosos), do sindicato (quando há, já que pequena parcela da mão de obra é sindicalizada) e da localização. Benefícios comuns nos EUA incluem plano de saúde (muito caro e frequentemente o principal atrativo), 401(k) com matching, e paid time off (PTO) combinado, mas o pacote trabalhista obrigatório é bem mais enxuto que o brasileiro.

Em troca, o mercado americano tende a ter salários nominais mais altos em muitas áreas (especialmente qualificadas), maior flexibilidade de demissão e contratação, e menos encargos patronais obrigatórios sobre a folha (o “custo Brasil” de encargos + 13º + férias + FGTS é bem superior).

O trabalhador americano, sem qualquer regalia legal como o brasileiro, ganha na média cinco a seis vezes mais que o trabalhador brasileiro. Não tem americanos tentando invadir ilegalmente o Brasil para desfrutar das “conquistas” do nosso sindicalismo estatizante. Já o contrário não podemos dizer: há uma multidão de brasileiros querendo viver nos Estados Unidos para trabalhar, mesmo sem qualquer “conquista” legal.

Vivendo sob décadas de mentalidade esquerdista estatizante, e com uma imprensa que repete os dogmas marxistas, muitos brasileiros se acostumaram a acreditar que conquistas na lei significam avanços na prática, o que é totalmente falso. O trabalhador não precisa da “proteção” dos sindicatos e do estado, e o empregador não é um “explorador”. O melhor caminho é a flexibilização do mercado de trabalho e mais concorrência do lado das empresas, possível com o livre mercado, para que os patrões tenham que pagar o máximo possível ao trabalhador dentro da realidade de sua produtividade.

Mas explicar tudo isso para uma população bastante ignorante e em ano eleitoral é uma missão impossível. Por isso Lula quer mais um projeto populista aprovado: para ganhar votos dos desavisados. Quem realmente explora o trabalhador é a esquerda política. Por isso o PT quer mais pobreza e ignorância, mais dependência das migalhas estatais. Trabalhador livre que ganha bem não costuma votar em socialista.

O único que vem remando contra essa maré vermelha é Zema. O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência defendeu uma proposta que prevê o cancelamento de benefícios sociais para quem recusar, sem justificativa plausível, três ofertas consecutivas de trabalho formal apresentadas por órgãos oficiais, como o Sine (Sistema Nacional de Emprego).

A medida busca vincular a manutenção dos programas de transferência de renda à reinserção do cidadão no mercado de trabalho. De acordo com os defensores da proposta, o objetivo é incentivar a autonomia financeira das famílias e otimizar a aplicação do dinheiro público. Excelente proposta, mas com pouco atrativo eleitoral.

Como dizia Ronald Reagan, o trabalho é o melhor programa social que existe. Poucos políticos brasileiros entendem isso ou querem efetivamente libertar o povo trabalhador das amarras estatais. 

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/fim-da-escala-6×1-vai-impedir-o-trabalhador-de-ganhar-mais/

Polzonoff

Construíram uma estátua ao diabo. Tenho que respeitar?

Estátua do diabo no Ceará: mais uma, aliás. (Foto: Reprodução)

(Tenho. Temos. Se bem que “respeitar” talvez não seja a melhor palavra).

Construíram uma estátua em homenagem ao diabo. Isso mesmo: uma estátua em homenagem ao diabo. Mais uma, aliás. Desta vez, a imagem de 11m de altura, e que teria custado R$100 mil, foi instalada num sítio em Taíba, localidade de São Gonçalo do Amarante, no litoral do Ceará. No local, funciona um templo de quimbanda. Diante da notícia, fiquei me perguntando se tenho que respeitar calado ou se sou livre para expor minha reles opinião sobre o assunto.

Perguntei ao dr. X., que depois de um silêncio prolongado respondeu dizendo que “depende do que você entende por respeitar”. (E aqui acho que vale o parênteses para dizer que respeitar não é concordar nem muito menos apoiar uma estrovenga dessas). Não posso, por exemplo, expor indevidamente o nome do satanista. Ou seria diabista? Nem xingar o satanista. Tampouco posso atacar o satanista com uma chave de fenda. Por que o dr. X. pensou uma chave de fenda? Não sei. Por óbvio, não posso vandalizar a estátua nem exigir que o Estado tome providências só porque a estátua do diabo me ofende. E me ofende.

Ganhar a eleição

Posso, porém, chamar a atenção de você, leitor, para este fato: ao custo de R$100 mil, uma tal de Mãe Rainha das Trevas (800 mil seguidores no Instagram!) achou que era uma ótima ideia erguer uma estátua de 11m em homenagem ao diabo. Ao diabo. Em teoria (afinal: Brasil), posso dizer que a estátua é uma afronta a todos os princípios que construíram isso que a gente chama de Civilização e que, aos trancos e barrancos, ainda se baseia em valores cristãos. No bem, mas também pode chamar de amor. Valores contra os quais o diabo evidentemente luta para impor o Reino do Mal. Do ódio. Desde que o mundo é mundo.

Ainda posso dizer que o que mais me espanta nessa história não é a existência de satanistas. Eles sempre existiram. O que me espanta é que hoje essa adoração demoníacada seja feita assim, às claras. Despudoradamente. Quando não sob aplausos. Por fim, posso informar que a idealizadora do culto ao cramulhão diz atender vários políticos que a procuram com um só objetivo: recorrer aos serviços demoníacos para ganhar a eleição. Espero que seja mentira. Mas, vendo a cizânia que se espalha pelo Brasil, não duvido que haja aí um quê de verdade. Afinal, nestas eleições o que está em jogo é a nossa alma. Como já disse alguém que não foi nem será ouvido.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/estatua-diabo/

‘Eu quero 100 milhões esse ano’, diz mensagem de Roberta, sócia de Lulinha, e debocha: ‘Sou modesta’

Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e intermediária na relação com o Careca do INSS. (Foto: Reprodução/Instagram/Acervo Pessoal).

A lobista Roberta Luchsinger deixou registrado em mensagens recuperadas pela Polícia Federal sua meta explícita: faturar, só ela, R$100 milhões em um único ano (2024). “Eu quero 100 milhões esse ano”, escreveu ela. Questionada se estava desmotivada, respondeu: “Sou modesta”. O trecho integra o inquérito sigiloso da PF a que a revista Veja teve acesso e que investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho de Lula (PT), a própria Roberta, o empresário Fernando Bittar (amigo e antigo sócio de Lulinha) e outros.

Segundo o relatório policial, os elementos probatórios revelam “a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”. Lulinha aparece como figura de elevada relevância e “beneficiário indireto” das articulações, embora adotasse postura de menor exposição. As mensagens dele, todas apagadas, só foram recuperadas com software especial da PF.

A “sociedade” e o grupo “Musaranhos”

Roberta descrevia a relação com precisão. Em conversa com um empresário em 2024, afirmou: “Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando. (…) Tô em cargo nenhum e ando onde quero”. Em outro diálogo: “Fefe (Fernando Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, tds (todos) vão. A gente é mesmo irmão”. E sobre o papel do filho do presidente: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo (quando) precisa. Tem q se preservar”.

O trio mantinha um grupo de WhatsApp batizado “Musaranhos” (mamífero parecido com rato) para discutir negócios com o governo. Lulinha e Bittar eram os “Musos”; Roberta, a “Musa”.

Canabidiol, Ministério da Saúde e “costura política”

Um dos principais alvos era a regulamentação do canabidiol e um possível contrato bilionário (superior a R$ 1 bilhão) no Ministério da Saúde com empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Roberta, contratada como consultora dele, explicava o método: “Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política”.Em 23 de janeiro de 2025, escreveu: “Ontem eu disse para Fábio: Antonio tá pressionando e acho bom vc se mexer”. Para abrir portas, o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), marcou reunião de Roberta com Swedenberger Barbosa (Berge), então secretário-executivo da Saúde — só após interferência de Lulinha. Em 6 de março de 2024, Roberta avisou: “Pousei. Vou lá no Berge”. Lulinha respondeu: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (beijo) pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”. Ela reforçou: “Precisamos 100% do Berger”. Após o encontro, Marcola recebeu a minuta de documento que liberava a produção de medicamentos à base de canabidiol. No mesmo período, Roberta pagou contas pessoais de Marcola (cerca de R$ 217 mil entre fevereiro e novembro de 2024, incluindo cartão, boletos, financiamento de carro e joias de diamantes).

Outros tentáculos, dinheiro vivo e finanças de Lulinha

As mensagens mostram atuação também na Dataprev. Roberta perguntou a um empresário: “Ta indo tudo ok na Dataprev ou preciso apertar Gabas?” (referência a Carlos Gabas). Na Telebras, ela reclamou a Lulinha que Kalil Bittar (irmão de Fernando) estaria “vendendo vc e a grande influência dele p (para) o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante”. Lulinha orientou desmentir.Dinheiro circulava em espécie. Roberta dava instruções ao motorista para entregas de malas com dinheiro vivo a destinatários, incluindo Fernando Bittar. Sobre uma viagem à África (custeada por ela, a US$ 20 mil por pessoa), Lulinha perguntou: “A gente tem grana pra bancar essas coisas?” e acrescentou: “Vc que cuida das minhas finanças”. Em outro momento, animado com perspectiva de lucro, escreveu: “coisa boa paporra”. A PF suspeita que pagamentos recebidos pela empresa de consultoria de Roberta (RL Consultoria) tinham Lulinha como destino final. O próprio Careca do INSS se referiu a destinatário de valores como “o filho do Rapaz”.

Havia interesse em abrir empresas e contas no exterior, em locais de difícil rastreamento. Em janeiro de 2025, Roberta escreveu que precisava destravar negócios porque “As coisas irão acontecer pq eu tenho q tirar o Fábio e família do país até junho”. Lulinha de fato se mudou para Madri. Em outra mensagem, ela resumiu o risco: “Ou a gente vai ficar milionário ou vamos nos f… grande”.

O inquérito aponta indícios de corrupção e tráfico de influência. Lulinha, por meio de advogado, nega envolvimento com negócios da administração pública e fala em “peso do sobrenome”. Roberta e os demais seguem investigados.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ttc-brasil/eu-quero-100-milhoes-esse-ano-diz-mensagem-de-roberta-socia-de-lulinha-e-debocha-sou-modesta

Lulinha só se apresentaria à Justiça com ‘garantias’ de não ser preso

Fábio Luís, o Lulinha – (Foto: Reprodução/Redes Sociais).

Enquanto Lula (PT) diz ter orientado o filhote Lulinha a se apresentar à Justiça para responder sobre os rolos dos quais é acusado no Supremo Tribunal Federal (STF), a coluna apurou que, alvo de três inquéritos da Polícia Federal, ele não cogita retornar ao Brasil tão cedo, com medo de ser preso. Eventual apresentação de Lulinha à Justiça só ocorreria sob a garantia de que não será preso e poderá pegar o primeiro avião de volta para Madri, blindado de PF batendo à porta às 6h da matina.

Solta a língua

Lulinha tem muito a explicar: já são três os inquéritos que o investigam por suspeitas graves como tráfico de influência e corrupção.

Papo foi político

Na reunião de três horas com o advogado de Lulinha, não foi o petista quem tocou no escândalo do filho, mas, sim, o advogado.

A crise chegou

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, não deve ter muito o que fazer: ele também coordena a campanha de Lula em São Paulo.

Recheio petista

Fernando Haddad, escalado por Lula para o sacrifício de encarar Tarcísio de Freitas em São Paulo, também estava na reunião no Alvorada.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/lulinha-so-se-apresentaria-a-justica-com-garantias-de-nao-ser-preso

Lobista diz que Lula ofereceu cargo no governo: ‘escolhe onde vc quer ficar’

Roberta Luchsinger, lobista ligada a Lulinha, em negócios no governo Lula (PT) – Foto: redes sociais.

A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em mensagens de 2024 obtidas pela Polícia Federal, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ofereceu a ela a possibilidade de ocupar um cargo no governo. As conversas foram divulgadas pela revista Veja.

Segundo Roberta, Lula teria dito que ela poderia escolher onde gostaria de trabalhar. A lobista, porém, afirmou ter recusado a oferta para continuar atuando nos negócios que mantinha em sociedade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Fernando.

“Fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar”, escreveu Roberta em uma das mensagens. Na sequência, afirmou: “Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando”.

As mensagens fazem parte do material apreendido pela Polícia Federal durante as investigações que envolvem Roberta e sua relação com Lulinha. O conteúdo indica que a lobista relatava a interlocutores ter proximidade com o presidente e acesso ao governo.

A declaração sobre a suposta oferta de cargo ocorre em meio à apuração da PF sobre os negócios e relações de Roberta Luchsinger com pessoas próximas ao presidente.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/lobista-diz-que-lula-ofereceu-cargo-no-governo-escolhe-onde-vc-quer-ficar

Be the first to comment on "Dino e Moraes querem criar classe de jornalistas permitidos e deslegitimar “blogueiros”"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*