
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu neste domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP), a campanha pela reeleição com um discurso de confronto com a direita, críticas ao governo Jair Bolsonaro (PL) e promessas para um eventual quarto mandato. O ato foi realizado no Estádio Municipal 1º de Maio, a antiga Vila Euclides, palco das grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970. Ele também admitiu estar fazendo radioterapia para tratar de um câncer de pele na cabeça
Lula afirmou que sua candidatura tem como principal motivação impedir o retorno da direita ao Palácio do Planalto. “Enquanto for vivo, não vou parar de lutar e nem deixar que a direita volte a governar o país”, disse. Em outro momento, convocou a militância a comparar os resultados de seu governo com os da gestão anterior, especialmente em emprego, inflação e educação.
Sem citar Bolsonaro nominalmente, o presidente voltou a mencionar a atuação do governo anterior durante a pandemia de Covid-19. “Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio, uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas de Covid por irresponsabilidade com a vacina”, afirmou.
Em seguida, questionou a postura de seus adversários diante das mortes provocadas pela doença: “Se você rir de um velhinho que tá morrendo asfixiado por falta de ar, que futuro você quer para o povo brasileiro?”.
Improviso e emoção
Mesmo com a campanha tentando adotar um formato mais controlado para os discursos, Lula falou de improviso e percorreu temas pessoais e políticos ao longo do ato. A escolha da Vila Euclides reforçou o vínculo com sua trajetória sindical e serviu de cenário para um discurso marcado por lembranças de sua formação política, da prisão e de episódios familiares.
O slogan apresentado para a campanha é “O Brasil pronto para mais”, acompanhado da frase “Onde tudo começou”.
Lula admitiu que está fazendo radioterapia na região do couro cabeludo para tratar um câncer de pele. “Eu tô de chapéu. Primeiro, porque eu gosto de chapéu, mas hoje é porque eu fiz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele e eu não posso tomar sol na cabeça”, afirmou.
Depois, retirou o chapéu diante dos apoiadores. “Eu quero dizer para vocês que eu vou ousar a minha saúde e vou tirar o chapéu para todos vocês”, disse.
Em tom nostálgico, Lula retomou episódios de sua trajetória política, voltou à prisão pela Operação Lava Jato e fez uma crítica indireta ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que presidia a Corte em 2019.
Naquele ano, quando estava preso, Lula teve negada a autorização para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá. O presidente comparou a decisão com a autorização que recebeu durante a ditadura militar para sair da prisão e acompanhar o enterro da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu.
“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia pra ir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia pra vir no enterro do meu irmão Vavá”, afirmou.
Na sequência, acrescentou: “Numa demonstração de que os homens não são medidos por época, são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”.
Programa de governo: segurança e educação
Para um eventual novo mandato, Lula prometeu criar um Ministério da Segurança Pública, condicionado à aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso. A proposta prevê mudanças na estrutura de coordenação da segurança pública e maior participação da União no combate ao crime organizado.
O tema é particularmente nevrálgico para o PT, acusado pelos adversários de leniência com o crime organizado. O presidente defendeu combinar medidas de segurança com políticas sociais, principalmente educação em tempo integral.
“Investir em educação é muito mais barato do que investir na cadeia para prender essas pessoas. Então nós temos que evitá-lo de virar bandido, dando oportunidade quando são crianças e adolescentes”, afirmou.
Lula defendeu que o combate alcance os chefes das quadrilhas, e não apenas os criminosos que atuam nas comunidades.
“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda tá no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio e nós precisamos acabar com eles para poder acabar com o debaixo”, disse.
Em outro trecho, afirmou: “Tem quadrilha que manda na vila, tem quadrilha que aporrinha a vida do povo e nós vamos libertar o povo prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de um bairro pobre”.
Terras raras e soberania, sem ajustes na economia
A exploração de terras raras e outros minerais críticos foi citada entre as prioridades para o desenvolvimento econômico em um eventual novo mandato. Lula defendeu que o país deixe de exportar matérias-primas sem processamento e passe a produzir bens de maior valor agregado.
“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar as coisas prontas dele. Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza”, afirmou.
Lula citou a produção de chips e baterias como exemplos de produtos que poderiam ser desenvolvidos no país a partir desses minerais. Também relacionou a política mineral à soberania brasileira diante das disputas internacionais.
“Eu não quero nem que os Estados Unidos, nem que a Rússia, nem que a China, nem que a França, nem que a Inglaterra, ninguém vai explorar os nossos minerais críticos. Nós é que vamos explorar em benefício do povo brasileiro”, declarou.
Também defendeu seu legado na economia, sem falar em ajuste fiscal ou corte de gastos. Lula pediu que os apoiadores se preparem para defender o governo com números e comparações durante a campanha.
A orientação inclui indicadores de emprego, inflação e educação, que deverão ser utilizados para confrontar os resultados de sua administração com os do governo Bolsonaro.
“Vocês têm que estar preparados para saber algumas coisas [sobre números da educação, emprego e inflação]”, afirmou.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-admite-tratamento-para-cancer-e-diz-que-lutara-para-a-direita-nao-vencer/#cxrecs_s

Disputa pela Presidência do Senado em 2027 já começou antes mesmo das eleições

Antes mesmo de uma nova composição do Senado ser ditada pelas eleições de 2026, candidatos ao comando da Casa já se articulam por apoios. Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL) saíram na frente dessa briga.
Nesse campo de batalha, Alcolumbre sai com vantagens de ter a máquina, extensa teia de relações parlamentares e conexões com outros Poderes. Reeleito senador em 2022, seu mandato na Presidência do Congresso teve início em fevereiro de 2025 e acabará em 1º de fevereiro do próximo ano, quando o plenário elegerá a Mesa Diretora do período 2027-2029.
A nova legislatura abre caminho regimental para Alcolumbre tentar seguir no posto. Mas o cenário será diferente de 2025, quando obteve 73 dos 81 votos. Se a expansão conservadora se confirmar, ele terá de construir um acordo com a esquerda e o Centrão e oferecer benesses aos novos senadores.
Seu maior ativo recente foi mostrar capacidade de controlar a agenda e enfrentar o Palácio do Planalto. A rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), por 42 votos a 34, foi a primeira derrota de uma indicação à Corte desde 1894.
A relação, porém, começou a ser recomposta nos últimos dias. Lula e Alcolumbre tiveram três encontros desde a semana passada, dois deles fora da agenda oficial, e chegaram a um entendimento que resultou no destravamento de propostas consideradas prioritárias pelo governo para a eleição, como as PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública. O movimento ocorreu após meses de rompimento.
Alcolumbre deve enfrentar desgaste ainda maior com escândalo do Master
O escândalo do Banco Master, porém, adiciona forte risco à estratégia de Alcolumbre. Investigações da Polícia Federal (PF) alcançaram um dirigente da previdência do Amapá indicado pelo senador, e uma proposta de delação de Daniel Vorcaro já adiantou acusações, posteriormente rejeitadas por ele.
Rogério Marinho surge como alternativa associada à direita. Eleito em 2022, também está garantido na Casa até 2031. Líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, ele deixou de concorrer ao governo potiguar para se dedicar à estratégia nacional do PL.
Marinho já disputou a Presidência do Senado em 2023, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Agora opera com cenário potencialmente mais favorável, com a perspectiva da eleição de senadores aliados do PL e da centro-direita. Uma vitória de Flávio reforçaria negociações em fevereiro.
A eleição na Casa da Federação na abertura dos trabalhos de 2027 passará por decisivos eventos prévios. Em jogo estarão não só cargos da Mesa, mas a agenda legislativa, a relação com o Executivo e tensões institucionais. Só o presidente do Senado pauta o impeachment de ministros do STF.
Tereza Cristina também está na disputa pela presidência do Senado
A senadora Tereza Cristina é outro nome colocado no tabuleiro. Também fora das urnas neste ano, ela foi o primeiro nome a se colocar na disputa pela Presidência do Senado. A prioridade foi exposta publicamente quando foi cotada para ser vice de Flávio, a preferida de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
A ex-ministra da Agricultura apresenta credenciais distintas das de Marinho. Além de também ser associada ao governo Bolsonaro, tem especial trânsito no agronegócio. Além disso, a eventual vitória dela daria a primeira chefia feminina do Senado, agregando valor simbólico à disputa.
Duelo alagoano de Renan e Lira pode seguir na briga para liderar o Senado
Os dois outros nomes dependem das urnas de outubro. Renan Calheiros, senador desde 1995 e presidente da Casa em quatro ocasiões, encerra o mandato em janeiro e tenta ser reeleito. Quer resgatar o protagonismo com experiência, relações com a esquerda e a influência histórica no MDB.
Arthur Lira, por sua vez, precisa trocar a Câmara pelo Senado para entrar na nova disputa com Calheiros, seu maior rival em Alagoas. Ex-presidente da Câmara e um dos principais articuladores do Centrão, poderia levar à Casa vizinha sua rede de caciques partidários, parlamentares e governadores.
Novo Senado poderá ter um papel histórico no reequilíbrio dos Poderes
As articulações para a chefia do Senado têm razões matemáticas e políticas. Em outubro, estarão em disputa dois terços da Casa, 54 das 81 cadeiras. A renovação, somada aos 27 senadores com mandato até 2031, pode mudar radicalmente a correlação de forças e definir rumos do próximo governo.
A campanha antecipada pela Presidência do Senado tem crucial dimensão institucional. A direita trata a eleição de senadores como plebiscito sobre excessos do STF. Ela busca reequilibrar os três Poderes da República com a contenção da Corte, mudanças na legislação e impeachment de ministros.
O movimento ficou explícito após Flávio Bolsonaro (PL) anunciar e depois se reunir em Brasília com os seus 47 candidatos ao Senado. O grupo defendeu uma Casa mais alinhada à defesa da Constituição e o compromisso com a destituição de magistrados, começando por Alexandre de Moraes, do STF.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/disputa-pela-presidencia-do-senado-em-2027-ja-comecou-antes-mesmo-das-eleicoes/

O chapéu do Lula

Lula anunciou que vai aparecer na urna eletrônica usando um chapéu. Chapéu-panamá. Cuja origem, aliás, é equatoriana. Dizem que Lula aderiu ao adereço por recomendação médica, depois de retirar uma lesão de câncer de pele do couro cabeludo. É uma explicação bem plausível, apesar das teorias da conspiração que a gente adora (oi, Moacir). Mas por que um chapéu-panamá e não um chapéu-coco? Um chapéu de cangaceiro, talvez? Já sei: um boné CPX!
O chapéu-panamá é carregado de simbolismos. Mas antes de entrar nessa seara, me permita repetir que, apesar de panamenho no nome, o chapéu-panamá de verdade é fabricado por artesãos equatorianos, que usam uma palha chamada toquilla para fabricar El Fino. O chapéu é chamado de panamá desde o começo do século XIX e as explicações para isso são confusas. Parece que é só porque todos os bens de exportação do Equador passavam pelo Panamá antes de chegar a Europa. Isso antes do canal. Parece.
Al Capone
O preço? Ah, sabia que você estava louco para saber quanto custa o chapéu do Lula. Pois bem. Tem para todos os bolsos, freguesia. Chapéus-panamá feitos com material barato você encontra aqui mesmo nos camelôs da praça Carlos Gomes, a R$ 50. Quarenta no dinheiro. Já os originais, feitos pelas mãos dos artesãos equatorianos, chegam a custar R$12 mil. Mas tenho certeza de que o Lula, homem simples, do povo e tal, usa o modelo mais baratinho, devidamente escolhido pela sempre comedida e financeiramente pudica Janja.
Agora é que são elas: o simbolismo. De acordo com Caroline Peres Couto, o uso do chapéu-panamá está associado a uma “dualidade de trânsito”. Isto é, ele transmite a ideia de que a pessoa que o usa transita livremente entre o universo da marginalidade charmosa e o da alta sociedade refinada. Mais Lula do que isso impossível, né? Sem falar na associação que se faz com as personalidades que ajudaram a dar fama ao modelo. De Theodore Roosevelt e Santos Dumont a Tom Jobim, passando por Getúlio Vargas e também Al Capone. Principalmente Al Capone, eu diria.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/chapeu-lula/
Netanyahu coloca prefeito de Nova York como inimigo de Israel em propaganda eleitoral

O partido conservador Likud, do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, colocou uma imagem do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, junto de inimigos do país em uma propaganda para as eleições gerais.
Imagens divulgadas nas redes sociais e na imprensa mostram outdoors em que Mamdani aparece ao lado do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do secretário-geral do grupo terrorista Hezbollah, Naim Qassem, em uma propaganda do Likud.
“Eles querem que Netanyahu perca; não deixe que eles vençam”, diz a mensagem da propaganda. A imagem foi compartilhada pelo premiê no X.

O Likud tem alternado a liderança nas pesquisas com o Yashar, partido centrista, para as eleições gerais de 27 de outubro.
Mamdani, da ala socialista do Partido Democrata, afirmou em julho que estava cogitando ordenar a prisão de Netanyahu caso este viaje a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, em setembro.
O primeiro-ministro de Israel tem contra si um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por acusações de supostos crimes de guerra e contra a humanidade na guerra na Faixa de Gaza, atualmente em cessar-fogo. Israel e os EUA não reconhecem a jurisdição do TPI.
Porém, dias depois, Mamdani disse não ter autoridade legal para mandar prender Netanyahu e pediu ao governo federal para que cumprisse o mandado da corte de Haia – possibilidade descartada pela gestão Donald Trump, que recentemente iniciou uma campanha para “desmantelar” o TPI.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/netanyahu-coloca-prefeito-nova-york-como-inimigo-israel-propaganda-eleitoral/
Programa de Lula para segurança pública nem sequer cita a palavra ‘presídios’

O tópico genérico sobre segurança pública no programa de governo para eventual novo mandato de Lula (PT) não traz compromisso de construir mais presídios e, consequentemente, aumentar o número de vagas para o encarceramento. Até o fim de 2025, dado mais recente, a taxa de ocupação de celas físicas do sobrecarregado sistema prisional estava em 143,94%, conforme apurado por esta coluna em documentos da Secretaria Nacional de Políticas Penais. São 225.726 presos excedentes.
Raio-X
Das 505.267 vagas existentes, 473.918 (93,8%) são para homens, 31.349 (6,2%) para mulheres em 1.355 estabelecimentos penais.
Direitos da bandidagem
O plano, que não cita única vez “presídio” ou “prisão”, ainda classifica como estratégica a “garantia de direitos” à gestão do sistema prisional.
Do outro lado
Nas diretrizes de Flávio Bolsonaro (PL), há previsão de 5 novos presídios de segurança máxima, no modelo linha dura de El Salvador.
Treva para bandido
O plano de Flávio prevê 500 mil novas vagas e zerar o déficit carcerário em 4 anos. Vai criar o TREVA, complexo federal de segurança máxima.
Correios registra rombo de R$5,4 bilhões no 1º semestre

O Correios registrou prejuízo de R$5,4 bilhões somente no primeiro semestre de 2026, sinalizando que até o fim do ano esse rombo deverá chegar aos 11 bilhões de reais. Os números do desastre estão em balancete prévio que, como sempre, o governo deixou vazar na calada do fim de semana.
No segundo trimestre, o rombo foi de R$2,2 bilhões. As receitas não aumentaram e nem compensam despesas acima do razoável, agravadas por juros de empréstimos de R$12 bilhões e provisões judiciais. O Correios segue no fundo do poço.
Essa sangria não é casual. Sob o governo Lula (PT), o rombo explodiu: de R$597 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$8,5 bilhões em 2025 — o pior da história. Acumulam-se mais de R$ 11 bilhões em perdas desde 2023. A empresa, que lucrou R$ 3,7 bilhões em 2021, foi retirada do Programa Nacional de Desestatização logo no início do mandato petista, interrompendo qualquer chance de saneamento via privatização.
O histórico de desacertos é longo e estrutural. Desde o mensalão de 2005, originado em esquemas de propina nos Correios no primeiro governo Lula, a estatal serve de instrumento político: loteamento de cargos, indicação de aliados sem expertise técnica, aparelhamento sindical e corporativo.
Custos de pessoal inchados, ineficiência diante da concorrência privada (Loggi, Amazon, Mercado Livre) e decisões que privilegiam interesses partidários corroem a empresa.
O pagador de impostos banca o prejuízo por meio de garantias do Tesouro Nacional e novos empréstimos, tudo porque o governo não quer admitir o próprio fracasso no Correios. Manter uma máquina deficitária e politicamente aparelhada só perpetua o desperdício de dinheiro público.
Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados no 2º turno

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em empate técnico em uma simulação de segundo turno para a Presidência da República, segundo pesquisa Nexus divulgada nesta segunda-feira (17). Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os intervalos dos dois candidatos se sobrepõem, caracterizando empate técnico.
No primeiro turno, porém, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro com uma diferença maior. No cenário estimulado, o petista tem 41% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 36%. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 5% e 4%, respectivamente, e Romeu Zema também tem 4%. Outros candidatos somam 2%, enquanto 5% dizem que votariam em branco ou nulo e 2% não souberam ou não responderam.
A diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio no primeiro turno fica acima da margem de erro de dois pontos percentuais. Já no segundo turno, a distância cai para três pontos. Na simulação, Lula aparece com 47%, Flávio com 44%, branco ou nulo com 8% e 1% não soube ou não respondeu.
A pesquisa também mostra diferenças importantes entre os perfis dos eleitores. Flávio Bolsonaro lidera entre os homens, com 51%, contra 41% de Lula. Entre as mulheres, Lula tem 53%, ante 38% de Flávio. O senador também aparece à frente entre os eleitores de 25 a 40 anos, com 47% a 43%, entre os de 41 a 59 anos, há empate de 46% a 46%, e entre os eleitores com ensino médio, com 50% a 39%.
Por renda, Flávio supera Lula entre os eleitores de famílias com renda de 2 a 5 salários mínimos, por 51% a 40%, e entre aqueles com renda superior a 5 salários mínimos, por 52% a 41%. Lula lidera entre os eleitores de menor renda. Na faixa de até um salário mínimo, marca 58%, contra 33% de Flávio. Entre os que recebem de 1 a 2 salários mínimos, a vantagem é de 59% a 31%.
Por região, Flávio Bolsonaro lidera no Sudeste, com 49% contra 41% de Lula, e no Sul, com 57% contra 36%. Lula tem vantagem no Nordeste, onde aparece com 63%, ante 29% de Flávio. No Norte e Centro-Oeste, os dois estão próximos, com 47% para Lula e 46% para Flávio.
A pesquisa foi realizada pela Nexus por telefone, pelo sistema CATI, entre os dias 14 e 16 de agosto. Foram entrevistados 2.003 eleitores de 16 anos ou mais, em todo o território nacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A amostra teve distribuição proporcional pelas 27 unidades da Federação e controle de cotas por sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03317/2026. A divulgação ocorre em 17 de agosto de 2026. O estatístico responsável é Neale El-Dash, registrado no CONRE sob o número 8656-A.
‘Financial Times’ informa que EUA avaliam enquadrar Moraes, de novo, na Lei Magnitsky

O governo dos Estados Unidos voltou a avaliar a possibilidade de impor sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada neste domingo (16) pelo jornal britânico Financial Times, com base em relatos de pessoas familiarizadas com as discussões dentro do governo Donald Trump.
Segundo o jornal, integrantes do governo americano estudam novamente a aplicação da Lei Global Magnitsky contra Moraes. O mecanismo permite aos Estados Unidos impor sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos. Até o momento, porém, não há decisão definitiva sobre a adoção da medida nem indicação de quando ela poderia ser implementada.
Antecedente
Moraes já foi alvo da Lei Global Magnitsky. Em julho de 2025, o ministro foi incluído na lista de sancionados pelo governo americano. Na ocasião, o então secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou o magistrado de promover uma campanha de censura, detenções arbitrárias e processos considerados politizados, incluindo medidas judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As sanções foram retiradas em dezembro daquele mesmo ano, menos de cinco meses após sua aplicação. A reversão ocorreu durante um período de reaproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, as medidas também haviam atingido a esposa de Moraes e uma empresa ligada à família do ministro.
Liberdade de imprensa volta ao centro da disputa
Agora, a atuação de Moraes em uma investigação envolvendo jornalistas e possíveis fontes de reportagens voltou a chamar a atenção do governo americano.
De acordo com o Financial Times, o ministro autorizou operações policiais contra um jornalista e duas pessoas apontadas como possíveis fontes de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino e a familiares dele.
Moraes justificou as medidas afirmando que as informações teriam sido obtidas e divulgadas de maneira ilegal e que a publicação do material poderia representar risco à segurança de familiares do magistrado.
Gleisi é, de longe, o nome para o Senado mais rejeitado no Paraná

Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, mostra que a petista Gleisi Hoffmann é disparada o nome mais rejeitado ao Senado nas eleições deste ano pelo eleitorado paranaense.
Conforme a pesquisa, Gleisi aparece com 42,2% de rejeição. Deltan Dallagnol (Novo), aparece na sequência, com 13%.
Confira os outros números abaixo:
- Dr. Rosinha (PT): 12,1%;
- Alexandre Curi (Republicanos): 8,5%;
- Filipe Barros (PL): 7,4%;
- Cristina Reis Graeml (PSD): 6,7%;
- Joaquim do MLB (UP): 4,8%;
- Karen Guerreiro (Missão): 4,7%;
- Marcelo Marcelino (PCO): 3,9%;
- Não sabe/Não opinou: 15,5%;
- Poderia votar em todos: 7,4%.

O Paraná Pesquisas ouviu 1520 eleitores em 65 municípios paranaenses. Tal amostra representativa atinge um grau de confiança de 95% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,6 pontos percentuais para os resultados gerais.
A coleta de dados realizada por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, entre os dias 13 e 16 de agosto de 2026.
A pesquisa está resgistrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-09048/2026.
Varredura em câmeras da sala-cofre tenta rastrear possíveis vazamentos do caso Master

Investigadores realizam uma varredura nas câmeras de segurança da sala-cofre do Senado onde ficaram guardados os dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro quando as provas foram compartilhadas, no início do ano, com a CPMI do INSS.
Fontes a par das apurações alertam que o objetivo tem sido identificar todos que entraram e saíram do recinto no momento em que documentos do caso Master foram disponibilizados para acesso à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A investigação sobre um suposto vazamento foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, depois que a investigação apontou fortes indícios de divulgação deliberada, entre eles as conversas pessoais de Vorcaro com sua ex-namorada.
Somado a isso, os investigadores tentam identificar a existência de outros possíveis vazamentos que possam surgir nas próximas semanas dando base a dossiês que possam ser divulgados irregularmente durante a campanha eleitoral envolvendo possíveis alvos políticos que apareçam em conversas, imagens ou transações financeiras com Vorcaro.
Um dos principais alertas da PF é que o acesso e vazamento indevidos de provas poderão levar a nulidades processuais no Caso Master que já teve dez fases da operação Compliance Zero deflagradas desde novembro do ano passado.
Daniel Vorcaro, apontado como o grande articulador do esquema e que era dono do Master, foi preso duas vezes. A primeira em novembro, sendo liberado dias depois, e a segunda em março passado e segue detido preventivamente.
Ocorre que os primeiros vazamentos das informações aconteceram ainda no fim do ano passado, antes mesmo do compartilhamento de provas com a CPMI. O mapeamento que os investigadores tentam fazer também pretende identificar se houve atuação de uma rede, mesmo que não interligada, que originou divulgações seletivas da investigação.
Desde que a divulgação considerada indevida do caso se tornou um problema processual a ser administrado pelas autoridades, o rigor e vigilância a investigadores e peritos teriam aumentado significativamente.
Duas frentes de apuração dentro da sala-cofre
Para tentar fechar esse cerco, a investigação avança por pelo menos duas frentes que se complementam. A primeira quer esclarecer se algum parlamentar ou servidor com acesso autorizado à sala-cofre, no período em que os documentos estavam disponíveis à consulta no início do ano, teria repassado informações sigilosas para fora do ambiente controlado, seja para a imprensa, seja para qualquer outro destinatário não autorizado.
A segunda linha, no entanto, vai além da suspeita de vazamento pontual. Os investigadores também querem verificar se documentos ou trechos do material sigiloso teriam sido registrados, fotografados ou copiados dentro da sala-cofre com finalidade de composição de futuros dossiês, incluindo a possibilidade de uso desse conteúdo em contexto eleitoral.
Para investigadores, essa hipótese reforçaria a importância de reconstituir quem entrou e saiu do recinto, em quais datas e por quanto tempo, já que o simples acesso ao material não configura, por si só, prova de vazamento, mas poderia ajudar a delimitar o universo de pessoas que teve contato direto com os dados na janela de tempo em que o conteúdo teria sido copiado, ainda no primeiro trimestre do ano.
Foi nesse contexto que a PF, em cumprimento à ordem de Mendonça, foi até as dependências do Senado retirar da sala-cofre o conteúdo integral da nuvem do celular de Vorcaro. Os agentes solicitaram aos servidores do Senado cópia do livro de acessos e dos registros das câmeras de segurança instaladas no local.
O Senado registrou à corporação que a sala-cofre onde estavam armazenados os dados e equipamentos, sobretudo de Daniel Vorcaro, permanecia trancada e sob guarda permanente de um policial legislativo, responsável por controlar o acesso ao ambiente, que também conta com sistema interno de câmeras de monitoramento.
O que a PF diz sobre as provas do vazamento
Segundo relatório produzido pela equipe policial e enviado ao ministro André Mendonça, a análise técnica comparou diálogos entre Vorcaro e a então namorada que circularam na imprensa com o conteúdo integral da extração do celular do ex-banqueiro, obtida pela CPMI junto a uma das empresas de tecnologia responsáveis pela análise do aparelho.
A conclusão teria sido que era possível afirmar com clareza técnica que os vazamentos tiveram origem no material filtrado e depois disponibilizado à comissão, sem indícios que o conteúdo tenha circulado antes ou tenha sido obtido por “fontes independentes”.
Apesar dessa constatação, a PF ainda não conseguiu identificar quem, especificamente, teria repassado as informações. O motivo seria simples: diversos parlamentares, assessores e servidores da Câmara e do Senado tiveram acesso ao material ao longo dos trabalhos da comissão, o que ampliaria o universo de possíveis responsáveis pelo suposto vazamento.
Presidente da CPMI ataca suposto vazamento
O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (PSD-MG) lembrou que a comissão encerrou seus trabalhos em março, sempre atuando dentro dos limites legais e regimentais. Ele reforçou que todo o material esteve sob custódia, com acesso controlado e devidamente registrado.
Segundo ele, os mesmos dados analisados pela CPMI também passaram, em algum momento, pela própria Polícia Federal e pela Presidência do Senado. A comissão recebeu apenas uma fração desse conjunto de informações. Para o senador, o fato de um arquivo apresentar conteúdo idêntico a outro não equivale a apontar a origem exata do vazamento. Essa é uma conclusão que, na avaliação dele, ainda cabe à própria investigação demonstrar.
Nas redes sociais Viana foi além e contestou de forma direta a hipótese levantada pela PF, apresentando uma cronologia para sustentar sua posição. Segundo o senador, as primeiras mensagens íntimas do ex-banqueiro já haviam sido publicadas pela imprensa em 6 de março, enquanto os dados telemáticos só chegaram oficialmente à CPMI seis dias depois, em 12 de março, com o acesso à sala-cofre liberado aos parlamentares apenas em 13 de março.
Para ele, essa sequência de datas seria incompatível com a hipótese de que o vazamento teria partido do ambiente controlado pela comissão, já que o conteúdo teria circulado antes mesmo de a sala-cofre estar operacional para os parlamentares.
O senador também detalhou os mecanismos de segurança que, segundo ele, foram adotados: entrada proibida para celulares e qualquer outro equipamento eletrônico, uso de detector de metais, câmeras de monitoramento e um livro no qual cada acesso era registrado com data, hora e motivo. Viana afirmou ter sido o responsável por estabelecer esse conjunto de regras justamente para garantir a rastreabilidade de todo o material manuseado pela comissão.
Nessa mesma linha, o senador defendeu publicamente que toda a cadeia de custódia dos documentos seja periciada, incluindo os registros de acesso e imagens de câmeras, do primeiro ao último ponto de manuseio do material, tanto dentro quanto fora do Congresso.
Segundo ele, quem monta um ambiente de guarda de provas com câmeras e livro de registro não foge de uma auditoria, mas a exige. Viana também criticou o fato de integrantes da CPMI passarem a ser tratados como suspeitos em meio à apuração sobre o vazamento, argumentando que mensagens circulavam antes mesmo de a comissão ter contato com o material.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/varredura-em-cameras-da-sala-cofre-tenta-rastrear-possiveis-vazamento-do-caso-master/
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