Terremotos ampliam custo da reconstrução da Venezuela em meio ao caos econômico gerado pelo chavismo

Ação de busca e resgate em Caracas, capital da Venezuela, nesta quinta-feira (25) (Foto: Ronald Peña R./EFE)

Devido aos terremotos que atingiram o país nesta semana, a Venezuela anunciou que ativará um fundo inicial de US$ 200 milhões em recursos depositados no Fundo Monetário Internacional (FMI) para ações de resposta à emergência.

O órgão financeiro ainda buscará outras formas de apoiar a recuperação do país sul-americano, que também receberá outras ajudas, como US$ 150 milhões em assistência dos Estados Unidos anunciados ontem.

Porém, o custo da reconstrução da Venezuela, cuja situação econômica e financeira já era caótica devido ao chavismo (que governa o país desde 1999), deve ser bem maior do que os valores das ajudas anunciadas até agora.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), órgão do governo Donald Trump, estimou que as perdas econômicas na Venezuela devidos aos terremotos ficarão entre US$ 10 bilhões e US$ 100 bilhões.

Esse custo se soma ao desastre econômico e financeiro dos regimes chavistas. Segundo dados do Banco Mundial, em 2010, a Venezuela tinha um PIB de US$ 393 bilhões. Em 2024, a economia venezuelana havia retraído para pouco menos de US$ 120 bilhões.

Uma reportagem publicada nesta semana pelo Financial Times apontou que a Venezuela tem uma dívida de US$ 240 bilhões, muito maior do que vinha sendo estimado por analistas de mercado.

O jornal britânico disse que a ditadora interina Delcy Rodríguez pretende chegar a um acordo com os credores até o final do ano, o que abriria caminho para o retorno do país aos mercados internacionais.

Um alívio para a Venezuela tem sido a decisão dos Estados Unidos de levantar sanções ao país desde a captura do então ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana em Caracas, em janeiro.

Empresas estrangeiras do setor de petróleo voltaram a operar na Venezuela e no início desta semana o banco central do país informou que as receitas venezuelanas com a exportação da commodity somaram US$ 5,49 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 21,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Entretanto, após anos de isolamento do mercado internacional, a recuperação do país deve ser demorada e custosa – com as complicações extras causadas pelos terremotos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/terremotos-ampliam-custo-reconstrucao-venezuela-caos-economico-chavismo/

Lula envia ajuda humanitária à Venezuela após conversar com presidente interina

Missão será levada por dois aviões cargueiros da FAB com 36 bombeiros, técnicos da Defesa Civil e Anatel e centenas de equipamentos. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envia nesta sexta-feira (26) a primeira missão de ajuda humanitária brasileira à Venezuela após conversar com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, sobre os impactos dos terremotos que devastaram a região Norte do país. A operação contará com equipes de resgate, equipamentos, medicamentos, alimentos e, em uma segunda etapa, um hospital de campanha para atender as vítimas da tragédia.

A missão partirá pela manhã em um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que decolará do Aeroporto de São Paulo-Guarulhos. A aeronave transportará 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional, quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e nove toneladas de equipamentos destinados às operações de busca e salvamento.

“Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, disse o presidente.

Em um evento na véspera no Mato Grosso do Sul, Lula também manifestou solidariedade à população venezuelana, afirmando que “nessas horas precisa levantar e de pé aplaudir o povo da Venezuela”. “Uma salva de palmas ao povo da Venezuela e todos nós temos que fazer todo o esforço possível para ajudar a Venezuela a sair dessa confusão do terremoto”, declarou.

O presidente informou ainda que uma segunda aeronave será enviada no sábado (27) levando equipamentos para a montagem de um hospital de campanha. O avião também transportará cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e materiais médicos para cirurgias e atendimento aos feridos.

Os terremotos atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), quando dois fortes tremores ocorreram em um intervalo inferior a um minuto e separados por apenas cinco quilômetros. O epicentro do abalo mais intenso foi registrado na cidade de El Guayabo, a 168 quilômetros de Caracas, e os sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, foram os mais fortes registrados no país em mais de 100 anos.

Além da intensidade dos tremores, a baixa profundidade dos abalos ampliou o nível de destruição, provocando o desabamento de prédios e danos severos em Caracas e cidades vizinhas. Réplicas também atingiram municípios costeiros, como La Guaira, enquanto o aeroporto internacional da capital venezuelana precisou ser fechado.

O balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano aponta 235 mortos e, 4,3 mil feridos. Equipes de resgate seguem atuando nas áreas atingidas em busca de sobreviventes.

FONTE: GAZETADO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-ajuda-humanitaria-venezuela-conversar-presidente-interina/

EUA levantam sanções contra a Venezuela devido aos terremotos e anunciam ajuda de US$ 150 milhões

Socorristas fazem operação de busca e resgate em Caracas na noite de quinta-feira (25) (Foto: Boris Vergara/EFE)

Além do envio de equipes de busca e resgate, o governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (25) duas medidas principais para ajudar a Venezuela após os terremotos que causaram centenas de mortes e danos materiais ainda a serem quantificados no país sul-americano.

Em comunicado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro americano informou que “todas as transações relacionadas aos esforços de ajuda humanitária após o terremoto na Venezuela que seriam proibidas pelas Regulamentações de Sanções à Venezuela” foram autorizadas até 23 de outubro.

“A autorização […] desta licença geral inclui o processamento ou a transferência de fundos em nome de pessoas de terceiros países para ou da Venezuela em apoio às transações autorizadas”, acrescentou o OFAC.

Além disso, o Departamento de Estado americano informou ontem que o governo Donald Trump está mobilizando US$ 150 milhões em assistência à Venezuela.

De acordo com nota da pasta, tais valores são relativos a US$ 50 milhões em novas doações para parceiros no terreno, incluindo a World Vision, a Samaritan’s Purse, a Catholic Relief Services, o International Medical Corps, a Organização Internacional para as Migrações e o Programa Mundial de Alimentos, além de uma contribuição de US$ 100 milhões para o fundo comum da Venezuela do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

“Além do apoio financeiro, o departamento está auxiliando as organizações na coordenação logística e na comunicação com as autoridades interinas”, informou.

A pasta chefiada por Marco Rubio disse que está trabalhando com o Departamento da Guerra (DoW), “aproveitando a incomparável capacidade logística e operacional do DoW para apoiar o rápido deslocamento de pessoal de resposta, equipamentos e assistência humanitária para as áreas afetadas”.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/eua-levantam-sancoes-contra-venezuela-devido-terremotos-anunciam-ajuda/

Do mensalão ao Master, corrupção envolvendo o PT escala para novo patamar

Prisão de Vorcaro revela esquema de corrupção envolvendo o mercado financeiro. (Foto: EFE/Isaac Fontana)

A sucessão de escândalos que marcou os governos do PT ao longo de cinco mandatos aponta para uma sofisticação crescente dos mecanismos de corrupção apurados por órgãos de controle e pela Polícia Federal (PF). O ápice é o caso Master, que se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acumula dezenas de bilhões de reais desviados.

Se o mensalão buscou sustentação parlamentar para o governo e o petrolão montou esquemas bilionários em contratos da Petrobras, o Master amplia as cifras e a sofisticação dos delitos, envolvendo o sistema financeiro, o tráfico de influência e relações impróprias com autoridades dos três Poderes.

Segundo analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, as investigações em curso mostram que episódios centrados no ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de desvios bilionários no INSS, representam uma etapa superior do esquema petista de captura de recursos públicos e privados via redes político-empresariais.

O cientista político Paulo Kramer destaca que cálculos sobre os escândalos Master e do INSS apontam para um crescimento exponencial dos desvios de dinheiro de contribuintes e poupadores em gestões petistas, podendo chegar a R$ 150 bilhões. “O petismo carrega vícios do socialismo autoritário”, diz.

Mensalão, Lava Jato e Master marcam um salto em valores e na abrangência

Além da sofisticação de métodos, os escândalos ligados ao PT escalaram em valores envolvidos. O mensalão, no primeiro mandato de Lula, movimentou de R$ 102 milhões a R$ 1,3 bilhão, conforme a metodologia. Os casos da Lava Jato alcançaram prejuízos estimados em R$ 18 bilhões só na Petrobras.

O caso Master já surge em dimensão bem maior: apenas a proposta de delação de Vorcaro menciona R$ 60 bilhões a serem devolvidos. As investigações apontam para uma rede de relações que engloba agentes políticos de diferentes correntes ideológicas, além de autoridades dos três Poderes.

Ao longo de duas décadas, os beneficiários dos esquemas extrapolaram os limites do PT. No mensalão, a distribuição de recursos buscava assegurar apoio de partidos aliados, sobretudo do Centrão. O petrolão também envolveu siglas variadas, mas ficou concentrado no núcleo petista e membros da Petrobras.

Revelações de esquemas corruptos em gestões do PT se acumulam desde 2003

A lista de escândalos nos três governos de Lula, incluindo o atual, e os dois de Dilma Rousseff (PT), cresce desde o início da primeira gestão em 2003. Nela estão o Dossiê dos Aloprados, o caso Bancoop, repasses da Odebrecht a agentes públicos, financiamentos subsidiados do BNDES a grupos empresariais e obras no exterior, além de questionamentos sobre fundos de pensão de estatais.

No escândalo mais recente, investigações voltam a mirar figuras históricas do partido, como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), um dos mais íntimos aliados de Lula. A PF colheu provas na semana passada que revelam vantagens indevidas ligadas ao Master, que Wagner nega.

O avanço das apurações contra figuras ligadas ao PT ocorre num momento particularmente sensível para o partido e para o projeto de reeleição de Lula, considerando que o maior escândalo financeiro da história do país também abala as bases da República.

A Bahia tornou-se uma peça central de investigações que exploram decisões administrativas e programas de crédito em administrações petistas no estado, apontadas como fatores de expansão de negócios ligados ao Master. O ambiente político serviu de plataforma de projeção do grupo financeiro.

Caso Master combina estruturas financeiras com redes de influência

O que diferencia o caso Master de episódios anteriores de corrupção é a aparente migração do foco das contratações públicas e da intermediação política tradicional para estruturas financeiras e amplas redes de influência institucional, passando por órgãos reguladores e relações nos três Poderes.

Enquanto críticos apontam os governos petistas da Bahia como o “berço político” da ascensão do Master, líderes da esquerda alegam que a expansão do banco ocorreu à margem da atuação de órgãos reguladores e por decisões tomadas durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

O cientista político Antônio Flávio Testa recorda uma manifestação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no auge da operação Lava Jato, na qual chamou as gestões do PT de uma “cleptocracia” (governo de ladrões), que juntou dinheiro para financiar projetos de poder por décadas.

“Ao longo do tempo, esquemas de cooptação se infiltraram em vários ramos econômicos. Eles seguem adiante sem a resistência esperada dos demais Poderes e diante da impotência da sociedade. O mal que fizeram ao país é imenso, mas ainda será muito difícil desmontar a sua estrutura”, observa Testa.

Auge da corrupção no país tem sofisticação dos mecanismos

Segundo o professor de ciência política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes, a relação entre agentes públicos e empresas favorecidas pelo Estado aprimorou um modelo baseado em contratos públicos e influência política.

Para o cientista político, escândalos como mensalão e petrolão representam etapas anteriores de um processo que teria alcançado novo patamar com o caso Master. Ele sustenta que, após envolver diferentes partidos, o sistema passou a atingir os mais variados espaços das esferas públicas e de poder.

Na avaliação de Gomes, a principal diferença do episódio atual estaria na amplitude institucional. “O grupo político petista proporcionou à história brasileira graves ilicitudes depois reveladas. Com o escândalo Master, o processo alcança o patamar máximo de corrompimento e cooptação”, afirma.

O analista acrescenta que o envolvimento de agentes de variadas correntes políticas favorece a ideia de corrupção generalizada e narrativas evasivas, além de desacreditar instituições. Ele cita as pressões sobre integrantes da PF, do Ministério Público e do Banco Central, inaceitáveis em democracias.

Deputada relembra escândalos para alertar eleitor sobre risco de repetições

A deputada Caroline De Toni (PL-SC) associa governos petistas a sucessivos escândalos bilionários. “Da propina nos Correios, revelada em 2004, ao caso Master, passando pelas obras de empreiteiras no exterior, essa é uma marca da gestão do PT”, diz a parlamentar.

Ela lembra que a Petrobras reconheceu contabilmente R$ 6 bilhões em desvios apurados pela Lava Jato, cifra que levantamentos elevam para R$ 42 bilhões ao incluir superfaturamentos. De Toni cita ainda os descontos indevidos em aposentadorias e os R$ 52 bilhões cobertos pelo FGC no caso Master.

Para a deputada, a série de escândalos explicar a percepção internacional de corrupção no país. Ela defende resgatar essa memória, sobretudo entre os mais jovens. “Quem esquece o último escândalo financia o próximo”, afirma, ao sustentar que o tema deve permanecer no debate eleitoral.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mensalao-ao-master-corrupcao-pt-escala-para-novo-patamar/

Alexandre Garcia

O terremoto e o chavismo: as tragédias da Venezuela e seus números de mortos

Moradores caminham entre os escombros de prédios que desabaram devido aos terremotos, na cidade de Catia La Mar, no estado costeiro de La Guaira (Venezuela) (Foto: EFE/ Ronald Pena R.)

O terremoto na Venezuela já deixou cerca de 200 mortos e mais de 1.500 feridos. Um estrago muito grande. Isso mostra que os prédios não foram construídos para resistir a terremotos. Embora se saiba que há terremotos no Caribe, como aquele que ocorreu no Haiti, quando a nossa tropa brasileira de paz da ONU estava lá.

Agora, são lamentáveis essas mortes, mas ninguém se dá conta de que o regime bolivariano de Chávez e de Maduro matou, segundo relatório da Organização dos Estados Americanos, no mínimo 18 mil pessoas perseguidas politicamente, executadas sumariamente, sem passar pela Justiça. O relatório da OEA afirma que essas pessoas foram mortas extrajudicialmente. Aliás, os números mostram que Maduro matou mais do que Chávez.

Salário mínimo

Bom, eu vi um levantamento do IBGE mostrando que o salário médio do brasileiro é muito baixo, muito baixo. O estranho é o desequilíbrio. O governo fala tanto em diferenças sociais, justiça social e equiparação, mas Brasília tem o maior salário médio do país. Segundo o IBGE, são R$ 6.845. A média brasileira mensal é de R$ 3.932. Quer dizer, Brasília, foco do Estado brasileiro e sede dos três Poderes da União, tem um salário médio de R$ 6.845. Quinze estados têm média salarial inferior à metade da registrada em Brasília.

O segundo lugar está com o Rio de Janeiro, e não com São Paulo: R$ 4.501, seguido por São Paulo, com R$ 4.423. Na outra ponta está Alagoas, com R$ 2.720. São R$ 54 milhões de assalariados em uma população de R$ 212 milhões. Quer dizer, praticamente apenas um quarto da população é assalariada.

Por outro lado, vejo dois brasileiros que são CEOs, ou seja, chefes de duas das maiores cervejarias do mundo: Rafael Oliveira, da Heineken, e Michel Doukeris, da AB InBev. Para assumir o cargo na Heineken, Rafael Oliveira recebeu uma remuneração muito superior à da mulher de Moraes. São praticamente as duas maiores cervejarias do mundo. Eles ganham muito dinheiro, mas não estão aqui no Brasil. São brasileiros que vão para o exterior para fazer a vida, porque aqui os impostos, a burocracia e o Estado atrapalham quem quer crescer e ter mais renda, o que significa mais distribuição, e não essa concentração em Brasília, que contraria um princípio do ex-ministro da Economia Paulo Guedes: “Mais Brasil e menos Brasília”.

Amor à China

Gente, falando nisso, que união improvável e surpreendente: a CUT se uniu à Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. As duas entidades fizeram pressão, mas não adiantou. O governo renovou, por mais seis meses, os benefícios concedidos à chinesa BYD. Esses benefícios equivalem a 2 bilhões e 400 milhões de reais para trazer ao Brasil carros elétricos não montados. A montagem é feita na Bahia, mas os veículos chegam semimontados ou totalmente desmontados. O governo brasileiro gosta muito da China.

De Brasília, Alexandre Garcia.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/o-terremoto-e-o-chavismo-as-tragedias-da-venezuela-e-seus-numeros-de-mortos/

Gilmar Mendes vai abrindo aos poucos as portas para o uso livre de drogas

Gilmar Mendes afirmou que não havia indícios de tráfico para liberar homem pego com 185 gramas de maconha. (Foto: ChatGPT sobre foto de Erin Hinterland/Pixabay)

Gilmar Mendes não é apenas “um ministro simpático à Cannabis”, como já o descreveu um podcast ligado ao assunto, em março deste ano: o decano do Supremo Tribunal Federal está firmemente empenhado em conseguir a descriminalização ampla, geral e irrestrita do uso de drogas, e resolveu fazê-lo aos poucos, em doses cada vez maiores. Embora o STF – no que já era uma usurpação inaceitável do poder de legislar – tivesse descriminalizado apenas o porte de maconha, em quantidades não superiores a 40 gramas, o ministro já havia rejeitado uma denúncia contra uma mulher que portava cocaína, em fevereiro, e agora derrubou a condenação de um homem pego com 185,3 gramas de maconha, ou pouco mais de 4,5 vezes o limite que os próprios ministros haviam estabelecido.

No julgamento que derrubou um trecho da Lei de Drogas, Gilmar Mendes propôs, na qualidade de relator, a descriminalização do porte de todos os entorpecentes; quando três de seus colegas votaram para descriminalizar apenas a maconha, o decano recuou e alterou seu voto. Não que isso tivesse tornado sua posição mais sensata: afinal, não havia omissão alguma do Legislativo sobre o assunto – o Congresso deliberou e votou a Lei de Drogas, que inclusive já diferenciava traficante de usuário –, e tampouco havia qualquer inconstitucionalidade na criminalização do porte; alegar o direito à intimidade para daí concluir que todo brasileiro teria o direito de carregar drogas consigo é o célebre non sequitur, a conclusão que não deriva das premissas. Como não se deram por satisfeitos ao derrubar partes de uma lei, chamando de “controle de constitucionalidade” o que não passava da imposição antidemocrática de suas vontades, os ministros ainda resolveram tirar da cartola uma regra desenhada sabe-se lá com que critérios, surgindo daí o limite de 40 gramas, com a ressalva de que quantidades menores poderiam configurar tráfico caso objetos como balanças fossem apreendidos na mesma ocasião.

À medida que mais e mais casos envolvendo pessoas pegas com drogas chegarem ao STF, brechas que nasceram pequenas serão alargadas até que se consiga a descriminalização total

Na decisão monocrática que reverteu uma condenação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Gilmar inverteu completamente o raciocínio aprovado pelos colegas. Disse que, apesar de o homem estar com 185 gramas de maconha, “não foi apreendida balança, caderno de anotações ou qualquer outro instrumento comumente usado na prática do tráfico”, que “o Ministério Público não conseguiu levar aos autos os elementos necessários para justificar a condenação por tráfico”, e que “uma condenação criminal deve estar fundamentada em elementos constantes dos autos, e não em suposições”.

Mas de que “suposições” Gilmar está falando, se foram os próprios ministros que fixaram o limite bastante objetivo de 40 gramas? A tese 506 até contém um pulo do gato, segundo o qual “a apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não impede o juiz de concluir que a conduta é atípica, apontando nos autos prova suficiente da condição de usuário”, o que deixa uma brecha muito conveniente para magistrados ativistas como Gilmar Mendes, permitindo a liberação de pessoas apreendidas com qualquer quantidade de maconha. No entanto, isso exige “prova suficiente da condição de usuário”, e tal prova inexistia no caso em tela – o próprio decano o admite ao dizer que “é verdade que o recorrente poderia comercializar, posteriormente, o psicotrópico apreendido”. Em outras palavras, o decano transformou a “prova suficiente da condição de usuário” em “prova insuficiente da condição de traficante”, e seguiu em frente.

À medida que mais e mais casos envolvendo pessoas pegas com drogas chegarem ao STF, brechas que nasceram pequenas serão alargadas até que se consiga a descriminalização total – o objetivo que Gilmar Mendes pretendia inicialmente, mas do qual recuou apenas de forma estratégia, para voltar à carga quando a oportunidade o permitisse. O plenário do STF até poderia freá-lo, impondo o cumprimento da regra que a corte estabeleceu no passado, mas isso nem de longe seria a solução ideal, pois ela nasceu de um ativismo judicial que atropelou a vontade popular, manifestada na Lei de Drogas aprovada no Congresso. Uma PEC que criminaliza o porte e a posse de qualquer quantidade de quaisquer drogas está parada na Câmara; por mais que a Constituição não seja o lugar mais adequado para se inserir lei penal, como já afirmamos outras vezes, no momento não parece haver outra opção diante do ativismo judicial pró-entorpecentes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/gilmar-mendes-maconha-usuario-185-gramas/

PGR rejeita delação do ex-presidente do BRB no caso Master

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB – Foto: Lucio Bernardo Jr/Agência Brasília.

A proposta de acordo de delação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Cosa, que se encontra preso no presídio da Papuda, foi formalmente rejeitada pelo procurador Geral da República (PGR), Paulo Gonet.

O chefe da PGR encaminhou sua decisão nesta quinta-feira (25) ao ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, a proposta de Costa não continha informações inéditas e nem indicou “potencial de ressarcimento” dos prejuízos causados ao banco e eventualmente aos cofres públicos.

Coluna Claudio Humberto apontou há quatro dias, em 21 de julho, a fragilidade da proposta de acordo de delação do ex-presidente do BRB e sua provável rejeição.

Gonet considera que uma proposta de acordo dessa natureza deve acrescentar elementos úteis à investigação e contribuir para a produção de provas.

Para o procurador-geral da República, “os tópicos eleitos pelo proponente, ainda que trazidos de forma superficial (dada a ausência de termo de confidencialidade), já permitem a conclusão sobre a ausência de ineditismo, na sua parte mais expressiva”.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/pgr-rejeita-delacao-do-ex-presidente-do-brb-no-caso-master

André Mendonça manda Vorcaro de volta ao presídio

Banqueiro Daniel Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Investigado por supostas fraudes no sistema financeiro no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal desde março deste ano.

A decisão foi tomada após pedido da Polícia Federal para a mudança do local de custódia. Mendonça também rejeitou o pedido da defesa para que a prisão preventiva fosse convertida em prisão domiciliar.

A transferência ocorre em meio à rejeição, pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), da segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. Ao analisar o caso, a PGR manifestou-se contra a concessão da prisão domiciliar e defendeu que caberia ao STF deliberar sobre a eventual transferência de Vorcaro.

Na decisão assinada nesta quinta-feira (25), o ministro determinou que a remoção seja realizada em até 24 horas. “Indefiro o pedido de Daniel Vorcaro de conversão de sua prisão preventiva em custódia domiciliar. Determino a transferência, no prazo de 24 horas, do custodiado Daniel Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal (Papudinha)”, registrou Mendonça. O magistrado também determinou que sejam adotadas medidas para garantir a integridade física do preso e a segurança da operação de transferência.

Tanto a PF quanto a PGR avaliaram que a proposta de colaboração apresentada por Vorcaro não trouxe elementos capazes de impulsionar as investigações. Integrantes da investigação classificaram o material como uma “delação elitista”, por considerarem que as informações fornecidas seriam limitadas, seletivas e, em grande parte, já conhecidas pelas autoridades.

A Procuradoria-Geral da República também concluiu que não houve apresentação de fatos novos relevantes. Segundo relatos de fontes ligadas ao caso, o banqueiro teria recorrido repetidamente à expressão “ouvi dizer” ao mencionar supostas informações, sem detalhar valores ou apresentar elementos concretos que corroborassem suas declarações.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/andre-mendonca-manda-vorcaro-de-volta-ao-presidio

Desafio de Flávio é atrair até quem lhe faz sombra

Senador Flavio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro – Foto: redes sociais.

Não é só Michelle Bolsonaro. Os problemas de Flávio Bolsonaro (PL), que o colocam a dois ou três pontos de Lula (PT), têm a ver com políticos importantes da direita mantidos à distância da pré-campanha. Caso do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e até do governador de São Paulo. Os três, aliás, têm a mesma queixa de hostilidades dos “herdeiros naturais” da dinastia. Até Michelle é tratada como “intrusa”. Os três fazem falta no palanque e isso se reflete nas intenções de voto em Flávio.

Entorno fraco

Presidente de instituto de pesquisa disse à coluna que é o entorno fraco de Flávio e não áudios a Vorcaro que dificultam resultado nas pesquisas.

Olho no futuro

Tarcísio está longe da campanha de Flávio porque precisa cuidar da sua própria. Além disso, ele já pensa em ser eleito presidente em 2030.

Rumo ao Senado

Michelle não se engaja na campanha do enteado porque, sentindo-se excluída, prefere se proteger e cuidar da própria campanha ao Senado.

À distância

Nikolas também foi repelido pelo núcleo duro bolsonarista em razão dos ciúmes do seu protagonismo. Para evitar polêmica, é outro que caiu fora.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/desafio-de-flavio-e-atrair-ate-quem-lhe-faz-sombra

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