Tentativa de investigar Flávio no STF envolve planos para afastar Mendonça do caso

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (Foto: Octavio Guzmán/EFE)

A possível investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Supremo Tribunal Federal (STF), por causa do áudio em que ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse“, envolve a tentativa de direcionar o caso para outro ministro que não seja André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

Um pedido para Alexandre de Moraes assumir o caso foi feito diretamente ao ministro pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). A retirada de Mendonça da relatoria de uma investigação específica sobre o senador também é cogitada pela Polícia Federal.

Em princípio, caberia a Mendonça o papel de relator natural do caso por já conduzir no STF, desde fevereiro, a partir de sorteio, a investigação sobre as fraudes do Banco Master e a corrupção de agentes públicos por Vorcaro. Ele assumiu a relatoria depois que o ministro Dias Toffoli decidiu se afastar da função a partir da revelação de que uma empresa familiar vendeu parte de um resort para um fundo operado pelo Master.

Desde então, a investigação foi ampliada, especialmente a partir da análise dos celulares de Vorcaro apreendidos pela PF. A revelação, no fim de maio, da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro – segundo o senador, para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem a Jair Bolsonaro –, despertou em opositores do senador – que é pré-candidato à Presidência – a pressão para investigá-lo e manchar sua imagem.

Para emplacar Moraes na relatoria de uma possível investigação – que ainda não foi aberta –, Lindbergh pediu para o ministro incluir Flávio num inquérito aberto no ano passado contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que é relatado pelo ministro.

Nesse caso, Eduardo foi denunciado por coação à Justiça por pressionar o governo dos Estados Unidos a sancionar Moraes na Lei Magnitsky. Lindbergh diz que Flávio deve ser investigado nesse inquérito devido à suspeita de que ele teria contribuído para bancar Eduardo com recursos de Vorcaro oficialmente destinados ao filme.

“A linha investigativa se refere a apurar se os valores supostamente destinados ao filme Dark Horse, suposta cinebiografia política de Jair Bolsonaro, serviram, total ou parcialmente, como lastro financeiro, mecanismo de cobertura, instrumento de ocultação ou via indireta de financiamento da campanha internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro no exterior contra o Estado brasileiro, suas autoridades constituídas, seu Poder Judiciário, sua soberania jurisdicional e seus setores produtivos”, diz o pedido de Lindbergh.

Atenta a esse risco, a defesa de Flávio já pediu ao STF suspeição de Moraes para analisar o requerimento do deputado petista. Alegam que o ministro não teria imparcialidade por causa do contrato do escritório de advocacia de sua família com o Banco Master.

“Existe uma relação contratual estabelecida entre o Banco Master e o escritório da esposa do Exmo. Min. Alexandre de Moraes, fato que concretiza proximidade entre Sua Excelência, o Banco Master e Daniel Vorcaro. Essa proximidade pode retirar do magistrado a equidistância que deve manter em relação às partes”, dizem os advogados de Flávio.

Quatro possibilidades estão em análise para investigar relação entre Flávio e Vorcaro

Dentro da Polícia Federal, a relação de Flávio com Vorcaro também despertou a atenção de investigadores. Em entrevista à rádio BandNews, no último dia 9, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação estuda como investigar o caso.

Uma das possibilidades aventadas é pedir ao STF para abrir um inquérito específico sobre o áudio – trata-se de uma terceira hipótese, que poderia levar o caso para um outro ministro, ou seja, nem Mendonça nem Moraes.

A definição do relator dependeria do enquadramento a ser dado ao caso em relação aos fatos já em investigação. Se prevalecer a premissa de que o financiamento de Vorcaro para o filme, a pedido de Flávio, seria o pretexto para comprar influência do senador, o caso poderia, em tese, ser abarcado pela investigação já conduzida por Mendonça.

Se vingar a ideia de associar a relação de Flávio com Vorcaro a um suposto meio de sustentar Eduardo nos EUA, a tendência seria a investigação ficar com Moraes.

A terceira hipótese é desvincular o caso dessas duas linhas de investigação, já abertas, e abrir uma nova, focada em apurar, afinal, o que teria movido Vorcaro a bancar o filme.

Flávio e Eduardo alegam que o interesse era meramente comercial: lucrar com a bilheteria. Mas a PF suspeita que pode haver interesse político, sobretudo em razão dos valores investidos – cerca de R$ 60 milhões, segundo registros contábeis publicados pelo site The Intercept –, daí o interesse em investigar mais a fundo.

Se um inquérito novo e específico for pedido pela PF, sem relação com os demais, um outro ministro, a ser sorteado, pode pegar o caso.

Questionado por Reinaldo Azevedo, na BandNews, sobre essa possibilidade, Andrei Rodrigues sinalizou que sim. Ele contou que a PF também recebeu pedidos externos (representações) para investigar o caso.

“O entendimento da Polícia Federal é de que as representações trazem algumas lacunas, algumas dúvidas, alguns elementos que exigem uma investigação própria, porque muitas vezes podem não se confundir com os casos que estão em andamento”, afirmou o diretor-geral da PF.

Ele disse que essa avaliação foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR) – o órgão também tem a prerrogativa de pedir investigações ao STF contra autoridades com foro privilegiado, como Flávio Bolsonaro.

Rodrigues disse que a abertura de um inquérito específico sobre Flávio e Vorcaro depende agora da PGR. Reiterou que, para a PF, cabe a abertura de uma investigação específica, que poderia ter a relatoria sorteada entre os atuais 10 ministros do STF.

Há, ainda, uma quarta possibilidade, de encaminhar a investigação ao ministro Flávio Dino. Isso porque, neste ano, ele tem buscado apurar se dinheiro de emendas parlamentares foi destinado ao filme.

A suspeita foi levantada pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP) quanto às emendas indicadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP), que é o produtor executivo de “Dark Horse”. Até o momento, no entanto, não há resultados concretos nas requisições de informação assinadas pelo ministro.

De qualquer modo, o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro está numa fase muito inicial. Como nem sequer há um pedido de inquérito, muito menos uma investigação formal em curso, não existe, por ora, perspectiva de algum ato que possa afetar, juridicamente, a candidatura do senador à Presidência.

A medida mais drástica possível – a rejeição de seu registro de candidatura, a ser pedido em agosto – só ocorreria se houvesse uma condenação, algo ainda longe no horizonte de cenários possíveis.

Se um inquérito criminal for de fato aberto, no entanto, o efeito sobre a candidatura seria de imagem, uma vez que recairia uma suspeita mais forte sobre o senador.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/tentativa-de-investigar-flavio-no-stf-envolve-planos-para-afastar-mendonca-do-caso/

Vorcaro pode perder prisão especial na PF e voltar à penitenciária

O empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. (Foto: SAP-SP/EFE)

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes financeiras bilionárias através do liquidado Banco Master, pode perder o benefício da prisão especial na Polícia Federal e voltar ao sistema penitenciário após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria autoridade recusarem a segunda proposta de delação premiada apresentada por sua defesa.

Vorcaro está detido em uma “sala de Estado maior” da Superintendência da Polícia Federal em Brasília com melhores condições e acesso facilitado de seus advogados, mas pode deixar o local a depender de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos referentes ao Banco Master na Corte. A expectativa é de que ele julgue a permanência ou transferência do empresário ainda nesta semana.

Fontes a par da investigação apontam que Vorcaro pode retornar à Penitenciária Federal de Brasília, onde ficou abrigado após a segunda prisão em março, para a chamada Papudinha – que é uma unidade especial no Complexo Penitenciário da Papuda, também na capital – ou, até mesmo, uma outra unidade prisional a depender das condições de segurança.

A decisão da PGR foi tomada nesta segunda-feira (15) e já era considerada provável nos bastidores, depois que a Polícia Federal também apresentou parecer contrário à proposta na semana passada. O entendimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, é de que as informações apresentadas por Vorcaro não trouxeram fatos inéditos capazes de contribuir de forma relevante para o avanço das investigações.

Apuração da Gazeta do Povo com investigadores aponta que o empresário detalhou episódios já conhecidos e relatou relações que teria mantido com autoridades e agentes políticos. Apesar disso, a avaliação dos órgãos responsáveis foi de que os relatos não apresentaram elementos novos que justificassem a abertura de novas linhas de investigação nem vieram acompanhados de provas suficientes para comprovar as alegações.

Em paralelo, a Polícia Federal segue examinando uma grande quantidade de documentos físicos e digitais recolhidos ao longo das oito fases da Operação Compliance Zero. Nos bastidores, integrantes da investigação avaliam que uma colaboração premiada exige não apenas narrativas detalhadas, mas também evidências concretas capazes de confirmar os fatos relatados.

Também houve desconforto entre autoridades por Vorcaro manter a posição de que não praticou irregularidades. Além disso, investigadores teriam identificado dificuldades para comprovar algumas das situações apresentadas pelo empresário, fator considerado essencial para validar qualquer acordo de colaboração.

Do outro lado, interlocutores ligados à defesa sustentam que existe resistência da Polícia Federal e da PGR em relação às negociações. Segundo essas fontes, a segunda proposta rejeitada era mais ampla e aprofundada do que a primeira tentativa de colaboração, igualmente recusada pelas autoridades.

Esses interlocutores afirmam ainda que Vorcaro forneceu informações consideradas relevantes sobre operações financeiras do Banco Master e sobre suas conexões políticas. Eles também alegam que existiriam “interesses atuando para inviabilizar o acordo”, embora a defesa não tenha se manifestado oficialmente sobre o andamento das negociações.

A apuração indica que o empresário relatou repasses financeiros a agentes políticos e autoridades durante as conversas com os investigadores. No entanto, ele nega que essas relações tenham sido utilizadas para obtenção de decisões ou vantagens indevidas, mantendo a tese de que não cometeu atos ilegais.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/vorcaro-perder-prisao-especial-pf-voltar-penitenciaria/

Coluna Esplanada

Os poderosos não querem delação de Daniel Vorcaro

O empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. (Foto: SAP-SP/EFE)

Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, amarrou tão bem sua rede de relações financeiras nos Três Poderes que agora ninguém em Brasília quer sua delação – nem gente poderosa do Congresso, tampouco o Palácio do Planalto (onde respingam seus tentáculos baianos) até em quem mais manda no país hoje, o Judiciário.

Na Polícia Federal, para quem Vorcaro já entregou duas tentativas, nada andou porque falou o que os investigadores já sabem. Ele teria de entregar onde estão boa parte dos R$ 60 bilhões que promete devolver para passar uma temporada mais curta na cadeia. A sensação em Brasília é de desconforto e uma tensão gigante sobre a governabilidade do Brasil – no Legislativo e Judiciário, principalmente. Se a PF ou a PGR aceita a deleção de Vorcaro, o governo para.

Messias em 2027

O que já está acertado no Palácio, sobre a 2ª indicação do AGU Jorge Messias, o Bessias, para o Supremo Tribunal Federal: Lula da Silva só o faz em fevereiro de 2027 caso seja reeleito. Com a caneta de mais quatro anos na mão, o verão será o tempo necessário para abrir o caminho no Senado. Caso Lula perca a eleição, Messias cai junto no ato, e terá de se contentar em ser o único rejeitado pela Casa Alta em 132 anos.

Candidatos de Bolsonaro

Mesmo em prisão domiciliar e com a saúde debilitada, o ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha enviado sinais, quando podia: ele não abre mão das candidaturas ao Senado do filho Carlos em Santa Catarina, da esposa Michelle no Distrito Federal e do deputado Hélio “Negão” em Roraima, mesmo que isso cause perda de apoios locais por palanques antes combinados pelos diretórios regionais.

Alô, Gonet

O deputado Beto Preto (PSD-PR) enviou o Ofício 126/26 da 1ª Secretaria da Câmara à Procuradoria Geral da República/MPF, no qual sugere que o MPF crie Câmaras nas cinco regiões do Brasil “para acompanhamento de concessões de infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária e aeroportuária, vinculadas às regionalizações do Judiciário”. Ou seja, uma lupa maior da Justiça Federal sobre as licitações…

“Jeitinho” que mata

O país do jeitinho mata. O Brasil é um dos que mais tem leis e o que quase nada fiscaliza, em todos os setores da sociedade. A morte da jovem no jump de Limeira (SP), jogada de uma ponte por três incompetentes, e o acidente dos helicópteros no Rio são dois exemplos. Ninguém segue as regras. A ponte estava interditada. Os aparelhos não poderiam fazer táxi aéreo e não tinham plano de voo no controle aéreo.

Terroristas, sim!

Já se passaram 17 dias e a Caema – o Bope da Bahia – não deu uma resposta sequer aos bandidos do CV que controlam Itaporanga, região de Trancoso, e cometeram crime terrível. Numa crueldade sem precedente, mataram com 28 tiros o jardineiro Felipe Ferreira, 34, porque suspeitaram que ele entregou uma “boca de fumo”. Seu corpo foi levado pelos traficantes e encontrado decapitado numa mata cinco dias depois.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/os-poderosos-nao-querem-delacao-de-daniel-vorcaro/

Luciano Trigo

Fuga para o Paraguai: um Brasil que expulsa as próprias indústrias

Lei de Maquila, no Paraguai, simplifica brutalmente o ambiente tributário para indústrias exportadoras. (Foto: Alison Behnke / Wikipédia)

O Brasil vive um processo preocupante e cada vez mais evidente de desindustrialização. Enquanto o governo insiste em discursos sobre crescimento, inclusão social e crescimento econômico, o noticiário aponta para uma realidade bem mais sombria: cada vez mais empresas brasileiras têm migrado suas operações para o Paraguai, em uma busca desesperada por custos menores, regras mais simples e menos burocracia. Não se trata de uma migração ideológica, mas de uma decisão de sobrevivência econômica, diante de um ambiente local cada vez mais hostil para o setor produtivo.

Diversas marcas de peso já aderiram ao movimento. Na área têxtil, gigantes como Riachuelo, Lupo, Fiasul e Karsten transferiram parte de suas operações. Na indústria e metalurgia, Ambev, Tramontina e Marcopolo adotaram estratégia similar. JBS, BRF, Kidy e Oxygroup também estão entre as companhias que já buscaram no Paraguai um ambiente mais favorável para a produção.

O principal atrativo do Paraguai é a chamada Lei de Maquila. Ela simplifica brutalmente o ambiente tributário para indústrias exportadoras: permite importar máquinas e insumos sem impostos, cria um imposto único de cerca de 1% sobre o valor da exportação e concede isenção de Imposto de Renda em determinadas condições.

Enquanto o Paraguai oferece um modelo enxuto e transparente, o Brasil vive sob um sistema tributário fragmentado e cumulativo, com ICMS, IPI, PIS, Cofins, ISS, contribuições previdenciárias e uma infinidade de obrigações acessórias, que transformam qualquer atividade produtiva num campo minado fiscal. É um labirinto que sufoca quem produz, uma selva onde o empreendedor passa mais tempo interpretando regras instáveis do que investindo em inovação e expansão.

Grandes empresas são obrigadas a manter departamentos inteiros para compliance fiscal, enfrentando o risco constante de interpretações divergentes e autuações demoradas. Por sua vez, muitas empresas pequenas e médias simplesmente não suportam o peso da burocracia e fecham as portas, empurrando a economia para o atraso.

O eleitor deve refletir se deseja um Brasil com carga tributária sufocante ou um país que favorece a geração de empregos e o empreendedorismo

Como se não bastasse a alta carga tributária, a insegurança jurídica é outro obstáculo à competitividade. A constante mudança de regras, as diferentes interpretações em cada estado, os julgamentos contraditórios e falta de transparência criaram um ambiente onde ninguém consegue planejar com segurança. Para o investidor, o que importa não é apenas o valor que se paga hoje, mas a certeza do que pagará amanhã, e sob quais condições. O Brasil falha miseravelmente nesse quesito, fazendo com que capitais nacionais e estrangeiros prefiram o Paraguai.

A situação se agrava com os custos trabalhistas. Não se trata de negar direitos que protegem milhões de trabalhadores, mas do descompasso entre esses custos e a produtividade praticada. No Brasil, o salário do empregado é apenas uma fração do custo real para o empregador, que arca com contribuições, encargos, benefícios e obrigações legais pesadíssimas. Isso reduz a competitividade da indústria, encarece a produção e atinge diretamente o mercado de trabalho, dificultando a geração de empregos formais.

Esse cenário vem criando um ciclo perverso: quando fábricas fecham ou migram para o Paraguai, levando empregos, arrecadação e desenvolvimento tecnológico, isso enfraquece as cadeias produtivas e reduz a base tributária – o que, por sua vez, faz crescer ainda mais a pressão para aumento de impostos, ou a necessidade de incentivos, aprofundando a crise.

O Paraguai, apesar de muito menor e menos desenvolvido, compreendeu que para atrair produção é preciso oferecer condições favoráveis concretas. A Lei de Maquila criou o ambiente de negócios que o Brasil insiste em não oferecer: simples, transparente e justo. O resultado é que as empresas podem focar no que realmente importa – produção e competitividade – e não na tentativa constante de driblar a burocracia e o sistema tributário. A lógica é pragmática e eficaz: quem oferece menos custos e mais previsibilidade atrai mais investimentos.

Esse tema deveria estar entre as preocupações do eleitor, que em breve decidirá quem governará a partir de 2027. Ele deve refletir se deseja um país que mantém uma carga tributária sufocante e regulações opressivas ou um país que favorece a geração de empregos e um ambiente favorável ao empreendedorismo. Para o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento e da justiça social, é imperativo acabar com o “dízimo” tributário que penaliza quem arrisca, inova e produz.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luciano-trigo/fuga-para-o-paraguai-um-brasil-que-expulsa-as-proprias-industrias/

Usaid denuncia 101 funcionários da ONU por ajudarem o Hamas no ataque terrorista de 2023

Momeno em que uma jovem israelense era sequestrada por bandidos terroristas do Hamas.

Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) apontou que cerca de 101 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ajudaram o Hamas a executar o ataque terrorista contra Israel em 7 de outubro de 2023, que assassinou mais de 1200 civis, incluindo cinco brasileiros, além de crianças e idosos, e sequestrou 251 pessoas .

A informação foi divulgada no jornal New York Post, apontando investigação do Inspetor-Geral, que é órgão de fiscalização federal. Com base na investigação, o jornal citou nominalmente os funcionários da ONU que se tornaram cúmplices dos terroristas, incluindo diretores de escolas da agência da ONU, professores, seguranças, atendentes, conselheiros psicossociais e profissionais médicos.

Um total de 1.500 funcionários da UNRWA estão sendo investigados, de acordo com o Washington Free Beacon . Um alto funcionário do Departamento de Estado confirmou ao The Post que o número estava correto. Inquéritos anteriores do inspetor-geral constataram que os fundos destinados à agência da ONU podem ter sido desviados para os terroristas em Gaza.

Com isso, a agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina ficará sem qualquer financiamento de ajuda externa dos EUA nos próximos 10 anos. 

O relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Usaid revela que um vice-diretor de escola atuava também como vice-comandante das Brigas al-Qassam, o braço armado do Hamas, enquanto outro era líder de um esquadrão em uma brigada de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Mísseis antitanque

Cinco professores eram militares ou oficiais de inteligência do Hamas e de grupos terroristas aliados, de acordo com as investigações. O documento revela que um deles chegou a levar mísseis antitanque para ajudar o grupo terrorista no atentado.

Neste momento, a “investigação ativa e em curso” do Inspetor Geral da USAID suspendeu ou proibiu 108 indivíduos de participarem dos ataques de 7 de outubro e/ou de terem ligação com o Hamas.

O gabinete do inspetor-geral ampliou sua investigação em março, conforme noticiado inicialmente pelo Post. Fontes já haviam revelado que a investigação do gabinete do inspetor-geral da USAID estava sendo conduzida em paralelo a uma investigação criminal federal sobre os laços do Hamas com a UNRWA.

Financiamento americano

“A prioridade investigativa do Inspetor-Geral da USAID continua sendo garantir que a assistência humanitária financiada pelos EUA em Gaza não caia nas mãos do Hamas e de outras organizações terroristas estrangeiras, impedindo que a ajuda chegue aos civis não combatentes necessitados”, concluiu o resumo da investigação.

“Em apoio a esse esforço, o Escritório do Inspetor Geral da USAID mantém um trabalho investigativo adicional em andamento, com o objetivo de impedir a recirculação de atores ligados ao terrorismo em organizações de ajuda financiadas pelos EUA que operam em Gaza.”

O senador Tom Cotton (republicano do Arkansas), que preside o Comitê de Inteligência na câmara alta, e 24 senadores republicanos pediram ao governo Trump no mês passado que ” desmantelasse completamente a UNRWA ” e a eliminasse do orçamento das Nações Unidas.

Em fevereiro de 2025, o presidente Trump assinou uma ordem executiva retirando o financiamento dos EUA  para a UNRWA, embora  mais de US$ 839 milhões  tenham sido destinados à agência por contribuintes internacionais naquele ano.

O orçamento anual da ONU também destina cerca de 70 milhões de dólares para a agência de ajuda palestina.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/usaid-denuncia-101-funcionarios-da-onu-por-ajudarem-hamas-no-ataque-terrorista-de-2023

Coluna Esplanada

Credcesta do governo petista da Bahia tem muito a explicar sobre o Master

Enquanto governava a Bahia, o petista Rui Costa alterou as regras para a portabilidade de consignados do Credcesta, imobilizando servidores com contratos no Banco Master. (Foto: Henrique Raynal/Casa Civil)

A revista Veja cravou na capa de sábado que o nascedouro nacional do Banco Master – ou seu salto meteórico no sistema financeiro do país – foi o Credcesta do governo da Bahia na gestão do petista Rui Costa, o que a coluna tem citado há meses.

O consignado dos servidores estaduais empurrado pelos gestores, hoje é a maior dor de cabeça do governo Lula da Silva 3, que tenta de todo jeito se dissociar do escândalo do Banco Master, mas tem um pé na raiz do problema que virou o Daniel Vorcaro.

O “banqueiro” do Banco Master entregou o esquema à Polícia Federal e ao MPF, mas o pior ainda está por vir. A PF já mapeia toda a rota do dinheiro, e podem entrar no circuito os R$ 54 milhões em honorários que a banca de Eugênio Kruschewsky  recebeu do Banco Master como seu advogado.

Ecos da guerra

Um professor russo do Instituto de Matemática Pura Aplicada (Impa) do Rio de Janeiro, o matemático Mikhail Verbitskiy, foi preso na quinta-feira (11) no Aeroporto de Zvartnots, na Armênia. Blogueiro crítico do governo de Vladimir Putin e da guerra, ele foi acusado de terrorismo e extremismo pelo Kremlin, sem nenhuma prova ou ato comprovado, e entrou na lista de procurados de Moscou. O Impa soltou nota de repúdio sobre a prisão.

Pátria acolhedora

Os cubanos ultrapassaram os venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil através de Roraima, que faz divisa com a Venezuela. São cerca de 300 entradas por dia pelo programa Acolhida, além de outras centenas que atravessam ilegalmente pela mata. A Folha BV, da capital, revelou que mais de 7,6 mil cubanos solicitaram refúgio de janeiro a fim de abril de 2026. Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigras).

Ibama blindador

Ibama do Distrito Federal continua a blindar o chefe fiscal pré-candidato a deputado federal. O corporativismo político é tamanho que a assessoria se nega a informar à coluna o porquê de multas milionárias a lojistas humildes, e onde estão cocares de índios. Lojistas da Feira da Torre o acusam de truculência e invasão de privacidade para revistar bolsas pessoais. O fiscal foi denunciado à ouvidoria.

Rota do custo

Análise inédita com 53 milhões de transações revela avanço dos deslocamentos profissionais e maior peso da mobilidade na operação das empresas. Levantamento da Vexpenses, da VR, aponta que combustível representa 19% das despesas corporativas no Brasil. A mudança reflete a expansão do trabalho híbrido, com crescimento de equipes de campo, em que deslocamentos ganham mais peso no cotidiano das empresas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/credcesta-governo-petista-bahia-banco-master/

Alexandre Garcia

De Limeira a Brasília: o “jeitinho” brasileiro causa tragédia e corrupção

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é símbolo do “jeitinho” brasileiro. (Foto: Reprodução / Youtube / Esfera Brasil)

Para não dizerem que não falei de Copa, o presidente dos EUA Donald Trump cumprimentou, ainda no sábado, a equipe do New York Knicks pela vitória no torneio da Associação Americana de Basquete, a NBA. A equipe venceu por 94 a 90 o San Antonio Spurs. “Spur” é espora. E “Knicks” é uma referência àquela calça que os holandeses usavam amarrada embaixo do joelho. É o esporte favorito dos Estados Unidos. Nova Iorque parou; não foi por causa do jogo do Brasil do outro lado do rio Hudson, em Nova Jersey, mas por causa da vitória no basquete.

Em 1994, eu estava nos Estados Unidos. Acho que eu estava em alguma cidade das Montanhas Rochosas; sei que era perto do rio Colorado, pois estava descendo de Denver. Paramos bem na hora do jogo decisivo da Copa do Mundo, em que o Brasil sagrou-se tetracampeão contra a Itália. Foi zero a zero, e decidiram nos pênaltis. O Taffarel segurou um lá e ganhamos por 3 a 2. Romário foi um dos grandes nomes daquela Copa, além do Bebeto. Mas eu não conseguia entrar num bar, num restaurante ou numa lanchonete em que o jogo estivesse no telão. O que passava era um jogo de basquete que todo mundo estava vendo, exatamente no dia da final da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Fiquei tão agoniado com aquilo que entrei num hotel e pedi um quarto só para ver o jogo. Terminada a partida, fui embora. Paguei a diária, mas pelo menos compensou, porque o Brasil foi campeão sem fazer nenhum gol em 90 minutos.

Essa é a questão do americano. Essa decisão do basquete foi no Texas. Em 48 minutos – quatro tempos de 12 minutos –, eles vibraram muitas vezes, já que foram 184 pontos: 94 a 90. Enquanto isso, durante 90 minutos em Nova Jersey, foi um ponto de um lado e um ponto do outro. Ficou 1 a 1 entre Brasil e Marrocos. Só para mostrar as diferenças entre os esportes.

O risco do amadorismo e do “jeitinho” brasileiro

Nós estamos num país em que agora se descobre que se rouba até ponte. Houve o furto de uma ponte de ferro feita na Inglaterra. Ocorreu no município de Campos das Vertentes (MG), e a estrutura foi encontrada agora lá na Zona da Mata. Uma empresa a comprou por R$ 700 mil e disse que a adquiriu com nota fiscal, mesmo sendo uma ponte roubada.

Por falar em ponte, tivemos aquela tragédia em outra ponte de ferro, do tempo da Rede Ferroviária Federal, no interior de São Paulo, em Limeira. É a Ponte do Esqueleto, onde faziam aqueles saltos com corda. Jogaram uma estudante de educação física de 21 anos no ar e, simplesmente, esqueceram de prender a corda no equipamento da moça. Uma coisa terrível.

Com exceção do futebol, que é todo profissional e movimenta muito dinheiro, nós somos um país de amadores. Eu já vi fazerem esse tipo de salto no Chile e na África do Sul; lá, o equipamento é checado e rechecado por pessoas diferentes para garantir que está tudo ok antes do salto. Três pessoas estão na prisão por causa disso. Trata-se de um homicídio certamente culposo, mas que é fruto de um total amadorismo. É a pessoa que não aprendeu a fazer, mas se mete a fazer. É o famoso “jeitinho”. Dá-se um jeitinho sempre por aqui.

A falta de ordem nas instituições e o escândalo de Vorcaro

E, por falar em jeitinho, parece que o senador Davi Alcolumbre está envolvido também nos esquemas de Daniel Vorcaro. Vorcaro parece ter lido “Brasil para Principiantes”, de Peter Kellemen, pois chegou aqui e deu um golpe de R$ 6 bilhões enganando as pessoas – afinal, todo mundo gosta de um jeitinho. A capa da revista diz que Vorcaro pagou, no exterior, US$ 30 milhões para Alcolumbre. Isso dá mais ou menos R$ 150 milhões. Ele ganha da família do Moraes. E a revista conta também que, desde o governo de Jaques Wagner na Bahia, com aquele programa Credcesta – ampliado em 2022 por Rui Costa, que também era governador –, Vorcaro foi muito ajudado.

Parece a repetição da história narrada por Peter Kellemen. Ele era um médico húngaro que veio para cá e, na hora de tirar o visto para o Brasil, perguntaram se ele queria atuar como médico. Ele disse que sim, mas informaram que não havia vaga na área; disseram que, se ele declarasse ser agrônomo, poderia entrar. E assim ele entrou no país. É esse o Brasil em que vivemos.

Enquanto isso, o presidente Lula está lá no G7, convidado pelo presidente da França Emmanuel Macron, embora o Brasil não faça parte do grupo. Ele tinha dito que não iria. E como acabou indo, justificou a viagem dizendo que resolveu ir “porque alguém tem que botar ordem na casa”. Meu Deus, é aqui nas três casas – do Executivo, do Legislativo e do Judiciário – que se está precisando de ordem.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/de-limeira-a-brasilia-jeitinho-brasileiro-causa-tragedia-e-corrupcao/

Lúcio Vaz

Dependentes de generais contrários ao golpe de 1964 recebem até R$ 40 mil de indenização por mês

Indenizações destinadas a militares que se opuseram ao golpe na década de 60 são pagas a dependentes até hoje. (Foto: Imagem criada por Gemini IA/Gazeta do Povo)

Enquanto o Congresso Nacional debate a anistia dos manifestantes do 8 de janeiro, os pagamentos da União a anistiados políticos perseguidos pela Ditadura Militar de 1964 somam R$ 473 milhões por ano. Mas quem paga a conta é o contribuinte. As maiores indenizações, em torno de R$ 40 mil, foram pagas a generais que tentaram impedir o golpe militar de 1964.

Os pagamentos devem permanecer por décadas porque, quando o anistiado morre, a pensão fica para os familiares. Entre os anistiados está Luiz Carlos Prestes, principal liderança do Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante longo período. Sua pensão, no valor de R$ 30,8 mil, é distribuída entre quatro dependentes – R$ 8,4 mil para cada um. Ele foi declarado anistiado político post mortem por meio de portaria em julho de 2005.

Anistiado não paga Imposto de Renda

Mais um privilégio: os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, por se tratar de uma indenização. A regulamentação das indenizações aos anistiados foi feita pela Lei 10.559/2002. Mas a anistia veio antes – assinada pelo presidente João Batista Figueredo, em 28 de agosto de 1979, no período da “Abertura Democrática”, quando os anistiados já começavam a volta do exílio.

Atualmente, 2.928 militares anistiados e seus dependentes recebem R$ 39,4 milhões por mês. Os anistiados da Aeronáutica recebem R$ 20,3 milhões por mês, os beneficiados da Marinha levam mais R$ 14,5 milhões e os militares do Exército mais R$ 4,6 milhões.

À vista ou em prestações

Em abril, foram pagos ainda mais R$ 2,2 milhões em prestação única a 44 beneficiados. Nove deles levaram R$ 100 mil cada um. Os dados foram apurados a partir da folha de pagamento dos anistiados das três armas em abril deste ano.

A Lei da Anistia declarou anistiados políticos aqueles que, de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, por motivação exclusivamente política, foram atingidos por atos institucionais ou de exceção; punidos, demitidos ou afastados das atividades remuneradas que exerciam; demitidos do serviço público, de fundações públicas, empresas públicas ou estatais.

Os maiores pagamentos

Um dependente do general-de-brigada do Exército, Euryale Zerbini recebeu R$ 40 mil de prestação mensal em abril deste ano. Ele tentou evitar o golpe militar. Na noite de 31 de março de 1964, o general foi acionado pelo chefe do Gabinete Militar da Presidência, general Assis Brasil, que tentava enfrentar as tropas sob comando do general Olímpio Mourão Filho, em marcha de Juiz de Fora (MG) até o Rio de Janeiro, para derrubar o governo João Goulart. Mas o presidente não quis o choque militar e foi para o Uruguai. Zerbini foi preso e reformado.

Os militares assumiram o poder, Assis Brasil foi transferido para a reserva e teve os direitos políticos suspensos por dez anos. Acompanhou Goulart no exílio. Em outubro de 1980, foi anistiado e reformado com remuneração de general-de-exército. Morreu em 1982. Um dependente do general-de-brigada Argemiro de Assis Brasil recebeu R$ 39,5 em abril deste ano.

O contra-almirante José de Araujo Goyano recebeu a maior indenização entre os anistiados da Marinha – atualmente R$ 39.946 mil, paga a terceiro em prestação mensal. Ele mantinha ligações com políticos e militares de esquerda e sindicalistas. Ligado à João Goulart, foi nomeado diretor do Lloyd Brasileiro. Teria distribuído fuzis a bombeiros em 31 de março de 1964. As informações constam de denúncia da Procuradoria-Geral da Justiça Militar e de Inquérito Policial-Militar de 1964. A maior indenização na Aeronáutica beneficiou Márcio de Lima Araújo – R$ 36,4 mil –, paga a dependentes.

Guerrilheiros invadiram o país de táxi

Dois dependentes de Jefferson Cardim Osório, coronel do Exército anistiado, receberam R$ 16,6 mil cada em prestação única. Um terceiro recebeu R$ 100 mil. Cardim Osório era diretor-técnico do Lloyd Brasileiro em Montevidéu quando ocorreu o golpe militar de 1964. Foi transferido para a reserva e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos.

Cardim teria apresentado a João Goulart e Leonel Brizola planos de movimentos armados que serviriam de estopim para um levante popular contra o novo governo militar.

Sem o apoio dos dois, em março de 1965, Jefferson Osório atravessou a fronteira do Brasil com o Uruguai em Livramento (RS), com apenas 23 homens, pouco dinheiro e armamento precário. Seguiram para o norte do estado de táxi. Em Tenente Portela (RS), tomaram o destacamento local e pegaram armas. No Paraná, nas proximidades de Capitão Leônidas Marques, foram cercados e capturados pelo Exército.

Osório retornou ao Uruguai em setembro de 1970 para buscar a família, mas foi preso. Passou por vários presídios, incluindo o de Ilha Grande, até ser libertado em novembro de 1977.  Beneficiado pela Lei da Anistia de 1979, Osório foi readmitido em março do ano seguinte na reserva remunerada do Exército. Morreu no Rio de Janeiro, em janeiro de 1995.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/anistiados-politicos-familiares-custam-meio-bilhao-ano/

Luís Ernesto Lacombe

Brasil é “pária internacional” graças a Lula e Moraes

Lula e Alexandre de Moraes vêm desmoralizando o Brasil no exterior. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na época do governo Bolsonaro, diziam que o Brasil tinha se tornado um “pária internacional”. Com base em quê? Apenas no desejo de que o presidente fosse um desmiolado que desconsiderava a geopolítica e o correto posicionamento do Brasil no mundo. E seus atos eram absolutamente corretos. Ele defendia os interesses comerciais do nosso país, separando-os devidamente das questões políticas e ideológicas. Com o parceiro Paulo Guedes, lutava para implementar a liberdade econômica. E rechaçava as ditaduras, e se aproximava dos Estados Unidos, do Ocidente, das maiores democracias do mundo. Isso tudo sem deixar de denunciar no exterior a tirania engendrada pelo Supremo Tribunal Federal. Se contra Bolsonaro proliferavam as acusações levianas, com Lula no poder – e razões óbvias para afirmar que o Brasil está do lado errado do mundo –, o que se tem? Leniência, cumplicidade ou silêncio.

No terceiro mandato e com a intolerância multiplicada pela idade avançada, Lula não tem mais vergonha de se assumir comunista, mesmo que tente suavizar a questão em época de campanha… Ele continua fiel ao Foro de São Paulo, que criou com Fidel Castro. Estará sempre ao lado da ditadura cubana, de gente como Nicolás Maduro, Daniel Ortega, Gustavo Petro, Evo Morales… Vive declarando amor ao Partido Comunista Chinês e continua empenhado em entregar de vez o Brasil aos herdeiros de Mao Tsé-tung. Não cansa de se indispor com Israel, de defender a ditadura teocrática do Irã, grupos terroristas do Oriente Médio e do Brasil. Como se PCC e CV fossem um produto nacional da melhor qualidade e devessem ser incentivados a ganhar espaço mundialmente. Dessa forma, Lula, conscientemente, procura uma reação dos Estados Unidos, para tirar algum proveito eleitoral dela. E xinga o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e também, por tabela, Donald Trump…

Aqueles que se dizem heróis do Brasil – principalmente ministros do STF e Lula – são os grandes vilões da história recente do nosso país

É preciso ser muito desapegado dos fatos, do mundo real, muito enviesado para não ter noção disso tudo. Lula é Lula, e só se engana sobre ele quem é igualmente desonesto, ou cúmplice direto ou indireto das atrocidades que o petista pratica. Não importa se a pessoa nasceu e vive a milhares de quilômetros do Brasil, não há distância física capaz de mudar a imagem do ex-sindicalista. Um mínimo de informação e senso crítico confirmará a qualquer um: Lula é um desastre nacional e internacional. Só que ainda há muitos desavisados pelo planeta que não puderam até agora entender uma figura que foi fundamental para que o petista levasse a eleição de 2022. Um sujeito que, à frente do Tribunal Superior Eleitoral, transformou aquele pleito num jogo de cartas marcadas. Alguém que desrespeita a Constituição, que pratica abusos, arbítrios e ilegalidades, jurando que está “defendendo a democracia”. Felizmente, depois dos Estados Unidos e da Espanha, a Itália torna-se mais um país a reconhecer que Alexandre de Moraes tem culpa no cartório, e muita.

O ministro já tinha feito de tudo para extraditar Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio para o Brasil. E fracassou. Agora sofreu nova derrota, na sua perseguição a Carla Zambelli, que se mudou para a Itália em junho do ano passado. No último dia 22 de maio, a Justiça italiana anulou o processo de extradição da ex-deputada federal. E os termos da decisão, finalmente divulgada, expõem o verdadeiro Alexandre de Moraes. Ele é “parcial”, sendo “parte interessada” no processo, tendo, portanto, “convicções pré-constituídas”, o que o leva a agir com má-fé. Em suma, suas ações são repletas de vícios. Uma Justiça de verdade não tem como reconhecer de outra forma o ministro do Supremo. E que isso sirva de exemplo para os brasileiros que ainda acreditam nas historinhas daqueles que se dizem heróis do Brasil – principalmente ministros do STF e Lula – e são os grandes vilões da história recente do nosso país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/lula-alexandre-de-moraes-brasil-paria-internacional/

Copa não pode nos fazer esquecer do Master e dos R$ 129 milhões

Mais que torcer para a seleção, eles torcem para que o brasileiro se esqueça deles, ao menos por um mês. (Foto: ChatGPT sobre foto de Albino Oliveira/Ascom MDA)

https://youtu.be/A_xsfOksXqw?si=TfyHaQ4QWyuUJCuZ

Na tarde desta quinta-feira, México e África do Sul deram o pontapé inicial na Copa do Mundo, e todo brasileiro sabe o que isso significa: a partir de agora, boa parte da população dividirá sua atenção entre as preocupações habituais da vida e o evento que, independentemente da qualidade do futebol da seleção, se empolgante ou modorrento, mobiliza o país de norte a sul, de leste a oeste. É natural que, por alguns dias, as conversas, as manchetes e as redes sociais sejam ocupadas pelos jogos, pelas seleções e pela esperança de ver o Brasil fazer uma grande campanha. E não há nada de condenável nisso, pois uma sociedade não vive apenas de política.

No entanto, há uma diferença crucial entre permitir que certos assuntos saiam temporariamente do centro das atenções e deixar que sejam esquecidos. Esta reflexão se torna necessária porque a recente nomeação de Renata Gil, atual namorada do ministro do STF Dias Toffoli, para um cargo de direção no Tribunal Superior Eleitoral, agora presidido pelo também ministro do Supremo Nunes Marques, reacende um tema que jamais deveria sair completamente do radar dos brasileiros: a necessidade de permanente vigilância daqueles que exercem os mais altos cargos da República.

A nomeação preocupa não porque a indicada careça das qualificações necessárias para seu cargo; a bem da verdade, o âmago da questão nem sequer é esta escolha específica, mas o fato de este caso reforçar o fato de que democracias saudáveis dependem de uma cultura de vigilância institucional, da disposição de fazer perguntas legítimas, mesmo quando elas são desconfortáveis. Democracias fortes não permitem que os eventos e controvérsias do momento, de que natureza forem, façam desaparecer do horizonte os temas que dizem respeito aos próprios fundamentos da vida pública e da normalidade democrática. Isso nos remete a um dos grandes escândalos recentes de um país que não sofre escassez desse tipo de notícia: o caso envolvendo o Banco MasterDaniel Vorcaro e ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes.

Com ou sem Copa, é obrigação do Congresso convocar Moraes e sua esposa para prestarem esclarecimentos públicos sobre sua relação com Daniel Vorcaro e sobre o contrato de R$ 129 milhões

A descoberta de uma minuta de um contrato de R$ 50 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro – que, recorde-se, já haviam firmado um contrato de exorbitantes R$ 129 milhões, valor muito superior ao cobrado pelas melhores bancas do país – é algo que não pode ser rapidamente enterrado pela euforia com a Copa do Mundo. As explicações oferecidas até o momento para o contrato multimilionário são patentemente insuficientes, e o pior que poderia ocorrer no momento seria que parássemos de fazer as questões que importam.

A história recente do país mostra por que esse contrato não é algo sem importância. No período imediatamente posterior à aprovação da Constituição de 1988, com base no princípio da moralidade da administração pública, inserido no artigo 37 da nossa Carta Magna, o Brasil travou uma importante batalha moral e institucional contra uma prática concreta de patrimonialismo: o nepotismo. A lógica que guiava tal batalha é evidente: a confiança pública exige mais que a ausência de corrupção comprovada – exige também a ausência de situações que gerem dúvidas razoáveis sobre a imparcialidade, a independência e a impessoalidade das instituições. Há condutas que não precisam ser necessariamente criminosas para serem inadequadas, e situações que não precisam resultar em condenações penais para exigir explicações. Essa compreensão fortaleceu, por um tempo, a cultura da aversão aos conflitos de interesse, e fomentou a cultura das suspeições, dos impedimentos e dos deveres de transparência. O Brasil amadureceu institucionalmente ao compreender que certas situações simplesmente exigem explicações, podem caracterizar ilícitos administrativos, ou até mesmo levar a punições políticas, como o impeachment.

Com ou sem Copa do Mundo, é obrigação do Senado, ou mesmo da Câmara dos Deputados, convocar Moraes e sua esposa, Viviane Barci, para prestarem esclarecimentos públicos sobre sua relação com Daniel Vorcaro e sobre o contrato celebrado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Que justificativa econômica plausível explica um contrato dessa magnitude? Como se chegou a esses valores? Que serviços efetivamente foram prestados? Por que um empresário decidiria desembolsar cifras tão extraordinárias? Não é razoável imaginar que um profissional sério aceite receber valores muito acima daqueles normalmente praticados no mercado sem ao menos questionar as razões dessa diferença – sobretudo quando o contratante possui interesses evidentes na esfera pública e mantém relações com autoridades bastante poderosas, e de quem o profissional contratado é muito próximo.

Isso basta em um primeiro momento: a solicitação de esclarecimentos, nada mais que isso. As perguntas que acabamos de listar são legítimas, normais e razoáveis – mais que isso, são perguntas que seriam feitas a qualquer cidadão, a qualquer empresa e a qualquer agente público em situações semelhantes. Por muito menos que R$ 129 milhões (ou mesmo R$ 50 milhões), pessoas físicas e jurídicas são chamadas a explicar movimentações consideradas atípicas. Por que deveria ser diferente quando as dúvidas recaem sobre integrantes da mais alta corte do país? Quanto maior a relevância dos fatos, maior deve ser a exigência de transparência.

No entanto, o que se percebe hoje é uma perigosíssima combinação entre silêncio institucional, mordaça e conformismo. Recorde-se, a esse respeito, o ocorrido com os senadores Alessandro Vieira e Eduardo Girão, que tentaram fazer as perguntas necessárias, mas não tiveram apoio de seus pares; imediatamente depois da rejeição do relatório da CPMI do INSS, Vieira foi alvo de medidas intimidatórias por parte do STF, como se determinadas perguntas não pudessem ser feitas, como se determinadas autoridades não devessem explicações, como se o simples exercício da fiscalização democrática fosse uma afronta às instituições.

Igualmente desproporcional e absurdo é o empenho da Procuradoria-Geral da República em caçar o autor dos vazamentos que levaram o Brasil a saber do contrato de R$ 129 milhões, ao mesmo tempo em que o teor do contrato propriamente dito é ignorado pelo procurador-geral Paulo Gonet. O padrão repete o que ocorreu em outro caso, o da perseguição contra Eduardo Tagliaferro. A pessoa que forneceu informações de interesse público foi perseguida, enquanto o teor das revelações, gravíssimas, não suscitou um levantar de sobrancelhas da PGR, que inclusive arquivou o pedido de investigações a respeito do caso.

Que o brasileiro acompanhe a Copa do Mundo, mas sem se esquecer de tudo o que está em jogo até as eleições

Em resumo, as autoridades não se explicam, perseguem quem expõe os fatos e ousa fazer as perguntas necessárias, e a sociedade e os formadores de opinião vão se anestesiando, seja por receio, por cansaço… ou por estarem distraídos com outros temas, como a Copa do Mundo. Não queremos dizer com isso que a autoblindagem suprema não desperte críticas; elas existem, mas infelizmente ainda são poucas, na quantidade e na intensidade, um reflexo do clima geral de censura instituído pelo STF nos últimos anos.

Felizmente, as investigações conduzidas pela Polícia Federal continuam, e o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, precisará de todo o apoio da sociedade nas difíceis decisões que terá pela frente, e que exigirão coragem. Outras instituições da República ainda podem despertar a começar a exercer sua obrigação constitucional de controlar e fiscalizar o Supremo.

Que o brasileiro acompanhe a Copa do Mundo, torcendo pela seleção, aproveitando os momentos de descanso e celebrando o que nos une como povo, mas sem se esquecer de tudo o que está em jogo até as eleições. O retorno à normalidade institucional, o fortalecimento do Estado de Direito e a reconstrução da confiança pública dependem de cidadãos que sabem olhar para os acontecimentos do presente sem perder a memória dos temas que realmente importam, que sabem distinguir o que é passageiro do que é estrutural.

O caso Banco Master não é apenas um teste para Alexandre de Moraes. É um teste para o Congresso, para as instituições encarregadas da fiscalização pública, e para a capacidade da sociedade brasileira de continuar fazendo perguntas legítimas, mesmo quando outros assuntos ocupam as manchetes.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/copa-do-mundo-distracao-banco-master-alexandre-de-moraes/

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