Lula insulta o RJ e deputados reagem com indignação

PLula (PT) – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e lideranças políticas fluminenses emitiram fortes posicionamentos em resposta às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorridas durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. 

Em seu discurso, o chefe do Executivo federal associou uma eventual escolha do parlamento estadual para o governo do estado à ascensão de um integrante de milícias, além de cobrar ações punitivas do governador em exercício.

Em nota oficial, o Poder Legislativo fluminense repudiou as afirmações e classificou como “inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos”. 

A instituição ressaltou que as declarações estimulam a divisão política em um momento que exige equilíbrio, responsabilidade e união institucional. 

O comunicado da Casa também apontou que os gargalos na segurança pública decorrem, em grande parte, da ausência de políticas nacionais coordenadas e eficazes no combate ao tráfico de armas e ao crime organizado nas fronteiras nacionais.

O presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), utilizou suas redes sociais para rebater as declarações de forma direta. 

Ruas criticou o tom generalista do presidente da República e afirmou que o mandatário desrespeitou a população do estado. 

O parlamentar também relembrou o histórico de declarações flexíveis de Lula em relação à criminalidade (citando episódios em que criminosos são tratados como “vítimas da sociedade”), argumentando que o governo federal carece de autoridade moral para dar lições sobre o enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro.

No plano federal, deputados da bancada fluminense reforçaram o coro de contestação. 

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou solidariedade aos deputados estaduais e ao presidente da Alerj. 

Ele defendeu a legitimidade democrática dos mandatos dos deputados estaduais, obtidos por meio do voto popular, e argumentou que a fala presidencial representou um ataque frontal às instituições legislativas e à própria democracia.

O pano de fundo do embate envolve a disputa pelo comando do Poder Executivo fluminense, atualmente sob a liderança interina do desembargador Ricardo Couto. 

O magistrado assumiu o cargo após a vacância gerada pela saída de Cláudio Castro (PL) e do vice-governador. 

A linha sucessória estadual e o formato de escolha do novo governador-tampão até o fim do mandato de 2026 dependem de definições jurídicas do Supremo Tribunal Federal (STF), o que suspendeu temporariamente as tratativas internas da Alerj para a realização de uma eleição indireta.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/lula-ataca-rio-de-janeiro-e-legislativo-reage-com-forca

Governo vê chance de 6×1 emperrar no Senado

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e Congresso- Foto: Carlos Moura/ Agência Senado.

A semana começou, no governo, com a certeza de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai pisar no freio da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode acabar com a jornada de trabalho de 44 horas semanais, a escala 6 por 1. Com as festas de São João que esvaziam o Congresso, recesso de meio de ano e as eleições, a aposta é que o senador só coloque o item para votação após o período eleitoral, ou seja, com sorte, novembro ou dezembro.

Nem convidou

Lula parece ter esquecido que o Congresso é bicameral e ignorou a existência de Alcolumbre na reunião de ontem (25), no Planalto.

Fogo baixo

Alcolumbre não deve atuar ativamente contra a PEC, mas o texto deve seguir o fluxo normal. Sem pressa, por exemplo, para escolher relator.

Falta consenso

Outro ponto é que o texto deve sofrer alterações no Senado. O prazo de transição para alteração é ponto de divergência entre parlamentares.

Cabeça de bacalhau

Na Câmara, Hugo Motta (Rep-PB) acelerou o projeto e até marcou sessões deliberativas às sextas-feiras, coisa raríssima na Casa.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-ve-chance-de-6×1-emperrar-no-senado

Governo vê chance de 6×1 emperrar no Senado

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e Congresso- Foto: Carlos Moura/ Agência Senado.

A semana começou, no governo, com a certeza de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai pisar no freio da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode acabar com a jornada de trabalho de 44 horas semanais, a escala 6 por 1. Com as festas de São João que esvaziam o Congresso, recesso de meio de ano e as eleições, a aposta é que o senador só coloque o item para votação após o período eleitoral, ou seja, com sorte, novembro ou dezembro.

Nem convidou

Lula parece ter esquecido que o Congresso é bicameral e ignorou a existência de Alcolumbre na reunião de ontem (25), no Planalto.

Fogo baixo

Alcolumbre não deve atuar ativamente contra a PEC, mas o texto deve seguir o fluxo normal. Sem pressa, por exemplo, para escolher relator.

Falta consenso

Outro ponto é que o texto deve sofrer alterações no Senado. O prazo de transição para alteração é ponto de divergência entre parlamentares.

Cabeça de bacalhau

Na Câmara, Hugo Motta (Rep-PB) acelerou o projeto e até marcou sessões deliberativas às sextas-feiras, coisa raríssima na Casa.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-ve-chance-de-6×1-emperrar-no-senado

Compliance Zero: PF cumpre mandado na casa da Cláudio Castro

Ex-governador do RJ, Cláudio Castro. (Foto: Reprodução/Redes Sociais/Acervo Pessoal).

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero para apurar a possível prática de crimes financeiros no âmbito do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – Rioprevidência.

Na ação de hoje, policiais federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no Rio de Janeiro/RJ e em Brasília/DF.

A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024.

Nesta fase, apura-se aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.

Um dos alvos da operação é o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A PF está na casa do político e cumpre mandado de busca e apreensão

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/complice-zero-pf-cumpre-mandado-na-casa-da-claudio-castro

6×1: Motta e Lula chegam a ‘acordo dos desesperados por votos’

Deputado Hugo Motta (Rep-PB), presidente da Câmara – Foto: Marina Ramos/Agência Câmara

Lula (PT) e Hugo Motta (Rep-PB), desesperados para melhorar posição nas pesquisas, combinaram nesta segunda-feira (25) o “acordo possível”, espécie de “acordo dos desesperados” por votos ou para melhorar nas pesquisas eleitorais, para aprovar o fim da escala 6×1, ignorando completamente os reflexos da medida no emprego e para os trabalhadores. Candidato à reeleição, Motta busca viabilizar o apoio de Lula à campanha para o Senado do seu pai, Nabo Wanderley, daí sua subserviência ao Palácio do Planalto, enquanto o petista tenta superar a barreira da reprovação maior que a aprovação do seu governo.

A medida vem sendo considerada irresponsável por especialistas como o professor José Pastore, advertindo graves consequências para as classes trabalhadoras, e as previsões de redução dos postos de trabalho ao menos em 10% e o repasse dos custos das empresas para os consumidores, ou sejam, os trabalhadores de uma maneira geral.

Motta disse que a proposta de fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga) deve prever a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, e um período de transição de um ano. Segundo ele, o texto também deve estabelecer uma implementação escalonada em termos de horas trabalhadas, com redução inicial de duas horas após 60 dias da promulgação da PEC e mais duas horas ao fim de 12 meses. “Começamos essa discussão com questões que são inegociáveis e chegamos ao final desse trabalho com esses pilares bastante consolidados e mantidos”, disse.

Segundo ele, o texto do relator, que lhe é obediciente, deve prever a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. “O primeiro ponto, tratando da redução da jornada de trabalho. Estamos garantindo que iremos reduzir de 44 horas para 40 horas semanais. Isso estará no texto do relator”, afirmou.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/uncategorized/6×1-motta-e-lula-chegam-a-acordo-dos-desesperados-por-votos

Advogado de Trump questiona AGU sobre ação contra Moraes: “Se seguiu a lei, é só comparecer e dizer isso”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes (Foto: André Borges/EFE)

O advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma de vídeos Rumble, questionou nesta terça-feira (26) a Advocacia Geral da União (AGU) a respeito da posição da instituição sobre o processo que as duas empresas apresentaram contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na Justiça dos Estados Unidos.

De Luca, que no domingo (24) havia anunciado no X que Moraes foi notificado por e-mail sobre a ação, fez novos comentários sobre o caso em um post na mesma rede social.

“Desde fevereiro de 2025, as autoridades brasileiras vêm afirmando estar prontas para defender o ministro Alexandre de Moraes no caso Rumble/Trump Media nos Estados Unidos”, escreveu o advogado, citando notícias veiculadas à época da apresentação do processo que afirmavam que a AGU estaria disposta a fazer a defesa do juiz.

“A AGU declarou que agiria, que estava coordenando ações com a assessoria jurídica americana e preparando os documentos necessários. O caso então se arrastou por 460 dias sem que ninguém comparecesse ao tribunal”, afirmou De Luca.

“Em vez disso, as instituições brasileiras se empenharam ao máximo para impedir a citação ordinária [do juiz] por meio da Convenção de Haia. E agora, após um juiz federal americano autorizar a citação por e-mail, um grupo de autoridades brasileiras repentinamente classifica o ocorrido como uma crise diplomática. Por que foi preciso chegar a esse ponto?”, acrescentou o advogado.

De Luca mencionou reportagens veiculadas pela imprensa brasileira nesta segunda-feira (25), que apontaram que o STF, a AGU e o Ministério da Justiça estariam se articulando para buscar uma “saída jurídica” diante da notificação a Moraes.

“Se a posição do Brasil é de que o ministro Moraes agiu dentro da lei, em conformidade com suas atribuições e com as leis americanas e brasileiras, bem como com tratados internacionais, o caminho seria simplesmente comparecer ao tribunal americano e afirmar isso”, afirmou o advogado.

“O que é mais difícil de explicar é: por que anunciar durante 15 meses que o Brasil defenderia Moraes, depois recusar-se a comparecer quando a defesa era de fato necessária e agora tratar uma intimação judicial como um incidente diplomático internacional?”, concluiu De Luca.

Gazeta do Povo solicitou à AGU um posicionamento sobre os comentários do advogado, mas ainda não obteve resposta. Esta reportagem será atualizada caso haja retorno.

Rumble e Trump Media ingressaram no ano passado com um processo contra Moraes na Justiça americana, alegando que medidas do ministro do STF relativas à plataforma de vídeos seriam ilegais pela legislação americana.

A Trump Media faz parte da ação porque o Rumble fornece serviços de nuvem para a Truth Social, principal produto da empresa de mídia do presidente americano, Donald Trump.

No post de domingo em que anunciou que Moraes havia sido notificado, De Luca anexou um print do e-mail enviado ao juiz brasileiro, no qual este foi informado que deve responder à petição inicial dentro de 21 dias e que será julgado “em provimento ao exigido na petição inicial” caso não dê retorno.

Na sexta-feira (22), a Justiça Federal da Flórida, onde o processo tramita, havia autorizado as empresas a notificarem Moraes por e-mail.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/advogado-trump-questiona-agu-sobre-acao-contra-moraes/

Cláudio Castro é alvo novamente da PF por aplicar R$ 3 bi da Riopreviência no Master

Oitava fase da Op. Compliance Zero apura influência de Castro na aplicação de recursos da previdência fluminense em papéis podres do Master. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) é novamente alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira (26), desta vez por suspeitas de influenciar a aplicação de R$ 3 bilhões da Rioprevidência no Banco Master. Esta é a segunda vez em uma semana que o político recebe a visita dos agentes da autoridade em sua residência no Rio de Janeiro.

Os mandados contra Castro fazem parte da 8ª fase da Operação Compliance Zero e foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos referentes ao Master na Corte. Ao todo, a ação cumpre dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília.

“A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta fase, investiga-se aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência”, explicou a Polícia Federal em nota.

O advogado de Castro, Carlo Luchione, afirmou que o ex-governador acompanhava as buscas “com serenidade”, segundo declarou ao G1.

Aplicações da Rioprevidência no Master

As primeiras apurações da Polícia Federal, no ano passado, apontavam a aplicação de R$ 970 milhões em recursos da previdência dos servidores do Rio de Janeiro em papéis do Banco Master entre os meses de outubro de 2023 e julho de 2024. No entanto, com o aprofundamento da investigação, a autoridade descobriu que mais R$ 2 bilhões foram investidos na instituição a partir de julho de 2024.

A Rioprevidência gere os benefícios de cerca de 235 mil servidores aposentados e pensionistas do estado. A Polícia Federal suspeita que os investimentos foram feitos mesmo sob alertas de órgãos de controle. Em fevereiro, o então presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso durante a segunda fase da Operação Barco de Papel, que gerou o desdobramento da Compliance Zero nesta terça-feira (26).

A aplicação bilionária da Rioprevidência no Banco Master também aumentou a pressão política na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em que o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ) anunciou ter conseguido assinaturas para abrir uma CPI destinada a investigar os investimentos do governo estadual na instituição financeira, embora a comissão ainda não tenha sido instalada.

Dados apresentados na Alerj indicam que o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master e outros R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira. Parlamentares afirmam que parte dessas operações ocorreu mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que teria determinado a suspensão de novos aportes do fundo previdenciário no banco.

Segundo Flávio Serafini, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) também realizou aplicações financeiras no Banco Master. Os investimentos da estatal somariam cerca de R$ 200 milhões.

Segunda operação contra Castro

Na semana passada, Cláudio Castro foi alvo da Operação Sem Refino por suspeita de participação em um esquema de sonegação de impostos e de tratamento privilegiado ao empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit – Refinaria de Manguinhos, e considerado o maior devedor de impostos do país com um passivo de R$ 52 bilhões.

O não pagamento de tributos fazia parte da estratégia de negócios do empresário e, segundo a Polícia Federal, contava com a anuência de servidores do governo fluminense, principalmente da Secretaria de Estado da Fazenda. A autoridade chegou a classificar o órgão como uma “extensão da estrutura empresarial” da Refit.

“Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro regimento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, escreveu a Polícia Federal no relatório enviado a Mendonça.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/castro-alvo-pf-aplicar-3-bi-riopreviencia-master/

PF investiga como funcionava esquema da Rioprevidência com o Banco Master

Sede do Banco Master, em São Paulo, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

investigação da Polícia Federal sobre os investimentos da Rioprevidência no Banco Master revelou um mecanismo que, segundo os investigadores, colocou pelo bilhões de reais do fundo previdenciário dos servidores estaduais em ativos de alto risco e baixa transparência. A suspeita é de que aplicações financeiras tenham sido feitas mesmo diante de alertas técnicos sobre a fragilidade dos papéis adquiridos e da situação financeira da instituição.

Do que se sabe até o momento sobre as investigações que levaram às operações Compliance Zero e Barco de Papel, a Rioprevidência aplicava recursos em títulos emitidos pelo Banco Master, principalmente Letras Financeiras que não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), produtos usados por bancos para captar dinheiro no mercado. Em troca, o fundo recebia a promessa de retornos muito acima da média praticada por instituições financeiras tradicionais.

Inicialmente, a Rioprevidência havia informado que os investimentos no Banco Master somavam R$ 970 milhões. Mas, com a deflagração da operação desta terça-feira (26), se descobriu um montante ainda maior chegando a R$ 3 bilhões.

Na prática, o modelo funcionava como uma troca de dinheiro imediato por uma promessa futura de pagamento acrescida de juros elevados. O problema, segundo a investigação, é que parte desses ativos tinha baixa liquidez, dificuldade de revenda e dúvidas sobre a qualidade dos créditos usados como garantia das operações.

Investigadores suspeitam que o Banco Master utilizava a entrada constante de novos recursos para sustentar compromissos antigos e manter a operação financeira funcionando. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o banco dependia de uma espécie de “rolagem permanente” de capital, captando dinheiro de fundos públicos e institutos de previdência para alimentar sua estrutura financeira.

A Polícia Federal também tenta esclarecer se houve influência política do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) para viabilizar os aportes e favorecer o Banco Master com os investimentos da Rioprevidência – a autarquia gere aposentadoria e pensões de cerca de 235 mil servidores fluminenses. Até o momento, não há condenação, e os investigados negam irregularidades.

“O valor efetivamente investido [no Master] foi de aproximadamente R$ 970 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”, disse a Rioprevidência após as primeiras operações.

Outro ponto analisado pela Polícia Federal é a forma como os investimentos eram aprovados internamente, em princípio ignorando pareceres técnicos e alertas sobre o risco elevado dos papéis ou relativizados para permitir as operações. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e órgãos de fiscalização financeira acompanham o caso.

Em meados de 2024, o órgão apontou que cerca de 25% dos recursos da Rioprevidência – o equivalente a R$ 2,6 bilhões – foram aplicados em papéis do Master.

A preocupação central dos investigadores é que recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos tenham sido expostos a um risco incompatível com a finalidade previdenciária do fundo. Em casos assim, a legislação prevê que aplicações priorizem segurança, liquidez e baixo risco, justamente para evitar perdas que comprometam o pagamento futuro de benefícios.

A Rioprevidência afirmou em manifestações anteriores que as operações seguiram critérios legais e técnicos e que medidas judiciais foram adotadas para preservar o patrimônio do fundo.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pf-como-funcionava-esquema-rioprevidencia-banco-master/

Coluna Esplanada

Novos escritórios do Coaf vão mirar lavagem de dinheiro

Ricardo Saadi, presidente do Coaf. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vai abrir escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu (PR) este ano, para aumentar a fiscalização e o combate à lavagem de dinheiro. A revelação foi feita pelo presidente do órgão, delegado federal Ricardo Saadi, no Fórum Esfera do Guarujá (SP) no sábado.

“O Coaf recebe 30 mil comunicações por dia sobre movimentações suspeitas; são 7,5 milhões por ano”, pontuou Saadi, que emendou com o que as autoridades já sabem sobre o modus operandi das facções criminosas: “A partir da pandemia do Covid, o que antes era feito para lavar dinheiro, hoje é usado para diversificar investimentos”, ou seja, em negócios legais.

Saadi, que assumiu o Coaf há um ano, egresso da diretoria de combate à corrupção da Polícia Federal, tem buscado parcerias com o setor privado, como a Febraban, para criar instrumentos com tecnologia necessária para a fiscalização.

Rainha sem coroa

Passageiros do voo da Latam de Congonhas (SP) para Brasília no sábado (23) à noite se perguntaram em que mundo vive Marina Silva. A ex-ministra do MMA, agora deputada federal – portanto, sem a prerrogativa do cargo para tal – foi escoltada por dois policiais federais até a porta do avião. No desembarque, outros dois agentes a aguardavam no finger. Um deles carregou sua mala.

Kassab e Arruda

Nas rodinhas, o ex-governador e pré-candidato ao GDF José Roberto Arruda (PSD) tem dito que, se disputar, seu desafio é chegar ao 2º turno contra Celina Leão (PP). O cacique Gilberto Kassab investe pesado na pré-campanha, alugou até casa no Lago Sul. No compasso de espera de o STF acolher a nova Lei da Ficha Limpa que pode liberar sua candidatura.

Suprema leveza

O advogado Luís Roberto Barroso, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou a amigos que após deixar a corte teve uma crise de saúde e ficou 13 dias internado em hospital sob antibióticos. Brincou que, na alta hospitalar, descobriu enfim que o seu problema era “excesso de leveza” – indicando o alívio de deixar o cotidiano judicial.

‘Cazés’ pelo mundo

O presidente da Google Brasil, Fábio Coelho, revelou no Fórum Esfera do Guarujá (SP) que a matriz está mapeando em diferentes países quem é o “Cazemiro” local e faz ofensiva para “trazer” o influenciador ou canal mais acessado de como sócios da plataforma. É o efeito do sucesso da Cazé TV. A ideia é chegar a 2030 com estes canais fortalecidos para transmissão da Copa Portugal-Espanha-Marrocos.

Igreja & IA

A 1ª encíclica de papa Leão XIV já provoca debate mundial ao colocar a inteligência artificial (IA) no centro das preocupações morais da Igreja. Em Magnifica Humanitas, o pontífice critica o poder das gigantes da tecnologia, condena guerras automatizadas e alerta para a desumanização causada pelos algoritmos. O documento também traz uma forte defesa da dignidade humana e do trabalho diante da automação, argumenta o jornalista Tadeu Pinto, especialista em Doutrina Social da Igreja.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/novos-escritorios-do-coaf-vao-mirar-lavagem-de-dinheiro/

Alexandre Garcia

O Dia do Respeito ao Contribuinte já existe; só falta ele ser mesmo respeitado

Partidos terão R$ 5 bilhões de recursos do contribuinte para gastar em campanhas eleitorais. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Quem paga a campanha eleitoral é você – mesmo para o candidato que você não quer, mesmo para o partido que você odeia, quem paga é você. O fundo eleitoral, formado por bilhões dos seus impostos, banca tudo isso. No ano passado, nós pagamos quase R$ 4 trilhões em impostos. Eu estou falando isso porque queria lembrar que segunda-feira foi o Dia Nacional do Respeito ao Contribuinte, criado em 2010 por uma lei aprovada no Congresso e sancionada por Lula, para fingir que se respeita o dinheiro do contribuinte. Para isso não precisava de lei nem dia comemorativo: bastaria não jogar fora o dinheiro do cidadão, dar um bom serviço público. É para isso que governos existem, para isso que os cidadãos pagam impostos.

Nós pagamos até a campanha eleitoral dos partidos políticos, quando quem deveria pagar era o filiado ou o simpatizante. E falo de partido, não de pessoas, porque é o partido que representa uma ideia. Não deveríamos votar em gente, deveríamos votar em ideias. Mas isso é um assunto que vai longe.

Brasileiro abriu mão de pensar por conta própria; isso já aconteceu antes

No meu artigo desta semana vou dizer que está acontecendo no Brasil o que aconteceu na Alemanha de Hitler. As pessoas pararam de pensar, de se perguntar, de ter espírito crítico; simplesmente aceitam, porque dá muito trabalho pensar. Digo isso porque o papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica, e fala muito sobre como a inteligência artificial está afetando a conduta das pessoas, que abandonam a inteligência própria e abraçam a inteligência artificial, ou seja, se alugam, se vendem, são abduzidas pelo mundo digital. Precisamos ter cuidado para não deixar que a nossa mente vá com todo mundo, como um rebanho. Isso aconteceu na Alemanha: não foram Hitler e Goebbels os culpados; os culpados foram milhões de alemães que abriram mão de suas próprias consciências. Eu ia dizer “não deixemos que aconteça no Brasil”, mas já aconteceu, sinto muito.

Enquanto políticos discursam sobre segurança, facções dominam o Rio

Vejam a força que têm o Comando Vermelho e o PCC. Por esses dias, eu estava vendo um tiroteio com fuzis na Zona Sul do Rio de Janeiro, e o Comando Vermelho fazendo um desfile de moto, um buzinaço, pelas ruas da antiga capital do Brasil. E os políticos ainda fazem discursos pela segurança pública. Mas discurso não pega bandido.

Moraes não escapou da intimação em processo nos EUA

Durante quase um ano, o Supremo e o governo brasileiro se mobilizaram para blindar Alexandre de Moraes, que é alvo de processo nos Estados Unidos por infringir o mais caro dos princípios americanos, a liberdade de expressão. Ele ordenou “censura extraterritorial” sobre cidadãos americanos, na plataforma Rumble e em uma plataforma da Trump Media. Ele se deu mal: Advocacia-Geral da União, Procuradoria-Geral da República, STJ, Itamaraty e tal se mobilizaram para proteger Moraes, mas agora ele foi notificado, citado por e-mail.

Eu lembro daquela cantoria dos índios em torno do ministro Moraes, anos atrás, e das lendas que se contam a respeito disso. Parece que está pegando. As pessoas estão falando até no Tribunal Internacional de Haia porque, no caso da Carla Zambelli, a Justiça italiana disse que ela estava livre e não haveria extradição porque a suprema corte brasileira não respeitou princípios fundamentais de garantias de direitos humanos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/fundo-eleitoral-impostos-respeito-contribuinte/

Previsão de inflação dispara para mais de 5% neste ano

Índice já supera o teto da meta estimada pelo governo, de 4,5%, e pressionará a continuidade da redução da taxa de juros. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Agentes do mercado financeiro estimam que a inflação brasileira neste ano será de 5,04% de acordo com o Relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (25). O índice é maior do que o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, o que pressiona a autoridade monetária a segurar o ciclo de cortes da taxa básica de juros.

O boletim semanal apurado com bancos e corretoras do mercado financeiro aponta a 11ª alta seguida da inflação (era de 4,92% na semana passada), pressionada principalmente pelo aumento dos combustíveis por causa da guerra no Oriente Médio, que acaba influenciando diretamente em todos os outros setores da economia que dependem, por exemplo, do transporte de mercadorias.

Com isso, o aumento da inflação pode segurar a redução da Selic, que é a taxa que baliza as demais tarifas adotadas pelo mercado, limitando o crédito à população e tornando as operações ainda mais caras. Atualmente, a Selic está em 14,5%, mas já há uma previsão de que termine o ano em 13,25%, contra 13% previstos há duas semanas.

Tanto o governo federal como o mercado financeiro contavam com o Banco Central para baixar a taxa de juros e reforçar o crescimento da economia, além de reduzir o endividamento das famílias. Desde o ano passado, principalmente, o setor produtivo e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vêm pressionando a autoridade monetária para reduzir a Selic – no caso do petista, numa intensidade mais branda se comparada à gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.

A Selic é a principal ferramenta usada pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando está alta, a autoridade monetária eleva os juros para esfriar a economia; quando desacelera, há pressão para cortar a taxa e estimular a atividade econômica.

Atualmente, entidades empresariais frequentemente argumentam que juros elevados por muito tempo travam a produção e diminuem a competitividade do país. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

O principal argumento econômico do setor produtivo é que juros altos aumentam o custo do dinheiro. Isso afeta desde grandes empréstimos empresariais até o financiamento ao consumidor.

Quando o crédito fica caro, empresas adiam investimentos em máquinas, expansão e contratação de funcionários, enquanto consumidores reduzem compras parceladas, principalmente de imóveis, carros e bens duráveis.

Por outro lado, apesar do aumento da inflação, os economistas ouvidos pelo Banco Central estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) também crescerá neste ano, alcançando 1,89%. Ainda assim é abaixo do registrado nos três anos anteriores deste mandato de Lula, com crescimento de 2,9% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

O Relatório Focus desta semana aponta, ainda, que o câmbio do dólar chegará a uma média de R$ 5,17 ao final do ano. Nesta segunda-feira (25), a moeda norte-americana está cotada em R$ 4,99.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/focus-previsao-inflacao-dispara-mais-5-neste-ano/

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