“Entreguista”, Lula negocia sobrevida política com Trump, diz deputado; assista

Para além das questões diplomáticas, o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, teve um objetivo claro: negociar a sobrevida política do petista. Essa é a avaliação do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), que participou do programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo. Clique aqui e assista à íntegra da entrevista.

“A principal troca entre eles deve ser a sobrevida política de Lula, para que não haja a criminalização do presidente e dos demais envolvidos em escândalos no Brasil”, diz o parlamentar, ao ressaltar que vê o presidente norte-americano como uma pessoa pragmática e que não acredita em uma intervenção política no Brasil.

Para Luiz Philippe, existem três pontos que são inegociáveis para o governo norte-americano: combate ao narcotráfico, liberdade de expressão e terras raras. “No resto o Trump pode ceder”, diz o deputado. “O governo Lula é o mais entreguista da história, ainda mais agora que está fragilizado. Ele vai fazer de tudo para se agarrar nos Estados Unidos e vender tudo que poderia ser de controle nosso.”

Para deputado, Centrão é a “parte mais podre do sistema político brasileiro”

Luiz Phillipe comentou também a operação da Polícia Federal que mira o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acusado de receber “mesada” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “O Centrão é isso: mais cedo ou mais tarde vai estourar algum escândalo. É a parte mais podre do sistema político brasileiro”, diz o deputado em alusão ao grupo político do qual Nogueira faz parte.

Para o parlamentar, é preciso rebater junto aos eleitores a ideia de que o voto no Centrão é moderado. “É um voto radical de corrupção, é preciso dizer isso em alto e bom tom. São pessoas que falam de idoneidade, mas usam da política para se locupletar pessoalmente e que se dane a nação”, conclui.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-sobrevida-politica-trump-deputado-assista/

Maior medo de Lula era que Trump o humilhasse; não quis imprensa por perto

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Lula (PT) – Foto: divulgação/assessoria.

O presidente Lula (PT) estava com pânico de ser humilhado pelo americano Donald Trump, com quem se encontrou ontem (7). Para evitar qualquer aperto, a delegação brasileira pediu à Casa Branca para barrar a imprensa, que havia sido convidada para participar dos primeiros trinta minutos da reunião. Também foi cancelada a coletiva conjunta de Lula e Trump, após o encontro, e o petista preferiu um ato solo, na Embaixada do Brasil em Washington, para poder definir sozinho o resultado. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

O governo brasileiro alegou que a coletiva conjunta foi cancelada porque o encontro se alongou. Mas não explicou por que Lula chegou atrasado.

“Visita estranha de Lula”, descreveu o jornalista espanhol David Alandete. “Carregada de tensão por causa de Bolsonaro, tarifas, Cuba…”

John Roberts (Fox News) disse que virou piada a proibição da imprensa, mas fez sentido, já que a relação Lula-Trump é “bastante conturbada”.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/exteriores/ttc-internacional/maior-medo-de-lula-era-que-trump-o-humilhasse-nao-quis-imprensa-por-perto

Zema acusa Lula de conivência com esquema de Vorcaro

Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República. (Foto: Cadu Gomes/VPR).

O cenário político nacional foi sacudido nesta quinta-feira (7) por declarações contundentes de Romeu Zema. 

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionando o “silêncio ensurdecedor” do Palácio do Planalto diante dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

A operação, que investiga um sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes no sistema financeiro, atingiu nesta semana novas camadas da classe política e do alto escalão bancário. 

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Zema criticou a postura omissa do governo federal e sugeriu que o receio de retaliações internas imobiliza o atual mandatário.

Tenho sido o pré-candidato que mais tem colocado a boca no trombone, não tenho rabo preso. E o que o Brasil precisa são de líderes que não têm o rabo preso, porque o presidente tá lá caladinho também, com certeza, porque tem muita gente do PT envolvida“, afirmou o político mineiro.

A investigação da Polícia Federal, que já resultou no bloqueio de valores que alcançam a cifra de R$22 bilhões, apura irregularidades na gestão de instituições financeiras e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. 

A quarta fase da operação, deflagrada recentemente, focou na corrupção de gestores e na obstrução de justiça, com buscas e apreensões que miraram figuras influentes em Brasília.

Entre os pontos de maior tensão, as investigações apontam para suspeitas de propina envolvendo a aquisição de instituições financeiras e transações com “expressivo deságio”, beneficiando nomes do espectro político que compõem a base ou a órbita de influência do atual governo.

Zema aproveitou o momento para contrastar o atual governo com sua trajetória em Minas Gerais.

Segundo ele, o país carece de um “capital moral” que permita reformas profundas no Legislativo e no Judiciário sem as amarras da “compra de votos” ou do loteamento de cargos. 

Para o pré-candidato, o silêncio de Lula sobre os escândalos recentes reforça a percepção de uma gestão acuada por antigos vícios de coalizão.

A fala de Zema ecoa em um momento de fragilidade para o Planalto nas pesquisas de opinião. 

Dados recentes indicam um aumento na desaprovação do presidente Lula, especialmente em grandes centros como São Paulo, onde sua rejeição já supera a marca dos 54%.

As críticas do mineiro não se restringiram ao Executivo, recentemente, Zema também tem sido uma voz ativa contra o que classifica como “abusos do Judiciário”, chegando a comparar a estrutura de Brasília à época da coroa portuguesa e defendendo a necessidade de independência real do Senado para pautar processos de impeachment de ministros.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/zema-escancara-conivencia-de-lula-com-o-esquema-da-compliance-zero

Relatório da ‘Emenda Master’ ainda não foi votado

Senador Ciro Nogueira (PP-PI) | Foto: Pedro França / Agência Senado

É do senador Plínio Valério (PSDB-AM) o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que rejeitou a emenda do colega Ciro Nogueira (PP-PI), que propôs aumentar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão. Até hoje, o documento não foi votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comandada pelo lulista Otto Alencar (PSD-BA), mesmo com a primeira versão do relatório apresentada há quase dois anos, em 5 de junho de 2024.

Sob medida

A emenda apresentada por Ciro, diz a Polícia Federal, foi elaborada pela assessoria do Banco Master, impressa e entregue ao senador.

Jabuti na árvore

A PEC trata, na verdade, da autonomia do Banco Central e nada tem a ver com a emenda de Ciro Nogueira, que acabou rejeitada pelo relator.

Desmarca tudo

O relatório até entrou na pauta da CCJ na véspera da operação da PF, mas a reunião (semipresencial) foi misteriosamente cancelada.

Ia, mas não foi

A PF bateu à porta de Ciro ontem (7), mas a decisão foi assinada no STF na quarta-feira (6), dia em que o relatório seria apreciado. Seria…

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/relatorio-da-emenda-master-ainda-nao-foi-votado

J&F cobra de Toffoli o enterro de suas multas bilionárias

Ministro Dias Toffoli (STF) – (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Em uma nova ofensiva jurídica contra os desdobramentos da Operação Lava Jato, a J&F Investimentos, holding que controla o grupo JBS, protocolou nesta quinta-feira (7) um pedido junto ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender definitivamente as multas de seu acordo de leniência e arquivar o processo em curso. 

A petição busca estender decisões anteriores que já vinham beneficiando o grupo e outras empresas atingidas pela operação.

A defesa da J&F sustenta o pedido com base no reconhecimento de supostas irregularidades cometidas por agentes públicos durante as investigações. 

O argumento central dos advogados é de que teria havido um “conluio” entre o Ministério Público Federal e o Judiciário na época em que os acordos foram firmados, o que, na visão da empresa, invalidaria as sanções pecuniárias bilionárias estabelecidas anteriormente.

O pedido protocolado hoje é um desdobramento direto de uma decisão liminar proferida pelo próprio ministro Toffoli em dezembro de 2023, que já havia suspendido o pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões. 

Naquela ocasião, a J&F alegou que foi alvo de “chantagem” institucional para assinar o acordo. 

Agora, a empresa solicita que os efeitos de anulações concedidas a outros réus e empresas da Lava Jato sejam integralmente aplicados ao seu caso.

Além da suspensão das multas, a holding pede o arquivamento imediato do processo atual. 

Para sustentar essa solicitação, os advogados citam uma decisão favorável obtida recentemente em primeira instância, argumentando que a continuidade das cobranças e das investigações carece de fundamento jurídico diante do que chamam de “vícios processuais insanáveis” da operação.

A movimentação da J&F ocorre em um momento de intensa revisão das condenações e acordos firmados no âmbito da Lava Jato pelo STF. 

O ministro Dias Toffoli tem sido o relator de diversas petições que resultaram na anulação de provas baseadas nos sistemas da Odebrecht e na suspensão de multas de leniência de grandes empreiteiras, sob a justificativa de que os métodos da força-tarefa de Curitiba feriram o devido processo legal.

Se aceito, o pedido pode consolidar o esvaziamento das punições financeiras aplicadas ao grupo, que originalmente se comprometeu a ressarcir cofres públicos e fundos de pensão (como Funcef e Petros) por esquemas de corrupção confessados em 2017. 

Até o momento, a empresa pagou apenas uma fração do valor total pactuado antes de iniciar a atual batalha jurídica pela revisão dos termos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/jf-cobra-de-toffoli-o-enterro-de-suas-multas-bilionarias

Alexandre Garcia

Pilili é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões

Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura “até as eleições” e criticou “200 milhões de tiranos” nas redes. (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.

Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.

Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.

A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.

Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação

Lula Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.

Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.

FONTE:GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/pilili-desastre-comunicacao-6-milhoes/

Coluna Esplanada

De olho nas eleições, Lula adota austeridade em viagem aos EUA

Lula e o Trump durante encontro nesta quinta na Casa Branca. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

staff nessa viagem oficial do presidente Lula da Silva aos Estados Unidos está hospedado num hotel 4 estrelas de Washington D.C. São quase 60 pessoas, entre assessores e agentes da PF e GSI – o nosso Serviço Secreto – incluindo cinco ministros que foram com Lula, e seus assessores. Não sai barato, porém muito mais em conta se Lula optasse por se hospedar duas diárias em um dos dois melhores hotéis da capital.

De olho na eleição vindoura, ciente de que pode ser alvo de “gastança”, Lula, o Barba, decidiu avisar previamente à embaixadora Maria Luiza Viotti de que ela seria sua anfitriã na Embaixada, na 3006 Massachusetts Avenue – a apenas 10 minutos de carro da Casa Branca.

Caso optasse pela suíte presidencial do Waldorf Astoria ou do Four Seasons de Washington D.C., o povo pagaria para Lula diárias entre R$ 37,1 mil e R$ 74,2 mil, respectivamente, segundo consultas realizadas pela reportagem.

Tá vivo, mas preso

No novelo digital desfiado dos celulares de Daniel Vorcaro, ao qual a Coluna teve acesso, aparece print de bronca num dos seus advogados mais caros. Em mensagem pelo whatsapp, reclama do defensor de lambança da banca num contrato milionário: “Olha a cagada que o pessoal que vc contratou é (sic) que tocava a ação em primeiro grau fez”. E segue: “Parabéns”, “Só vamos receber em 2025”. “Se estivermos vivos”.

Cerco a Ciro!

A executiva do Progressistas está irritada com o senador Ciro Nogueira (PI), o manda-chuva do partido. Os dirigentes exigiram de Ciro ontem uma reunião de emergência e ele corre risco de ser afastado da presidência da legenda. O parlamentar foi um dos alvos da 5ª fase da Operação Compliance Zero, da PF, que investiga as tramoias do Banco Master com o BRB. Ele teria recebido R$ 500 mil de mesada de Vorcaro.

Disputa de modelo

Apesar da decisão do TSE que determinou eleição direta em Roraima, um grupo ligado ao governador interino, Soldado Sampaio, tem defendido nos bastidores a hipótese de eleição indireta, via Assembleia Legislativa. Aliados do governador afastado Edilson Damião (União) afirmam que não há base para essa leitura, já que seus direitos políticos seguem preservados e não há impedimento para sua participação no pleito.

Avanço no digital

A Brasilcap registrou lucro líquido de R$ 81,3 milhões no 1º trimestre de 2026, alta de 50,5% com o período de 2025. A companhia ainda registrou receita total de R$ 1,78 bilhão, ante R$ 1,65 bilhão nos primeiros 3 meses de 2025. “Os resultados do reforçam a consistência da nossa estratégia, com crescimento do lucro, avanço do digital e evolução do portfólio”, diz o presidente da companhia, Antonio Carlos Teixeira.

Fraudes

Dados do Instituto Empresa apontam que as perdas anuais com fraudes de identidade no Brasil já somam R$ 2,7 bilhões, impactando inclusive grandes empresas como o BTG Pactual, que teve caso de vazamento de dados de contas internacionais. Neste cenário, o Instituto criou a plataforma (vazamentodedados.com). O site permite que consumidores e investidores façam notificação formal da exposição de dados pessoais e financeiro.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/coluna-esplanada/de-olho-nas-eleicoes-lula-adota-austeridade-em-viagem-aos-eua/

Francisco Escorsim

O que a rejeição de Jorge Messias deveria significar

Jorge Messias, durante a sabatina na CCJ do Senado. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Um fato histórico. Independentemente de nomes, causas, contextos, consequências, a rejeição do Senado ao indicado pelo presidente da República para ser ministro do STF foi histórica por si. Não houve um órgão de imprensa, inclusive internacional, que não tenha destacado isso na recusa de Jorge Messias na semana passada.

A última vez que isso tinha acontecido foi há 132 anos, em 1894. O primeiro rejeitado da história foi um médico, Barata Ribeiro. Se o leitor não sabia, deve ter se surpreendido por ter sido um médico. Isso era possível porque a Constituição da época estabeleceu o critério de “notável saber” para os indicados, sem especificar que precisaria ser jurídico esse saber.

Foi justamente na rejeição de Barata Ribeiro que o Senado interpretou que o notável saber precisava ser jurídico, o que foi incluído nas Constituições posteriores e assim permanece até hoje. É uma das razões principais a explicar por que durante todo o século 20 nenhum nome foi rejeitado e assim provavelmente continuaria a ser, não tivesse Lula começado a desprezar esse critério a partir da indicação de Dias Toffoli.

Alguém notável é quem tem uma relevância de grande proporção, que se destaca dentre os que, por experiência, títulos ou obras, seria um semelhante

O que é “notável saber jurídico”?

Ser formado em Direito, por óbvio, não é garantia nem sequer de se possuir saber jurídico, quanto mais notável. Fosse assim, não seria necessário o exame da OAB para avaliação dos formados ao exercício da advocacia. Mas, ainda que o indicado tenha experiência no mundo jurídico, títulos e obras publicadas, isso bastaria para considerá-lo notável? Também deveria ser óbvio que não.

Alguém notável é quem tem uma relevância de grande proporção, que se destaca dentre os que, por experiência, títulos ou obras, seria um semelhante. Um bom exemplo disso é o atual presidente do STF. Edson Fachin era notável no meio jurídico muito antes de sua indicação para a suprema corte. Sua atuação como advogado era respeitada; seus títulos, consideráveis; e seus livros, referência em sua área.

Mas Dias Toffoli foi indicado em 2009 por Lula sem ter títulos relevantes, obras publicadas, nem aprovação em concursos para a magistratura que chegou a prestar. Sua trajetória se resumia a serviços prestados ao PT – nisso ele era notável, nada mais. Infelizmente, foi aceito pelo Senado e, com isso, o critério de “notável saber jurídico” deixou de significar o que essas palavras significam. Costumo dizer que, se Dias Toffoli foi aceito, ninguém mais poderia ser recusado.

Nem Jorge Messias, também indicado tão somente pelos serviços prestados a Lula e ao PT. Ao menos, tem currículo melhorzinho, com mestrado, doutorado e carreira como procurador da Fazenda Nacional. Nada disso o fez notável, porém, tampouco sua atuação nos cargos ocupados nos governos do PT. Ser notório não é a mesma coisa que ser notável.

Mas a rejeição de Messias não aconteceu porque, enfim, o Senado deu real valor ao significado literal das palavras que constam da Constituição. Não, sabemos todos que a decisão foi por conveniência política, como, aliás, também foi a rejeição de Barata Ribeiro, mais de cem anos atrás. Ainda assim, por ser um fato histórico, ao menos nos permite dimensionar a distância abismal que estamos de um mínimo ideal.

O critério da “reputação Ilibada”

Um abismo não apenas em relação ao critério de “notável saber jurídico”, mas também do que exige “reputação ilibada”. No caso de juízes, não se trata apenas de ter um histórico moral e ético impecáveis. No espírito da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e do Código de Ética da Magistratura, na reputação de um juiz se inclui o dever ético de manter uma distância profilática dos centros de poder político para que sua toga não seja vista como um prolongamento de uma bandeira partidária.

O simples fato de nem sequer concebermos existir algum possível indicado ao STF que não tenha proximidade umbilical da política dá a medida do abismo em que nos encontramos

Por óbvio, alguém próximo demais desse universo político não deveria nem sequer ser cogitado para ser indicado a ministro do STF. Era o caso de Fachin, para voltarmos ao mesmo exemplo. Era notória sua proximidade com Dilma Rousseff, assinando um manifesto de juristas a favor dela na época eleitoral, chegando a gravar um vídeo em seu favor. Não há nada de imoral ou antiético nisso, mas, quando se trata de uma indicação ao STF, isso se torna um problema sério. Tanto que Fachin precisou se comprometer com a isenção na sua sabatina no Senado.

O episódio ilustra como flexibilizamos o conceito de imparcialidade, inerente à reputação ilibada de quem pretende ser ministro de uma suprema corte. Ou seja, o que deveria ser comprovado previamente por uma biografia imaculada de partidarismos tornou-se, no Brasil, uma ‘promessa de conversão de imparcialidade’ ao chegar ao tribunal. É claro que isso está distante de um mínimo ideal.

E o simples fato de nem sequer concebermos existir algum possível indicado que não tenha proximidade umbilical da política dá a medida do abismo em que nos encontramos e do quanto estamos anestesiados moralmente. Que ao menos o relevo histórico da rejeição de Jorge Messias possa despertar algumas consciências para que nossa resignação não leve ao abandono de todo escrúpulo, tornando-nos coniventes com o que não deveria ser tratado como algo normal.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/significado-rejeicao-jorge-messias/

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