
O Tribunal de Contas da União (TCU) deu 60 dias para que o Ministério da Educação (MEC) suspenda pagamentos do programa Pé-de-Meia vinculados a 2.712 CPFs de pessoas já falecidas. No mesmo prazo, o ministério deve conter pagamentos a 12.877 estudantes com renda familiar superior a meio salário-mínimo por pessoa e a 1.222 que acumulam o benefício ao Bolsa Família. O voto do ministro Benjamin Zymler foi aprovado em plenário nesta quarta-feira (18).
Em um dos casos apontados, uma servidora pública acumulava, sozinha, salário de R$ 4.325,23, em uma família de quatro membros, ou seja, uma renda por pessoa de pelo menos R$ 1.081,31, acima dos R$ 706 que representavam meio salário-mínimo à época.
Auditoria identifica divergência em bases de dados

Censo do Inep contradiz dados enviados por escolas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A auditoria encontrou ainda divergências nos dados de duas bases: o Sistema Gestão Presente (SGP), alimentado por cada sistema de ensino, e o Censo da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A divergência chega a 197% no município de Elísio Medrado (BA). A prefeitura justificou alegando que havia um problema na transmissão das informações pelo sistema.
“Os efeitos das distorções numéricas verificadas são perda da qualidade das informações gerenciais do programa e das informações prestadas à sociedade, além de afetar a credibilidade da política pública, sendo essencial o SGP conter sempre as informações mais atuais e fidedignas sobre o programa”, argumenta o relatório.
Pé-de-Meia já custou R$ 17,5 bilhões aos cofres públicos

Ministro de Lula desde o início do mandato, Camilo Santana ajudou a pavimentar o pé-de-meia. (Foto: Andre Borges/EFE)
Instituído no início de 2024, o programa já custou pelo menos R$ 17,5 bilhões aos cofres públicos. Os mais de 4 milhões de beneficiários recebem R$ 200 após a matrícula no ensino médio e, depois, o governo paga o mesmo valor mensalmente, desde que o estudante mantenha ao menos 80% de frequência comprovada. Há, ainda, dois adicionais: ao concluir o ano letivo (R$ 1.000) e ao participar do Enem (R$ 200). Incluindo parcelas e adicionais, cada estudante pode ganhar R$ 9.200 ao longo dos três anos do ensino médio.
Apesar dos achados, o relatório defende que as irregularidades “possuem baixa materialidade e baixo impacto”, uma vez que representam menos de 0,5% do total de beneficiários.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/tcu-manda-mec-suspender-pagamentos-do-pe-de-meia-a-cpfs-de-mortos/

André Mendonça deveria criar um inquérito sigiloso para investigar o Master

Só existe uma forma de salvar a democracia no Brasil. O ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, talvez tenha seu trabalho arruinado pelo restante do STF, que tem a misteriosa idée fixe de escangalhar todas as investigações de verdadeiros criminosos, enquanto criminaliza a vida comum cada dia mais um pouco.
Sendo assim, urge que o iluminado ministro crie um inquérito sigiloso, no qual ele será, ao mesmo tempo, relator, investigador e delegado (nem será suposta vítima!) para conduzir todo o processo longe dos olhos bisbilhoteiros de Moraes, Toffoli, Mendes e, de quebra, Barroso – todos, digamos, “financiados” pelo próprio Banco Master.
É a primeira vez na história em que um bug no monomaníaco sistema secreto de distribuição de processos do STF não joga um processo do interesse político de Alexandre de Moraes (e um juiz ter interesse político já mostra que a democracia foi assassinada) nas mãos do próprio Alexandre de Moraes, nem de um de seus cupinchas no STF. Pela primeira e misteriosa vez, um processo que pode transformar Moraes de juiz em réu foi parar nas mãos de um adversário seu.
Obviamente, tudo pode ser melado numa única canetada daqui a poucos dias (ou horas). Simplesmente aparece uma nova decisão mágica no colo dos outros ministros que envolva algum tema anexo, alguma filigrana jurídica, algum melindre acidental, para dizer que lamentam muito, mas precisam mandar toda a investigação do Banco Master para o beleléu.
Como Flávio Dino praticamente o fez com a CPMI do INSS. E Gilmar Mendes já está farejando, com as mensagens vazadas de Daniel Vorcaro (nenhum pio de comoção na quebra de sigilo total e completa que a CPI da Covid fez a sites de direita, envolvendo todas as conversas privadas, todas as fotos pessoais, cópia integral do iCloud, todos os e-mails e apps e até histórico de buscas no Google e geolocalização, além do inquérito contra Marcos do Val, que chegou a imprimir uma foto íntima de sua esposa).
Ou seja, é preciso agir enquanto é tempo. Mendonça precisa imediatamente instaurar um inquérito secreto para investigar justamente as ligações dos outros ministros do STF com o Banco Master
O Banco Master que financiou o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, que, apesar de ter “Brasil” no nome, foi sediado em Londres – com presenças de Moraes, Toffoli, Gilmar, o advogado-geral da União, Jorge Messias, o procurador-geral Paulo Gonet e até o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Também o Fórum Esfera Internacional de Paris, em 2023. E o de Roma, um ano depois. E o Fórum Empresarial Lide no Rio de Janeiro, ligado a João Doria, e que é padrão-ouro no lobby entre empresários, políticos e… Judiciário, como se tal coisa fosse normal. Aliás, a Lide Brazil Conference de Nova York, em 2022, ficou famosa pela frase “Perdeu, mané. Não amola!” de um irracional Barroso. Financiada, obviamente, pelo Banco Master.
Como investigar tais ligações e pagamentos, se os próprios outros julgadores têm interesse no caso e podem ensebar a investigação, como já estão fazendo com a CPMI do INSS e com a CPI do Crime Organizado, em suas ligações com o Banco Master? Só com um inquérito sigiloso, para que Moraes, Gilmar, Toffoli et caterva não possam mais fazer ideia do que está nas mãos de Mendonça.
Aí, basta começar uma série de quebras de sigilo e buscas e apreensões em endereços de pessoas ligadas ao STF e aos pagamentos do Banco Master. Também vai ser importante prender muita gente preventivamente, talvez por alguns anos antes do julgamento, como foi feito com inocentes do 8 de janeiro (depois culpados por “golpe de Estado” por terem se refugiado em um prédio durante uma manifestação que terminou em quebra-quebra).
Claro, vamos precisar saber de jornalistas, pegando seus celulares e computadores e analisando suas conversas com ministros do STF, principalmente o monte de vazamentos e “informações de processo” aos quais nem as vítimas têm acesso, mas que jornalistas comentam como se discutissem a lista de compras do mercado. Alguns jornalistas graúdos também precisam ser presos, claro. Isso sem falar nos escritórios de advocacia dos próprios parentes dos ministros do STF, que julgam os casos dos escritórios. E ainda tem AGU, PGR, OAB… o que será que tanto escondem? Está faltando uma bela rodada de prisões e investigações.
C’est la démocratie.
Não existe outro caminho. Só isso é capaz de salvar a democracia. Afinal, tudo que é feito de tranqueira no país atualmente é feito para salvar a democracia. Já não são raros os relatos de pessoas assaltadas à mão armada, com o meliante alegando que está salvando a democracia.
Outras ações bizarras também foram realizadas sob a mesma desculpa: censurar previamente um documentário que nem estava finalizado antes das eleições para favorecer o candidato Lula, censurar toda a rede social X por 39 dias por um chilique de Alexandre de Moraes – com “notificação” via resposta de tweet em português, e com todos os brasileiros se tornando parte no processo sem notificação alguma, sob multa de R$ 50 mil –, com o TSE desmonetizando canais de direita (como se o TSE tivesse poder para tal), com as CPIs e inquéritos para “investigar” (e punir!) coisas imprecisas e que nem estão no Código Penal, como “fake news”, “atos antidemocráticos” ou “milícias digitais”…
O que pode dar errado? Só falta alegarem que um inquérito secreto vai contra a própria democracia e quererem destituir André Mendonça do cargo por um golpe autoritário e ditatorial.
Bom, aí teremos motivos sobejantes para mandar para a cadeia, com uma camisa de força, todo mundo que fez o mesmo.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-morgenstern/andre-mendonca-deveria-criar-um-inquerito-sigiloso-para-investigar-o-master/
A CPMI do INSS, tornada inoperante pelo Supremo

Quando até mesmo os apontados como protagonistas de um escândalo ficam livres para não comparecer diante daqueles que investigam esse escândalo, qual a razão de ser de uma Comissão Parlamentar de Inquérito? A CPMI do INSS, que investiga o roubo de bilhões de reais, descontados indevidamente de milhões de aposentados e pensionistas, cancelou sua sessão desta segunda-feira depois que o presidente da Confederação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Aristides Veras dos Santos, não foi mais obrigado a comparecer diante dos deputados e senadores, graças a uma decisão do ministro André Mendonça, do STF. Veras tinha sido convocado – ou seja, com presença obrigatória – pela CPMI, mas Mendonça determinou que o comparecimento seria facultativo.
“Tenho sistematicamente decidido conforme esse entendimento em casos análogos”, afirmou o ministro do Supremo. De fato: Mendonça já havia retirado a obrigatoriedade do comparecimento do banqueiro Daniel Vorcaro à mesma CPMI do INSS, e também havia dispensado os irmãos de Dias Toffoli, seu colega de Supremo, de comparecer diante da CPI do Crime Organizado no Senado. A coerência, no entanto, só é virtude quando reflete uma constância em decisões corretas do ponto de vista jurídico ou moral. Neste caso, entretanto, temos uma coerência no erro, que prejudica enormemente o esforço investigativo das CPIs.
CPIs importantes e necessárias não são abertas, e as que estão em funcionamento ficam inviabilizadas por decisões do STF que beneficiam investigados
O direito à não autoincriminação está consagrado no inciso LXIII do artigo 5.º da Constituição – que, embora mencione explicitamente o indivíduo preso, se aplica também ao investigado ou réu. O artigo 186 do Código de Processo Penal é mais detalhado, ao afirmar que “o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas”, acrescentando que “o silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa”. No entanto, as convocações para depor diante de uma CPI jamais tiveram a pretensão de atropelar esta garantia constitucional. A obrigação de comparecer jamais incluiu uma obrigação de falar, e os membros da qualquer CPI o sabem perfeitamente. Um depoente pode ouvir todas as questões, permanecer em silêncio, e cada um que interprete essa atitude como quiser – e puramente do ponto de vista moral, pois do ponto de vista legal a recusa não pode ser entendida nem mesmo como admissão de que há algo a esconder, como deixa bem claro o CPP.
Mendonça mais uma vez revela o paradoxo do STF. Enquanto seu colega Cristiano Zanin se omite em uma ação que também envolve uma CPI – no caso, a instalação da CPI do Banco Master – alegando separação de poderes, quando o caso exigia a intervenção do Judiciário, Mendonça interfere no funcionamento de uma comissão, alargando arbitrariamente o significado do direito à não incriminação. O presidente e o relator da CPMI, senador Carlos Viana e deputado Alfredo Gaspar, até se reuniram com Mendonça na semana passada, afirmando que as decisões recentes que inviabilizavam depoimentos “atrasam e interferem” nos trabalhos da comissão, mas, a julgar pela dispensa dada a Veras, Mendonça não se convenceu. Antes do encontro, Viana já tinha dito que o Supremo estava criando “insegurança jurídica” com suas decisões.
Como resultado, o próprio instrumento da CPI fica desmoralizado. Comissões necessárias, como a do Banco Master ou a do abuso de autoridade, que cumprem os requisitos constitucionais para sua abertura, ficam em um limbo graças à pusilanimidade dos dois presidentes das casas legislativas, Davi Alcolumbre e Hugo Motta. E aquelas que estão em funcionamento, com chances de se tornarem um instrumento valioso na elucidação de esquemas de corrupção, são tornadas inoperantes por decisões que manietam seu poder de investigação.
Aristides Veras – irmão do deputado federal petista Carlos Veras – não é um personagem qualquer no escândalo do INSS. A entidade que preside, a Contag, foi a que mais recebeu dinheiro de aposentados e pensionistas nos últimos dez anos. Foi de dentro da Contag que saíram emendas, assinadas por parlamentares de esquerda, que enfraqueciam uma medida provisória assinada por Jair Bolsonaro em 2019 para coibir fraudes no INSS. Tratava-se de uma convocação bastante justificável. Se nem uma pessoa com esse perfil pode ser obrigada a comparecer diante da CPMI, não há muito mais o que fazer para se investigar esse escândalo de enormes proporções – se não pelos valores movimentados, certamente pela imoralidade do desvio de dinheiro que faz falta a milhões de aposentados.
O direito constitucional que Mendonça alega querer proteger ao transformar convocações em meros convites, com presença facultativa, já estava garantido independentemente da obrigatoriedade de comparecimento. Com suas decisões, o ministro complica o andamento da CPMI do INSS e obriga os parlamentares a se contentarem com uma investigação pela metade, incapaz de descobrir como o esquema foi criado, quem permitiu que ele prosperasse, e quem se beneficiou com ele. É assim que se abre um caminho fácil para a impunidade.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/andre-mendonca-cpmi-inss-dispensa-convocacao/
Moraes e Dino perseguem jornalista: quantas vozes o STF já calou?
Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes deu mais um passo em sua jornada liberticida, atacando a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte jornalística, ao determinar busca e apreensão na residência de um jornalista maranhense que denunciara um suposto uso irregular de veículos oficiais por parte da família do também ministro do STF Flávio Dino. O teor da decisão deixa implícito que um dos objetivos da investigação é descobrir se alguém repassou informações ao jornalista, e quem seria essa pessoa.
Ao menos desta vez o Brasil sabe quem é a vítima da perseguição: o jornalista Luís Pablo. Mas, para cada Luís Pablo cujo nome conhecemos, há uma multidão de anônimos que tiveram publicações ou perfis inteiros cancelados por ordem de Moraes em inquéritos sigilosos e anticonstitucionais. O Supremo até hoje se recusa a informar até mesmo quantas foram essas pessoas censuradas. Por isso é preciso continuar perguntando: Quantas vozes o Supremo já calou? Assista ao vídeo com a opinião da Gazeta do Povo sobre este episódio.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/moraes-dino-perseguicao-jornalista-luis-pablo/

Se quiserem pegar Lulinha, precisam ir atrás da amiga

O Lulinha já tem empresa em Madri. Pediu em janeiro e o registro ocorreu no início de fevereiro. A empresa se chama Synapta, com “y”, que os espanhóis chamam de “i griega”, e, segundo a Folha de S.Paulo, atua com tecnologia, consultoria, informática, soluções digitais e oportunidades de negócios. É bem ampla, diversidade absoluta. O capital é o mínimo exigido pela lei espanhola: 3 mil euros, o que equivale hoje a R$ 18 mil. Conto isso porque já avisei aqui que não adianta quebrar o sigilo do Lulinha; ele está calejado e já toma muitos cuidados.
Quem tem a informação mesmo é a Roberta Luchsinger, o elo entre Lulinha e o “careca do INSS”. Ela tem toda a expertise, foi casada com o ex-delegado federal Protógenes Queiroz e é neta de um ex-acionista do banco Credit Suisse. Sabe tudo sobre bancos e transferência de dinheiro. Existe, por exemplo, uma agência chamada Vulcano Viagens. Nas quebras de sigilo, a Polícia Federal não encontrou nada ligando diretamente o “careca do INSS” a Lulinha, mas encontrou pagamentos de Roberta à agência de viagens, com uma movimentação total de R$ 640 mil, supostamente para pagar viagens de Lulinha.
Jorginho Mello fez relato assustador sobre saúde de Bolsonaro
Fiz uma palestra na Igreja Evangélica Embaixada, em Balneário Camboriú, e antes de mim palestrou o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello. Ouvi a palestra dele e fiquei impressionado quando ele contou a impressão que teve ao visitar Jair Bolsonaro. Disse que, entre uma palavra e outra, havia soluços e uma espuma na boca. Para conter o soluço, existe uma anestesia do músculo torácico que provoca esse espasmo, mas também faz parar a respiração, e que Bolsonaro está no pior momento físico da vida dele. Jorginho Mello desabafou: “O que ele tem de pagar? Tem de pagar pelo quê?” É a mesma pergunta que todos nós fazemos.
O governador contou outras coisas que eu não sabia. Ele disse que, em Santa Catarina, invasão de propriedade alheia não dura 24 horas: “ou os invasores saem por carinho ou saem por empurrão”, disse ele. Contou também que prestigia a Polícia Militar, elogiou as mulheres da PM e contou que mandou substituir as molas das pistolas das policiais femininas. Imagino que seja a mola do ferrolho, porque muitas vezes o ferrolho é difícil de segurar, a mão escapa e, em uma emergência, se não houver cartucho na câmara, é preciso fazer esse movimento e isso demanda músculo. Ele colocou molas com menos carga de força para as pistolas usadas pelas PMs mulheres. Digo isso aqui para mostrar que há diferença de força física, e não faz sentido colocar alguém que nasceu homem para disputar esportes contra mulheres, porque a musculatura é mais forte. Se jogar vôlei e der uma cortada, sabe lá o que acontece com o rosto da adversária.
Votação no STF pode agravar fuga de cérebros
O governador ainda contou uma história sobre idosos em uma cidade catarinense chamada Piratuba, disse que são os últimos a descer do ônibus, que descem com dificuldade e ele ajuda na descida. As pessoas olham apenas a capacidade física, e esquecem que a cabeça está a mil, com o máximo de conhecimento adquirido ao longo de uma vida toda. O STF está julgando a aplicação do artigo 201, parágrafo 16, da Constituição, que diz que as pessoas que chegarem aos 75 anos no serviço público devem ser aposentadas. Esse trecho remete a um outro, no artigo 40, que afirma “de acordo com lei complementar”, e essa lei complementar ainda não existe. Existem dois projetos, um de 2022 e outro de 2025, para regulamentar essa exigência constitucional.
O relator Gilmar Mendes já votou pela aplicação imediata do trecho constitucional, sem necessidade da lei complementar. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin o acompanharam. Qual o perigo disso? A perda de cérebros. Vejam o caso da Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa que ano passado ganhou o World Food Prize, o “Nobel da agricultura”. A cada dia que passa, ela tem ainda mais conhecimento; quando fizer 75 anos, vai ter de ir embora? Também perdemos o astronauta que ficou trabalhando na Nasa e não aqui no Brasil, porque no Brasil dizem: “você chegou a coronel, mas não fez os cursos, não vai virar brigadeiro”. Não importa se ele esteve lá em cima, se foi pioneiro entrando com a bandeira do Brasil na Estação Espacial Internacional. Há inúmeros jovens brasileiros trabalhando nos Estados Unidos, porque a nação mais poderosa do mundo, que tem mais prêmios Nobel, faz isso. Os americanos disseram “venha para cá, senhor Wernher von Braun”, e botaram o homem na Lua.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/lulinha-careca-do-inss-roberta-luchsinger/

O sadismo de Moraes

Já passou de qualquer limite razoável a manutenção de Jair Bolsonaro na Papudinha. O ex-presidente apresenta um quadro de saúde delicado e precisa de tratamento constante, tudo isso, vale lembrar, decorrente da facada que levou de um esquerdista. Mas Alexandre de Moraes, que sequer tem condições de permanecer no STF após o escândalo do Banco Master, insiste na crueldade de manter Bolsonaro preso sem condições mínimas de tratamento adequado, sendo que por muito menos o ex-presidente Collor conseguiu sua domiciliar.
A coisa extrapolou tanto que até os editoriais de O Globo e do Estadão de hoje bateram na mesma tecla: Bolsonaro precisa ir para casa! “Seria um gesto de sensatez e humanidade do Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro ao regime domiciliar de prisão”, começa o editorial de O Globo. Em seguida, o jornal acrescenta:
Não está em questão sua condenação por tentativa de golpe de Estado. A pena de mais de 27 anos mal começou a ser cumprida. Mas, dado seu quadro clínico sensível, Bolsonaro receberia mais atenção se pudesse ser transferido para casa, mediante uso permanente de tornozeleira — sem prejuízo de voltar à prisão caso desrespeite as medidas restritivas.
Aí está o problema: sempre foi vingança! Bolsonaro é perseguido por não participar de esquemas como o do Master. Vorcaro o achava um ‘beócio’. O sistema podre e carcomido quer se livrar de Bolsonaro, e Moraes parece sádico o suficiente para levar seu intuito até as últimas consequências…
De fato, não está em questão a condenação por golpe, que a velha imprensa contribuiu com sua narrativa falsa, até porque se for para debater isso qualquer pessoa sensata e atenta sabe que Bolsonaro deveria estar livre! Não houve crime de tentativa de golpe, tudo isso não passou de um esquema para afastar Bolsonaro e seu entorno das eleições, e agora, com Moraes e Toffoli envolvidos com Daniel Vorcaro, isso fica ainda mais claro.
Depois de considerar adequado o regime fechado para Bolsonaro, por conta de seu “mau comportamento”, o jornal conclui que é hora de ele ir para casa, citando justamente o caso de Collor como comparativo: “A nova internação impõe outra avaliação do STF. No ano passado, Moraes concedeu ao ex-presidente Fernando Collor o benefício da prisão domiciliar em caráter humanitário. Condenado em 2023 a oito anos e dez meses em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema na BR Distribuidora, Collor apresentava idade avançada (75 anos) e comorbidades graves, como Parkinson. Bolsonaro sofre de males que lhe submetem a riscos mais urgentes. É adequado, além de justo, que receba o mesmo tratamento”.
O editorial do Estadão vai na mesma linha: “O precário estado de saúde de Bolsonaro exige serenidade institucional: cumprir a lei com firmeza, mas reconhecer que a prisão domiciliar é a medida jurídica mais adequada – e mais humana”. Se fosse mesmo para cumprir a lei com firmeza, Moraes e Toffoli que deveriam estar presos, não Bolsonaro. Ambos os jornais aceitam a premissa falsa de que a prisão em si foi adequada. Mas, ao menos, admitem que é hora de colocar o ex-presidente em sua casa, por questões humanitárias. Diz o Estadão no primeiro parágrafo:
O gravíssimo estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro recolocou diante das instituições brasileiras um dever de maturidade: combinar rigor jurídico com serenidade. Internado em unidade de terapia intensiva com broncopneumonia e portador de um histórico extenso de cirurgias e internações, Bolsonaro enfrenta uma condição clínica que exige extrema cautela. E, acima de tudo, requer que aceitemos o óbvio: chegou o momento para que se converta sua prisão em regime domiciliar.
É importante notar que esses jornais que defendem a prisão domiciliar de Bolsonaro concordam com sua condenação, fingindo não ver nada de errado na conduta do julgamento pelo STF: “Convém recordar que Jair Bolsonaro não está preso por acaso nem por capricho de adversários. Foi condenado a 27 anos de prisão por liderar uma organização criminosa voltada à tentativa de golpe de Estado e à subversão da ordem democrática. Trata-se de crime de extrema gravidade institucional. Durante meses, Bolsonaro e aliados empenharam-se em desacreditar o sistema eleitoral, mobilizar setores militares e estimular uma ruptura com o resultado das urnas. A responsabilização judicial desses atos é um marco na história republicana”.
Marco da história republicana! Um julgamento circense, com base numa denúncia capenga de um PGR que participava de degustação milionária de uísque com Vorcaro, com a relatoria daquele cuja família receberia R$ 129 milhões do mesmo banqueiro fraudulento? Esses jornais precisam insistir nessa ladainha pois apoiaram o arbítrio supremo. E mesmo assim, até eles admitem que é preciso transferir Bolsonaro para casa.
“Se o quadro clínico assim o exigir, a prisão domiciliar poderá ser a solução juridicamente correta e institucionalmente prudente – não para livrá-lo da lei, insista-se, mas para demonstrar que, no Brasil, até mesmo a punição de um ex-presidente permanece submetida à lei, e não ao impulso da vingança”, conclui o Estadão. Mas aí está o problema: sempre foi vingança! Bolsonaro é perseguido por não participar de esquemas como o do Master. Vorcaro o achava um “beócio”. O sistema podre e carcomido quer se livrar de Bolsonaro, e Moraes parece sádico o suficiente para levar seu intuito até as últimas consequências…
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/sadismo-de-moraes/
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