
Em uma nota de esclarecimento divulgada pelo escritório Barci de Moraes, a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, acabou por reforçar que os valores pagos pelo Banco Master por consultorias e serviços jurídicos foram extraordinariamente altos. A manifestação se deu quase três meses após a revelação do contrato, divulgado pelo O Globo, que previa o pagamento de R$ 129 milhões por consultorias e atuações jurídicas junto a diversos órgãos relacionados aos interesses da instituição e de seu presidente, Daniel Vorcaro.
Segundo o escritório, teriam sido prestados serviços de “ampla consultoria e atuação jurídica”, realizados por uma equipe de 15 advogados e com o apoio de outros três escritórios especializados, contratados sob sua coordenação. O site do Barci de Moraes Sociedade de Advogados mostra que cinco dos profissionais citados são advogados juniores. Também integram a equipe três familiares de Moraes: a esposa, Viviane Barci, e os dois filhos, Giuliana Moraes e Alexandre Moraes.
Especialistas estranham porte do escritório para serviços desse tipo
O advogado especialista em liberdade de expressão André Marsiglia observou em vídeo publicado no YouTube que, mesmo considerando valores hipoteticamente altíssimos por reunião ou parecer, o montante não se justificaria. “Em uma conta muito singela, pensando que se cobraria 200 mil por uma reunião, o que é um valor irreal, ainda assim não daria R$ 1 milhão [pelas reuniões]. E se você cobrar R$ 1 milhão por parecer, o que também é um valor irreal, já que ex-ministros do STF costumam cobrar cerca de R$ 500 mil por parecer, ainda assim não fecharia a conta”, analisou.
A nota do escritório afirma terem sido realizadas 94 reuniões – com duração média entre três e duas horas – e produzidos 36 pareceres e opiniões legais ao longo dos 22 meses de contrato. Isso equivale a aproximadamente 4,27 reuniões e 1,63 parecer por mês. O valor destinado a atividades pró‑labore por Vorcaro ao escritório da esposa de Moraes, sem vinculação a resultados judiciais, é de cerca de R$ 3,6 milhões mensais no contrato original.
A jurista Katia Magalhães, especialista em responsabilidade civil, ressalta que grandes clientes geralmente contratam escritórios do tipo “boutique” apenas para consultorias muito complexas — especialmente quando há necessidade de due diligence em processos de aquisição ou fusão. Nesses casos, segundo ela, é comum que o trabalho seja executado por grandes bancas, com equipes de ao menos 30 profissionais dedicados exclusivamente ao projeto.
“Na praxe consultiva, não existe esse modelo de subcontratação, porque cada equipe trabalha de uma forma e deve haver uma harmonização dos procedimentos internos. Isso só é possível dentro de um escritório grande, o que não é o caso do Barci Moraes”, afirma.
Código de conduta, elaborado por Barci Moraes, contrasta com indícios de irregularidades
A nota também menciona revisão de políticas de ética e governança, elaboração de 22 manuais e políticas internas, além da implementação do Novo Código de Ética e Conduta do Banco Master. O documento, disponível no site da instituição financeira, orienta como deve ser o relacionamento com agentes públicos.
O código afirma que o banco não tolera corrupção, suborno ou qualquer prática ilícita. Além disso, o documento aponta que itens como “brindes, presentes, viagens, refeições, ingressos para shows ou hospedagens” podem configurar “vantagem indevida”.
Apesar disso, documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro teria financiado um evento em Londres com autoridades, em abril de 2024, que custou mais de R$ 3 milhões e incluía degustação do uísque Macallan. Entre os 40 convidados estavam os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Ao final, os participantes teriam recebido garrafas do uísque, que podem custar de R$ 1 mil a R$ 100 mil, em uma versão mais envelhecida.
Para Magalhães, o relacionamento entre o dirigente do Banco Master e os agentes do poder público – incluindo o marido de Viviane Moraes –, é incompatível com o previsto pelo código de conduta, elaborado pelo escritório Barci Moraes. “Ou o escritório era incompetente na matéria – mas nenhuma empresa contrataria a R$ 129 milhões um profissional despreparado – ou estava sendo contratado por razões outras que não foi um serviço advocatício. Inclusive, durante o período do contrato, há indícios robustos de quebra de compliance e crimes”, avalia.
Marsiglia faz análise semelhante. “O escritório assumiu que fez a implementação do compliance dentro do Banco Master. O Vorcaro foi preso justamente em uma operação [da Polícia Federal] chamada de ‘Compliance zero’. Eles estão assumindo a culpa de tudo o que aconteceu pela falta de compliance dentro do Banco Master? Essa é a defesa da esposa do Moraes?”, questionou.
Confira a nota de esclarecimento do escritório Barci Moraes na íntegra:
O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados esclarece que foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados. Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação.
As duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas, entre o início do contrato, em 2024, e a liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, com o consequente encerramento contratual, realizaram:
- 94 (noventa e quatro) reuniões de trabalho, sendo:
I.1) 79 (setenta e nove) reuniões presenciais na sede do Banco Master, todas com duração aproximada de 3 (três) horas, entre o banco, por meio de suas superintendências de Compliance e Corporativa e gerência de Compliance, e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para análise de documentos, discussão dos problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto do contrato;
I.2) 13 (treze) reuniões com a presidência da instituição e a equipe jurídica, sendo 2 (duas) presenciais na sede do escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de 2 (duas) horas;
I.3) 2 (duas) reuniões por videoconferência entre o jurídico do Banco Master e a equipe jurídica do escritório Barci de Moraes, com duração aproximada de 2 (duas) horas.
- A atuação de uma das equipes jurídicas, juntamente com os consultores contratados, englobou a elaboração de Opiniões Legais nos casos solicitados pelo Departamento de Compliance; Revisão da Política de Captação para o Regime Próprio da Previdência Social — RPPS; Revisão do Programa de Compliance & PLDFT para a obtenção do Selo Pro-Ética, implicando em: Revisão da Estrutura do Departamento de Compliance; Revisão do Código de Ética e Conduta; Elaboração das Políticas necessárias – Política de relacionamento com Poder Público; Política de licitações e contratos; Política de contato com concorrentes; Política de conflito de interesses; Política de Partes Relacionadas, entre outras; Revisão das demais políticas e procedimentos da área de Compliance para adequação ao exigido pela Corregedoria Geral da União — CGU.
- Foram produzidos 36 (trinta e seis) pareceres e opiniões legais acerca de uma ampla gama de temas, como aspectos previdenciários, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórios, de compliance, proteção de dados e crédito, entre outros.
- Elaboração e apresentação de processos para certificação de ética e governança, com mapeamento das atividades, levantamento de documentação-base, análise das oportunidades, elaboração e revisão e treinamentos do público-alvo sobre as novas políticas, a partir da revisão do Código de Ética e Conduta, políticas de integridade, estruturação do departamento de compliance e apoio à alta administração.
- Elaboração e revisão do Manual de Gestão e Captação de Recursos do RPPS, Política de Relacionamento com o Poder Público, Política de treinamento, capacitação e certificação continuada, Política de PLDFT, Política de Risco Operacional, Política de Sucessão de Administradores, Política de Transação com Partes Relacionadas, Política de Canais de Denúncia e Investigações, Política de Gestão de BNDU, Política de fusões e aquisições, Política de Gestão de Consequências, Política de investimentos pessoais, Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, Política de Suitability, Política de Comunicação, Política de Saúde e Segurança no Trabalho, Manual de Contratação de Parceiros, Manual de Procedimentos Conheça seu Parceiro – KYP, Manual de Procedimentos Conheça seu Prestador de Serviço Terceirizado.
- A equipe jurídica ajudou a implementar o Novo Código de Ética e Conduta do banco, com apresentação presencial às Superintendências, e realizou consultoria sobre temas do mercado financeiro, como questionário AMBIMA, revisão de formulários de Due diligence; a elaboração de modelos de relatório regulatório sobre remuneração; preenchimento de autoavaliação do Pacto Brasil (25 de setembro e 09 de outubro de 2025), entre outros.
- Outra equipe do escritório Barci de Moraes, juntamente com os consultores, atuou, principalmente, na área penal e administrativa, na análise consultiva e estratégica de inquéritos policiais, ações penais, inquérito civis, ações civis públicas e ações de interesse ou que pudessem produzir reflexos na atuação do Banco Master e de seus dirigentes, vários deles sigilosos, bem como na atuação contenciosa específica em ação penal, cujo ajuizamento ocorreu em 17/10/2024, e inquérito policial federal específico, cuja habilitação se deu em 8/4/2024.
O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/esposa-de-moraes-confirma-indiretamente-valores-exorbitantes/

Viviani Barci, a advogada mais cara do mundo, não conseguiu justificar o contrato

Nem a advogada mais cara do mundo, Viviane Barci de Moraes, conseguiu isto: justificar o injustificável, o contrato de R$ 129 milhões. Ela alegrou nossa semana ao divulgar uma nota à imprensa em que listou reuniões, pareceres, manuais e políticas de compliance que teria produzido.
Só que a imprensa consultou especialistas, fez as contas e demoliu a narrativa: os serviços descritos custam, no máximo, R$ 7,8 milhões no mercado de elite – e será que ela está nessa “elite”, mesmo sem especialização, salvo uma em “marketing”? A diferença de R$ 121 milhões não tem justificativa técnica.
Um dos fact-checkers foi o Estadão, que consultou, sob anonimato, 13 escritórios de advocacia de renome nacional especializados em compliance e direito empresarial. O veredicto foi unânime: os valores praticados por Viviane Moraes estão muito acima do que o mercado de elite cobra por serviços equivalentes.
O jornal produziu uma tabela detalhada calculando quanto custaria cada item descrito na nota de Viviane. Os números são devastadores: 79 reuniões presenciais de três horas custariam R$ 4,74 milhões no mercado; 36 pareceres técnicos custariam R$ 1,08 milhão; 22 manuais e políticas de compliance custariam R$ 440 mil. Somando tudo o que Viviane afirmou ter feito, o custo total seria de R$ 7,8 milhões.
Um especialista em compliance, classificado entre os cinco maiores do Brasil, foi direto: um trabalho como esse custaria “no máximo R$ 10 milhões”. Mesmo adotando a estimativa mais alta, a diferença para os R$ 129 milhões cobrados por Viviane chega a R$ 119 milhões.
O veredicto foi unânime: os valores praticados por Viviane Moraes estão muito acima do que o mercado de elite cobra por serviços equivalentes
Mário Sabino, no Metrópoles, fez o que chamou de “conta de padeiro”. Pegou o que Viviane listou na nota: 94 reuniões, 36 pareceres e duas atuações presenciais, total de 132 tarefas. Dividiu pelos R$ 79,2 milhões que o escritório recebeu em 22 meses, valor já descontado dos R$ 129 milhões totais do contrato.
Resultado: cada tarefa custou R$ 600 mil. É o preço de um apartamento de médio padrão em São Paulo por reunião.
Sabino foi demolidor ao analisar a redação da nota de Viviane: “Quem redigiu fez um esforço tremendo para esticar o texto ao máximo, como se cada linha a mais pudesse justificar cada milhão embolsado.” Classificou um dos parágrafos como “clássico master de encheção de linguiça”.
E há outro dado que Sabino trouxe, revelado inicialmente por Lauro Jardim em O Globo: a evolução patrimonial de Viviane. No fim de 2023, o patrimônio declarado era de R$ 24 milhões. No fim de 2024, saltou para R$ 79,7 milhões – um aumento de R$ 55,7 milhões em um ano.
Tudo, muito provavelmente, proveniente do contrato com o Master; afinal, dona Viviane recebeu quase R$ 80 milhões pelos dez meses em que o contrato ficou ativo. Isso indica que ela não tinha outros grandes clientes com padrão de remuneração “master”.
Malu Gaspar, na GloboNews, também questionou os valores astronômicos do contrato de Viviane e trouxe valores e números de mercado para mostrar que a conta não fecha. Eduardo Oinegue, no Jornal da Band, comparou os valores cobrados por Viviane com os praticados pelo Kirkland & Ellis, o escritório de advocacia mais caro do mundo, e concluiu que ela cobra mais.
Viviane Barci é, oficialmente, a advogada mais cara do planeta.
Mas a ironia mais devastadora veio de outra nota divulgada por Viviane no sábado, na qual afirmou que não foi ela quem recebeu as mensagens de Daniel Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, o dia em que o banqueiro seria preso.
Mário Sabino desmontou: “Se a advogada contratada a peso de ouro não foi consultada em momento tão crucial para o dono do Master, isso reforça a impressão de que o contratado por Vorcaro foi, na verdade, Moraes, não a advogada casada com ele.”
Exatamente. Vorcaro não mandava mensagens para Viviane, sua suposta advogada de R$ 129 milhões. Mandava para Alexandre de Moraes, o marido dela, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao que tudo indica, discutia estratégias processuais com ele, pedia ajuda para “bloquear” investigações e ainda recebia joinha como resposta do ministro.
Os números são claros: R$ 7,8 milhões em serviços efetivamente prestados, segundo o mercado. R$ 129 milhões cobrados. Diferença de R$ 121 milhões sem justificativa técnica.
O termo técnico para isso é superfaturamento. O termo jurídico depende da investigação que precisa ser feita: pode ser corrupção passiva, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro ou tudo isso junto.
Moraes tem direito à presunção de inocência, como qualquer cidadão. Mas, se a mesma régua que ele aplicou a tantos outros fosse aplicada a ele, já estaria afastado, investigado e possivelmente preso. Os indícios são mais robustos e os crimes são muito mais graves do que em muitos casos nos quais decretou prisões, bloqueios e censuras.
A nota de Viviane não satisfaz, as satisfações não satisfazem, ninguém acredita em nada que venha do casal Moraes e a conta simplesmente não fecha. É uma encrenca tamanho Master que nem a advogada mais cara do mundo consegue resolver.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/deltan-dallagnol/viviani-barci-a-advogada-mais-cara-do-mundo-nao-conseguiu-justificar-o-contrato/
Amizade, whisky e a “Farra dos Guardanapos” impactam o caso Vorcaro no Judiciário

O cenário político e judiciário brasileiro enfrenta uma nova crise de credibilidade com as recentes revelações sobre a proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô de um grande escândalo de corrupção, e altas autoridades da República. O evento em Londres, onde ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, participaram de uma degustação de whisky de luxo patrocinada pelo Banco Master, foi o ponto central do debate no programa “Última Análise”.
Para o analista Daniel Vargas, o episódio reflete uma atualização da velha “política dos salões” brasileira. Ele destaca que “os salões viraram esses encontros supostamente acadêmicos que acontecem em Lisboa em Londres… um pretexto para reunir a elite nacional que passará um tempo blindada ou protegida da atenção pública”. Vargas alerta que essa proximidade coloca em xeque a independência dos poderes, pois o judiciário parece cada vez mais se confundir na sua prática na sua atuação com a mesma lógica dos interesses ou dos favores. Sobre a possível delação de Vorcaro, ele é enfático: “se Vorcaro falar tudo eu não sei se vai sobrar muita coisa no Brasil”.
Guilherme Kilter criticou duramente a realização desses eventos fora do país como uma forma de evitar o escrutínio popular. Segundo ele, “se eles fizessem no Brasil seriam linchados seriam cobrados pela população por estarem fazendo um absurdo desse”. Kilter aponta que a relação de amizade e o uso de escritórios de advocacia de parentes de ministros criam um sistema de privilégios: “quem contrata os escritórios das esposas dos ministros tem preferência, tem amizade, tem o companheirismo deles”. Para o comentarista, a situação atual é um reflexo de uma ditadura de toga e que o brasileiro já perdeu a confiança no STF depois de enterrarem a Lava-Jato.
O advogado Frederico Junkert comparou o convescote em Londres a escândalos passados de corrupção no Executivo, classificando-o como a “farra dos guardanapos 2.0”. Junkert ressalta que o comportamento dos magistrados fere o decoro esperado para o cargo. Ele critica a tentativa de solucionar a crise apenas com medidas protocolares: “não me parece que um código de conduta vai ser suficiente… a coisa passou muito do ponto”. Junkert defende medidas mais drásticas, afirmando que o que precisamos é responsabilizar Alexandre Moraes, responsabilizar Dias Toffoli, responsabilizar Gilmar Mendes e outros integrantes do Supremo.
A discussão também abordou a disputa entre a Polícia Federal e a PGR pela condução de uma possível delação premiada de Vorcaro, com os analistas expressando preocupação de que a proximidade pessoal das autoridades com o banqueiro possa comprometer a independência das investigações.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/amizade-whisky-e-a-farra-dos-guardanapos-impactam-o-caso-vorcaro-no-judiciario/
As mensagens de Vorcaro podem derrubar Alexandre de Moraes
O conteúdo das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro do STF Alexandre de Moraes mostra que estamos diante de algo muito maior que uma fraude financeira de dezenas de bilhões de reais: o país vive, agora, um escândalo institucional como pouquíssimos em nossa história – que é repleta desses escândalos. Quando um investigado procura um membro da cúpula do Judiciário, dando a entender que tem informação privilegiada sobre a condução dessas investigações, e lhe pergunta se conseguiu “bloquear” algo, e quando esse ministro responde com mensagens que se autodestroem, para não deixar rastros, há algo de muito suspeito. E, para piorar, Moraes jura que não era o destinatário das mensagens, o que jornalistas desmentem. Se o ministro está mentindo, estamos diante de todos os elementos necessários para, no mínimo, um afastamento, mas não seria exagero falar em crime de responsabilidade. Assista ao vídeo com a opinião da Gazeta do Povo sobre este caso.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/mensagens-daniel-vorcaro-alexandre-de-moraes/

“Festinha do uísque” de Vorcaro em Londres não é crime, mas também não é ético

O excelente Poder360 pesquisou bem, e o Estadão confirmou e publicou também. Sabemos agora os detalhes da famosa degustação de uísque no George Club, em Londres, oferecida por Daniel Vorcaro, com nota fiscal de US$ 640.831,88, ou R$ 3,3 milhões. Vorcaro pagou a degustação de uísque Macallan para Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal) e Paulo Gonet, procurador-geral da República, em 25 de abril de 2024. Também estavam lá o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves, aquele do “missão dada, missão cumprida”; o presidente da Câmara, Hugo Motta; e o ex-ministro do Supremo, ex-contratado por Vorcaro, ex-ministro da Justiça (cargo que ele ocupava quando aconteceu a degustação) e ex-presidente do julgamento de Dilma, Ricardo Lewandowski.
Esse é aquele evento que aparece nas mensagens trocadas entre os dois pombinhos, em que Vorcaro conta para a namorada sobre a reunião. Diz que consultou Moraes sobre os convidados, e que o ministro vetou um: Joesley Batista. Essa o Joesley não vai esquecer, sabendo que ficou de fora do Macallan. Não conheço esse uísque; pelo jeito, é coisa de gente que tem dinheiro sobrando e de deslumbrados.
É crime isso? A priori, não. Mas essa promiscuidade entre autoridades e um banqueiro (“banqueiro” é elogio para Vorcaro, porque banqueiro de verdade acha que ele é apenas um bobo estagiário tentando ser banqueiro, foi o que eu ouvi) pagando mimos caríssimos é algo que a ética não recomenda. Sabe-se lá o que acontece depois da décima dose.
Hora da verdade para a Segunda Turma, que julgará prisão de Vorcaro
Na sexta-feira a Segunda Turma do STF julga a decisão do relator André Mendonça que mandou prender Vorcaro. A turma é composta por Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Toffoli. Estou curioso para saber se Toffoli vai se declarar impedido, ou se vai votar – e, caso ele queira votar, qual será seu voto. Ele tentou evitar a prisão, tentou congelar o andamento das investigações, tentou botar sigilo total nas provas… ele e Gonet. Como Toffoli votará? E se votar para manter Vorcaro na prisão, o dono do Master ficará irritado a ponto de fazer uma delação? E Gilmar Mendes, vai demonstrar que está do lado de Fux e Mendonça, ou do lado de Moraes? É estranho acharmos esse vínculo com Vorcaro lá no fundo, mas aquele contrato de R$ 129 milhões nos autoriza a pensar assim.
Dino não podia anular quebras de sigilo decididas por CPMI, diz Advocacia do Senado
A CPMI do INSS acionou a Advocacia do Senado, que está entrando com um agravo regimental contra a decisão de Flávio Dino que, alegando que a votação em bloco não valia, suspendeu a quebra de sigilo de Lulinha e de Roberta Luchsinger, que é o elo entre Lulinha e o “careca do INSS”. Os senadores estão irritados com essa decisão que se meteu em assuntos interna corporis, ou seja, questões internas do Legislativo. A CPMI existe para investigar sem interferência do STF; depois é que os casos vão para o Supremo. Com Fernando Collor foi assim: ele foi julgado no Senado e, depois, passou por um outro julgamento no Supremo, que o absolveu de crimes comuns. No Senado, ele foi julgado e condenado por crime de responsabilidade; é diferente, um julgamento político.
Eu cobri o Supremo numa época em que controvérsias internas da Câmara e do Senado eram consideradas interna corporis, e o Supremo devolvia. Agora, já que o governo não tem maioria no Congresso em geral, usa o STF como seu braço político, e assim essa crise que o Supremo criou está batendo em Lula. A maior parte do eleitorado de Lula acha que o Supremo faz parte do Poder Executivo, e que Lula manda no Supremo; então, se temos essas coisas horríveis no Supremo, o responsável é Lula. Ele está vendo isso e está preocupado, porque sabe que terá problemas na eleição.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/festinha-do-uisque-vorcaro/
STF não encontra saída para maior crise de credibilidade da sua história

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tem discutido reservadamente com os ministros saídas institucionais para a maior crise de credibilidade da história da Corte, mas suas opções são limitadas por questões regimentais, políticas e jurídicas. A mais temida por envolvidos seria incentivar o afastamento voluntário de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, por exemplo, mas a medida, “dura e necessária”, dizem juristas com atuação no tribunal, não faz o estilo do cauteloso Fachin. Tanto assim que ele só pensa no STF do futuro, com seu Código de Conduta.
PGR catatônico
Outra opção seria encaminhar as suspeições à Procuradoria Geral da República, mas seu titular Paulo Gonet também é alvo de críticas.
‘Sob ataque’?
Ministros defendem que o STF estaria “sob ataque” e que a Fachin não resta alternativa senão defender a instituição e blindar os envolvidos.
Uísque em Londres
Como nada está tão ruim que não possa piorar, revela-se que Daniel Vorcaro bancou gastos extravagantes de ministros em Londres.
Saída é logo ali
Há ministros convencidos de que, sem o STF tomar providências, ao Senado não restará alternativa senão abrir processos de impeachment.
Argentina concede asilo para envolvido no 8 de janeiro

A Argentina concedeu refúgio político ao brasileiro Joel Borges Correa, condenado no Brasil pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes. A decisão foi tomada pela Comissão Nacional para Refugiados do país (Conare) e marca a primeira vez que o governo argentino concede esse tipo de proteção a um foragido relacionado aos atos.
Correa, de 47 anos, foi condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão. Mesmo assim, a Justiça argentina havia determinado sua extradição após pedido feito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele foi preso no país vizinho em novembro de 2024 durante uma blitz na província de San Luis, quando estava em um carro com destino à região da Cordilheira dos Andes.
A Conare é composta por representantes de ministérios argentinos, como Relações Exteriores, Justiça e Interior, e recebe apoio técnico do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Embora o governo argentino afirme que o órgão atua de forma autônoma, especialistas apontam que a decisão final sobre a concessão de refúgio acaba sendo influenciada pelo Poder Executivo.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/argentina-concede-asilo-para-envolvido-no-8-de-janeiro
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