Mensagens apontam encontro de Vorcaro com Moraes e citam Viviane Barci

Banqueiro teria encontrado ministro do STF e citou, em conversa com a namorada, a esposa de Moraes, com quem teve contrato de serviços advocatícios. (Foto: Antônio Augusto/STF)

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcado, dono do liquidado Banco Master, indicam que ele teria se encontrado com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o feriado de 19 de abril de 2025, e indícios de reunião com a esposa dele, a advogada Viviane Barci. O conteúdo das conversas, trocadas com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, foi incluído em documentos analisados pela CPMI do INSS a partir de investigações da Polícia Federal.

Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que apurava inicialmente a suspeita de fraudes bancárias envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB), mas que agora avança para corrupção de servidores públicos, ameaça e coação de desafetos do banqueiro e invasão de sistemas estatais sigilosos de informações.

O gabinete de Moraes informou à Gazeta do Povo que ele não vai se pronunciar sobre as conversas.

Segundo informações confirmadas pela Gazeta do Povo com fontes da Polícia Federal a par da investigação, em uma das conversas registradas às 17h22 do dia 19 de abril, o empresário avisa a namorada que estava prestes a se encontrar com o magistrado. “Indo encontrar Alexandre [de] Moraes aqui perto de casa”, escreveu Vorcaro.

Surpresa com a informação, Martha respondeu imediatamente perguntando sobre o local do encontro. “Como assim amor. Ele está em Campos???? Ou foi pra te ver?”, questionou.

Cerca de 18 minutos depois, o banqueiro respondeu de forma breve sobre a presença do ministro na região. “Ele tá passando feriado”, escreveu.

Outra conversa registrada nos documentos ocorre dez dias depois, em 29 de abril, quando Martha volta a comentar sobre a visita. Ela perguntou ao namorado quem era “o primeiro cara” que havia estado na residência – Vorcaro respondeu de forma direta que foi “Alexandre Moraes”.

A influenciadora reagiu à informação e demonstrou curiosidade sobre a impressão do ministro ao visitar o local: “Morri. Ele gostou da casa amor!?? Tá muito mais astral”, escreveu.

O empresário respondeu que o ministro teria elogiado o imóvel. “Sin [sic]. Falou que é [sic] bem melhor. E ele adorava apto [apartamento]”, afirmou.

Martha então comentou sobre a situação em tom descontraído. “Falou pra te agradar. Que vergonha eu tava de pijama”, disse.

Encontro com esposa de Moraes

Há ainda um diálogo de 3 de abril que menciona a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Na conversa, Martha afirma que “tava lendo o negócio” envolvendo a advogada, e Vorcaro responde pedindo para que ela não se aprofunde no assunto: “não leia essas coisas”.

A própria influenciadora diz que buscava entender a situação. “Ta bom. Não vou mais ler amor. Eu só fui ver agora pq estou perdida. Sem saber o que está acontecendo”, escreveu.

Documentos apurados pela Polícia Federal indicam que Vorcaro contratou o escritório de Viviane, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, para defender seus interesses e do Banco Master por R$ 3,6 milhões mensais com pagamento prioritário.

O acordo teria duração de 36 meses a partir do início de 2024. Caso fosse executado integralmente, o contrato poderia render cerca de R$ 129 milhões ao escritório até o início de 2027, antes da liquidação da instituição financeira pelo Banco Central.

Alexandre, Motta e Ciro

Os arquivos também registram outras menções ao nome “Alexandre” em diálogos entre o casal, mas não há confirmação de que todas as citações se referem ao ministro do STF. Em outra conversa datada de 20 de março, Vorcaro relata a chegada de duas pessoas identificadas apenas como “Hugo” e “Ciro” para falar com “Alexandre”.

A mensagem diz: “Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre”, o que pode indicar referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), embora o local do encontro não tenha sido detalhado.

Motta não se pronunciou sobre esse suposto encontro. Já Ciro Nogueira afirmou, em nota, que “embora conheça Daniel Vorcaro”, assim como conhece “centenas de empresários”, “ele jamais pertenceu ao meu círculo de amizades próximas”.

FONTE: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mensagens-apontam-encontro-vorcaro-moraes-citam-viviane-barci/

STF barra “fatura” de remédios de alto custo para SC e cobra pagamento da União

O medicamento Pembrolizumabe é indicado principalmente para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão. (Foto: Junior Aguiar/GOVAC/Divulgação)

O Supremo Tribunal Federal (STF) impôs uma série de derrotas à União e confirmou que o governo federal deve assumir, de forma direta e imediata, o custeio de medicamentos de alto valor em Santa Catarina. Em cinco decisões monocráticas recentes, os ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Nunes Marques derrubaram entendimentos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que obrigavam o caixa estadual a antecipar recursos para terapias milionárias.

A disputa jurídica provocada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SC) gira em torno de quem deve assinar o cheque na hora de cumprir ordens judiciais de saúde. O TRF4 vinha adotando a prática de exigir que o estado comprasse e entregasse os fármacos para, só depois, buscar o ressarcimento com Brasília.

Para o procurador do Estado Felipe Barreto de Melo, a insistência no modelo de “compra e reembolso” asfixiava o orçamento local e desviava verbas que deveriam financiar a saúde básica e regional.

O julgamento no STF estabeleceu critérios para a judicialização da saúde no Brasil. Ficou decidido que, nas demandas envolvendo medicamentos não incorporados ao SUS, mas com registro na Anvisa, cujo custo anual seja igual ou superior a 210 salários mínimos, a competência é da Justiça Federal e o custeio deve ser integralmente da União.

Ao estado, cabe apenas o apoio logístico para a entrega, quando necessário, mas não o desembolso financeiro inicial. A base para a vitória catarinense é o Tema 1234 de Repercussão Geral, uma tese jurídica consolidada pelo próprio Supremo a partir de recurso da PGE-SC.

Remédios de R$ 720 mil eram custeados pelo estado

Ao analisar um dos casos, o ministro Flávio Dino destacou que empurrar a obrigação para o estado “desvirtua o entendimento” da Suprema Corte. Segundo o magistrado, a participação do ente estadual deve ser apenas executiva, para facilitar a chegada do remédio ao paciente, sem que isso signifique responsabilidade financeira ou ônus com honorários advocatícios.

Entre os processos analisados, estavam pedidos de medicamentos oncológicos, como o Trastuzumabe Deruxtecana (para câncer de mama), o Pembrolizumabe (para linfoma) e o Zanubrutinibe (para leucemia). Os valores que motivaram as Reclamações Constitucionais da PGE-SC ultrapassava R$ 700 mil por ano no caso analisado pelo ministro Flávio Dino.

Em outro caso, relatado pelo ministro Nunes Marques, o tratamento anual era de R$ 550 mil. O procurador-geral catarinense, Marcelo Mendes, celebrou a convergência de diferentes ministros em torno do tema.

Para ele, as decisões protegem o pacto federativo e garantem que o dinheiro dos impostos pagos pelos catarinenses seja aplicado em suas competências diretas. “Garantimos que os recursos dos catarinenses sejam aplicados nas responsabilidades do estado, enquanto a União assume o que lhe cabe: os tratamentos de altíssima complexidade e custo”, afirmou Mendes.

Além de afastar a obrigação da compra, o STF também livrou o estado do pagamento de honorários de sucumbência nessas ações, reforçando que a União é a única parte legítima para figurar no polo passivo financeiro dessas demandas.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/stf-uniao-medicamentos-alto-custo-santa-catarina/

PF procura 5 por vazamento e venda de dados sigilosos de ministros do STF; Moraes foi alvo

Operação é desdobramento do “inquérito das fake news” após Moraes incluir vazamento de informações de ministros. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A Polícia Federal cumpre, nesta quinta (5), cinco mandados de prisão de suspeitos de integrar um esquema de vazamento e venda de dados sigilosos, incluindo informações pessoais, de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação Dataleaks mira uma organização criminosa especializada em acessar ilegalmente bases de dados públicas e privadas para obter e comercializar informações sensíveis.

De acordo com as primeiras informações, a operação faz parte do chamado “inquérito das fake news”, em que o relator, ministro Alexandre de Moraes, incluiu na apuração do vazamento de informações sigilosas dos sistemas da Receita Federal, incluindo a esposa dele – a advogada Viviane Barci –, outros ministros e parentes.

As primeiras apurações apontam que ele próprio foi um dos alvos do grupo — todos os ministros do STF tiveram dados acessados, segundo apurações. Além dos cinco mandados de prisão, são cumpridos quatro de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas.

“As investigações tiveram início após a identificação de uma base de dados não oficial, abastecida por meio de acessos indevidos a sistemas e a bases governamentais, contendo informações pessoais de ministros do STF”, disse a Polícia Federal em nota.

Entre os dados supostamente vazados está o contrato que Viviane Barci firmou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para defender seus interesses ao custo de R$ 129 milhões até 2027, mas que foi interrompido após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central. Além da negociação, o jornal O Globo revelou, no fim do ano passado, que o patrimônio pessoal dela saltou de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões no período de 2023 a 2024, um crescimento de 232%.

Além da mulher de Moraes, Dias Toffoli também teve transações relacionadas ao Master publicadas na imprensa. Recentemente, o Estadão publicou mensagens de Vorcaro em que pergunta ao cunhado e operador, Fabiano Zettel, sobre pagamentos ao resort da família do ministro que somaram R$ 35 milhões. O jornal O Globo também publicou que ele enviou a seu advogado prints de contratos com a advogada Roberta Rangel, ex-mulher do ministro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que houve “exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas de autoridades públicas, divulgadas sem contexto e sem controle jurisdicional, tem sido instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.

Como funcionava o esquema

A Polícia Federal afirma que o esquema atuava em várias etapas, desde a obtenção clandestina das informações até a adulteração e posterior venda dos dados. Além da comercialização, o material também era disseminado de forma ilegal.

A investigação aponta que os envolvidos teriam usado técnicas de invasão de sistemas e manipulação de dados para alimentar a base clandestina. O objetivo era transformar o acesso irregular às informações em uma fonte de lucro por meio da venda de dados sigilosos.

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos poderão responder por uma série de crimes relacionados à atuação da organização. Entre as acusações estão organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pf-procura-5-vazamento-venda-dados-sigilosos-ministros-stf/

Rodrigo Constantino

Uma mistura de Epstein com Al Capone

O banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. (Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons)

Com autorização do ministro André Mendonça, Daniel Vorcaro e seu cunhado foram presos novamente nesta quarta. Mendonça resolveu tirar o sigilo da decisão, da qual a PGR foi contra. Paulo Gonet não viu ameaça no banqueiro fraudulento, mesmo que, em mensagens num grupo de WhatsApp, ele falasse em “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, entre outros. O PGR, porém, defendeu a prisão dos inocentes do 8 de janeiro, de Filipe Martins, de Bolsonaro e de tantos outros.

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O Brasil foi mesmo dominado por uma máfia. Vorcaro, que teve R$ 22 bilhões sequestrados na operação, parece uma mistura de Jeffrey Epstein com Al Capone. Suas festinhas no “Cine Trancoso” serviam para atrair e intimidar autoridades, enquanto essa postura de tramar agressões é típica de mafiosos como Al Capone.

Vorcaro investiu bastante em “conexões”, ou seja, tentou comprar quem estava à venda em Brasília. Contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes, recursos para o resort da família de Dias Toffoli e por aí vai. Se ele delatar, o que se tornou mais provável com sua volta à prisão, muita gente poderosa vai tremer nas bases. Vorcaro é um gângster, mas não lhe faltam cúmplices…

O grupo de WhatsApp de Vorcaro se chamava ‘A turma’, mas se trata de uma turma de milicianos, de bandidos. Que André Mendonça siga no bom caminho e autorize o trabalho da Polícia Federal com toda a autonomia que ela precisa para avançar nas investigações

Enquanto isso, a esquerda e uma ala da direita “bolsonarista” partiram para cima de Nikolas Ferreira após Malu Gaspar relatar que o deputado viajou num jatinho que era de uma empresa com vários sócios, entre eles Vorcaro. Isso há quatro anos, para fazer campanha para Jair Bolsonaro. À época, Vorcaro não era tido como criminoso, e Nikolas sequer organizou a logística das viagens. Era apenas um convidado.

Nada disso importa para quem quer apenas difamá-lo e desgastá-lo. Até Tabata Amaral embarcou nessa, ignorando que recebeu em seu casamento o ministro Moraes. Ou seja, os R$ 129 milhões, já conhecidos do público, não a impediram de achar adequado ter na festa um “companheiro” de Vorcaro, mas Nikolas aceitar carona num avião fretado virou o problema. É pura desonestidade, claro.

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A esquerda, aliás, faz de tudo para barrar a CPI do Master, enquanto Nikolas luta por sua instalação. As ações falam mais alto do que as palavras. Kriska Pimentinha, ligada ao PT, chegou a publicar um claro briefing da Secom com uma estratégia para atacar Nikolas, que também foi alvo da turma “australiana” que se diz bolsonarista raiz, mas não respeita os pedidos do próprio Jair Bolsonaro.

O grupo de WhatsApp de Vorcaro se chamava “a turma”, mas se trata de uma turma de milicianos, de bandidos. Que André Mendonça siga no bom caminho e autorize o trabalho da Polícia Federal com toda a autonomia que ela precisa para avançar nas investigações. Tem muita gente envolvida nesse escândalo do Master. Que todos eles paguem por seus crimes!

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/daniel-vorcaro-uma-mistura-de-epstein-com-al-capone/

Farmacêutica de Vorcaro inaugurada por Lula liga presidente ao banqueiro

Ex-ministro Mares Guia na inauguração da Biomm, de Vorcaro, agradece ao amigo Lula – Foto: assessoria/PR.

A ligação de Daniel Vorcaro a Lula (PT) ainda está por ser investigada. Um dos fatos mais intrigantes é que o petista recebeu por quatro vezes, fora da agenda, o banqueiro preso; uma delas por uma hora e meia. Mas foi o ‘socorro’ a empresário em dificuldades, em Minas Gerais, que pode virar batom na cueca: tratava-se de Walfrido dos Mares Guia, duas vezes ministro de Lula. A saída era a farmacêutica Biomm, que precisava de um investidor e de um governo gastador, e seus problemas acabariam.

‘Salvador’ em ação

Após a posse de Lula, Vorcaro aparece, vira sócio e sacramenta tudo na inauguração da fábrica da Biomm em Nova Lima (MG), em abril de 2024.

Felizes para sempre?

Lula fez questão de ir e o amigo discursou agradecido, claro: restavam-lhe 8% da Biomm, um quarto da Cartago, de Vorcaro, mas estava feliz.

Só podia gerar rombo

O governo Lula enterrou na Biomm R$203 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e mais R$133 milhões do BNDES e BDMG.

Exclusivo das tetas

Logo a Biomm fecharia contratos milionários com o governo Lula. Os críticos dizem que nunca vendeu um só frasco de nada ao setor privado.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/farmaceutica-de-vorcaro-inaugurada-por-lula-liga-presidente-ao-banqueiro

Ex-dirigentes do BC receberam mesada de Vorcaro, aponta relatório da PF

Sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil).

Dois ex-dirigentes do Banco Central (BC) teriam recebido pagamentos mensais do banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar o Banco Master a escapar da fiscalização do próprio órgão regulador. A informação consta em relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, onde Mendonça também determinou a prisão do banqueiro. 

Segundo a decisão de Mendonça, o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, teriam atuado como “consultores informais” de Vorcaro enquanto ainda ocupavam cargos no Banco Central.

De acordo com a PF, eles recebiam dinheiro para repassar informações internas e orientar o banqueiro sobre como apresentar pedidos ao próprio BC.

Nesta quarta-feira (4), os dois foram alvo de medidas cautelares: passaram a usar tornozeleira eletrônica, estão proibidos de acessar os sistemas do Banco Central e não podem frequentar a sede da autarquia. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

Paulo Sérgio e Belline foram afastados dos cargos em janeiro deste ano por determinação do próprio Banco Central, que abriu investigação interna para apurar suspeitas envolvendo o Banco Master.

A operação da PF foi baseada, em parte, em informações repassadas à Justiça pelo próprio BC. As investigações indicam ainda que empresas fictícias teriam sido criadas para simular a prestação de serviços dos servidores ao banqueiro.

De acordo com o relatório, Vorcaro solicitava orientações estratégicas sobre reuniões institucionais, elaboração de documentos e como tratar temas sensíveis perante o Banco Central.

Em mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação, Paulo Sérgio teria enviado ao banqueiro uma imagem com a portaria de sua nomeação para o cargo de chefe-adjunto de Supervisão Bancária. Vorcaro respondeu: “Parabéns”.

A PF também aponta que o ex-diretor teria repassado informações sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo órgão regulador.

Além dos pagamentos, há indícios de que Vorcaro teria ajudado Paulo em uma viagem para a Disney, em Orlando, nos Estados Unidos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/ex-dirigentes-do-bc-receberam-mesada-de-vorcaro-aponta-relatorio-da-pf

Alexandre Garcia

Lulinha ainda não está a salvo após Dino blindar lobista

Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, apontada como elo entre Lulinha e o “careca do INSS”. (Foto: Luiz Silveira/STF)

Muita gente não entendeu a decisão do ministro Flávio Dino em um mandado de segurança impetrado pela defesa de Roberta Luchsinger. Ela é o braço direito do “careca do INSS”, foi ela quem o apresentou para Lulinha, tem uma mansão no Lago Sul onde recebia os dois. Dino suspendeu a quebra de sigilo dela, que tinha sido aprovada pela CPMI do INSS. Muita gente está achando que Dino está bloqueando a quebra de sigilo do Lulinha – a defesa dele já fez o pedido; quando gravei esta coluna, ainda não havia resposta. Mas a quebra de sigilo do Lulinha foi dupla: houve a da CPMI do INSS, mas também houve a quebra por ordem do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal. Os governistas que querem esconder as movimentações financeiras do Lulinha apelaram para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que ele interferisse na decisão da CPMI, mas ele não os atendeu.

Até agora, a decisão do ministro Dino se refere apenas à quebra do sigilo de Roberta Luchsinger, mas de certa forma isso beneficia Lulinha. Se ele não deixou rastro, porque está calejado, tudo foi feito pela Roberta Luchsinger, que é uma lobista e tem know-how: foi casada com Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal, e é neta de um grande ex-acionista do Credit Suisse, um grande banco internacional. Protógenes, quando fugiu do Brasil, foi para a Suíça, então ela sabe das coisas.

Argumento de Dino para suspender quebra de sigilo expõe abuso do STF

A decisão do ministro Dino, no entanto, tem um “faça o que eu digo, mas não faça o que o Supremo fez”. O ministro argumentou que não pode haver quebra de sigilo em bloco, no coletivo, no atacado; é preciso individualizar. E você, que me ouve ou me lê, já sabe o que vou dizer: o Supremo não individualizou as denúncias e as condenações do 8 de janeiro. Julgava tudo por grupo: pegava 50, condenava 50. Do que Fulano é acusado? Ele fez realmente isso? Ele estava armado? Não; ninguém estava armado, a não ser com batom ou bíblias. Dino aplicou o princípio correto: se uma decisão vai prejudicar alguém, deve-se individualizar, explicar os motivos. Quais são os indícios que levam à quebra de sigilo de Roberta Luchsinger? Os indícios são bem óbvios, mas talvez tenha faltado à CPMI fazer essa individualização.

Ministro liberou documentário que o STJ havia censurado

Um dia antes, o mesmo Flávio Dino surpreendeu ao liberar aquilo que o Superior Tribunal de Justiça tinha censurado, um documentário sobre os Arautos do Evangelho. Uma produção da Warner que vai sair agora, neste semestre, no streaming HBO Max, se chama Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho. Conta a história desse grupo católico, fundado em São Paulo, que já está presente em 70 países do mundo e foi reconhecido pelo papa em 2001, e tem sido alvo de denúncias. Eu me interessei por eles quando fui visitar a basílica de Santa Maria Maior, uma das mais sensacionais entre as centenas de igrejas de Roma, e ouvi um sotaque paulistano lá dentro; era uma etapa de uma consagração de um grupo grande brasileiro dos Arautos do Evangelho, celebrada por um cardeal.

O STJ havia censurado a série porque alguns processos contra os Arautos correm em sigilo. Mas a Warner explicou que não havia nada disso, que não tinha tido acesso a inquérito nenhum. Dino liberou, desde que não mostrem nada que seja de processos sigilosos, e disse que a decisão anterior fazia censura prévia. De novo? Será que era “só mais essa vez”, como fizeram com a Brasil Paralelo, que tinha um documentário sobre a tentativa de assassinato de Bolsonaro? “Não pode porque está perto da eleição”, disseram no TSE. Mas os ministros nem tinham assistido ainda.

Distrito Federal vai vender patrimônio para cobrir rombo do BRB

Para salvar o Banco Regional de Brasília, a Assembleia Distrital (o Legislativo do Distrito Federal), por 14 votos a 10 – todos os deputados estavam presentes –, aprovou uma lei que autoriza a venda de patrimônio do Distrito Federal para cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões. É um rombo até pequeno perto dos R$ 22 bilhões que o ministro André Mendonça bloqueou de Daniel Vorcaro, incluindo os R$ 2,2 bilhões que o banqueiro mandou para o pai. A lei autoriza a hipotecar, vender e tomar emprestado para salvar o banco. Agora, como é que vamos confiar em políticos, quando o governador vinha dizendo, dez dias atrás, que o banco estava muito saudável? O mesmo governador que convenceu os deputados, por esse mesmo placar de 14 a 10, a comprarem o Banco Master lá atrás.

PGR não viu nada de mais em ordens para “moer” secretária e “quebrar os dentes” de jornalista

André Mendonça prendeu aqueles que ameaçavam “moer” uma secretária de Vorcaro, por ordem do banqueiro, e quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Foram presos para salvaguardar as pessoas ameaçadas. Mas a Procuradoria-Geral da República disse que não era o caso de prender, que não abonaria o pedido de prisão. Em que mundo vive esse pessoal da PGR?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/flavio-dino-quebra-sigilo-roberta-luchsinger-lulinha/

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/flavio-dino-quebra-sigilo-roberta-luchsinger-lulinha/

“Máfia no estado puro”, diz Deltan sobre esquema de Vorcaro

O ex-procurador Deltan Dallagnol condenou o esquema revelado pelo banqueiro Daniel Vorcaro após prisão em Operação Compliance. (Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.)

No programa Última Análise desta quarta-feira (04), os convidados falaram sobre a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária.

“Máfia no seu estado mais puro”, afirmou o ex-procurador Deltan Dallagnol. Segundo ele, a grande surpresa neste caso é a complexa organização criminosa que foi desvelada, acompanhada inclusive de uma rede de inteligência própria.

A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão, ainda, de Luiz Phillipi Machado Mourão e de Marilson Roseno da Silva, que faziam parte de um esquema de ameaça e coação de testemunhas liderado por Vorcaro.

“Você começa a ver uma estrutura organizada de poder, muito mais complexa do que imaginávamos. Sabíamos que Vorcaro tinha relações com pessoas poderosas, como ministros do STF, mas agora descobrimos que ele tinha até assassino de aluguel, usado para amedrontar pessoas”, observa o vereador Guilherme Kilter.

Ainda em meio à operação, dois servidores de carreira do Banco Central foram afastados das funções públicas por envolvimento com o banqueiro. A Polícia Federal afirmou, também, que foram determinadas ordens de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões.

As misteriosas consultorias

A denúncia afirma ainda que o Banco Master tinha contratos simulados de prestação de serviços, por intermédio de empresa de consultoria, utilizados para justificar transferências financeiras efetuadas em favor dos servidores públicos vinculados ao Banco Central, a título de contraprestação pelo serviço oferecido.

“Temos uma forte suspeita sobre todos esses contratos, que precisam ser investigados. Havia uma aprência de consultoria, ou de prestação de serviço, que aconteciam através de pagamentos. Mas a questão é por que esse dinheiro foi dado a essas pessoas”, questiona o escritor Francisco Escorsim.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mafia-no-estado-puro-diz-deltan-sobre-esquema-de-vorcaro/

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