O contrato do Banco Master com o escritório de Ricardo Lewandowski objetivava recrutar o ministro aposentado do STF para seu conselho de administração, mediante R$250 mil mensais, totalizando de R$6,5 milhões. O contrato, a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fez Lewandowski participar de duas reuniões, mas sua posse no Ministério da Justiça mudou tudo. Durante 21 meses os R$250 mil foram pagos, até a Polícia Federal prender Daniel Vorcaro.
Tô fora
À coluna, a assessoria de Lewandowski garantiu que o convite para integrar o conselho do Master não aconteceu e que ele nunca aceitaria.
Sem ligação
Amigos de Lewandowski juram que a demissão foi por “motivo pessoal”, mas ele confessou a Lula o temor de o contrato constranger o governo.
Peso morto
Lewandowski se queixa do enfraquecimento do cargo, sem que o governo se empenhasse na aprovação das suas propostas, daí a saída.
O que sobrou
Ele sustenta que o contrato milionário, na pessoa física, não seria ilegal. Mas o Master o queria e não ao escritório tocado pelos filhos.

Violência contra mulher: 50% da verba está parada
Números da gestão de Ricardo Lewandowski ajudam a explicar o motivo de Lula não ter feito muita questão da permanência do ex-STF no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta tinha uma mixaria para investir em implementação de iniciativas voltadas ao enfrentamento à violência contra mulheres, por mais de R$1,5 milhão em 2025. Ainda assim, conforme registra o Portal da Transparência, o que foi efetivamente pago soma R$735.564,17, ou 48,35% do total.
4 mortes/dia
O baixíssimo valor coincide com o ano em que o Brasil registrou recorde no número de feminicídios, com 1.470 casos, dados do próprio MJ.
Caixa reforçado
O sucessor de Lewandowski, ministro Wllington César, terá um orçamento bem mais generoso na pasta, R$24 milhões.
Ritmo de tartaruga
Apesar de ter mais dinheiro em ano eleitoral, o MJ ainda não gastou nada. A execução do orçamento está em 0%, sem qualquer investimento.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/master-queria-lewandowski-como-seu-conselheiro
Governo abandona Lewandowski e diz ignorar contrato
Vínculo do escritório ligado ao ex-ministro com o Banco Master veio à tona após nomeação para o Ministério da Justiça

O escritório de advocacia do qual o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski tem em sociedade com dois filhos manteve um contrato de consultoria com o Banco Master por quase dois anos, mesmo após a sua nomeação para o Ministério da Justiça e Segurança Pública no atual governo federal.
O acordo, firmado em 28 de agosto de 2023, previa o pagamento de R$250 mil por mês ao escritório, cujo objeto era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”.
Segundo os registros contratuais, os pagamentos continuaram até setembro de 2025, período em que Lewandowski já exercia funções como ministro há cerca de 21 meses.
Ao longo de toda a vigência do contrato, o escritório ligado à família de Lewandowski recebeu aproximadamente R$6,5 milhões brutos, dos quais cerca de R$5,25 milhões foram pagos após a sua posse no Ministério da Justiça, durante 21 meses.
Em resposta ao episódio, auxiliares de Lula (PT) mostram que o petista abandonou o ex-auxiliar, recorrendo à velha alegação de que “não sabia” das relações de Lewandowski com o banco na ocasião da nomeação do ex-ministro para o governo, apesar da informação de que a contratação do então ministro aposentado do STF foi realizada para atender a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-PA), em nome do Planalto.
Por meio de nota, Ricardo Lewandowski confirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após sua saída do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que, ao ser convidado para o Ministério da Justiça, deixou o escritório de advocacia e suspendeu seu registro na OAB.
A nota não especificou o período exato do contrato, mas reconheceu a prestação de serviços à instituição financeira antes de sua entrada no governo.
Após a saída de Lewandowski da sociedade do escritório (formalizada em 17 de janeiro de 2024) a gestão da banca passou a ser conduzida por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, que continuaram a receber os pagamentos mensais até Daniel Vorcaro ser preso na Operação Compliance Zero.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/governo-abandona-lewandowski-e-diz-ignorar-contrato
Flávio chama Lula de antissemita e defende apoio do Brasil a Israel

Durante participação na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo, realizada em Israel, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou o presidente Lula (PT) e reforçou sua defesa de um alinhamento estratégico do Brasil com Israel e outras democracias ocidentais.
Em discurso, Flávio afirmou queo petista adota uma postura antissemita, citando declarações e decisões do atual governo na política externa.
“Lula é antissemita. Isso não é um slogan, não é exagero. É baseado em suas ideias, seus conselheiros, suas palavras e suas ações”, declarou o senador, ao criticar a falta de condenação explícita do grupo terrorista Hamas por parte do presidente brasileiro em recentes episódios do conflito no Oriente Médio.
Segundo Flávio, o Brasil passou a integrar um grupo de países que relativizam ou silenciam diante do terrorismo, postura que, em sua avaliação, afasta o país dos valores democráticos historicamente defendidos pelo Ocidente.
Em contraponto, o senador elogiou as ações dos Estados Unidos na região, classificando-as como um “novo modelo de cooperação internacional” no combate ao extremismo.
O parlamentar também deixou claro que, caso eleito presidente, pretende mudar o rumo da política externa brasileira.
“Israel está na linha de frente da democracia contra a barbárie. Deixe-me dizer isso claramente: o Brasil deve estar com Israel, com os judeus, com as democracias que lutam contra o terror”, afirmou.
Flávio Bolsonaro declarou ainda que “o próximo presidente brasileiro não será persona non grata em Israel”, numa referência direta ao desgaste diplomático entre os dois países durante a gestão Lula. Para o senador, Brasil e Israel compartilham valores fundamentais como liberdade, democracia e respeito pela vida.
Como mostrou o Diário do Poder, Flávio agradeceu publicamente o encontro com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante a conferência. O senador cumpre agenda internacional acompanhado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Flávio afirmou que foi uma honra se reunir com Netanyahu e outras autoridades israelenses. Segundo ele, são lideranças que “levam a sério a defesa da vida, da liberdade e da verdade”, reforçando o discurso de aproximação entre Brasil e Israel em um eventual novo governo.
Michelle chama Nikolas de ‘filho 06’ de Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira (26) para conferir o apelido de “filho 06” do ex-presidente Jair Bolsonaro ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O gesto ocorreu após o parlamentar concluir um trajeto de aproximadamente 240 quilômetros entre a cidade mineira de Paracatu e o Distrito Federal, liderando uma marcha de caráter político.
O movimento, batizado de “Acorda, Brasil” e também chamado de “Caminhada pela Paz”, que começou em 19 de janeiro, atingindo o destino final no domingo (25). No Instagram, Michelle publicou: “O Brasil acordou, 06 – lembra que o Jair te adotou em Minas Gerais?”.
Duas hras antes no fim da caminhada, um raio atingiu o local da concentração, exigindo resposta imediata das equipes de resgate. O balanço do Corpo de Bombeiros aponta que 27 pessoas foram socorridas na Esplanada, a maioria se queixando de hipotermia e três machucadas em razão da descarga el´trica. Todos receberam alta.
5 grandes controvérsias que mancharam a carreira de Dias Toffoli no STF

Cinco grandes controvérsias marcaram a trajetória de Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF) e ajudaram a consolidar uma imagem pública cercada de questionamentos. Do codinome atribuído pela Odebrecht ao voto decisivo que desmontou pilares da Operação Lava Jato, passando pela abertura do Inquérito das Fake News e pela condução do caso Banco Master, decisões e episódios envolvendo o ministro reacenderam, ao longo dos anos, críticas sobre conflitos de interesse, concentração de poder e os limites da atuação judicial.
As investigações mais recentes sobre o colapso do Banco Master e as conexões com o resort Tayayá ampliaram esse desgaste e recolocaram Toffoli no centro do debate público, reforçando a percepção de que sua atuação no STF está diretamente ligada a uma trajetória marcada por embates institucionais e controvérsias recorrentes.
Diante das críticas, Toffoli voltou a receber defesa pública de aliados na Corte. O ministro Gilmar Mendes afirmou que ataques ao colega representariam tentativas de “criminalizar a atividade jurisdicional” e sustentou que decisões impopulares fazem parte do exercício da magistratura. A manifestação, no entanto, não mencionou os questionamentos sobre a conduta do ministro em casos de grande impacto político, econômico e institucional.
Para entender a recorrência dessas controvérsias, é preciso olhar para a formação e a ascensão institucional de Dias Toffoli. José Antonio Dias Toffoli nasceu em 15 de novembro de 1967, em Marília, no interior de São Paulo. Formado em Direito, tentou ingressar na magistratura em 1994 e 1995, ao prestar o 165º e o 166º Concursos de Ingresso à Magistratura, sem sucesso. Sua carreira se desenvolveu fora da magistratura e em estreita ligação com o meio político.
Após atuar como assessor parlamentar e advogado do Partido dos Trabalhadores, Toffoli chegou à Casa Civil e, em março de 2007, foi convidado pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a Advocacia-Geral da União. A nomeação foi interpretada, à época, como resultado da confiança política de Lula em um aliado jurídico que havia defendido o governo em disputas estratégicas, mais do que por uma trajetória em carreiras típicas de Estado.
À frente da AGU, Toffoli obteve vitórias consideradas centrais para o governo federal. Uma das mais relevantes foi a atuação na defesa da construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, obras estratégicas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que enfrentavam uma série de ações judiciais e questionamentos ambientais. A AGU, sob seu comando, coordenou a estratégia jurídica que permitiu a continuidade dos empreendimentos.
Outro caso emblemático foi a defesa da União no julgamento da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2009. À frente da AGU, Toffoli argumentou que a demarcação em área única e ininterrupta era essencial para a preservação cultural e física dos povos indígenas.
Essas atuações reforçaram o prestígio de Toffoli junto ao Palácio do Planalto e ampliaram seu capital político. Em setembro de 2009, com a morte do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, Lula decidiu indicá-lo para o Supremo Tribunal Federal, em sua oitava nomeação para a Corte. A escolha gerou forte resistência no Senado, sobretudo pela ausência de experiência prévia na magistratura e pelos vínculos políticos diretos com o presidente que o indicava, mas acabou confirmada. Toffoli tomou posse como ministro do STF em outubro daquele ano.
Reportagem que o apontou como “amigo do amigo de meu pai” foi censurada pelo STF
Um dos episódios mais emblemáticos do desgaste público de Dias Toffoli veio à tona em 2019, quando uma reportagem da revista Crusoé atribuiu ao então presidente do Supremo Tribunal Federal o codinome “amigo do amigo de meu pai” que apareceu em mensagens internas da Odebrecht.
As mensagens foram enviadas por Marcelo Odebrecht a executivos do grupo em 13 de julho de 2007, no contexto das negociações envolvendo a construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia — empreendimento prioritário do PAC que custaria R$ 10 bilhões e enfrentava ações judiciais ambientais e indígenas que ameaçavam inviabilizá-lo.
À época, em 2007, Toffoli coordenava uma força-tarefa jurídica da AGU responsável por contestar decisões judiciais que buscavam barrar a usina, atuando como interlocutor direto do governo Lula em disputas sensíveis para a Odebrecht. O e-mail de Marcelo questionava os executivos da construtora: “Afinal, vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. E um deles respondeu: “em curso”.
O codinome “amigo do amigo de meu pai” seguia a lógica interna adotada pela Odebrecht para identificar autoridades com diferentes graus de proximidade. No sistema de codinomes da empreiteira, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva era tratado como o “amigo de meu pai”, em referência à relação pessoal com Emílio Odebrecht, patriarca do grupo. Dias Toffoli aparecia como o “amigo do amigo de meu pai”, posição intermediária que refletia tanto sua proximidade política com o governo quanto seu papel institucional como chefe da Advocacia-Geral da União, responsável por atuar em disputas de interesse direto da empreiteira.
Além disso, em documento entregue à Lava Jato em Curitiba, Marcelo Odebrecht afirmou de forma categórica que o codinome se referia a José Antônio Dias Toffoli, explicando: “Refere-se a tratativas [do executivo] com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. ‘Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antônio Dias Toffoli. A natureza e o conteúdo dessas tratativas, porém, só podem ser devidamente esclarecidos [pelo executivo], que as conduziu”, disse Marcelo.
A repercussão se intensificou quando o STF determinou a retirada do ar da reportagem da Crusoé. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News (4781), o site O Antagonista e a Crusoé foram censurados, com ordem de remoção imediata do conteúdo, multa diária de R$ 100 mil e intimação para depoimento sob pena de prisão. Moraes qualificou a matéria como “típico exemplo de fake news” e extrapolação da liberdade de expressão, a pedido de Toffoli, que enviou mensagem ao colega pedindo “a devida apuração das mentiras recém divulgadas”.
Embora Toffoli sempre tenha negado qualquer irregularidade e sustentado que sua atuação na AGU foi estritamente técnica e institucional, o episódio se consolidou como um marco negativo de sua trajetória pública.
Toffoli tratou “sumiço de processo” como anedota e ampliou críticas à sua conduta
Além das controvérsias judiciais, episódios fora dos autos também contribuíram para moldar a imagem pública de Toffoli. Um dos mais citados por críticos veio à tona com a circulação de um vídeo gravado em 21 de março de 2014, durante um evento público, no qual o ministro relatou, entre risos, o desaparecimento de um processo judicial.
Na gravação, Toffoli comentou um episódio ocorrido quando atuava na AGU, envolvendo uma ação de despejo. Segundo o relato, o processo teria “sumido” de um cartório às vésperas do cumprimento de uma liminar. O tom descontraído da narrativa, acompanhado de risadas da plateia, gerou reações negativas quando o vídeo voltou a circular anos depois nas redes sociais.
“Ia ter o despejo no dia seguinte. O juiz deu a liminar. A gente tinha que tentar suspender no Tribunal Regional Federal. Naquela época você tinha que entrar com o agravo e mandado de segurança, porque não existia a tutela antecipada. Aí o Vladimir sai correndo, some e volta com o processo na mão. O que você fez, Vladimir? ‘Ah, eu roubei o processo. Não vai ter mais despejo amanhã. Eu falei que iria tirar xerox e sumi’. Tem que bater palmas para o Vladimir. Porque hoje, onde ia ter esse despejo, tem um conjunto habitacional”, afirmou, em palestra no Centro Acadêmico XI de Agosto, da USP.
Embora não haja registro de responsabilização formal, o episódio passou a ser citado como exemplo do contraste entre a liturgia exigida de um integrante da mais alta Corte e a forma como Toffoli tratou publicamente um fato considerado grave no âmbito da Justiça.
Inquérito das Fake News inaugurou fase de hipertrofia de poder no STF
Foi por decisão direta de Dias Toffoli, então presidente do Supremo Tribunal Federal, que o Inquérito das Fake News (nº 4.781/DF) foi instaurado em 14 de março de 2019. Aberto de ofício, sem prazo definido e prorrogado sucessivas vezes pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, o inquérito permanece em vigor há mais de seis anos e é apontado por críticos como um marco da ampliação inédita do poder do STF sobre a vida política e o debate público no país.
Ao determinar a abertura da investigação, Toffoli invocou o artigo 43 do Regimento Interno do Supremo, sob o argumento de apurar a disseminação de “notícias fraudulentas”, ameaças e ofensas contra o tribunal, seus ministros e familiares. Desde o início, porém, a medida foi alvo de questionamentos por concentrar no próprio STF atribuições típicas de investigar, acusar e julgar, em desacordo, segundo juristas críticos, com o modelo tradicional do sistema acusatório, no qual essas funções são exercidas por órgãos distintos.
Outro ponto central de controvérsia foi a decisão de Toffoli de designar diretamente Alexandre de Moraes como relator do inquérito, sem sorteio. A escolha teve efeitos duradouros sobre a dinâmica interna da Corte. Com o passar do tempo, o Inquérito das Fake News deixou de se limitar à apuração de ameaças ao Supremo e passou a funcionar como eixo estruturante da atuação do tribunal no enfrentamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a seus apoiadores.
Ao longo dos anos, a investigação atingiu empresários como Luciano Hang, da Havan, e Edgard Corona, da Smart Fit; parlamentares como o ex-deputado federal Daniel Silveira — condenado a 8 anos e 9 meses de prisão —, além das deputadas Carla Zambelli e Bia Kicis; deputados estaduais como Douglas Garcia; jornalistas como Allan dos Santos, atualmente nos Estados Unidos; e ativistas como Sara Winter, que chegou a ser presa preventivamente. Também foram alvos o ex-deputado Roberto Jefferson e dezenas de influenciadores digitais.
Com objeto amplo e pouco delimitado, o inquérito passou a abarcar uma variedade crescente de condutas, muitas vezes sem relação direta entre si, o que alimentou críticas recorrentes sobre insegurança jurídica e ausência de limites objetivos. A investigação passou a ser descrita como um “inquérito sem fim”, capaz de se expandir conforme a interpretação do relator, sem controle externo efetivo do Ministério Público.
Em 2020, o próprio Toffoli classificou a instauração do inquérito como a “decisão mais difícil” de sua gestão à frente do Supremo, mas elogiou Alexandre de Moraes como um executor eficaz da investigação, afirmando confiar em sua capacidade técnica para conter o que descreveu como um ambiente de “caos” e “ódio”.
Em 2024, o então ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF na época, chegou a afirmar que o Inquérito das Fake News deveria ser encerrado em 2025, em nome da pacificação política – o que não aconteceu. Barroso se aposentou do tribunal ao fim de 2024, com o inquérito ainda em pleno vigor e sem previsão formal de encerramento. “O inquérito está demorando, é fato que o inquérito está demorando. Mas os fatos têm se multiplicado”, afirmou o ministro a jornalistas em dezembro daquele ano.
Atuação de Toffoli na Lava Jato desmantelou combate à corrupção
A partir de 2019, Toffoli passou a protagonizar decisões que afetariam diretamente o legado da Operação Lava Jato e provocariam reações no meio jurídico e político.
Em novembro daquele ano, proferiu o voto de desempate no julgamento que derrubou a possibilidade de execução antecipada da pena após condenação em segunda instância. Por seis votos a cinco, o Supremo passou a exigir o trânsito em julgado para o início do cumprimento da pena. No voto, o ministro sustentou que o artigo 283 do Código de Processo Penal deveria ser interpretado à luz do princípio da presunção de inocência.
A decisão beneficiou centenas de condenados, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva, à época ex-presidente, cuja prisão foi revertida meses depois. O julgamento reforçou críticas de que a atuação de Toffoli em temas penais sensíveis frequentemente convergia com interesses políticos ligados ao grupo que patrocinou sua indicação ao tribunal.
Nos anos seguintes, decisões do ministro resultaram na anulação de provas obtidas a partir dos acordos de leniência da Odebrecht, com base em mensagens apreendidas na Operação Spoofing. Os julgamentos abriram caminho para pedidos de revisão de condenações, ações penais e sanções financeiras baseadas em elementos produzidos pela Lava Jato.
Em dezembro de 2023, Toffoli suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões imposta ao grupo J&F no acordo de leniência firmado em 2017, sob o argumento de “dúvida razoável” quanto à voluntariedade do acordo. A decisão ocorreu no âmbito da operação da Operação Spoofing, que investigou a troca de mensagens entre membros da força tarefa da Lava Jato. O pedido feito pela J&F foi feito a partir da ação em que o magistrado disse que a prisão de Lula foi “armação”. Ele anulou provas usadas a partir do acordo de leniência da Odebrecht.
Em janeiro de 2024, o mesmo entendimento foi aplicado à Novonor – novo nome adotado pela Odebrecht depois da Lava Jato -, com a suspensão de parte das multas previstas em seu acordo de leniência. Somadas, as decisões suspenderam quase R$ 19 bilhões que deixaram de ingressar nos cofres públicos naquele momento.
Caso Master expôs conflitos entre decisões de Toffoli e interesses privados
As controvérsias que acompanharam a trajetória de Toffoli ganharam novos contornos com as investigações envolvendo o Banco Master. Relator dos inquéritos no Supremo, o ministro passou a concentrar, simultaneamente, o papel de condutor das apurações e o de personagem central do debate público em torno do caso.
No âmbito da Operação Sem Compliance, retirou o processo da primeira instância e concentrou a investigação no tribunal após a identificação de que um deputado federal da Bahia supostamente estaria envolvido no caso. A condução incluiu autorizações para quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueios de bens bilionários, imposição de sigilo amplo e restrições à atuação da Polícia Federal, além da escolha direta de peritos para análise de provas.
O desgaste se intensificou quando as apurações passaram a revelar conexões que extrapolavam o sistema financeiro e alcançavam o círculo privado do próprio ministro. No centro dessas relações está o resort Tayayá, empreendimento de alto padrão no interior do Paraná que esteve ligado a familiares de Toffoli e que recebeu aportes de fundos associados ao ecossistema financeiro investigado no caso.
Parte da participação familiar foi vendida, em 2021, ao fundo Arleen FIP Multiestratégia, administrado pela Reag Investimentos. O aporte criou um elo financeiro indireto entre parentes do ministro e estruturas utilizadas, segundo investigadores, para movimentar recursos ligados a fraudes bilionárias.
Em fevereiro de 2025, outra parte das ações do Tayayá foi vendida a um ex-advogado da JBS, figura apontada como elo entre Vorcaro e Toffoli e identificado em reportagens como o responsável por aproximar o banqueiro do Banco Master do ministro do Supremo.
O uso recorrente do resort por Toffoli, os custos de segurança pagos com recursos públicos, pendências ambientais e ainda informações publicadas pela imprensa sobre encontros privados com empresários e banqueiros ampliaram questionamentos sobre a separação entre esfera privada e atuação institucional.
Matéria da Gazeta do Povo mostrou que o ministro Dias Toffoli diminuiu suas estadas no resort de luxo Tayayá após a deflagração de duas operações da Polícia Federal: a Carbono Oculto, no fim de agosto, e a Compliance Zero, em novembro do ano passado. Ainda assim, Toffoli passou cerca de 100 dias hospedado no local entre dezembro de 2022 e agosto de 2025.
Para críticos, a sobreposição entre decisões judiciais de alto impacto, relações familiares e investimentos privados passou a simbolizar o ponto mais sensível da trajetória de Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal.
A reportagem entrou em contato com o STF e pediu o posicionamento do ministro sobre os fatos citados. Se a manifestação for enviada, a matéria será atualizada.
FONTE: GAZERTA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/5-grandes-controversias-que-mancharam-a-carreira-de-dias-toffoli-no-stf/

Corrupção na saúde mata, mas a punição não vem

Uma das corrupções mais cruéis é quando se desvia dinheiro da saúde pública. Isso vai causar mortes, aumentar doenças, sofrimento. Na China, corrupto assim é condenado à morte. E é uma pena bem merecida, bem aplicada, para servir de exemplo. Aqui, necessitaríamos de um bom exemplo, porque o que a gente tem dado são exemplos de impunidade. E o pior é que veio do Supremo o último grande exemplo de impunidade, com tudo que se aliviou da Lava Jato, que tirou dinheiro principalmente da Petrobras, por exemplo, que é uma empresa que pertence ao povo brasileiro, tem uma boa parte das ações do Tesouro Nacional, portanto, dos pagadores de impostos do Brasil.
E agora aparece uma pontinha de iceberg, só uma pontinha, em Mossoró, no Rio Grande do Norte e outros municípios do Estado. Foram feitas buscas e apreensões pela Polícia Federal, estava também o Tribunal de Contas do Estado constatando, a Controladoria Geral da União, porque são verbas federais. Encontrou-se muito dinheiro na casa de um dos distribuidores de medicamentos para as prefeituras, dinheiro dentro de caixa de isopor, de caixa de papelão.
Corrupção no Chile
Agora, no Chile se encontrou 14 milhões de dólares guardados na casa de uma Ministra da Suprema Corte que foi afastada em outubro. Imagina! Dinheiro em casa é confissão, não precisa mais nada. Como é que a pessoa vai guardar dinheiro em casa? É porque não acredita em banco? Não. É porque o dinheiro é ilícito, não tem como estar esperando uma forma de lavar o dinheiro. Pois bem. Envolve prefeitos.
Em Mossoró envolve o prefeito e o vice-prefeito. Prefeito Allysson Bezerra – com dois eles e ípsilon, como gostam – do União Brasil. E o vice-prefeito Marcos Medeiros, que era o secretário do Fundo de Saúde do município. Só um exemplo de como faziam: numa compra de R$ 400 mil de remédios, metade era de remédio. Mas a outra metade ia R$ 60 mil para o prefeito, R$ 70 mil para os sócios do esquema, R$ 30 mil para os fornecedores. Gente! Dinheiro da saúde. Não basta uma puniçãozinha, não. Eu acho que deveria se encontrar, se não quer pena de morte, pelo menos prisão perpétua para corrupto de dinheiro, que causa dor.
Tratamento negado
Assim como eu acho que deveriam investigar aqueles que mentiam na televisão durante a pandemia que não havia tratamento para curar a Covid. Isso é muito, muito cruel, porque provocou, não sei quanto, ninguém pode calcular. Digamos que metade das mortes foi de gente que poderia ter sido tratada e curada facilmente, sem ir para o hospital.
Eu, toda hora lembro disso. Tinha lá um senador que era traumatologista, quer dizer, que fez curso de medicina e negava que tivesse tratamento. Num país em que qualquer raizinha que aparece para curar câncer dá grandes reportagens na televisão. Que vergonha!
Bom, e um caso lá no Supremo. Uma jornalista entrou no Supremo contra os autores da Vaza Toga – David Ágape e Eli Vieira – e Eduardo Tagliaferro. Aí o Procurador-Geral da República descobriu que o Supremo não tem nada a ver com isso, que isso é na Primeira Instância. E aí, ora, Moraes concordou e mandou arquivar. Imagina se pega! Derruba esses últimos casos envolvendo tantas figuras nacionais e tanta gente do 8 de janeiro. Meu Deus do céu! Vai tudo pra Primeira Instância, ou anula, porque estava na Instância errada, não é?!
Proposta da OAB de São Paulo
Aí vocês viram o que a OAB de São Paulo está sugerindo. Eu acho muito importante, mas claro que o Supremo não vai aceitar.
Pode ser professor, mas não pode ser dono de faculdade, não pode fazer pronunciamento político, tem que guardar reserva, não pode fazer reunião à distância no Supremo, não pode pegar processos que tenham qualquer ligação de amigo, de família, até terceiro grau. Tem que declarar todo o cachê que recebe, passagem, diária, de outros. Não pode aceitar evento em que tenha patrocínio de gente com interesse no Supremo.
Não vão aceitar, não. E aí vão continuar com a ausência – aqueles que fazem isso – de uma exigência da Constituição, que é de conduta ou reputação ilibada. E a Constituição exige também impessoalidade, exige moralidade.
E esse código teve o dedo de Helen Grace e César Peluso, que foram ministros do Supremo, que revisaram tudo e fizeram sugestões, certamente, com a moralidade, a publicidade, a impessoalidade, a reputação ilibada, exigidas pela Constituição.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/impunidade-supremo-corrupcao/

Prepare-se: vem aí o TSE 2.6 para obrigá-lo a votar bem

Tudo o que é ruim pode piorar, já diziam os pessimistas. E, no caso do peso da mão de ferro do TSE nas eleições de 2026, a tendência é piorar mesmo. Só conteúdos com o selo de aprovação da Justiça Eleitoral serão permitidos; todo o resto poderá ser alvo de censura automática, porque o TSE quer transformar as plataformas em “agentes ativos” na hora de remover conteúdos considerados “perigosos” – como os tais “ataques ao sistema eletrônico de votação” ou aqueles vistos como “atos antidemocráticos”.
Na prática, isso significa que as redes sociais terão de monitorar tudo o que você postar. Se o sujeito escrever qualquer coisa que não seja elogio às urnas eletrônicas, ao TSE ou a seus ministros, será censurado automaticamente. Censura limpinha, sem demora, para calar a boca dos incivilizados brasileiros que ainda ousam perguntar se as urnas são realmente seguras.
Desde a famigerada eleição de 2022, o TSE tem colocado as manguinhas de fora, alegando sempre estar apenas protegendo os eleitores
Tentou compartilhar alguma reportagem antiga que mostre relações fraternais entre algum candidato brasileiro e os piores ditadores da Terra? Censura! Isso é desordem informacional. Insinuou que o 8 de janeiro não foi golpe? Censura também – e risco de ser incluído em algum inquérito eterno como golpista. Chamou gente que foi condenada de ex-condenado? Já sabe, né? Censura!
Já falei antes: o poder de censurar conteúdos em qualquer ocasião, mas especialmente em períodos eleitorais, é uma arma perigosa. Escolhemos em quem votar levando em conta o que conhecemos do candidato. Não apenas o que ele diz (ou promete) atualmente, mas também o que já disse e fez no passado, suas alianças, seus aliados e até sua vida pessoal – se uma pessoa é um cretino na vida privada, um mau caráter inveterado, sem nenhuma moral, e se associa a gente igualmente ignóbil, é difícil acreditar que possa ser um bom governante.
Mas, para o TSE, não tem sido assim. Desde a famigerada eleição de 2022, o tribunal tem colocado as manguinhas de fora, alegando sempre estar apenas protegendo os eleitores, como se nós – eu, você, todo mundo – fôssemos néscios, incapazes de avaliar informações mais complexas. Tudo para garantir que votássemos bem.
E é bem provável que seja assim neste ano também. Uma campanha eleitoral suja, marcada por ataques pessoais, mentiras e tentativas de manipulação, é péssima – e isso deve ser combatido. Mas pior ainda são eleições em que o direito de questionar e de se informar é cerceado pela censura indevida.
Só saberemos nas próximas semanas qual caminho o TSE vai seguir neste ano – as resoluções sobre a campanha eleitoral ainda não foram oficializadas –, mas é melhor não alimentar ilusões. Dificilmente os juízes do TSE deixarão de aplicar fartamente a censura sobre as nossas pobres cabeças.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jocelaine-santos/prepare-se-vem-ai-o-tse-2-6-para-obriga-lo-a-votar-bem/
Trump afirma que frota enviada ao Irã está pronta para agir como na Venezuela

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que a frota de navios que enviou ao Irã está preparada para “cumprir sua missão com rapidez e violência”, da mesma forma que ocorreu na Venezuela.
“Assim como na Venezuela, (a frota) está pronta, disposta e capacitada para cumprir sua missão com rapidez”, e com “violência se for necessário”, advertiu Trump em uma publicação na sua rede social própria, a Truth Social.
Na mesma mensagem, disse esperar que o Irã se sente “em breve” à mesa de negociações para chegar a um acordo “justo e equitativo” para todas as partes e no qual não existam “armas nucleares”.
“O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como já disse ao Irã uma vez, CHEGUEM A UM ACORDO! Não o fizeram e ocorreu a Operação Martelo da Meia-Noite”, relembrou o presidente americano, fazendo referência ao ataque dos EUA durante a chamada Guerra dos Doze Dias, ocorrida entre Israel e Irã em junho de 2025.
Segundo Trump, aquela contenda representou “uma grande destruição para o Irã”, mas a próxima investida “será muito pior”.
“Não deixem que isso aconteça novamente”, alertou.
A mensagem do republicano é divulgada após a chegada ao Oriente Médio de uma frota da Marinha americana que Trump havia ordenado que se dirigisse ao Irã após os protestos que abalaram o país desde o final de dezembro de 2025.
As manifestações, especialmente as dos dias 8 e 9 de janeiro, foram sufocadas violentamente pelo regime da República Islâmica e, atualmente, já não há atos relevantes no país. Apesar disso, Trump manteve a instrução de enviar a frota à região.
Dessa forma, o contingente da Marinha dos EUA, liderado pelo porta-aviões nuclear Abraham Lincoln, dirige-se ao Irã com “rapidez”, “determinação” e “entusiasmo”. Segundo Trump, a força é ainda maior do que a enviada à Venezuela para a operação que resultou na remoção do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no início de janeiro.
Por sua vez, o regime do Irã sinalizou nesta quarta-feira que considera mais provável um confronto bélico do que uma negociação com os EUA, após dias de aumento da tensão entre ambos os países pela decisão de Trump de enviar a frota para a região.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/trump-afirma-frota-enviada-ira-esta-pronta-para-agir-como-venezuela/

Be the first to comment on "Master queria Lewandowski como seu conselheiro"