Um dos advogados do enrolado banqueiro Daniel Vorcaro, Walfrido Warde Júnior, é conhecido pelo bom trânsito no PT e entre poderosos de Brasília e pelas generosas doações. Em 2022, foi o maior doador individual da campanha que elegeu Guilherme Boulos (Psol-SP) deputado federal, hoje ministro da Secretaria Geral de Lula: um cheque de R$200 mil. Também aparece como doador graúdo da campanha do deputado petista Paulo Teixeira (SP), hoje ministro do Desenvolvimento Agrário, R$50 mil.
Três poderes
Walfrido já foi sócio (2021) de uma “grife” no judiciário, Roberta Maria Rangel, esposa de Dias Toffoli, relator do processo de Vorcaro no STF.
Histórico
O advogado também atuou na defesa de Dilma Rousseff, que sofreu impeachment, e dos controversos irmãos Batista na Operação Lava Jato.
Bolso aberto
Warde debutou nas doações em 2014 já com polpuda doação, mais de R$40,7 mil para campanha de Moreira Mendes (RO) ao Senado.
Tô fora
Ontem (21), o advogado deixou a defesa do banqueiro, após rumores de delação (a defesa nega) do dono do Banco Master vindo aí.

Brasil é base de exportação de drogas, aponta TCU
O ministro do TCU Augusto Nardes está impressionado com o aumento do tráfico de drogas por meio dos portos brasileiros, apesar de o País não produzir um só grama de drogas de elevado consumo em todo o mundo como cocaína, por exemplo. A constatação do ministro do Tribunal de Contas da União decorre de auditoria de governança que ele determinou e cujos dados estão sendo consolidados. A expectativa é que esse diagnóstico alarmante venha a ser divulgado nos próximos dias.
Tipo exportação
“Os portos brasileiros servem de base para exportação da América Latina”, contou Augusto Nardes em um grupo de amigos no Whatsapp.
Porteira aberta
Historicamente, as drogas produzidas em países vizinhos entram sem dificuldades por fronteiras desguarnecidas, para serem exportadas.
Pódio da vergonha
O Brasil é hoje o segundo maior exportador de cocaína do mundo, segundo denúncia de Lincoln Gakiya, do Ministério Público de SP.
Resort da jogatina
“O que impediria alguém que mexe com cassino (ilegal) de mexer com tráfico de drogas? É só uma pergunta”, do vice-líder da oposição na Câmara, deputado Maurício Marcon (PL-RS).
Pode esquecer
Kim Kataguiri (União-SP) ficou com a relatoria do projeto que quer obrigar vistoria em veículos com mais de cinco anos. Promete rejeitar o texto. O pai do indecoroso texto é o deputado Fausto Pinato (PP-SP).
Corte monocrática
Sargento Fahur (PSD-PR) estranha o sumiço e o silêncio dos outros ministros do STF diante das canetadas de Dias Toffoli no caso do enrolado Banco Master, “cadê os outros ministros?”, provoca o deputado.
Adiante
A quem pergunta, o governador Tarcísio de Freitas (Rep-SP) diz que ainda deve se encontrar com Jair Bolsonaro. A visita, marcada inicialmente para hoje (22), não foi cancelada, apenas adiada, explica.
É uma mãe
Indignou o deputado Guto Zacarias (União-SP) o Bolsa Família usado para bancar assistencialismo para mais de 205 mil venezuelanos: “E o que sobra? Apenas pagar a conta mesmo”.
Zarpando
Lula e comitiva devem inaugurar a agenda internacional do ano na próxima semana. O petista, que adora zanzar por aí com o pagador de impostos bancando tudo, embarca, na próxima semana, para o Panamá.
É só o começo
A viagem ao Panamá é só o começo do rolê global de Lula. Para depois do Carnaval, o petista pretende dar uma volta pela Ásia, com paradas na Índia e na Coreia do Sul, sempre em hotéis de primeira linha.
Maria da Penha
Donald Trump arrancou gargalhadas em Davos ao comentar os óculos escuros de Emmanuel Macron na véspera: “Que diabos aconteceu?” As apostas: o tal alegado derrame ocular ou a pesada mão da esposa.
Pergunta no Supremo
Além de financeiras, a crise do Banco Master também vai liquidar ministros?
Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort

A cunhada do ministro do STF Dias Toffoli, Cássia Pires Toffoli, negou qualquer ligação ou conhecimento sobre a empresa Maridt Participações — da qual seu marido é diretor-presidente e que tem a residência do casal em Marília (SP) registrada como sede na Junta Comercial.
“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos. Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, disse Cássia, esposa de José Eugênio Dias Toffoli (irmão do ministro).
De acordo com reportagem do Estadão, a Maridt, controlada por irmãos do ministro, vendeu em fevereiro de 2025 suas últimas participações no resort de luxo Tayayá (em Ribeirão Claro, PR) por cerca de R$3 milhões (R$ 2,8 milhões + R$ 698 mil), transferindo tudo para o advogado Paulo Humberto Barbosa (que já atuou para a JBS), tornando-o o único dono do empreendimento.
Ela foi abordada pela reportagem na porta de casa de 130 m² com sinais visíveis de desgaste e afirmou desconhecer o registro da empresa como sede ali e negou envolvimento com o resort ou qualquer ganho financeiro relacionado. Ela também disse: “Eu não sei e não quero nem saber” sobre o Tayayá, e mencionou que o marido viaja a trabalho e que as pessoas “ficam inventando coisas” sobre ele ser dono do resort
Contexto maior da reportagem e da sérieIsso faz parte de uma série de reportagens do Estadão sobre ligações entre familiares de Toffoli e o resort Tayayá:
- Em 2021, a Maridt vendeu metade da participação (avaliada em R$ 6,6 milhões) para o fundo Arleen (administrado pela Reag Investimentos e com cotista o pastor/empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — alvo do inquérito no STF relatado por Toffoli).
- Houve aportes totais de cerca de R$ 20 milhões via fundos da Reag no empreendimento.
- Um ex-executivo da Reag (Silvano Gersztel) representou o fundo na transação e é investigado em operação da PF por suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC (a Reag nega irregularidades).
- A família Toffoli (irmãos e primo Mario Umberto Degani) saiu completamente do negócio em 2025.
O ministro Dias Toffoli é relator do inquérito sobre o Banco Master (fraudes, venda irregular de créditos etc.), o que gera questionamentos sobre possível conflito de interesse, embora nem ele nem os familiares tenham comentado diretamente as reportagens. Toffoli continua frequentando o resort, segundo relatos de funcionários e outras publicações.
Ex-sócio de Vorcaro liga PT ao caso do Banco Master

Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e também preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, Augusto Lima liga diretamente o PT ao escândalo de fraude no mercado financeiro. “Guga”, como é mais conhecido, casado com a ex-ministra e ex-deputada Flávia Peres (ex-Arruda), irá depor na PF na próxima semana.
A informação, divulgada na Gazeta do Povo, foi avançada em dezembro pelo Diário do Poder. De acordo com a investigação, Lima articulou a entrada no negócio da Cesta do Povo na Bahia e operou o CredCesta, programa de crédito consignado formalizado no governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil de Lula (PT). Tudo foi realizado em 2018 com articulação de Jacques Wagner, prestes a deixar a liderança do governo no Senado.
Dos 338.600 contratos de consignado do INSS entre 2021 e 2025, cerca 252 mil (74,3%) não foram teriam autorização dos aposentados em nome dos quais o crédito foi concedido, com valores descontados dos proventos em esquema semelhante das parcelas mensais de “filiação” não autorizados de sindicatos e associações picaretas autoridades. São R$ 6,7 bilhões em créditos não comprovados, mais R$ 5,5 bilhões em valores “acessórios” sem explicação — total de R$ 12,2 bilhões sob investigação.
As associações Asteba e Asseba, da Bahia, aparecem tanto no caso Master quanto na CPMI do INSS. Não possuíam estrutura compatível com o volume de crédito atribuído a elas.
Brasil é base de exportação de drogas, aponta TCU

O ministro do TCU Augusto Nardes está impressionado com o aumento do tráfico de drogas por meio dos portos brasileiros, apesar de o País não produzir um só grama de drogas de elevado consumo em todo o mundo como cocaína, por exemplo. A constatação do ministro do Tribunal de Contas da União decorre de auditoria de governança que ele determinou e cujos dados estão sendo consolidados. A expectativa é que esse diagnóstico alarmante venha a ser divulgado nos próximos dias. As informações são do jornalista Cláudio Humberto, colunista do Diário do Poder.
“Os portos brasileiros servem de base para exportação da América Latina”, contou Augusto Nardes em um grupo de amigos no Whatsapp.
Historicamente, as drogas produzidas em países vizinhos entram sem dificuldades por fronteiras desguarnecidas, para serem exportadas.
O Brasil é hoje o segundo maior exportador de cocaína do mundo, segundo denúncia de Lincoln Gakiya, do Ministério Público de SP.
FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/brasil-e-base-de-exportacao-de-drogas-aponta-tcu

Conexão com resort de luxo deixa Toffoli ainda mais enrolado com o caso Master

Eu estou vendo suplementos de automóveis em jornais, muito otimistas dizendo que em breve a gente vai pagar carro europeu – carro alemão, principalmente –, com menos preço, com menos impostos. Só que não vai ser tão cedo assim.
No parlamento europeu, houve uma moção daqueles países que não querem saber de acordo, não podem sequer fazer acordo com o Mercosul: Irlanda, França, Hungria, Polônia. A Itália está, mais ou menos, assim. Os que querem mesmo, Alemanha e Espanha, principalmente, fizeram votação e a moção passou. Trezentos e trinta e quatro votos contra 324. Foi apertado. Eu disse Polônia, mas vejo aqui que a Áustria também.
Então, não vai ser tão cedo assim, sabe por quê? Essa moção foi para a Corte Europeia de Justiça. Foi para o judiciário. Agora, a Corte de Justiça vai estudar a validade ante o Estatuto da União Europeia, se vai causar prejuízo a países ou não. Então, não vai ser assim tão rápido.
Toffoli, Tayayá e o Banco Master
Agora, o que está pegando aqui no Brasil é essa reportagem de seis minutos e meio do Metrópoles, em que os repórteres ficaram hospedados lá no Tayayá, o resort que agora a gente vê que é cassino também, estilo Las Vegas, com jogo, jogatina. Até onde eu sei, jogo de azar está previsto nas contravenções penais. Jogo de azar é aquele cujo resultado depende da sorte. Um jogo de futebol, uma partida de vôlei não é um jogo de azar, mas uma roleta, é um jogo de azar, um carteado é um jogo de azar, pode ser um jogo de inteligência até, mas enfim.
E com informações lá obtidas pelos funcionários, que Toffoli fez uma festa de fim de ano, agora tem uma residência lá só para ele, na parte mais sofisticada da propriedade, e que passou o nome para um advogado do Joesley. Eu acho que quando o negócio esquentou, ele passou para lá. Pode ser isso. E a Folha de São Paulo mostra todas as ligações, os fundos, etc. Tem um fundo lá que está botando dinheiro nas Ilhas Virgens Britânicas, lá no Caribe, paraíso fiscal.
Eu não sei como é que o Toffoli vai se manter sendo relator do Master. Agora que o Banco Central ainda liquidou mais um, a Will Financeira, que é ligada ao Master. Já liquidou uma semana passada, a Reag, e o BRB tem um bilhão e setecentos e cinquenta milhões de papéis dessa Will, meu Deus do céu! É uma enrolação.
Desapropriações e tropeços no português
Bom, a outra questão é que sexta-feira foi informado – eu já falei aqui pra vocês –, que Lula vai anunciar um pacotão de desapropriações fundiárias pra entregar pro MST, pra gente que está inscrita lá. E é uma coisa, eu acho tão estranho isso!
Eu ouvi ontem numa grande rede de rádio aqui do Brasil, falando da Suprema Corte Americana, que está lá com o caso da governadora estadual do FED, do Banco Central Americano, que está sendo exonerada, e foi para a Suprema Corte. Então, na notícia, o repórter disse que a Suprema Corte está analisando.
Gente, quem analisa é o laboratório, que pega urina, fezes, sangue, aí analisa. Não só está analisando como vai dar o parecer em alguns meses. Tribunal não dá parecer. Tribunal decide. Quem dá parecer é a consultoria jurídica. Meu Deus do céu! Eu não sei que jornalismo é esse, em que as pessoas não sabem o significado das palavras. Eu fico muito preocupado com isso. Porque é uma coisa que destrói a credibilidade do jornalismo pela má informação.
Quem vai parar Dias Toffoli?

Na semana passada, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que abrisse uma investigação a respeito de decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que prejudicam a cadeia de custódia das provas apreendidas em operações policiais relativas ao escândalo do Banco Master. Girão ainda defendeu que a PGR pedisse o afastamento de Toffoli do caso – o ministro é o relator das investigações sobre o caso do Master no STF – e fizesse uma “análise técnica independente sobre possíveis conflitos de interesse e impedimentos”. A PGR ainda não respondeu e, a bem da verdade, não é muito realista acreditar que Paulo Gonet faça algo para frear Toffoli. Mas o senador ao menos está tentando, e é indubitável que algo há de ser feito.
As investigações sobre o Master, como já afirmamos aqui, nem deveriam estar no Supremo, pois nem o banqueiro Daniel Vorcaro nem os demais investigados têm prerrogativa de foro; a existência de uma negociação envolvendo um deputado federal, sem relação alguma com as fraudes e que nem mesmo foi concluída, era um argumento fragilíssimo para que o caso “subisse” ao STF. Mas, assim que o caso foi para a suprema corte, Toffoli tem ultrapassado todos os limites na sua condução. Pouco antes de ser sorteado relator, ele compartilhou uma carona de jatinho com o advogado de um dos investigados, sócio de Vorcaro, rumo ao Peru, onde assistiram à final da Libertadores; em vez de recusar a relatoria, Toffoli colocou tudo sob sigilo assim que botou as mãos no caso.
Aparentemente, o país todo já percebeu que Toffoli faz o que quer, e que é imparável. No entanto, é preciso recordar: ele só chegou a esse ponto porque foi incentivado pelos mesmos que hoje pedem providências
Como se não bastasse esconder do país um escândalo com potencial de sacudir Brasília, dadas as ótimas ligações de Vorcaro com os círculos do poder, Toffoli seguiu aprontando. No fim do ano, ordenou uma acareação sem a menor previsão legal, incluindo até mesmo um dos diretores do Banco Central favoráveis à liquidação do Master. Mais recentemente, ao determinar uma nova fase da Operação Compliance Zero, tomou a decisão absurda de negar à Polícia Federal acesso às provas apreendidas, que deveriam ser entregues no STF, lacradas. Só após muita pressão ele aceitou o envio do material à PGR; por fim, aceitou que apenas quatro peritos da PF (nomeados por ele) tivessem acesso aos celulares e computadores. Em meio a tudo isso, a imprensa divulgava os laços de negócio entre familiares de Toffoli, o cunhado de Vorcaro e um fundo de investimentos que integrava a rede de Vorcaro, tudo em torno de um resort no Paraná. Se tudo isso não representa conflito de interesse, o que mais poderia representar?
Aparentemente, o país todo já percebeu que Toffoli faz o que quer, e que é imparável. No entanto, é preciso recordar: ele só chegou a esse ponto porque foi incentivado pelos mesmos que hoje pedem providências. Quem hoje se lembra do princípio do juiz natural não disse nada – na melhor das hipóteses, fez advertências muito delicadas – enquanto brasileiros sem foro privilegiado caíam no abusivo inquérito das fake news, aberto por Toffoli quando ele era presidente do Supremo, e continuou omisso nos filhotes desse inquérito, incluindo a repressão ao 8 de janeiro e os “processos do golpe”. Afinal, “era por uma boa causa”, como resumiu uma colunista de um grande jornal brasileiro. Agora que a hidra da supremocracia desenvolveu milhares de cabeças, defendem que elas sejam cortadas sem reconhecer que colaboraram para o monstro tomar as proporções que tomou. Pior ainda: há quem continue justificando tudo o que foi feito desde 2019, alegando que “agora é diferente”. Não é, e nunca foi – o que hoje e “atípico” e “excepcional” também o era no passado.
Antes tarde do que nunca, é verdade; mas agora a missão tornou-se mais que hercúlea. Do atual presidente da corte, Edson Fachin, não se pode esperar muito – não porque ele não esteja empenhado em colocar ordem na casa, por meio de um código de ética, mas porque legalmente há pouco ou nada que ele possa fazer para impedir que Toffoli continue a aloprar as investigações do Master se quiser. Hoje, a melhor chance de moralizar a atuação do STF está na própria casa legislativa a que pertence Girão: estaria ela disposta a consertar o erro de 2009, quando aprovou para o STF (por 58 a 9!) um então advogado-geral cujo notório saber jurídico era tanto que ele foi reprovado não uma, mas duas vezes em concursos para a magistratura?
Diz o Código de Processo Penal que o juiz está impedido quando “ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito”, pelo inciso IV do artigo 252 – e não é difícil concluir que os negócios dos irmãos e do primo de Toffoli com o cunhado de Vorcaro cumprem esse critério. O artigo 39 da lei do impeachment (1.079/50) considera crime de responsabilidade de ministro do STF “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”. Ora, o impedimento é mais grave que a suspeição, pois enquanto esta envolve uma presunção relativa de parcialidade, aquele envolve presunção absoluta de parcialidade.
Se Toffoli não for contido pelos pares, pela opinião pública ou pela PGR, não há como descartar um processo de cassação no Senado. No sistema de freios e contrapesos, é esta casa legislativa que tem a missão constitucional de impedir que o STF se torne o superpoder da República – seja quando a corte age coletivamente, seja quando um de seus membros resolve se portar como o “editor de um país inteiro”. Por mais que outros ministros do Supremo estejam empenhados em blindar seus colegas desse escrutínio, muito mais prejudicial ao país é a omissão de quem deve “vigiar os vigias”.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/quem-vai-parar-dias-toffoli/
O Banco Master e a queda de braço entre Toffoli e a sociedade

Há duas verdades incontestáveis sobre o escândalo do Banco Master: a primeira é que muitos em Brasília têm tanto interesse em salvar o banco e seu dono, Daniel Vorcaro (mais este que aquele, aparentemente), que, se dependesse deles, o caso nem sequer seria investigado; a segunda é que, se não for possível impedir as investigações, que elas sejam mantidas no maior sigilo possível, para que os brasileiros não saibam quem são os principais interessados na “operação abafa”, nem seus motivos para tanto empenho. E, quando se trata de sigilo, o ministro do STF Dias Toffoli tem sido um personagem bastante diligente – freado apenas quando a opinião pública se levanta com tamanha força que nem alguém acostumado a ser o “poder moderador” da República e o “editor de um país inteiro” consegue resistir.
A rigor, o caso do Banco Master nem deveria estar no Supremo. Ele começou onde devia, na primeira instância, e só foi “puxado” para o STF porque havia um único negócio envolvendo um deputado federal – negócio este que não tinha relação alguma com as fraudes investigadas, e que nem sequer chegou a ser fechado. Este elo fragilíssimo bastou para que o escândalo todo “subisse” para o Supremo, onde Toffoli o trancou em uma caixa-preta, impondo o segundo maior grau de sigilo previsto nas regras internas do STF – tudo isso poucos dias depois de o ministro ter compartilhado uma carona aérea com o advogado de um dos sócios de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero (embora naquele momento Toffoli ainda não tivesse sido sorteado para assumir o caso do Master).
O desejo de salvar Vorcaro e o Master, mantendo as investigações ocultas, é fortíssimo; por isso, precisa ser enfrentado por um desejo ainda mais forte de transparência por parte da sociedade
Uma outra estripulia jurídica de Toffoli, no entanto, não prosperou – ou ao menos não como ele desejava: uma acareação entre Vorcaro, Ailton Aquino (diretor de Fiscalização do Banco Central e um dos defensores da liquidação do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do Banco de Brasília, que tentou comprar o Master). Acareações servem para resolver contradições entre depoimentos, mas nenhum deles havia ainda prestado depoimento à polícia, e a inclusão de Aquino foi vista como uma tentativa de constranger o Banco Central. A Procuradoria-Geral da República pediu o cancelamento da acareação, mas Toffoli se manteve irredutível. As críticas públicas, no entanto, foram tantas e tão intensas que, na véspera da data marcada para a acareação, o ministro recuou. Determinou que a PF ouvisse os três separadamente e deixou que os investigadores avaliassem a necessidade de uma acareação, que acabou ocorrendo apenas entre Vorcaro e Costa.
Com a deflagração da segunda fase da Compliance Zero, nesta quarta-feira, Toffoli voltou à carga: ao ordenar a operação, ele ainda determinou que todo o material apreendido (incluindo 39 celulares e 31 computadores) fosse enviado diretamente ao Supremo, “lacrado e acautelado” – uma decisão que causou mal-estar e também foi duramente criticada por juristas e peritos, que apontaram risco de manuseio inadequado e até mesmo perda de material, com a violação da chamada “cadeia de custódia”. As críticas, vindas da imprensa, de especialistas e até do diretor-geral da Polícia Federal, levou a um novo recuo parcial do ministro, que remeteu as provas para a PGR (mas não para os peritos da PF) e ainda levantou o sigilo sobre as decisões que ordenaram a segunda fase da operação – mas apenas estas; todo o resto segue longe do escrutínio dos brasileiros.
O desejo de salvar Vorcaro e o Master, mantendo as investigações ocultas, é fortíssimo; por isso, precisa ser enfrentado por um desejo ainda mais forte de transparência por parte da sociedade. Foi apenas graças à reação intensa da opinião pública que vimos os recuos de Toffoli nos casos da acareação e das provas colhidas na quarta-feira, e do ministro do TCU Jhonatan de Jesus no caso da inspeção ordenada por ele no Banco Central – no fim, os dois órgãos entraram em um acordo. A vigilância constante e a disposição de levantar a voz diante de decisões controversas no caso Master têm dado resultado e não podem esmorecer.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/banco-master-dias-toffoli-sigilo-transparencia/
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