Lula mal recebe as poucas mulheres que nomeou como ministras do seu governo

Lula e Macaé (C) ao lado da primeira-dama, Janja, e de ministras mulheres da gestão atual. (FOTO: Ricardo Stuckert / Presidência da República/Divulgação)

Não bastasse ignorar a tal paridade de gênero na hora de escolher ministros de Estado ou indicações para tribunais superiores, Lula (PT) também coloca no fim das prioridades as agendas privadas com as mulheres que ocupam alguma pasta na Esplanada dos Ministérios. Dos 10 ministros com menor número de agenda reservada com o petista, sete são mulheres, todas com no máximo duas reuniões com o chefe.

Oi e tchau

Márcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Cida Gonçalves (Mulheres), tiveram apenas um despacho com Lula, em 2025.

Passe no RH

As três ministras empatam em reunião com Paulo Pimenta (ex-Secom), só que ele ficou apenas uma semana de 2025 no cargo até ser demitido.

Até repetiu

Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Anielle Franco (Igualdade Racial), Luciana Santos (Ciência) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) têm dois.

Porta aberta

Rui Costa (Casa Civil) parece mesmo ter prestígio com o chefe, foi o mais recebido pelo segundo ano consecutivo, 36 despachos.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/lula-mal-recebe-as-poucas-mulheres-que-nomeou-como-ministras-do-seu-governo

Eduardo Leite é vaiado em ato só de petistas e Lula no RS

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) | Foto: Reprodução / X

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi vaiado nesta terça-feira (20) por uma plateia exclusiva de petistas, que no gioverno é classificado de “evento controlado”, condição que Lula (PT) impõe para aceitar participar de qualquer ato público, para não correr o risco de ser ele o vaiado. Leite cometeu a ingenuidade de imaginar que os lulistas presentes entenderiam sua presença “institucional” na cerimônia de assinatura de contrato da Petrobras para a construção de navios.

Diante das manifestações do público, Leite afirmou que participava do ato em respeito ao cargo que ocupa e ao presidente da República.

“Eu estou aqui cumprindo meu dever constitucional em respeito ao cargo que exerço em nome do povo do Rio Grande do Sul, com respeito ao presidente. Todos nós aqui, eu e o presidente, fomos eleitos pelo mesmo povo. Eu respeito o presidente. Peço respeito, por favor”, declarou.

O governador também pediu que o público não hostilizasse autoridades por divergências políticas e ressaltou o caráter institucional do evento. Segundo ele, atitudes do tipo contribuem para ampliar “ódio, rancor e mágoa” no país. As vaias continuaram durante sua fala. Apesar do clima tenso, Leite reforçou que Lula é sempre bem-vindo no estado e destacou a relação institucional com o governo federal. O governador afirmou que mantém diálogo frequente com ministros para tratar de temas de interesse do Rio Grande do Sul.

FONTE: GAZETA DO POVO https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/eduardo-leite-e-vaiado-em-ato-so-de-petistas-e-lula-no-rs

Paes sobe o tom contra o PT e expõe racha político no Rio

Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). (Foto: Reprodução).

No cenário político do Rio de Janeiro, a oposição entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o secretário de Assuntos Legislativos do governo federal, André Ceciliano (PT), ganhou novos capítulos nos últimos dias em meio às articulações em torno das eleições de 2026 e da possível sucessão no Palácio Guanabara.

A troca de declarações públicas entre os dois dirigentes expõe atritos crescentes dentro da base aliada ao presidente Lula e reflete disputas por protagonismo e alinhamento estratégico para o pleito estadual e nacional. 

Paes voltou a criticar abertamente Ceciliano, acusando o petista de articular uma candidatura à eleição indireta para o governo estadual, prevista caso o atual governador Cláudio Castro (PL) desincompatibilizar-se do cargo para disputar uma vaga ao Senado. 

Para o prefeito, Ceciliano representaria a continuidade do grupo político do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), afastado e preso sob suspeitas ligadas a vazamento de informações que teriam favorecido organizações criminosas.

O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa”, afirmou Paes em declaração recente, sinalizando resistência a qualquer movimento que possa replicar práticas associadas a esse grupo, e reiterando que não pretende ser “refém” de acordos que, segundo ele, favoreçam interesses questionáveis no estado. 

Em resposta, Ceciliano criticou o tom adotado pelo prefeito e negou que esteja buscando qualquer candidatura majoritária em 2026, afirmando que seu nome estaria sendo exageradamente inflado pelo adversário. 

Segundo o petista, sua única intenção seria disputar vaga de deputado estadual, embora ele reconheça conversas com parlamentares sobre a eleição indireta.

No embate verbal, Ceciliano também levantou questionamentos sobre o compromisso de Paes com o projeto político nacional, sugerindo que o prefeito estaria dando sinais de neutralidade em relação à reeleição de Lula. 

Paes reafirmou publicamente apoio ao presidente, mas enfatizou que não pretende nacionalizar sua própria campanha, o que tem alimentado dúvidas dentro do espectro petista sobre sua lealdade ao projeto partidário. 

O pano de fundo da disputa é a provável eleição indireta para governador-tampão no Rio, decorrente da iminente saída de Castro e da ausência de vice-governador após a nomeação de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado. 

Nos bastidores, Paes e aliados trabalham para consolidar um nome aliado (com menção ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, do PL) enquanto Ceciliano busca fortalecer sua base para se posicionar politicamente caso tenha votos suficientes na Assembleia Legislativa. 

A intensificação das críticas públicas marca uma divergência cada vez mais clara entre o prefeito e setores do PT fluminense, reacendendo debates internos sobre alianças e estratégias eleitorais para 2026 no estado mais competitivo do país.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/paes-sobe-o-tom-contra-o-pt-e-expoe-racha-politico-no-rio

STF mantém ministros em processos e ignora pedidos de afastamento há 26 anos

Plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal – Rosinei Coutinho/STF.

O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil acumula um histórico de recusas sistemáticas a pedidos de afastamento de seus ministros de processos judiciais ao longo das últimas décadas. 

Levantamentos oficiais do próprio tribunal indicam que, desde o ano 2000, foram apresentadas 574 arguições de impedimento ou suspeição contra ministros, e nenhuma delas resultou no afastamento do magistrado de um caso. 

Todos os pedidos foram rejeitados pela Corte, seja na esfera de impedimento, seja na de suspeição. 

O impedimento é previsto de forma objetiva pelo Código de Processo Civil, incluindo situações como vínculos familiares com advogados, membros do Ministério Público ou partes envolvidas no processo. 

Já a suspeição tem natureza subjetiva e depende da declaração do próprio magistrado, por exemplo, casos de amizade íntima, inimizade ou interesse direto no resultado da causa. 

O regimento interno do STF determina que essas alegações sejam analisadas pelo presidente da Corte ou, na sua ausência, pelo vice-presidente, na prática, as decisões mais recentes frustraram tentativas de afastamento por falta de provas robustas que preenchessem os critérios legais. 

O tema ganhou destaque no contexto político recente com as pressões pelo afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria de um inquérito envolvendo o Banco Master, um dos casos de maior repercussão na Corte em 2026.

Representações foram apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), inclusive por parlamentares, buscando investigar supostos conflitos de interesse e tentar retirar Toffoli do processo. 

No entanto, fontes informam que o PGR deve atuar apenas se for provocado por terceiros, apesar de ter competência para iniciar por conta própria esse tipo de pedido. 

Internamente, ministros do STF demonstram incômodo com a condução pública de controvérsias envolvendo a Corte, mas, segundo relatos, nenhuma sinalização foi dada de que Toffoli deveria se afastar por iniciativa própria. 

A estratégia adotada por integrantes da Corte, de acordo com interlocutores, é reduzir a exposição midiática do caso para tentar conter eventual desgaste institucional. 

O histórico de decisões e a atual postura da Suprema Corte revelam que, nos últimos 26 anos, a jurisprudência interna do STF tem se mantido unânime em negar pedidos de impedimento e suspeição de seus próprios ministros, mantendo-os na relatoria de processos mesmo diante de controvérsias políticas ou pressões externas. 

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/stf-mantem-ministros-em-processos-e-ignora-pedidos-de-afastamento-ha-26-anos

Liquidação do Will Bank pode pesar mais R$ 6,5 bilhões no FGC

Fundo Garantidor de Crédito já está com uma conta de R$ 40 bilhões de investidores do Banco Master, proprietário do Will Bank. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

liquidação do Will Bank, determinada na manhã desta quarta (21) pelo Banco Central, pode pesar mais R$ 6,5 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que já está com uma conta de R$ 40,6 bilhões do Banco Master. A operação ocorreu em meio à um regime de administração especial que, segundo a autarquia, não se mostrou viável.

O Will Bank fazia parte do conglomerado do Master, também liquidado pelo Banco Central no final do ano passado por suspeita de fraudes bancárias descoberta na investigação que apurou uma venda de carteiras de crédito falsas de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo dados da autoridade monetária, o Will Bank possui R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo sem garantia de novas entradas, o que pode levar à necessidade de um socorro do FGC. O montante total, no entanto, ainda dependerá de uma análise do liquidante em função do limite coberto pelo fundo, de até R$ 250 mil por CPF.

Em nota à Gazeta do Povo, o Banco Master informou que o Will Bank tinha uma “gestão própria” e operou sob controle do conglomerado “regularmente” até o dia 17 de novembro, quando passou à gestão do RAET (regime de administração especial temporária) pelo Banco Central (veja na íntegra mais abaixo). O Will Bank ainda não se pronunciou.

O Banco Central informou que a liquidação do Will Bank foi necessária “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”, já sob liquidação extrajudicial.

Ainda segundo a autarquia, a liquidação foi necessária após a administração especial não ter se mostrado viável, inclusive descumprindo o arranjo de pagamentos que tinha com a Mastercard.

“Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo”, pontuou a autoridade monetária.

Criado em 2017 já como um banco digital, o Will Bank foi comprado pelo Master em 2024. Na ocasião, segundo informou ao mercado, a instituição tinha mais de 9 milhões de clientes.

A instituição detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com os últimos dados disponíveis do terceiro trimestre do ano passado.

Veja abaixo o que disse o Banco Master sobre a liquidação decretada pelo Banco Central:

A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a instituição mencionada possuía administração apartada, com gestão própria. O Sr. Vorcaro segue colaborando plenamente com as autoridades competentes, permanecendo à disposição para esclarecimentos. Esclarece ainda que, até 17 de novembro, a instituição operava regularmente sob o controle do conglomerado Master, e que, a partir de 18 de novembro, com a decretação da liquidação extrajudicial, a gestão do conglomerado passou a ser exercida em RAET pelo Banco Central.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/liquidacao-will-bank-pode-pesar-6-5-bilhoes-fgc/

Jurista classifica conduta de Toffoli como “caso de psiquiatria”

Toffoli é alvo de polêmica que fez com que Fachin adiantasse seu retorno a Brasília. (Foto: Antonio Augusto/STF)

O ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho e ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, em meio à polêmica sobre a condução do caso do Banco Master. A publicação no X é desta terça-feira (20) e classifica o comportamento do ministro como “caso de análise pela psiquiatria”.

“O comportamento do ministro Dias Toffoli no STF é caso de análise pela psiquiatria. Dia após dia se avolumam as censuras de jornalistas idôneos e de advogados imparciais. Nenhuma voz em sua defesa no STF e CNJ [Conselho Nacional de Justiça]. Como consegue permanecer indiferente diante das evidências? Não sei”, disse Pazzianotto.

Toffoli tem sido alvo de críticas dentro e fora da Corte por decisões atípicas envolvendo o caso Master. Na última delas, determinou que o material apreendido fosse enviado à própria sede do STF, e não para a Polícia Federal, destino típico dos elementos de prova para perícia e proteção da cadeia de custódia.

Toffoli colocou caso Master em sigilo assim que ação subiu ao Supremo

As operações que acabaram prendendo Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, subiram ao STF por conta da possibilidade de atingirem autoridades com foro privilegiado. Logo no início, Toffoli instaurou sigilo no processo, isso após a revelação de que ele viajou de jatinho com o advogado Augusto de Arruda Botelho, que dias depois entraria com um Habeas Corpus em favor de Luiz Antonio Bull, diretor de compliance do banco.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou uma nota em que, sem citar nominalmente o ministro, expressou preocupação com o que considerou “indícios de que prerrogativas legalmente asseguradas aos delegados da Polícia Federal responsáveis pela condução do feito vêm sendo indevidamente mitigadas.”

A polêmica fez com que a oposição protocolasse, na Procuradoria-Geral da República (PGR), um pedido de investigação de Toffoli. O magistrado não dá sinais de que pretende abandonar a relatoria da ação.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/jurista-classifica-conduta-de-toffoli-como-caso-de-psiquiatria/?ref=veja-tambem

Guilherme Fiuza

Vista grossa para o massacre

Ao tratar o massacre no Irã com notas mornas, o governo Lula relativiza ditaduras, silencia a violência e esvazia o discurso democrático. (Foto: Andre Borges/EFE)

O governo brasileiro disse estar “acompanhando com preocupação” o massacre do governo iraniano contra a população local. Posição firme da nossa diplomacia! Massacres são muito preocupantes, mesmo. Mais firme que isso, só se o Itamaraty dissesse: não temos nada com isso, se virem aí entre vocês.

E foi quase isso, porque o máximo a que a posição brasileira chegou até aqui foi desejar que o diálogo impere no Irã e que prevaleça a vontade dos iranianos sobre o futuro do país. Diante de uma carnificina, ou você repudia, ou você deplora. Fora disso, é melhor ficar calado, porque podem achar que você está sendo condescendente.

Existe algo pior do que tratar um regime ditatorial como parceiro respeitável? Existe: minimizar o ato desse regime que atesta sua gênese ditatorial, ao sair matando multidões que protestam justamente contra a opressão. De novo: ou você condena o massacre do povo pelo Estado, ou você não está em condições de se apresentar como democrata.

Mas o governo Lula tem o seu para-choque propagandístico de primeira linha. A elite artística nacional, por exemplo, resolveu transformar a adulação do petismo em razão de viver. Ou seja: o governo pode fazer o que quiser, pode convidar o ditador chinês para ajudar a regular as redes no Brasil, pode relativizar a sanha tirânica de Maduro, pode fazer vista grossa para as atrocidades iranianas. No fim do dia, o Wagner, a Nanda, o Waltinho, a MPB e cia. vão dedicar a Lula, o Democrata, todas as glórias das suas obras imortais. E aí fica tudo bem.

Deve ter sido por isso que, antes de dizer que “acompanhava com preocupação” o banho de sangue no Irã, o Itamaraty achou mais urgente parabenizar Wagner Moura pela conquista do Globo de Ouro com o filme “O agente secreto”. Prioridades de uma diplomacia “democrática”. Vale notar que o tema do filme brasileiro premiado nos EUA é justamente a ditadura. Ou seja: todos se abraçam na narrativa da resistência democrática contra o “fantasma da ditadura” e fecham os olhos para a violência real da ditadura amiga.

Wagner Moura usou seu discurso no Globo de Ouro para denunciar a sombra fascista no Brasil — que ele disse ter tido “manifestações físicas” entre 2018 e 2022. Ninguém foi impedido de fazer nada ou de falar nada no Brasil nesse período. Jogaram até futebol com réplica da cabeça do então presidente. Já os iranianos foram simplesmente protestar contra seu governo e acabaram trucidados. Nem Wagner, nem o incrível Hulk, nem nenhum dos seus coleguinhas “progressistas” se compadeceu publicamente dos iranianos massacrados por uma ditadura de verdade.

Quem vai fazer o filme sobre toda essa gente preocupadíssima com vidas, com democracia e com liberdade, que vitamina suas carreiras dando lastro a mandatários que contrariam todos esses princípios humanitários?

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/guilherme-fiuza/vista-grossa-para-o-massacre/

Alexandre Garcia

Paz no campo, só no dia em que as invasões acabarem

João Pedro Stedile, líder do MST, discursa para apoiadores: governo Lula mudou leis e pôs ministérios para trabalhar pelo movimento. (Foto: Hugo Harada/Arquivo/Gazeta do Povo)

O agro que se cuide! O ministro do Desenvolvimento Agrário – que nome, não? Do “desenvolvimento agrário” quem cuida é o ministro da Agricultura, quem faz o desenvolvimento agrário é o agricultor, isso está mais pra ministro da reforma agrária –, Paulo Teixeira, anunciou que logo haverá um pacote imenso de desapropriações para reforma agrária, assentando 230 mil famílias e mais 26 mil que ainda estão esperando. O anúncio provavelmente será feito por Lula em Salvador, no encontro nacional do MST.

Segundo o ministro, essa é a maneira de se conseguir paz no campo. Para termos paz no campo, quer dizer que depois disso o MST vai acabar, certo? Todo mundo foi atendido, todos terão terra, não existirá mais sem-terra, vão todos para o sindicato rural, plantar soja, filiar-se à Aprosoja… vai ser assim, não vai? Ninguém mais invadirá nada depois disso. Isso, sim, seria a paz no campo.

Senador Girão quer que PGR se manifeste sobre como Toffoli conduz o caso do Master 

Paz é algo que nós queremos também do Supremo. Alguns ministros do STF se acham donos da Constituição, donos da lei, donos do devido processo legal e donos do Supremo – mas não são; são apenas servidores do povo brasileiro. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi à Procuradoria-Geral da República com uma interrogação sobre o Banco Master e o ministro Dias Toffoli, que se apropriou das investigações. Girão é um dos integrantes da CPMI do INSS, que está investigando o roubo de R$ 6 bilhões de idosos beneficiários da Previdência, e chegou-se ao ponto de os membros da CPMI não poderem saber o que está nos celulares apreendidos – de Daniel Vorcaro, por exemplo –, que estão sob lacre. Girão quer abrir isso; a CPMI já foi ao ministro André Mendonça, relator do caso da Previdência, para pedir acesso. Mas o senador está considerando muito fora do normal a atuação de Toffoli.

Dizem que o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, está preocupado com isso e tem conversado com os outros ministros; como o Estadão cobrou no editorial de terça-feira, o silêncio de Fachin se aproxima da omissão. O jornal diz que é preciso fazer alguma coisa – até para salvar o Supremo, que está sendo esmagado pela demolição do Master em cima da corte, por causa de dois ministros.

Prefeito é denunciado por corrupção em caso que fez promotores pedirem demissão

Lembram daquela equipe de promotores que trabalhava no Maranhão e que renunciou ao grupo especial de combate ao crime organizado por achar que a procuradoria-geral do estado não estava atendendo a esse grupo? Agora o procurador denunciou o prefeito de Turilândia (que tem esse nome porque fica à margem do Rio Turiaçu), Paulo Curió; a mulher dele, Eva Curió; a vice-prefeita; a ex-vice-prefeita; e mais seis pessoas, por corrupção: desvios de R$ 56 milhões em um município de pouco mais de 30 mil habitantes. E ainda faltam os 11 vereadores, que estão com tornozeleira e não foram denunciados ainda.

Como adoram pegar dinheiro do povo… sim, é do povo, o dinheiro não é do Tesouro Nacional. O Tesouro é só o guardião. O dinheiro é do povo brasileiro, obtido com suor e pagamento de impostos, diretos ou indiretos. Cada vez que um brasileiro que ganha o salário mínimo vai comprar algo, ele está pagando imposto. Temos de pensar mais nisso: que o Estado brasileiro é sustentado pelo nosso trabalho. E temos de dar um basta na ladroagem; na hora de votar, não podemos escolher ninguém que seja suspeito de ser ladrão, corrupto ou mentiroso. Tem de estar acima de qualquer suspeita.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/paulo-teixeira-desapropriacoes-assentamento-reforma-agraria/

O elo que preocupa o governo: empresário liga PT a caso Master e consignados do INSS

Preocupação no Planalto: o nome que liga o PT ao Master e às fraudes do INSS (Foto: Ilustração Gazeta do Povo – com DALL-e)

Entre os nomes que passaram a preocupar o Palácio do Planalto nas investigações sobre as fraudes do Banco Master e dos consignados do INSS, um se destaca por ligar diretamente o escândalo ao PT: o do empresário Augusto “Guga” Lima, ex-sócio do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro.

Ambos — Lima e Vorcaro — foram alvos de mandado de prisão preventiva no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro pela Polícia Federal (PF) para apurar supostas fraudes financeiras relacionadas ao Master. Soltos após revogação da prisão pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), permanecem sob monitoramento eletrônico e deverão prestar depoimentos à PF entre os dias 26 e 28 de janeiro.

Lima, que se tornou sócio do Master em 2020, emerge como personagem-chave na política de crédito consignado criada e mantida por governos do PT na Bahia: o CredCesta, que nos últimos anos tornou-se uma das engrenagens que sustentaram a expansão do Banco Master.

O programa deriva da Cesta do Povo, empresa estatal de abastecimento que, desde os anos 1970, funcionava como política social do governo da Bahia, operando supermercados públicos voltados à venda de alimentos a preços subsidiados.

A partir dos anos 2000, o modelo foi convertido no Cartão Cesta do Povo, e entre 2015 e 2018, durante governos do PT no estado, foi transformado em uma plataforma de crédito consignado com desconto em folha, destinada a servidores ativos, aposentados e pensionistas.

A engenharia operacional e financeira desse modelo foi conduzida por Guga Lima, que atuava como operador privado da estrutura, fora da administração formal do Estado. “Augusto foi quem articulou a entrada no negócio da Cesta do Povo, uma ampla rede de mercadorias populares na Bahia”, diz um executivo do setor financeiro à Gazeta do Povo sob condição de anonimato.

“O modelo era especialmente atrativo porque o público atendido era majoritariamente formado por servidores públicos. Na prática, o servidor adquiria produtos básicos, como açúcar, óleo e itens de consumo cotidiano, e, muitas vezes revendia essas mercadorias. Ao mesmo tempo, passava a integrar a base de clientes da operação, gerando recebíveis considerados de boa qualidade”, explica.

Em 2018, já no governo Rui Costa (PT), o programa foi formalizado sob justificativa de cunho social, em articulação com o então ex-governador e liderança política do PT baiano Jacques Wagner, hoje senador e líder do governo no Senado.

No mesmo ano, Lima firmou acordo de compartilhamento das operações do CredCesta com o Banco Master, antecipando a integração do modelo ao sistema bancário privado. Dois anos depois, em 2020, ele se tornaria sócio de Vorcaro.

Consignados integraram carteira de negociação para venda do Master

A partir daí, o desenho concebido no âmbito do governo da Bahia passou a ser replicado em escala pelo Master, com as carteiras de consignados sendo cedidas e utilizadas como ativos financeiros em operações com fundos de investimento e outros bancos. A estratégia fortaleceu a expansão do produto dentro da instituição e em todo o país — em 2024, o CredCesta já estava disponível em 176 municípios de 24 estados.

A geração em escala de consignados, a cessão recorrente dessas carteiras e sua circulação por fundos e instituições financeiras privadas criaram um fluxo contínuo de ativos que contribuiu para a alavancagem do grupo e que, mais tarde, serviriam como parte da base de garantias apresentada na negociação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Segundo comunicações feitas pelo próprio Master e relatos colhidos pelas autoridades, parcela relevante desses créditos teria sido originada por associações de servidores públicos da Bahia, em especial a Asteba (Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia) e a Asseba (Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia).

O problema, segundo apurações do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, é que o volume de crédito atribuído a essas entidades não encontra lastro compatível em sua capacidade operacional, financeira ou histórica. Técnicos que analisaram os dados concluíram que as associações não possuíam estrutura, base de associados ou fluxo financeiro que justificassem a geração de bilhões de reais em consignados no período analisado.

Segundo as investigações, o banco firmou 338,6 mil contratos de crédito consignado com beneficiários do INSS entre outubro de 2021 e setembro de 2025. Desse total, cerca de 252 mil contratos — o equivalente a 74,3% — não teriam sido apresentados pela instituição financeira às autoridades.

Ainda assim, esses créditos foram utilizados pelo Master para compor aproximadamente R$ 6,7 bilhões em contratos de crédito consignado que não puderam ser comprovados, segundo relatórios preliminares das investigações.

Outros R$ 5,5 bilhões apareceram classificados como valores acessórios ou prêmios financeiros, sem explicação econômica compatível com operações tradicionais de cessão de crédito. No total, entre janeiro e maio de 2025, o banco apresentou ao BRB carteiras que, no conjunto, somavam cerca de R$ 12,2 bilhões — montante hoje no centro das apurações.

Créditos integraram carteiras e fundos de investimento

Esses créditos passaram a integrar carteiras estruturadas e fundos de investimento, alguns deles abastecidos com recursos ligados ao Estado da Bahia, hoje sob investigação por possível ausência de lastro, falhas de governança e problemas de avaliação de risco.

A presença de fundos de investimento e de entidades ligadas ao setor público nessas operações, contudo, não é automaticamente irregular. No Brasil, fundos de pensão, regimes próprios de previdência social (RPPS) e veículos de investimento de estatais operam sob regulação específica e com estruturas formais de governança, o que permite, dentro de certos limites, a alocação de recursos em crédito privado.

“Quando se fala em ‘fundos públicos’, muitas vezes se mistura tudo. Na prática, estamos falando de entidades fechadas de previdência complementar, RPPS e veículos de estatais, todos sujeitos a regras claras, com diretoria, conselho deliberativo e comitês de investimento”, afirma o economista Renoir Vieira, sócio da Duna Consultoria.

Segundo ele, esses fundos podem investir em CDBs, cotas de fundos estruturados e outros instrumentos de crédito, desde que respeitados limites de concentração e de risco definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O problema, segundo analistas, surge quando a exposição ocorre por meio de estruturas intermediárias que diluem o risco real do ativo subjacente. “Os fundos públicos raramente entram diretamente em um banco médio”, explica Gabriel Uarian, analista da Cultura Capital.

“O caminho mais comum é via FIDCs [fundos de investimento em direitos creditórios, que compram recebíveis como carteiras de consignados] e fundos de crédito privado, que permitem diversificação, mas também podem ‘maquiar’ risco quando o lastro não é sólido.”

No caso do Banco Master, parte relevante da captação junto a fundos ocorreu justamente por meio da cessão de carteiras de consignados, utilizadas como lastro para produtos estruturados.

Foi justamente essa combinação — crédito consignado originado em associações, circulação por estruturas financeiras complexas e participação de fundos ligados ao setor público — que passou a chamar a atenção dos órgãos de controle nas investigações envolvendo a negociação com o BRB.

Uarian destaca que a expectativa implícita de socorro estatal ou de cobertura pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tende a reduzir o rigor na avaliação de risco.

“O FGC cobre CDBs até R$ 250 mil, mas não cobre FIDCs ou estruturas mais complexas. No caso do Master, houve investimento em instrumentos sem cobertura plena, o que ampliou as perdas potenciais.”

Vieira ressalta que, após os grandes escândalos dos anos 2000, — como os casos Opportunity/Brasil Telecom e Banco Santos — as decisões nos grandes fundos se tornaram mais colegiadas e formalizadas, o que dificulta desvios individuais, mas não elimina pressões externas.

Parlamentares querem CPI para investigar conexões entre esquemas

Enquanto as investigações prosseguem no âmbito da PF e dos órgãos reguladores, parlamentares da oposição enfrentam resistência à criação de uma CPI específica para investigar o Banco Master no Congresso. A saída tem sido articular frentes paralelas de apuração, especialmente no âmbito da CPMI do INSS e da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado.

Além da oposição da cúpula do Congresso, eles relatam obstáculos impostos por decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que vêm restringindo o acesso dos parlamentares a provas já reunidas pela Polícia Federal.

Membros da CPMI do INSS pretendem convocar diretores do Master e ouvir parentes de seu controlador, Vorcaro, como forma de contornar as restrições impostas por Toffoli ao acesso às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do banqueiro.

Embora as investigações da CPMI do INSS e as apurações sobre o Banco Master tenham origens distintas, parlamentares e investigadores passaram a observar a recorrência de um mesmo padrão: o uso de estruturas associativas, lastreadas em consignados vinculados a benefícios públicos, como base para operações financeiras de grande escala, com posterior circulação desses créditos por fundos e instituições do sistema financeiro.

As mesmas associações baianas citadas no caso Master — Asteba e Asseba — figuram também entre as entidades analisadas pela CPMI do INSS, que apura descontos associativos irregulares em benefícios previdenciários e investiga se aposentados e pensionistas foram vinculados a associações sem consentimento válido.

No centro dessa frente de apuração aparece o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado por investigadores e parlamentares como operador do esquema de intermediação junto ao instituto.

Segundo depoimentos e requerimentos apresentados à comissão, Antunes teria atuado na captação de dados de beneficiários, na articulação com associações conveniadas e na facilitação de descontos em folha.

“É tudo um esquema interligado”, diz a fonte do setor financeiro à Gazeta do Povo. “O escândalo do Master revela um encadeamento de esquemas, que engloba desde as fraudes do INSS até o crime organizado, já que muitas das operações envolvem lavagem de dinheiro. Se investigar a fundo, poucos vão ficar em pé.”

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/empresario-bahia-pt-caso-banco-master-consignados-inss/

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