A CPMI do roubo bilionário aos aposentados e pensionistas deve retomar as atividades, logo após o recesso, priorizando a investigação do envolvimento de Fábio Luís, o “Lulinha”, filho de Lula (PT), no escândalo. Será páreo duro com as investigas que estão previstas com revelações suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro e seu Banco Master, acusado de lesar milhares de investidores e com explicações sobre empréstimos consignados.
Perdeu a paciência
A cúpula da CPMI prevê abandonar o “pudor institucional” após decisões de Toffoli e o contrato milionário da esposa de Moraes com o Master.
Roubo recorde
O relator da CPMI já revelou a estimativa de que foram roubados dos idosos, em consignados nõ autorizados, mais de R$90 bilhões.
Veto vai render
A CPMI quebrou sigilos do banco Master, para investigar consignados, mas o ministro Dias Toffoli proibiu acesso da comissão aos documentos.
Mensalão na mira
A CPMI também investiga a revelação de que Lulinha recebia mensalão de R$300 mil de Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

PL e PSDB ainda acreditam em acordo no Ceará
O PL e o PSDB do Ceará fecharam a semana com um certo alívio na respiração após divulgação da carta assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em que o filho, Flávio Bolsonaro, é oficialmente indicado para enfrentar Lula em 2026. Os dois partidos tentam costurar acordo envolvendo a disputa pelo governo cearense, com o neotucano Ciro Gomes na cabeça, e o Senado, com o pastor Alcides Fernandes (PL).
Água no chopp
Michelle Bolsonaro não esquece a língua afiada de Ciro, que falou cobras e lagartos do ex-presidente, e melou a possível aliança.
Flávio pragmático
Flávio é mais pragmático sobre questões locais. Alcides é pai de André Fernandes, deputado mais votado do Estado e presidente do PL-CE.
Fogo baixo
Políticos cearenses contam que as conversas entre PSDB e PL nunca pararam, mesmo contrariando Michelle. Só que ocorrem na surdina.
Só Deus sabe
Quem tem grana para receber via Fundo Garantidor de Crédito, em razão do escândalo do Banco Master, vai fechar o ano na agonia. A data para o resgate só deve ser anunciada após a virada de 2026.
É Câmara
Apesar de alas do PT defenderem que Gleisi Hoffmann disputa uma vaga no Senado, ano que vem, a atual ministra de Relações Institucionais de Lula deve mesmo tentar renovar o mandato de deputada federal.
A propósito
O PT não vai ficar sem candidato ao Senado no Paraná, deve lançar Zeca Dirceu. O sobrenome entrega o DNA, é filho do ex-braço direito e esquerdo de Lula, preso após denúncia de falcatruas, José Dirceu.
Assim não dá
Ao cobrar explicações de Margareth Menezes (Cultura) sobre uso da Rouanet para bancar carnaval de escola com enredo lulista, Gustavo Gayer (PL-GO) suspeita de uso político do recurso.
Hora extra
Mesmo em recesso, deputados de oposição convocaram coletiva de impressa para hoje (29). Os parlamentares vão protocolar mais um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF).
Vida boa
Enquanto o STF pega fogo com decisões incomuns de Dias Toffoli, o ministro do STF curte bons momentos em Balneário Rincão (SC), diz a deputada Julia Zanatta (PL-SC), “dizem que caminhou na orla”.
Há 7 anos
Autor do projeto que limita poderes de ministros do STF, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) diz que se tivesse apoio ao texto “talvez o STF não estivesse hoje afundando nesse escândalo”.
É internacional
Relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) recomenda mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF). A organização ainda alerta para a necessidade de frear o uso abusivo da Justiça.
Pensando bem…
Quem investiga o investigador?
Bolsonaro sofre 10ª cirurgia desde a facada, agora para tratar soluços

Boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star informopu que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido nesta sábado (27) a sua décima cirurgia desde que foi atacado a facadas por um ex-militante do Psol, durante a campanha eleitoral de 2018. A cirurgia foi decidida após forte crise de soluço. Os médicos informaram ainda que o paciente se recupera do procedimento já em seu quarto.

Assinadopor cinco médicos, o boletim explicou que Bolsonaro passou por um procedimento de bloqueio do lado direito do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma. A cirurgia busca aliviar os sintomas de soluço permanente do ex-presidente.
O médico Mateus Saldanha informou ainda que o ex-presidente será acompanhado diariamente para verificar se o procedimento foi bem-sucedido para amenizar os soluços.
Veja a íntegra do Boletim Médico:

“Todo o procedimento durou cerca de uma hora. O procedimento foi muito rápido. Não teve corte. Execução bem rápida”, afirmou Mateus Saldanha.
Bolsonaro deve passar por um novo procedimento nesta segunda-feira (29) no lado esquerdo do nervo frênico, mas foi mantida a previsão de alta para 31 de dezembro.
Na quinta-feira (25), Bolsonaro foi submetido a cirurgia para tratar uma hérnia inguinal.
Setor financeiro pede que Judiciário preserve autoridade técnica do BC

Entidades do setor financeiro publicaram nota de apoio ao Banco Central, neste sábado (27), em reação à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de convocar uma acareação em pleno recesso natalino, sobre a decisão do órgão fiscalizador de liquidar o Banco Master. A manifestação apela para que o Judiciário preserve a autoridade técnica das decisões do Banco Central, para evitar um cenário gravoso de instabilidade.
A nota foi divulgada após o Banco Central alertar sobre os riscos de o STF promover uma “armadilha processual”, contestando motivos da liquidação do Banco Master, após a descoberta de fraudes de R$ 12 bilhões levar à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

O manifesto é assinado conjuntamente pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi ) e a Zetta, associação que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamentos. E não cita diretamente o Master ou a acareação.
Porém, a iniciativa complementa alertas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal de que esta acareação poderia equiparar a condição do Banco Central enquanto investigador à do banqueiro suspeito como investigados.
Em outubro, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, defendeu o cerco de bancos com apoio da Polícia Federal como forma de blindagem para que o sistema financeiro não seja “esconderijo de criminosos”.
Ministro insiste
O ministro Dias Toffoli negou recurso do Banco Central e manteve para terça-feira (30) a acareação entre o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e Vorcado, dono do banco suspeito da fraude bilionária, exposto pela decisão técnica da instituição que possui independência constitucional para regular os bancos no Brasil.
No embargo de declaração apresentado pelo Banco Central, Toffoli foi questionado qual seria a divergência concreta de versões que justificaria a acareação, que também inclui a participação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que foi impedido pelo BC de comprar R$ 50 bilhões de ativos do Master.
Toffoli respondeu que não há investigação contra o diretor do BC nem sua instituição. E destacou que considera de “especial relevância” a participação de Ailton Aquino Santos na acareação, que será precedida de depoimentos individuais a serem confrontados na acareação.
Leia a íntegra da nota:
Nota conjunta sobre a atuação do Banco Central do Brasil
A presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente. As entidades signatárias reconhecem que o Banco Central do Brasil (BCB) vem exercendo esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.
A supervisão bancária atua de forma preventiva, assegurando que as instituições financeiras fiscalizadas trabalhem com níveis adequados de capital, liquidez e com políticas de risco compatíveis com o seu perfil de negócios. O número ínfimo de instituições com problemas de solvência e liquidez que observamos ao longo dos últimos anos, incluindo a crise financeira de 2008/2009 e a pandemia da Covid 19, mostra que o regulador tem sido muito bem-sucedido nesta tarefa.
A atividade financeira é um negócio de elevado risco e, mesmo sob supervisão, em determinadas situações e por diversas razões, algumas instituições financeiras podem enfrentar problemas de solvência que, a depender da sua gravidade, as impedem de seguir com sua atuação. Nessas situações, o regulador tem o mandato legal e o dever inafastável de agir em prol da resiliência, estruturando regimes de resolução para proteger o sistema financeiro e minimizar o risco de contágio sistêmico. Adicionalmente, garantir a credibilidade das instituições financeiras e dos reguladores é vital para um bom funcionamento do sistema financeiro. Sem essa credibilidade, não há como uma instituição financeira perpetuar seu funcionamento.
Essa atuação inclui a intervenção e, em casos extremos, a necessidade de liquidação na IF problemática e sem condições de seguir em suas atividades. Essa atuação é um pilar da regulação e da estabilidade financeira, isso em todas as jurisdições relevantes, reclamando que o regulador tenha independência técnica, autonomia e que suas decisões não sejam revisadas sob a ótica prudencial, da solvência e da disciplina de mercado. Do contrário, seria permitir que outros atores institucionais tenham a possibilidade de invalidar o mérito técnico dessas decisões, rompendo um dos alicerces fundamentais do funcionamento do nosso sistema financeiro, com graves impactos para o próprio funcionamento da economia brasileira e enfraquecimento da autoridade
financeira.
Com a simples hipótese de revisão ou eventual reversão das decisões técnicas do BCB, em especial daquelas que tocam o olhar do regulador para preservar a estabilidade financeira, entra-se num terreno sensível de instabilidade regulatória e operacional, gerando insegurança jurídica e comprometendo a previsibilidade das decisões e a confiança no funcionamento do mercado, além de impactos adversos em depositantes e investidores, especialmente em pessoas físicas, que possuem menor capacidade de absorver riscos de incertezas advindas de mudanças bruscas.
Nesse sentido, há uma premissa que permeia a atuação do regulador bancário em todos os países com um sistema financeiro regulado, que é conferir, com exclusividade, a atribuição de o regulador fazer o escrutínio prudencial e discricionário voltado para a solvência e a disciplina de mercado. É assim, desde sua criação, que tem agido com extremo zelo o Banco Central do Brasil.
Também se reconhece que o Poder Judiciário pode e deve analisar e sindicar os aspectos jurídico-legais da atuação dos reguladores, e o apelo das entidades abaixo, que representam o setor bancário, é que se preserve a autoridade técnica das decisões do Banco Central, para evitar um cenário gravoso de instabilidade.
ABBC – Associação Brasileira de Bancos
Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito
Febraban – Federação Brasileira de Bancos
Zetta – Associação que representa empresas do setor financeiro e de
meios de pagamentos
Toffoli ignora ‘armadilha’ e mantém acareação entre Vorcaro, BRB e BC

De nada adiantou o Banco Central alertar sobre os riscos de o Supremo Tribunal Federal (STF) promover uma “armadilha processual” ao contestar motivos da liquidação do Banco Master, após a descoberta de fraudes de R$ 12 bilhões levar à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Dias Toffoli negou recurso e manteve para terça-feira (30) a acareação entre o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e o dono do banco suspeito da fraude bilionária, exposto pela decisão técnica da instituição que possui independência constitucional para regular os bancos no Brasil.
Em embargo de declaração apresentado pelo Banco Central, Toffoli foi questionado qual seria a divergência concreta de versões que justificaria a acareação, que também inclui a participação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que foi impedido pelo BC de comprar R$ 50 bilhões de ativos do Master.
Na resposta ao recurso, Toffoli destacou que não há investigação contra o diretor do BC nem sua instituição. E destacou que considera de “especial relevância” a participação de Ailton Aquino Santos na acareação, que será precedida de depoimentos individuais a serem confrontados na acareação.
“O objeto da investigação cinge-se à apuração das tratativas que orbitaram a sessão de títulos entre instituições financeiras — sob o escrutínio da autoridade monetária conforme disposição legal —, é salutar a atuação da autoridade reguladora nacional e sua participação nos depoimentos e acareações entre os investigados”, justificou o ministro.
O recurso do BC expôs um estranhamento com a iniciativa de Toffoli surpreendeu investigadores do escândalo com milhares de vítimas, ao sinalizar uma interferência inédita na decisão técnica do Banco Central, marcando uma acareação, em pleno recesso do Judiciário.
A cautela do BC também foi acompanhada por alertas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal de que esta acareação poderia equiparar a condição do Banco Central enquanto investigador à do banqueiro e do Master como investigados.
Atuação de ex-mulher de Toffoli no STF e STJ cresce após posse do ministro

A atuação da advogada Roberta Maria Rangel, ex-mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, ganhou mais espaço nas Cortes superiores após a posse do magistrado, em 2009. Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo aponta que o número de processos em que ela atuou no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou de 53 para 127, crescimento aproximado de 140%.
Do total de ações analisadas, 70,5% tiveram início depois da chegada de Toffoli ao Supremo. No STF, nove dos 35 processos envolvendo a advogada começaram após a posse do ministro. No STJ, o volume é ainda maior: 118 de um total de 145 casos tiveram início no mesmo período.
Segundo a apuração do Estadão, Roberta Rangel e Dias Toffoli se separaram no primeiro semestre deste ano, marco considerado no recorte dos dados.
Procurados, a advogada e o ministro não se manifestaram. As empresas citadas e os demais envolvidos também foram acionados, mas não responderam. A Cervejaria Petrópolis e o grupo J&F informaram que não irão se pronunciar. O espaço segue aberto.
A carteira de clientes da advogada inclui empresas de peso, como o grupo J&F e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), além de empresários do agronegócio e companhias do setor da construção civil, como a XCMG Brasil Indústria Ltda.
Em nome da CSN, Roberta Rangel ingressou com ação no STJ contra a União para pedir a restituição de valores pagos indevidamente em frete ferroviário. A causa foi estimada em R$ 100 mil em 1996, o que corresponderia a mais de R$ 563 mil atualmente, corrigidos pelo IPCA, embora os valores reais possam ser superiores.
O STJ chegou a conceder decisão parcialmente favorável, mas o processo foi remetido ao STF. Na Corte, houve decisão pela perda do objeto, quando o interesse de agir deixa de existir antes do julgamento final. O caso retornou ao tribunal de origem para análise de embargos.
Outro processo envolve empresas do grupo Cervejaria Petrópolis, que estão em recuperação judicial e discutem uma disputa financeira de R$ 39,9 milhões. O caso chegou ao STJ por meio de recurso.
No setor rural, a advogada defende o empresário Alexandre Augustin em ação movida por um fundo de investimentos que cobra cerca de R$ 182 milhões. A defesa sustenta que o valor real seria de R$ 56 milhões, com parte já quitada. O processo chegou ao STJ, mas não teve o mérito analisado.
Na área penal, Roberta Rangel atuou na defesa de Hélio Ribeiro de Oliveira, acusado de ligação com o jogo do bicho. A defesa apresentou habeas corpus no STJ com o objetivo de trancar a ação penal.
A legislação não proíbe que familiares de ministros atuem como advogados em processos no STF. No entanto, as regras exigem que o magistrado se declare impedido de julgar ações em que parentes estejam diretamente envolvidos.
Em 2023, o Supremo flexibilizou esse entendimento ao decidir que juízes podem julgar processos em que as partes sejam clientes de escritórios nos quais atuem cônjuges ou parentes, desde que outra banca seja formalmente responsável pela causa.
No mesmo ano, Toffoli foi alvo de críticas após suspender a multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência do grupo J&F. Posteriormente, o valor foi repactuado para R$ 3,5 bilhões. À época, Roberta Rangel prestava assessoria jurídica ao grupo em litígio envolvendo a compra da Eldorado Celulose, motivo pelo qual o ministro já havia se declarado impedido de julgar outra ação da empresa.
Mais recentemente, a atuação de Toffoli voltou a ser questionada após ele viajar a Lima, no Peru, em novembro, durante a final da Taça Libertadores, em um jato particular ao lado de um advogado ligado ao caso do Banco Master. O ministro é relator da investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
Nesse processo, Toffoli decretou sigilo dos autos e restringiu o acesso da CPI do INSS a documentos obtidos a partir da quebra de sigilos bancário e fiscal.
FONTE: ACRITICA https://www.acritica.net/noticia/amp/865541/atuacao-de-ex-mulher-de-toffoli-no-stf-e-stj-cresce-apos-posse-do/
Acareação de Toffoli é plano da defesa para reverter liquidação do Master, diz jornal

A acareação determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no caso do banco Master, integraria um plano da defesa para comprometer a credibilidade do Banco Central (BC) até o ponto de anular a investigação por fraude e reverter sua liquidação. Segundo informações do jornal O Globo, o procedimento em pleno recesso do judiciário serviria ao plano de salvar o banco e até de ser indenizado depois pela liquidação.
Toffoli marcou para esta terça (30) um procedimento de acareação entre o ex-presidente do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos. O inquérito investiga um suposto esquema de emissão e venda de títulos de crédito do Banco Master sem dinheiro real envolvido, com prejuízos estimados em até R$ 12,2 bilhões para o BRB, que é público. A investigação se encontra em fase inicial, portanto não haveria relatos a serem confrontados.
O objetivo, segundo a reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, seria a criação de fatos que pudessem comprometer a credibilidade do BC, com o objetivo de anular toda a investigação e até de inverter a lógica da culpa, responsabilizando o BC.
Liquidar o banco Master teria sido uma decisão colegiada da instituição que regula juros e a própria economia do país, com a participação até do presidente da instituição, Gabriel Galípolo. A acareação foi determinada por Toffoli em meio à pressão sobre o ministro Alexandre de Moraes, que em um único dia teria ligado seis vezes para Galípolo em busca de informações sobre o negócio.
“O objeto da investigação cinge-se à apuração das tratativas que orbitaram a sessão de títulos entre instituições financeiras — sob o escrutínio da autoridade monetária conforme disposição legal —, é salutar a atuação da autoridade reguladora nacional e sua participação nos depoimentos e acareações entre os investigados”, justificou Dias Toffoli, citado pela Agência Brasil.
Um dia antes de ser designado relator do caso, Toffoli viajou de carona a Lima num jatinho de um empresário, tendo como colega de viagem o advogado de um dos investigados.
Resgate com Vorcaro no comando
Ainda de acordo com o jornal O Globo, a possibilidade de ser determinada uma providência mais drástica pelo BC teria sido aventada no início do ano, após a notícia de que o BRB compraria 58% do Master, com Vorcaro mantido na presidência. A permanência dele no comando do Master teria mostrado o caráter de resgate financeiro na operação com o BRB.
Além disso, nesta mesma época o Master teria parado de realizar depósitos compulsórios ao BC e passado a pedir a abertura de linhas de crédito, o que mostraria os indícios de problemas no caixa do banco.
Um dos personagens da acareação, Ailton de Aquino Santos, tinha uma reunião marcada com Vorcaro antes de sua prisão, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A defesa de Vorcaro usou esta evidência como prova de que o banqueiro não teria plano de fuga e que teria informado a viagem ao BC.
Advogados do BC alertaram para o risco de a acareação representar “armadilhas processuais” e pediram o cancelamento da acareação, mas Toffoli manteve o procedimento.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/economia/acareacao-de-toffoli-e-plano-da-defesa-para-reverter-liquidacao-do-master-diz-jornal/

Oito ex-presidentes do STF querem um código de conduta para ministros

Já são oito os ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que estão de acordo com os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia para haver um código de conduta para os integrantes da corte.
Como vocês sabem, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não está acima do Supremo. Só quem está acima é o Senado Federal, que ultimamente tem se colocado abaixo por causa de presidentes como Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo a Constituição, o Senado é que julga desvios de ministros do Supremo.
A Lei Orgânica da Magistratura também tem seu código de ética, mas que a gente não está vendo ser seguido. Existe um contrato de R$ 129 milhões, pagamentos de R$ 3,6 milhões para mulher de Alexandre de Moraes. Isso é suficiente, não precisa de adjetivo. É falta de ética, assim como as decisões de Dias Toffoli, só para citar dois casos.
Agora, o ex-ministro Celso de Mello, que já foi presidente do STF e seu decano, se manifesta por escrito, escrevendo um artigo no jornal O Estado de S.Paulo. “Democracia começa pela ética de juízes” – no dia de Natal, ele escreveu isso e disse que é necessário um código de conduta. Que é uma medida “moralmente necessária e institucionalmente urgente”.
É o Celso quem está dizendo isso. “Na democracia se exige não só juízes honestos, mas regras claras que impeçam qualquer aparência de favorecimento, dependência ou proximidade indevida com interesses privados e governamentais.”
Moraes foi convidado por Vorcaro para jantar em mansão de R$ 36 milhões em Brasília
O jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, informa que Alexandre de Moraes foi um dos 20 convidados, todos homens, por Daniel Vorcaro, para um encontro amistoso em uma mansão de R$ 36 milhões no Lago Sul, em Brasília, quando o Banco Master já pagava R$ 3,6 milhões por mês para o escritório de advocacia da família Moraes.
Quem mais, além de Fachin e Cármen estão apoiando um código de conduta: César Peluso, Marco Aurélio Mello, Carlos Veloso, Ayres Brito, Rosa Weber. Gilmar Mendes é contra, já disse que não precisa.
Eu já disse: não precisaria se a pessoa tivesse um código de conduta na medula, posto pela família, pelos pais, quando ainda criança. Isso é uma questão de formação, que vem de casa.
Vejam só: quem recebeu favores, viagens em jatinhos, patrocínios de Vorcaro – e não eram poucos – deve estar assustado. Imagina se Vorcaro falar, se contar tudo para se livrar de alguma forma.
Se Galípolo decidir falar mais sobre conversas com Moraes…
Eu fico pensando: Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, fez uma nota muito cautelosa, diplomática, para falar sobre a possível pressão de Moraes no caso do Banco Master. “Falamos sobre Magnitsky em telefonema com Moraes”, ele disse, sendo que a nota de Moraes dizia “tratamos exclusivamente de Magnitsky”.
Moraes chegou a agir como porta-voz do escritório da mulher dele, dizendo que o escritório nunca tratou de assuntos do Master com o Banco Central. Mas estava ganhando R$ 3,6 milhões para quê, então? Imagina se o Galípolo decide falar mais.
Outra coisa que chama a atenção são essas agendas Moraes estarem sendo divulgadas agora, embora tenham acontecido antes. Esse jantar que citei, por exemplo, foi há um ano, mais ou menos.
Está se dizendo que a esquerda abandonou Moraes, ou o usou quando foi útil para anular Jair Bolsonaro. Agora que já se anulou Bolsonaro, ele tá sendo abandonado. Não sei se é isso, mas é o que eu tenho ouvido.
Você e eu somos avalistas de empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios
Para encerrar, os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões. Não é pouco. Banco do Brasil, Caixa Econômica, Itaú, Santander e Bradesco vão pagar 18% de juro ao ano. Dá um dinheirão: quase R$ 2 bilhões de juro ao ano. E quem é o avalista? Nós. Você. Eu também.
É o Tesouro Nacional, que guarda o dinheiro dos nossos impostos – esse é o avalista. Era muito mais fácil chamar o general Floriano Peixoto, que foi presidente dos Correios no governo Bolsonaro. Quando ele estava presidindo, os Correios davam lucro, tinham superávit.
Uma notícia boa: Brasil vira maior produtor de carne bovina do mundo
Vamos encerrar com uma notícia boa: nós somos agora campeões de produção de carne bovina no mundo. Um quinto, ou 20%, da carne produzida do mundo é brasileira, o que equivale a 12,35 milhões de toneladas.
Os Estados Unidos produzem 11,8 milhões de toneladas. Em terceiro lugar, vem a China, com 7,8 milhões de toneladas. A gente termina ao menos com uma notícia agradável nesse fim de ano.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/ex-presidentes-stf-codigo-conduta/

Golpe de Master: o Imperador, a Imperatriz e o Banqueiro

Algo interessante une a neve de São Petersburgo em 1888 e o calor asfixiante de Brasília em 2025. Em dezembro daquele ano, Anton Tchekhov, o médico que dissecava a alma humana com a precisão de um bisturi, escrevia a contrarrelógio. Pressionado por editores rivais, ele concebeu o genial conto A Aposta, publicando-o exatamente na virada do ano. O conto é uma autópsia da vaidade: um banqueiro e um jovem advogado fazem uma aposta de dois milhões de rublos. O advogado afirma que a prisão perpétua é preferível à pena de morte; o banqueiro diz o contrário. Para provar sua tese, o jovem aceita ser colocado em isolamento absoluto por quinze anos. Se o advogado conseguir suportar a privação da liberdade por 15 anos, o banqueiro lhe pagará dois milhões.
Tchekhov não escolheu a data ao acaso. O Ano Novo é o marco zero da ilusão humana, o dia em que fingimos que o tempo é uma página em branco, quando, na verdade, ele é o carcereiro que nos consome. No conto, o advogado usa o tempo para se desintegrar e renascer intelectual e espiritualmente. Ele lê milhares de livros, estuda línguas, teologia e filosofia, para concluir, no último minuto, que as vaidades humanas não passam de um grande vazio. Ao final, com um gesto que está entre os momentos culminantes da literatura russa, o advogado mostra o seu desprezo pela visão materialista e estúpida de seu rival.
Corte para o Brasil de hoje. Aqui, a analogia de Tchekhov adquire feições de um realismo fantástico perverso. Vivemos uma aposta onde os personagens não buscam a transcendência pelo isolamento, mas o domínio pela onipresença. No centro do palco, o Banco Master de Daniel Vorcaro e o nosso assaz conhecido Imperador Calvo.
Diferentemente do prisioneiro de Tchekhov, que se trancou em um quarto para descobrir a futilidade do mundo, o nosso advogado transformado em juiz e o seu círculo de comparsas parecem ter descoberto a utilidade de se trancarem nos cofres do poder. O escândalo do Banco Master é um desfalque financeiro de proporções bíblicas — um rombo de R$ 41 bilhões e o uso de créditos fictícios que lesaram um milhão de cidadãos.
No conto original, o advogado condena a si mesmo à reclusão para provar um ponto moral
O contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório da Imperatriz Consorte é o valor da nossa aposta nacional. No conto de Tchekov, o advogado renega os milhões; na nossa crônica política, os milhões parecem ser o cimento que une o dono da lei ao dono do banco. Um autêntico golpe de Master!
A ironia mais cruel reside na inversão da pena. No conto original, o advogado condena a si mesmo à reclusão para provar um ponto moral. No Brasil de 2025, Imperador não se condenou ao isolamento. Em vez disso, ele utilizou a toga e concebeu a maior farsa jurídica da história para Jair Bolsonaro à prisão perpétua que cedo ou tarde poderá ser comutada em pena de morte.
Na aposta brasileira, as cartas estão marcadas: para o inimigo, o rigor da lei e o isolamento; para os parceiros de contrato milionário, a omissão escandalosa e o cinismo triunfante do regime.
O advogado de Tchekhov terminou a história escrevendo uma carta de desprezo absoluto pelo mundo e fugindo para o anonimato. Ele não queria o ouro do banqueiro, porque o ouro era mentira.
Nós, brasileiros, assistimos ao fim de 2025 com a sensação oposta. Sentimos a impotência de quem vê o tempo passar e a verdade se escancarar sem maiores consequências. O banqueiro, após uma brevíssima passagem pela prisão, caminha pelas frestas de um sistema que o Imperador Calvo e seus cúmplices blindaram a pretexto de defender o es-ta-do-de-mo-crá-ti-co-de-di-rei-to.
O conto de Tchekhov termina com uma libertação. Não por acaso, foi publicado no primeiro dia de 1889 — o ano em que um país do outro lado do mundo viveria o início de um pesadelo chamado República. Resta saber quando essa aposta espúria vai acabar e poderemos abrir a porta da cela das vítimas.
“Vós enlouquecestes e tomastes o caminho errado. Tomais a mentira pela verdade e a deformidade pela beleza. Ficaríeis admirados se, em consequência de circunstâncias imprevistas, nascessem, nas macieiras e laranjeiras, em vez de maçãs e laranjas, sapos e lagartixas, ou se as rosas de repente começassem a exalar odores de cavalo suado. Pois igual eu sinto diante de vós, que trocastes o céu pela terra. Não vos quero compreender.”
(Anton Tchekhov, “A Aposta”)
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/golpe-master-imperador-imperatriz-banqueiro/

A Revolução

O Brasil é um filme ruim, feito por um diretor em final de carreira, financiado com dinheiro público e de exibição obrigatória. Como no filme Laranja Mecânica, os reeducadores da pátria nos obrigam a ficar de olhos abertos e assistir, milhares de vezes, o roteiro implausível e os atores constrangedores, até a morte.
Viver no Brasil é ter a expectativa da violência estatal. Nela se inclui a atividade criminosa, que só é possível, na intensidade e escala que conhecemos, porque os criminosos recebem do Estado uma autorização especial para operar – a verdadeira licença para matar. As razões já foram exploradas no meu livro A Construção da Maldade; desde a publicação do livro, entretanto, os criminosos foram ultrapassados pelo próprio Estado, despido, por aqueles que o controlam, de toda a inibição que restava.
Não há diagnóstico simples que explique como chegamos aqui. O único elemento que trago ao debate é meu espanto
Justificado pela defesa de um simulacro de democracia, o Estado avança sobre o cidadão e dele toma tudo: direitos, liberdade, corpo, propriedade e ideias. Testemunhar a história recente é assistir à gradual dissolução da vida privada, da consciência, dos direitos individuais e da autonomia intelectual e moral. No Brasil, o ano de 2025 foi 1984 – somado com A Revolução dos Bichos, Admirável Mundo Novo e Arquipélago Gulag.
Há dias em que o país é uma releitura subtropical da Coreia do Norte, um regime paranoico sustentado por polícia política, mega escândalos e alinhamento com o fanatismo internacional. Em outros dias somos a Venezuela do Sul, uma ditadura de chapéu de palha e progressismo de fachada, temperada com bravatas, cachaça e maconha.
Voltamos a 1889 em pleno século 21. A república, criada com um golpe, usa o medo de golpes como motivo para um mergulho em um poço de arbítrio, sujeira e escuridão. O povo estava certo em temer pelo futuro. O futuro chegou; e como os criminosos não foram presos pelos crimes que cometeram, inocentes são presos pelo que não fizeram. Olavo tinha razão.
Não há diagnóstico simples que explique como chegamos aqui. O único elemento que trago ao debate é meu espanto. Dizem que virá uma revolução; mas é pouco provável que ela seja o que a maioria espera, porque as revoluções nunca são. Enquanto ela não chega, preservo a sanidade tirando lixo da praia. Me olham como se eu fosse louco; mas só essa semana recolhi mais de dez quilos de plástico que acabariam no mar.
VEJA TAMBÉM:
A maré subia, a água se aproximava da imundície espalhada na areia e ninguém fazia nada. A maioria dos frequentadores tomou a decisão de esticar a toalha e sentar, com a família, no meio da sujeira. Mas companheiro, basta arranjar um saco e limpar ao seu redor. Se não há disposição para isso, tudo está perdido.
No dia de Natal voltei à praia com a família. Um dos homens que trabalham nas barracas nos abordou no calçadão.
“Alô família, fiquem aqui com a gente. Duas cadeiras e um guarda-sol por R$ 30, é promoção”, ele disse. “A praia está ótima”.
Agradecemos e andamos rumo à barraca do Baiano, mais à frente.
Insatisfeito, o homem insistiu. Lá de trás veio a voz dele, em um tom diferente:
“Lá onde vocês estão indo é confusão. Já teve arrastão hoje”.
Olhei para a minha mulher e ela olhou para mim. Mas o homem ainda não tinha terminado. Enquanto nos afastávamos ele continuou a falar. O tom era de ameaça:
“Eu avisei. Vocês estão indo para lá por sua conta e risco”.
O Brasil é um filme ruim.
Que venha a revolução.
FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/roberto-motta/revolucao/

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