Suspeita de ‘lista’ de autoridades enroladas com Banco Master agita os poderes

Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Foto: Divulgação)

O escândalo do Banco Master ganha contornos cada vez mais sombrios. No centro das suspeitas estaria suposta “lista” de autoridades, políticos e figuras influentes, no “ecossistema” de relações privilegiadas do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal em novembro. Isso explicaria o véu de segredos imposto às investigações. Até a CPMI do INSS foi proibida de acessar dados da quebra de sigilos de Vorcaro e do Master, onde possíveis “pagamentos” disfarçados poderiam emergir.

Nitroglicerina pura

O que transforma esse caso em potencial terremoto político é a suspeita de proximidade de Vorcaro com autoridades dos três poderes.

Atirou no que viu…

A CPMI quebrou sigilos de Vorcaro para investigar seu papel no negócio bilionário nos consignados, mas parece ter acertado no que não viu.

Mercado indefeso?

Toffoli alegou “riscos ao mercado financeiro” ao ordenar a transferência do caso ao STF, citando menção a um deputado, e impôs segredo total.

Muitos segredos

Apesar dos interesses públicos envolvidos nesse escândalo, tanto o STF quanto o TCU decretaram sigilo total nas investigações.

Faixada do Ministério da Cultura. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Ministério da cultura dá calote em municípios

Com atraso de quase um mês nos pagamentos, o Ministério da Cultura, de Margareth Menezes, não fez o repasse aos municípios dos valores da Política Nacional Aldir Blanc. Os valores devidos foram efetuados conforme o cronograma estipulado. Prefeitos buscaram explicação no Ministério, deram com a cara na porta e ficaram sem retorno. Agora, os gestores reclamam de problema orçamentário e na economia municipal.

Siga o acordo

A Confederação Nacional de Municípios (CNM), entidade que representa os Entes locais, pede transparência e cumprimento do cronograma.

Na gaveta

Há até cobrança oficial, como ofício enviado no dia 17 de dezembro, que, até agora, segue ignorado pela pasta.

Nenhum vintém

Centenas de prefeituras já cumpriram todas as etapas legais, estão habilitadas, mas ainda não receberam os recursos.

Alô

Antes de ser submetido a cirurgia, nesta quinta (25), Jair Bolsonaro recebeu votos de sucesso de Tarcísio de Freitas (Rep). O governador de São Paulo ligou para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que repassou o recado.

Destino é a PF

A expectativa é que Jair Bolsonaro seja reavaliado e até liberado do hospital ao fim da próxima semana. Se tiver alta hospitalar, ao menos por enquanto, o ex-presidente volta para o cárcere na Polícia Federal.

Só deu Michelle

Não levou nem 20h desde a publicação do vídeo de Michelle Bolsonaro que rivalizou com o pronunciamento natalino de Lula para que a postagem ultrapassasse 1,2 milhão de visualizações no Instagram.

Dia a dia

Mesmo com o sucesso da cirurgia para corrigir a hérnia inguinal bilateral, médicos de Jair Bolsonaro evitam falar em prazo para recuperação e diz que o ex-presidente será avaliado dia após dia.

Vem mais aí

A CPMI que investiga a ladroagem no INSS encerra o ano como uma das que mais recebeu requerimentos. Nos poucos meses de funcionamento e investigação, já são quase 3 mil pedidos protocolados.

Trabalho de sobra

Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR) ralou este ano. Balanço mostra que foram 104 operações este ano e 502 pessoas denunciadas.

Disputa baiana

ACM Neto (União Brasil) definiu os caminhos eleitorais para 2026. O ex-prefeito de Salvador vai disputar o governo da Bahia. Vai enfrentar o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Fico

Partidos como PSD de Gilberto Kassab tentam filiar o governador mineiro Romeu Zema para as eleições de 2026. Ao menos por enquanto, Zema ter rejeitado os convites. Diz que quer mesmo ficar no Novo.

Pergunta no Supremo

Teve batata assando neste Natal?

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/suspeita-de-lista-de-autoridades-enroladas-com-banco-master-agita-os-poderes

Flávio Bolsonaro cresce e já empata com Lula em 2º turno

Lula e Flávio Bolsonaro

Levantamento Paraná Pesquisas divulgado nesta sexta-feira (26) mostra empate tecnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa pela Presidência da República, em 2026.

Flávio recebeu indicação e apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito.

Os números mostram crescimento do senador nas intenções de voto.

Em outubro, Flávio tinha 37% das intenções de voto, avançou para 38,6% em novembro, e, neste último levantamento, chegou a 41%.

No mesmo período, Lula apresentou queda de mais de 2,5 pontos percentuais, saindo de 46,7% (outubro), 45,4%, em novembro, até chegar aos 44,1%.

O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 22 de dezembro e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/xwk-brasil/flavio-bolsonaro-cresce-e-ja-empata-com-lula-em-2o-turno

Bolsonaro ainda não tem previsão de alta hospitalar

Ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Antonio Augusto/STF).

Os médicos responsáveis pela cirurgia de hérnia inguinal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informaram, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (25), que o procedimento transcorreu dentro do previsto e sem intercorrências.

Segundo a equipe médica, Bolsonaro já acordou da anestesia geral, foi encaminhado ao quarto e permanece internado, sem previsão de alta.

Ele tomou a anestesia geral, mas já acordou e está no quarto”, afirmou o cirurgião Cláudio Birolini.

O médico explicou que Bolsonaro apresentava uma hérnia do tipo mista, direta e indireta, em ambos os lados, e que foi realizado o reforço da parede abdominal com a colocação de uma tela de material plástico.

A avaliação do estado de saúde será feita diariamente. Nos próximos dias, o foco do tratamento será o controle da dor, sessões de fisioterapia e outros cuidados pós-operatórios. Segundo o cardiologista Brasil Ramos Caiado, a idade do ex-presidente exige atenção especial. “Ele tem 70 anos, é um cuidado maior do que o normal. É comum nessa idade ter um cuidado específico”, disse.

A cirurgia foi realizada no Hospital DF Star, em Brasília. O procedimento ocorreu após solicitação da defesa de Bolsonaro e autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedida na terça-feira.

Questionados sobre a possibilidade de recomendação de prisão domiciliar, os médicos afirmaram que ainda é cedo para qualquer avaliação nesse sentido. “Veremos passo a passo. O que a gente pode falar é como foi a cirurgia hoje e observar a evolução nos próximos dias; mais do que isso seria imprudente da nossa parte”, declarou Caiado.

Birolini acrescentou que, no momento, Bolsonaro ainda necessita de assistência para atividades básicas.

“Ele precisa estar bom o suficiente para tomar banho, se vestir, se movimentar, comer. A gente entende que nesse momento, para ele tomar banho, precisa de ajuda, então não dá para ele ficar em um lugar onde esteja desassistido. A partir do momento que a gente julgar que ele tem condições de sair do hospital, vamos indicar qual o melhor caminho”, concluiu o cirurgião.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/medicos-destacam-que-bolsonaro-segue-sem-previsao-de-alta

TST manda Correios manter pelo menos 80% do efetivo

Funcionários da unidade de distribuição dos Correios em Brasília – Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar do presidente Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a manutenção de pelo menos 80% do efetivo dos Correios em funcionamento durante a greve nacional por tempo indeterminado da categoria. A paralisação, iniciada em 16 de dezembro e intensificada após a rejeição da proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026 por sindicatos, motivou a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) a ajuizar dissídio coletivo de greve.

A medida considera a essencialidade dos serviços postais, prestados em regime de exclusividade, e os riscos da paralisação para a população, especialmente no período de fim de ano. O percentual de 80% deve ser apurado por agência, excluindo as unipessoais, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. As federações sindicais Fentect e Findect têm 24 horas para apresentar defesa, e o Ministério Público do Trabalho foi intimado.

Está agendada audiência de conciliação para 29 de dezembro e sessão extraordinária da Seção de Dissídios Coletivos para 30 de dezembro, quando o mérito do dissídio será julgado.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/tst-manda-correios-manter-pelo-menos-80-do-efetivo

Justiça prende no Maranhão prefeito, esposa, a vice e todos vereadores da cidade

Prefeito de Turilândia, Paulo Curió. (Foto: Reprodução/Redes Sociais/Acervo Pessoal).

O prefeito de Turilândia (MA), Paulo Curió (União), foi preso após se apresentar à polícia em São Luís, capital maranhense, na quarta-feira (24), depois de passar dois dias foragido. A prisão faz parte da Operação Tântalo II, que investiga um esquema milionário de desvio de recursos públicos no município.

Além do prefeito, também se entregaram à polícia a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Lima, o marido dela, Marlon Serrão, e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros.

Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o grupo integra uma organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos de Turilândia entre 2021 e 2025. O esquema envolve ainda a vice-prefeita, Tânia Mendes (PRD), 20 vereadores, um ex-vereador, servidores públicos, empresários e outros agentes políticos.

Vereadores investigados tiveram a prisão convertida em domiciliar.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o esquema era liderado por Paulo Curió, com apoio da atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. O grupo usava empresas de fachada para firmar contratos fraudulentos com a prefeitura e desviar dinheiro público.

Um dos principais casos envolve o Posto Turi, de propriedade de Marlon Serrão. A empresa teria recebido mais de R$ 17 milhões da prefeitura. Parte do dinheiro, segundo o MPMA, era usada para pagar despesas pessoais da ex-vice-prefeita, enquanto o restante era repassado ao prefeito ou a aliados.

A operação cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em diversas cidades do Maranhão.

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

Diário do Poder entrou em contato com a Prefeitura de Turilândia para manifestações e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações dos citados.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/justica-prende-no-maranhao-prefeito-esposa-a-vice-e-todos-vereadores-da-cidade

Moraes ligou 6 vezes para Galípolo no dia em que BC analisava venda do Master

Presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo e o ministro do STF, Alexandre de Moraes (Fotos: Pedro França/Agência Senado e Rosinei Coutinho/STF).

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), telefonou seis vezes no mesmo dia para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enquanto a autarquia analisava a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Os contatos ocorreram em meio às discussões internas sobre a operação que poderia evitar a liquidação da instituição controlada por Daniel Vorcaro, posteriormente liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro, sob suspeita de fraudes estimadas em mais de R$12 bilhões.

De acordo com o Estadão, as ligações reforçam a percepção de pressão exercida pelo ministro sobre o Banco Central durante a análise do negócio. Nas conversas, Moraes teria utilizado argumentos semelhantes aos do controlador do banco, apontando resistência de grandes instituições financeiras à concorrência representada pelo Master.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de um contrato de advocacia firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$3,6 milhões entre 2024 e 2027, totalizando quase R$130 milhões, e foi encerrado após a liquidação do banco.

Em nota, Moraes negou qualquer interferência na negociação e afirmou que os contatos com Galípolo tiveram como único objetivo discutir os efeitos das sanções impostas contra ele com base na Lei Magnitsky, relacionadas à manutenção de contas e serviços bancários. O Banco Central confirmou a realização de reuniões sobre o tema, mas não citou o Banco Master em suas comunicações oficiais.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/moraes-ligou-6-vezes-para-galipolo-no-dia-em-que-bc-analisava-venda-do-master

Decisão de Toffoli sobre Banco Master provoca reação no Congresso e entre juristas

Ministro Dias Toffoli rejeitou pedido da PGR e manteve acareação no caso Banco Master. (Foto: Fellipe Sampaio /STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli rejeitou pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para suspender a acareação no caso envolvendo o Banco Master e manteve a audiência marcada para o próximo dia 30 de dezembro, em pleno recesso do Judiciário. A decisão intensificou críticas de parlamentares da oposição e de juristas, que apontam possível desvio de competência, quebra de jurisprudência e tentativa de intimidação de técnicos do Banco Central.

A acareação colocará frente a frente Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, um técnico do Banco Central que apontou indícios de fraude, e o ex-presidente do BRB. O procedimento foi determinado sem solicitação da Polícia Federal ou do Ministério Público, o que, segundo críticos, contraria o entendimento consolidado de que juízes não devem conduzir investigações.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) – autor de um dos pedidos de criação da CPMI do Banco Master no Senado – ironizou a decisão e afirmou que marcar uma acareação durante o recesso, sem provocação dos órgãos de investigação, “é a coisa mais comum do mundo” — em referência crítica ao episódio. Para ele, o caso simboliza o que chamou de “passar pano” para ministros do Supremo.

“A defesa da democracia virou desculpa para qualquer canalhice”, disse o senador, que também mencionou a possibilidade de impeachment de ministros de cortes superiores.

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) classificou o episódio como “um crime de dimensões nunca antes vistas” e cobrou uma reação do Senado.

“Toffoli puxou para si a competência para julgar a ação do Banco Master, impôs sigilo absoluto e agora coloca no mesmo patamar quem fiscaliza e quem é fiscalizado. Isso soa como tentativa clara de intimidar técnicos do Banco Central”, afirmou.

Já deputado Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou “nunca um ministro agiu de forma tão desesperada para blindar a si mesmo e seu colegas”.

Além disso, a oposição cobra que Toffoli volte a autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, medida considerada essencial para o avanço das investigações na CPMI do INSS. Parte dos documentos já havia sido enviada à comissão, mas ficou inacessível após decisão de Toffoli que impôs sigilo no âmbito do STF.

Suspeitas envolvendo Moraes ampliam pressão sobre o STF

Especialistas também destacam que a decisão de Toffoli ocorre no momento em que cresce o escrutínio público sobre o ministro Alexandre de Moraes, citado em reportagens relacionadas ao caso.

Segundo reportagens do jornal O Globo, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, teria sido contratado para atuar em favor do Banco Master junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos.

Também surgiram especulações após os contatos de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da aprovação da compra do Banco Master pelo BRB. Moraes afirma que as conversas se restringiram a discutir impactos de sanções dos Estados Unidos.

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol classificou o caso como o episódio mais grave já registrado envolvendo a conduta de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele afirmou que os fatos narrados nas reportagens configuram, em tese, o crime de advocacia administrativa, previsto no artigo 321 do Código Penal.

“É o escândalo mais grave de conduta irregular de ministro da história conhecida do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Segundo Dallagnol, o crime ocorre quando um agente público patrocina, direta ou indiretamente, interesse privado perante a Administração Pública, o que, segundo ele, se encaixa nas suspeitas levantadas no caso do Banco Master.

“O impacto disso é gigantesco. É a última peça do quebra-cabeça, que revela o que realmente acontece nos bastidores, em que a família Moraes enriqueceu em grande quantidade nos últimos anos”, disse.

Em nota, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que, em razão da aplicação da Lei Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, além do presidente e do vice-presidente jurídico do Banco Itaú. Segundo o ministro, também participou de uma reunião conjunta com os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Febraban e do BTG, além de vice-presidentes do Santander e do Itaú. De acordo com Moraes, todos os encontros trataram exclusivamente das possíveis consequências da aplicação da lei, especialmente no que diz respeito à manutenção de movimentações bancárias, contas correntes e cartões de crédito e débito.

Decisão de Toffoli carece de motivação jurídica

O jurista André Marsiglia afirmou que a acareação determinada por Toffoli, além de sigilosa, carece de motivação jurídica e pode ter como objetivo identificar fontes de vazamentos à imprensa.

“Uma acareação sigilosa e sem motivação jurídica pode servir para identificar fontes de vazamentos. Se usada para blindar o STF e intimidar a divulgação de irregularidades, configurará mais um grave escândalo da Corte”, disse.

Marsiglia explica que, embora a acareação seja um instrumento legítimo, ela deve ser usada como etapa final da investigação, quando há contradições entre provas já produzidas — e não no início do processo.

“Não serve para produzir provas no momento inicial das investigações, como acontece agora. O caso acabou de ser remetido ao STF. Uma acareação nesse estágio não faz sentido jurídico”, disse.

Segundo o jurista, o contexto levanta a hipótese de intenção política por trás da decisão.

“É uma especulação, mas é legítimo cogitar que a Corte esteja tentando saber o que mais circula nos bastidores do sistema financeiro sobre as relações divulgadas pela imprensa entre Alexandre de Moraes, o escritório de sua esposa e os bancos, ou até mesmo quem são as fontes dessas informações. Isso, se confirmado, seria totalmente ilícito.”

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/republica/decisao-de-toffoli-sobre-banco-master-provoca-reacao-no-congresso-e-entre-juristas/

Alexandre Garcia

Entre o soluço de Bolsonaro, o STF e os tropeços do português

Ex-presidente Jair Bolsonaro se recupera após passar por cirurgia de hérnia nesta quinta-feira (25.) (Foto: EFE/Andre Borges)

Bolsonaro está se recuperando. Imagino que não foi uma noite fácil com soluços, mas há uma bateria de prescrições clínicas para ver se acertam um tratamento para o soluço sem precisar de algo mais grave. Eu vi uma declaração falando até em não buscar outras alternativas.

E hoje é dia de se falar da língua portuguesa, porque “alternativa”, alter, já é outro, né? “Outra alternativa” é pleonasmo. O correto é “outras opções” ou “alternativas”, mas vá lá.

O que a gente exige do médico não é obedecer à língua portuguesa, mas seguir a medicina, que ele seja bom.

E, no caso de Bolsonaro, que tenha dado tudo certo: foi preciso colocar uma tela na hérnia inguinal direita, porque estava saindo por baixo, acima da aponeurose. Aproveitou e também corrigiu a hérnia do lado esquerdo, que ainda estava incipiente.

Mas a recuperação é prejudicada pela musculatura torácica e abdominal. É bom não mexer no que comanda isso, porque é o mesmo comando das batidas do coração e do pulmão. São movimentos involuntários. Vamos ver se eles acham isso.

O Supremo e o papel que não é dele

Dei uma olhada em todas as decisões do Supremo neste ano. E, sem entrar em saída do Barroso, Magnitsky e em Moraes, eu fiz uma listinha da quantidade de vezes em que o Supremo ou foi contra a Constituição ou cumpriu o papel de legislador, que não é dele.

O Poder Legislativo é outro: é o Congresso Nacional.

Em fevereiro, ele considerou inconstitucionais leis municipais que proibiam a tal linguagem neutra, que nem sei o que é isso. Com isso, desafina do artigo 13.

O artigo 13 da Constituição diz que a língua no Brasil é a língua portuguesa, e a língua portuguesa não tem linguagem neutra, não tem gênero neutro. O inglês tem, mas o português não tem.

Então, se uma lei municipal proíbe que se infrinja o artigo 13 da Constituição, o Supremo só deveria estar aliado a essa lei municipal e não ficar preso à burocracia de “não, legislação sobre língua é federal”. Deixem as pessoas obedecerem à Constituição.

As Câmaras Municipais que fizeram essas leis seguiram o artigo 13 da Constituição: a língua no Brasil é a língua portuguesa, e a língua portuguesa não tem linguagem neutra. O Supremo foi contra a Constituição. Depois, acesso a dados do celular. Se a polícia pega um celular de alguém, de um bandido, ou encontra um celular no chão, ou pega o celular daquele funcionário de confiança de Moraes que está na Itália agora, que vai lá e abre o celular e descobre um monte de coisa, não foi ele que mostrou.

Mas o Supremo legislou a respeito, não deixou que o Congresso fizesse lei sobre isso. Ele é que legislou.

Depois, responsabilidade das plataformas digitais: legislou também. No julgamento do 8 de janeiro, não era o juiz natural. O tribunal para isso era a primeira instância. O Supremo só depois de passar pela segunda, terceira, e se houvesse alguma questão constitucional.

Mas, por fim, de novo não seguiu a Constituição no artigo 231, que diz que são dos índios as terras que eles ocupam no dia 5 de outubro de 1988, dia da promulgação da Constituição. E o Supremo não consegue entender isso.

Erros de português

Falei de língua portuguesa agora, eu quero falar de novo. Houve uma fuga de 14 detentos de um presídio regional do estado do Amazonas. O G1, que é a maior agência nacional de notícias, disse que foi uma “fuga em massa”.

Eu não entendo que uma fuga de 14 pessoas seja uma fuga em massa. Uma fuga em massa é uma fuga em massa, não é? Se tivesse 100 detentos e fugissem 80, é uma fuga em massa. Agora, fugir 14 não é.

Mas tem coisa pior aí. Diz assim: que depois daquele banho de sol no pátio, conseguiram “cerrar” uma grade — e escreveram “cerrar” com “C”.

Ora, se uma grade está “cerrada” com “C”, ninguém consegue fugir.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/entre-o-soluco-de-bolsonaro-o-stf-e-os-tropecos-do-portugues/

Flávio Gordon

Os pés de barro do ídolo de toga

Ministro Alexandre de Moraes, do STF. (Foto: Antônio Augusto/STF)

“Não quero que tenhais sociedade com os demônios” (I Coríntios, 10: 20).

Toda época fabrica os seus ídolos. E, como ensina a tradição cristã, toda idolatria é uma forma de cegueira espiritual. No Brasil contemporâneo, surgiu uma estranha forma de idolatria política, à qual aderiu uma multidão de cegos. Alexandre de Moraes foi erguido à condição de figura sacralizada pelo antibolsonarismo: juiz-salvador, guardião último da democracia, intérprete infalível do bem e do mal públicos. Sua imagem passou a ocupar o lugar que, noutras épocas, era reservado à lei, à Constituição ou mesmo à prudência. Mas a história e a teologia ensinam: nenhum ídolo resiste ao tempo. Todos acabam revelando aquilo de que são feitos: barro – e isso na melhor das hipóteses.

A idolatria, recorda o Catecismo da Igreja Católica, começa “no momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus”. Atenção à formulação: mais que apenas adorar falsos deuses explicitamente, trata-se de deslocar para uma criatura – um homem, uma instituição, um cargo – a confiança absoluta que só pode ser depositada no que é transcendente. O ídolo moderno não exige incenso, mas silêncio, obediência e suspensão do juízo moral. 

É exatamente esse mecanismo que o consórcio político, financeiro e midiático ergueu em torno da figura lombrosiana de Alexandre de Moraes. Um ministro do Supremo, cercado de prerrogativas, passou a ser tratado como se estivesse acima da crítica, do erro e da própria lei. Até poucas semanas atrás, toda suspeita que o envolvesse era imediatamente reclassificada como “ataque à democracia”, e toda pergunta legítima virava “ameaça institucional”. O homem real desapareceu sob o ídolo da religião antibolsonarista. Uma religião, como bem descreveu Gustavo Maultasch, fundada na ideia de que “se Bolsonaro existe, tudo é permitido”.

O escândalo envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master funciona, nesse sentido, como uma epifania negativa. Não apenas porque sugere conflitos éticos graves entre poder público e interesses privados, mas porque expõe a vulgaridade moral daquele que foi alçado à condição de árbitro supremo da virtude republicana. Eis aí o papelão ao qual se prestaram jornalistas, empresários, políticos, intelectuais e artistas – um papelão do qual alguns estão querendo desesperadamente escapar.

O Brasil vive hoje essa inversão trágica: o juiz fala como soberano, enquanto o preso político fala como representante

Comentando o primeiro mandamento –“Não terás outros deuses diante de mim” –, São Tomás de Aquino ensina que os antigos o transgrediam de muitos modos. Alguns prestavam culto direto aos demônios; outros recorriam a adivinhos e sortilégios; outros ainda firmavam pactos tácitos com forças que prometiam poder, proteção ou conhecimento em troca de submissão. Santo Agostinho advertia que esses pactos nunca são neutros: quem abdica da verdade em nome da segurança já iniciou sua queda.

Mutatis mutandis, o antibolsonarismo contemporâneo firmou seu pacto. Se não com demônios arcaicos, decerto com a ideia sedutora de que a “democracia” – curiosamente entendida como um regime que exclui a representatividade popular – pode ser salva por um homem forte, desde que esse homem esteja do “lado certo”. Nesse contrato faustiano, a toga substituiu o altar; a autoridade judicial, o discernimento moral; e o estado de exceção permanente, o estado de direito.

Jair Bolsonaro enviou uma carta do cárcere. Na condição de preso político, ele enviou uma carta de Natal. Escrita, pois, nessa data central do calendário cristão – o nascimento daquele que veio ao mundo sem poder terreno, sem exércitos e sem cargos –, a carta fala de sacrifício, responsabilidade e continuidade. Bolsonaro não se apresenta como redentor. Não reivindica infalibilidade. Reconhece o custo pessoal de sua trajetória e fala como quem sabe que o poder é transitório e o dever, permanente.

“Entrego o que há de mais importante na vida de um pai”, escreve ele, ao indicar o filho Flávio Bolsonaro para a disputa política, sabendo que, no caso da direita, como já ilustraram os casos dos atentados contra o próprio Jair Bolsonaro, Donald Trump, Miguel Uribe, Fernando Villavicencio, Shinzo Abe e Charlie Kirk, o ingresso na disputa equivale ao risco de morte. A frase é teologicamente mais carregada do que supõem seus detratores, sobretudo por ter sido formulada por um homem que, no atual estado de saúde e sob as condições a que está submetido, já não contempla a morte como uma realidade distante e impessoal. Nota-se que a linguagem aqui é de oferta, não meramente de ambição política. O pai que oferece o filho em sacrifício não se coloca acima da história. Assim como Abraão, ele clama pela providência. Apesar do epíteto “mito”, Jair é a antítese do ídolo, que tudo exige e nada entrega.

O contraste não poderia ser mais agudo. De um lado, o homem privado da liberdade ainda fala em Deus, pátria, família e liberdade – categorias que remetem a algo maior que o próprio indivíduo. Do outro, o homem investido de poder absoluto age como se a ordem moral emanasse de sua própria vontade. Um reconhece limites; o outro os redefine conforme a conveniência.

Na tradição cristã, a idolatria é sempre acompanhada da hybris – a desmedida. O ídolo não aceita freios, não admite julgamento, não tolera concorrência. Exige devoção total e pune a dissidência. Não por acaso, todo regime idolátrico precisa silenciar, censurar e intimidar. A verdade é perigosa para quem se crê infalível.

Alexandre de Moraes tornou-se o ídolo de pés de barro do antibolsonarismo porque encarnou essa promessa: a promessa de que a política poderia ser purificada pela força; de que a democracia sobreviveria sem povo; de que a lei contratada poderia ser suspensa em nome da lei encarnada. Mas, como ensina a Escritura, “todos os deuses dos povos são demônios” (Sl 95,5) – isto é, são construções que exigem sacrifícios humanos e terminam em ruína.

O Brasil vive hoje essa inversão trágica: o juiz fala como soberano, enquanto o preso político fala como representante. O homem cercado de poder não presta contas; o homem privado de poder fala em dever. Um se coloca como fim último; o outro se reconhece como meio. Um exige reverência; o outro oferece responsabilidade.

Toda idolatria termina da mesma forma: com a queda do ídolo e o espanto tardio (real ou fingido) dos que o adoraram. Não apenas porque alguém o derrube, mas porque o peso do barro é sempre maior do que a capacidade de sustentação. Quando a rachadura aparece, já é tarde.

A carta de Bolsonaro não é um manifesto teológico, mas carrega uma intuição profundamente cristã: a política não salva, o poder não redime, e nenhum homem pode ocupar o lugar que não lhe pertence. Já o culto civil a Alexandre de Moraes revela o oposto: a tentação antiga de adorar a criatura em lugar de Deus. E, como em Fausto, o pacto mefistofélico é sempre firmado em nome de um bem maior, mas termina na mesma revelação cruel: ao tentar substituir Deus por um poder terreno, o homem não redime a história, e muito menos “salva a democracia” – apenas perde a alma, enquanto o demônio cobra, pontual, a sua parte.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/flavio-gordon/alexandre-moraes-pes-barro-idolo-toga/

O novo amor de Daniel Silveira

Daniel Silveira está em um novo relacionamento, depois do término com a advogada Paola Silva, que ocorreu há mais de um ano.

A atual mulher do ex-deputado é Georgia Neves Barros, oncodermatologista de 29 anos, oriunda de uma família tradicional de Petrópolis (RJ).

Os dois se conheceram em uma academia. Relatos de pessoas próximas afirmam que Silveira encontrou sua “alma gêmea”.

A coluna apurou que ambos vão se casar em fevereiro de 2026.

Moraes autoriza ida de Daniel Silveira à formatura da filha

No começo da semana, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STE), flexibilizou o regime domiciliar de Silveira para o ex-deputado participar da formatura da filha.

Cumprindo cautelares, Silveira pediu autorização para ajustar, pontualmente, os horários de permanência em casa a fim de comparecer à cerimônia.

De acordo com Moraes, a flexibilização é admitida quando o pedido envolve
“natureza estritamente familiar, relevante e singular”, desde que não haja riscos à execução penal.

Ainda segundo Moraes, trata-se de “evento familiar único, comprovado documentalmente”, sem indícios de ameaça à ordem pública ou de descumprimento das condições impostas ao condenado.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/no-ponto/o-novo-amor-de-daniel-silveira/

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