Extradição de Lulinha, que vive na Espanha, dormita na gaveta de Hugo Motta

O ex-presidente e o filho Fabio Luis Lula da Silva, o "Lulinha": pai e filho foram alvos da Lava Jato. (Foto: Arquivo/Fábio Campanato/Agência Brasil)

Os pedidos de extradição ao governo da Espanha contra Fábio Luís, o “Lulinha”, dormitam no gavetão do presidente da Câmara, Hugo Motta, a quem cabe encaminhá-los à Procuradoria Geral da República (PGR), mas, até agora, nada. O filho de Lula (PT) é acusado de receber de Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, R$25 milhões e mensalão de R$300 mil mensais, segundo depoimento à Polícia Federal do ex-braço direito do Careca INSS Edson Claro, citado na CPMI do INSS.

Longa espera

O deputado Evair de Melo (PP-ES) foi um dos deputados autores do pedido de ao governo espanhol. Continua no aguardo de providências.

Gaveta cemitério

Além do pedido de extradição, também aguarda “despacho do presidente da Câmara” solicitação à PF para investigar o filho de Lula.

Fala, Lulinha

Na CPMI do INSS, tem pedido de convocação do filho de Lula pendente de votação. O autor é o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).

Coisa pesada

Van Hattem cita elo entre o ex-contador de Lulinha, dirigente do PT, e até empresas suspeitas de lavar dinheiro para a facção criminosa PCC.

Ministro do STF Dias Toffoli – Foto: Rosinei Coutinho/STF.

Toffoli estarrece CPMI protegendo dados de Vorcaro

O deputado Alfredo Gaspar (União), relator da CPMI do roubo bilionário a aposentados e pensionistas do INSS, reagiu estarrecido à decisão do ministro do STF Dias Toffoli de proibir o acesso da comissão aos dados de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro e de outros diretores do Banco Master presos na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. “Investigar poderosos neste País é praticamente impossível”, desabafou o experiente procurador do ministério público.

Fim da picada

Gaspar admite não ver luz no fim do túnel: “É uma pena termos chegado a esse estágio. O Brasil, cada vez mais, se afasta da democracia.”

Roubo ainda maior

A CPMI quebrou o sigilo de Vorcaro & cia na investigação de empréstimo consignado não autorizados, descontados de aposentadorias e pensões.

Justiça comprometida

Presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), avalia que a decisão de Toffoli afeta a transparência. “E sem transparência, não há justiça”.

Meu pirão primeiro

A turma da Lei Rouanet é contra a anistia, recurso do qual se beneficiou na ditadura, mas não cobra punição para quem roubou aposentados e pensionistas ou para turma do Master protegida por “sigilos máximos”.

A própria PF

O perito médico da PF recomendou “herniorrafia inguinal bilateral” de Jair Bolsonaro, procedimento cirúrgico que requer anistia geral e recuperação de duas semanas. Estimou também 5 a 7 dias de internação hospitalar.

Guinada

Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) avalia que a vitória de José Antonio Kast no Chile confirma a guinada histórica da América Latina, “cansada de aventuras ideológicas, populismo e do Estado inchado”.

Mau exemplo

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) denunciou manobra da esquerda e do centrão para punir ‘em grupo’ deputados de oposição que ocupou a Mesa Diretora em agosto: “Não vamos repetir o que faz o STF”.

É só pautar

Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN) confirmou que já há número suficiente de votos para a aprovação do projeto da dosimetria, a “anistia light” aprovada na Câmara dos Deputados.

Nova normalidade

Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) informou que Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado no STF por “tentativa de golpe”, cogita renunciar ao mandato se conseguir asilo nos EUA.

Irmãos siameses

Na inauguração da sede de R$200 milhões da Apex, Wesley Batista, da JBS/J&F, que, como o atual presidente, andou em cana com o irmão Joesley, disse que “o Brasil tem a felicidade de ter [Lula] liderando”.

Tratoraço

O STF continua mexendo à vontade em leis em vigor, agora anulando aquela de 2023 que confirma o marco temporal das terras indígenas na data de promulgação da Constituição. Para o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), não resta dúvida: o STF já virou também “poder legislativo”.

Pensando bem…

…o impasse institucional vai acabar em acordo: o STF legisla e o Congresso julga.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/extradicao-de-lulinha-que-vive-na-espanha-dormita-na-gaveta-de-hugo-motta

PF prende no Rio desembargador indicado por Lula

Desembargador Macário Judice Neto. (Foto: Reprodução).

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (16), a segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro e que resultou na prisão do então deputado TH Joias por suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Os agentes cumpriram um mandado de prisão contra o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2, em sua residência na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, além de 10 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com o site da Universidade Federal do Espírito Santo, Macário foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suspeitas de envolvimento com o crime, mas, após desfrutar de aposentadoria compulsória por 18 anos, foi nomeado desembargador federal em maio de 2023, com indicação formal enviada apor Lula (PT).

Bacellar, de novo

Entre os alvos das buscas está o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, que havia sido preso na primeira fase da operação e solto posteriormente pelo plenário da Assembleia. As ações também alcançaram endereços no Espírito Santo.

Bacellar é suspeito de obstrução de justiça e participação em organização criminosa, com indícios de que teria alertado TH Joias sobre a Operação Zargun, inclusive orientando a destruição de provas.

O ministro Alexandre de Moraes destacou “fortes indícios” de que Bacellar atuava para obstruir investigações envolvendo facções criminosas, com influência no Poder Executivo estadual, aumentando o risco de continuidade delitiva. A operação reforça as apurações sobre interferências no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/desembargador-federal-e-preso-em-operacao-da-pf

Dosimetria será votada nesta 4ª feira na CCJ e no plenário

O presdente do Senado, Davi Alcolumbre, conversar com Esperidião Amin, relator do projeto da Dosimetria – Foto: Waldemir Barreto/AgSenado.

O projeto da Dosimetria, que substituiu a proposta original de anistia, será o único item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (17), às 9h. Aprovado pela Câmara dos Deputados em 10 de dezembro, ganhou relatoria do senador Esperidião Amin (PP-SC) na comissão.

A proposta altera pontos do Código Penal e da Lei de Execução Penal como regras de cumprimento da prisão. Também pode reduzir penas de condenados por crimes supostamente cometidos contra a democracia. Se aprovado na CCJ, o projeto seguirá para o plenário do Senado tabém nesta quarta.

Pela legislação atual, o juiz pode alegar diferentes crimes no mesmo evento para somar as penas, como aconteceu aos presos pelo badernaço do 8 de janeiro e aos condenados por suposta tentativa de golpe.

O projeto da Dosimetria proíbe essa soma, que tem estimulado práticas consideradas abusivas, como a pena de mais de 14 anos de prisão para punir uma frase com batom em uma estátua, e determina que, quando as condutas estiverem ligadas a um único episódio, será aplicada uma pena única, a mais elevada, com aumento proporcional, mas sem acumular penas de forma independente.

Na prática, isso pode reduzir a pena final de condenados por diversos enquadramentos, inclusive no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros supostamente envolvidos.

O texto, de acordo com a Agência Senado, também cria uma regra de redução de pena para situações em que o crime for cometido em contexto de multidão. A medida distingue quem atuou sem protagonismo de figuras organizadoras ou financiadoras dos atos antidemocráticos.

Progressão de regime

A progressão de regime (quando o apenado passa de um regime mais severo de cumprimento da pena para outro mais brando; por exemplo, do regime fechado ao semiaberto) depende do tempo mínimo de pena cumprido e da boa conduta.

  • crimes sem violência: 16% da pena para réu primário e 20% para reincidente;
  • crimes com violência ou grave ameaça: 25% para primário e 30% para reincidente;
  • crimes hediondos: 40% para primário e 60% para reincidente;
  • hediondos com resultado de morte: 50% para primário e 70% para reincidente, sem possibilidade de livramento condicional.

Essa multiplicidade de faixas tem sido criticada por tornar a aplicação desigual entre estados e tribunais.

O projeto em análise na CCJ reorganiza essas faixas (veja quadro abaixo) e recupera uma regra geral: a possibilidade de progressão após o cumprimento de um sexto da pena, desde que haja bom comportamento.

Essa regra passa a funcionar como ponto central, com exceções definidas caso a caso.

Crimes violentos

Para crimes violentos contra a pessoa ou o patrimônio, o texto cria percentuais próprios de cumprimento da pena para a progressão de regime.

O condenado primário deverá cumprir 25% da pena, enquanto o reincidente nesses crimes deverá cumprir 30%. Já o reincidente em crimes não violentos terá exigência de 20%.

Hediondos, milícia e feminicídio

Crimes hediondos seguem com rigor elevado: 40% de cumprimento da pena para primários e 50% para casos com resultado de morte, sem livramento condicional.

Organizações criminosas estruturadas e milícias também seguem o patamar de 50%. Reincidências em crimes hediondos exigirão cumprimento de 60% da pena para a progressão, e 70% quando houver morte, igualmente sem possibilidade de livramento.

Uma novidade é a criação de um percentual específico para o feminicídio: condenados primários deverão cumprir 55% da pena. Hoje, o feminicídio segue as regras gerais dos crimes hediondos, sem percentual próprio.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/dosimetria-sera-votada-na-ccj-e-no-plenario-nesta-quarta

STM será testado em julgamentos de generais, diz ministra

A presidente do STM (Superior Tribunal Militar), ministra Maria Elizabeth Rocha | Foto: José Cruz / Agência Brasil

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou nesta segunda-feira (15) que os julgamentos sobre a possível perda de patente de militares condenados por tentativa de golpe colocarão a Corte à prova. Segundo ela, o STM não irá reavaliar crimes já julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas decidir se os réus permanecem dignos de integrar o oficialato.

Os processos serão analisados pelo plenário do STM e marcarão a primeira vez que a Corte julgará a perda de patente de generais de quatro estrelas. Parte dos ministros que participarão do julgamento já foi subordinada ou aluna dos réus.

“Vamos avaliar se os militares são dignos ou não para continuarem no oficialato”, declarou a magistrada.

De acordo com Maria Elizabeth, o Ministério Público Militar deve apresentar as representações no início do próximo ano judiciário. As ações serão individualizadas, com distribuição eletrônica e aleatória dos relatores, em procedimento público e transparente. Não há prazo para apresentação dos votos, o que pode empurrar o desfecho de alguns casos para depois das eleições.

A ministra ressaltou ainda que condenações com penas menores não afastam automaticamente a possibilidade de perda de patente e citou o caso do tenente-coronel Mauro Cid, que, apesar de pena inferior a dois anos, pode ser alvo de representação. O STM é composto por 15 ministros; a presidente não vota, salvo em caso de empate, quando profere voto de minerva a favor do réu.

No mesmo dia, Maria Elizabeth defendeu a criação de um Código de Conduta para ministros de tribunais superiores. Segundo ela, a iniciativa do presidente do STF, Edson Fachin, tem apoio unânime das cortes e visa dar clareza ética à atuação da magistratura. A ministra afirmou que o modelo pode ser adaptado à realidade brasileira e que eventuais sanções já estão previstas no Código Penal.

FONTE: DP https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/stm-sera-testado-em-julgamentos-de-generais-diz-ministra

As relações indecentes do Banco Master com ministros do STF

Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, em sessão do plenário do STF em 3 de dezembro. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Ministros do STF sempre fizeram muito pouco caso de relações que, em qualquer contexto da iniciativa privada, representariam conflito de interesse evidente – não muito tempo atrás, o então presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, defendeu as viagens de ministros a eventos no exterior, com pouca ou nenhuma transparência a respeito de quem banca passagens e hospedagens. Mas dois casos recentes extrapolam o campo das relações controversas dos ministros e já entram no terreno do escândalo puro e simples – ambos envolvem o Banco Master, agora liquidado pelo Banco Central e cujo dono, Daniel Vorcaro, é investigado inclusive por suspeita de fraude bilionária.

Em 28 de novembro, Dias Toffoli voou para Lima, onde seu time do coração, o Palmeiras, disputaria a final da Libertadores no dia seguinte. Em vez de comprar uma passagem em um voo comercial, no entanto, o ministro aceitou uma carona no jatinho particular do empresário Luiz Osvaldo Pastore, tendo como companheiro de viagem o advogado Augusto Arruda Botelho, que defende Luiz Antônio Bull, um dos investigados na Operação Compliance Zero, preso pela Polícia Federal em 18 de novembro e que deixou a cadeia no mesmo dia da partida a que Toffoli assistiria no Peru.

Toffoli demonstra desprezo total pela necessidade de os juízes manterem uma postura institucional que afaste a mínima suspeita de favorecimento a qualquer das partes

Enquanto Toffoli e Botelho iam ao Peru, a defesa do Banco Master apresentava um recurso pedindo que o caso “subisse” para o STF, devido à presença de um deputado federal em um dos contratos, e Toffoli foi sorteado como relator. Em vez de pedir que outro ministro assumisse a relatoria, ele “matou no peito” e não só aceitou o recurso como ainda impôs um sigilo inexplicável e injustificável sobre as investigações, transformando-as em uma caixa-preta à qual pouquíssimas pessoas têm acesso.

O mero fato de magistrado e advogado terem viajado juntos, antes que Toffoli fosse sorteado para o caso, por si só não basta como indício de alguma relação escusa. Mas, ao aceitar a relatoria depois que a viagem aconteceu e, pior ainda, mantê-la depois que o país inteiro soube da carona compartilhada no jatinho, Toffoli demonstra desprezo total pela necessidade de os juízes manterem uma postura institucional que afaste a mínima suspeita de favorecimento a qualquer das partes. Quem, em sã consciência, pode condenar quem questione a autoridade moral de Toffoli para relatar o caso do Master?

E, quando o país já se indignava com a carona aérea de Toffoli ao lado do advogado de uma causa bilionária que agora está sob sua responsabilidade, estoura outro escândalo ainda mais comprometedor: os detalhes do contrato do Master com o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Por serviços de assessoria e consultoria jurídica, o banco pagava a vultosa soma de R$ 3,6 milhões mensais, ou R$ 129 milhões no espaço de três anos. O contrato estava no celular de Vorcaro, com mensagens nas quais o dono do Master dava prioridade total aos pagamentos, dizendo que eles “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”.

Só os muito ingênuos (como os que se tranquilizam com o fato de Toffoli ter dito a interlocutores que não falou sobre o Banco Master com Botelho) haverão de acreditar que Vorcaro escolheu contratar e pagar regiamente o escritório da esposa de Moraes por sua notável expertise jurídica; muito mais plausível é que o banqueiro, já muito próximo de gente graúda no Executivo e no Legislativo, buscasse o mesmo no Judiciário – o Master, aliás, aparece como patrocinador de eventos no exterior dos quais Moraes, Toffoli e outros ministros do STF participaram. Esse tipo de aproximação é consequência natural de uma decisão de 2023, na qual o Supremo permitiu que juízes pudessem julgar ações em que figuram como partes clientes de escritórios em que cônjuges, companheiros ou parentes desses magistrados trabalhem ou sejam sócios.

As relações indecentes entre ministros e o Master são a cereja em bolo repleto de arbítrios, ilegalidades, e atitudes nada condizentes com o cargo que ocupam

Apontar essas situações – que, como dissemos, criam conflitos de interesse que violam qualquer código de conduta na iniciativa privada – e afirmar que elas desqualificam Toffoli e Moraes (se não legalmente, ao menos moralmente) para atuar em qualquer ação envolvendo o Banco Master não é nenhum “ataque à democracia”, por mais que os ministros adorem deslegitimar nestes termos qualquer crítica que se lhes faça. O mínimo que se espera de membros da principal corte do país é que tenham a decência de se comportar de modo que afaste qualquer suspeita sobre sua atuação, seus votos e suas decisões.

O lamentável episódio de julho deste ano, quando Moraes mostrou o dedo do meio a torcedores durante uma partida de seu time, não foi arroubo momentâneo, mas a manifestação física de algo que os ministros do Supremo, com raras exceções, têm feito a todo o Brasil, incluindo suas leis e sua Constituição. As relações indecentes entre ministros e o Master são a cereja em bolo repleto de arbítrios, ilegalidades, e atitudes nada condizentes com o cargo que ocupam: inquéritos abusivos, abolição das liberdades e garantias democráticas, atuação político-partidária, ambições de protagonismo e poder desmedidos em violação à independência entre poderes, tudo isso sem nenhum tipo de contenção ou prestação de contas. Enquanto persistir a omissão dos que deveriam exercer o papel constitucional de contrapeso e de outros atores políticos que têm nas mãos as ferramentas para denunciar o abuso (como a CPI do Abuso de Autoridade na Câmara, que Hugo Motta segura de modo covarde), continuaremos assistindo a esses e outros escândalos.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/banco-master-dias-toffoli-alexandre-de-moraes/

Paulo Briguet

Esqueçam as eleições, estamos numa ditadura

Moraes, o ex-jogador Ronaldo e Lula durante o lançamento do SBT News. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Há exatos 57 anos, numa sexta-feira 13, o ditador Artur da Costa e Silva reuniu-se com seus ministros em Brasília para formalizar a edição do Ato Institucional nº 5, pelo qual o governo federal adquiriu o poder de perseguir opositores, cassar mandatos de parlamentares, suspender direitos políticos dos cidadãos, apreender bens e recursos de adversários do regime, suspender o direito de habeas corpus para acusados de crimes políticos e desobrigar-se de prestar qualquer satisfação por seus atos. O AI-5 também instituía o fechamento do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, a intervenção federal em municípios e a censura prévia aos meios de comunicação.

Vocês, meus queridos sete leitores, conhecem algum lugar do mundo em que isso esteja acontecendo atualmente?

Um dos participantes da reunião que instituiu o AI-5 era o então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, que, em determinado momento, dirigindo-se ao ocupante da Presidência, disse:
— Sei que a Vossa Excelência repugna, como a mim e a todos os membros deste Conselho, enveredar pelo caminho da ditadura pura e simples, mas me parece que claramente é esta que está diante de nós. […] Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência.

No mesmo dia em que Passarinho pronunciava essas palavras, a 1.005 quilômetros de distância, numa maternidade da Pauliceia Desvairada, nascia o rebento do casal Leon Lima de Moraes e Glaucia de Almeida Moraes.

O menino futuramente se tornaria advogado formado pela Faculdade de Direito da USP, secretário estadual de Justiça de São Paulo, secretário municipal de Transportes de São Paulo, secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, ministro da Justiça do governo Michel Temer, ministro do Supremo Tribunal Federal e um ditador digno de suceder o homem que assinou o AI-5 na sexta-feira 13 de seu nascimento.

Estou falando, por óbvio, do Imperador Calvo, governante autocrático da República Socialista do Brasil, “dessancionado” (perdoem-me o neologismo) pelo governo Trump um dia antes de seu aniversário, na última sexta-feira.

No texto assinado por Costa e Silva e seus asseclas, em 1968, vale ressaltar a linguagem francamente revolucionária, que colocava os interesses do regime acima dos direitos fundamentais:

“CONSIDERANDO que a Revolução Brasileira de 31 de março de 1964 teve, conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana, no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção, buscando, deste modo, os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direto e imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional de nossa pátria…

“CONSIDERANDO que o Governo da República, responsável pela execução daqueles objetivos e pela ordem e segurança internas, não só não pode permitir que pessoas ou grupos antirrevolucionários contra ela trabalhem, tramem ou ajam, sob pena de estar faltando a compromissos que assumiu com o povo brasileiro, bem como porque o Poder Revolucionário, ao editar o Ato Institucional nº 2, afirmou, categoricamente, que não se disse que a Revolução foi, mas que é e continuará e, portanto, o processo revolucionário em desenvolvimento não pode ser detido…

“CONSIDERANDO que esse mesmo Poder Revolucionário, exercido pelo Presidente da República, ao convocar o Congresso Nacional para discutir, votar e promulgar a nova Constituição, estabeleceu que esta, além de representar a institucionalização dos ideais e princípios da Revolução, deveria assegurar a continuidade da obra revolucionária…”

Substitua-se revolução por democracia e teremos uma síntese do projeto de poder PT-STF. O que o regime alexandrino fez e pretende continuar fazendo com o país tornará os abusos da ditadura militar, em comparação, parecidos com brincadeira de criança. Após a queda da Lei Magnitsky, a escalada totalitária crescerá em progressão geométrica. Escrevam o que estou dizendo.

Se, em dezembro de 1968, após a decretação do AI-5, alguém viesse falar em candidaturas presidenciais no Brasil, seria tratado como idiota ou cúmplice da ditadura.

Por isso, meus sete amigos, esqueçam as eleições: estamos na ditadura. O próximo presidente será aquele que o STF permitir e estará entre aqueles que se confraternizavam calorosamente na inauguração do SBT News, enquanto Bolsonaro e os reféns do 8 de janeiro amargam suas mortes em vida na cadeia.

Esqueçam as próximas eleições e pensem nas próximas gerações.

FONTE: GAZETA DO POVO https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/paulo-briguet/esquecam-as-eleicoes-estamos-numa-ditadura/

SBT se manifesta depois de evento com Lula e Moraes

A direção do SBT manteve o especial de fim de ano de Zezé Di Camargo na programação, mesmo com o pedido público do cantor para que o programa não fosse exibido. Segundo informação do portal LeoDias, a atração segue prevista para quarta-feira 17, às 23h, logo na sequência do Programa do Ratinho.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que Daniela Beyruti, presidente da emissora e filha de Silvio Santos, divulgou uma carta aberta em resposta às críticas recebidas pela participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento de lançamento do canal SBT News.

Entre as reações, Zezé publicou um vídeo no qual demonstrou insatisfação com a presença de Lula no evento e afirmou não querer decepcionar parte do público brasileiro. No registro, o cantor também pediu que o SBT reconsiderasse a exibição de seu especial.

Presença de autoridades no lançamento

O lançamento do SBT News reuniu representantes de diferentes Poderes e esferas políticas. Lula compareceu ao evento e publicou imagens ao lado de Daniela Beyruti, Patricia, Rebeca e Renata Abravanel. Em outro momento, o presidente aparece ao beijar a testa de Íris Abravanel, viúva de Silvio Santos.

Também participaram da cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

Diante da repercussão, Daniela Beyruti afirmou que a proposta do novo canal é oferecer um jornalismo sem alinhamento político e com foco na apresentação dos fatos. A presidente do SBT destacou pesquisas de credibilidade e reafirmou os princípios editoriais que norteiam a emissora.

Ao final, a executiva convidou o público a acompanhar a programação do SBT News para avaliar, na prática, o conteúdo produzido pelo canal. A seguir, a integra da carta divulgada pela presidente do canal:
“Nos últimos dias, minha família tem sido alvo de críticas, antes mesmo de apresentarmos a nossa proposta para o SBT News. Isso é exatamente o que queremos combater: a falta de dialogo entre um povo que tem muitas virtudes e que amamos tanto.

Nos últimos cinco anos, o SBT foi reconhecido pelas pesquisas realizadas pelo Instituto Reuters como o jornalismo de maior confiança e credibilidade. Nosso jornalismo segue uma carta com princípios do meu pai e fundador.

Foi justamente por conta dessas pesquisas e dessa carta com esses princípios que tomamos coragem para abrir um canal de notícias com a proposta de entregarmos mais do que somos e temos. Somos imparciais e isentos. Cabe a nós mostrarmos os fatos e, ao público, julgá-los.

O lançamento do projeto, na última sexta-feira, 12/12, refletiu essa pluralidade e o respeito a todas as instituições. Tivemos representantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo.

Ditas todas essas coisas, lamento a forma como temos sido mal interpretadas.
Antes de as pessoas verem nosso trabalho, decidiram julgá-lo.

Queremos entregar ao Brasil um jornalismo confiável, sem partido, sem lado. Um jornalismo que não terá viés, não terá algoritmo, não provocará divisão e raiva entre as partes, não será nutrido por inteligência artificial e dará ao público apenas a notícia e a verdade dos fatos.

Amamos nosso país, torcemos por ele, amamos nosso povo, trabalhamos para ele e convidamos a todos a embarcarem nesse projeto que deseja amenizar os ânimos.

A todos os que têm dúvidas ou receios, faço um convite: assistam ao SBT News.
Vocês verão, na prática, o jornalismo de qualidade e independente, que é a nossa marca”.

FONTE: REVISTA OESTE https://revistaoeste.com/imprensa/sbt-se-manifesta-depois-de-evento-com-lula-e-moraes/?utm_source=taboola&utm_medium=personalized-push

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